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Enormes!

por Samuel de Paiva Pires, em 11.07.16

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publicado às 00:23

Já raramente leio Alberto Gonçalves, um ídolo dos nossos pseudo-liberais. Também eu, há uns anos, o lia e partilhava avidamente. Entretanto cresci, amadureci intelectualmente, li mais umas coisas e compreendi os vários erros dos simplismos dos nossos pseudo-liberais. Todavia, hoje caí no erro de abrir esta crónica que foi partilhada por alguns dos meus "amigos" do Facebook. A todos os que desdenham Portugal, a pátria, o futebol e a Selecção Nacional, permitam-me parafrasear Cristiano Ronaldo: Que se fodam!

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publicado às 16:00

Je suis Orlando

por John Wolf, em 13.06.16

Enquanto as Esquerdas e Direitas iluminadas cá do burgo discutem o correcto posicionamento em relação ao ataque terrorista ocorrido em Orlando na Florida, por causa da trictomia homossexualidade-arma de fogo-Estado Islâmico, convém relevar os seguintes pontos; na corrida presidencial dos Estados Unidos (EUA) quem mais vai beneficiar é Donald Trump. Há meses atrás, neste mesmo blog, referi este facto. Um ataque terrorista em solo americano serviria para validar a sua tese securitária, anti-islâmica e proteccionista -  e isso ajuda a sua campanha baseada no medo colectivo. No entanto, existem diversas dimensões que devem ser analisadas. Pelo que sabemos, nenhum dos gay que participava na festa latina na discoteca Pulse tinha em sua posse uma arma de defesa pessoal - lá vai pelo cano o anti-americanismo primário de que andam todos armados na América - pelos vistos estes não. Em segundo lugar, somos informados que o Federal Bureau of Investigation (FBI) já detinha um ficheiro respeitante ao principal suspeito - ou seja, os serviços de informação não foram irrredutíveis e competentes na triagem de vilões. Em terceiro lugar, o operacional ao serviço do Estado Islâmico (EI) acaba por colocar em prática cânones que precedem esta organização terrorista - o Alcorão é intensamente declarativo em relação ao seu desprezo pela homossexualidade. Em quarto lugar, as grandes teorias organizacionais em torno das ligações, comunicações e linhas de comando dentro da estrutura do EI não servem a causa de interpretação dos factos. O agente do EI em causa valida-se na sua missão de um modo remoto da Síria ou Iraque, apetrecha-se no mercado local de armas semi-automáticas, presta vassalagem aos senhores do EI e ainda informa as autoridades locais sobre a iminência de um ataque. Assistimos também a outro processo em curso. À segmentação do alvo. O grau de diferenciação que instiga aquele que perpetra o ataque a escolher uma sub-categoria de inimigo - os homossexuais -, revela uma maior sofisticação operacional. Será expectável, na senda da mesma lógica, outros modos de distinção. A saber, e por exemplo, um enfoque especial do EI em relação a organizações de defesa dos direitos das mulheres. Mesmo com a chuva de críticas de que tem sido alvo os EUA, as autoridades não produziram os discursos inflamados que a Europa desejava. Por outro lado, o grau de solidaridade europeu em relação aos eventos de Orlando parece ter sido mitigado por outros espectáculos, como aquele de Marseille. Não vejo muitos Je Suis Orlando por aqui. É mais bota abaixo bola acima. Os de cá não querem ser confundidos como sendo de outras equipas.

