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Canzanadas

por John Wolf, em 28.04.17

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Já que estamos numa de cães, cadelas e mordeduras, deveriam aproveitar o paradigma para rever as trelas que nos guiam nesta sociedade pseudo-moderna. Antes que atire o osso para que o possam roer ou devolver, faço o seguinte aviso - sou amigo dos animais. Durante trinta anos dediquei-me a outra espécie de quatro patas (equídeos) e sempre tive (no campo) cães felizes, maioritariamente rafeiros, mas com uma digníssima excepção. Foi-nos oferecido um pastor alemão de nome Wolf que havia recebido o diploma de treino profissional da GNR. Sim, o cão sniffava droga, fazia de sentinela e guardava malas até ordem dada em contrário, e apenas comia do seu prato após escutar a password que apenas os donos sabiam. Mas adiante. O fenómeno canino de Portugal deve ser analisado à luz de considerações maiores. Na escalada e afirmação do estatuto social, o cão (de raça) tornou-se um acessório indispensável. O cão tornou-se uma divisa com visibilidade acrescida - tem mobilidade, causa alarido e instiga inveja. São tantos os terriers que por aí se passeiam para gaudio de dono show-off. Mas há raças e raças. Houve tempos em que o cocker-spaniel servia para ostentar a patente. Depois houve a mania dos boxers, e mais recentemente a estria oriental parece ser a coqueluche maior - quem tem Shar Pei é ainda mais virtuoso - tem empregada em casa que passa a ferro. Depois vieram os mauzões. Os bodybuilders e car tuners que andaram a ver muitos filmes e lá se encanitaram pelos Dobberman, Rottweiler e Pitbull. No entanto, há que reconhecer que o bóbi e o piloto, que são bons rapazes e sem linhagem, fazem  companhia ao Tio Alfredo (que mija a biqueira das botas) e à Dona Aldina (que é surda da cabeça e dos ouvidos). Sim, o animal empresta o seu bafo quente, o seu carinho - venham de lá os restos para o jantar que a ração é uma sêca. Mas  convém que  passemos directamente ao que me irrita profundamente - a falta de civismo dos senhores proprietários de cães. Falo de dejectos abandonados na via pública, nos jardins relvados ou na bela calçada portuguesa (a mesma defendida como património da humanidade). E a Polícia Municipal entretida ao telemóvel a guardar a betoneira da obra, a arrastar uma viatura mal estacionada, mas a ignorar por completo este nojo inaceitável. Nunca ouvi falar de um dono de um cão ter sido autuado por delito cometido em flagrante - nunca. Querem dar formação aos donos e um diploma aos cães? Acho muito bem. Mas a abordagem à questão deve ser holística, integral. A mordedura fatal de um Pitbull equivale a 1000 dejectos lançados sem vergonha na rés pública. E é aqui que reside grande parte do problema da liberdade explosiva servida de bandeja por revoluções de ordem vária. O português ainda não percebeu onde termina o seu quintal e onde começa o espaço público. E depois dá as canzoadas que se conhecem. Que grande cadela: Rotweiller mal ensinado?

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publicado às 07:54

Ando Exaurido

por João Almeida Amaral, em 11.04.17

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 Ando exaurido.

Desde há quase ano e meio que a vontade de opinar ou mesmo desabafar, se tem entornado na mesa desta grande farra em que vivemos.

Nesta botelha em que nos inebriamos desde que tomou posse a geringonça a que simpaticamente chamamos Governo da Républica Portuguesa. 

Fui chamado a atenção por andar desaparecido , mas a verdade é que este banquete em que vamos vivendo , me trouxe algum enfartamento ou azia. 

Passo a explicar; como diz o nosso Dr. Jerónimo , o Passos e o Cavaco que foram os únicos que desde a abrilada fizeram alguma coisa, são crucificados com regularidade, enquanto "o idiota das medalhas de Belém" o " cretino e o encaracoladinho" são postos em altares pelo jornalismo honesto cá do burgo. 

Não há duvida isto esta tudo de pernas para o ar e agora são as bóias que cagam nas gaivotas . 

