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Alexandre Herculano citado por Hipólito Raposo

por Cristina Ribeiro, em 29.08.17

Na ' Oferenda '

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" No meio de uma nação decadente, mas rica de tradições, o mister de recordar o passado é uma espécie de magistratura moral, é uma espécie de sacerdócio. "

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publicado às 18:53

O que nos trouxe a partidocracia.

por Cristina Ribeiro, em 25.02.15

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Um contributo que nos ajuda a entender como chegámos àquilo que hoje somos: " um zero à esquerda ". Muitos de nós lembramo-nos de como estávamos a crescer. Era a bonança que chegava depois da tempestade que herdáramos da Primeira República. Estes que juraram desgovernar Portugal fizeram com que o tempo bonançoso se tornasse em miserável miragem.

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publicado às 14:20

" Portugal dos pequeninos "

por Cristina Ribeiro, em 30.01.15

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Este regime político, através dos pigmeus, sem excepção, que o protagonizaram e protagonizam, foi, tem sido, pródigo em malfeitorias; difícil dizer qual a mais negra, mas hoje, talvez porque muito se discute o seu futuro, uma me martela a cabeça, que, a par de outras, não a consegue esquecer - a TAP: cresci a ouvir dizer do orgulho que ela era para o nosso país. Além de uma companhia tecnicamente superior, era uma empresa forte, muito lucrativa. Hoje, mais uma nódoa daquelas que, e como dizia Eça, nem com benzina se limpam. Mais uma página que a História irá registar, porque não a deixaremos cair no esquecimento.

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publicado às 06:18

Eles conheciam-nos...

por Cristina Ribeiro, em 29.10.13

A cada passo, e para tal basta ler As Farpas de Ramalho Ortigão ( e de Eça ) ou Os Gatos de Fialho de Almeida, constatamos o quanto estes acutilantes observadores da contemporaneidade que era a sua, mantêm, nos seus escritos uma impressionante actualidade, uma perspicácia que só assiste a quem conhece a natureza humana, mais propriamente a do seu povo.

E, como refere João Bigotte Chorão, eles estavam cientes da intemporalidade dos aleijões que alvejavam. 

Assim, referindo-se a um inquérito que se fez sobre o português que gostaria de ver ressuscitado, diz-nos este escritor que " Ramalho Ortigão era o português que desejaria, de novo, entre nós - para com as suas farpas castigar os costumes. ( ... ) Para saber o que se passa hoje em Portugal, melhor, muito melhor, que ler jornais ( até do ponto de vista da higiene literária ) é reler As Farpas. Elas são, infelizmente para nós, de uma grande actualidade.

« Estou certo - escrevia, num rapto profético, Eça a Ramalho - que esses panfletos hão-de ter a mesma frescura viva no século XX » "  E no XXI, poderia acrescentar. Sabia, pois, que, porque a memória é fraca, a mesma água suja volta a encharcar-nos.

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publicado às 20:39

«Hope and change»

por João Quaresma, em 11.09.12

Um momento de televisão que diz muito do estado de espírito dos norte-americanos: desilusão com a situação actual e a consciência de que estão num momento decisivo em que ou recuperam ou se afundam na decadência. E recuperar significará retornar às referências e aos valores que trouxeram os sucessos passados de que hoje se sente a falta. Uma reflexão que também podemos fazer em Portugal. Como foi possível deixar um belíssimo país como nosso, com potencialidades e condições excepcionais e invejadas por outros, que bastaria ser gerido de acordo com os seus interesses para ser um dos melhores da Europa, chegar a este ponto? Quando foi que nos deixámos de preocupar? A quem é que demos ouvidos e não devíamos ter dado?