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publicado às 13:56

Costa, o senhor das moscas

por John Wolf, em 16.10.15

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O oportunismo de António Costa deve ser analisado mais em detalhe. A sua falta de fair-play democrático acarreta consequências em diversas estruturas de natureza política ou sociológica. Ora vejamos. Não sei o que vem escrito na Constituição das Repúblicas Autárquicas, mas imaginemos que a revolta fosse passível de ser deflagrada noutras instâncias e, deste modo, teríamos minorias em sede de Assembleia Municipal, que no culminar de certos resultados eleitorais, decidissem, post hoc, e em conluio, destituir o Presidente de Câmara Municipal eleito por maioria, mesmo que relativa, substituindo-o por outro resultante de uma soma conveniente de maus-perdedores. Gostaria de saber o que o Supremo Tribunal Autárquico teria a dizer sobre o assunto. Ou ainda, se em processos de eleição para presidentes de clubes de futebol, os candidatos que não conseguissem atingir os seus objectivos, apresentassem à revelia do bom-senso e equilíbrio democrático, um presidente-fantasma emergido da bruma combinada de uma aposta múltipla de última hora. Não sei se me faço entender, mas o comportamento da "Esquerda rancorada pelos resultados", viaja para além do domínio da política strictu sensu. O que os socialistas, bloquistas e comunistas estão a fazer, arrasa conceitos comportamentais que resultam da ideia de direito natural. Mexe com aspectos etológicos e acaba por premiar a animalidade instintiva, aquilo que William Golding narra na sua obra O Senhor das Moscas. António Costa já não é socialista. Nem sequer será comunista. Inclassificável.

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publicado às 09:20

Não discutimos a pátria (nem o futebol)

por Nuno Resende, em 19.05.15

«Não se discute Deus e a sua virtude; não se discute a Pátria e a Nação» - disse António de Oliveira Salazar. Talvez não tenha acrescentado o futebol, por pudor. Acrescentemo-lo agora a propósito das recentes comemorações benfiquistas.

O futebol é uma prática desportiva. Até aqui tudo bem. O desporto é uma característica que distingue a humanidade da sua biologia animal: hoje o Homem já não precisa de caçar para alimentar-se, nutrir-se e manter-se em forma para evitar ser caçado. Apesar disso no presente o Homem pode existir sem que isso implique mover-se.

Mas o futebol, ao contrário de muitas outras práticas desportivas, saiu, há muito tempo, fora das quatro linhas, tornando-se um espectáculo de massas, consubstanciado com o recurso a um vasto conjunto de artifícios, em grande parte motivados pelo luxo, pelos excessos e pelo desejo de poder – coisas que o comum dos mortais deseja como as pegas desejam os objectos brilhantes e que topam no seu longínquo voo.

O futebol não é, por isso, apenas, uma prática desportiva. A sua organização em equipas torna os seus fãs ou adeptos em milícias que visam enaltecer, proteger e defender (se preciso até à morte) uma pequena oligarquia de jogadores que vive acima das possibilidades do comum dos humanos. Mesmo nas equipas menos bem pagas, o clubismo transforma-se numa expressão longínqua da antiga vida em tribo. Sem necessidade de alianças para caçar e defender-se das grandes presas pré-históricas o Homem moderno usa o futebol como forma de catarse e exercícios de violência mantendo assim os níveis de epinefrina capazes de aguentarem a sua virilidade em pé.

Claramente difundido em algumas sociedades ocidentais (sub ou sobredesenvolvidas – o índice de desenvolvimento económico não é para aqui chamado como muitos argumentam) o futebol constitui, assim, a mais clara expressão de um comportamento hominídeo primitivo que articula a expressão violenta da subsistência com a sustentação de uma rivalidade inter geracional e rácica.

Toda esta conversa pseudo-sociológica e intelectual serve para resumir que há décadas que o futebol significa, mais do desporto: significa dinheiro, violência e absoluto desrespeito pela convivência entre indivíduos. Que se faça de um momento de violência um discurso pró ou contra agressores ou agredidos, nem sequer é ridículo. É escusado.

Devia, isso sim, discutir-se o futebol, o seu papel educacional e pedagógico enquanto desporto. Isso e só. Tudo o resto tem contribuído para a transformação da sociedade numa enorme massa uniforme de unanimismos. De facto não há assunto, pelo menos em Portugal, tão consensual como o futebol. Nem a democracia é tão consensual quando se trata de defender a imagem de um futebolista ou de um treinador. E isso é preocupante. Talvez assim se justifique que da Esquerda à Direita, todos os políticos, quando entrevistados introduzam o tópico do futebol como uma expressão de clubismo ou amizade saudável.

Mas o que se tem visto ao longo do último século é tudo menos saudável: além de uma excessiva participação estadual nos grandes clubes, a comunicação social aproveita-se daquele desporto em detrimento de outros assuntos, bem mais prementes do ponto de vista cívico.

