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Portugal na Monocle

por Samuel de Paiva Pires, em 23.02.17

A edição mais recente da Monocle inclui um relatório de 64 páginas dedicado a Portugal que aborda temas como o ambiente de negócios, o sector do turismo, a gastronomia, as livrarias, a indústria do vinho, entre outros. Não digam nada é aos ultra-pessimistas crónicos cá do burgo que julgam viver num país subdesenvolvido.

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(também publicado aqui.)

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publicado às 11:06

Davos, Costa e a doce Lagarde

por John Wolf, em 19.01.17

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O que temos. Temos um primeiro-ministro que acredita nas doces palavras de Christiane Lagarde. Aconchegado em Davos, António Costa parece estar a fazer um roadshow das virtudes económicas de Portugal. Fala do tom de voz alterado e simpático da senhora do FMI que agora só diz maravilhas de Portugal. Faz fé na boa-vontade e no lirismo da directora-geral do FMI, como se isso fosse garantia do que quer que seja. Deveria, em vez disso, apanhar Mario Draghi e agradecer a continuação da operação de compra do BCE, no mercado de títulos do tesouro. Gostava de ver o caderno de encargos do governo da república portuguesa no que toca a atrair investimento estrangeiro. Qual a estratégia a médio/longo prazo? Que plano existe para transformar a economia de um país fortemente dependente do sector dos Serviços e do Turismo em algo mais substantivo. Se alguém tivesse que fazer um desenho de Portugal e da sua economia teria certamente algumas dificuldades. Não se percebe  qual o peso da economia marginal? Não se sabem ao certo as virtudes financeiras do Processo Marquês e como isso contribuiu para o desenvolvimento do país. São pastas com alguma importância que não foram levadas na bagagem para a estância dos bilionários neo-liberais-bilderbergianos de um sistema capitalista roto e perto de uma ruptura dramática. Em todo o caso - nothing really matters. A mudança, desejada ou não, chega amanhã para plantar tumulto no pobre espírito de pequenos ou grandes ladrões. Isto vai abanar. Há muito que estava para abanar. E Costa reza como se fosse um aprendiz de mezinhas. Sonha com o deficit abaixo dos 2,4% como se fosse um sinal de transcendência, de verdade.

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publicado às 20:06

What exactly is an entrepreneur?:

In a new paper Magnus Henrekson and Tino Sanandaji argue that the number of self-made billionaires a country produces provides a much better measure of its entrepreneurial vigour than the number of small businesses. The authors studied Forbes’s annual list of billionaires over the past 20 years and produced a list of 996 self-made billionaires (ie, people who had made their own money by founding innovative companies as opposed to people who inherited money or who had extracted it from the state). They demonstrated that “entrepreneur density” correlates with many things that we intuitively associate with economic dynamism, such as the number of patents per head or the flow of venture capital.

 

They also demonstrated it correlating negatively with rates of small-business owners, self-employment and startups—in other words that many traditional measures are about as misleading as you can get.

 

Countries with a lot of small companies are often stagnant. People start their own businesses because there are no other opportunities. Those businesses stay small because they are doing exactly what other small businesses do. The same is true of industries. In America industries that produce more entrepreneur billionaires tend to have a lower share of employees working in firms with less than 20 employees.

 

This makes sense: successful entrepreneurs inevitably destroy their smaller rivals as they take their companies to scale. Walmart became the world’s largest retailer by replacing thousands of Mom-and-Pop shops. Amazon became a bookselling giant by driving thousands of booksellers out of business. By sponsoring new ways of doing things entrepreneurs create new organisations that employ thousands of people including people who might otherwise have been self-employed. In other words, they simultaneously boost the economy’s overall productivity and reduce its level of self-employment.

