Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A Fé

por João Almeida Amaral, em 11.05.17

Maria.jpg

 

Bento XVI definiu a Fé como um Dom da Liberdade.

É uma das definições mais belas que li sobre a Fé. Bela pelo seu conteúdo, pela sua simplicidade , bela porque descomplica  uma questão complexa. O seu autor marcou-me pela inteligência, pela cultura , pela timidez e pela sua dimensão intelectual de gigante. 

Neste mês de Maio celebra-se Maria e ano após ano, eu pecador confesso, inundo os meus olhos,  com as manifestações de fé que os peregrinos anónimos, vão revelando. Só quem lá tenha ido compreende o sentido de Fé que move aquelas almas.

Por a Fé ser um Dom da Liberdade, ninguém obriga ninguém a acreditar, mas também ninguém tem o direito de criticar a Fé  de quem a tem.

Tristes os que não tendo Fé tentam cercear diminuir e ridicularizar os que a têm. 

 

Gostaria um dia de ser tocado por essa Fé.

Vergo-me perante  Maria na esperança de um dia poder sentir o seu coração de Mãe.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:44

Salvadorismo

por John Wolf, em 10.05.17

IAH_Cy-Z_400x400.jpeg

 

Tenho de pedir autorização especial à Direcção-Geral de Censura do Facebook e arredores para tecer algumas considerações sobre o fenómeno Salvador? Venho a medo para este espaço de expressão. Quando um país inteiro fica enfeitiçado pelas qualidades hipnóticas de uma receita, o melhor é ficar calado e submeter-me ao silêncio. Nada de mais errado. Tenho todo o direito de analisar a questão. Aliás, apetece-me cantar. Assistimos nos últimos tempos à diluição gasosa do conceito artístico. Nem sequer ouso referir o termo cultura para não ser remetido ao proselitismo sobranceiro. Quando no espaço de curtas semanas somos assaltados pelo terço gulliveriano de Joana Vasconcelos, os espelhos agigantados de José Pedro Croft e as qualidades híper-estetizadas do cantautor Sobral, no âmbito do seu sucesso semi-acabado no Festival Eurovisão da Canção, devemos ficar preocupados com a hierarquia de valores. A epidemia das artes revela traços agudos da era do vazio. Sem se dar conta, o eleitorado musical rende-se à forma pitoresca e à escala refugiada de um estilo que, mui francamente, já foi declamado vezes sem conta por precursores líricos. Existe um posicionamento ideológico assinalável no boneco gerado. Por um lado, no contexto da supressão do homem caído em desgraça material, Sobral aparece enquanto pastor dessa prece económica. Essa humildade vocal em conluio com a pequena poesia existencial remete o homem para a sua condição misericordiosa. Digo isto como analista cru e implacável, desprovido de sentimentos e noções oníricas - sou desumano. A imagem e o áudio geram empatia, compaixão, quiçá misericórdia. No entanto, devem ressalvar algumas das medidas de interpretação que partilho com semelhante equidistância em relação a outros virtuosos. Portugal tem talento para dar e vender, mas não sei se estes exemplos elevam ou honram a casa lusitana. Paira no ar um certo mistério de vendetta, como se houvesse necessidade de vingar humilhações anteriores. Para todos os efeitos práticos, a Eurovisão, é uma espécie de Comissão Europeia dos cambalachos musicais. Mete muita política, alguma melodia, mas raramente acrescenta valor às nações. Enquanto outros nomes portugueses conquistam salas de Ópera por esse mundo fora, os peregrinos rendem-se à sugestão de uma sombra de Brel, ou como alguém disse - e passo a distorcer -, à magia de um Tim Burton em forma de Salvador, voz de ternuras. Se isto enche por completo as medidas de um povo, significa que os milagres e as aparições continuam válidos, eternos. Não tenho razão. Mas tenho direito a desafinar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:40

Helena Roseta, intelectualmente coxa

por John Wolf, em 06.06.15

05-helena_roseta.jpg

Portugal não consegue casar a política com a inteligência. Existe um défice cognitivo que aflige o sector partidário. Devemos ficar muito preocupados com o lastro que é colocado sobre os ombros dos portugueses - a invalidez intelectual daqueles que prometem salvar o país. Em minuto e meio apenas de tempo de antena, Helena Roseta não diz rigorosamente nada. Não é capaz de estruturar um axioma que sirva o que quer que seja. Usa frases-feitas que se bengalam em actos de fé, na religião cega - os socialistas são melhores por causa da sua genética superior, da sua grandeza ética, blá, blá, blá. Em escassas palavras, escorridas de um palanque de inutilidades, a independente do Partido Socialista confirma os nossos piores receios. Nada mudará. Se a cidadã Roseta tivesse o calibre e a credibilidade da madrileña Manuela Carmena, a Helena poderia até aspirar a ser uma "Carmona". Mas não é o caso. Preenche apenas os mesmos requisítos que definem António Capucho - é uma jobless. Precisa de se colocar a jeito a ver se cai uma pasta, um part-time ou coisa que o valha. Uma vitória socialista nas legislativas é como ganhar o (tótó)loto. Há sempre dinheiro a rodos para distribuir sob o camuflado de justiça social, equidade. O que vale é que a senhora é independente. Imaginem se não fosse, se devesse favores.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:47

#poesia (VIII)

por Fernando Melro dos Santos, em 26.05.13

Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay, 
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light. 