 

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publicado às 00:05

2012: o Estado da Nação

por João Quaresma, em 08.09.12

Foram décadas de "modernização" do país. Muitas estradas e auto-estradas, pontes, viadutos e rotundas aos milhares, combóios de alta velocidade e aeroportos, a "modernização" do ensino ano-sim ano-não, as gerações de doutores, a "modernização" da economia pela eliminação da Agricultura e das indústrias do mar, a "modernização" demográfica pela ruína do interior e pela urbanização soviética, os bons alunos de Bruxelas, os bons clientes de Madrid e de Berlim, a "modernização" do comércio pelas grandes superfícies e grandes importações, a "modernização" dos hábitos pelo fecho pela ASAE e pela multa da EMEL, das mentalidades pela "cultura" do regime, a "modernização" dos carros eléctricos e dos postos de carregamento, as energias alternativas e a falta de alternativas à energia que pagamos, a "modernização" do investimento público pelo endividamento desmesurado e pelas parcerias público-privadas, a modernidade da Expo, dos estádios do Euro e das capitais da cultura, a "modernização" da ortografia e até do conceito de família. Nunca um país foi tão modernizado em tão pouco tempo! E o resultado? É que as facturas de tanta "modernização" obrigam-nos a ser mais empreendedores:

 

«Agricultores regressam à tracção animal para poupar no combustível


O aumento do preço dos combustíveis está a obrigar alguns agricultores transmontanos a optarem pelo regresso à tracção animal, relataram hoje alguns profissionais do sector.

 

“Todos sabemos que os combustíveis estão cada vez mais caros. Os burros, depois de ensinados, são um bom auxiliar para os trabalhos no campo, o que ajuda a poupar nos gastos com o gasóleo”, disse Artur Gomes, um agricultor do concelho de Miranda do Douro, com vários anos de actividade.

Animais como os burros desempenham várias tarefas na agricultura, como lavrar, puxar a carroça, transportar pessoas e ferramentas para os campos, entre outras utilidades, o que leva os seus proprietários a afirmarem que “cada vez mais compensa trabalhar com eles”, já que são “dóceis e de fácil maneio”.

“Tenho duas burras de raça mirandesa que estão habituadas aos trabalhos do campo. São animais que me ajudam nas tarefas da lavoura e isso reflecte-se em menor gastos na aquisição de combustível para o tractor”, acrescentou.

Também Iria Gomes, uma agricultora e proprietária de quatro burros de raça mirandesa, residente na pequena aldeia mirandesa de Paradela, garante que com os seus animais lavra a vinha, arranca as batatas e planta couves. Para além destas tarefas, os animais acabam por se revelar uma companhia diária.

“Por vezes, estes animais chegam aonde não vão os tractores e sempre fica mais barato que utilizar outros equipamentos motorizados que são mais caros”, frisou.

Por seu lado, Amâncio Fernandes, agricultor em Vimioso há mais de 30 anos, garante que adquiriu um cavalo para se deslocar às suas propriedades.

Estas foram algumas das ideias deixadas à margem da secular Feira de Gado Asinino, que hoje decorreu no Santuário da Senhora do Naso, situado na Póvoa (Miranda do Douro), um certame que juntou cerca de meia centena de proprietários de burros mirandeses, uma raça autóctone com o solar circunscrito à região do planalto mirandês.

Já o secretário técnico da Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA), Miguel Nóvoa, é da opinião que a utilização da tracção animal é útil e que os jovens agricultores deveriam reconhecer o valor dos animais nas tarefas agrícolas.

“Quem tiver um burro na sua exploração está salvaguardado de despesas acrescidas com máquinas agrícolas e combustíveis”, destacou o técnico.»

