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Sobre o politicamente correcto

por Samuel de Paiva Pires, em 14.02.17

Raymond Boudon - Os Intelectuais e o Liberalismo.j

 

Raymond Boudon, Os Intelectuais e o Liberalismo (Lisboa: Gradiva, 2005), 85-86:

Podemos afirmar que estes diversos factores – a descida média das exigências escolares e universitárias, a implantação de uma epistemologia que desvaloriza o conceito de um saber objectivo – produziram ainda outro efeito de importância crucial: contribuíram para um alastramento do moralismo nos meios do ensino e, mais ainda, nos meios intelectuais, já que é mais fácil emitir um juízo moral sobre um determinado episódio histórico ou sobre um determinado fenómeno social do que compreendê-lo. Compreender pressupõe ao mesmo tempo informação e competência analítica. Emitir um juízo moral, pelo contrário, não pressupõe nenhuma competência especial. O reconhecimento da capacidade de compreender pressupõe uma concepção objectivista do conhecimento. O reconhecimento da capacidade de sentir, não. Acresce que, se um dado juízo moral vai ao encontro da sensibilidade de um certo público, ou cumpre os dogmas que cimentam uma determinada rede de influência, pode ser socialmente rentável.

 

A isto é preciso acrescentar, antecipando uma objecção possível, que o relativismo cognitivo – o relativismo em matéria de saber – não implica de maneira nenhuma o relativismo em matéria de moral. Pelo contrário, o relativismo cognitivo estimula a ética da convicção. Porque, como uma convicção não pode, à luz do relativismo cognitivo, ser objectivamente fundamentada, o facto de ser vivida como justa é facilmente encarado como único critério que permite validá-la. Este critério tende por isso a ser considerado necessário e suficiente. O episódio do Quebeque a que anteriormente me referi, em que um grupo de feministas propôs que fossem atenuadas as exigências do doutoramento a favor das mulheres, com o argumento de que o saber é sempre incerto enquanto as exigências morais são irrecusáveis, é um exemplo que atesta este efeito.

 

Assim se compreende que a desvalorização do saber possa ser acompanhada de uma sobrevalorização da moral ou, mais exactamente, de uma exacerbação das exigências em matéria de igualdade em detrimento de outros valores. É talvez este fenómeno que algumas expressões hoje repetidas à exaustão tentam captar: «o pensamento único», «o politicamente correcto», a political correctness.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 15:26

Educação Low-Cost

por John Wolf, em 31.10.16

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A geringonça está totalmente certa no juízo que faz e na decisão que toma. Para quê investir mais na educação se a moda é falsear currículos? Um corte de 169.5 milhões de euros na Educação é o que está em causa. Não vemos o chefe da FENPROF há séculos, mas agora teria uma boa oportunidade para aparecer de um modo indignado. O que se passa em Portugal? É impressão minha ou a Esquerda já não é o que era? O silêncio do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português merecem preocupações da nossa parte. Afinal não é apenas a Austeridade que está a ser branqueada. Os partidos da libertação do jugo opressor de Bruxelas parecem ter respondido ao chamamento de uma qualquer igreja, de um outro quadrante ideológico. Já viram o que aconteceu no Brasil? O Marcelo Crivella pegou na fivela e deu umas cinturadas na Esquerda brasileira. Devemos temer o efeito de chicote. Quando o povão percebe que não estão a chamar as coisas pelos nomes, rapidamente vira o prego e torce por outra equipa. A Esquerda portuguesa arrisca perder a soma das partes que hoje a define, se continuar a falsear as promessas que faz. E essa noção é básica e transversal a qualquer campo ideológico. É a Democracia, estúpido - aqui, acolá ou nos Estados Unidos. O dito por não dito não resulta. Tem a ver com a licença concedida a um governo para avançar causas que afirmava lhe serem queridas, mas que aparentemente não são. Se eu fosse educador respondia à letra. Contudo, as águas estão paradas. Não sei com que divisa se compra a vacuidade.

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publicado às 10:34

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O ministro da boa educação Tiago Brandão Rodrigues faz muito bem em iniciar o seu "périplo pelo país" no Algarve. Afinal, essa região é sinónimo de turismo, espreguiçadeiras e noitadas. Os verdadeiros testes da vida são mesmo dispensáveis. O pedagogo está pleno de razão. Basta existir e ser medíocre - porque não devemos nunca ser avaliados. A mensagem que este idiota passa aos alunos, mas também aos pais e professores, é que não vale a pena darem o vosso melhor. E dá o melhor exemplo possível; "se eu, que sou fraquinho, cheguei a ministro, sem grandes provas de avaliação, qualquer um de vós até pode vir a ser presidente da república". O que este pseudo-lider instiga é de uma gravidade extrema. Mata a ideia de esforço, de mérito, de  tentativa e erro, de competição saudável, de rigor, de competência, de ambição, de reconhecimento e de hierarquia baseados na qualidade. Este ministro é inimigo declarado da ideia de progresso e desenvolvimento intelectual. Trai o conceito de universidade, de intelectualidade, de enfoque filosófico e corrompe de um modo tão flagrante o alicerce da humanidade: a civilização. Este ministro aprova o reino do caos e insuficiência. Este ministro acredita que existe algo mais poderoso e menos inquietante. A mão invisível de um favor, de uma cunha avulso, para promover ao mais alto grau de incompetência mais do que uma geração. Se não existe uma cultura de nota, o que existe? Uma cultura de amigos nos locais certos? No partido? Na direcção da empresa pública? Um tio no conselho de administração disposto a colocar o afilhado anormal que rouba o lugar que naturalmente estava predestinado ao melhor dos melhores? Deixem lá. Este ministro está no governo há pouco mais de um mês, mas não tarda será despedido, e os socialistas certamente que encontrarão um substituto à altura.