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publicado às 11:19

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O exercício é simples. Nem sequer irei apelidar esta transmissão radiofónica de fake news. Não vale a pena o esforço. Mas irei restringir-me a uma tradução simples do enunciado. Quando António Costa diz que está tranquilo em relação ao Montepio Geral, na realidade pode estar - os arguidos que por aí grassam ainda não foram acusados do que quer que seja. E o Papa vem aí. Isso ajuda a fé dos socialista. Promove o perdão e a absolvição. Mais; "não vivemos na Alice do País das Maravilhas". Engana-se redondamente. Vivemos, sim senhor. Desde que a Geringonça assumiu o poder a Austeridade foi convertida pelo pequeno príncipe em algo diverso, mas equivalente - as taxas e impostos, almas-gémeas da sua natureza tributária, oferecem agora uma aura romântica. "Foi o Lone Star que quis a presença do Estado porque credibiliza o banco". Errado, caro Watson. O Lone Star quer o Estado preso ao embrulho porque o risco é assinalável - nada tem a ver com prestígio ou eventuais comendas de Marcelo. Mário Centeno foi sondado para presidente do Eurogrupo? Talvez tenha sido. Não seria mais honesto afirmar que Centeno deve ser intensamente sondado? Sim, deve. Ou seja, auditado para perceber que truques orçamentais foram sacados da manga para cumprir as regras da Comissão Europeia e cujas consequências flagrantemente visíveis serão pagas pelos portugueses. Assim, também eu, à custa do crescimento económico minguado pela falta de investimento. Costa admite acordos à esquerda? Uma geringonça de maioria? Há qualquer coisa que não bate certo nesta fórmula de nem peixe nem carne. Está entalado entre a Catarina Martins e o Jerónimo de Sousa - sai uma sanduiche e um prego, por favor. Desbloquear as carreiras na função pública? Simples. Promover todos os funcionários públicos a chefes de departamento - quem precisa de índios? E as Parceiras Público-Privada? Pois. Dão mau nome ao socialismo totalitário que abomina o desempenho positivo do sector privado. Mencionem apenas os podres e escondam os casos de sucesso e declarada poupança dos contribuintes - isso não interessa nada. Descentralização e transferência de poderes para as autarquias? Sim, música para os ouvidos de estruturas regionais e eleitores que votam nas próximas autárquicas. E para rematar: "se existe sector onde é possível prever a longo prazo as necessidades, esse sector é o sector da educação". Enganado, caro António. São competências exógenas, muitas delas híbridas, e certamente criativas, que irão determinar o perfil do trabalhador. E esses atributos não se ensinam em escolas cujos modelos de educação assentam em convenções caducas, falidas. De resto apreciei muito o que António Costa teve para dizer. Foi muito divertido. Sinto-me renascido.

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publicado às 11:41

Palavra de honra de Martins e Sousa

por John Wolf, em 03.04.17

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Não sei que contrapartidas a Geringonça negociou com o PCP e o BE, mas deve ter pago uma nota alta. Jerónimo de Sousa e Catarina Martins partilham a mesma cábula - estão desagradados com a venda do Novo Banco, mas deixam seguir para bingo. E afirmam que quem pagará pelos danos serão os portugueses -, os suspeitos do costume. O pequeno património político dos comunistas e bloquistas corre riscos. Até parece, ironicamente, que houve outra operação de compra. Aparentemente António Costa adquiriu uma posição do PCP e o Partido Socialista uma quota da sociedade bloquista. No entanto, os dois partidos marxistas correm sérios riscos na secretaria, na urna das próximas eleições - há quem não se impressione com lágrimas de crocodilo. Ficarão associados a um governo de falso-fim da Austeridade, a uma administração facilitadora de benefícios para instituições financeiras amigas e pouco amiga de processos demorados de justiça. Se Martins e Sousa não fossem apenas garganteiros, já teriam tirado o tapete por debaixo dos pés da Geringonça. Aqueles dois podem escrever nos respectivos currículos que foram os principais subscritores da venda do Novo Banco ao Lone Star. Viabilizaram o projecto neo-liberal, especulador. Entregaram um banco aos americanos. E como sabemos, tudo o que é americano é Trump.

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publicado às 07:45

Bustos, Boris e Santos Silva

por John Wolf, em 31.03.17

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O ministro dos negócios estrangeiros Santos Silva gostava que lhe fizessem um busto. Como não tem grande importância no palco das grandes decisões internacionais, põe-se a dourar a pílula da sua influência. Boris Johnson telefonou ao seu homólogo para pedir socorro na hora do Brexit - hahhahahahhahahahahahahahhaah! Em nome do tratado de Methuen, e quiçá da Rainha e do Eduardo VII, Portugal está a ser aliciado para trair o clube da União Europeia. No entanto, levanta-se outra hipótese. A influência da princesa Catarina Martins deve ser de tal ordem que deu guia de marcha ao súbdito Santos Silva no sentido de este se alinhar para uma eventual saída de Portugal do Euro e, quem sabe, da União Europeia. O responsável pela pasta dos assuntos externos tem de clarificar a posição de Portugal - are you in or are you out? Já temos uma guerra texana em curso entre Trump e Juncker, e Portugal pode adoptar uma fórmula dúbia e oportunista do passado - jogar nos dois lados do tabuleiro como fez na segunda Grande Guerra. São considerações respeitantes à fidelidade ou a falta dela que devem ser tidas em conta. Portugal faz parte de que continente político? Aos meus olhos, a geringonça já inverteu a pirâmide. São os comunistas e os bloquistas que mandam. Santos Silva não passa de uma fachada, de um busto.

