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A geringonça e as barrigas privadas

por John Wolf, em 08.08.17

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Tudo se compra, tudo se vende. Sim, tudo se transforma. Não sei qual a tabela praticada, mas as peças saem por encomenda. Eu aprecio estas reportagens de jornal que sabem inclinar o campo de jogo, que contam metade da história e que se esqueçem de alguns detalhes. A geringonça está por detrás disto, como está em cima dos acontecimentos. O aumento recorde, Guinness dirão alguns, do número de contratos públicos e respectivos valores é realmente uma coisa formidável. Gostava apenas de saber se é com o dinheiro das cativações, com o aumento de receitas fiscais ou com o aumento da dívida pública que fazem a festa? A quem ficam a dever? Simples. A resposta é simples. Serão os portugueses que pagarão a dívida a si mesmos. Costa bem pode agradecer o agachamento de juros e o beneplácito do Banco Central Europeu que continua a molhar a sua mão visível no alguidar de poncha financeira. Sou fã ferveroso dos ajustes directos. Essa modalidade prescinde de tangas, de aquecimento, de preliminares. É sexo duro, contra a parede, com pés de barro que fazem estremecer, vibrar. O ajuste directo é uma espécie de assédio glandular de grande angular. É a expressão mamária em todo o seu esplendor. É dar a chupar àqueles que mamam, mas que quando passarem a fase do desleite, ingressarão logo na falange de apoiantes do regime, à espera de mais. O grande problema de toda esta excitação tem a ver com um pequeno apêndice. Esta fartura de contratos públicos tem um efeito limitado na dinamização da economia. Por outras palavras, embora os queiram alugar como indicadores de vigor económico, a verdade é que os contratos públicos revelam mais sobre a disfunção da economia do que a plenitude da sua virilidade. Mas nada disto tem importância. O dinheiro não é deles. É dos portugueses. A geringonça fornece apenas a barriga.

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publicado às 14:05

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Dirão eles, sócios-gerentes da Geringonça, que é melhor que nada. Mas em abono da verdade é mais que nada. É mais que zero. É mais que nulo. É mais que inexistente. Mas mais valiam ficarem quietos. Vieira da Silva congratula-se pelo assinalável aumento de pensões de mais de 2 milhões de contribuintes. Incrementos que oscilam entre a unidade de euro e um pouco mais de um trio da divisa. Mas se quer fazer o gosto ao dente, se é bom garfo, fique a saber que também estão consignados 25 cêntimos no que diz respeito ao subsídio de refeição para funcionários públicos. É obra, é uma maravilha. Com tanta folga orçamental, com tanto sucesso fiscal, seria expectável que as subvenções fossem efectivamente palpáveis, melhores. A culpa do desequilíbrio está na encomenda sucessiva de pareceres, estudos prévios e festivais da canção. Os 25 cêntimos rimam com o tecto falso dos 25 mil euros da fasquia automóvel - poesia. O subsídio de refeição, conferem eles, estava congelado há mais de 9 anos. Mais valia que assim ficasse. No frio, fossilizado. Agora podeis ir de férias descansados. A segurança financeira está assegurada. A Geringonça é um mãos largas.

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publicado às 17:32

RSI Turbo PS GTI Geringonça

por John Wolf, em 30.07.17

 

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Quando o valor de uma viatura passa a servir de indicador para a atribuição de subsídios sociais, sabemos que o governo está desesperado para angariar adeptos. Ficamos a saber que o voto popular conta para a sobrevivência política. Mas mais grave do que estas técnicas duvidosas de contabilidade, será a eternização da divisa automóvel enquanto indicador de estatuto económico e social em Portugal. O socialismo nivelado, de todos diferentes todos iguais, não passa de um mito. Continua válida a ideia da aparência, da ficção de meios, ou seja, não ter um tostão furado, mas poder armar aos "ricos". Este tipo de abordagem joga com a psique colectiva de um modo particularmente perverso. Passa a mensagem de que o que conta é a imagem projectada, a forma como se é percepcionado, seja-se pobre ou abastado. E o inverso? O milionário que prescinde da viatura e que se serve do passe da Carris? Tem algum benefício fiscal? Pois. Como podem ver, o chassis socialista assenta na ideia de escalada social, no exemplo desviante de Sócrates, de apartamentos em Paris e fatos Brioni - vida faustosa. É essa mentalidade burguesa que caracteriza os socialistas encartados que a querem partilhar com os pobres de alma, colocando à frente dos seus chanfros asnos uma cenoura furada.

