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Recenseamento sexual de Manuel Clemente

por John Wolf, em 08.02.18

ManuelClemente.png

 

D. Manuel Clemente, perito internacional em questões de natureza sexual, psicólogo familiar e terapeuta de grupo nas horas vagas, recomenda, a católicos recasados, como medida preliminar, o recenseamento erótico no sentido do repúdio da prática lúdica de ordem orgânico-genital. Por outras palavras, um homem que nunca provou o mel do amor libidinoso, o perfume que irradia humanidade e empatia, é um preservativo em si. O representante da Igreja Católica em Portugal é um contraceptivo andante e falante, um fiscal da génese que alimenta a fé, a paixão, esse mesmo pulsar que edifica famílias e fecunda sociedades com jorros infindáveis de esperança e a crença num futuro auspicioso. O fundamentalismo que tomou conta de certas falanges políticas e outros sistemas religiosos, parece ter inoculado este mesmo cardeal, que deixa de ser patriarca do que quer que seja. Mas Clemente é tão parecido com tantos outros. Não assina por inteiro o Index Librorum Prohibitorum Coital - deixa escorrer que se trata de uma extensão da vontade do Sumo Pontíficie - a parábola da ejaculação abstinente. Depois varrem para debaixo do tapete sepulcral as transgressões, as vidas devassadas por abusadores que se escondem atrás do manto da impunidade de Cristo, fora da lei, longe da ética, à vista de todos.

 

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publicado às 17:10

 

Nesta infausta e felizmente já "descomemorada" data, nada melhor tenho para fazer, senão publicar uma carta escrita nos finais do já longínquo ano de 1974.

 

Tendo ficado em Lourenço Marques até 1976, a minha avó assistiu a todo o processo de debandada que culminaria com o forçado abandono de Moçambique por parte de toda a sua familia. O seu pai, estabelecido em Lourenço Marques desde o início do século,  ali morreu em 1975 por altura da independência e a sua mãe que jamais visitara o Portugal Continental, também viria para a antiga Metrópole. Como era seu hábito, trata-se de uma longa missiva por vezes quase telegráfica e que ainda caía na tentação do uso do português de outros tempos. Nestes papéis apercebemo-nos da catástrofe que se verificava nos serviços públicos já a mercê do oportunismo de muitos, da incompetência dos neófitos e de uma total desorganização tornada inevitável pela abrupta partida de quadros da administração do ainda Estado de Moçambique. O papel das Forças Armadas Portuguesas foi aquele que bem se conhece, sumariamente podendo ser classificado como prepotente, escandaloso e cobarde. A mencionada requisição de navios que procederam à evacuação de militares e respectivas famílias - não esquecendo os preciosos teres e haveres, muitos destes adquiridos ao desbarato aos "colonos" - é apenas um dos tristes episódios que salpicaram a reputação de uma instituição até então por todos considerada sagrada.

O Miguel, a minha mãe, a Angela e eu, com a avó (L.M. Moçambique, 1966)

Alguns nomes foram por mim deliberadamente ocultados, evitando a reabertura de pequenas feridas - que hoje não têm qualquer relevância - perpetradas por gente excitada pelos acontecimentos e que talvez não tenha querido hesitar antes da tomada de algumas atitudes desnecessárias. 

 

Existem muitas dezenas de cartas deste período, ciosamente guardadas pelo meu pai, um felizmente incorrigível arquivista. Estes papéis são verídicos testemunhos de muitos acontecimentos completamente desconhecidos pela sociedade portuguesa. Convém guardá-los e dá-los a conhecer, pois a preservação da memória é o que nos resta. 

 

 