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publicado às 07:42

O terrorismo doméstico de Barcelos

por John Wolf, em 26.03.17

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Começo pelo caso de violência doméstica que envolveu Donald Trump. Foram parentes próximos do seu Partido Republicano que lhe deram umas valentes castanhadas. Não foram estranhos. Foram "militantes" que, em nome de outras crenças, abandonaram o "camarada" naquela hora díficil de revogação do Obamacare. Não seria interessante, em nome de Abril, da democracia e das balelas de liberdade de expressão que por aqui grassam, que uns quantos socialistas virassem o prego às intenções da Geringonça? Não seria democrático e vibrante? No entanto, temos exemplos bicudos de dissonância partidária neste país. Penso em Campelo, penso no queijo Limiano e penso no triste desfecho dessa ocorrência - nos saneamentos e exclusões. Enfim, fico-me por aqui. Acho que conseguem pintar o resto do quadro. Não preciso de acrescentar grande coisa ao estado da arte partidária em Portugal. O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português têm superado as minhas expectativas - são frouxos, fracos. Deixaram-se levar e fingem a discordância para primeira página de matutino - mais nada. Mas adiante, passemos ao berbicacho seguinte. A violência doméstica em barda, que Portugal oferece aos jornais da TVI e CMTV, prova o seguinte; quem não tem cão, caça com gato. Os americanos, que são os campeões da venda retalhista de pistolas Colt e espingardas Winchester, não são tidos nem achados nestas histórias. Em Barcelos e Ovar bastou a faca. Nem foi preciso o alguidar. Em Barcelos foi uma coisa de brio, Briote, de seu nome. Em Ovar, foi algo esmerado, foi em Esmoriz. Pelos vistos não são necessários refugiados sírios nem fundamentalistas islâmicos para dar conta do recado - decapitar, degolar. As celúlas de violência doméstica abundam em Portugal ao ponto de se poder designar o flagelo de terrorismo doméstico. Os políticos de brandos costumes e as assistentes sociais que apregoam a reintegração social dos infractores com cadastro firmado são sempre os derradeiros responsáveis - não têm culpa das bofetadas. De nada servem as desculpas dos problemas de bebida, e da miséria económica e social dos agressores, para justificar a clemência e o encosto judicial incipiente. Assistimos a uma guerra civil com contornos preocupantes. Tinham sido os socialistas, quando estavam na oposição, que apontavam o dedo ao PAF como responsável pelo descalabro moral do país. Pois bem, agora que é tudo um mar de rosas de recuperação económica, melhoria nos níveis de desemprego, défices que já dobraram a fasquia dos 2,1%, nada disto deveria acontecer -  a paz deveria ser plena e inequívoca. Contudo, o guião de instabilidade emocional continua a prevalecer. O português suave continua a ser aquela história da carochinha. O assassino, que era pacato e boa pessoa lá no café da aldeia, vai à praia dar umas passas inofensivas e depois enterra a beata no areal.

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publicado às 12:16

Nossa Senhora da Geringonça

por John Wolf, em 10.03.17

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A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a transformar-se no Titanic daqueles que exultam as virtudes da coisa pública. No entanto, o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português podem esconder-se por detrás daquela aparição - a Nossa Senhora de Geringonça. Essa sumidade política ainda vai servir para muita ilusão, mas sobretudo para descartar responsabilidades quando efectivamente for a doer. Quando a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu ou as agências de rating avançarem com as homílias penosas, elencarem os tabus e os pecados, descreverem a gula e ganância ideológicas, as vergastadas seguir-se-ão. Bem feitas as contas são mais do que sete devaneios. O mártir Domingues é apenas uma personagem do santuário bancário. No mostrador existem mais santos e pelo menos um trio de beatas. Enfrentamos sérias questões agnóstico-financeiras. Ou acreditamos na liberdade de expressão monetária ou somos levados pelo engano e pelas crenças impostas pela cartilha de um programa de ajuste de contas político, uma revanche. Porque, para todos os efeitos de guerrilha partidária, a CGD poderá ser o Judas da santa trindade governativa. A casa vendida pelo diabo por um módico agudo. Não são rosas, senhores. São 3 mil milhões de euros que ardem no inferno. E ireis pagar.

