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Mário Soares (1924-2017)

por Samuel de Paiva Pires, em 08.01.17

mário soares.jpg

Miguel Esteves Cardoso:

Perdemos uma grande pessoa. Mas aquilo que nos deixou — que só temos de não desperdiçar — é muitíssimo maior. E essa é a grandeza que Mário Soares teve: deixar-nos tudo. Nunca mais haverá um Mário Soares. Mas nunca ninguém nos deixou uma grandeza maior.

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publicado às 00:13

Do melhor regime que já experimentámos

por Samuel de Paiva Pires, em 26.04.14

Como alguém que ainda não era nascido em 25 de Abril de 1974, causa-me um certo tédio assistir às recorrentes e estafadas tiradas das barricadas que competem para sacralizar os seus heróis do período revolucionário e rebaixar os heróis da barricada adversária. Claro que se compreende, já que, não só o 25 de Abril é o elemento fundacional do regime como, ainda que de diversas formas e com experiências e influências diferentes, o período revolucionário terá constituído, como se diz em estrangeiro, a principal formative experience de boa parte da população, especialmente das gerações que estão ou já estiveram no poder. Não deixa, todavia, de ser aborrecido, mas sempre é um aborrecimento de barriga cheia, bem confortável, que abona em favor do regime democrático. É que se vivêssemos nas décadas de 1820, 1830 ou 1910, as coisas seriam bem diferentes. Transitámos e consolidámos a democracia, como se diz na literatura da politologia norte-americana. Institucionalizámos o conflito, à maneira de Raymond Aron. Mas, continuando a utilizar o jargão politológico contemporâneo, já vai sendo tempo de melhorar a qualidade da democracia. "Porque, o que estava antes, e o que nos ameaça sempre, é o despotismo, conforme a clássica definição de Montesquieu (...)." 

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publicado às 17:18

Finis Patriae

por João Pinto Bastos, em 02.12.13

 Aclamação de D. João IV, Veloso Salgado

 

Dia 1 de Dezembro do ano de 2013, um dia que ficará indelevelmente marcado com o ferrete da ignomínia, pois foi nesta precisa data que, pela primeira vez na história da querelante III República, um dos feriados mais relevantes da nossa pátria deixou, aviltantemente, de ser celebrado. Os adjectivos são poucos para descrever com exactidão a crueldade infligida às gentes portuguesas pela ignorância excruciante de uma elite rancorosa e desmemoriada. Dói ainda mais saber que o fim desta celebração foi chancelado por um Governo composto, dizem muitos, pela direita saudosista dos tempos da outra senhora. No fundo, o que ontem sucedeu representa, pelo menos para aqueles que amam, sincera e denodadamente, Portugal, a confirmação oficial de que a memória histórica da Nação foi, em definitivo, esventrada. Foi esse, em grande medida, o desiderato de sempre do jacobinismo republicano. 100 anos de aventureirismos atrabiliários na política e na cultura tiveram, e teriam forçosamente de ter, como desenlace a corrosão insidiosa da comunidade e a ruína dolorosa do memorialismo respeitante aos feitos mais notáveis da grei portuguesa. Hoje, para o grosso do povo português, o 1 de Dezembro de 1640 é uma data como outra qualquer num país que, colectivamente, só enxerga a mísera brutalidade do presente, encarando a lembrança dos apertos pretéritos como um espectáculo entediante e descartável. São poucos, demasiado poucos, os que resistem ao rolo compressor do presentismo desmemoriado, mas, parafraseando Pessoa, tudo vale a pena se o amor à pátria não é pequeno. E, afortunadamente, ainda há quem ame o espírito do Portugal antigo, e deseje, fidelissimamente, recobrar a essência da alma portuguesa. Num futuro que não promete ser radioso, esse resquício  de bom senso é e será, em todo o tempo, uma bênção.

 

Publicado aqui.

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publicado às 23:34

Será que cheira a fim de regime?

por Samuel de Paiva Pires, em 11.07.13

Miguel Castelo-Branco, A ruína chegou à ruína

 

«Nunca teve forma. Foi sempre negação. Hoje, pela noitinha, a ruína soçobrou. Perante o abismo, sem presente nem futuro, há que pensar o país sem o regime. Há quem persista, teimosa e cegamente, em aplicar receitas que nos trouxeram ao colapso. Portugal precisa de um novo regime, de uma nova constituição e de novos governantes. Que o regime o compreenda e saia com aquele mínimo de dignidade que o interesse nacional exige.»