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publicado às 14:55

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Esta história das cativações faz-me lembrar um carro cujo proprietário deixa de o levar às revisões, de mudar o óleo e os filtros, e efectivamente, as poupanças saltam à vista, são uma verdadeira maravilha - até o motor gripar. O governo encontrou um nicho contabilístico interessante. As cativações não são peixe nem carne. Não correspondem à função de reordenamento financeiro das contas do Estado, nem sugerem uma orientação programática da economia de um país. Pura e simplesmente congelam os dinheiros. Mas há mais. Se olharmos com atenção para as dimensões contaminadas pelas cativações, registamos o item Planeamento e Infraestruturas como aquele que merece especial apreço da parte da geringonça. E isto não é por acaso. Sabemos de gingeira que o sector das obras públicas e da construção é aquele em que os socialistas se sentem mais em casa. São os amigos empreiteiros que levarão o prémio quando, face ao abandono da manutenção de estradas e pontes, edifícios e paióis, forem requeridas intervenções de vulto, investimentos com montantes consideráveis para desentornar o leite derramado. As cativações são como voos atrasados. O avião não descola do aeroporto, mas os passageiros sabem que mais cedo ou mais tarde, custe o que custar, lá surgirá uma solução bem mais onerosa do que a inicialmente prevista. A Mariana Mortágua e o Jerónimo de Sousa sabem como isto funciona, mas continuam a conceder crédito ao patrão, ao mau pagador de promessas. E sabemos que este leasing político implica uma taxa de confiança que não corresponde às receitas económicas e sociais tão amplamente apregoadas para matar de vez a Austeridade. António Costa é felino e rato ao mesmo tempo.

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publicado às 14:32

Sucedâneos de demissões

por John Wolf, em 09.07.17

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O povo (e a oposição) gritava por sangue e (demissões) por causa das mortes resultantes dos incêndios de Pedrógão Grande e do assalto aos paióis de Tancos, mas o governo não respondeu à letra. Nem a ministra da administração interna nem o ministro da defesa arredaram pé. A geringonça, chica-esperta, desde a primeira hora do seu governo, vai encontrando modos de dissimular as contradições e distrair do essencial. Ao oferecer este peixe-miúdo, estes três secretários de Estado para abate de funções, pensa enganar um país inteiro com sucedâneos de demissões que deveriam naturalmente e inequivocamente acontecer. Colocar na faixa ética as viagens à pala para acompanhar a selecção nacional de futebol e não colocar a tragédia de Pedrógão e o assalto a Tancos revela o miserabilismo moral e a  total falta de escrúpulos dos actuais governantes. Mas existe ainda uma outra hipótese. Pode ser que os secretários de Estado Rocha Andrade, Costa Oliveira e João Vasconcelos saibam que vai haver chatice da grossa e que mais vale saltar do barco antes deste afundar. Parece-me muito estranho que este dossiê caia assim de paraquedas como se para calar a oposição e os detractores do governo. Deste modo a geringonça pode dizer, se perguntarem, que também sabe demitir ou exonerar, cortar ou cativar. Enfim, parecem tão certinhos e eticamente movidos, mas isto não passa de show de bola. Lamentável.

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publicado às 19:56

Capitães de Julho, espadas na lapela...

por John Wolf, em 03.07.17

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Tenho a maior consideração e respeito pelos militares. São capazes de estruturar pensamento e são hábeis na prossecução de missões - se tiverem meios, se tiverem fundos, se tiverem o backing político adequado. Sabemos há muito tempo que vivem com parcos meios, mas muitos ignoram que os militares portugueses estão activos com assinalável sucesso em mais de vinte teatros de operações por esse mundo fora. Se os civis não são capazes de instigar a mudança, se os políticos e os governos são deficitários na defesa de princípios invioláveis associados à democracia, à soberania e a manutenção da ordem, acho muito bem que os militares passem da reserva a indignados em manifestação activa, na rua. Os capitães de Abril que ostentam tantos louros podem agora ser secundarizados pelos capitães de Julho - estes que agora irão depor espadas à porta da presidência da república. As medalhas que ostentam os obreiros de 1974 perderam o lustre, já não reluzem, nem têm um efeito mobilizador. São meras antiguidades românticas que evocam baladas e pouco mais. Sem terem dado conta, os sucessivos governos foram condescendentes com precisamente aqueles que enfrentam as broncas, que defendem a nação. O que aconteceu em Tancos é da exclusiva responsabilidade de governos. Não tenho uma espada em casa, mas se a tivesse também a dispunha em Belém.