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publicado às 08:50

Sobre a FCT e o sistema universitário nacional

por Samuel de Paiva Pires, em 22.08.13

André Azevedo Alves, Males de um sistema pequeno, fechado e estatizado:

 

«Tenho acompanhado, de várias formas, a epopeia do Samuel com a FCT. Sem esquecer que há sempre uma componente subjectiva nestes casos e que a experiência pessoal e/ou a proximidade com os envolvidos aumenta necessariamente a subjectividade das nossas percepções, estou convicto de que o caso do Samuel evidencia uma parte importante do que existe de objectivamente mal no funcionamento da FCT e de mecanismos e processos similares em Portugal.

 

A percepção generalizada de que os concursos em Portugal são muitas vezes exercícios viciados à partida tem infelizmente ampla fundamentação no âmbito do sistema científico e universitário português. Num sistema pequeno, fechado à concorrência e em larga medida dependente do financiamento do Estado, não é de espantar que assim seja.

 

Desde as formas mais “tradicionais” de endogamia (privilegiar candidatos da “casa”, por mais medíocres que sejam, por serem da “casa”) até redes mais sofisticadas – e por isso menos evidentes – transversalmente instaladas no controlo dos vários pilares do sistema e, em particular, dos mecanismos de recrutamento, avaliação e financiamento, abundam os maus exemplos e a impunidade.

 

Mais ou menos pelas mesmas razões que abundam as más práticas, abunda também o silêncio sobre as mesmas. Num sistema pequeno, fechado e estatizado a denúncia pública acarreta riscos significativos (pelo menos para quem não se tenha decidido a emigrar), o que ajuda à perpetuação da podridão, concurso após concurso, frequentemente com os mesmos protagonistas.

 

Daí que a luta que o Samuel tem vindo corajosamente a empreender me mereça respeito e admiração. Independentemente da avaliação do caso concreto e dos vários meios que o Samuel tem escolhido, é inegável que muitas das más práticas denunciadas são, apesar de indefensáveis, tristemente frequentes em Portugal. Embora não tenha grandes esperanças naregeneração do sistema, gostaria ainda assim de acreditar que as denúncias dos casos mais gritantes podem ajudar a melhorar alguma coisa. Fica, mais uma vez, feita a divulgação

 

Leitura complementar: Denúncia Pública – Dinheiros públicos, favorecimentos e discriminação: a Fundação para a Ciência e TecnologiaAssociação Portuguesa de Sociologia perplexa com a Fundação para a Ciência e TecnologiaEntrevista a Samuel de Paiva Pires (não editada)"O presente roubado por um futuro prometido"Denúncia Pública sobre a Fundação para a Ciência e Tecnologia será relatada na Assembleia da RepúblicaÉ já esta Terça-feiraÀ procura de justiçaExposição proferida hoje na Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da RepúblicaPSD e CDS questionam a Secretária de Estado da Ciência sobre o funcionamento da Fundação para a Ciência e TecnologiaDa série "Um país de coincidências"Registo áudio da audiência parlamentar sobre a denúncia quanto ao funcionamento da Fundação para a Ciência e TecnologiaAinda a kafkiana e corrupta Fundação para a Ciência e TecnologiaAngariação de fundos para financiamento de doutoramentoAngariação de fundos para financiamento de doutoramento (2)Angariação de fundos para financiamento de doutoramento (3)

Angariação de fundos para financiamento de doutoramento (4) / Crowdfunding for PhD studies (2).

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publicado às 10:41

De estar quieto à mesa

por Fernando Melro dos Santos, em 02.08.13

Almoço em família ora núcleo reduzido pela expressão estival e divorcionária, quiçá de certa forma abortista, à semente dos dias.

 

A minha Mãe, que pela neve adentrava sulcando um caminho por dentro do qual os seis irmãos mais pequenos pudessem andar na rota para a escola, recorda na pele o uivo de lobos na diurna atenção, e no crepuscular descer à aldeia perante a estultícia dos que habitavam as fragas imersos no anestesiante assolar da vida, em busca do sustento primevo.

 

O meu Pai, que percorreu e muito espremeu cada instância da revolução litoralizante, rememora em si - e caso diferente, de onde herdo o exorbitar - aquilo que faziam os outros, a comparação que sobrepuja o ater-se ao celeiro, bem e vividamente evocou as alpargatas, o leite aos ombros, o fazes-te ou fodes-te, uma circuncisão espiritual que visava sobretudo assegurar a reposição mínima do pão sobre a mesa.