Enquanto o futebol for assunto tabu dificilmente avançaremos do grau civilizacional onde estamos e que conduzem às imagens degradantes que as televisões, jornais e redes sociais têm repetido ad nauseam.

É que violência não é só a física e corporal…

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publicado às 15:11

Zeinal e a falência do futebol

por John Wolf, em 09.10.14

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Dos céus ao inferno - poderia ser o título da monografia da ascensão e queda dos deuses em Portugal. Aclamado como o maior da Europa no sector das telecomunicações, Zeinal Bava afinal trazia água no bico. Ou dito de outro modo, quanto maior a altura maior a queda. Mas esse corolário transcende os telemóveis, faz parte do diálogo nacional, consta na bolsa de aclamação dos intocáveis. Desde sempre que reitero que não existem atalhos económicos. Estamos todos sujeitos ao biorritmo dos ganhos e proveitos. Quando se procura encurtar a distância que nos separa do enriquecimento, geralmente dá asneira. O Espírito Santo e o seu Ebola Rio Forte ainda vão fazer mais mossa, causar mais danos. É apenas uma questão de tempo até que outros contaminados dêem à costa. Não gosto de meter tudo no mesmo saco, mas eles andam aí. Existe uma série de elefantes brancos (ou encarnados, azuis...) que ainda goza de um estado de graça, de protecção. Há muito tempo que se sabe que os clubes de futebol se encontram em maus lencóis. Passivos de 500 milhões? Estão a gozar? E ainda há quem lhes conceda crédito bancário. Quando estoirar lá se vai o juízo de uma das pontas do tridente - Fado, Futebol e Fátima. Quando o cidadão-adepto-da-bola exigir para o seu clube a mesma protecção emprestada aos bancos, o governo (este ou o que se seguir) irá baixar as calças e honrar o pedido de absolvição financeira, de salvamento. António Costa é particularmente dotado para essa função. Desde sempre que se serviu do pátio da Câmara Municipal de Lisboa para afagar o pêlo de Luis Filipe Vieira e outros da mesma estatura. Não tenhamos ilusões de campeonatos ganhos - os clubes de futebol também têm encontro marcado com o desmoronamento. Não há volta a dar. Basta olhar para a classificação.

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publicado às 09:24

Pensionistas da bola

por John Wolf, em 18.06.14

Dois em cada três pensionistas dados como aptos para trabalhar. É quase o oposto da selecção nacional de futebol.

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publicado às 09:17

Prolongamento de Portugal

por John Wolf, em 17.06.14

Qual árbitro qual carapuça. O problema é muito maior e vem de longe. E a culpa não é dos outros (o instrumento dilatório de sempre). A responsabilidade pelo destino está enraizada, é endémica e faz parte do DNA nacional - tem dono, pertence aos próprios. Desde tempos imemoriais que o culto da personalidade tem abafado a virtude do organismo colectivo.  Há quase uma década que a sacralização de Cristiano Ronaldo tem sido uma constante, a transferência do ónus para a figura sebastiânica, superior, que reduz a nada os alegados parceiros da empreitada. Esta mesma patologia permeia tantas dimensões. É a mesma contradição existencial, repetida à exaustão  - a falsa consciência colectiva alvitrada pela promessa de um guru elevado aos céus e derretido pela circunstância de uma fénix. Na mesma senda da glorificação totalitária, do tudo ou nada, besta ou bestial, são inúmeros inscritos na mesma ordem de devassa do espírito das nações. Depositem a fé toda na vinda do esclarecido. De Salazar a Soares, de Cristiano a Costa, é assim que funciona na tômbola de consequências nefastas. Do murro dado por João Vieira Pinto em 2002 a lugar de destaque na equipa técnica. Da cabeçada agachada ao descartar da nacionalidade oportuna. Tudo isto faz parte da mesma mossa que sacode águas fintadas pelo capote. A culpa é dos outros. Foi um dia para esquecer, em vez de ser a razia para começar de novo. Para cometer os mesmos erros.