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publicado às 07:17

Wild Orange

por John Wolf, em 03.03.17

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Afigura-se-nos difícil estabelecer um template credível, um modelo operativo que revele algum teor de previsibilidade. Por algum motivo o processo eleitoral holandês tem sido tratado como um jogo de uma liga secundária de interesses. Os olhos postos em Fillon, Macron e Le Pen, a cabeça virada a Brexit, confirma o grande desarranjo europeu. A União Europeia (UE) e os seus ilustres comissários e presidentes de conselho fingem que nada se passa e que os valores nucleares da arquitectura comunitária nunca poderão ser postos em causa por lideres de nações com pouco mais de 8 milhões de habitantes. O valor de face atribuído à geringonça pela UE é semelhante àquele atribuído ao holandês Geert Wilders. Mas os políticos europeus estão equivocados. Não estamos num jogo de soma-zero, em que a saída do Reino Unido da UE se poderá colmatar com a entrada de outros. Ideologicamente, passa-se quase a mesma coisa, semelhante engano. Uma tirada à Esquerda não anula um tiro em cheio à Direita. Contudo convém levar em conta as razões politicamente invocadas. Assistimos, efectivamente, ao fim do espectro ideológico tal e qual como o conhecíamos. Assistimos à caducidade do paradigma de construção política convencional. São sobretudo subtilezas de posicionamento que não têm sido apreendidas no decurso da presente revolução em curso. Podemos confirmar um certo hibridismo volátil, no modo como os pretensos neo-lideres procuram sustentar os seus projectos fazendo uso de elementos materiais e simbólicos de todos os campos ideológicos. Trump, numa óptica analítica, foi ao rancho dos democratas aprovisionar-se das suas ferramentas e, com algum talento, converteu as suas deficiências em força. Nessa medida, e invertendo a extrapolação, a geringonça, se quiser sonhar com alguma continuidade efectiva e honrar a estabilidade vendida por Marcelo, terá, na sua expressão política, de integrar obejctivos de outros terrenos políticos e partidários - sejam adversários  ou concorrentes. No jogo de puxa e empurra, a CGD ou a saga das Offshores são apenas divisas de um conceito de representatividade e disputa de poder mais alargado. O mesmo terá de acontecer nos EUA. Trump, invariavelmente, terá de acomodar os anseios do Congresso, por forma a credibilizar a sua acção. A UE, que tem evitado a federalização do seu projecto, não tem ao seu dispor efectivos organismos de checks and balances - tem sanções e procedimentos por défice excessivo, de índole técnica e financeira, mas, na substância e no espírito do projecto europeu, existe muito pouco que pode fazer. A multiculturalidade não é apenas uma máxima que se aplica aos povos.  A UE alicerçou a sua construção na ideia de diversidade ideológica e política. O que acontecer na Holanda no dia 15 de Março produzirá o mesmo eco de sempre, a relativização da urgência dos dramas que assolam a Europa. Qualquer devaneio do mainstream, perpetrado pela Holanda, será tratado com a mesma indiferença. A laranja, por mais selvagem que seja, não interessa muito aos mercados, à economia, ao dinheiro de quem aposta no melhor retorno possível para o seu investimento. E as casas de apostas têm falhado redondamente.

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publicado às 20:46

Aeroporto Caixa Geral de Depósitos

por John Wolf, em 20.02.17

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São contas relativamente simples que fazem descambar as fantasias financeiras de Centeno. Basta o dólar americano (USD) continuar a sua tendência de valorização para os défices e afins saírem furados. O crude e seus derivados são negociados em USD, pelo que o governo de Portugal ver-se-á numa situação precária para fazer face à sua conta energética. E quem paga? O mesmo de sempre, seja qual for o esquema de baixa aqui sobe acolá dos impostos. É o mexilhão da furgoneta que tem de atestar o veículo - é esse que paga. O aumento da gasolina coincide com outras avenças políticas. Já bastava o caldo entornado da Caixa Geral de Depósitos, para agora ressuscitarem o Novo Banco para semelhante caldeirada de gestão da coisa pública ou não. O Partido Comunista Português, se mandasse mais, punha tudo na esfera pública, nesse cristal de transparência administrativa, nesse aparelho onde os pecados não se conhecem, nessas máquinas que só conhecem terminações negativas, tristes. Veja-se o belo exemplo da Venezuela, destino de experiências falhadas e teimosia ideológica - aquele país acabou. A dieta socialista não mói, mata lentamente. Mas há mais na ementa de hoje. A Grécia de Tsipras. A Grécia da austeridade assassina. A Grécia da subjugação da União Europeia. Afinal os helénicos precisam de bem menos fundos do que inicialmente apregoavam. Será que a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional também se deixaram levar pela tendência de moda do Fake News? Com tanta verdade a disparar em todas as direcções, começo a acreditar na palavra curta da geringonça. Portugal daqui a nada tem uma taxa de desemprego negativa. Os tais zeros à esquerda de que ouvimos falar quando éramos crianças ingénuas. Já agora, com tanta abundância de crânios públicos e cérebros políticos, que tal propor a fusão de tudo? A CGD, o Novo Banco e o Aeroporto Soares. Desse modo, quando estoirar tudo, rebenta de uma só vez. E poupam-se umas quantas responsabilidades e comissões de inquérito.

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publicado às 17:46

E eles insistem com os SMS!