"Lourenço Marques, 8/11/74

Meus queridos filhos e netinhos

Anteontem pouco antes do meio dia foi quando escrevi as últimas linhas da carta que enviei via "Expresso". Não sei se me expliquei claramente, assim volto a dizer agora o mesmo.
Na CCN (1) dizem que a "sede aí é é que tem de mandar aviso Telex para a filial aqui com ordem de pagamento a ser feita cá". Eu já levava dinheiro para o fazer e nada adiantei. Tratar quanto antes do assunto que eu para a semana vou passando pela CCN a saber se já mandaram a ordem de pagamento. Meu Deus, tantas arrelias juntas. Disseram-me que a culpa foi de quem mediu os contentores, é melhor ir sempre a mais e pagar cá. Estava lá uma senhora a dizer que sabia como era. Mediam a menos para se valerem e mesmo receber gorjeta e os interessados que se arranjassem aí. Que sabia de muitos casos. Só penso que se já têm casa (2) devem estar mortinhos para a ter arranjadinha, o tempo como está? Já deve fazer frio. 
Fui à Inspecção de Crédito falar com a D. Irene Santos. Foi ela quem tratou da renovação do cartão da mesada da Prazeres (3) (ainda não lhe mandei o cheque de Setembro, não tenho cabeça nem disposição para escrever). Disse-me que as transferências estão suspensas e é verdade. Que os funcionários que foram "via turismo" não têm direito mesmo que houvesse dinheiro porque foram à sua custa, e é o teu caso, não é assim, Ana Maria? Deram-te a licença graciosa mas não as passagens. Pode ser que eu esteja enganada, mas lembro-me de ouvir qualquer coisa sobre isto antes de embarcarem. Mesmo no BNU estão as transferências suspensas. Não sei quantas vezes eu lá fui e quando lá chego antes de abrir as portas já a bicha é enorme. Enquanto estiver o aviso afixado na porta a dizer que estão suspensas as transferências, nada feito sobre as pensões. 
Se não me engano já mandei dizer qual o dinheiro vosso que tenho. Em caixa deixado por vós antes de partirem = 700$00 mais 25$50 em moedas 2.000$00 pagos por M. Graça Fernandes = 2.725$50.
A XXXXXXXX veio pagar domingo passado 14.000$00 pelo aparelho de ar condicionado. Quando lhe telefonei disse-lhe que preferia em dinheiro em vez de cheque como queria pagar. Que não podia fazer. Lá tive que ir depositar o dinheiro e assim quando preciso de dinheiro só posso levar dez contos por semana, um dia = 4 contos, outro dia = 4 contos e no terceiro dia = 2 contos. É uma bicha tremenda. Quando estranhei serem só catorze contos e lhe mostrei a factura que tinha mesmo ao lado da mesinha do telefone disse-me logo que lhe tinhas falado em catorze e não em catorze e quinhentos. Sempre quero ver se dará o que falta. Também me disse que os 4 contos não eram divida dela mas sim do irmão e da cunhada, que tinha ficado acordado contigo pagar mil escudos por mês. Que quando eu fosse novamente com a tia Mimi à consulta (vou na terça dia 12), a cunhada me pagaria qualquer coisa. Eu que ando a pé e sou velha é que tenho de lá ir. Esta gente não é nada atenciosa. A YYYYYYYY está na África do Sul, só para o fim de semana é que virá. Foi o que me disseram quando telefonei. O Sr. Inácio Ribeiro foi mais cortez, mas é pouca coisa o que tem para me entregar.
Agora vende-se tudo ao desbarato, por este andar só quem mesmo não pode é que não procura novos horizontes. No mercado negro dizem que para receber 100$00 daí temos que dar 300$00. Quando se pergunta quem o faz ninguém sabe e qualquer dia estará a 400%. Anda tudo louco. Não há navios para passageiros e carga. Até Março é para militares e famílias e material de guerra. Estamos abandonados. Não é costume nestas ocasiões fretarem navios e mesmo aviões para quem quer ir embora? Coitado do Avô (4). Diz que da sua casa não sai, mas está tão abalado que não sabemos quanto mais viverá. É a velhice. Vai-se apagando pouco a pouco. A Avó tendo que sair prefere ir para a A. do Sul que é clima mais quente, o Carlos, a Bolívia e a Mimi (5). A Maria Jesus (6) diz que vai com os filhos para lá, só está à espera do emprego que lhe prometeram em Durban. Mais ou menos o mesmo que cá faz. O Zeca (7) começa a trabalhar lá em Janeiro, a Laura (7) já está a desmantelar a casa. Enfim, a família vai cada um para seu lado. A Loti (8) conta embarcar no fim de Dezembro. Eu que faço? A Adélia (9) embarcou domingo passado com os miúdos e a mãe. Estão a viver em Portimão. O Mário (9) para o mês que vem embarca a gozar férias. Conta ficar uns tempos por cá e prefere então ir para o Brazil. Já está a tratar para ali se fixar. Fala em Porto Alegre. O Mário vai passar o natal aí e volta para cá até ir para o Brazil. O mobiliário já está a ser encaixotado e segue no fim de Dezembro para o Brazil. Vai junto com bagagem de uma família amiga. 
Eu ando a tratar da minha pensão de sobrevivência. A Adélia andou lá mas tudo agora é muito moroso. mandaram-me ir para a semana. Quero ver se ainda tenho chance de a transferir para aí antes de vinte e cinco de Junho, tenho até morrer. Assim não perco tudo, bem basta a casa ficar cá. Pena tenho eu de não a poder levar às costas. Eu ando muito nervosa (quem não anda?) quantas vezes não digo que era preferível morrer, tanta cousa triste neste último ano! Não sei se leve a tralha (caso haja navios de carga) e venda aí mesmo ao desbarato mas o dinheiro corre no mercado e o de cá só se for (10) para limpar o...! As lojas estão vazias, as pessoas que foram, como não dão transferências gastaram todo o dinheiro que cá tinham. Foi uma das razões porque os bancos agora só deixam levantar dez contos por semana. Mandem dizer o que na minha casa vale a pena levar. Parece-me que há gente da A. do Sul interessada em mobílias de talha, pagam em rands. Sendo assim vendia a mobília de quarto. Para mim um divan faz de cama e o resto do quarto a fazer de salinha com as minhas recordações já me chega. Ao que a gente chega. Nem se pode morrer em paz. 
Esta semana fui ter com o Jorge (11). Disse-lhe também que já tinha vindo a minha casa, ao sábado e domingo na verdade nunca estou.  Ao sábado casa da tia Bolívia e Avós e ao domingo com a Adélia e Mário. Ontem à noite o Mário veio buscar-me e fomos ao cinema ver uma comédia. Nunca julguei que pudessem fazer filmes tão cómicos, sem ser as parvoíces de outrora. Agora metem política e é cada uma. Olha, fartei-me de rir. O filme de bonecos animados era mesmo bom. Passado numa escola. Como estava dizendo estive a conversar com o Jorge. Diz que vai haver barulho lá mais para diante. Como a Vira (12) também passou e ficámos a conversar, não adiantou mais nada, de maneira que não sei o que conta fazer. Sobre a tua mãe, Ana Maria, nada sei. Uma senhora que estava ao balcão é que perguntou se eu era a mãe do Vítor e que quando fosse à Caixa para lá passar, pois tinha uma encomenda para ti. O Jorge falou em cheque... mas nada havia. O contrário é que seria de admirar. É a tal Margarida de que falaram numa carta.
Sobre o emprego estão satisfeitos? Aparecendo cousa melhor é aproveitar. Escuta aqui, escuta acolá e olho vivo poderá ajudar para cousa melhor. O que interessa é na verdade ganhar para comer, para a casa e para os estudos. Como está a Angelinha? O Miguel e o Nuno, bons? A Ana Maria não diz nada sobre a saúde, bem agasalhados por causa do frio é o que eu peço para fazerem. Fui agora à caixa do correio mas não tenho correspondência. A semana passada recebi duas cartas em dois dias seguidos ou foi no princípio da semana? Desculpem a minha cabeça anda tão cansada. Isto é uma baralhada medonha! Quando estou sozinha farto-me de chorar, e quando quando ando na rua melhoro mas, o pior é que quando chegou a casa está tudo por fazer. Não encontro tempo para tudo.
Todas as pessoas amigas vos mandam muitas saudades. Mais uma vez o seguinte: (quanto antes têm que ir à sede CCN pedir para mandar para a filial de cá um Telex a confirmar o pagamento cá. Não vindo a ordem da sede aqui não recebem o dinheiro) Entendido?
Muitos beijinhos e muitas saudades da mãe e avó muito e muito amiga
Irlanda"