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publicado às 14:01

O manicómio em autogestão

por João Quaresma, em 06.04.13

As últimas duas semanas já deixavam antever o desfecho da questão do Orçamento de Estado, tão profícuas que foram em atitudes mais ou menos ensandecidas.

De José Sócrates a culpar Cavaco Silva pelo fim do seu governo, a Miguel Relvas a confiar que a História lhe dará razão, de António José Seguro a dizer que quer ser governo e que «há um Abril a nascer» (sugiro que comece por renacionalizar o Banco Espírito Santo; é só uma ideia), ao Ministro que deveria ser dos Negócios Estrangeiros a anunciar contratos de carne de porco e de galinha no Japão (já agora, por que não uns computadores Magalhães?), do Parlamento de um país falido a brincar às moções de censura, a uma coligação de patrões e sindicalistas a pedirem um aumento do Salário Mínimo financiado pelo Estado, podemos concluir que o manicómio em autogestão está bem e recomenda-se. O problema é quando a abstração da realidade, o culto da irresponsabilidade, a negação do mais elementar bom senso atingem o orçamento do manicómio, mesmo que seja em cumprimento dos estatutos da dita instituição - nada mais coerente. O que está em causa é o que, melhor ou pior, torna toda essa loucura possível e sem o qual se dá um dolorosíssimo regresso ao mundo real.

Eu quero acreditar que ainda haverá um esforço de bom senso, onde ele se puder encontrar, e que não chegámos ao fim da linha. É que se não houver, o resultado final será abundante e sobrará para todos, quando it hits the fan.

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publicado às 00:02

A Constituição da III República em boa companhia

por João Quaresma, em 03.04.13

Lista dos países (comunistas e não-comunistas) em que o Socialismo está inscrito nas respectivas constituições:

- República Popular do Bangladesh

- República Popular da China

- República Popular Democrática da Coreia (do Norte)

- República de Cuba

- República Cooperativa da Guiana

- República da Índia

- República Democrática Popular do Laos

- República Portuguesa

- República Democrática Socialista do Sri Lanka

- República Unida da Tanzânia

- República Socialista do Vietname.

Fonte: Wikipedia - List of Socialist Countries

 

E é assim 39 anos depois do 25 de Abril, 38 depois do 25 de Novembro, 31 depois da revisão constitucional de 1982, 27 depois da adesão à CEE, 20 depois da criação da União Europeia, 11 depois da entrada em vigor do Euro.

E depois a culpa é da Troika e da Merkel.

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publicado às 13:45

III República

por Samuel de Paiva Pires, em 28.03.13

Se alguém, inspirando-se nos clássicos Portugal Contemporâneo de Oliveira Martins ou As Farpas de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, pretendesse discorrer em livro acerca da nossa ditosa pátria sob este regime, faria bem em dar-lhe um título que resumisse desde logo o conteúdo: No country for serious men, por exemplo.

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publicado às 18:10

Manifestações, direitos, e bandeiradas

por João Pinto Bastos, em 04.03.13

Com ou sem estribilhos estafados, o que se passou na última semana foi a enésima confirmação de que as esquerdas lusas são um caso clinicamente perdido.

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publicado às 13:49

Indicando a porta de saída

por João Quaresma, em 14.12.12

Segunda: «O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, defendeu hoje, em Bruxelas, uma política industrial europeia mais "amiga do investimento", defendendo que a reciprocidade é a palavra-chave, e critica o "fundamentalismo" de algumas regras ambientais.»

Quinta: «Assunção Cristas desautoriza Álvaro. Ministro tinha criticado regras ambientais "fundamentalistas" que prejudicam a economia. Colega centrista do Governo responde que não podemos voltar ao século XIX e elogia ambição europeia.»

 

Quinta: «O último foi há 45 anos. Portugal vai ter um plano de fomento industrial. Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, garante que vai estar pronto em Fevereiro e será acompanhado por um comité de sábios»

Quinta: «Número 2 do PSD arrasa estratégia industrial do ministro da Economia»

 

Isto é a política em Portugal. Um professor universitário de Economia é desautorizado no exercício de funções de ministro por dois imprestáveis expelidos pelas máquinas partidárias. E como se não bastasse:

 

Sexta: «Passos Coelho: Descida do IRC só pode ser temporária. A descida do IRC que o Governo está a negociar com Bruxelas, que pretende reduzir a referida taxa bruta de imposto dos cerca de 25% atuais para 10% e apenas para os novos investimentos, só pode, afinal, ser temporária, esclareceu hoje o primeiro-ministro.»