 

Neste país e em mais nenhum outro é possível, abjurando a prepotência de o dar como certo, que o maniqueísmo instalado na chulice ao Estado, providência dos cautos em detrimento dos grácios, consiga com duas penadas apagar o resquício de lucidez, a sorte lúbrica de tão visceral que se torna, deixado no caminho da ovina maralha.

 

O meu filho, produto de uma sociedade divorciada, relativista, emo-dramática, onde nada é consequencia de actos estouvados e tudo são incompreensoes dos maus que comparam posturas, está enleado até ao seu horizonte discernível na teia de apatia, angústia, anomia e finalmente defenestração a esmo de quantas vozes se erguerem em defesa da sua construção, porquanto deduzirão, por natureza, oposição ao conforto amnioticamente subsidiado que lhe foi consentido pela nobreza de uns e a vulgaridade de outros. Não quer estar à mesa enquanto não lhe servirem a primeira libação apreciada. 

 

Carthago Delenda Est, direis, já cá vinhas ó latinista.

 

Aquele de vós que nesta senda não peca, lançai o primeiro seixo.

 

Ouço-a dizer, desenleada há mais de doze anos, que a colega, a chefe, o fisco, os preços, aquela viagem, a cor dos sapatos, e a derrama somada dos arrufos coligidos desde a primeira infância não lhe chegam, que vai ter de entregar a casa ao banco e por isso, logicamente, quer uma maior e num local mais bonito, para que possa não sentir um baque tão duro com a crise cuja culpa não lhe assiste nem aos pares com quem priva na orgiástica demissão de olhar ao espelho quando acorda. 

 

Mas que merda tenho eu a ver com isto? Acaso terei subscrito, apoiado, defendido ou ficado quedo quando esta doutrina de preconização irresponsável e factura à vista sobreveio tomando de assalto o tecido social, hóstia do eleitorado? 

 

Não. Eu saí, e fiz outra coisa.

 

Eu estou a apaixonar-me e a epifania secular e metafísica de ver Deus em cada folha que brota, ou não fosse esta minha veia um caule da mesma cepa em que Ele se fez para que O compreendêssemos, imunizam-me aos males que essa corja imunda e soez em quem vós, putas, votastes, criaram e manterão pela duração previsível das vidas que nós mesmos gerámos.

 

Eu fiz a minha paz. Fizésteis a vossa?

 

Se não, despachai-vos.

 

 

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publicado às 14:36

Imprescindível Ver

por Fernando Melro dos Santos, em 20.06.13

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publicado às 17:51

Desfecho de uma greve terrorista

por João Pinto Bastos, em 17.06.13

1) Para início de conversa, e dado que o dia está quase a terminar, há que sublinhar o seguinte: o sindicalismo contemporâneo, nas suas variantes nucleares, é um dos últimos redutos do burocratismo mandrião do chamado Estado social. O ocaso do operariado industrial e a terciarização das economias deslocaram o centro de gravidade do trabalho para os serviços. Os sindicatos, como não poderia deixar de ser, sofreram acerbamente o embate dessa transformação. Hoje, a orgânica do protesto vive, em grande medida, do funcionalismo acomodado. O sindicalismo já não é, pois, um assunto limitado às precisões dos "blue-collar workers". O mundo mudou, e muito, mas os Mários Nogueiras continuam a viver ensimesmados na lógica das vaquinhas gordas regadas a crédito. O paradigma sindical tem de mudar o quanto antes, a bem da comunidade.

 

2) A greve de hoje deve ser analisada sob um único prisma: os alunos foram ou não prejudicados? A resposta é claramente afirmativa. O que importa relevar é o facto de meia dúzia de sindicatos, acolitados por algumas figurões irresponsáveis, terem tentado prejudicar os interesses de terceiros de boa fé. Como qualificar uma greve que visa, premeditadamente, prejudicar os alunos? Ilegítima? Não, a greve em causa foi bem mais do que isso. Muito mais. Uma greve destas é, forçosamente, uma greve terrorista. Quando os alunos são deliberadamente prejudicados nos seus estudos por aqueles que deveriam ser os seus maiores protectores, estamos, de feito, perante um terrorismo muito especial: um terrorismo psicológico de gente que não se importa de usar os alunos como arma de arremesso na barganha das suas exigências corporativas. 

 

3) Os números da greve pouco importam. Não é a percentagem da adesão que determinará ou não o sucesso da dita cuja. Mais: ao que tudo indica 70% dos alunos fizeram a prova. Os que não a fizeram terão a oportunidade de a fazer no dia 2 de Julho. Não obstante a imensa pressão a que foi submetido, Nuno Crato conseguiu sair-se com um mínimo de airosidade desta situação periclitante. Ademais, os adeptos do igualitarismo, que têm enchido as bocarras com sermões de chacha, deveriam fazer uma contrição. A lógica do conflito tem os seus limites. 