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publicado às 21:03

A vedação foi dada como culpada em Tancos

por John Wolf, em 30.06.17

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Lamentavelmente entrámos num registo de inevitabilidades, de avarias e peças defeituosas. Falo do Estado, naturalmente. Refiro-me ao governo, obviamente. Primeiro foi o SIRESP que deu o berro, mas a Ministra da Administração Interna lá continua a lamentar um incêndio descomunal e não arreda pé. Depois foram as granadas e engenhos explosivos que "alguém" abarbatou em Tancos (ainda não escutei o Ministro da Defesa, mas temos tempo). Ainda antes tivemos a flatulência de intervenção do arrivista-artista. O que se seguirá? Um software seco que toma conta do sistema de semáforos da metrópole e provoca acidentes na Av. Padre Cruz?  Aparentemente foram tudo causas naturais. Não houve mão humana que tivesse determinado o destino deste cabaz de incongruências. Foram três penáltis sem resposta. Mas devemos nos preocupar seriamente. Quando o inimigo assinar o decreto, quando o adversário declarar guerra aberta, o governo já terá esgotado o kit de desculpas esfarrapadas. Os seus serviços de desmancha-verdades deixarão de fazer sentido. Os inquéritos de opinião para determinar os níveis de popularidade de nada servirão para camuflar os efeitos nefastos deste regime, este socialismo-nacional. Enfim, o estado de arte resume-se a um farpado. Uma vedação. A culpada inquestionável, sem margem para dúvida.

 

Adenda:

Não esquecer - são as catástrofes que estendem e validam mandatos caducos.

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publicado às 17:43

Se Pedrógão fosse no Texas

por John Wolf, em 26.06.17

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Sou apenas mais um que ignora os factos. Sou um mero papalvo que aceita as patranhas. Sou um sobrevivente da calamidade - e estou à mercê do estado de graça de Portugal. Se fosse no Texas seria bem diferente. Ao mero indício de falha de um sistema de comunicações, e à luz dos cidadãos mortos pela incompetência e irresponsabilidade políticas, os familiares das vítimas já tinham movido um processo ao Estado Português. O governo da república sabe que do outro lado da barricada está gente pequena, minifundários, almas sem grande poder de fogo para ripostar. Mas há bastante mais. Há o negócio volumoso que o SIRESP envolve; os contratos, os financiamentos, as contrapartidas. Não sei quantas centenas de milhões de euros este matrix das emergências já consumiu, mas "algum" do dinheiro tem proveniência externa. A União Europeia (UE), essa entidade reguladora por excelência, parece o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português - não se pronuncia sobre putativas responsabilidades políticas. O esclarecimento cabal de que fala António Costa não pode nascer a partir de uma comissão de inquérito de um concelho socialista como Pedrógrão Grande. Tem de ser a Comissão Europeia a iniciar um processo que extinga todas as dúvidas sobre o SIRESP; quanto dinheiro foi lá metido? E quanto terá escorrido para bolsos alheios? Finda essa parte instrutória, a "judicialidade" da UE deve determinar o grau de culpa do Estado Português e distribuir sanções e multas. Com os da casa isto não vai lá. Querem enrolar-nos a todos.

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publicado às 10:46

Poupança portuguesa

por John Wolf, em 23.06.17

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Tenho autorização para regressar à economia real? Se sim, então tomem nota do seguinte: "a poupança das famílias recuou para 3,8% do rendimento disponível no primeiro trimestre de 2017, marcando assim o valor mais baixo da série que teve início há 18 anos". Significa isto que os portugueses pouco aprenderam e que acreditam no conto do vigário. Somem a este vector o outro - o nível de dívida pública acima dos 130% do PIB e temos o cocktail perfeito para deflagrar mais um descalabro, um semelhante àquele de 2011. Nem mesmo as sucessivas tragédias incendiárias ensinam grande coisa. O comportamento colectivo é unamunaniano, suicida. A expressão saving for a rainy day não se aplica ao continente ou às regiões autónomas. Não sei qual a medida portuguesa, e não sei se a família-tipo tem reservas equivalentes a 6 salários ou se prefere ir de férias e logo se vê. Os partidos que formam o governo de Portugal não parecem ligar muito a estas leituras estatísticas. E existe uma explicação para isso - replicam os comportamentos individuais. Vivem para além das possibilidades. Nem acima nem abaixo. Vivem noutro universo desprovido de responsabilidade moral. A dívida e a falta de poupança são dissabores que ardem sem se ver. E eles querem que assim seja, que não sejam vistos ou revistos.