(1) CCN, Companhia Colonial de Navegação.


(2) Vivemos no Parque de Campismo de Monsanto até ao verão de 1975.


(3) M. dos Prazeres, a irmã do meu avô, residente em Valença do Minho.


(4) O meu bisavô. Vivia em Moçambique desde o início do século XX.


(5) Carlos, Bolívia e Mimi, irmãos da minha avó.


(6) Maria Jesus Branquinho, cunhada da minha avó.


(7) Zeca e Laura , irmão e cunhada da minha avó.


(8) Leontina (Loti) Tenreiro, irmã da minha avó.


(9) Adélia e Mário, a nora e o filho da minha avó, meus tios paternos.


(10) Uma conhecida expressão de desânimo que a minha avó substituiu por reticências.


(11) O tio Jorge, irmão da minha mãe.


(12) Elvira, uma prima do meu avô.



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publicado às 19:20

Da impossibilidade do amor livre

por Samuel de Paiva Pires, em 24.06.13

 

G. K. Chesterton, Disparates do Mundo:

 

«A família é necessária à humanidade; a família é (se o leitor assim o quiser) uma armadilha para a humanidade. Só se pode falar de «amor livre» - como se o amor fosse um episódio equivalente a acender um cigarro ou assobiar uma cançoneta – ignorando hipocritamente um facto gigantesco. Suponhamos que, sempre que um homem acendia um cigarro, se levantava dos anéis de fumo um gigante altíssimo, que o seguia por toda a parte qual enorme escravo. Suponhamos que, sempre que um homem assobiava uma cançoneta, chamava um anjo à Terra e depois tinha de andar com um serafim atrás de si por uma coleira. Estas imagens catastróficas são débeis paralelos das extraordinárias consequências que a Natureza anexou à actividade sexual; e é perfeitamente claro, logo desde o princípio, que um homem não pode praticar o amor livre; pois ou é um homem comprometido, ou é um traidor. O segundo elemento que gera a família é o facto de as suas consequências, embora colossais, serem graduais; o cigarro produz um bebé gigante, a canção apenas produz um pequeno serafim. Daí resulta a necessidade de um sistema prolongado de cooperação; e daí resulta a família em todo o seu sentido educativo.» 

