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São coisas que acontecem. São eventos normais. São factos que devem fazer parte da Democracia para que esta se mantenha viva e tendencialmente intacta. O possível impeachment de Dilma Rousseff, a dedução da acusação de José Sócrates, a prisão de Ricardo Salgado ou o encarceramento do CEO da Enron, são apenas pequenos exemplos do modo como o motor das nossas sociedades realiza uma sangria, e mantém em andamento uma certa ideia de justiça. O equilíbrio é dinâmico e pressupõe um calendário moral que nem sempre coincide com a agenda política. O escândalo Panama Papers é, essencialmente, um catalisador do processo de transparência que se exige sobretudo a detentores de cargos públicos. Ainda não me explicaram quem paga os honorários do advogado João Araújo. Já leva umas horas valentes a discorrer absurdidades e decerto que tudo isso tem um preço. O balão de oxigénio que refere não é nada disso. Diria que se trata do oposto, de uma câmara hiperbárica para estrangular as incongruências e as jogadas espertas que encaixam que nem luvas na figura jurídica de uma offshore. Era isto tudo ou então ficar quieto. A escolha parece óbvia, incontornável. Existem motores gripados.

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publicado às 17:07

Sócrates, o sírio sortudo

por John Wolf, em 05.09.15

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Aviso

Informo os leitores deste artigo para a violência contida na linguagem e as imagens gráficas que podem ferir os mais sensíveis.

 

 

A alteração da medida de coacção de José Sócrates, de prisão preventiva no estabelecimento prisional (#44) em Évora para prisão domiciliária sem pulseira electrónica em Lisboa (#33), significa, em termos substantivos, que o processo está a avançar no sentido correcto e expectável. Os indícios de prática dos crimes que lhe são imputados serão por esta hora provas que constarão de uma acusação formal. Por mais que Sócrates coloque um sorriso de triunfador com saída em ombros, a verdade é que em breve teremos notícias da acusação e dos elementos que sustentam a mesma ou mesmas. Os quase dez meses de "infâmia" serviram certamente para solidificar os factos que lhe vinham sendo imputados. Quem esperou este tempo todo pode esperar mais um pouco. Não me refiro a Sócrates. É o povo de Portugal que merece a nossa maior consideração.

 

Notas

 

  • Os jornalistas da TVI e SIC, nos seus programas de serviço notícioso, revelaram a sua enorme mediocridade e a sua vocação para abandonar os princípios deontológicos que são a espinha dorsal do exercício da sua profissão: viraram a casaca. A partir do momento que a alteração da medida de coacção foi conhecida, apressaram-se a "lavar" a culpa de Sócrates, invocando artigos e códigos de Direito Penal para dirimir os seus pecados, para readmití-lo na sociedade de que fazem parte - Rogério Alves e outros colaboracionistas deram uma ajuda preciosa. Por alguma razão temem o ex-primeiro ministro. Devem-lhe favores? Ou apenas faltará aos jornalistas matéria para vender aos anunciantes? Não sei. Não tenho a resposta, mas já vimos isto antes - o sistema a revelar a sua podridão ética.

 

  • Os refugiados sírios e de outras nacionalidades que abandonam cenários de guerra e conflito, regimes  desprovidos de Democracia, tudo farão para chegar à Europa. São casos como o de Sócrates que lhes dão alento. Nos seus territórios, que já nem se assemelham a países, processos  de presumíveis delinquentes como Sócrates, já teriam transitado em julgado passadas algumas horas após a detenção, e face aos crimes em causa, as mãos do acusado já teriam sido cortadas ou o mesmo já teria sido enforcado na praça pública ou atirado do alto de um prédio. Por estas razões de cultura democrática da Europa, Sócrates pode sorrir à vontade, nasceu com a presunção virada para a lua. Portugal dar-lhe-á o tratamento justo - acreditem. Pode demorar, mas Sócrates vingará o sistema judicial de Portugal, tantas vezes vilipendiado e difamado quer por deputados, partidos, advogados, juízes, magistrados superiores ou demais praticantes de política - ou seja, os mesmos que criaram o sistema, que plantaram a matriz judicial neste país.