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publicado às 16:57

Da falta de nobreza de espírito

por Samuel de Paiva Pires, em 15.05.14

Vejo uns quantos sportinguistas regozijarem-se com a derrota de ontem do Benfica. Alguns fazem questão de sublinhar que, além de sportinguistas, são anti-benfiquistas. Outros, talvez procurando justificar a sua alegria e baixeza, argumentam que os benfiquistas também ficaram contentes quando o Sporting perdeu a Taça UEFA para o CSKA. 

 

Ora, a nobreza de espírito não depende do que os outros fazem, mas tão só de nós próprios. Seria até revelador de uma certa magnanimidade não se alegrarem com a derrota do Benfica ou, pelo menos, não o expressarem. Sempre ouvi dizer que ser do Sporting implicava uma certa elevação, uma determinada forma de estar na vida. Talvez seja a este tipo de coisas que se refere a tão propalada crise de valores.

 

Nota: conforme escrevi no post anterior, sublinho que sou sportinguista.

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publicado às 11:21

Bater no Blatter

por John Wolf, em 07.11.13

Pelos vistos Blatter não desarma. O artista-imitador deve ter ficado arreliado com a resposta de Ronaldo, que demonstrou a sua superioridade e arte ao marcar golos que deixaram Messi a morder os calcanhares da lista de melhores marcadores. Como se não bastasse, Joseph Blatter ainda continua com o seu tom persecutório a Portugal. Agora que esgotou a questão do militarismo de Ronaldo, este sargento aponta baterias para o campo onde Portugal enfrentará obstáculos a breve trecho - os play-offs que determinam a presença ou não no mundial de futebol em 2014. Para este primo de Platini (outro político de algibeira a levar em conta), de repente a forma de acesso in extremis é uma coisa muito emocionante, boa para as audiências televisivas, mas não o suficiente para um país que tem talento de bola para dar e vender, mas que porventura não terá um mercado com dimensão suficiente para colocar marcas das grandes corporações que deram emprego a este dirigível. Este Blatter tem qualquer coisa de Madoff, Strauss-Kahn, Vale e Azevedo, Berlusconi e Baptista da Silva combinados - não inspira confiança. Não inspira grande coisa. Não inspira nada. Contudo, Portugal saberá dar a resposta que ele merece. O carteiro sueco irá bater duas vezes e entregar-lhe-á a encomenda. Entretanto, teremos de bater no Blatter.

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publicado às 12:19

Hortas e sopa de Gasparacho

por John Wolf, em 30.06.13

O problema do terreno disponível para as hortas comunitárias é uma falsa questão. Com tantos campos de futebol à mão de semear, proponho que os relvados sirvam de campos agrícolas. Já têm sistema de rega instalado e as bancadas servem de auditório para o ensino de agronomia, para um curso rápido sobre húmus e podas. O Terreiro do Paço foi mal escolhido enquanto local para demonstração das virtudes campestres ou do afecto suíno. Faça-se o levantamento dos clubes de futebol que se encontram em situação de insolvência e transformem-se os seus terrenos de jogo em talhões geradores de produtos da horta. Depois é organizar a venda directa, mercados semanais. De norte a sul da Lezíria são tantos os campos da bola que poderiam continuar a sê-lo; basta que plantem melões e melancias. As dívidas dos clubes poderiam ser amortizadas através de um programa de incentivo táctico. Ou seja, no meio campo, no círculo propriamente dito onde arrancam os encontros, a terra, por ser das mais pisadas e consequentemente menos fértil, poderia ser ocupada por culturas de sequeiro. As balizas que são quase estufas e vêm com rede são boas para a primeira infância do tomate. Mesmo em frente, na grande área, não vejo mal na plantação de milho. Existem porém, outras atribuições de longo prazo que podem ser exploradas. Porque não eucaliptos e pinheiros? Não vejo mal nenhum na redefinição dos espaços para fins diversos. As falsas elites ficaram chocadas com a pimbalhada do piquenique do Continente, com os níveis de humidade pré-orgásmica das seguidoras do culto Carreira, mas estão a ser pretensiosas. Se fosse um lanche organizado pela Orquestra Sinfónica de Lisboa ou pelo coro Gulbenkian, na mesma praça do comércio, os comentários seriam outros. A feira do livro no plano inclinado do parque Eduardo VII? Faz sentido ler obras tortas? Faz bem promover torcicolos? O Rock in Rio no parque da Belavista? Belavista? Aquilo é mais para os ouvidos. Enfim, desde sempre que os espaços foram sujeitos ao escrutínio da desorganização da sua função original. Splash? Não sei se me faço entender, mas encontramo-nos no momento indicado para pensar de um modo profundo as atribuições que convencionamos e nunca mais ousamos questionar. A Assembleia da República, por exemplo, poderia servir de centro de detenção - bastaria fechar a matraca dos políticos. Lembro-me perfeitamente daquela jóia de transumância chamada presidência aberta. Era vê-los (os presidentes) a levar a trouxa para locais improváveis para fazer mais do mesmo, oferecendo a ilusão de abertura, flexibilidade e proximidade em relação ao cidadão-eleitor. Quando comecei este texto falava da horta improvável e fui parar a outras freguesias. Queria falar de uma coisa e acabei por deambular por outros caminhos. Já desorganizei este espaço de narrativa. Mas regressando ao piquenique; ouvi dizer que os comes e bebes estavam uma maravilha. Achei formidável que o ministério das finanças tivesse uma tendinha mesmo ao lado do palco do Tony e servisse aquela sopa refrescante e avinagrada - o gasparacho.