por John Wolf, em 18.02.17

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Odeio quando contam apenas metade da história e o espectador é obrigado a preencher os buracos da narrativa. Mário Centeno parece insistir na ficção dos SMS, mas noutro domínio. O recorde Guinness do défice mais baixo das últimas quatro décadas esconde alguns factos relevantes. O mesmo é cozinhado à custa do superavit primário e não leva em conta a bengala colateral do Banco Central Europeu (BCE) que empresta o andarilho do programa de compra de títulos de tesouro. Mesmo assim a taxa de juro a 10 anos anda pelas ruas da amargura. Assim também eu bato marcas oficiais. A austeridade, traduzida em impostos e taxas do governo anterior, não foi enxotada nem de longe nem de perto. Ou seja, a geringonça deve agradecer aos que a antecederam e que foram obrigados a instituir as penalizações tributárias. Se fossem só ginjas, António Costa já tinha despachado a carga fiscal sentida por milhões de portugueses. Mas há mais. O investimento público, gerador de receitas, ou seja, os verdadeiros bens de capital, não se avistam - não se ouvem notícias de empresas a escolher Portugal como destino de investimento. A conversa do aeródromo Soares também é um erro de percepção mútua. Cria a falsa expectativa, já vivida antes, em torno de Otas e afins, e despoleta aquilo que os socialistas fazem com mestria - a especulação imobiliária dos terrenos circundantes e a concessão de favores a construtoras amigas. Existe aqui um padrão de comportamento claramente identificável. O turismo continua a servir de avalista para promessas políticas de perna curta. A dívida, que convenientemente tem sido ignorada, já ultrapassou a fasquia dos 130% do PIB, mas esse detalhe pode ser escamoteado com umas belas tricas de SMS. A geringonça deve agradecer a oposição pelo alarido em torno dos SMS, a CGD, e os actores Domingues e Centeno. Esse espectáculo encaixa bem no circo de distracções. Quando a torneira do BCE for fechada, quero ver como aguentam a tesouraria. Entretanto, temos Costa em campanha autárquica acompanhado por Marcelo Rebelo de Sousa que também terá culpas no cartório. Seria tão bom que o mundo fosse assim cor de rosa. E sem SMS desnecessários.

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publicado às 20:22

A geringonça e o SMS do Benfica

por John Wolf, em 15.02.17

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Não me vou armar em comentador de futebol. Pesco muito pouco do jogo. Para impressionar os mais distraídos, e fazer gala, declaro que fui comentador do Eurosport para disciplinas equestres. E mesmo tendo praticado hipismo durante 30 anos, e humildemente competido em Dressage, afirmo categoricamente que o que sei corresponde a uma gota no oceano. Foi pela mão de um grande comentador de Futebol, por sinal sportinguista, que fui parar ao Eurosport, de 1999 a 2004 - esse senhor chama-se Rui Tovar. Para além de ter sido um profissional absolutamente brilhante, tinha outras qualidades - era um cidadão vertical e foi um grande amigo. Feito o preâmbulo e rendida esta pequena homenagem a um genuíno jornalista, passemos ao dia seguinte ao jogo da Champions League entre o Benfica e o Borussia de Dortmund. É notável como a política imita a bola ou vice-versa. O desempenho do Benfica ontem assemelhou-se à performance da geringonça. O Benfica mentiu em campo, mas foi capaz de enviar um SMS para o fundo da baliza do adversário. A equipa não existiu nas duas metades dos campo, nem nas duas metades do encontro, mas foi capaz de fazer o balancete pender a seu favor. Tudo isto é muito parecido com a prestação do governo de António Costa que, pesem embora as deficiências estratégicas de vulto, no jogo de dissimulação parece enganar a realidade como se estivesse estado no mesmo campo de ilusões. Se formos criteriosos e objectivos, analíticos e desprovidos de paixão (ressalva: não faço parte de clubes de futebol, nem das artes e letras - dou toques a meu bel prazer e bato da bola como quiser), sabemos todos que o Benfica não se aguentará em terrenos borussianos porque depende da tômbola. Nessa medida, a geringonça é uma fotocópia desse estado de arte. Vive da impressão rápida, depende da anulação de SMS e nem sequer sabe usar o Twitter. O problema, no entanto, não se restringe à matéria em si, aos factos. Os relatadores e alegados jornalistas continuam a contribuir com doses maciças para um estado anestésico e de decepção - douram a pílula e querem que o espectador engula a ficção alternativa - Não, não tombou nenhum gigante da bola. Como disse, não percebo de futebol, mas o Benfica não foi capaz de se organizar nem de um modo defensivo nem de um modo ofensivo (o meio-campo nem sequer menciono), e ficou dependente de um guarda-redes de extremos - ora defende magistralmente, ora comete erros infantis. A soma do executivo de Pizzi ou Salvio, ou Mitroglou, as estrelas da companhia, colocou em evidência o socialismo equilibrado e eficaz do Borussia de Dortmund. Não reparei num Centeno de proa naquela equipa alemã nem vi outros delfins a dar ares da sua graça. A equipa alemã falou a verdade justa e equitativa. Teve comportamento de um bloco sem bicos sem mentiras, enquanto o Benfica foi neo-liberal e especulou. Mas não investiu. Colocou as fichas em cima da mesa e deixou-se levar pela toada de um partido organizado. É o que eu digo. Não percebo de futebóis. Deixo-me sempre descair para a política. Como um trinco.