 

4) A conclusão magna a retirar deste berbicacho é que a reforma da educação nacional continua por fazer. Porquê? Por uma razão mui singela: na 5 de Outubro, o paradigma da escola pública e gratuita permanece incontestado. Os leitores têm ouvido falar em descentralização, liberdade de escolha ou autonomia de gestão? Não, com certeza que não. Por mais troikas que aterrem neste país, será extremamente difícil reformar o que há para reformar, enquanto não houver uma mudança radical de chip. A educação é um bom exemplo. As alterações feitas pela equipa de Crato não passam de meros remendos num edifício que, em bom rigor, já deveria ter implodido. A burocracia que gira em torno do ministério, e o centralismo jacobino que domina há muito a educação pública, são o cerne da questão. Se juntarmos a isto o sindicalismo rasca de Mário Nogueira e os pedagogos piagetianos que cirandam em torno do Ministério temos, pois, o desastre perfeito. O desafio é muito simples: ou se reforma o sector, privatizando e descentralizando as escolas, dando autonomia e liberdade de escolha aos pais, ou a educação deste país será abocanhada, mais dia menos dia, pela falência estrepitosa da ideologia do público a todo o custo. O tempo urge.

 

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publicado às 23:27

Quem quer ser professor?

por John Wolf, em 15.06.13

A pergunta é simples: quem quer ser professor por um dia que seja? Quem deseja acartar injustamente com os pecados e os défices dos outros? - A educação que não foi dada aos alunos pelos papás e pelas mamãs. A má criação que escoa directamente da sarjeta para a sala de aula. Quem quer trabalhar de acordo com modelos que não se adequam ao perfil cultural do país? Como podem constatar, tinha colocado uma pergunta que afinal se desdobra em muitas sem resposta. Desde que eu me lembre, os professores tiveram sempre mobilidade e não era pouca. Era imensa, de norte a sul do país. Quem não conhece o professor de Trás-os-Montes colocado no Algarve? Aqueles que tiveram de abandonar as suas famílias e prescindir de uma ideia de continuidade na residência, o sonho de viver na terra de origem. A profissão foi quase sempre malentendida pelos governantes de Portugal. Houve até quem a quisesse canonizar elevando a missão educativa a acto de fé, a bandeira de partido. Lembram-se de Guterres e a sua paixão? E houve outros como Roberto Carneiro que foram também cardeais da causa. Estou certo que mesmo que pagassem uma tarifa tripla a prospectivos docentes, não seria líquido que aceitassem o emprego. Por vezes não há dinheiro que chegue para pagar os ultrajes. Conseguem imaginar leccionar na franja da sociedade uma qualquer disciplina do programa curricular, quando no fundo estão a operar a múltiplos níveis que deveriam ser tratados por psícólogos, técnicos de reinserção social e polícias? Os professores levam para casa tantas horas extraordinárias que deixaram de ser horas, considerações de ordem pedagógica, trabalhos de casa, e, para além dessa normalidade, são obrigados a sacar da sua consciência para levar a bom porto uma barca tempestiva repleta de repetentes de um sistema caduco. Não existe repelente que consiga afastar dos professores os pesadelos, o stress, a insónia antecipada pela semana que se segue. A outra questão que coloco: quem quer ser manifestante por um dia apenas? Quem deve caminhar ao lado dos professores, se grita em nome dos docentes e de Portugal? Vou directo ao assunto. Se António José Seguro sente o mesmo ardor no peito que Guterres sentiu, então deve estar nas ruas, lado a lado com aqueles que alegadamente foram intimidados pelo governo, mas o lider socialista, se não está em Roma com o Papa, está noutro encontro ecuménico. No meio destes confrontos e da greve aos exames nacionais que se avizinha, os alunos irão agravar ainda mais a sua débil condição de aprendizagem. Na Segunda-feira provavelmente irão regredir na sua capacidade de expressão em língua portuguesa, a que se seguirão mais murros nas restantes disciplinas. Resta saber se os milhares de alunos devem ser tidos enquanto moeda de troca, ou se chegará o dia em que os próprios alunos se manifestam, para rejeitar de uma assentada, e em simultâneo, os políticos e os professores. A linha ténue que separa a sustentabilidade cognitiva e pedagógica do país, do perfeito caos, está a ser pisada. Qualquer dia para haver alunos nas salas de aulas teremos de ter uma requisição estudantil. Repito a pergunta: quem quer ser presidente do conselho directivo? Quem quer ser presidente? Quem quer Portugal?