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publicado às 15:53

Portugal, DBRS e cães amestrados

por John Wolf, em 23.10.16

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Que raio de construção é esta? Portugal está dependente de avalistas como a DBRS para garantir a continuidade dos financiamentos do BCE? Há aqui diversos elementos miseráveis. Um Estado alegadamente soberano está nas mãos de uma casa de rating que nem sequer é um Estado. A DBRS não tem governo, não tem território, não é uma nação, não tem um exército, embora tenha uma língua, mas dá ordens ao BCE. A Europa da União, com tantos anos de casa, nem sequer foi capaz de se auditar internamente, nem sequer é capaz de ter a sua própria agência de rating. Recorre a uma casa de apostas canadiana. Por outro lado, Portugal tem um governo de ficções. Uma entidade tri-partidária que inventou o boato de que acabou a austeridade, mas que efectivamente a eterniza. Mário Centeno e António Costa decepam os gargalos de espumante Raposeira como se o mais recente carimbo da DBRS, que mantém Portugal junto ao portão da lixeira, valesse alguma coisa e fosse fruto do grande empenho e competência deste governo. O BCE sabe muito bem o que está a fazer. Em vez de validar a emancipação de Portugal, prolonga a bengala. As facilidades concedidas agora (e desde sempre) implicam agravamentos mais adiante. Mas há mais vida para além de Draghi e Centeno, que com este diálogo de vencedores, apenas compram mais 6 meses de validade. Os homens defendem os seus empregos, sem dúvida alguma, contudo, lá fora, no mundo dos tubarões, todos sabem que Portugal derrapa porque o alegado piquete de emergência pôs travão às verdadeiras reformas de que o país necessita. Centeno quer fazer boa figura nas reuniões do Conselho junto dos seus pares da União Europeia e até usa uma linguagem de cão amestrado - "se calhar até vamos cumprir melhor os compromissos do que outros países e pode ser que depois se entretenham com outros países e não connosco" (...)

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publicado às 09:34

Sou um economista da treta

por John Wolf, em 18.10.16

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Não sou economista. Fiz uma cadeira do curso no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) - a casa-mãe-fornecedora de uma grande leva de economistas-socialistas - pensem Constâncio. Curiosamente, a única cadeira que completei antes de mudar de curso (para Relações Internacionais) era considerada um bico de obra: Estatística (I). Ou seja, sou a última pessoa à face da terra para oferecer modelos de salvação económica, seja de inspiração Chicagiana, ou seja com o sopro bafejado por Hayek. Em termos de mercado, posiciono-me do lado da oferta de perguntas, esperando que os técnicos de serviço possam procurar e conceder a resposta. O Governo de inspiração orçamental afirma que todos os pressupostos de aprovação do mesmo foram apresentados nesse mesmo documento. A minha pergunta é simples: quanto custa? Qual o custo de oportunidade de cada empregado? E qual o rendimento marginal de cada pensionista? Eu sei, eu sei. Depende de muita coisa. Blá blá blá, blá blá blá. Então simplifiquemos. Nesse caso, peço apenas uns rácios (sim, de racionalidade). Qual a relação entre a colecta de impostos e a geração de emprego? Em que medida as receitas fiscais impactarão a procura de emprego? De que modo os fundos provenientes do imposto sobre valores patrimoniais acima dos 600 mil euros contribuem para a dinamização de empresas? Talvez esteja a perguntar aos cientistas errados. Estas questões de linearidade talvez pertençam a outro domínio de pensamento directo. Cada vez que emitem uma nova guia de remessas tributárias atravessa-se-me pelo espírito uma sensação estranha - de vazio comportamental. Ninguém me conseguiu explicar cabalmente as ligações sinápticas entre uma coisa e outra. A gordura que sai do pêlo de cada um vai exactamente para onde? Para um aterro de margens de erro? Os economistas-políticos, ou o contrário, são uma espécie perigosa. São experimentalistas com cobaias avulso. Prefiro uma estirpe distinta. Os puros. Aqueles que pensam e dissecam, mas não se pôem a inventar soluções governativas à custa do freguês.

