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A cultura da chulice no governo geringonço

por John Wolf, em 27.05.17

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Assim à meia-volta, sem rodeios e eufemismos - Portugal tem tradição de chulice laboral. Quantas vezes, ao longo de várias décadas de existência laboral nos mais diversos sectores, fui aliciado para trabalhar para aquecer. Irei mais longe. Tantas vezes tentaram, sem êxito, convencer-me que tinha muito a ganhar com determinadas prestações, mas que não significaria ganhar dinheiro. Não confundamos o favor voluntário que se presta a um amigo, de livre e espontânea vontade, com o abuso de posição dominante no quadro profissional. Os precários-escravos, a que chamam de estagiários nas empresas, e pelos vistos no próprio governo, contribuem para a manutenção desse costume de exploração laboral. O que se passa nem sequer se inscreve nos meandros da compensação rasante da padaria portuguesa. Falamos de indignidade e desrespeito pelo esforço intelectual, mensurável em termos objectivos, qualitativos, quantitativos e monetários. Podem meter os estágios curriculares na gaveta e a experiência profissional naquele sítio. Os jovens que se sujeitam a este género de sevícias há muito que deveriam ter ido para a rua para armar confusão de indignados. Mas não podem porque existe uma dimensão que está a ser omitida nesta narrativa. Aqueles lugares de estágio estão reservados a filhos e enteados, filiados e rebentos saídos de associações académicas com bandeiras partidárias favoráveis. Não seria de todo despropositado nomear uma comissão de inquérito parlamentar para desparasitar de vez os organismos que fazem uso desta prática abusiva de troca diferida de favores. Os jovens que para ali vão trabalhar para aquecer, sabem que mais dia menos dia farão parte do clube - serão integrados. E um dia mais tarde, quando forem crescidos, poderão exercer o mesmo magistério de subjugação "pro bono" a nubentes sortidos de um qualquer grémio de recrutamento político.

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publicado às 20:25

Alberto Gonçalves, A carteira e a vida:

 

«As patrulhas não dormem. Uma campanha da Samsung filmou uma jovem ligada à moda a enumerar desejos para 2013. O principal desejo consistiu numa carteira Chanel, que a jovem sonha comprar logo que junte dinheiro para tal. A irrelevância do anúncio é tamanha que nenhuma criatura psicologicamente equilibrada repararia nele. Por sorte, o Facebook está repleto de criaturas à beira de um colapso nervoso e o filmezinho em questão transformou-se depressa no que agora se designa por fenómeno viral. Muitos milhares de pessoas decidiram considerar criminosa a ambição pela tal carteira e, com a indispensável valentia que define a raça, começaram um processo de enxovalhamento da jovem, de seu nome Filipa Xavier.

É ou não é bonito? É, sim senhor. Sobretudo num país em que todos os dias figuras públicas, semi-públicas e anónimas exprimem sem pudor nem consequências alucinados apetites. O dr. Mário Soares pode ansiar por guerras civis, europeias ou mundiais que o vulgo não arrisca um comentário menos abonatório. O inqualificável prof. Freitas e o sr. Carlos da CGTP reclamam a dissolução do Parlamento e o vulgo acha o pedido normalíssimo. Diversos capitães de Abril reivindicam golpes de Estado e o vulgo não dá um pio. Comentadores encartados e o sr. Baptista da Silva convocam a "solidariedade" europeia a patrocinar-nos os delírios e o vulgo aplaude. Jornalistas que perceberam mal a natureza da profissão adoptam a retórica demagógica em vigor e o vulgo aprecia a proeza. O próprio vulgo, ou parte dele, ciranda por manifestações e "telejornais" a exigir em simultâneo protecção social e isenção de impostos. E nada disto suscita uma fracção do escárnio inspirado pela carteira Chanel. Ou uma chamada aos estúdios da Sic.