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publicado às 21:06

Ministério da estupidez

por John Wolf, em 29.05.13

Um ministério de Educação que pensa deste modo, não está a pensar. Está a proceder em sentido inverso, a contribuir para estupidificação do país. Desde quando é que a quantidade deve ser um critério para decidir a continuidade ou não de um curso superior? A regra - por razão da maioria-,  não pode servir de fundamento para o fecho de estabelecimentos de ensino superior. Passo a citar: "Despacho enviado aos reitores proíbe abertura de novas vagas em cursos com menos de dez alunos inscritos. Há 171 nesta situação, a grande maioria nos politécnicos." Ou seja, os génios que nascem em Portugal serão esterilizados  porque serão um fardo para a sociedade. Meus senhores, isto é gravíssimo. De um modo sub-reptício, é um modo de encarneirar as mentes pensantes, colocá-las num mesmo rebanho de mediania, mais fácil de controlar, quando deveriam ser elevadas ao seu mais alto grau de potência. Esta decisão expulsa do nosso espectro emocional e intelectual, génios como Einstein, Feynman ou Egas Moniz. O governo, e o seu apêndice, responsável pelos destinos da Educação neste país, procedem a um intervenção cirúrgica. Uma lobotomia administrativa que irá comprometer a capacidade presente e futura de Portugal. O país compromete a sua capacidade de pautar a sua condição pela excepcionalidade, pela excelência. Esta declaração anti-académica constitui uma agressão que está em sintonia com o magnífico conceito de despejo nacional, a emigração económica do país, mas isto vai mais longe. Esta barbaridade envia para o desterro aqueles que sonham em marcar a diferença pela invulgaridade da sua área de estudo - de pesquisa ao serviço de todos nós, menos inteligentes e menos dotados. O renascimento de Portugal, como de qualquer outro país, passa pela salvaguarda do seu manancial académico e cultural. Os ciclos de expansão económica são sempre precedidos pela ruptura tecnológica, e essa alteração do quadro operativo depende da capacidade criativa de indivíduos que ocupam espaços de pensamento que os outros não são capazes de identificar. Ainda por cima, têm o desplante de chamar a esta operação de; racionalização da oferta no ensino superior. Quando é tudo menos isso.

 

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publicado às 09:49

Votar aos 800 anos de idade

por John Wolf, em 13.01.13

 

A maturidade do homem nada tem a ver com a idade cronológica. Temos de tudo. Por exemplo: "ele é uma verdadeira criança e vejam lá, ainda a semana passada fez 54 anos" ou "o meu Simão está feito um homem com 15 anitos, já namora e tudo" ou "a tia Nini, que puseram no lar, pensa que tem 24 anos e só quer sair à noite.  Mas convenhamos que poder votar aos 16 anos de idade não pode reduzir-se a um mero exercício estatístico. Com que idade se adquire consciência política (vou perguntar à Pepa e já volto)? O que é a consciência política? E de que forma se pode aceitar que um sujeito adolescente possa votar sem ser considerado maior? Ou seja, concede-se a possibilidade de expressar a intenção de voto a um "sujeito político passivo" que nem sequer pode ser "sujeito activo na função política". Penso que a decisão em relação a esta matéria não pode ser realizada de ânimo leve. Pergunto ainda, que motivações políticas se encontram por detrás deste "projecto-porveta de lei"? Será por haver abstinência eleitoral nas faixas etárias dos maiores e vacinados? Se se pretende dinamizar a participação nos processos eleitorais, existirão caminhos alternativos. A obrigatoriedade de votar, à semelhança do que acontece no Brasil, pode ser uma das soluções. Mas reportando-nos à questão dos adolescentes de 16 anos de idade, e se possuem ou não os atributos necessários à reflexão política, destaca-se a precipitação que esta proposta parece envolver. Se o sistema educativo não integra na sua missão, o despertar da consciência política dos jovens como poderão estes eleitores formar uma opinião tendente a uma tomada de decisão independente? Existem disciplinas nas escolas que contribuem para a noção do colectivo e do bem comum? Uma verdadeira disciplina política? E porquê apenas se consideram aqueles que têm 16 anos? Porque não os que tem 800 anos de idade? Por via dedutiva e aplicando um método extrapolativo e fazendo uso de amostras de DNA político, poderiamos aproveitar um corpo eleitorial muito mais vasto. Em quem votaria D. Afonso Henriques ou Luís de Camões? E os outros mortos menos célebres? Só porque definharam não é argumento para que sejam excluídos do futuro político de um país. Afinal os mortos podem regressar à vida política. Não me refiro a zombies que por aí andam.

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publicado às 09:07

Portugal não se recomenda. Ponto. Custa-me dizer isto, mas, ao ver e ler o que se passa no país a minha reacção é um profundo desalento. O primeiro-ministro desta país, para lá da sua inépcia estridente, é um pato-bravo que, em virtude da sua ignorância atroadora, não sabe comunicar. Expele meia dúzia de trivialidades sobre assuntos seriíssimos e, depois, acossado e ameaçado por tudo e por todos recua covardemente. Em vez de lançar um debate sério e abrangente sobre o futuro da Segurança Social, explicando, reflectindo e ponderando os custos e benefícios de uma reforma que solucione a insustentabilidade do actual modelo, Passos, a despeito do que seria exigível, voltou mais uma vez a claudicar e a patentear o seu desconhecimento sobre uma matéria pouco atreita a facilitismos. Mas, ao que parece e para mal dos nossos já gigantescos pecados, a incompetência de Passos foi replicada por outro estarola do seu partido. Falo, pois, de Nuno Morais Sarmento. Pelos vistos, o antigo ministro e eminência parda das deputações acolitadas na advocacia das negociatas acha, vejam bem, que os cortes orçamentais devem abranger as funções de soberania. Ou seja, o não-pensamento da JSD, estrutura conhecida pela promoção da ignorância e da bovinidade celeradas, é, afinal, partilhado por ilustres membros do PSD. Corte-se já nas funções de soberania, dizem estes senhores, mas, reformar e tocar no nervo do Estado, nas funções sociais do Estado, bem, isso não, ou melhor, nunca. Quando o discurso político assenta na falácia de que as funções de soberania, o núcleo inarredável de um Estado decente - sim, as funções de soberania não incluem a educação e a saúde -, podem ser tocadas em detrimento de outra funções secundárias estamos conversados. Merecemos definitivamente a ruína. Com palradores políticos desta qualidade qualquer troika é insuficiente. 