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publicado às 20:42

Moçambique: ma'bandidos

por Nuno Castelo-Branco, em 31.05.13

 

Um postal escrito em 6 de Abril de 1975 e enviado dentro de um envelope para Lisboa. Em Lourenço Marques a situação era péssima, ainda estando em exercício a administração conjunta do Governo de Transição Crespo/Chissano. Todo o tipo de tropelias e abusos foram permitidos, ao mesmo tempo que o sr. Machel vociferava enormidades discurso após discurso, incendiando os ânimos e provocando a debandada dos brancos, desta vez acompanhados por indianos, indo-portugueses, mestiços e até de negros que se sentiam ameaçados pelas arengas do arrivista. Naqueles escassos meses anteriores à data aprazada para o arriar da bandeira portuguesa, tornou-se inevitável a guerra civil que durante duas décadas esmagaria o país.

A minha avó passou por todos os processos vexatórios e de roubo legalizado, perdendo a sua casa na Namaacha. "Tens duas? Perdes uma!" O pior é que apesar das promessas e garantias, o seu pequeno apartamento em Lourenço Marques, situado na COOP, acabaria por permanecer longos anos perdido numa teia de (i)legalidades. Nunca mais se ouviu falar no caso. As autoridades transformadas em autênticos ma'bandidos, acharam por bem confiscar a sua mobília de quarto, assim como os electrodomésticos e a maior parte das roupas de cama, louças, etc. Ofendida mas orgulhosa, limitou-se a proferir um "bom proveito!", virando as costas aos facas de mato que o MFA de Lisboa ali colocara para o arrolamento de bens. Grandes negócios devem eles ter feito com os  seus ex-colegas de tiroteios no Rovuma, agora amigos dilectos.

 

Aqui está um postal em estilo telegráfico, como era seu hábito:

 

"Meus queridos filhos e nétinhos.

Recebi carta, breve escreverei com mais vagar. Bagagem, assunto arrumado. Muito cansada, muitos aborrecimentos (1). Família (2) toda engripada. Pouco descanso. Bichas para tudo (3). Passo o dia na rua, quantas mais voltas dou, mais voltas aparecem para dar (4), são como cogumelos. Já marquei passagem para 9 de Maio. Ainda não tem O.K. Saudades para todos Beijos da mãe e avó muito amiga, Irlanda."

 

Devido às vicissitudes do processo de "exílio", teria de adiar a sua vinda para Portugal até 1976. Um dos problemas era a falta de habitação, pois em 1974-75 vivíamos os cinco numa pequena roulotte no parque de campismo de Monsanto, um incómodo que se tornou numa vantagem, afastando-nos da balbúrdia de Lisboa. Em 1976 já estávamos instalados num apartamento - logo aprendemos a esquecer o termo flat - no Campo Grande e então a avó pôde finalmente embarcar num avião da TAP. One way ticket

 

O postal escolhido foi o da Igreja de Santo António da Polana, onde todos os seus netos - exceptuando o mais velho, eu próprio, cristianizado na Catedral - tinham sido baptizados. Dois deles, eu e o meu irmão, tínhamos durante anos pertencido ao Grupo Coral. Era para nós uma mensagem bastante simbólica, relembrando um passado não muito distante.

 

A avó jamais regressou à terra onde nascera em 15 de Setembro de 1916 e onde viveu até 1976. Faleceu em Cascais, a 30 de Dezembro de 2010.

 

(1) Avalanche burocrática, taxas, emolumentos, papelada selada, impostos, confisco de bens, etc.

(2) A minha bisavó, as suas irmãs e irmãos doentes, devido a um surto gripal. A minha avó enviuvou em Junho de 1974 e meses depois os previdentes filhos partiram para Lisboa. Bem cientes daquilo que se preparava, foram atempadamente avisados pelos dirigentes do Centro Ismaelita Aga Khan. Ela preferiu aguardar uns meses mais, tratando dos papéis e instando para que a mãe e irmãos também partissem. Conseguiu-o.

(3) Penúria generalizada de bens de primeira necessidade, medicamentos, etc. A até então eficiente e metódica administração portuguesa, foi forçada a ruir como um castelo de cartas.

(4) As famosas listas, os requerimentos, certificados, assinaturas reconhecidas, as taxas, impostos, fiscalizações e confiscos. Portugal ainda era a potência soberana.

A minha avó e o meu pai, em Agosto de 1939 (Lourenço Marques, Moçambique). Dias depois, o sr. Hitler dava início à sua guerra contra a Polónia.