Numa das páginas mais embaraçosas do jornalismo pátrio, Filipa Xavier viu-se entrevistada no noticiário por aquela senhora que, durante dez minutos, tentou uma carreira como correspondente de guerra. "Entrevistada" é força de expressão: Filipa Xavier foi alvo de um interrogatório paternalista, onde acabou forçada a fazer votos de pobreza pessoal e familiar, a mostrar-se aflitinha com a situação económica e, juro, a garantir que ajudaria os desvalidos a vestirem-se para concorrer a um emprego. Entretanto, a referida "jornalista" esqueceu--se de exibir o guarda-roupa ou de anunciar a partilha do salário, decerto superior aos confessos 700 euros de Filipa Xavier. E a Samsung suspendeu a campanha. A pior crise está nas cabeças, não na carteira.»

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publicado às 16:47

Câncio Sobre Passos Coelho

por joshua, em 22.12.12

«Não há como negar: temos o primeiro-ministro mais aldrabão, incompetente, irresponsável e perigoso de sempre (desde que há eleições livres, bem entendido).» Em geral, a opinião de Fernanda Câncio não vale a ponta de um corno. Passe o eufemismo, um monte de merda a pronunciar-se acerca de um monte de lixo deixar-nos-á invariavelmente na dúvida quanto à pureza de intenções do monte de merda, pelo menos. Conhecida por distorcer e maleabilizar os factos, os pressupostos, as preposições argumentativas, até ao limite dos seus interesses facciosos e pontos de vista do mais tendencioso e venenoso que a imprensa nacional já conheceu, o que tem passado basicamente por suportar o socratismo, todos os seus refinados roubos, desvarios e excessos, Câncio não serve para mais nada. Especializou-se em aputalhar e debochar o debate tanto pelo que omite quanto pelos alvos que privilegia: está tudo bem com a Segurança Social Portuguesa? Bagão Félix é assim tão insuspeito? Passos é um superlativo aldrabão? Até poderia ser verdade. Tudo. Mas há um problema. Se e quando é Câncio quem o afirma, a força performativa da afirmação inverte-se. Aquele que Câncio execra ou detrai só pode ser um santo.

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publicado às 13:00

PSD arrasado! Sondagem U.Católica-Antena 1

por Pedro Quartin Graça, em 19.09.12

Uma semana depois do anúncio de mais austeridade o PSD é quase varrido do mapa eleitoral, ao cair a pique nas intenções de voto dos portugueses. Os sociais-democratas perderam 12 pontos(!!!) percentuais face a junho e recebem o apoio de 24% dos eleitores, o mesmo que PCP e BE juntos, de acordo com uma sondagem da Universidade Católica para o DN, JN, Antena 1 e RTP hoje publicada.

A penalização eleitoral do PSD poupa todavia o seu parceiro de coligação, o CDS, o qual até sobe um ponto percentual, para os 7%. Contrariamente ao que alguns, que não nós, pudessem supor, o PS, não só não sobe, como cai nas estimativas. Ao invés, o PCP sobe de 9% para 13%, enquanto que o Bloco de Esquerda sobe de 9% para 11%.

O número de votos bancos e nulos aumenta de forma dramática, passando de 4% em junho para 11%

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publicado às 19:21

Regras para vir nas capas

por João Pedro, em 08.04.09
Transcrevo na íntegra o artigo de Ferreira Fernandes do DN de Quinta-feira, dia 2, de Abril, com o título "Regras para vir nas capas", sobre os distúrbios na cimeira do G-20 de Londres. Vale imenso a pena.
 