 

 

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publicado às 08:38

O futebol como reduto do liberalismo em Portugal

por Samuel de Paiva Pires, em 10.06.13

Alberto Gonçalves, "O refúgio do liberalismo em Portugal":

«Há muito tempo que não vejo jogos de futebol. Há pouco que comecei a ver com frequência debates televisivos sobre futebol, do Trio de Ataque ao Prolongamento, de O Dia Seguinte ao Mais Futebol. São, como se diz que Coimbra foi, uma lição. Desde logo, sobre a capacidade humana de repetir oito a doze vezes por minuto a palavra "estrutura" enquanto sinónimo de direcção, organização ou hierarquia. Porém, o vago marxismo lexical termina aí: os debates principalmente revelam hordas de liberais, "neo" ou "ultra", que, para nosso azar, não existem nas demais dimensões do país.


No mundo dos comentadores da bola, as ideias dominantes que determinaram a corrente e desgraçada situação pátria encontram-se viradas do avesso. Lá, ninguém hesita em defender que o treinador X ou o jogador Z acabem sumariamente demitidos por incompetência. Ninguém estranha que os salários, mesmo que desmesurados, sejam proporcionais ao mérito. Ninguém culpa os ricos. Ninguém despreza a necessidade de exigência. Ninguém deixa de louvar os clubes que se governam com orçamentos equilibrados e minúsculos. Ninguém apoia a irresponsabilidade. Ninguém se lembra de incentivar o recurso ao crédito para investimentos ruinosos. Ninguém percebe as equipas com plantéis excedentários. Ninguém propõe a imposição da igualdade em detrimento da liberdade. Ninguém atribui às vitórias da Alemanha as causas da penúria indígena. Ninguém legitima a promoção da violência dentro e fora do campo. Ninguém abomina a concorrência. Etc.


Para alguns, entre os quais me incluo, o futebol pode não passar de um aborrecimento de hora e meia (mais uns minutos no caso do Benfica). Já a conversa em redor do futebol, à primeira e segunda vistas um aborrecimento maior, é, quando esmiuçada com detalhe, não só uma lição, insisto, mas um refúgio e um consolo perante o socialismo que contamina o resto da sociedade. O futebol não é socialista. Se não me obrigar a vê-lo, que Deus o proteja.»

