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Não é Impressão Minha, Estou Morto

por joshua, em 04.12.13

Relanceio o meu olhar pelo ano de escrita que está prestes a acabar. Derramei-me. Como sempre. Se agora um torpor alastra pela minha alma, espécie de fadiga por tanto ter lutado, não no meu reduto, mas no da mesma trincheira hostil da mais retinta incompreensão, insulto e oposição pessoal, meses consecutivos houve em que nada me deteve na fabricação da violência feita palavra reactiva a vestir a ideia filigrana contra o terror de ver resvalar o meu Portugal para a agitação estéril e o vazio.

 

Era necessária uma barragem de verve contra os que nos VídeoMedia berram mais alto e por mais tempo na defesa de mais do mesmo, toda a prosperidade e adaptabilidade globalista de que a velha Esquerda é incapaz. Contra a sedição dos soares, a malícia dos sócrates e a rebelião em pólvora seca das esquerdas, marchei, marchei.

 

Pausa, portanto.

 

Entre o meu corpo e a minha alma desenrola-se agora o justo armistício, apaziguamento momentâneo de que careço. As naus das minhas palavras seguiram, seguiram viagem, deram-se à trópica rota de contundir ou consolar. Reparo, no entanto, que não há ninguém. Vejo que estou morto. Cercado de silêncio e frieza. Morto. Pobre e morto. Na verdade, não tenho ganho absolutamente nada com a minha escrita apaixonada na defesa de causas, princípios e éticas fora do grande lastro esquerdejante nacional mentiroso. Não lucrei nada, a não ser experiência escrevente, prazer no acto escritor e a espessa solidão do eremitério da escrita, vantagem da liberdade sem venalidade de emitir o que penso.

 

Zeros. É tudo quanto me é dado contemplar. Nenhuma oportunidade. Nenhum convite. Nenhum apreço. Nenhum horizonte. Zero. Sina. Portugal. Um dia será diferente. O mais provável é que seja diferente, mas longe, lá, onde possa voltar à vida social e financeira que o Regime, na sua horrorosa corrosão moral e propensão para a falência, comprometeu no meu caso e no de milhares.

 

Entretanto, estendo a mão. Sou qualquer um que estende a mão pelas ruas, avenidas e ruelas de Lisboa e Porto e perante quem o cidadão desvia a face enfastiada pela viciosa recorrência rotineira, pela habitualidade viscosa das ciganas romenas. No meu caso, os cortes foram muitíssimo mais radicais e só há uma maneira de reagir em devida conformidade com eles: estendendo a mão e defendendo o Ajustamento contra os soares, contra alguma maçonaria, contra os fósseis-sindicalistas, contra os comunistas do PCP, contra os rendeiros e devoristas do Regime, contra a tal nomenclatura endogâmica, neocorporativista e partidocrata que explica eloquentemente a minha penúria, o meu desemprego, o meu naufrágio.

 

Continuação de um bom dia, se puderem.

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publicado às 12:01

De muita escrita contemporânea

por Samuel de Paiva Pires, em 10.06.13

 

Numa Feira do Livro que, este ano, como escreveu o João Gonçalves, tinha «"espaços" a mais para crianças e crianças a mais para os "espaços"», encontrei a apenas 4 euros Peregrinação Interior - Reflexões sobre Deus, de Alçada Baptista, que principia assim:

 

«Quando comecei este ensaio fiz um esquema rigoroso, consultei bibliografias e tomei notas como quando se trata de trabalhos sólidos com que se pretende entrar seriamente no mundo pesado da boa erudição, mas um dia pus tudo isso de parte porque não me encontrei fadado para acrescentar mais um iota a tudo o que se tem escrito. Abro sempre os olhos de espanto quando algum «contemporâneo» me diz, com a solenidade inerente a tão solene afirmação, «que está a fazer um trabalho de fôlego onde levanta dois ou três problemas que ainda não foram levantados». Essa é uma espécie de sensação que me não foi dada, e agradeço sinceramente ao Criador ter-me poupado a este enxovalho.»

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publicado às 22:23

Em tempos de crise chovem livros

por João Gomes de Almeida, em 25.03.11

 

A Editora Objectiva arrancou ontem com uma campanha no Facebook, em que os seguidores da sua página ficam habilitados a ganhar todos os livros que a editora publicar até ao final do ano. Basta escreverem uma frase.