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publicado às 20:35

Maycron, e a nova Europa

por John Wolf, em 11.06.17

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Emmanuel Macron acaba de demonstrar que é possível reinventar a ordem política. La Republique en Marche, o partido inventado há pouco mais de um ano, está muito bem encaminhado para conceder ao presidente da República Francesa os poderes parlamentares necessários para governar sem sobressaltos. Theresa May, por seu turno, terá de encontrar o equilíbrio operacional para levar por diante o seu projecto "independentista". Para não cair fora da matriz europeia que começa a ganhar novos contornos nucleares, terá de ter algum cuidado na gestão da pasta Brexit. Uma abordagem excessivamente fundamentalista afastará o Reino Unido do "maior" mercado comum do mundo e permitirá à França uma reafirmação política no quadro do eixo repartido com a Alemanha. O calcanhar de Aquiles de May pode muito bem ser a ruptura que poderá vir a promover com a redifinição do conceito de globalismo britânico. A sua teimosia ideológica, que atinge um dos princípios basilares da União Europeia (UE)  - a liberdade de circulação de pessoas -, pode muito bem vir a derrubar a alegada "continentalidade europeia" dos britânicos: se forasteiros não entram em Londres, os britânicos também poderão ser barrados por Schengen. Enquanto processos eleitorais não decorrem na Alemanha, esta nação pode observar com atenção o fenómeno político nas suas mais diversas variantes europeias. A Merkel, que muitos davam como acabada, saberá ponderar os perfis de Macron e May. Muitas vezes a espera sintetiza a melhor das acções. A Europa, não nos esqueçamos, é mais sinónimo de atavismos do que de evoluções sistémicas. As revoluções políticas ainda não aconteceram em pleno no seio da UE, e parece que assim continuará a ser. É o burocratismo que domina os processos. Essa mentalidade, encravada na derme da UE, também contaminou os procedimentos internos dos seus países-membro. As negociações são a imagem de marca da Europa, mas os resultados são assimétricos. Não existem imitações nem replicações. Por mais que queiram aplicar a fórmula geringoncional à solução britânica, aquela não será bem sucedida. Conseguem imaginar uma geringonça-sombra do governo de sua majestade? Eu não consigo.

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publicado às 20:24

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Em dia de denúncia dos Acordos de Paris por Donald Trump faço um compasso de espera e atiro noutra direcção. No âmbito da cimeira da NATO, Trump puxou as orelhas aos parceiros europeus e reclamou que estes deveriam aumentar a sua parada monetária na organização de defesa. Os membros da Aliança Atlântica deveriam pagar mais, pelo menos 2% dos respectivos Produto Interno Bruto (PIB). Torna-se curioso, e não menos relevante, que Portugal, sob a batuta de um governo de Esquerda, tenha de facto incrementado a sua prestação à NATO de 1.32% para 1.38% do PIB. No entanto, não me recordo do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português terem batido o pé. Gostava de saber qual foi o preço do seu silêncio. Os socialistas devem ter negociado um arranjo qualquer nos bastidores. Não sei qual foi a moeda de troca, mas houve mais recursos atribuídos à NATO desde que a Geringonça abarbatou o poder. Por outras palavras, Portugal já vinha alinhado com o pensamento geo-estratégico e financeiro de Trump. Guterres, nas últimas 24 horas, já foi particularmente vocal em relação aos vazios de poder que decorrem da denúncia de acordos respeitantes ao clima, mas neste jogo de correlações das diversas dimensões de projecção de poder, talvez ainda não tenha percebido que os Acordos de Paris serão uma mera divisa para exercer pressão noutros palcos. Para cada ponto verde comprado por corporações para calar detractores quantas vidas efectivamente se perdem? No tabuleiro de Realpolitik não existem deuses e demónios, bons e maus, de um modo linear. Talvez o agitar dos fundamentos dos Acordos de Paris sirva para rever as suas premissas e o seu caderno de encargos. Veremos como a Europa, tolhida por crises internas e dúvidas existenciais, consegue ou não esboçar um plano B. Talvez Merkel tenha razão. Os EUA já não fazem parte da equação de favas contadas, já não são best friends forever. E há mais. De cada vez que o governo de António Costa glorifica o magnífico crescimento económico, está de facto a aumentar o financiamento de Portugal à NATO. Ou seja, são os turistas que estão a tornar Portugal um país militarista. São eles que estão a aumentar as receitas, e consequentemente o PIB. Pois é.