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publicado às 13:00

O Estado sucateiro

por João Quaresma, em 28.07.12

João Miranda, no Blasfémias:


«O Pavilhão Atlântico foi mais um dos muitos investimentos ruinosos feitos pelo Estado. Os 50 milhões investidos nunca renderam mais do que 2% ao ano, tendo rendido na maior parte dos anos cerca de 0,5%. Em 2011 renderam 0,4%. Renderam menos que a inflação e bastante menos que um depósito a prazo. Se os 50 milhões tivessem sido colocados no banco  a render a uma taxa de 5% hoje o Estado teria 100 milhões de euros na conta. Em vez disso tem um pavilhão que foi avaliado pelo mercado em 22 milhões de euros (note-se que no concurso público realizado ninguém deu mais). Feitas as contas, entrando ainda com os lucros miseráveis obtidos ao longo dos anos, o Estado deve ter perdido cerca de 70 milhões de euros a preços actuais. Mas note-se que o que foi ruinoso não foi a venda do Pavilhão Atlântico. Ruinosa foi a decisão de o construir.»


Muito bem: então vamos seguir essa lógica de tratar equipamentos culturais como investimentos financeiros e vender também outros investimentos ruinosos como o Teatro Nacional D. Maria II, o São Carlos, o Museu de Arte Antiga, o Panteão Nacional, a Biblioteca Nacional, a Torre do Tombo e tudo o mais que não der lucros acima dos juros que a banca daria pelo montante equivalente ao valor de mercado. Ninguém duvidará que, por muito pouco que alguém esteja disposto a pagar por eles, o negócio nunca será ruinoso. Isso sim é gerir racionalmente o património do Estado. Não há dúvida que ao longo de séculos andámos sempre governados por gente completamente estúpida, sem capacidade de julgamento. Felizmente que agora saímos das trevas e vimos a luz: nós não somos cidadãos de um país nem existe Estado, somos meros clientes de uma empresa pública que liquida a nossa massa falida.

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publicado às 16:50

" Quem nasce para lagartixa nunca chega a jacaré "

por Cristina Ribeiro, em 21.01.12

Relembro o que Mouzinho de Albuquerque pensava o que devia ser um Chefe de Estado, e, hoje, face ao desatino do actual habitante do Palácio de Belém, só me ocorre uma expressão:  " Porca Miséria "!!!!!!!

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publicado às 03:22

E ainda se admiram!

por Cristina Ribeiro, em 21.10.11

Quanto ao caso, já referido pelo Nuno, do ministro que usufrui de um subsídio apesar de possuir habitação própria na zona de Lisboa, diz-se que é coisa legal; mas por o ser não deixa de ser imoral. E depois admiram-se por se apontar Salazar como modelo a seguir, nesse aspecto - era legal que o Estado lhe pagasse a electricidade da casa onde vivia, mas sempre fez questão de separar os custos a serviço público dos da esfera privada.

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publicado às 20:09

...

por Silvia Vermelho, em 13.10.11

A austeridade burra é uma austeridade preconceituosa. É uma austeridade que considera pessoas com ordenados miseráveis como ricos e, portanto, discriminatória.

 

É um critério, mas um critério muito estúpido. Não me interessa - não estou por aí! - que macaquinhos ideológicos remanescentes pululam na cabeça destes defecadores de políticas públicas, que os façam fazer esta bela merda. O que me interessa é saber quando é que rolam cabeças. Até quando continuaremos a ser roubados e a pagar contas que não fizemos. Democracia representativa my ass. Legitimidade do imposto my ass. Autorização parlamentar my ass. Constitucionalidade my ass. Este país já teve mais retroactividade e impostos não aprovados no Parlamento, para além das manhosas receitas para-fiscais, que sei lá o quê.

 

A minha mãe é funcionária pública e ganha mais que mil euros. Não somos ricos. Nunca fomos. Mas para continuarmos a ter comida na mesa, sinceramente, penso que está na hora de tornar a cultivar o quintal - ah, quintal esse, que a minha avó não encontra ninguém que o queira cultivar.

 

É claro que as coisas doem quando nos tocam, certo. Mas isto já não é uma pancadinha qualquer. É violação, é morte.

 

Isto tem de cair. As peças na engrenagem, têm de se destruir. Mais vale destruir com um pequeno terramoto do que esperar pela bomba atómica que este caldeirão anda a preparar.