 

Saibam mais aqui e divulguem a iniciativa.

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publicado às 19:12

A escrita das inutilidades

por Silvia Vermelho, em 31.03.09

Editado posteriormente, dado que a ligação "vizinha" caiu no momento de publicação, ontem à noite.

 


Fresh Widow, Duchamp

(Fonte)

 

Prometido, meio a brincar, nos corredores do Messenger a que a distância obriga, o que se segue foi planeado a propósito do post intimista do Samuel.

A verdade é que me fez lembrar uma matriz de escrita há muito por mim abandonada, como quinquilharias de garagem. É a escrita que tod@s pensam como “das inutilidades” e, por isso, a mais difícil de todas.

Quando se tem (praticamente) vinte anos, parece que as coisas que aconteceram aos quinze já foram há muito tempo. E assim, parece que foi mesmo há muito tempo atrás que a escrita das inutilidades me preenchia o tempo. Ao princípio era frustrante porque, reflexo de uns laivos de pragmatismo que me define, sentia-me sempre presa pelas amarras da realidade viva e crua, e havia, em toda a minha humilde escrita, uma tendência analítica em vez de descritora - o que resultava imediatamente na racionalização da introspecção no momento em que a caneta tocava no papel (ou, menos “romântico”, os dedos no teclado…). Depois, foi uma questão de treino e tentar afastar a sufocante “razão” quando os pensamentos pertenciam ao “coração”.

Quase que deixei de escrever inutilidades, apesar de não ter deixado de as formular. É um fruto dos dias que correm: é a morte já antiga da relação entre psyche e anima, uma separação que o positivismo quis trazer para a Ciência e que se instalou no quotidiano da pessoa comum.

Foi a minha estratégia para uma alegada melhoria da minha produtividade. Como binómio de oposições, ao abandonar a escrita das inutilidades deveria passar a haver uma clara aposta na concretização de “utilidades”. Também eu me deixei envolver pelos mares desta tecnocracia de fachada, em que se exige não apenas o mecanicismo dos actos como do pensamento, tolhendo as paixões tempestuosas das saudosas grandes assembleias, condenando a psyche a uma existência solitária e marcada não pela sua exploração, nem pela sua potenciação, mas pela sua circunscrição. Onde antes ancoravam as suas produções centrífugas, nos portos da anima (como portos de abrigo), agora há o vazio. Anima é ser com os outros porque não há nada de mais colectivo que a alma, que sente porque existem outras/os e outras coisas para serem sentidas.

Lipovetsky chamou-lhe mesmo a "era do vazio", e é sempre irónico pensar que tal acontece na “era do tudo”. Numa sociedade que vive para a satisfação imediata de todas as necessidades, pensar e sentir mais do que os lugares-comuns da aquisição, da obtenção e do cumprimento, é algo de tal forma estranho que chega a ser condenado. Hoje, a sociedade ordena-se para matar o indivíduo enquanto ser com @s outr@s: são pressões alucinantemente centrípetas, que remetem a introspecção e o conhecimento do “eu” para o centro do remoinho desta sociedade da desinformação, onde toda a gente cala, porque o que diz é silêncio.

Esta é a realidade que não é virtual, esta é aquela em que vivemos. É por isso que, lembrando-me do que o Samuel escreveu, qualquer coisa que seja pensar, sentir ou pensar sobre o que sentimos, será sempre um desfasamento desta realidade, porque é pertença da anima. E na anima há tempos que se entrecruzam e lugares que coexistem e isso é loucura? É simplesmente “sentir tudo de todas as maneiras”. E ao sentir, e ao descrever, as palavras ganham propriedades imagéticas e as narrativas ganham movimento e, não apenas a escrita, mas também a leitura posterior, torna-se uma viagem mais produtiva que qualquer "utilidade" que possa ser concretizada, num minuto qualquer de um quotidiano morto. É a viagem da anima, ao centro da alma. O cliché pouco entendido: “conhece-te a ti mesmo”.

 

PS: tanta palavra para dizer que o post do Samuel nada evidencia de loucura, só uma brilhante sapiência introspectiva... ;)

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publicado às 00:40






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