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publicado às 16:12

As faixas de rodagem da Geringonça

por John Wolf, em 29.05.17

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Existem várias faixas de rodagem que a Geringonça ocupa. Temos uma via mais à Esquerda onde acelera Catarina Martins, mas que segue em contramão, em sentido contrário a Centeno. A condutora do Bloco de Esquerda dá umas valentes guinadas alcoolizada pela miragem de mais apoios à Segurança Social e invocando a pobreza infantil a ver se pega de empurrão. Enquanto essas manobras decorrem, a viatura de Costa declara na portagem que não haverá alterações nos escalões do IRS e que os cortes nas reformas antecipadas podem chegar aos 14%. Ainda nessa estrada de considerações aparecem mais umas lombas inconvenientes. Na estação de serviço seguinte dizem que o descongelamento das carreiras na função pública terá de ser faseada. Por outras palavras, com tanta derrapagem de intentos, não saímos do mesmo lugar, e apesar do caminho percorrido, parece que estamos no auge de 2013. O próprio dono das auto-estradas, o italiano Mario Draghi, manda parar os encartados do governo, e avisa: o crédito malparado na banca é um problema para o motor que dizem já estar em velocidade de cruzeiro, imparável. Mas atenção, com tanta rotação, o motor ainda gripa, e como são todos excelentes mecânicos, a máquina sai da oficina a deitar fumo branco pelo escape de argumentos orçamentais. No entanto, existe uma probabilidade muito grande de isto tudo ser um problema da cabeça ou do alternador de políticas que mais convêm para enganar o povo. Apesar da luz, vejo túneis ao fundo.

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publicado às 20:04

Geringonça governa sem Dívida Pública

por John Wolf, em 25.05.17

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A Geringonça anda alegre e contente como se a dívida pública não existisse. Carlos César avisa sobre os perigos de embarcar em euforias. Mas será isto que o atormenta: o serviço de dívida pública? Não obstante as tentativas do seu branqueamento, o agravamento do mesmo não pode ser camuflado por todas e quaisquer manobras do governo de Portugal. Os juros de títulos de dívida são um monstro que nenhuma acção de marketing político pode escamotear - é o mercado que os determina. Os excelsos 2.8% de crescimento económico e a saída do Procedimento por Défice Excessivo são facilmente derreados pelo encosto nefasto da dívida pública. Fingir que não se sofre de uma doença é uma patologia em si. Mas o mais dramático desta modalidade de abstinência governativa é efectivamente adiar a catástrofe ao passá-la para gerações seguintes. O governo de António Costa pensa numa lógica de curto prazo e omite intencionalmente a parte que não lhe interessa. E a única forma de contrariar a escalada de dívida é através do genuíno crescimento económico, alicerçado no investimento público e no retorno que o mesmo proporciona. Os privados, que têm sido os principais investidores, gerarão receitas que serão intensamente atractivas para governos de Esquerda que sustentam as suas casas na tributação alheia - ou seja, no abarbatar daquilo que não lhes pertence. O Estado que deveria dar o exemplo de iniciativa económica, está a perder a corrida e rapidamente deixará de se pagar a si mesmo. Os governos, que vão e vêm, assumem essa falência como sendo um problema que não lhes pertence. O último que feche a porta, apague as luzes e repita a mesma mentira que parece sempre funcionar. Os portugueses, elogiados pelo seu espírito de abnegação, caem sucessivamente na mesma esparrela de engano e decepção. Vezes sem conta. Sempre a doer.