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publicado às 10:29

Silly sanções season

por John Wolf, em 29.07.16

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É isto que interessa. E o resto são lérias - a competitividade da economia portuguesa. António Costa deve colocar de lado o circo das sanções e encarar a música. A tónica de Centeno tem sido o estímulo do consumo. Ou seja, começa pelo fim. Em vez de pensar em gerar riqueza e investimento (e depois o consumo), querem afagar o pêlo bronzeado dos portugueses, dando-lhes uns cupões para gastar na silly season. Atente-se no detalhe expresso pelo Fórum para a Competitividade: "os valores apresentados pela DGO não representam a verdade orçamental e que assistimos a uma repetição do que já se passou em 2001 e 2009“. Em suma, nada disto é novo. Que o diga José Sócrates que já se pôs de joelhos para ver se lhe continuam a dar de mamar vitaliciamente - as fotocópias já não são o que eram.  Aliás, Sócrates é a perfeita imagem de um país destroçado pelos excessos. Se a crise fosse um país, Sócrates seria a mascote perfeita do desespero. Enquanto a bomba não rebentar, no leilão de resgate da Caixa Geral de Depósitos (CGD) discutem os milhares de milhões de euros como se de feijões inconsequentes se tratassem. Já que a pasta CGD está a ser discutida com o conhecimento (e aval) de entidades europeias, não vejo como tal colosso de berbicacho possa ser tratado à margem de considerações orçamentais genéricas. Por outras palavras, não acredito em sanções, mas que elas existem, existem. Têm outro nome - aumento de impostos, de IVA, de IMI, congelamento de salários, etc, etc. Em suma, anti-austeridade à moda antiga. 2011, não tarda nada.

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publicado às 20:36

Dos mercados

por Samuel de Paiva Pires, em 28.06.16

Dragão, Dominó, Chain reaction, Whatever!...:

Todavia, não deixa de ser bizarro... Os mercados fustigaram a Grécia porque ficou, fustigaram Portugal porque nem à chapada e a chicote de lá saíria, fustigaram a Rússia, a China e a República Centro Africana (todos os meses) porque não pertencem; fustigaram até o Estados Unidos sabe Deus porquê, e agora vão fustigar também os Britânicos porque saem? A verdade é que saiam, fiquem, ou nem por isso, são fustigados. Na medida em que os tais mercados se converteram num flagelo já não valem como argumento. É irrelevante o que um país faça em termos de acordos internacionais perante um flagelo. Esteja o céu para aí virado, apanha com ele e pronto. É como os furações, os terramotos ou as enxurradas.Ou seja, os Mercados já pertencem mais ao domínio da metereologia do que da economia. Digo da metereologia porque estou a ser simpático: o termo rigoroso é astrologia (bruxaria e candomblé se estivermos com exactidões).

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publicado às 10:35

Centeno, um humorista encostado às Cordes.

por John Wolf, em 16.06.16

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Mário Centeno não é Sinel de Cordes. O ministro das finanças pratica outro género de humor. A sua comédia é mais do tipo absurdo. Agora anda a pedir para que invistam em Portugal. E aqui reside uma grande parte da contradição. Portugal não é, decididamente, investor-friendly. Se esta malta da geringonça fosse inteligente já teria criado onshores - zonas de exclusão fiscal no país continental, e em particular nas zonas mais afectados por altas taxas de desemprego, pobreza crónica e ausência de tecido industrial. Simples. Já teria criado mecanismos de financiamento ao nível autárquico como acontece nos Estados Unidos - nunca ouvi falar de municipal bonds - títulos de dívida para financiar obras em concreto que se venham a desenvolver nas autarquias. Mas há mais matéria de nível infantil que não está a entrar na cabeça de Centeno. Um dos pressupostos que empresta confiança a um país consubstancia-se no seu grau de checks, controls and transparency. Ora a Caixa Geral de Depósitos está a ser protegida pelo governo que não apoia a ideia de uma comissão parlamentar de inquérito a seu propósito. Por outras palavras, um investidor estrangeiro nem sequer pode contar com o due diligence do governo nacional. Depois somos confrontados com outra barbaridade do mercado contaminado por preferências ideológicas. As "desprivatizações" em curso enviam um sinal claro a potenciais investidores - Portugal tem sintomas de Venezuela. E isso segue em sentido contrário à ideia de investimento seguro. Sabem lá essas multinacionais se a geringonça de repente decide afiambrar-se do que não lhe pertence com uma taxa inventada à pressão? O Commerzbank tem razão no que afirma. Portugal inverteu o rumo iniciado pelo governo anterior, mas essa mudança de sentido de marcha não melhorou nem o nível de vida dos portugueses nem as condições de atracção de investimento directo estrangeiro. O Centeno e os outros que andam em Paris nem sequer são capazes de esboçar um pacote de oferta para aqueles que venham a ser intensamente afectados pelo Brexit. Afinal o que anda Centeno a inventar para captivar algum incauto? Só pode ser ficção. Um conjunto de baboseiras.