 

Os independentes, os descomprometidos com os poderes e hábitos instalados, os competentes para as funções e todos aqueles que fazem o que está ao seu alcance para servir o interesse nacional são intrusos, são persona non grata. Mesmo que tenham sido convidados. São gente que não interessa e que incomoda o regime.

Isto não tem emenda.

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publicado às 21:00

Noite sem lua

por João Pinto Bastos, em 03.12.12

Noite de Abril

 

Hoje, noite de Abril, sem lua,
A minha rua
É outra rua.

Talvez por ser mais que nenhuma escura
E bailar o vento leste
A noite de hoje veste
As coisas conhecidas de aventura.

Uma rua nova destruiu a rua do costume.
Como se sempre nela houvesse este perfume
De vento leste e Primavera,
A sombra dos muros espera
Alguém que ela conhece.

E às vezes, o silêncio estremece
Como se fosse a hora de passar alguém
Que só hoje não vem.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Poesia, 1944"

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publicado às 01:38

Pelo saneamento básico nacional

por Samuel de Paiva Pires, em 14.10.12

 (imagem daqui)

 

Portugal está podre. E está podre não só pela acção dos carrascos da nossa autonomia nacional, como pela omissão de todos os restantes. Em especial, de todos aqueles envolvidos na academia e na política, pilares fundamentais de qualquer democracia saudável. Já nem falo da qualidade do sistema de ensino. Refiro-me apenas à generalidade dos indivíduos que em maior ou menor grau controlam verdadeiramente estes dois círculos. Há académicos e políticos "bons", isto é, que independentemente do seu trabalho, são genuinamente boas pessoas, íntegras e honestas? Há, mas geralmente não são actores relevantes no controlo dos respectivos sistemas em que actuam. Os que verdadeiramente controlam, na sua generalidade são medíocres e mal formados. Portugal transformou-se num imenso esgoto onde a putrefacção tornou o ambiente irrespirável. Mas isto aconteceu não só pela acção destes ignóbeis indivíduos, mas também pela omissão dos restantes, e por estes compactuarem, ou melhor, compactuarmos, com aquilo que muitos de nós sabem que acontece, que é injusto, que é errado, mas contra o qual ninguém diz nem faz nada - sabendo-se que quem por aí envereda normalmente acaba em maus lençóis. E porque compactuámos e compactuamos com estas coisas, era apenas lógico que se tornassem dominantes e normais na sociedade portuguesa. Perdeu-se completamente o sentido de justiça em Portugal. O país é um enorme esgoto de corrupção, que começa no Governo e na Assembleia da República, qualquer Governo e qualquer Assembleia da República, e perpassa todo o aparelho estatal, o funcionalismo público, as autarquias e as universidades. A democracia portuguesa não se vai reformar, não só porque aos controladores do regime não interessa que se reforme, mas também porque nem sob protectorado, em estado de necessidade, se conseguiu reformar, já que o memorando de entendimento com a troika não tem sido cumprido no que à reforma do estado diz respeito. A III República já morreu, mas o seu óbito ainda não foi declarado. O regime vai implodir, mais cedo ou mais tarde. A quem eventualmente leia isto, digo apenas que não só não estou em Portugal, como provavelmente não estarei quando o regime implodir. Mas quando isto acontecer, se os portugueses e portuguesas, homens e mulheres livres e de boa fé, quiserem regenerar Portugal através de um regime assente nos princípios da liberdade e da justiça, que não compactue com aquilo que apodreceu a III República, contem comigo, naquilo que possa ser a minha parca contribuição para um futuro mais digno para todos os portugueses que aquele que actualmente enfrentamos. Tenham bem presente apenas isto: não se conseguirá empreender tal projecto se os senhores feudais que controlam actualmente o país forem mantidos no poder, nas estruturas que já referi. Sem um saneamento básico nacional, esta empresa estará falhada à partida.