 

  • António Costa, por outro lado, bem que tentou fingir a normalidade dos dias que correm assim que foi agarrado por uma jornalista-estagiária com a notícia, mas tem em mãos um caso bicudo. O seu camarada Sócrates, a quem deseja suceder como chefe de Portugal, irá colocar a boca no trompete. Sim, no trompete. Não acredito que colocará a lábia no trombone. O trompete implica guinchar por isto e por aquilo, provavelmente numa entrevista palmada por um dos pasquins que lhe tem seguido os passos com muita dedicação. Soprar aos ventos do trombone estará reservado para quando a acusação formal for anunciada. Nesse momento de desespero, o radical Sócrates servir-se-á de tudo para lançar espalhafato, e arrastará  para o lodo associados poupados até ao momento.

 

  • A um mês das eleições o timing para alteração da medida de coacção não poderia ter sido melhor. Agora dirão que Carlos Alexandre é membro-sombra da coligação, que recebeu um telefonema deste ou daquele, mas em termos substantivos estará apenas a fazer o que lhe compete. O momento não é nada bom para o Partido Socialista. Mas o juiz não controla as horas nem a agenda dos partidos. O assunto Sócrates volta a ocupar uma posição central nos escaparates pré-eleitorais. E o reavivar da memória da existência de alguém que deixou Portugal em estado lastimoso e que assinou o memorando de entendimento com a Troika não constitui um tabu - é coisa boa. A história persegue os homens, embora eles julguem o contrário.

 

 

 

 

 

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publicado às 07:55

O BAILE

por Manuel Sousa Dias, em 20.12.14

A entrevista de ontem Judite de Sousa a João Araújo foi bastante esclarecedora sem no entanto termos visto esclarecidas quaisquer dúvidas relevantes por parte do advogado de José Sócrates. Ficámos sem saber 1) os fundamentos que justificam por parte do advogado a ilegalidade da prisão de José Sócrates, 2) os seus argumentos para que o ex-primeiro-ministro aguarde o seu julgamento em liberdade ou 3) a fragilidade das provas, nomeadamente as que justificam o crime de corrupção e, já agora, 4) como pôde José Sócrates viver da forma que vivia tendo os seus rendimentos tão limitados. Em contrapartida ficámos a saber que José Sócrates está bastante bronzeado, que tem praticado jogging diariamente e que está com o seu astral em cima, aliás, como sempre, para aguentar outro processo que os seus inimigos despoletaram apenas por razões políticas.

 

Resumindo, João Araújo não tentou esclarecer os portugueses das dúvidas que ensombram a honorabilidade e reputação do ex-primeiro-ministro de Portugal, mas sim sublimar aos apoiantes ferrenhos de José Sócrates a “narrativa” que dá conta que o animal feroz continua imbatível e com o mesmo espírito de gladiador. Fê-lo com ironia, fugindo às perguntas importantes, escondendo-se atrás da sua impossibilidade de falar sobre o processo, mostrando uma pretensa ignorância sobre as notícias dos jornais ou colocando em causa a veracidade de factos que são públicos sobre a vida do seu cliente - por exemplo, uma vida recheada de luxos caros. E assim foi respondendo, ou não respondendo, João Araújo, às perguntas colocadas. Os apoiantes de José Sócrates correram para as caixas de comentários na net: João Araújo “deu baile” a Judite de Sousa. O mesmo tipo de “baile” que José Sócrates gostava de dar nos debates na Assembleia da Republica, nos quais se escapulia à resposta das questões colocadas, concluí.

 

O problema presente de José Sócrates é bem mais grave do que a gestão da sua popularidade, é um caso de justiça. A gestão da sua comunicação será mais eficaz na medida em que esclarecer com sobriedade as dúvidas que legitimamente se colocam na mente dos portugueses quanto à figura que ocupou durante vários anos um dos mais altos cargos da nação. Não parece ser esta a opinião do seu advogado. Resta saber quais os verdadeiros trunfos jurídicos da defesa frente a um colectivo de juízes com poder de decisão sobre o futuro do ex-pm e, já agora, se este colectivo alinha em dançar ao som do baile que a defesa parece querer dar também à justiça portuguesa.

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publicado às 19:12






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