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publicado às 08:56

Só vejo UBERs à minha frente

por John Wolf, em 30.04.16

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Muito obrigado. Passei a ver UBERs em tudo e mais alguma coisa. No jornalismo - a realidade não pertence aos media nem aos repórteres. Na imperial - a cerveja à temperatura certa a 50 cêntimos mesmo ao lado do Mercado da Ribeira. Nos cabeleireiros - o mesmo corte, a mesma permanente, e mais qualidade a um preço razoável. Nas oficinas de reparação automóvel - com as mesmas garantias e a um terço do preço. Nos serviços de advocacia - o mesmo processo, a mesma lei e os honorários conforme o desfecho jurídico. Nas telecomunicações - o custo de roaming a desaparecer. Enfim, UBER existe desde sempre. Desde Adam Smith. Desde a teoria das vantagens comparativas. O país que descobriu o mundo, que navegou mares desconhecidos e trouxe prata e marfim, ouro e especiarias, é o mesmo que inventou a UBER. Quando Portugal se fez aos mares alterou por completo a estrutura da economia mundial, dinamitou as relações laborais e volvidos séculos continua a encher o peito dos portugueses com um sentido de orgulho muitas vezes questionável, contraproducente. Fizeram a revolução há 42 anos? Pois bem. Foi para isto mesmo. Para que o espírito empreendedor se pudesse libertar. Quem não entende o que está em causa não entende o processo civilizacional. O de Elias ou de outro qualquer.

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publicado às 07:18

Orçamento número 44

por John Wolf, em 23.02.16

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Alguém pode ajudar? Estou a tentar falar com o ministro Vieira da Silva. Já liguei para o Parlamento uma série de vezes e informam-me que o senhor está a discursar e que está muito ocupado. Está a falar insistentemente sobre evasão fiscal e do delapidar de contas públicas. E também sobre solidariedade. Mas esqueceu-se de um pequeno pormenor que não deve fazer parte dos capítulos do Orçamento de Estado de 2016. Gostava de saber que medidas de controlo e sanção serão implementadas por forma a que alguém do aparelho de poder não deite a mão a dinheiro alheio? Sim, estou a pensar em José Sócrates. O herói do Simplex. O homem do Magalhães. E alegadamente o homem dos offshores e malas de euros. Gostava de saber qual o impacto orçamental dos devaneios do número 44 nos anos passados e vindouros? Ao bom estilo socialista, a memória é selectiva. Não lhes convém lembrar essa pedra no sapato. Vieira da Silva, campeão da solidariedade, não passa de um dispensador de frases-feitas, de um mero gestor de máximas socialistas completamente desfasadas da realidade. O governo em funções declama a poesia de justiça económica e social, mas não explica como vai financiar a fantasia. As contas não irão bater certo por mais que insistam na superioridade moral. Onde está o corte nas gorduras do Estado que escorreram em tantos cartazes de campanha do Partido Socialista? Como irão gerar emprego? Não explicam. Mas garantem que o crescimento económico é uma dimensão sem ligação ao emprego. Ora para isso acontecer, as contribuições fiscais têm de aumentar. E aqui reside grande parte da mentira económica e financeira que não passará em claro junto dos credores internacionais e dos eleitores. O Orçamento de Estado (OE) respeita a Constituição (?), repetem eles como se fosse uma mantra, mas esqueçem que esse "diploma" não é uma ferramenta de governação. Quanto muito será um modelo de orientação. E aqui reside mais um problema. A sua ortodoxia ideológica, fruto de calores revolucionários, tem sido o entrave, uma parte do conjunto de obstáculos à modernização de Portugal, mas também do Estado e da administração pública. O debate de apresentação e aprovação do OE não sai daquela sala. Não passa do Parlamento. Não migra para a verdadeira dimensão da realidade portuguesa. O governo, defendendo-se sem ser atacado, demonstra a sua vulnerabilidade. Nem sequer consegue liderar da retaguarda. E espelha irremediavelmente algo complexo e pertença da realidade política nacional. A ideologia, seja qual for, domina para bem e para mal. E os socialistas são particularmente dotados na expressão dessa cegueira. Chamem Sócrates que ele deve saber responder a questões de superioridade moral e ética.