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publicado às 00:15

Um 5 de Outubro crepuscular (2)

por João Pinto Bastos, em 06.10.12

A III República portuguesa faz recordar, nos pecadilhos e desacertos, a III República francesa. Corrupção, nepotismo, cleptocracia, e fisiologismo desenfreado são algumas das similitudes existentes entre estes dois regimes, ressalvadas, claro está, as devidas diferenças. A III República francesa, não obstante ter tido uma longa duração (1871-1939), foi um regime caracterizado pelo escândalo permanente. O affaire Dreyfus, a venda de condecorações e cargos, as inumeráveis falências bancárias, e as negociatas em torno do Canal do Panamá são alguns dos exemplos mais salientes da pusilanimidade de um regime que nasceu torto, e torto morreu. A III República portuguesa, por seu turno, tem sido, em parte, um sucedâneo pouco recomendável do amoralismo gizado por personagens como Thiers ou Gambetta. A economia do argentarismo, a demagogia partidocrática, e a instabilidade crónica são, e continuarão a ser, os sinais distintivos de um regime progressivamente falho de legitimidade. Para o paralelismo ser completo apenas falta saber se, neste Portugal à deriva, surgirá um Boulanger capaz de burlar o povoléu. Em tempos de crise, os populismos tendem inevitavelmente a florescer, pelo que a emergência de caudilhismos aventureiristas não seria de todo surpreendente.

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publicado às 00:48

Perfeito!

por Nuno Castelo-Branco, em 15.12.11

Estamos a voltar aquilo em que outrora se transformou o Parlamento da Monarquia. Mercê das chocarreiradas e ordinarices do defunto Partido Republicano, o areópago foi caindo na mais chã vulgaridade e entre trocas de mimos em forma de punhaladas verbais, preparou-se a queda do sistema vigente.

 

É bem certo que tanto no S. Bento da Monarquia, como no S. Bento da III - e esperemos que última fraude - República, ainda não se viram cenas de pugilato e ameaças de mão armada. Andam apenas a brincar à roleta russa, mas nem é caso para tanto, pois a opinião pública já fez o seu juízo.

 

Uma tristeza, esta gente nada aprendeu e para não variar, quem pagará a factura seremos nós, a base da pirâmide. 

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publicado às 20:58

O Eixo do Arrastão

por Nuno Castelo-Branco, em 27.03.11

Na semana em que o regime PS/PSD definitivamente reconheceu de facto a perda da soberania, o Eixo do Mal foi esta noite hegemonizado por Daniel Oliveira. Diga-se que pelas melhores razões. É impossível não concordarmos com aquilo que dele escutámos ao longo do programa. Curioso será verificarmos o regresso da esquerda ao nacionalismo, o facho que outrora acendeu e transportou. Definitivamente, este é um novo tempo. O tempo em que sem o saber, o regime da III República já morreu.

 

Entretanto, leiam este surpreendente texto

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publicado às 00:53

Um dia, após a queda da III República, rezará a História (com especial recurso a muitos arquivos documentais do Largo do Rato e da São Caetano) que nesta, pelo menos dois partidos - PS e PSD, são as realidades que conheço - condicionavam os seus universos eleitorais internos através do controlo da vida dos militantes e de jogadas de secretaria como o pagamento de quotas de determinados militantes, tendo em vista a votação destes em certos candidatos em vários actos eleitorais internos. Com que dinheiros e de que forma, será matéria para a PJ, que enquanto este regime vigorar, nunca será investigada. Qualquer politólogo ou aspirante a tal, em especial os que lidam com estas matérias na sua vida profissional, sabem bem que é assim e como esta forma de agir prejudica a democraticidade interna dos partidos, contribuindo em larga escala para a falta de coesão e para afastar muitos militantes. Esta reportagem da Sábado, não traz nada de novo:

 

 

Na federação socialista de Coimbra, que o candidato Mário Ruivo ganhou por dois votos em Outubro, houve dezenas de quotas de militantes pagas duas vezes. Um deles denuncia a situação à SÁBADO em vídeo e mostra os documentos. Mais de 700 talões de quotas foram pagas massivamente por cheque (não pelos militantes) no Largo do Rato, em Lisboa, na véspera da eleição. Para cobrir estas quotas seriam necessários mais de 50 mil euros. Os comprovativos do pagamento foram distribuídas aos militantes com uma recomendação: votar em Mário Ruivo.