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publicado às 20:45

Perdidos e achados do dia 17 de Setembro

por Silvia Vermelho, em 18.09.11

Fez hoje seis anos, dia 17 de Setembro, que, no meio de Arcos de Valdevez e com uma ligação à Internet que deixava muito a desejar, consegui ver, poucos minutos depois da saída online das colocações no Ensino Superior, que tinha ficado colocada na minha primeira opção. E, neste mesmo dia, fez dois anos que terminei o curso e comigo muitas/os outras/os colegas e amigas/os.

Lembro-me disto como me lembro de muitas outras coisas inúteis, tenho uma particular queda para datas e uma memória pouco selectiva. Mas ao ter ouvido hoje na rádio as notícias sobre as colocações no Ensino Superior e ao ter visto, no Facebook, várias manifestações de alegria de algumas pessoas que hoje souberam da sua colocação nas Universidades de sua eleição, não pude deixar de sentir mixed feelings, quando a situação em que vivemos não é de festa e nos condena a uma incerteza espiritual que já no outro dia o meu bom amigo Samuel referia.

 

Esta data dava um bom "Perdidos e Achados" para a SIC. Onde estamos nós, dois anos depois?

 

O cenário em que eu participava, em 2009, por esta hora, era este: mais ou menos trinta pessoas, predominantemente de Ciência Política e Relações Internacionais, festejavam, genuinamente, o final de um curso de quatro anos, do velhinho sistema pré-Bolonha. Não vou esconder o facto de que circulavam imensos copos de plástico com sangria, cerveja, garrafas de vinho do Porto e vinho da Madeira. Mas circulavam mensagens. Brindes irónicos a um desemprego esperado (mas para que ninguém estava preparada/o), votos de felicidades, promessas de irmos aos casamentos da malta, premonições de sucesso, intenções de regresso a terras-Natal que não Lisboa (muitas/os de nós estavam nessa situação), partilha das inscrições em Mestrados e pós-graduações que as/os mais abonadas/os haviam concretizado e uma certeza inegável de que, após aquele dia, nada mais seria o mesmo. Disseram-se coisas que demoraram quatro anos para merecerem ser ditas, estava ali um grupo com uma certa "consciência de classe", abusando da expressão, que só quatro anos de Universidade conseguem construir.

 

Dois anos depois, uma amiga minha sintetizou muito bem este período que passou: “quase nada de produtivo aconteceu”.

E é-o verdade para a maioria de nós.

 

Algumas/uns de nós passaram por uma situação de desemprego longa e frustrante. Outras/os encararam altos e baixos: contratos de um mês, recibos verdes, “férias forçadas” (ou seja, falsas renovações de contratos passado os meses de Verão). Uma situação, para além de frustrante, desgastante. Outras/os defrontaram-se com empregos relativamente estáveis, mas onde o ordenado aceitável dificilmente justificava a “dedicação” e o “empenhamento” que depressa se tornaram eufemismos para a exploração da geração de colarinho branco – horários incertos, trabalho para casa, fins-de-semana ocupados e um grande nível de stress no equilíbrio que é requerido quando empregadoras/es combinam empregos e ordenados de execução com exigências de criatividade e inovação. Uma situação, para além de desgastante, rapidamente se transforma em esgotante. Seja em que situação for, a maioria de nós contou com o apoio dos pais, seja a nível financeiro directo seja a um nível indirecto (i.e., o pessoal que continua a viver e a comer em casa dos pais). Sem este apoio, a maioria de nós estaria condenado ao RSI. Falo a sério.

 

Conhecendo esta realidade, não admira que este vídeo, tão popular nas redes sociais, me tenha feito espécie. Começou por causar sensações de desconfiança até ter chegado ao patamar de irritação e, é já nesta qualidade de irritada, que escrevo sobre isto.