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publicado às 15:15

O perigo de governos míopes

por John Wolf, em 27.01.16

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De nada serve o Tratado de Methuen assinado entre Portugal e Inglaterra  - o governo de António Costa tem a obrigação de delinear uma série de planos B para a eventualidade de uma saída britânica do Euro e muito mais que consta da ementa do quadro internacional. Mas os políticos, na sua generalidade, apenas conseguem ver um palmo à frente do seu nariz, obviando uma visão panorâmica e integrativa de diversos factores de risco. A saber; (aquele que acabo de referir - o Brexit), a crise dos refugiados, a obliteração do enunciado pelo tratado de Schengen e o seu impacto nos assuntos internos da União Europeia nos planos social e económico, a desaceleração da economia chinesa, o efeito cada vez mais minguado do programa de estímulo financeiro lançado pelo Banco Central Europeu, as ameaças terroristas convertidas em actos pelo Estado Islâmico em distintos endereços do espaço da UE, a quebra acentuada e continuada do preço do crude, as implicações da política externa da Rússia no que diz respeito à ruptura de equilíbrios já de si frágeis (no contexto do (des)intervencionismo americano), a (des)democratização da Húngria e da Polónia com efeitos nefastos e contagiantes no demais espaço da UE, a possibilidade de uma vitória presidencial de Donald Trump e a implementação de uma política externa intensamente agressiva, o conflito sírio e as suas ramificações no espaço do Médio Oriente, designadamente no que concerne à relação entre o Irão e a Arábia Saudita, a iminência de mais uma crise financeira com impacto acentuado, numa primeira fase, nos mercados bolsistas, e num segundo momento na economia real dos países desenvolvidos; as crises em diversos países emergentes como por exemplo o Brasil, e por último, num plano doméstico, mas não menos importante, a desagregação do actual governo de Esquerda colado a cuspo, e apoiado em acordos frágeis e de conjuntura que não produzem propostas que merecem a aprovação da Comissão Europeia. Enfim, o que está em cima da mesa é de facto incontornável, seja qual for o governo em funções. Acontece que António Costa e o seu tesoureiro Mário Centeno estimam os seus extraordinários resultados baseando-se no princípio de ceteris paribus, quando é precisamente o oposto que sucede. A realidade é um difícil alvo em movimento. E não me parece que este governo tenha a visão panóptica para sequer equacionar o sarilho em que está metido. Agarrem-se à cadeira. Não tenham dúvidas. Isto vai estoirar. Lá e cá.

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publicado às 18:53

A economia como ideologia da vida moderna

por Samuel de Paiva Pires, em 21.09.15

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Roger Scruton, How to be a Conservative:

There is another reason, too, why our politicians have succumbed to the bureaucrats in this matter, and that is the rise and triumph of economics, and its transformation from the science of instrumental reasoning to the ideology of modern life. As a science, with its roots in decision theory, economics involves the valid application to everyday life of indisputable mathematical theorems. As an ideology, however, describing the behaviour of Homo oeconomicus, it involves the replacement of everyday life by a more manageable caricature. As I suggested in the previous chapter, conceived as an ideology, economics describes a world in which value is given in advance of our associations, in which the goals of life are clear and predetermined, and in which the task of politics is simply to assess the costs and benefits and choose the ‘optimal’ solution. When economics triumphs over politics, the sole ‘experts’ consulted are those who promise to replace the difficult, because human, questions of political choice with the easy, because mathematical, questions of economics, starting from assumptions that no one would ever make were he not in the grip of a self-aggrandizing obsession.