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publicado às 15:17

Geringonça recebe medalha de Marcelo

por John Wolf, em 12.02.17

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Marcelo Rebelo de Sousa tem razão. A geringonça é um arranjo inédito. O Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português formaram governo, mas a criação teimosa de um executivo não é um objectivo político em si. Um governo que se preze não pode sobreviver à custa de validações endémicas, de justificações internas, de palmadinhas nas costas dos parceiros de ocasião. Existe muito mais para além das virtudes do narcisismo e das comendas presidenciais - a realidade. E a verdade nua e crua das limitações económicas e dos entraves financeiros não pode ser dissimulada por malabarismos de balancete. Portugal não padece de extremismos de Esquerda ou Direita que parecem retratar a Europa maior, por isso a geringonça nem sequer é salvadora ideológica - não pode invocar esse estatuto. Este governo é um esquema aritmético, um tabuleiro de somas parlamentares e pouco mais. Pensar-se-ia que o presidente da república fosse uma velha raposa política, sábia e experiente. Mas deste modo castelhano levanta sérias dúvidas sobre o seu sentido de Estado. Portugal não está tão distante da Grécia quanto possa parecer. Quando o país económico for esmurrado pelo declínio de investimento público, como modo de conter os deslizes orçamentais para cumprir os preceitos da Comissão Europeia, já será tarde demais. Quando olho para a geringonça e o marketeer Marcelo não sinto a reviravolta do país. Deparo-me com actores posicionados para preservar intactos os princípios da continuidade. A ruptura, que seria encabeçada por uma efectiva reforma estrutural, nunca acontecerá. Se abanarem as fundações do aparelho de um regime, onde encaixam os partidos deste acerto de ocasião, vão todos de carrinho. Como uma cenoura pendurada à frente do chanfro do burro, a descentralização serve apenas para incitar a passada mais larga. Mas o asno anda à volta da nora. E não sai do mesmo lugar.

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publicado às 20:05

Que nome dar a meia-dúzia de ministros?

por John Wolf, em 08.02.17

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Não existe alguém que acabe de vez com as mentiras sobre a recuperação económica, os excelentes indicadores financeiros e os ainda melhores números respeitantes ao desemprego? O governo de Portugal parece ser a sua própria máquina de propaganda. Não precisa da CNN ou da Reuters. E ainda menos das agências de Ratoing. Mas os números não enganam. Não há nada a fazer. Aqui, ou na Grécia, já que estamos com a mão na massa, a realidade alternativa não é opção. As reformas estruturais iniciadas pelo governo anterior foram sujeitas a medidas de coacção. Não podem sair de casa. Deixaram de ter continuidade. Foram mesmo invertidas. O engrossar do número de funcionários públicos, sob o capote do mito das carreiras, da precariedade e das reformas, irá conduzir Portugal para um descampado de insustentabilidade bem conhecido. Tal como Tsipras, quando a conversa não agrada, a culpa é sempre dos outros. Os gregos dizem não ao FMI, e Centeno diz não à OCDE. Os outros estão sempre enganados. Mas os números não mentem. No longo prazo o cenário é dantesco. Portugal paga o dobro dos juros que pagava em Junho de 2016 no que diz respeito ao intervalo dos 7 anos, ou seja, precisamente o espaço temporal de exercício de poder de uma geringonça a dois mandatos - se o país deixar esse estado de arte acontecer. Por outras palavras, a magistratura financeira deste arranjo de governo já está inquinada no curto e no médio prazo. Dizem que vem aí o dobro ou triplo do número de turistas no verão que se avizinha, e que esses forasteiros irão salvar Portugal. Em suma, não vale a pena fazer a destrinça. Seja o BCE a pagar ou o turista ocidental, as receitas geradas resultam de uma noção excêntrica. E Portugal parece estar sempre arrestado nessa prisão de dependência e vulnerabilidade. Enquanto não houver meia-dúzia de ministros que entenderem isto, mais vale serem enxovalhados numa primeira fila de uma sala de aulas da OCDE.

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publicado às 15:27

Imprecações e canonizações.

por Nuno Resende, em 07.02.17

Ainda bem que deixei o Facebook antes da era Trump. Foram nove anos desperdiçados, mas não é grave se pensarmos que o mandato do novo presidente dos EUA transformou aquela plataforma numa ainda pior expressão do cinismo humano.
Nestes nove anos não me lembro de uma campanha tão enjoativa de prós e contras, com opiniões, vídeos humorísticos e promessas de imolação. O homem é feio, ignorante, um troglodita e um agiota sem escrúpulos, mas isso é a característica do político norte-americano comum. Ou acham que eles fizeram a América com bolo e cházinho?
Há aqui, claro, o factor comunicação social. Nunca os media se sentiram tão pouco confortáveis com a figura. O 4.º poder deixou de poder e isso é que é grave - muito mais que o atropelo dos direitos humanos, se pensarmos bem.
Mas se formos a ver ignorantes e imbecis eram já os Bushs. Feio e claramente pouco ético foi Clinton e se recuarmos no passado, poucas são as virtudes que encontramos nos mandantes da América. Devo recordar, aliás, que as bombas atómicas lançadas sobre Nagasaki e Hiroshima foram-no com o assentimento de um presidente norte-americano.
Enfim, a era do imediato, exige que se eleja e destitue um presidente no menor período de tempo. Não há tempo a perder. Nesse aspecto, devo admitir, o sistema republicano é muito útil, pois satisfaz as necessidades básicas da fisiologia humana. Se comemos, temos necessariamente que evacuar. E quanto a isso, a democracia não pode esperar.
Nós por cá não temos necessidade de destituir o presidente da república. Todo ele é doçura, é candura, é disponibilidade. Já não são só afectos, são horas de voluntariado, de apoio e de serviço aos pobres e carenciados. Nas redes sociais não se fala de outra coisa. Donas de casa querem beijá-lo, velhinhos ardem em desejo por um abraço, adolescentes anseiam por tirar selfies com ele. No entretanto, Marcelo lê, escreve e fala, fala muito. Cura leprosos, ressuscita mortos e anima a Geringonça.
No meio disto tudo, nem é o enjoo da colagem a um Sousa Martins, ou o vestir da farda de um Presidente-Rei.
É que, ao contrário de Trump, que quer fazer a América grande «outra vez», o senhor professor Doutor Marcelo, quer procurar o melhor no Portugal pequenito, recuperando aquela ideia salazarista de pobres, mas alegres.
São os dois rídículos, mas cada um à escala do seu país.