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publicado às 00:42

 

Mario Vargas Llosa, A Civilização do Espectáculo:

 

«Todavia, a autoridade, no sentido romano de auctoritas, não de poder, mas sim, como define na sua terceira acepção o Diccionario da Real Academia Espanhola, de «prestígio e crédito que se reconhece a uma pessoa ou instituição pela sua legitimidade ou pela sua qualidade e competência nalguma matéria», não voltou a levantar a cabeça. Desde então, tanto na Europa como em boa parte do resto do mundo, são praticamente inexistentes as figuras políticas e culturais que exercem aquele magistério, moral e intelectual ao mesmo tempo, da «autoridade» clássica e que os professores, palavra que soava tão bem porque se associava ao saber e ao idealismo, encarnavam a nível popular. Em nenhum campo isto foi tão catastrófico para a cultura como na educação. O professor, despojado de credibilidade e autoridade, convertido em muitos casos, na perspectiva progressista, em representante do poder repressivo, isto é, no inimigo a quem, para alcançar a liberdade e a dignidade humana, era preciso resistir e, até, abater, não só perdeu a confiança e o respeito sem os quais era impossível cumprir eficazmente a sua função de educador – de transmissor tanto de valores como de conhecimentos – perante os seus alunos, como também os dos próprios pais de família e de filósofos revolucionários que, à maneira do autor de Vigiar e Punir, personificaram nele um daqueles instrumentos sinistros de que – tal como os guardas das prisões e os psiquiatras dos manicómios – o establishment se vale para refrear o espírito crítico e a sã rebeldia de crianças e adolescentes.

 

Muitos professores acreditaram de muito boa-fé nesta satanização de si mesmos e contribuíram, atirando baldes de azeite para a fogueira, para agravar o estrago fazendo suas algumas das mais disparatadas sequelas da ideologia do Maio de 68 relativamente à educação, como considerar aberrante reprovar os maus alunos, fazê-los repetir o ano e, até, dar classificações e estabelecer uma ordem de preferências no rendimento académico dos estudantes, pois, fazendo semelhantes distinções, propagar-se-ia a nefasta noção de hierarquias, o egoísmo, o individualismo, a negação da igualdade e o racismo. É verdade que estes extremos chegaram a afectar todos os sectores da vida escolar, mas uma das perversas consequências do triunfo das ideias – das diatribes e fantasias – do Maio de 68 foi que por esse motivo se acentuou brutalmente a divisão de classes a partir das salas de aula.

 

A civilização pós-moderna desarmou moral e politicamente a cultura do nosso tempo e isso explica em boa parte que alguns dos «monstros» que julgávamos extintos para sempre depois da Segunda Guerra Mundial, como o nacionalismo mais extremista e o racismo, tenham ressuscitado e vagueiem novamente no próprio coração do Ocidente, ameaçando uma vez mais os seus valores e princípios democráticos.

 

O ensino público foi uma das grandes conquistas da França democrática, republicana e laica. Nas suas escolas e colégios, de muito alto nível, as vagas sucessivas de alunos gozavam de uma igualdade de oportunidades que corrigia, em cada nova geração, as assimetrias e privilégios de família e classe, abrindo às crianças e jovens dos sectores mais desfavorecidos o caminho do progresso do êxito profissional e do poder político. A escola pública era um poderoso instrumento de mobilidade social.

 

O empobrecimento e desordem que o ensino público sofreu, tanto em França como no resto do mundo, deu ao ensino particular, ao qual por razões económicas só tem acesso um sector social minoritário de altos rendimentos, e que sofreu menos os estragos da suposta revolução libertária, um papel preponderante na forja dos dirigentes políticos, profissionais e culturais de hoje e do futuro. Nunca foi tão verdade o «ninguém sabe para quem trabalha». Julgando fazê-lo para construir um mundo verdadeiramente livre, sem repressão, nem alienação nem autoritarismo, os filósofos libertários como Michel Foucault e os seus inconscientes discípulos agiram muito acertadamente para que, graças à grande revolução educativa que propiciaram, os pobres continuassem pobres, os ricos, ricos e os inveterados donos do poder sempre com o chicote nas mãos.»