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publicado às 23:13

Os caracóis do turismo português

por John Wolf, em 04.06.15

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Portugal é um país contraditório. Preso por ter e não ter cão. Há escassos anos lamentava-se que o sector do Turismo não estivesse a ser aproveitado em todo o seu esplendor. Faz-me espécie que alguns departamentos de uma Esquerda iluminada demonstrem o seu desagrado pelo facto dos encantos de Lisboa terem sido descobertos por essas hordas de turistas delapidadores da identidade nacional. Já havíamos tido a ocasião de escutar Catarina Portas dissertar sobre o arrastão de expressão brejeira da oferta turística na Baixa. Pois é. Nem todos os comerciantes tiveram acesso a certos privilégios de concessão, entre outros favores de difícil qualificação. As vozes que referem a perda da virgindade da identidade nacional, ecoam de palanques esquerdinos que roçam o nacional-proteccionismo. Em época de vagas magras, o Turismo tem sido o farol de vigor económico. É natural que estejamos a assistir a um processo de ajustamento. Existem sempre dimensões na oferta que têm de ser afinadas, mas isso faz parte da passagem a um outro patamar de desenvolvimento. A mentalidade tem, desse modo, de acompanhar os novos tempos. Ninguém disse que a procura acrescida que se regista seria desprovida da evidência das limitações que se apresentam. O quadro maior é que interessa. Portugal é um destino de eleição para milhões de turistas. Mas deixem-me vos contar uma pequena história. Em 1979, quando chegámos a Portugal, mais concretamente ao interior do Algarve, o meu pai, um homem que já havia vivido nos quatro cantos do mundo, ficou rendido a um néctar da região. Sem meias-palavras o meu progenitor reconheceu as virtudes excepcionais de um produto local. Na sua opinão essa pomada era muito melhor que a Grappa italiana ou a Aquavit escandinava. Sim, falo de Medronho. Sem contemplações e ainda com o bafo quente no palato, o meu pai escreveu ao Embaixador de Portugal em Washington a exultar as qualidades daquele licor. E perguntou: por que razão o Medronho ainda não era um produto com expressão mundial, ao que respondeu o Sr. Embaixador - a quantidade produzida artesanalmente não era suficiente para conquistar mercados, ao que o meu pai retorquiu: melhor ainda. O preço do litro terá de ser proporcional - ou seja - alto, muito alto. Não sei se me faço entender, mas esta imagem serve para ilustrar o manancial excepcional de que Portugal dispõe. Veremos que impacto os turistas terão na economia num sentido estruturante e profundo. Mas mais importante do que passageiros de ocasião, serão os nativos que terão de interpretar de um modo assertivo o quadro que se lhes apresenta. A meu ver, está cá tudo. Falta apenas aproveitar estes tempos de sufrágio. Os turistas votaram. E Portugal foi eleito. Bravo.

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publicado às 08:20

O SNS e o queixume crónico

por John Wolf, em 27.05.15

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Em defesa do Sistema Nacional de Saúde (SNS) devo dizer o seguinte: continua a ser um dos melhores do mundo. Por mais queixas que se escutem e protestos que se organizem, Portugal está no Top 10 mundial do sector de saúde pública. Mesmo durante a crise os serviços continuam a desempenhar o seu papel. Obviamente que o SNS também teve de suportar as consequências decorrentes da implementação de medidas de Austeridade. Mas o mesmo está longe da extinção, e não pode nem deve ser utilizado enquanto arma de arremesso político, em nome da honestidade intelectual. Todos os dias, para as centenas que ficam por tratar existem milhares que recebem cuidados adequados. E é essa relação de maioridade que deve ser tida em conta. Se assim não fosse há muito que o SNS não seria sustentável, mas ainda mais importante do que estes números: continua a ser percepcionado pela maioria da população como um excelente serviço do sector público, embora os portugueses tenham especial apetência para reclamar sobre tudo e nada. Nessa medida, há que realçar os aspectos positivos desta odisseia. A capacidade de superação que o SNS tem demonstrado. Mesmo sem os ovos adequados tem conseguido servir as omeletes que o país requer. Se quiserem uma experiência hardcore, experimentem o National Health Service dos Estados Unidos que não se compara nem de perto nem de longe com o caso português. Em suma, o queixume crónico nacional é uma patologia de difícil tratamento. Dizem que não existe cura.