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publicado às 11:51

Centenos alternativos

por John Wolf, em 06.02.17

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Os números apresentados pela OCDE são Centenos alternativos. Não passa tudo de notícias-faquir (tradução livre de fake news). São apenas mentirosos-populistas que andam a inventar estas balelas. O investimento em Portugal é o maior dos últimos dois séculos e as reformas estruturais são hiper-estruturais. E a banca não vai custar nada aos contribuintes. Vai ser de borla, grátis. Agora toca a beber o leitinho. Xixi, cama.

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publicado às 18:15

Penpal de Portugal

por John Wolf, em 05.02.17

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Portugal é um país de águas de bacalhau. Mas esse estado de alma acarreta consequências. Determina um anda e desanda, um dois passos avante e três à retaguarda. Assim tem sido e desse modo prosseguirá. Sobe uma força partidária ao poder, e logo desfaz à pancada o realizado pelo anterior. E assim sucessivamente e alternadamente. Por outras palavras, o Portugal político é uma imensa bancada central. E, embora possa parecer uma solução consensual e benigna, a verdade é que penaliza a possibilidade de um choque sistémico. A geringonça, no entanto, trai esse conceito mas não adianta grande coisa ao integrar no mesmo embutido um espectro alargado que se anula, que se descaracteriza. Ao diluirem o valor ideológico e a estância de princípios em nome da manutenção do poder, acabam por plantar no seu seio a toupeira do descalabro. O Partido Socialista ao querer ser tudo, é, ao mesmo tempo, comunista, neo-liberal, progressista e populista - mas cada vez mais menos socialista. O governo assume, sem margem para dúvida, um contrato a termo com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, embora não o admita, e ao invés do que dizem no PS, os socialistas terão de levar em conta a Direita, senão numa perspectiva doméstica, ao que tudo indica, no plano europeu. A grande questão que se coloca diz respeito ao seguinte: se Marine Le Pen for chamada ao Eliséu, acabou a União Europeia, não tenham dúvidas. A não ser que governos híbridos queiram replicar as suas condições de governabilidade e negoceiem cedências oportunas. Os alegados comentadores políticos e os sucedâneos de jornalistas tardam em perceber que estamos na presença de uma revolução sistémica, à la Kuhn. O modelo organizacional e político que estruturou o Ocidente nas últimas décadas, caminha, a passos largos, para um fim feio, caótico. Não foi um actor político externo a determinar o curso dos eventos  que se encontra em dinâmica crescente. Foram as complicações endémicas do projecto económico e social que falharam. Referem todos a grande paz europeia resultante do carvão e do aço, mas a que preço e com que consequências? Portugal, que não conhece a experiência dos extremos, pode ceder à tentação de negociar geringonças à escala europeia, contribuindo ainda mais para uma cisão irreversível. Quero ver se as políticas da amiga Marine também serão chumbadas na Assembleia da República ou se ela será uma Penpal. Se reprovam Trump, devem admoestar aqui e agora a congénere francesa.

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publicado às 19:26

quatro ponto dois dois sete de oxigénio

por John Wolf, em 11.01.17

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Uma emissão de dívida a 10 anos acima dos 4% nunca pode ser considerada um sucesso - "ter corrido bem". Por que razão deveríamos confiar em analistas e corretores de bolsa? Esses profissionais vivem da volatilidade, respiram especulação e irradiam a ideia de atalho económico - dinheiro fácil. Não são estes os médicos que devem ser consultados. Aliás, nem sequer são médicos. Tentam, a todo o custo, com SIVs (special investment vehicles) e outras receitas, alavancar ganhos e ignorar perdas. Os seus clientes são na maior parte dos casos uns borra-botas com ambições de Gordon Gekko, mas que não passam de tristes com carteiras compostas por títulos nacionais que "dizem conhecer melhor" e que por essa razão parva "confiam mais". No entanto, a concorrência do mercado de títulos de dívida é feroz. Não vejo porque razão um investidor no seu perfeito juízo arriscaria emprestar dinheiro à geringonça. Existem destinos de investimento mais sensatos, mais conservadores e mais rentáveis. E falo da Europa. Com tanta coisa boa ao dispor do freguês na mercearia, por que raio iria eu comprar títulos de DÍVIDA portuguesa? Prefiro olhar para titulos de CRESCIMENTO de pequenas, médias ou grandes empresas. Só um louco - como o Banco Central Europeu -, é que compra batatas podres. Mas cada um sabe de si, mesmo que aqueles que vos governam não tenham a mínima ideia do que andam a fazer. Chamem-lhe oxigénio, chamem. Génios.