Foi o que aconteceu a Luís Rodrigues, que vive em Lagares da Beira, uma freguesia de Oliveira do Hospital, é militante do Partido Socialista desde 2000 e estava com as quotas em atraso desde 2002. Devia €90. No dia 8 de Outubro de 2010 às 17h46 foi ao Multibanco e pagou a quota. Guardou o talão para poder votar no dia seguinte nas eleições para a Federação Distrital de Coimbra. Os concorrentes eram Vítor Baptista (deputado e presidente da federação)e Mário Ruivo (director da Segurança Social de Coimbra). Nesse dia, foi abordado por um militante do PS que lhe levou um talão com um carimbo da sede nacional a dizer que as suas quotas tinham sido pagas. (ver vídeo).


“Cheguei a casa e foi uma pessoa ter comigo entregar-me um papelinho para eu ir votar, porque tinha as quotas pagas.” E disse: “Vais votar no sr. Mário Ruivo.” Em Lagares da Beira circularam mais talões daqueles. “Houve aqui muita gente que recebeu um papelinho igual, com a mesma indicação de voto”, acusa Luís Rodrigues. Mais: se os estatutos fossem cumpridos, este militante nem estaria nos cadernos eleitorais por dever quotas há mais de dois anos.


A candidatura derrotada fez as contas e apurou que seriam precisos mais de 50 mil euros para saldar as dívidas dos militantes que receberam os talões, pois a maioria tinha anos de quotas em atraso, como era o caso de Luís Rodrigues.


O caso configura um pagamento massivo de quotas aparentemente com a concordância de André Figueiredo, Secretário Nacional adjunto para a Organização do PS, ou seja, o homem que manda no aparelho socialista – e é chefe de gabinete de José Sócrates na sede nacional. É Figueiredo que gere o partido do ponto de vista administrativo, com poderes para autorizar a emissão dos talões de quotas distribuídos em Coimbra.


A SÁBADO questionou André Figueiredo sobre o valor do cheque (ou cheques) que entrou na sede nacional e o nome de quem o assinou. O dirigente do PS não respondeu às perguntas. Enviou uma declaração por email, a dizer que “todo o processo eleitoral relativamente à eleição dos órgãos das Estruturas Federativas do PS, decorreu com toda a regularidade: todas as reclamações e protestos existentes foram definitivamente apreciados e decididos pelas instâncias competentes, nomeadamente, alguns pela Comissão Nacional de Jurisdição e pelo Tribunal Constitucional, tendo encerrado todo o processo eleitoral com a tomada de posse de todos os órgãos eleitos democraticamente”.


Este ano há mais disputa nas eleições internas porque os socialistas se preparam para um ano em que pode haver eleições antecipadas – e as federações têm influência nas listas para deputados. Também haverá um congresso nacional no início de 2011 e já se começam a posicionar as peças para a eventual sucessão a José Sócrates.

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publicado às 21:33

Socialistas, escolham: bloco central, FMI ou o regime

por Samuel de Paiva Pires, em 09.11.10

 

Este é, sem dúvida, o regime que se bloqueou a ele próprio. Já aqui escrevi sobre a caminhada para a servidão que efectuámos ao longo dos últimos 36 anos. Nos últimos meses, temos vindo a assistir a diversas atitudes que bloquearam o regime, tornando o país seu refém. Escrevi, também recentemente, um texto badalado, sobre como nos tornámos medricas. Não apenas a sociedade, os cidadãos comuns em geral, mas os próprios políticos.

 

Em traços gerais, neste momento o país está refém de umas eleições presidenciais, das quais o actual residente de Belém sairá, com certeza, vencedor. O mesmo que, nos últimos meses, não teve coragem para terminar a desastrosa governação "Socratista" e tomar as rédeas do país - o eleitoralismo falou mais alto, disfarçado sobre a fachada do PR "moderador", a fazer lembrar o "viver habitualmente" de outros tempos. Junte-se a Cavaco, o principal protagonista da última oportunidade que houve para tal: o chumbo ao Orçamento. Neste plano, aqui escrevi em carta aberta a Pedro Passos Coelho aquilo que considerei que tinha de ser feito pelo país.

 

Escrevi, nesta carta, que um dos valores que está na base do funcionamento dos mercados é o da credibilidade. Independentemente do Orçamento Geral do Estado aprovado (e aquele que o foi é, sem dúvida, muito mau, destinando-se apenas a protelar uma situação insustentável), os credores, que são muito mais racionais que a esmagadora maioria dos portugueses, justificadamente não têm qualquer confiança em José Sócrates. O Primeiro-Ministro não tem qualquer credibilidade, e num sistema político fechado sobre si próprio, bloqueado, constitui-se como o principal problema, e não como uma solução. Por isto mesmo, chegámos a uma triste situação em que  a intervenção do FMI parece ser uma das poucas soluções. Não é que não tenhamos indivíduos à altura para resolver os nossos problemas. Mas estão praticamente arredados dos centros de decisão, estando o próprio sistema numa espiral de degenerescência acentuada, num ambiente, como há uns meses escreveu o Professor José Adelino Maltez, "propício ao neofeudalismo da cunha e do clientelismo, marcado pelo concentracionarismo que é rolo tão unidimensionalizador no capitalismo quanto o era no sovietismo, quando vem de cima para baixo".