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publicado às 08:21

Draghi e a serenata de Marisa Matias

por John Wolf, em 23.03.15

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Não basta ser engraçada e outspoken para ocupar o cargo. É necessário entender o que está em causa e como funcionam economias e mercados - Marisa Matias não preenche os requisitos do posto que ocupa, para além de ter notórias dificuldades de expressão em língua inglesa. A "tecla dos sacrifícios" que os portugueses estão a passar já está gasta, mas ela continua a bater no velhinho. Sei que custa a certos portugueses aceitar que a viragem está a acontecer. Draghi explica, mas a eurodeputada tem opinião diversa. Nenhum governo no seu perfeito juízo político aprecia a implementação de medidas de Austeridade (não se esqueçam qual foi o governo que assinou o memorando). A penalização tributária e social dos portugueses corre em sentido oposto aos louvores e às vitórias eleitorais. O governo em funções não herdou apenas a roupa suja do mandato anterior, mas o lixo de décadas de incompetência administrativa e política, incluindo o fardo de governos de idêntica cor partidária. Embora não seja declaradamente visível, Portugal está efectivamente a melhorar. Os indicadores económicos estão sempre atrasados ou adiantados em relação à realidade. Não existe sincronia entre o substantivo e as percepções tidas pelos opinion makers, cidadãos comuns e a oposição. Mas a Grécia está a servir o interesse de Portugal. Está a demonstrar como não se faz. Está a provar que não o fez, e provavelmente confirmará junto dos parceiros europeus que não o fará. Para além de tudo o mais, Portugal tem de lidar com o   pessimismo endémico - a tendência para dizer mal quando as coisas correm bem (e vice-versa). Entendo que começem a faltar argumentos a António Costa à luz da evidência da retoma económica de Portugal. Quanto a Marisa Matias, ela também serve a Democracia. Levanta questões com um grau de ingenuidade de uma criança, mas com traços de distorção que caracterizam um adulto que tarda em aceitar os factos incontornáveis da vida. Os sapos a engolir serão concerteza muitos. Afinal estamos na Primavera.

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publicado às 18:14

Don´t cry for me Greece

por John Wolf, em 12.02.15

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Vamos lá ver se a gente se entende. Foi a 12 de Junho de 1975 que a Grécia solicitou a adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE) e a 1 de Janeiro de 1981 tornou-se efectivamente membro da CEE. Foi aquele país que quis fazer parte do clube da modernidade europeia. Foram eles que analisaram as implicações do projecto europeu. Ou seja, a Grécia dispôs de 40 anos para se organizar de um modo sustentável e pôr a casa em ordem. Teve quatro décadas para praticar a economia de mercado que bem quis. Teve tempo suficiente para passar de um país economicamente atrasado a país desenvolvido (ou em vias de desenvolvimento). Recebeu rios de dinheiro a fundo perdido (tal como Portugal), ao abrigo da necessidade de nivelar as diferenças entre o norte e sul da europa comunitária - os tais fundos estruturais e outros com a mesma finalidade. Pelo meio ainda teve fôlego para brincar à "sofisticação dos ricos" e organizar uma edição dos Jogos Olímpicos. Mas lamento: agora tenho de entrar com uma componente cultural, a dimensão que determina o sucesso de uns e o falhanço de outros. Podem vir com o argumento da intenção do eixo franco-alemão em alargar os seus mercados a compradores de Mercedes e BMWs por essa Europa fora, mas essa explicação assente numa ideia de exploração colonial intra-europeia não pega. Por que razão uns se propõem a objectivos e os alcançam, e outros nem por isso? Por que razão uns são suecos e outros cipriotas? Será uma questão étnica ou racial? Não. Será uma questão ética? Talvez. Provavelmente. Certamente. Em tempos de convulsão política onde se exige a cabeça de uns e os braços de outros, estamos obrigados a esta reflexão sobre as causas profundas do descalabro existencial de certas sociedades. Esse exercício de auto-crítica é penoso, mas qualquer nação à face da terra está obrigada a encarar a sua condição existencial. Pode ser que o paradigma europeu esteja a ser posto em causa, mas a explicação exclusivamente financeira não serve para responder à totalidade do questionário. Se o casamento entre a Grécia e a Europa tiver que chegar ao fim, que assim seja, sem dramas. Provavelmente com drachmas.

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publicado às 09:18

Portugal Pós-Troika

por John Wolf, em 20.06.14

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publicado às 11:19

A era da inflação já chegou

por John Wolf, em 18.06.14


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publicado às 09:44

Porque vão todos à Feira Nacional da Agricultura? Não existe partido que não mande um dos seus dar uma volta pelo recinto. Não tinha Portugal deixado de ser um país agrícola? Quando chega a hora das eleições, o voto do agricultor falido conta. Por essa razão, quer Portas quer Costa vão visitar os rebanhos e exultar as virtudes de uma bela alfaia agrícola. Não sei qual o real peso da agricultura na economia nacional, mas tenho a certeza que não deve ser grande coisa. Começamos a ficar cansados com o cinismo despudorado, a política oportunista versada na utilização de simbologias antigas em regimes transformados. Mas uma coisa é certa, invariavelmente lá vão eles ordenhar o eleitorado, como se de repente fossem afectados por uma intensa gula das couves.