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publicado às 15:00

Moçambique: o roubo

por Nuno Castelo-Branco, em 29.05.13

 

O meu pai deixou-nos uma ainda incontável quantidade de caixas, envelopes e dossiers onde ao longo de décadas acumulou todo o tipo de papéis, aliás metodicamente organizados. Hoje encontrei um envelope com postais de "Vistas de Lourenço Marques" e foi um prazer reler alguns daqueles que nos tinham sido endereçados há muitos anos. Escritos por amigos ou familiares, são testemunhos de momentos difíceis passados num território cuja administração passou a ser exercida de uma forma totalmente arbitrária, bem diferente daquela a que as populações estavam habituadas. O exemplar que hoje é aqui postado, foi escrito por uma irmã da minha avó, de seu nome Argentina, mas para nós, a tia Mimi: 

 

"Querido sobrinho Vítor

 

Mais um ano para a conta e oxalá que assim seja por muitos e muitos anos (1). Que o dia 27 seja passado com saúde, óptima disposição e alegria na companhia dos familiares. Um grande abraço nosso de parabéns. Estão todos bem aí em casa? Esperamos que assim seja. A lista (2) da Leta (3) já saiu, mas na vistoria da Ponte de Cais confiscaram a máquina de lavar mesmo estando autorizada. Refilou forte e feio, de nada adiantou mas já reclamou por escrito. As reclamações deste género é mato. Isto tudo é um pandemónio. A lista da Emília  (4) também já saiu e, como particular, todos os eléctricos domésticos foram cortados, incluindo o fogão, máquina de costura, rádio gira-discos e uma ou outra peça de mobiliário. É aguentar e olhar em frente de cara alegre, que mais se pode fazer? Envio este postal como recordação da nossa terra. Já não há disto à venda. 

Saudoso abraço à Ana Maria e beijinhos à Angelinha. Abraços aos miúdos. Para ti mais uma vez, as nossas felicitações e um abraço amigo dos tios Mimi e António

 

Maputo, 19 de Junho de 1977"

 

Este ambiente de desbragado saque, não foi uma novidade do pós-independência. Tinha começado durante a administração conjunta daquilo a que então se denominou de Governo de Transição, nominalmente sob a tutela de um até então desconhecido camarada que Lisboa despachou para Lourenço Marques, o "comandante" Vítor Crespo, personagem que felizmente não chegou ao ponto das inenarráveis baixezas de um outro futuro "Almirante de aviário", o Rosa Coutinho. Igualmente "aviado em Almirante", o simulacro de governador-geral  rapidamente tornar-se-ia objecto de todas as conversas, mimoseado pela explícita alcunha do "Vítor Copos". De forma a tornar tudo mais óbvio, o "Copos" do Crespo, estava justa ou injustamente na mesma linha do certíssimo "Tantos" carimbado na pele de um certo advogado Almeida, nada dado a santidades. Há alegações que para sempre ficarão coladas à reputação das duvidosas celebridades.

 

Na tropa portuguesa grassava uma total indisciplina. De imediato cessou qualquer sentido de hierarquia, apresentando-se miseravelmente "uniformizada" nas avenidas da capital de Moçambique e sempre pronta para qualquer grosseria. No aeroporto Gago Coutinho, os guedelhudos militares de palito no canto da boca e ameaçadora G-3 à bandoleira, submetiam aqueles que partiam para a Metrópole a todo o tipo de vexames, esvaziando malas e carteiras, confiscando jóias pessoais, por mais insignificantes que estas fossem. Agora sim, os espoliados eram mais que nunca, portugueses de 2ª classe.

 

Nas citadas "listas" eram riscados items após items, alegando-se "duplicação". "Tens duas cadeiras destas? Só precisas de uma, esta fica cá! És viúva? Então para que precisas tu de duas alianças? Buíça (5) uma delas!" Nos já então suprapatéticos departamentos do Estado de Moçambique - era assim que há muito a antiga Província Ultramarina oficialmente se denominava -, as exigências burocráticas foram esmagadoras e impiedosamente acrescidas de custas, autenticações e reconhecimentos, atestados para isto e para aquilo, enfim, um ror de enormidades que serviam para dificultar ao máximo, a já muito precária vida dos aflitos e indefesos requerentes. A finalidade de todo o processo era o despojamento total. Há que ter em atenção a existência de uma azáfama censória  controleira dos desabafos de uma imensa mole de gente encurralada pelos seus próprios compatriotas, assim se explicando esta série de postais enviados dentro de discretos envelopes.

 

É este um triste episódio praticamente desconhecido dos portugueses europeus e convém ir divulgando estes postais - o meu pai também arquivou interessantíssimas cartas -, por mim já muito abusivamente promovidos a documentos. Classificados como impublicáveis, alguns dos testemunhos permanecerão guardados, sendo o seu conteúdo deveras embaraçoso para a reputação de muita gente que ainda bem viva, é pesadamente responsável pelo mais vergonhoso e desnecessário desastre da nossa história. 

 

 

(1) A tia Mimi (Argentina) refere-se ao dia 27 de Junho, aniversário do meu pai.