E o que me irritou foi a aceitação destas palavras por parte de quem as divulgou, de quem as bebeu e de quem as sentiu como verdadeiras.

Até consigo perceber porque é que as palavras pegaram. Colocam o ónus da responsabilidade em nós mesmas/os. Para certas pessoas, até porque foram pessoas bastante iluminadas/os que eu vi partilharem este vídeo, esta autonomia no percurso, esta responsabilidade individual, é óptima. As palavras deste Miguel pegaram porque, de certa forma, justificaram todo o esforço individual que certas pessoas tiveram para conseguir uma determinada situação na sua vida que elas mesmas consideraram aceitáveis. Ou porque justificaram o esforço individual desenvolvido por pessoas que confiam que este lhes trará retorno. Ou ainda porque, simples e implicitamente, rejeitam a responsabilidade do sistema/Estado/sociedade no insucesso individual ou, por outras palavras, não consideram sua tarefa ou não consideram que esta poderá, algum dia, vir a ser bem executada.

 

Eu poderia estar neste grupo. A sério que poderia, ainda há pouco tive o pedantismo de dar alguns conselhos a uma miúda que vai entrar agora para a faculdade, sobre a importância de ser, como se diz na minha terra, “fura-bolos”. Desde que me lembro de ser eu, sempre me desdobrei em mil e quinhentas contendas para além da incipiente escolinha. Sempre me mexi. Sempre fiz coisas. Continuo a fazer coisas. Às centenas e aos milhares. Construí (e digo construir como oposição a ganhar) capacidades e competências que, não fosse o meu esforço individual, nenhuma escola, nenhuma doutrina, nenhuma sociedade nem nenhum Estado teria, alguma vez, dever de mos transmitir. Como estas minhas capacidades e competências são isso mesmo: minhas. São o que me torna única, e me distinguem da restante população activa. São o que me atribuem o tal valor de mercado.

 

Em que medida é que, então, discordo assim tanto do dito Miguel ao ponto de considerar a ampla divulgação deste vídeo verdadeiramente repugnante?

É que, ao contrário dele, eu não sou uma crente da capacidade de absorção e selecção do mercado. O que são excepções, ele transforma, no seu discurso, em regra.

O que mais conheço são “fura-bolos”. A sério, conheço mesmo muita gente cheia de valor, a bater às portas a todo o lado, cheia de ideias. Ideias que trazem valor – ao mercado, à sociedade, à vida de alguém ou de muitas/os. O que mais conheço é pessoal que fala mais que duas línguas, tem experiência de voluntariado em mais que dois ou três sítios e que para além da área de formação desenvolveu outras áreas de competência a que soube dar continuidade e utilidade. Pessoal que fez Erasmus, Inov, ou de qualquer outra forma trabalhou ou viveu noutras partes da Europa e do Mundo. Conheço líderes, que desenvolvem um trabalho extraordinário no Terceiro Sector que, devido à sua crescente profissionalização, tem desenvolvido imenso a democracia participativa em Portugal e contribuído para a badalada governança multi-nível. Este Sector tem cativado muita gente que sente a sua criatividade acolhida, e que aqui encontra espaço de manobra para a concretização dos seus projectos e canalização da sua energia. Mas o que é que caracteriza este sector? Pois é. A parte do “sem fins lucrativos”.

É por isso que a maioria do pessoal que eu conheço, capaz, cheio de ideias, com aquele perfil que o Miguel garante que as organizações querem absorver, está nas lonas.

 

Em contrapartida, como no outro dia comentava com o Samuel, também conheço muita gente que nunca fez mais nada que não (segue-se uma lista):

- lamber botas,

- colar cartazes nas Jotas,

- ser filha/o de X que tem uma empresa,

- ser filha/o de X que conhece Y,

- ser um pau-mandado,

- ser um/a idiota,

- ser narrow-minded,

- ter o apelido X


(a completar mediante inspiração futura)

 

E essa gente foi bem absorvida... pelo sector público! E no fim de absorvidas pelo sector público, se continuarem tão lambe-botas, tão pau-mandado como sempre o foram, tão *convenientes*, hão-de ser absorvidas pelo sector privado.