 

Leitura complementar: O mito do individualismo extremo do nosso tempoA insustentável leveza da literatura do nosso tempoA banalização da políticaDa arte modernaDo erro da equivalência entre culturas à difusão da inculturaDa proliferação de Igrejas à substituição da religião pela alta cultura e aos escapismos contemporâneosDa libertação sexual ao erotismo como obra de arteA ausência dos intelectuais da civilização do espectáculo

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publicado às 23:12

Quando a realidade supera o Inimigo Público

por Samuel de Paiva Pires, em 06.09.12

«Comissão Europeia quer mais licenciaturas como a de Relvas: A Comissão Europeia emitiu orientações para que os Estados-membros reforcem a aposta na certificação através do reconhecimento de competências. Por outras palavras, a Europa quer que a experiência possa ser traduzida num diploma universitário.»

 

Enfim, a UE e as suas preocupações habituais, levando à letra aqueles que dizem ter estudado na "Universidade da vida", continuando a atacar uma das instituições basilares do Ocidente. Recomenda-se a leitura de "The Idea of a University", de Michael Oakeshott:

 

«This, then, to the undergraduate, is the distinctive mark of a university; it is a place where he has the opportunity of education in conversation with his teachers, his fellows and himself, and where he is not encouraged to confuse education with training for a profession, with learning the tricks of a trade, with preparation for future particular service in Society or with the acquisition of a kind of moral and intellectual outfit to see him through life. Whenever an ulterior purpose of this sort makes its appearance, education (which is concerned with persons, not functions) steals out of the back door with noiseless steps. The pursuit of learning for the power it may bring has its roots in a covetous egoism which is no less egoistic or less covetous when it appears as a so-called “social purpose,” and with this a university has nothing to do. The form of its curriculum has no such design; and the manner of its teaching – teachers interested in the pupil himself, in what he his thinking, in the quality of his mind, in his immortal soul, and not in what sort of schoolmaster or administrator he can be made into – the manner of this teaching has no such intention.»

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publicado às 18:05

Estatismo à portuguesa

por Samuel de Paiva Pires, em 17.06.12

Alberto Gonçalves, Estado terminal:

 

«Na semana passada, a propósito da apreensão de automóveis em represália pelas dívidas ao fisco, brinquei aqui sobre a possibilidade de o Estado invadir habitações particulares para impor a sua lei. Afinal, não é brincadeira. Ao que parece, a Direcção-Geral da Saúde prepara-se para penetrar as casas das famílias com criancinhas a fim de "avaliar o risco" de acidentes domésticos e "sensibilizar" os pais. No papel, a coisa consiste em detectar os lugares onde se guardam medicamentos e detergentes, analisar o nível de protecção de janelas e varandas, inventariar as "medidas tomadas para evitar o risco de afogamento" e procurar papões debaixo da cama. Na prática, a coisa resume-se a um atestado de incompetência à população, decretada inimputável para cuidar de si e dos seus.

 

É verdade que a DGS, sigla adequada, promete que limitará as vistorias às famílias que as requisitarem. Porém, não sei se é pior tratar as pessoas como retardadas ou acreditar que as pessoas são retardadas a ponto de convocarem as autoridades para as iluminar. Em qualquer das hipóteses, o relevante é a educação, em Cuba, na Coreia do Norte e, aos poucos, nas democracias ocidentais, tornar-se um exclusivo do Estado, que agora aspira a orientar informalmente os petizes que há muito orienta de modo formal. Com óptimos resultados, acrescente-se.

 

Veja-se, a título de exemplo recentíssimo, os testes intermédios de Matemática. No 9.ºano, a média ficou-se pelos 31,1%. No 4.ºano, onde quase basta somar com os dedos, a média alcançou os 53,9%. Segundo Miguel Abreu, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, 75% dos alunos que transitam para o antigo Ciclo Preparatório estão, talvez de forma irreparável, impreparados para aprender o que quer que seja. Entre os alunos que seguem para o Ensino Secundário, a percentagem de casos perdidos roça os 90%. Décadas de reformas, medidas, apostas, investimentos, desafios mais o lendário Magalhães terminaram nesta demonstração cabal da inépcia do Estado em ensinar os alunos a fazer contas. O que, dadas as contas do próprio Estado, não admira.

 

O que, num certo sentido, é admirável são as pretensões pedagógicas por parte dos poderes públicos. Sob todos os pontos de vista, o Estado é irresponsável, calão, desonesto, ignorante e - à atenção da DGS - prejudicial à saúde, física ou mental. Mesmo assim, semelhante evidência não lhe modera a vocação correctiva, um apetite por regulamentar tudo o que se mexe e, no que respeita aos detergentes e às varandas, tudo o que não se mexe também. A vontade do Estado em ensinar é directamente proporcional à incapacidade do Estado para aprender, e não há dúvidas de que precisa de uma lição. Os cidadãos é que não precisam das lições do Estado, e aqueles que acham o contrário merecem-nas.»