(2) A "lista" era uma estulta invenção das autoridades portuguesas, escandalosamente ansiosas por agradarem aos seus novos comparsas - tão ineptos quanto os recém-chegados de Lisboa -  que fizeram sentar no "Governo de Transição". Sob a chefia da dupla Crespo/Chissano, este executivo logo deu início a uma torrente legislativa, ousando estabelecer uns inacreditáveis "pontos prévios": consideravam estes que os bens materiais dos colonialistas - no nosso caso, cinco gerações! - tinham sido obtidos ao longo de "500 anos de exploração dos moçambicanos  e por isso mesmo deveriam em parte ficar na posse do povo de Moçambique". Em  conformidade, o "governo Crespo/Frelimo" significou a despudorada rapina dos bens móveis daqueles que então legalmente passaram a ser considerados como "residentes" (!) e que ao pretenderem sair do país, tinham de pagar pesados impostos, taxas e tarifas, ficando à total mercê dos apetites ou fúrias de quem controlava a fiscalização. Estes abusos consistiram em actos em tudo semelhantes àqueles a que as autoridades do Reich submeteram os concidadãos judeus que nos anos 30 quiseram atempadamente deixar a Alemanha. Após a independência, o absoluto à vontade das autoridades permitiu-lhes passar da usurária taxação, ao puro e simples confiscar de tudo aquilo aparentemente apetecível, por mais risíveis e grotescas que fossem as reivindicações. Tendo aprendido os complicados e copiosos meandros da burocracia portuguesa, logo inventaram uma infinidade de requerimentos a que forçosamente eram anexadas várias cópias de uma minuciosa lista dos bens a embarcar, ou seja, o normal recheio de uma casa: móveis, bibelots, tapetes, brinquedos, talheres, electrodomésticos, louças, roupas, etc. Não esqueçamos uma colossal quantidade de livros que após a consumação do saque foram rasgados, servindo as suas páginas para embrulharem por ruas e avenidas fora, o amendoim torrado, a castanha de caju e as maçarocas assadas, até servindo para o polimento de sapatos. Era esta, a "nova cidade". 

(3) A Leta é a mulher de um primo direito da minha mãe. 

(4) A Emília, a nora da tia Mimi.

(5) Buíça quer dizer "passa para cá!" 

 

Mãe e filhas, cinco luso-moçambicanas espoliadas pelo sistema das "listas". Da esq. para a dir., sentadas: Bolívia (n. LM, 1915), a minha bisavó Argentina (n. LM, 1896), a minha avó Irlanda (n. LM, 1916). Em pé, Leontina (n. LM 1920) e Argentina (n. LM, 1917), a autora deste postal. Fotos dos finais dos anos 80, em. S. João do Estoril

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Histórias de encantar

por João Pinto Bastos, em 27.05.13

As histórias da vida privada não são, de facto, histórias de encantar. Os exemplos abundam. A perfídia mais grotesca é, por vezes, um exclusivo da família, um ente que, em diversas circunstâncias, é excessivamente romantizado. Porém, nada disso legitima a torção a que tem estado sujeito o conceito tradicional de família. Há que separar o trigo do joio. A vitalidade de uma sociedade depende, em grande medida, desse esforço.

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Até sempre, pai

por Samuel de Paiva Pires, em 26.05.13

 

Não consigo precisar com exactidão há quanto tempo comecei a pensar de forma séria sobre questões existenciais e, portanto, a condição humana e a sua fragilidade. Recordo-me de pensar, quando era criança, que era eterno e, por conseguinte, as pessoas que me são queridas, os meus familiares, eternos seriam. Entretanto cresci e na idade adulta, quando me tornei mais independente e autónomo, comecei a pensar que mais cedo ou mais tarde teria de me começar a despedir de algumas pessoas.

 

A par desta consciencialização, ou talvez em virtude desta, surgiu em mim, há algum tempo, a necessidade de pensar a minha relação com Deus e a minha posição em relação à religião – entre outras coisas, também por saber do conforto que aos crentes esta possibilita em face da finitude. Entre as várias leituras que tenho feito, lembro-me de ter começado a ler, embora não tenha terminado, A Morte, da autoria de Maria Filomena Mónica. O pai da autora era natural de Águas Belas, uma aldeia pertencente ao concelho de Ferreira do Zêzere, e ali tiveram lugar as cerimónias fúnebres daquele. A Igreja sita nesta mesma aldeia está patente em algumas das minhas mais remotas memórias de infância, por ali passar obrigatoriamente com o meu pai a caminho de casa dos meus avós. Por vicissitudes várias estranhas a este propósito estive não sei bem quantos anos, mas creio que 8 ou 9, sem praticamente ali passar. Tantos quantos os anos que estive sem ver o meu pai, de seu nome Diamantino Pires. Foi já aos 18 anos de idade, pouco antes de entrar para a faculdade, que voltei a passar ali e foi inclusive ali perto, mais concretamente junto da Igreja de Ferreira do Zêzere, que me encontrei com o meu pai após aqueles anos. Procurámos, de alguma forma, recuperar o tempo perdido e foi assim que voltei a passar frequentemente pela Igreja de Águas Belas a caminho de casa dos avós.