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publicado às 22:00

Sim, Henrique, tens alguma razão, mas não toda

por João Pinto Bastos, em 27.02.13

Certa vez, numa história que alguns pretendem apócrifa, perguntaram a Roberto Baggio o que é necessário para se ser uma lenda do futebol. O transalpino respondeu que o essencial é jogar divinamente durante um bom par de anos e depois cair completamente em desgraça. Soa-vos mal, não é? Mas Baggio tinha razão. Ele melhor do que ninguém sabe que o futebol só é futebol se tiver dimensão trágica. Algo que escapa manifestamente aos Messis deste mundo. O Henrique Raposo, com a sua prosa escorreita, escreveu aqui que o futebol não é um "espectáculo de entretenimento", chamando à colação o exemplo de Mourinho. O essencial da posta corresponde à realidade dos factos, contudo, o Henrique falha rotundamente, a meu ver, naquilo que é a essência do futebol. O futebol é, sim, entretém. Sempre foi e sempre será. Duvidam disso? Não duvidem, porque aquilo que faz a essência do futebol é a alegria e o sorriso estampados no rosto de cada adepto após uma jogada genial ou um piropo técnico virtualmente impossível. O futebol é isso. Mais: nem um show de golfinhos seria suficientemente belo em comparação a um elástico de Ronaldinho ou a um chapéu de Maradona. Ontem, num zapping noctívago, vi e ouvi, por momentos, Domingos Paciência dizer algo que me ficou na memória. Dizia o ex-avançado, a propósito do panenka jacksoniano, que se algum de nós perguntasse a uma criança o que mais gosta de ver num campo de futebol, a resposta seria, obvia e evidentemente, a arte técnica exposta no remate imprevisível à la Panenka. Quem diz criança, dirá, certamente, um adepto graúdo. Reduzir o futebol à essência de uma batalha de vida ou morte é despi-lo da beleza que lhe é inerente. Porque o pontapé na bola é, também, o riso desbragado, a gargalhada contagiante que une os desavindos, e a lágrima interminável que corre pelo rosto dos adeptos mortificados pela derrota. Riso e sentido do trágico. Foi com estes dois princípios que se formaram as grandes lendas do desporto. Talvez haja aqui um certo romantismo, mas o certo é que sem rasgo não há futebol que sobreviva. 

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publicado às 16:48

Bolas de ouro

por João Pinto Bastos, em 07.01.13

Amanhã, muito provavelmente, Messi será reeleito o melhor futebolista da actualidade. Longe vão os tempos dos 15 ou 20 jogadores que disputavam de igual para igual o Olimpo da bola. Não desgosto de Messi, posto que o argentino é, inegavelmente, um futebolista fantástico, mas, quando penso no que era o futebol de há 15 ou 20 anos atrás, sou como que acometido por uma certa nostalgia. Penso, por exemplo, na técnica solitária de Baggio, na elegância desarmante de Zidane, no brilho extraterreno de Ronaldo - o verdadeiro, o "fenómeno -, na magia única de Romário, no apagamento genial de Rivaldo, no instinto felino de Van Basten ou na fantasia prazenteira de Ronaldinho. Sim, o futebol perdeu algum do seu encanto, e perdeu-o justamente na altura em que emergiu uma super-potência futebolística que combina no seu ADN um pouco do futebol total dos magos holandeses. Falo, pois, do Futebol Clube Barcelona, o clube que é "més que un club". A vida tem destas ironias. No auge do mediatismo e da industrialização, o futebol perdeu-se algures no meio da previsibilidade. Os ídolos vão e vêm, alguns ficam incrustados na nossa memória, criam raízes, lembramo-nos deles, mas a nostalgia fica. E, hoje, mais do que nunca fazem falta os ídolos de carne e osso, aqueles que choram, riem, atingem os píncaros e caem, no fim, que nem tordos abatidos pela inclemência do caçador. Em suma, Messi não é Maradona, Baggio ou Zidane, e, queira-se ou não, nunca será. O futebol mudou, e mudou para pior. 