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publicado às 09:16

A propósito da saída da troika e das eleições europeias

por Samuel de Paiva Pires, em 18.05.14

Marcel Prélot e Georges Lescuyer, História das Ideias Políticas, vol.II, Lisboa, Editorial Presença, pp. 370-374:

 

"O «fim das ideologias» pode significar duas coisas. Em primeiro lugar, uma perda externa de influência sobre a opinião; nesta acepção, a desideologização corresponde ao mesmo tempo à despolitização das massas e à personalização do poder. Em seguida, num mundo governado por uma elite votada ao ecumenismo, segundo um molde asséptico que ultrapassa as aparências de uma distribuição por estrebarias políticas concorrentes, pode significar o «fim dos conflitos ideológicos»; no «extremo-centrismo» do pensamento ideológico que assim se instala, os homens estão intelectualmente de acordo e já só exercem opções técnicas ou pessoas. As palavras «convergência», «negociação», «compromisso» ou «avaliação» resumem a nova ordem moral, baça na aparência, e até soporífera, mas de vocação totalitária, baptizada de «consenso». «O pior ópio dos intelectuais consistia anteriormente em imaginar que possuíam o segredo do mundo» (Alain-Gérard Slama, L’angélisme exterminateur, essai sur l’ordre moral contemporain, Paris, Grasset, 1993); doravante, a sociedade exige do perito o que ontem esperava do intelectual. Pouco preocupada com os riscos do corporativismo que a sua atitude implica, confia a uma quantidade crescente de comités e comissões a definição de escolhas que, por sua própria natureza, decorrem da Política. Governar já não é escolher, mas, ao abrigo cómodo de um pragmatismo promovido a virtude, confiar a «especialistas» a missão de o fazer.


(...)

 

Com efeito, cada geração gosta de gabar a sua lucidez e o seu realismo; declara recusar a doutrinação; rejeita a paráfrase retórica; torce o pescoço à eloquência; reclama informação sólida e séria; pretende ter influência directa sobre o mundo e organizá-lo de acordo com as suas leis. Para o historiador das ideias, estas aspirações, longe de serem novas, revestem-se de uma monotonia lamentável.

 

(...)

 

Se alcança o poder, o técnico deixa de o ser, pois não há acção governamental sem opções, e a técnica não pode determiná-las por si só. O que os inevitáveis «sábios», nos seus comités e comissões, podem descobrir, através dos seus relatórios e livros brancos, são, de acordo com o neologismo na moda, «fazibilidades» técnicas (cujo rigor nunca está garantido), e nada mais. Julgados em função dos resultados concretos, os conselhos dessa eminente variedade de peritos, que são os economistas, sublinham cruelmente os limites do procedimento.

 

Isto vale para todos os técnicos e para todos os tempos. Em 1940, a pretensa impossibilidade material da passagem das Ardenas pelas unidades blindadas foi ultrapassada por uma vontade política, a de Hitler. Dezoito meses mais tarde, pelo contrário, esta foi vencida pelo Inverno russo. As soluções técnicas nunca constituem imperativos positivos (a não ser que disfarcem uma usurpação insidiosa do poder de decisão). Ao elaborar o plano europeu, Jean Monnet afirma claramente que não é um técnico, querendo com isso dizer que obedece a opções morais e políticas, as quais não podem resultar apenas da técnica. A Europa não teria conseguido impor-se, certamente, sem uma visão política (v. René Lejeune, Robert Schuman, une âme pour l’Europe, Paris, Éd. Saint-Paul, 1968). A doença que, desde Maastricht, parece afectar a ideia europeia, deixada à discrição da eurocracia bruxelense, mostra a força desta verificação.

 

(…)

 

Com efeito, seria temível uma ilusão que emprestasse a «todos os povos e a todos aqueles que os governam uma só racionalidade, a dos economistas, que comparam custo e rendimento» (Raymond Aron, Penser la guerre, Clausewitz, Paris, Gallimard, 1976).”

 

(…)

 

A sociedade contemporânea não é favorável às ideias porque elas incomodam."

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publicado às 17:49






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