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publicado às 19:03

Geringonça exibe filme de 2011

por John Wolf, em 04.01.17

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É impressão minha? Ou já vimos este filme antes? Começam a nascer por todo o lado os mesmos sintomas que conduziram ao dramático descalabro do glorioso mandato socratino. Basta ligar a caixa que mudou o mundo, e mesmo que apenas se colem aos canais do regime, já não passa em branco a azáfama e o caos do Serviço Nacional de Saúde - nada parece funcionar. Depois, um pouco em segundo plano, como se nada fosse, as taxas de juro da dívida que têm regressado ao olimpo da ruptura iminente, têm sido abafadas pela novela quixotesca que opõe Domingues ao governo da Caixa Geral de Depósitos. Mas como cereja em cima do bolo-podre de consternações, desprovido de má-lingua propagandista, lá aparece o raio dos números das pensões mais baixas, das gasolinas mais caras ou do IUC mais a doer. No entanto, estes ingredientes dizem respeito ao quintal cá de casa. Enquanto tiram teimas de geringonça, o Banco Central Europeu (BCE) prepara uma canelada que far-se-á sentir em Abril, mês dos cravas. O BCE iniciará então a redução do seu programa de compra de títulos de dívida de países em apuros da Zona Euro. Passará de 80 mil milhões de euros mensais para 60 mil milhões, pelo que Portugal sentirá efectivamente os efeitos da referida redução. Não sei que bode-expiatório têm programado para chocalhar as hostes, mas prevejo "medidas excepcionais" e "justificações governativas" para o reforço e ampliação do conceito de austeridade, que aliás, em abono da verdade, não se foi com o estalar de dedos demagógicos da geringonça. Entretanto, como as más crónicas superarão as favoráveis, Costa deve seguir o modelo turco com ainda mais afinidade e rigor, e realizar a purga de vozes dissonantes dos meios de comunicação social. Quanto aos bloggers chatos, como eu, mandar-nos calar é mais difícil.

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publicado às 20:52

A velha-bloquista do Restelo

por John Wolf, em 03.01.17

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O governo de sua geringonça está metido num berbicacho. O BE e o PCP não apoiam as parcerias público-privado (PPP) do sector hospitalar. O Hospital de Braga que acaba de ganhar o pódio dos prestadores de serviços de saúde, é, como todos sabemos, uma entidade gerida pelo Grupo José de Mello através de concessão pública. A operação contratualizada, mais do que bem sucedida, permitiu uma economia de escala na ordem dos 40 milhões de euros anuais, sem comprometer a grande qualidade dos tratamentos concedidos aos utentes do serviço nacional de saúde.  Mas a ideologia é uma coisa tramada, e a Catarina Martins não desarma à luz das evidências de eficiência administrativa. A bloquista, com a mesma cara de fado que se lhe conhece, afirma que tudo fará para impedir novas e futuras PPP. Não é preciso ser teimosa como a mula para perceber que a mula está enganada. São bloqueios mentais de governantes deste calibre que comprometem nações inteiras. Mas permitam-me um disclaimer elogioso - Portugal tem dos melhores serviços nacionais de saúde do mundo, e o mesmo se pode dizer em relação ao sector privado. O problema não reside nas competências individuais, no saber, na capacidade de gestão, na ciência ou na inovação. O desafio é de outra natureza. O problema resume-se a uma patologia crónica de difícil trato - os lideres eleitos democraticamente, ou arrastados para geringonçais, deixam muito a desejar. E isso é bem pior do que ser uma mera velha do Restelo.

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publicado às 20:09

O sucesso da Segurança Social

por John Wolf, em 02.01.17

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Imaginem por uns instantes que eram a Catarina Martins. Não estariam a bradar aos céus e a invocar a violação da confidencialidade e o sigilo dos cidadãos? Não entendo como a Segurança Social (SS) possa publicar a lista de devedores e na mesma toada anunciar o seu fracasso na captação das ditas - ou seja, as dívidas à SS efectivamente aumentam. A disseminação do nome de indivíduos e entidades devedores não parece ter surtido efeito dissuasor. Aquela lista afixada, para quem quiser saber, apenas normalizou os processos comportamentais negativos. Reintegra na sociedade portuguesa prevaricadores firmados na praça. Ou seja, se aparece o nome de fulano, então não é assim tão mau que apareça o nome de sicrano. Faria sentido, na base bilateral e exclusiva, ter acesso a essa informação. O fumo denso da geometria variável das dívidas à segurança social serve para camuflar crimes de colarinho branco. Onde está a lista de delinquentes bancários? Onde está a lista de fornecedores que ficaram a arder com o cliente que deu à sola? Esta lista da SS não tem efeito prático algum. Se vasculharmos com algum cuidado na extensa lista lá encontraremos um nome amigo e de certeza um outro governante histórico. Mas ninguém vai de cana ao contrário do que acontece em democracias mais reforçadas.

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publicado às 16:30






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