 

Pelo meio, a minha avó havia já falecido e eu, infelizmente, não estivera presente nesse momento. Estive, mais tarde, com o meu pai, tia e prima junto da sua campa, ao lado daquela que um dia será do meu avô. A ordem natural das coisas leva-nos, claro está, a pensar que serão os mais velhos a deixar-nos primeiro. E a observação das fragilidades a que estão sujeitos, especialmente em virtude da provecta idade que vão alcançando, começa a pairar-nos cada vez mais na mente, de modo que de forma latente estamos sempre a aguardar o fatal telefonema.

 

Assim foi. Só estava longe, muito longe sequer de imaginar que seria o meu pai a ausentar-se, com apenas 58 anos, sem que nada o deixasse antever, sem que sequer tivéssemos tempo de nos despedir, sem que sequer lhe pudesse dizer que o amo. O meu pai, que tanto orgulho tinha em mim, talvez nunca tenha sabido do orgulho que eu tenho nele, de como admiro o seu percurso de vida, as coisas que fez e o seu espírito de aventura. Estando a estudar em Coimbra aquando do 25 de Abril, cansou-se das cargas policiais e decidiu enveredar pela carreira militar, tendo sido paraquedista. Após o conturbado ano de 75, acabou por deixar a tropa e decidiu andar durante uns anos a viajar pelo mundo enquanto trabalhava em navios de marinha mercante. Não sou capaz de enumerar todos os países, cidades e portos por onde passou e, infelizmente, sei poucas das milhentas histórias que certamente teria ainda para me contar e aos futuros netos. Em meados dos anos 80 casou-se com a minha mãe e estabeleceram-se na Islândia, onde eu vim a nascer. Antes de regressarmos a Portugal, tinha eu pouco menos de um ano de idade, ainda teve tempo para aprender a pilotar pequenos aviões. Entretanto fundou com o meu tio uma empresa de construção civil, onde esteve até há alguns anos, antes de retornar a Ferreira do Zêzere e ao campo, onde além de cuidar do que à nossa família pertence, ainda ajudava, amiúde, vizinhos e amigos. A minha avó sempre foi tida por todos como uma santa, e ainda é com muita frequência que oiço pessoas contarem episódios na primeira pessoa em que a minha avó teria ajudado a alimentá-los e os teria acarinhado. Da mesma maneira, o meu pai era genuinamente boa pessoa, como já há poucas, e entregava a sua generosidade a todos quanto podia e o melhor que podia.

 

Depois da paixão pelos ares e pelos mares, porém, surgiu-lhe a paixão pelas motas, que lhe valeu uns quantos acidentes graves que o levaram a retornar à primeira paixão, acabando por se tornar parapentista. Talvez tivesse preferido deixar a nossa companhia enquanto viajava pelo ar. Sei bem da sensação de paz que se sente lá em cima quando apenas se ouve o vento, e da de liberdade que nos perpassa o corpo e o espírito quando sentimos que nos podemos deslocar em qualquer direcção sem nada encontrarmos a obstar-nos o caminho. Mas foi em terra, no mesmo sítio que o viu nascer e crescer e na mesma data do falecimento da minha avó, 22 de Maio, que o meu pai deixou a existência para ascender à essência, ao princípio e ao fim de tudo. Do pó vimos e ao pó retornamos, deixando a matéria para vivermos apenas na memória dos nossos entes queridos.

 

Só gostava de ter tido mais tempo contigo, meu pai, e especialmente de me ter podido despedir de ti e dizer-te o quanto te amo ainda em vida. Obrigado por tudo. Até sempre, pai. 

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publicado às 19:10

À Minha Tia-Avó Amélia

por joshua, em 18.02.13

Um telefonema. A notícia. Foi esta madrugada, agonizando entre as 06:30 e as 08:30 da manhã, que a minha querida tia-avó Amélia soltou amarras. Sabendo-a em doença terminal há semanas, uma daquelas gravíssimas situações dormentes e insuspeitas as quais, mal se manifestam, em menos que nada aniquilam a vítima, tive, na passada Quarta-Feira de Cinzas, um impulso interior poderoso para visitá-la. E fui. Foi como se todos os meus amados mortos do lado materno — o meu Avó Joaquim, a minha Avó Ana, os brasileiros meu querido Tio-Avô Manoel e a minha Tia-Avó Madalena, a minha querida tia-Avó Madrinha Emília, gente que amei e me amou [a Tia Madalena partiu em Agosto do ano em que nasci] —, gerassem no meu coração um ímpeto de despedida e de consolação. Ai de mim se não obedecesse ao que me gritava o íntimo.