 

É por isto que me dá vontade de dizer: Miguel, acorda para a vida! No dia em que, na generalidade, o esforço individual for o único responsável pelo sucesso dessa pessoa… bem, então não estarei em Portugal!

 

Esta geração, lixada pela anterior pelas razões sobejamente conhecidas, tem uma desvantagem ainda maior: é todos os dias lixada por si mesmo. Vejamos gerações decadentistas e depressivas: a geração de 70 da belle époque, por exemplo. Essa geração pôde, no entanto, ser frutífera na arte e na literatura. Não estou a ver isso acontecer com a nossa. Lá de queixumes somos nós, e com razão, mas deixá-mos de saber escrever. Se estives-te com atenção nos últimos dez anos, há-des reparar que ninguém sabe distinguir a conjugação pronominal do pretérito perfeito e o verbo haver é um caso sério. À dez anos atrás, alguém deve ter espalhado uma mensagem divina que minou a capacidade de distinção destas/es diplomadas/os entre os diversos “As”. Por isso, ás 01h47 de hoje, digo que nunca me senti tão az nesta cena de escrever. Como é que uma geração cujo alegado escol é isto pode, algum dia, transmitir a outras/os, de forma magistral como foi feito no passado, o que é a merda de vida e de situação em que estamos? O nosso legado às gerações futuras, sobre a grande depressão espiritual que vivemos, vão ser os registos do twitter. Isto chama-se lixarmo-nos a nós mesmas/os enquanto geração: ficarmos para a História como a geração que nem soube, de alguma forma, dignificar ou tornar épica a situação precária em que se encontra. O verdadeiro escol por mérito próprio, dentro dessa élite manhosa a que o Estado produziu em massa, vai estar demasiado ocupado a ter dois trabalhos para poder pagar a porra da aprendizagem ao longo da vida (que em vez de individual e opcional, se tornou institucionalizada e praticamente obrigatória) e/ou a fechar a porta de casa devagarinho para não acordar os pais quando chegar a casa – aos trinta anos.

 

É por isso que, em todos os 17 de Setembro, hei-de sempre lembrar-me da minha alegria inocente de quando há seis anos soube que ia estudar para Lisboa. Hei-de sempre lembrar-me da certeza que, há dois anos, sentia sobre como o tempo me tinha tornado uma mulher e como os dados estavam lançados para a minha independência. Hei-de sempre lembrar-me dos futuros que traçámos naquela noite, das expectativas que não queríamos criar – mas que criámos! – e da forma como brutalmente, todos os dias, temos de rever. Não por falta de esforço individual, de criatividade, de dedicação, de garra, de força, mas porque quando não são mil milhões que aparecem por justificar, hão-de ser sempre uns filhos da puta quaisquer que hão-de preferir quem não pensa e alinha no esquema montado: um bom camarada/companheiro conveniente e conivente.

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publicado às 02:08

Simplista e sincero

por Silvia Vermelho, em 22.04.11

 

 

 

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publicado às 00:04

Alternativas

por Silvia Vermelho, em 29.03.11

 

 

 

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publicado às 18:35

Prioridades

por Silvia Vermelho, em 29.03.11

IP8 vai cortar ao meio olival que produz o melhor azeite do mundo

 

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publicado às 17:43

Um dos sítios mais tristes do mundo

por Silvia Vermelho, em 01.02.11

Quem diz que é um cemitério, é óbvio que nunca teve de passar por um Centro de Emprego-IEFP.