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publicado às 01:36

Faltou físico, treinador e sorte

por Pedro Quartin Graça, em 10.12.12

O jogo devia ter acabado aos 45 minutos. Não só porque o Sporting estava a ganhar, e bem, como também porque a 2ª parte trouxe um Sporting fisicamente desgastado, sem meio campo e um treinador que voltou a não saber substituir jogadores a tempo. Acusando claramente os dois dias a menos de descanso, o Sporting claudicou porque lhe faltaram forças mas também porque Vercauteren não soube, de novo, perceber a tempo que precisava de mexer na equipa. O resultado final espelhou, afinal, ainda que de forma injustamente exagerada, essas falhas. Que mais pode se pode pedir a uma Direcção como a de Luiz Godinho Lopes numa situação como esta? Nada mais, evidentemente, a não ser a continuação do esforço que vem desenvolvendo, uma eventual "benzedura" das balizas, a toma de suplementos vitamínicos pelos jogadores, e esperar que os ventos mudem. Porque, como diz o ditado, "há mais marés do que marinheiros" e a sorte, que teima, até agora, em nada querer com a equipa do Sporting, há-de regressar. Está a custar, mas a esperança é a última coisa a perder.

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publicado às 23:00

Deambulações futeboleiras

por João Pinto Bastos, em 05.12.12

 Helenio Herrera

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publicado às 16:05

Sporting: a hora é de união!

por Pedro Quartin Graça, em 23.11.12

Hoje é daqueles dias que é muito fácil dizer mal até porque ontem foi uma noite má de mais. Sem entrarmos por esse caminho, analisemos então o sucedido com um olhar crítico. O que sobrou em empenho da direcção e dos sócios e simpatizantes do clube, faltou no rendimento da equipa e do treinador. Comecemos por este. Vercauteren fez más escolhas e a sua opção revelou-se fatal. Optou por um meio campo "mole", com 2 jogadores - Elias e Gelson - incapazes de cortar bolas e de lançar o ataque. Em bom rigor, o meio campo do Sporting foi um verdadeiro queijo suiço. A estes somou-se Pranjic, que mal se viu em campo e 2 centrais - Xandão e Rojo - que, para se ser honesto, estavam lá fisicamente mas cuja cabeça ficou, respectivamente, em Araçatuba e em La Plata... Cedric viu-os passar e, até o outrora poderoso Insúa, esteve muitíssimos furos abaixo do seu normal. Sobraram Rui Patrício e Capel e, a espaços, Labyad e Carrilho. Tudo o resto é para esquecer. Mas se Vercauteren está decepcionado, essa decepção carece, em primeiro lugar, de uma introspecção. Franky "inventou". Deixou Rinaudo no banco - erro grave - e tardou nas substituições, atitudes incompreensíveis num treinador já com tarimba. Ou seja, não pôs a jogar os melhores e não mexeu quando devia mexer. O resultado foi fatal. Mas a verdade é que Vercauteren não joga. Quem joga são os jogadores. E sobre estes há que perguntar: onde é que "Vosselências" tinham a cabeça? Como se justifica tanta falta de empenho quando tanto havia ainda para ganhar? Não se compreende. Se estes jogadores, por razões que a razão desconhece em profissionais muito bem remunerados não se sentem em condições de render, pois que joguem outros então. Da "A" ou da "B", o que interessa é o empenho posto em campo e a dignificação da camisola do clube que a maioria dos que jogaram ontem não souberam, na verdade, honrar.

No meio disto tudo, há que fazer um apelo à serenidade. Não vale a pena "pedirem a cabeça" de Godinho Lopes e desta direcção. Eles não jogam, a não ser por fora, logo são os menos culpados de tudo o que está a acontecer. Já para não falarmos da legitimidade derivada de uma escolha democrática dos sócios (e as eleições ganham-se e perdem-se, em democracia, por 1 voto), e o sportinguismo sempre revelado, a grande questão que se coloca é esta: mudar de direcção, como alguns insistentemente pedem, punha a equipa a jogar melhor de um dia para o outro? É evidente que não. Deixemo-nos, pois, de fantasias e regressemos à realidade de que há muitos pontos por conquistar e objectivos concretos a atingir. Com esta Direcção, este presidente e estes jogadores, das 2 equipas de futebol profissional que o Sporting tem em competição. Todos juntos, o grande Sporting ressurgirá.