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publicado às 13:23

O Porto e a guilhotina do PS

por John Wolf, em 08.05.17

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Manuel Pizarro e Manuel Correia Fernandes invocam a Ética (e os bons costumes socialistas) para devolver os pelouros à Câmara Municipal do Porto. Que se lixe a missão a que se tinham proposto, respectivamente a Habitação e a Acção Social. Ou seja, são imperativos de ordem ideológica que se atravessam no caminho das causas públicas que supostamente mexem com a vida de meros cidadãos. Deveria ser proibido abandonar o barco a meio da travessia da ribeira. Os políticos que alvitram pelouros como quem muda de camisa fazem parte do mesmo rol de titulares de cargos que trazem descrédito à disciplina de governação. E mais. Não seria de todo incoerente que os Manéis permanecessem na mesma liga do adversário. O que é afinal a Geringonça? Esse aparelho é um esquema pleno de contradições partidárias. Ou seja, o que se passa no Porto, à luz de uma extrapolação maior, representa o fim da ideia de geringonça. Qualquer dia os socialistas são obrigados a coabitar com famílias políticas mais distantes, em nome da representatividade democrática, e o que farão? Deixarão cair a lâmina farta de uma guilhotina de miudezas e rancores. Ana Catarina Mendes, sem o desejar, ou talvez não, assina um inside job -  faz germinar o embrião da dissenssão. Primeiro com os estranhos, mas mais tarde dentro de portas, quando nascer um neo-Seguro capaz de trautear uma nova cantiga mais próxima da desregulação política a que estamos a assistir por esse mundo fora. Penso em Macron, não como a solução, mas enquanto elo de uma corrente desligada de falsas promessas eleitoriais e ainda piores desempenhos efectivos. Custa-me assistir a provincianismos de terceira categoria proferidos por lideres de segunda estirpe.

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publicado às 17:48

Tercicolo

por John Wolf, em 03.05.17

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Um país não é uma entidade desligada de si. Existe um todo coerente, a matriz que o define e que crava a identidade na testa dos seus cidadãos. O terço-gigante da Joana Vasconcelos inscreve-se na eterna doutrina cultural que configura a nação - o meu carro é maior do que o do meu vizinho. Quando tudo o resto falta; o conceito, a linguagem, os códigos, a originalidade, a pesquisa profunda de símbolos e rituais, a dimensão literária imaterial, a filosofia, a melodia e o silêncio - o ruído estridente é a única saída. O estrondo da escala mitiga as nuances subtis, a ausência e a sugestão. O terço-rosário habita a mesma clausura de ignorância na arte - colide com o espírito livre que não se deixa algemar. A tríade que governa Portugal agradece a transfiguração do Estado Novo. Não a enjeita. São megalomanias desta natureza que desferem golpes naqueles que duvidam do mistério. A geringonça, embora não o decrete, aprecia as protuberâncias da Joana Vasconcelos. São expressões avultadas como esta que servem de antena para afastar descrentes. Assistimos a uma inversão. Não foi o Estado laico que foi avassalado pelo catolicismo. Foi a Igreja que se rendeu e colocou de joelhos e ao serviço do poder político. Tudo isto parece inócuo e divertido. E é precisamente esse o problema. Não é uma aparição. É real e efectivo.