 

Ao influxo das suas vozes vivas, meu coração-vela panda foi ajoelhar-se ao pé daquela lucidez bruxuleante, tomar-lhe a mão, beijá-la, beijá-lá muito, muitas vezes, e à sua fronte, beijá-la muito, muitas vezes, dizer-lhe que me era querida, dizer-lhe que tudo correria bem, invocar numa prece Jesus, o Deus Vivo, Espírito Consolador da Estirpe Humana, ser, enfim, abençoado pela irmã da minha querida Avó Ana, no Seio de Deus há vinte anos.

 

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publicado às 15:10

A falta que um pai faz

por João Pedro, em 29.07.11

 

Um pormenor que me chamou a atenção no caso do duplo atentado mortífero na Noruega: um dos entrevistados foi o pai de Anders Breivik, o terrorista do momento. Ao que parece, o senhor, um diplomata na reforma a viver no Sul de França, separou-se da mãe do autor dos atentados quando ele tinha um ano e não tem contacto com ele há 15. Diz-se agora "absolutamente chocado" e espera que o filho "se suicide".

 

 Mas já que ele aprova o suicídio, talvez estivesse na altura de comprar cianeto, uma corda resistente ou um par de balas. É que um pai que corta o contacto com um adolescente quando este tem dezassete anos tem no mínimo as suas responsabilidades. Sabe-se que os nórdicos têm uma visão dos laços familiares bem diferente da que temos no Sul da Europa. Se a emancipação precoce é largamente fomentada, também a quebra de relações familiares se tornou regra. Não só se pretende que os jovens se "façam à vida" muito novos, como ao que parece, devem cortar definitivamente com as origens. Um caso na minha família, através de um casamento, demonstrou-me como o afastamento das raízes familiares pode ser perverso e doloroso. É dos tais casos em que os sistemas nórdicos nada têm de "civilizados" ou "superiores". O corte e o enfraquecimento das relações familiares representa antes decadência, individualismo extremo, e talvez explique em parte a alta taxa de suicídios na região. A referência paterna, o apoio familiar em ocasiões de crise, a inculcação de valores de pais para filhos é vital para qualquer desenvolvimento são. E nenhum pai que se preze corta simplesmente os contactos com um filho de dezassete anos. Para mais, não parece padecer de problemas económicos. Ao que parece, o progenitor "biológico" não pensou nem pensa nisso. Já que os noruegueses estão em reflexão, recuperando do choque, Talvez fosse uma boa ocasião para pensar se não terão falhado no espezinhamento dos seus valores familiares.

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publicado às 03:46

Ó pra eles a espumar de raiva

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 23.05.11

Foi esmagadora a maioria do Parlamento Húngaro que aprovou a sua nova Constituição, promulgada pelo Presidente Pál Schmitt a 25 de Abril deste ano.

 

Curiosamente houve quem começasse logo a panicar. A independência onusiana, incrédula, desatou a fazer perguntas e conferências de imprensa. Mas com cautela, pois o outro querido líder, Ban Ki Moon, não se pode dar ao luxo de aborrecer os credores generosos e de longa data. A Alemanha liberalóide queixa-se que as bases da política europeia foram abaladas. A sempr’isenta Human Rights Watch começa por atirar areia aos olhos de quem ainda tenha paciência para os ouvir através de um eloquente apelo à ilegalidade de uma não-questão, para depois discorrer numa vomitante apologia do direito ao aborto e dos LGBT. Até o BE ficou meio abananado.

 

Mas qual é, afinal, a razão de tanto medo?

 

Será o Preâmbulo? “Nós temos orgulho em que, há mil anos, o nosso Rei, Santo Estêvão, tenha fundado o Estado Hungaro em bases sólidas, e tenha feito do nosso país parte da Europa Cristã.”

 

Ou será o Artigo 2 que define o matrimónio como sendo a união entre um homem e uma mulher?

 

Ou será a sua referência, no mesmo Artigo 2, a que “A vida do feto será protegida desde a concepção”?

 

Será a cooperação social com as igrejas? “Para cumprir metas comunitárias, o Estado cooperará com as igrejas”.

 

Decerto não serão os inúmeros incentivos à família e à natalidade!

 

 

 

“Face ao projecto cultural da Europa, que em grande parte se funde num universalismo absracto e desenraizado, a Hungria escolheu reafirmar a sua identidade nacional” (imagem e tradução livre daqui, texto a que aconselho a leitura completa).

 

Faço minhas as palavras de Roger Kiska, do Centro Europeu para a Lei e Justiça: “Espero que a Hungria permaneça forte em suas convicções porque o que está em perigo, a vida e a família, é um preço alto demais para se pagar simplesmente para se aplacar os burocratas de Bruxelas”.

 

E acresento, se me permitem: espero que Portugal encontre força em suas convicções porque o que está em perigo, a vida e a família, é um preço alto demais para se pagar simplesmente para se aplacar os burocratas de Bruxelas.

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publicado às 21:10

Hotel de La Paiva, Paris

por Nuno Castelo-Branco, em 10.09.08

 

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publicado às 02:39






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