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publicado às 08:41

O futebol e a pátria

por Samuel de Paiva Pires, em 28.06.12

Por estes dias, falham alguns em entender o mito que é a pátria enquanto, nas palavras de Karl Deutsch glosado por José Adelino Maltez, "uma comunidade de significações partilhadas" e, nestes tempos de paz na Europa, como esta se reflecte numa ligação emocional entre um povo e os seus representantes em actividades onde exista representação nacional, como o caso do desporto - em concreto, nestas últimas semanas, o futebol. Lembrando que a pátria é, como escreveu Miguel Torga, "o espaço telúrico e moral, cultural e afectivo, onde cada natural se cumpre humana e civicamente. Só nele a sua respiração é plena, o seu instinto sossega, a sua inteligência fulgura, o seu passado tem sentido e o seu presente tem futuro", vale bem a pena ler o Filipe Nunes Vicente e o Carlos Guimarães Pinto:

 

Filipe Nunes Vicente, O futebol e os intelectuais:

 

«As vitórias da selecção nacional suscitam orgulho aos portugueses porque o EURO 2012 é um parque de diversões para os símbolos nacionais. Nenhum problema nisto.  Nas guerras, as acções dos soldados, dos generais  e dos políticos suscitam o mesmo espírito e ninguém pensa que essa inflamação patriótica oculta atraso económico, maus hospitais ou insucesso escolar.

A ligação de um povo com a sua selecção não passa pela leitura de Píndaro ou pela exegese de Heidegger: é simples, directa e dura pouco. Como o sexo.

Os que contam bandeirinhas, se incomodam com  a cruz ou anotam os minutos imbecis dos directos, racionalizam o que não é racionalizável. Nunca tiveram um ataque de pânico ou uma obsessão?»

 

Carlos Guimarães Pinto, Os ateus do Futebol:

 

«Os ateus do futebol já fazem parte do folclore das competições internacionais de futebol em que Portugal participa. Para quem não sabe o ateísmo futeboleiro foi inaugurado por Pacheco Pereira e, entre coisas, consiste em passar todo o período das competições de futebol a falar sobre o quão irrelevantes elas são, da irracionalidade do gosto pelo futebol e sobre a forma como estes eventos distraem as pessoas dos assuntos importantes (por assuntos importantes, entenda-se, a política, a troika, o défice, o sacana do Sócrates e o demagogo do Louçã).
Tenho que concordar com eles: a devoção irracional pelo futebol contribui de facto para que muitas pessoas se esqueçam por um período de tempo destes assuntos. Mas não é só o futebol: um bom livro, as séries de televisão americanas, as quecas, os bikinis, os jantares de amigos, um bom cabrito, o sorriso dos filhos são tudo aspectos da vida que, sem motivo racional, nos fazem esquecer desses assuntos “importantes”. Os ateus do futebol estão certos relativamente à relação causal, têm é as prioridades de vida trocadas.»

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publicado às 11:12

Parabéns, rapazes!

por Samuel de Paiva Pires, em 28.06.12

 

Finalmente provou-se que é possível contrariar o "tiki-taka" espanhol e fazer frente de igual para igual à selecção espanhola. Faltou o bocadinho de sorte, como é habitual. Estão todos de parabéns e agora é seguir em frente rumo ao Mundial, onde de certeza esta belíssima selecção fará outro percurso excepcional! 

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publicado às 00:14

Força, rapazes!

por Samuel de Paiva Pires, em 27.06.12

 

Ao contrário de muita gente, não sofro de anti-espanholismo primário, daquele que nos é praticamente incutido desde os primeiros anos de escolaridade. Simplesmente não os suporto devido à irritante mania de fazerem um banzé, berrando e incomodando toda a gente à sua volta. Há qualquer coisa de muito elegante na atitude portuguesa no espaço público. Quanto mais não seja por isto, adoraria que a selecção nacional de futebol os silenciasse mais logo.

 

De resto, é como diz o Dragão:

 

«Por regra, futebol não é questão que me ocupe. Mas como pretexto é tão bom como outro qualquer. Para bater nesses filhos da puta. E só num país onde viceja e infesta uma prole imensa da mesma mãe é que  pode ter-se implantado o conceito catita de "país irmão".  Nustros hermanos, o caralho! Vossos, não sei; meus é que não!»

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publicado às 11:45






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