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publicado às 08:56

Canzanadas

por John Wolf, em 28.04.17

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Já que estamos numa de cães, cadelas e mordeduras, deveriam aproveitar o paradigma para rever as trelas que nos guiam nesta sociedade pseudo-moderna. Antes que atire o osso para que o possam roer ou devolver, faço o seguinte aviso - sou amigo dos animais. Durante trinta anos dediquei-me a outra espécie de quatro patas (equídeos) e sempre tive (no campo) cães felizes, maioritariamente rafeiros, mas com uma digníssima excepção. Foi-nos oferecido um pastor alemão de nome Wolf que havia recebido o diploma de treino profissional da GNR. Sim, o cão sniffava droga, fazia de sentinela e guardava malas até ordem dada em contrário, e apenas comia do seu prato após escutar a password que apenas os donos sabiam. Mas adiante. O fenómeno canino de Portugal deve ser analisado à luz de considerações maiores. Na escalada e afirmação do estatuto social, o cão (de raça) tornou-se um acessório indispensável. O cão tornou-se uma divisa com visibilidade acrescida - tem mobilidade, causa alarido e instiga inveja. São tantos os terriers que por aí se passeiam para gaudio de dono show-off. Mas há raças e raças. Houve tempos em que o cocker-spaniel servia para ostentar a patente. Depois houve a mania dos boxers, e mais recentemente a estria oriental parece ser a coqueluche maior - quem tem Shar Pei é ainda mais virtuoso - tem empregada em casa que passa a ferro. Depois vieram os mauzões. Os bodybuilders e car tuners que andaram a ver muitos filmes e lá se encanitaram pelos Dobberman, Rottweiler e Pitbull. No entanto, há que reconhecer que o bóbi e o piloto, que são bons rapazes e sem linhagem, fazem  companhia ao Tio Alfredo (que mija a biqueira das botas) e à Dona Aldina (que é surda da cabeça e dos ouvidos). Sim, o animal empresta o seu bafo quente, o seu carinho - venham de lá os restos para o jantar que a ração é uma sêca. Mas  convém que  passemos directamente ao que me irrita profundamente - a falta de civismo dos senhores proprietários de cães. Falo de dejectos abandonados na via pública, nos jardins relvados ou na bela calçada portuguesa (a mesma defendida como património da humanidade). E a Polícia Municipal entretida ao telemóvel a guardar a betoneira da obra, a arrastar uma viatura mal estacionada, mas a ignorar por completo este nojo inaceitável. Nunca ouvi falar de um dono de um cão ter sido autuado por delito cometido em flagrante - nunca. Querem dar formação aos donos e um diploma aos cães? Acho muito bem. Mas a abordagem à questão deve ser holística, integral. A mordedura fatal de um Pitbull equivale a 1000 dejectos lançados sem vergonha na rés pública. E é aqui que reside grande parte do problema da liberdade explosiva servida de bandeja por revoluções de ordem vária. O português ainda não percebeu onde termina o seu quintal e onde começa o espaço público. E depois dá as canzoadas que se conhecem. Que grande cadela: Rotweiller mal ensinado?

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publicado às 07:54

Ando Exaurido

por João Almeida Amaral, em 11.04.17

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 Ando exaurido.

Desde há quase ano e meio que a vontade de opinar ou mesmo desabafar, se tem entornado na mesa desta grande farra em que vivemos.

Nesta botelha em que nos inebriamos desde que tomou posse a geringonça a que simpaticamente chamamos Governo da Républica Portuguesa. 

Fui chamado a atenção por andar desaparecido , mas a verdade é que este banquete em que vamos vivendo , me trouxe algum enfartamento ou azia. 

Passo a explicar; como diz o nosso Dr. Jerónimo , o Passos e o Cavaco que foram os únicos que desde a abrilada fizeram alguma coisa, são crucificados com regularidade, enquanto "o idiota das medalhas de Belém" o " cretino e o encaracoladinho" são postos em altares pelo jornalismo honesto cá do burgo. 

Não há duvida isto esta tudo de pernas para o ar e agora são as bóias que cagam nas gaivotas . 