- Dylan Thomas



Bem sei que republico um poema que toda a gente, eu incluído, já copipastou centenas de vezes. 


Mas hoje vai nas mãos da camaradagem direito para o Samuel.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:21

G. K. Chesterton, Disparates do Mundo:

 

«Em suma, a fé humana racional tem de ser armar de preconceitos num tempo de preconceitos, da mesma maneira que se armou de lógica num tempo de lógica. Mas a diferença entre estes dois métodos mentais é profunda e inequívoca. O essencial desta diferença é o seguinte: os preconceitos são divergentes, enquanto os credos estão sempre em colisão. Os crentes chocam uns com os outros, enquanto os preconceituosos se afastam uns dos outros. Um credo é uma coisa colectiva, e até os pecados correspondentes são sociáveis. Um preconceito é uma coisa privada, e até a correspondente tolerância é misantrópica. É o que se passa com as divisões que nos separam: não se cruzam. O jornal dos conservadores e o jornal dos radicais não respondem um ao outro: ignoram-se um ao outro. A controvérsia genuína, uma controvérsia séria mantida na presença de um público comum, tornou-se hoje uma coisa muito rara. Porque o homem que a ela se dedica com sinceridade é acima de tudo um bom ouvinte. O verdadeiro entusiasta nunca interrompe: ouve os argumentos do inimigo com a mesma atenção com que um espião ouve as combinações do inimigo. Mas, se o leitor tentar manter uma discussão com um jornal que defenda ideias políticas contrárias às suas, verificará que não há meio termo entre a violência e a fuga; que a única resposta que recebe são insultos ou silêncios. O moderno director está proibido de ter aquele ouvido atento que acompanha a língua honesta. Pode ser surdo e silencioso - e a isso chama-se dignidade; ou ser surdo e ruidoso - e a isso chama-se jornalismo contundente. Em nenhum destes casos há controvérsia porque o objectivo dos actuais combatentes partidários é disparar de fora do alcance do tiro.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:44

Samuel, a premissa central do teu texto - que percebo a ser a antecedência do homem face a Deus -, da qual resulta a noção de que Deus é uma criação humana, bem como o deísmo antropomórfico que caracterizas, parece-me padecer de um problema de base, brilhantemente sumariado em Being John Malkovich. Se nós vemos o mundo pelos olhos de Malkovich, o corpo de Malkovich age de acordo com o que cada um de nós quer experimentar. A realidade de "ser John Malkovich" torna-se assim no paradoxo do relativismo absoluto: John Malkovich passa a ver e agir como cada um de nós quer.

Serve a metáfora para dizer que tudo pode ser entendido como uma construção humana, se entenderes que por ser visto pelos teus olhos, humanos, passa a ser uma realidade construída por ti. Naturalmente que foi o homem quem escreveu sobre Deus, porque a escrita é um exercício humano. Faz isso de Deus uma criação humana? Da mesma forma faria de cada mesa uma mesa diferente, consoante quem passasse pelo interior da mente de John Malkovich, e olhasse para a dita mesa. A falácia "post hoc ergo propter hoc" enviesa o conhecimento: não é por a reflexão humana sobre Deus, e a escrita do homem sobre Deus, anteceder uma epifania que admitas como válida, que essa epifania passaria a ser uma construção tua. Ou todo o conhecimento se tornaria relativo, e, como tal, nulo. O que não é o caso! 

No domínio da geometria euclidiana, o Teorema de Pitágoras é uma verdade à espera de ser descoberta, que não muda por ter sido Pitágoras a descobri-la. Fosse outro qualquer, mudasse o nome ao teorema, ele continuaria a conter uma relação indesmentível entre os comprimentos dos lados de um triângulo rectângulo, inscrito num plano.

O Teorema de Pitágoras foi verbalizado por homens. Tornar-se-ia diferente a cada um que passasse pelos olhos de John Malkovich? Não me parece, e por isso não me parece também que toda a verdade seja humana como afirmas. A Matemática é uma colecção de verdades que existem e da qual nos é dado vislumbrar pedaços da sua beleza de tempos a tempos. As verdades ainda não descobertas não são verdades inexistentes. E as existentes são idênticas para qualquer olhar que sobre elas se debruce. Mesmo o último teorema de Fermat sobreviveu séculos, apesar de não demonstrado até recentemente.