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publicado às 17:40

 " Sou membro do PP, mas gostaria que o partido do qual faço parte rompesse de vez com o regime ao invés de o tentar influenciar e fazer oposição em pontos insignificantes diante das questões mais importantes, sobre as quais silencia, como o Tratado de Lisboa. Penso que esta estratégia significará a sua infiltração por gente do regime e o desgastará aos olhos da opinião pública. Uma das coisas em que o PP falha, na minha opinião, é no apoio, ainda que discreto, a Cavaco. "

Não sendo militante do CDS, mas tendo nele votado, na esperança da diferença, vi-me perante " mais do mesmo ", por isso, completamente d'acordo, Carlos, até porque era uma porta que se abria para a discussão da República das bananas.

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publicado às 00:03

Isenção precisa-se

por Cristina Ribeiro, em 24.07.10

" para melhor se poder comemorar a República de 1910, a autêntica, haverá mais desemprego, menos crescimento, menos consumo, menos exportações, menos crédito bancário, mais penúria, mais impostos, mais apertos de cinto…"

 

Vero, Professor Vasco Moura, mas esta não será a mais justa ( Deus escreve certo por linhas bem tortas ) forma de comemorar uma coisa que começou com um crime? ( pena pagarmos uns pelos outros; sermos apanhados  pela tempestade de quem semeou ventos...)

 

E a isenção? "Mas todos os dias, desde há meses e meses a esta parte, este Governo, tal como o anterior, encontra maneira de garantir cá para fora que tudo corre bem, ou que tudo vai melhorando significativamente. O barco vai ao fundo, enquanto o primeiro-ministro macaqueia uma viragem à esquerda e a tripulação bate palmas ou assobia para o lado."; é que não é coisa de " há meses ", mas de há anos: a nossa desgraça é estrutural, e já vem de há muito tempo -  quem antes destes governou tem culpas no cartório, e é agora de todos conhecido que as tem, pelo que de nada vale branquear as coisas: o barco começou a naufragar há muito mais tempo...

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publicado às 00:08

Para ficar quase tudo como dantes?

por Cristina Ribeiro, em 23.07.10

Muitos de nós sabemos que a Constituição, mesmo após as sucessivas revisões, é um aborto, nomeadamente quando diz que Portugal tem de caminhar para o socialismo ( ora essa!!! )  ou quando, por ex., tem na república uma vaca sagrada protegida pelos tais limites materiais; mas, apesar dela, poderíamos estar numa situação bem melhor do que a que estamos: não é impeditiva de que o país seja um lugar decente. A luta prioritária é a moralização dos políticos que enxameiam estes partidos; depois, com gente credível partir-se para uma Revisão a sério.-- pelos sinais que me vão chegando, será como dizia o príncipe Fabrizio " mudar alguma coisa, para que tudo fique na mesma " - com estes protagonistas, não se pode esperar mais.

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publicado às 14:10

Hoje, Paulo Tunhas pergunta como foi possível  que José Sócrates tenha sido " reeleito numa altura em que a catástrofe económica estava já à vista e em que tudo na natureza do seu pensamento político transpirava a mais desesperante vacuidade, uma vacuidade a que uma longa sucessão de casos (da licenciatura ao episódio TVI) conferia um aspecto ainda mais inquietante

A resposta evidente, ou uma parte dela, é que as pessoas acreditavam nele. E acreditavam porque a maneira de falar dele as convencia. Ora, deixem-me que diga, este é um dos mais tristes sinais da pátria que se possa imaginar. Porque se havia coisa patente no discurso de Sócrates era a pura e simples artificialidade. Dir-se-á que é assim, por necessidade de ofício, com todos os políticos. Sim, mas há graus. E o grau dele alcançava os máximos humanos no capítulo, superando-os até aqui e ali. Que as pessoas tenham depositado confiança numa linguagem toda feita de indiferença à aspereza do real e num estilo cuja marca principal era a mais poluente subjectivização egocêntrica de tudo, diz muito mal sobre o estado das almas por cá "

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publicado às 13:38

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