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publicado às 11:19

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O exercício é simples. Nem sequer irei apelidar esta transmissão radiofónica de fake news. Não vale a pena o esforço. Mas irei restringir-me a uma tradução simples do enunciado. Quando António Costa diz que está tranquilo em relação ao Montepio Geral, na realidade pode estar - os arguidos que por aí grassam ainda não foram acusados do que quer que seja. E o Papa vem aí. Isso ajuda a fé dos socialista. Promove o perdão e a absolvição. Mais; "não vivemos na Alice do País das Maravilhas". Engana-se redondamente. Vivemos, sim senhor. Desde que a Geringonça assumiu o poder a Austeridade foi convertida pelo pequeno príncipe em algo diverso, mas equivalente - as taxas e impostos, almas-gémeas da sua natureza tributária, oferecem agora uma aura romântica. "Foi o Lone Star que quis a presença do Estado porque credibiliza o banco". Errado, caro Watson. O Lone Star quer o Estado preso ao embrulho porque o risco é assinalável - nada tem a ver com prestígio ou eventuais comendas de Marcelo. Mário Centeno foi sondado para presidente do Eurogrupo? Talvez tenha sido. Não seria mais honesto afirmar que Centeno deve ser intensamente sondado? Sim, deve. Ou seja, auditado para perceber que truques orçamentais foram sacados da manga para cumprir as regras da Comissão Europeia e cujas consequências flagrantemente visíveis serão pagas pelos portugueses. Assim, também eu, à custa do crescimento económico minguado pela falta de investimento. Costa admite acordos à esquerda? Uma geringonça de maioria? Há qualquer coisa que não bate certo nesta fórmula de nem peixe nem carne. Está entalado entre a Catarina Martins e o Jerónimo de Sousa - sai uma sanduiche e um prego, por favor. Desbloquear as carreiras na função pública? Simples. Promover todos os funcionários públicos a chefes de departamento - quem precisa de índios? E as Parceiras Público-Privada? Pois. Dão mau nome ao socialismo totalitário que abomina o desempenho positivo do sector privado. Mencionem apenas os podres e escondam os casos de sucesso e declarada poupança dos contribuintes - isso não interessa nada. Descentralização e transferência de poderes para as autarquias? Sim, música para os ouvidos de estruturas regionais e eleitores que votam nas próximas autárquicas. E para rematar: "se existe sector onde é possível prever a longo prazo as necessidades, esse sector é o sector da educação". Enganado, caro António. São competências exógenas, muitas delas híbridas, e certamente criativas, que irão determinar o perfil do trabalhador. E esses atributos não se ensinam em escolas cujos modelos de educação assentam em convenções caducas, falidas. De resto apreciei muito o que António Costa teve para dizer. Foi muito divertido. Sinto-me renascido.

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publicado às 11:41

Palavra de honra de Martins e Sousa

por John Wolf, em 03.04.17

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Não sei que contrapartidas a Geringonça negociou com o PCP e o BE, mas deve ter pago uma nota alta. Jerónimo de Sousa e Catarina Martins partilham a mesma cábula - estão desagradados com a venda do Novo Banco, mas deixam seguir para bingo. E afirmam que quem pagará pelos danos serão os portugueses -, os suspeitos do costume. O pequeno património político dos comunistas e bloquistas corre riscos. Até parece, ironicamente, que houve outra operação de compra. Aparentemente António Costa adquiriu uma posição do PCP e o Partido Socialista uma quota da sociedade bloquista. No entanto, os dois partidos marxistas correm sérios riscos na secretaria, na urna das próximas eleições - há quem não se impressione com lágrimas de crocodilo. Ficarão associados a um governo de falso-fim da Austeridade, a uma administração facilitadora de benefícios para instituições financeiras amigas e pouco amiga de processos demorados de justiça. Se Martins e Sousa não fossem apenas garganteiros, já teriam tirado o tapete por debaixo dos pés da Geringonça. Aqueles dois podem escrever nos respectivos currículos que foram os principais subscritores da venda do Novo Banco ao Lone Star. Viabilizaram o projecto neo-liberal, especulador. Entregaram um banco aos americanos. E como sabemos, tudo o que é americano é Trump.

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publicado às 07:45

Bustos, Boris e Santos Silva

por John Wolf, em 31.03.17

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O ministro dos negócios estrangeiros Santos Silva gostava que lhe fizessem um busto. Como não tem grande importância no palco das grandes decisões internacionais, põe-se a dourar a pílula da sua influência. Boris Johnson telefonou ao seu homólogo para pedir socorro na hora do Brexit - hahhahahahhahahahahahahahhaah! Em nome do tratado de Methuen, e quiçá da Rainha e do Eduardo VII, Portugal está a ser aliciado para trair o clube da União Europeia. No entanto, levanta-se outra hipótese. A influência da princesa Catarina Martins deve ser de tal ordem que deu guia de marcha ao súbdito Santos Silva no sentido de este se alinhar para uma eventual saída de Portugal do Euro e, quem sabe, da União Europeia. O responsável pela pasta dos assuntos externos tem de clarificar a posição de Portugal - are you in or are you out? Já temos uma guerra texana em curso entre Trump e Juncker, e Portugal pode adoptar uma fórmula dúbia e oportunista do passado - jogar nos dois lados do tabuleiro como fez na segunda Grande Guerra. São considerações respeitantes à fidelidade ou a falta dela que devem ser tidas em conta. Portugal faz parte de que continente político? Aos meus olhos, a geringonça já inverteu a pirâmide. São os comunistas e os bloquistas que mandam. Santos Silva não passa de uma fachada, de um busto.

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publicado às 07:42






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