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publicado às 14:52

As "élites" portuguesas e o subdesenvolvimento humano

por Samuel de Paiva Pires, em 25.03.12

Miguel Castelo-Branco, Não me roubem o Santo Sábado:

 

«Com um Pedro Oliveira qualquer-coisa a assegurar que talvez "póssamos" fazer melhor e Assunção Esteves - cada vez mais parecida com uma hibridação de Maria de Lurdes Pintassilgo com Victor Melícias - o Congresso do PSD oferece, talvez numa versão menos predadora que o PS, o espelho de um país com enormes bolsas de subdesenvolvimento humano, falta de liderança e umas elites paupérrimas capazes de  provocar choros diluvianos.


Para que a democracia funcione e exista, não basta encher pavilhões. Tudo surge com um travo de amadorismo, espertismo provinciano meia-tigela e pequenas ambições de campanário. É evidente que, sem o PP, este governo não iria a parte alguma. Temo que há uma crise bem maior que a económica e a financeira. Quem dera que também fosse constituída uma Troika com plenos poderes para executar exames de competência, literacia e avaliação a autarcas, "notáveis" das distritais e concelhias, assim como agências de notação para saber que cotação receberia a nossa classe política sem classe alguma.»

 

Ler ainda Província, mais província e Devo estar a ficar velho.

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publicado às 15:30

Não é preciso ser uma águia

por Eduardo F., em 25.01.12
para antecipar o triplo desastre que resultará da extensão da escolaridade obrigatória até aos 18 anos de idade. Primeiro: "enjaular" criaturas em salas contra a sua vontade para nada aprenderem e tentarem que os outros nada aprendam é, no mínimo, idiota e talvez mesmo criminoso. Segundo: protelar ainda mais as já de si parcas possibilidades de quem queira entrar no mercado de trabalho, mesmo que mal remunerado, ganhando autonomia para daí desenvolver a sua cidadania, é criminoso. Terceiro: transformar em delinquentes todos aqueles que venham a escolher, livremente, não ir à escola é uma enormidade própria de pietistas e puritanos, uma grave  violação da liberdade.

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publicado às 00:39

Menos 600 milhões para a educação

por Pedro Quartin Graça, em 05.10.11

Quando um Governo decide "brindar" a educação com menos 600 milhões está tudo dito relativamente ao futuro do País. Ninguém pensa seguramente que, com esta poupança, a educação melhorará. Uma atitude miserável.

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publicado às 11:58

editorial do Wall Street Journal de hoje conta o caso de uma mãe americana que, tendo tentado colocar as duas filhas em escolas públicas fora do seu district habitacional ("perímetro administrativo escolar") na tentativa de lhes proporcionar uma melhor escola pública, foi "apanhada" a cometer este terrível crime tendo sido levada a tribunal e condenada por esse facto. Tinha usado a morada do seu pai como de "conveniência" para evitar ter de enviar as suas filhas para as escolas da sua residência de facto.

 

Refere o artigo que em vários estados americanos os distritos escolares têm vindo a contratar investigadores que têm a missão de seguir as crianças no percurso escola-casa para confirmar as residências efectivas do agregado familiar e, desta forma, decidir se têm ou não direito a frequentar as escolas públicas percebidas como melhores e, naturalmente, desejáveis pelos pais das crianças. A coisa chega ao ponto de, em alguns casos, se terem instituído prémios para premiar a bufaria daqueles que, anonimamente, denunciem esta particular espécie de criminosos!

 

Absolutamente degradante o estado a que se chegou no suposto santuário do capitalismo!

 

Também entre nós, a não mudarmos radicalmente este panorama - que apenas  favorece a mediocridade a custos sempre crescentes, ou seja, e apenas, os defensores do status quo -, qualquer dias teremos também por cá um sr. Nunes à frente de mais uma polícia ou agência de informadores. A diferença será que, ao contrário do que tantas vezes sucedeu com a ASAE, suspeito que nenhuma escola pública venha a ser fechada e, consequentemente, os seus funcionários e professores se vejam desempregados.

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publicado às 15:41

O estado da disciplina de economia em Portugal

por Samuel de Paiva Pires, em 13.06.11

Não sendo economista, não deixo de assinalar que foram precisos 4 anos de licenciatura em Relações Internacionais, 2 de mestrado em Ciência Política e estar quase a terminar a minha dissertação de mestrado para comprovar uma ideia que já tinha há muito tempo: os moldes em que economia é leccionada no ISCSP (e possivelmente noutra universidades portuguesas) são risíveis e em larga medida cientificamente inválidos, porque de pendor socialista/keynesiano - ou seja, uma impossibilidade epistemológica.

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publicado às 17:03

Para ler com muita atenção

por Nuno Castelo-Branco, em 09.01.11

"Essa comparação pode ser usada como analogia para o que se passa no Ocidente e em países como a China e a Índia. Há alguns anos, em 2005, o tema engineering gap veio à tona. Recordo que entre os EUA e a Europa já se notava uma discrepância em favor do primeiro, preferindo a Europa formar maus bacharéis nas humanidades, destinados a ocupar cargos burocráticos ou a formar o lumpen proletariado intelectual que pressiona por mais expansão do sector público, mas essa discrepância era ainda maior quando se comparava os EUA com a China e a Índia, que então já formavam muito mais engenheiros que os EUA."

 

Leia os textos completos AQUI e AQUI

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publicado às 22:19






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