 

O que se tem passado nos últimos dias, é prova disto mesmo e de como as tentativas socialistas de compreender ou domar os mercados não passam de mero wishful thinking, especialmente confrangedor e humilhante para o país quando verbalizado pelo seu principal (ir)responsável, José Sócrates ou companheiros de viagem dentro e fora do Parlamento, bastante apegados aos seus lugares que a alternância tem garantido.


Por isto mesmo, triste e infelizmente, chegámos a uma situação em que me parece que apenas uma intervenção externa pode viabilizar economicamente o país, provocando profundas reformas estruturais num sentido liberal, que nos permitam ter um modelo de desenvolvimento sustentável. Essa mesma intervenção acabará, posteriormente, por credibilizar o país externamente.

 

Contudo, nesta carta, escrevi também o seguinte: Porém, especulemos que o OE é aprovado e as medidas anunciadas são tomadas. Continuaremos numa senda despesista, financiando o nosso défice com empréstimos a juros elevadíssimos, e não teremos quaisquer alterações de natureza estrutural no aparelho do Estado - dou de bandeja que, obviamente, não é num só Orçamento que se vai fazer o trabalho que vários deveriam fazer, quanto às necessárias reformas estruturais. Será, no fundo, uma fuga para a frente, em que o risco de Portugal sofrer uma intervenção por parte do FMI não será minorado e poderá, inclusivamente, ser aumentado.

 

E eis que chegámos ao dia em que se ultrapassou o limite de taxas de juro da dívida a 10 anos definido por Teixeira dos Santos para recorrer ao FMI. Limite psicológico cuja formulação, obviamente, foi um erro. Mas vários são os economistas que têm dito que ultrapassado este limite, o país torna-se completamente insustentável (se não o era já), inviável e é preciso agir rapidamente. Como Cavaco não teve coragem para evitar isto, como Passos Coelho também não fez o que deveria ter sido feito - para gáudio de uns que preferem o "viver habitualmente", e de outros que politiqueiramente queriam a penalização de Sócrates, para que provasse o seu veneno até ao fim e, portanto, se mantivesse no Governo com um OE aprovado, parecendo preferir esta situação em que mais do que o PM, é o país que está cada vez mais em jogo -, com os limites constitucionais à dissolução da AR neste momento de pré-eleições presidenciais, chegámos a uma altura em que as soluções me parecem ser apenas duas, e estão em larga escala na mão do Partido Socialista:

 

1) Pedir ajuda ao FMI;

2) José Sócrates demitir-se (Teixeira dos Santos e eventualmente todo o governo também seria uma boa ajuda), e os socialistas e sociais-democratas entenderem-se num bloco central.

 

Há uma terceira alternativa, que não pode ser considerada como solução e que, se nenhuma das duas referidas tiver lugar, poderá mesmo vir a concretizar-se: o regime cai. E depois, o que virá a seguir? Muito provavelmente, o caos. E sobre isto, também já aqui escrevi.

 

Por isso, haja alguém no Partido Socialista que tenha a coragem de fazer perceber a José Sócrates que, em nome do interesse nacional, tem que se demitir, o mais rapidamente possível. Dado que, de qualquer das formas, irão perder o governo nos próximos meses, socialistas, escolham: bloco central, FMI ou o regime.

 

(também publicado no FMI em Portugal Já)

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publicado às 23:00

A ler

por Samuel de Paiva Pires, em 05.01.09

 António Barreto no seu Jacarandá:

 

Habituámo-nos a tudo. Às querelas inúteis. À mediocridade dos partidos. Aos conflitos entre governo e presidente. À chantagem que as regiões autónomas exercem sobre a República, os órgãos de soberania e os partidos. Ou à pobreza de espírito e à subserviência dos deputados. Difícil, apesar de tudo, é habituarmo-nos a tão inepto Parlamento.

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publicado às 21:48






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