 

Se a Verdade existe então, para além do humano, o Absoluto tem também de existir. Porque a Verdade é absoluta. A nossa missão muda radicalmente. Tentamos apreender a verdade, como dizia Newton, trabalhando como anões nas costas de gigantes. Santo Agostinho separava de forma clara a matéria criada da que não o foi. Deus cria. Não é ele próprio matéria criada, e por isso antecede a matéria criada. A concepção humana de Deus pode-lhe ter conferido, em muitos cultos, rostos humanizados. Da mesma forma que estilizamos as representações de extra-terrestres a partir do nosso universo de conhecimento morfológico. Mas o Cristianismo, no que me parece ser um ponto que ilude a tua reflexão, não o faz. Jesus Cristo não é a humanização de Deus, nem a representação de Cristo pretende ser a representação de Deus. Cristo é Deus que veio ao mundo como Homem. E para interagir com os homens. Por isso, numa forma reconhecível pelos homens. Nenhum Homem, diz-nos Jesus, alguma vez viu Deus, na sua vida terrena. Quando muito, alguns tiveram a Fé para reconhecer Deus no homem Jesus Cristo.

Vale a pena recordar o episódio da sarça ardente, em que Moisés interage com Deus na montanha. Pede-lhe para o ver, para o poder apresentar ao povo que tirara do Egipto. E Deus permite-lhe apenas ver a sombra de umas costas numa pedra. Santo Agostinho, em Da Trinidade, conclui que essa sombra é a sombra das costas de Jesus, pois será essa a forma humana que Deus tomará quando vem ao nosso encontro no Novo Testamento.

Não podemos, por isso, confundir antropomorfismo deísta com Cristianismo. É assumido no Cristianismo que não conhecemos o rosto de Deus, nem sabemos se o tem. Foi-nos dado, pelo Seu Amor, conhecer a Cristo, Deus que veio a nós na forma humana. Mas que não consiste na forma (se o conceito se aplica?) do próprio Deus, pois Ele não é matéria criada, nem se situa neste plano de morfologias reconhecíveis. O Deus dos Cristãos é a Trindade Santíssima: uma união perfeita de três pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo) que são uma só, pois cada uma está em todas as outras e são consubstanciais. O Deus é uno e trino. Consubstancial porque todo é Amor. Só se distinguem nas relações recíprocas, mas todos um mesmo Deus.

Convirás, Samuel, que há pouco de antropomórfico, na percepção de um Deus uno e trino, pois essa é uma realidade desconhecida e mesmo misteriosa no nosso plano vivencial....

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:31

A igualdade como dogma

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.11

A paixão moderna pelo conceito de igualdade é um fenómeno verdadeiramente inexplicável em termos minimamente racionais, porque mais religioso e dogmático que boa parte das religiões. Se os liberais têm na liberdade individual o princípio primeiro, não hesitam, porém, em colocar dúvidas sobre as suas acepções - ou não seja a metodologia científica, especialmente em ciências sociais, reflexo em grande medida dos ensinamentos de Karl Popper. Aos igualitaristas, a dúvida é uma coisa que não lhes assiste e não descansam enquanto não nivelam tudo e todos por baixo, em nome do progresso (sabe-se lá de qual progresso, mas isso também não lhes interessa muito). É um mistério de fé, na verdade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:07

Diário de Bordo

por João de Brecht, em 19.09.10

 

Istambul, 19 de Setembro de 2010

 

 

 


Cinco vezes por dia os pobres altifalantes instalados no minarete mais alto da mesquita maior de Avcılar resistem aos cânticos do Imã que chama os seus irmãos para mais uma reza. Cinco vezes por dia a cidade pára. Cinco vezes por dia se enchem as ruas de tapetes e se assiste ao ritual da vénia, do ajoelhar, de tocar com a testa no chão. Como se de horas de sono se tratasse, quando termina a cerimónia, vêem-se sorrisos e simpatia entre as gentes.

Apressam-se os pequenos mouros para os autocarros sobrelotados, as portas estão abertas para que mais algum nelas se pendure. Salto em Beşiktaş e falo com meio mundo à procura de um bom sítio para fumar narguilé e çay – “Where are you from my friend?” – “From Portugal, do you know where it is?” – “Quaresma! Quaresma!”. Indicam-me então um pequeno café, bandeiras turcas e o retrato de Mustafa Kemal Atatürk preenchem uma parede cor-cimento. Bebem-se os çay, fuma-se a chicha, diz-se “teşekkür ederim” e volta-se para a rua sobrelotada. Sinto que conseguia voltar para casa guiado pelos cheiros, os tapetes, as simit, os kebabs, os fumos, flores e frutas.

Tudo aqui me cheira a mágico, tudo me cheira diferente.Sentem-se as saudades de um Portugal cada vez mais longe. Mas maior que as saudades é a sede de descobrir mais, de beijar Istambul.

 

Volto a escrever em breve, um forte abraço para os Conselheiros de Estado e para os Leitores.

 

Güle Güle!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:26






Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Em destaque

  •  
  • Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas


    subscrever feeds