 
Há quem estude, conquiste bolsa, entre em Harvard, seja descoberto pelo gabinete de Obama, levante-se às seis, passe horas a fazer pareceres para Timothy Geithner, regresse a casa às 23 e, depois, nem ganha um bilhete para a cimeira de Londres. Deixa-te disso. Enrola um lenço palestiniano ao pescoço, vai levantar o bilhete à organização altermundialista, salta para a rua londrina, abre o peito - o que lembra Goya e as barricadas da Comuna de Paris (sem os riscos) - e, sobretudo, fica de olho nos fotógrafos que interessam (são os das agências, Reuters, AP...) A ti, meu - não o das pestanas queimadas, mas o das sobrancelhas zangadas para o flash -, serão reservadas as capas dos jornais. Tu, meu, percebeste o mundo. Um dia, vais ver, todas as áreas do mundo serão assim, até a grande área do futebol. O estádio ignorando quem marca golos. Mas a multidão, eufórica, aplaudindo os fiteiros que inventam gestos esquisitos para celebrar golos. Os outros marcam-nos; mas eles, que nem um chuto sabem dar, são o espectáculo. Um dia, o faz-de-conta toma conta disto tudo, vais ver.

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publicado às 01:18

Carta ao provedor do DN

por Pedro Fontela, em 21.07.08

 

Caro Provedor,
 
Escrevo este email para comentar apenas um assunto do vosso jornal que já há vários anos me chama a atenção e me deixa desconcertado. Refiro-me ao espaço da coluna semanal de João César das Neves (JCN). Claro está que o jornal tem direito a publicar as opiniões que bem entender e que achar serem relevantes mas este vosso leitor sente a sua inteligência profundamente ofendida pela boçalidade dos textos em questão – pelo menos daqueles em que fala de assuntos sociais já que nos que aborda temas económicos comporta-se simplesmente como um amador que só ouviu falar numa teoria única que explica magicamente todos os factos económicos do mundo.
Todos nós temos os nossos “ódios de estimação”, faz parte de ser humano e ser activo na vida civil mas o senhor em questão passa em muito das marcas. Uma coisa é eu ter uma interpretação peculiar sobre determinados factos históricos outra coisa muito diferente é ser profundamente ignorante sobre o que estou a falar e mandar bocas absurdas – como calculo que o nível intelectual que o DN se quer colocar não está no da conversa de café de esquina em que cada conviva atira a sua alarvidade penso que deveriam considerar o que tenho a dizer.
Só para dar alguns exemplos do último texto publicado hoje. JCN fala dos males do mundo dando uma visão ao leitor desatento completamente desfasada da realidade. A maior parte dos ditos “malefícios” do mundo moderno que o sr. Professor (da UCP como não podia deixar de ser) correspondem a um processo de luta social extremamente activo que veio significativamente melhorar vida de quase todos nós – aliás a sua visão castradora da sociedade corresponde em tudo ao conservadorismo de sofá que dita que o passado é necessariamente melhor que o presente sem se preocupar com as vidas de todos os outros que seriam negativamente afectados; e a não ser que eu esteja completamente enganado e acções como abolir o processo democrático, instituir a teocracia, reprimir as minorias raciais, sociais e sexuais como no passado sejam tudo grandes projectos de futuro viáveis e o DN se posicione nessa linha ideológica (que sinceramente nem sei se ainda estará dentro da legalidade) não deveriam ter lugar num debate civilizado.
Duvido muito que seja o único leitor do vosso jornal que pense da mesma forma sobre JCN e as suas diatribes apesar de possivelmente ser dos poucos que se dá ao trabalho de vos escrever sobre o assunto. Mas sinceramente o hábito português de assistir passivamente a estes discursos de ódio do género dos que JCN dá semanalmente do seu púlpito é um mau serviço cívico e para contrariar essa tendência deixo aqui o meu descontentamento e o meu pedido a que o DN crie algum tipo de critério de credibilidade para os seus comentadores para que não possam cair nestas posições absurdas em que fazem afirmações ofensivas e ignorantes num vazio de informação.
 
Melhores cumprimentos,
Pedro Fontela
 
Ps: o texto que vos envio foi também publicado no blog “Estado Sentido” http://estadosentido.blogs.sapo.pt/

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publicado às 14:48






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