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A iconoclastia política numa Europa ferida

por João Pinto Bastos, em 19.11.13

Há iconoclastias que alguns, pressurosamente, tendem a proscrever, sem sequer se darem ao trabalho de reflectir, com alguma calma, sobre as diversas variantes que as ditas temáticas iconoclastas, desrespeitadoras das convenções reinantes, oferecem amiúde. A ascensão da extrema-direita em alguns países europeus é, a este propósito, um exemplo paradigmático da tolice atrás sugerida. Arruma-se tudo num cantinho higienicamente depurado, ofertando ao grande público um conjunto de análises assépticas, supostamente isentas dos vícios antidemocráticos abundantemente existentes nos agrupamentos políticos etiquetados com o labéu da extrema-direita neofascista. Que fique desde já claro, para que não sobre qualquer desdouro na minha reputação, que não me revejo na globalidade das propostas aventadas pelos movimentos políticos enxertados nesta família política. Todavia, faltaria à verdade se dissesse que, nos movimentos políticos em questão, não há nada de aproveitável. Fixemo-nos no exemplo mais saliente, e, porventura, o mais polémico, constituído pela Front National, liderada por Marine Le Pen. Esqueçamos, também, por momentos, as diatribes "pétainistas" reminiscentes dos tempos de Vichy ou as arcabuzadas políticas anti-imigração, alarvemente preconizadas pelos dirigentes deste partido. Deixando, portanto, tudo isto de lado, detenhamo-nos, com afinco, na abordagem feita pela FN às principais questões da actualidade política europeia. Para quem acredita, como é patentemente o meu caso, que a política europeia padece de múltiplas disfunções, criadas, em grande parte, pelo centralismo excessivo cupulado em Bruxelas, é quase uma redundância sublinhar o acerto das posições políticas defendidas pelo séquito de Le Pen. Desde a inserção no euro até à devolução de certas prerrogativas e competências pertencentes à eurocracia, a assertividade da FN não tem, como muitos estupidamente têm escrito e bradado aos sete ventos, falhado o alvo. E é aqui, no terreno minado da Europa política, que é forçoso dar guarida a vozes alternativas que recordem o básico: que o Estado-Nação, não obstante o planismo globalizador teorizado por certas notabilidades ignorantes, ainda é uma realidade, e que o centralismo autoritário, corporizado numa Bruxelas gorda e autista, é um remédio que só aditará desgraça ao mal já existente. É por isso que as vozes dissonantes são, em determinadas circunstâncias, o único meio à disposição do povoléu para forçar as elites governantes a uma mudança. Não será, com certeza, com uma Le Pen ou um Geert Wilders, que a Europa alterará a senda de inanição a que vem sendo sujeita pelas suas elites dirigentes. Não será, também, com uma direita que recusa dialogar e que vive enfronhada num passado militaresco fascizante, que a Europa florescerá. A solução é de outra ordem, e radica, fundamentalmente, na credibilidade e no reconhecimento de que a história não morreu. É nisto que está a salvação de uma realidade política que não deixou, por obra e graça de meia dúzia de espantalhos merdiaticamente construídos, de existir. Provavelmente, não serão os bandoleiros do extremismo político da direita a resolver o problema, mas será, decerto, com a contribuição dos mesmos que, para o bem e para o mal, a Europa deslanchará da crise.

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publicado às 00:28

O politicamente correcto e a tolerância para com o Islão

por Samuel de Paiva Pires, em 03.07.08

Mais um caso que, como tantos toutros, vai fazendo Samuel Huntington ter cada vez mais razão. Pelo menos desta feita os holandeses decidiram de acordo com o bom senso, não punindo Geert Wilders pelas alegadas ofensas ao Islão. O mesmo não aconteceu com o canadiano Ezra Levant, que depois de publicar os cartoons dinamarqueses se viu inquirido por uma alegada Comissão de Direitos Humanos de Alberta (Ler aqui e ali sobre este caso, e ver os vídeos da sessão aqui).

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publicado às 03:23






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