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Querem comparar?

por Nuno Castelo-Branco, em 10.06.14

 

Desolador, o espectáculo esta manhã oferecido na inventada data nacional. Naquele terreno baldio, se excluirmos a apresentação das forças em uniforme de combate, tudo o mais foi de uma confrangedora miséria. Os oficiais de terra em fatinho cinza-rato, facilmente identificável com o dos antigos guardas nocturnos. Seguiam-se os da Força Aérea em similar vestimenta azul, bem própria para uma empresa de segurança de parques de estacionamento. Os terrestres e os aéreos de gravata, artefacto muito prático e de marcial balcão de atendimento. Salva-se a Marinha de colarinho fechado, mantendo a tradição e confundindo-se com as suas congéneres estrangeiras. Um alívio. 

Uma reportagem miserável, cheia de choros orçamentais e onde a entrevistadora facilmente soltou a língua dos representantes dos três ramos das F.A. Desta forma, ficámos a saber que a FAP faz a vez do Instituto de Socorro a Náufragos e que o Exército não passa de um ramo dos Bombeiros. Chachál conversa enquanto os militares tentavam movimentar-se em modo de marcha, coisa absolutamente diferente daquilo que há precisamente quarenta e um anos se via desfilando na Avenida D. Luís I, em Lourenço Marques. Não é a mesma gente e nem de longe são as mesmas Forças Armadas.

 

Quanto à esperada bagunça promovida pelos mesmos de sempre e com o bem visível não-professor que comanda a Frenprof, apenas uma questão: existindo a plena liberdade de expressão e de reunião, não é este último direito devidamente regulado pela Lei que exige um aviso de concentração e consequente autorização? Pois não parece que os senhores da CGTP-PC se tenham minimamente ralado com essas ninharias burocráticas. Também não parece que alguns militares e polícias bem visíveis durante o ultraje, algo tivessem feito para repor a compostura.

 

Uma "parada" cheia de barraquinhas de plástico. Música inaudível (1), péssimos uniformes (2), más e muito descoordenadas marchas (3), gritaria infernal e conversa televisiva constante, eis o espectáculo que bem representa aquilo que a República Portuguesa é e jamais deixará de ser.

 

É claro que nenhuma das nossas excelsas autoridades quererá aprender algo com aquilo que rotineiramente se passa em Madrid. Não querem nem podem. Espanha é uma Monarquia e apesar de todas as dificuldades, contradições e quezílias, uma Monarquia sempre será uma Monarquia. Nada de confusões, até porque hoje, ao pronunciar a palavra ...republicanas, o Sr. Cavaco Silva ficou visivelmente indisposto. Nós também.  

 

(1) Aprendam com os alemães

(2) Contratem um estilista militar chinês

(3) Contratem alguns instrutores do exército russo

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publicado às 19:05

Excitações balsemónicas

por Nuno Castelo-Branco, em 03.06.14

Os meias brancas da nossa informação especializada em mexericos, dramas, terrores, adenovírus urbi et orbi, pés chatos, naperons sobre a geleira e cachecol do clube emoldurando a TV, andam numa fona com o que nas últimas vinte e quatro horas se passou em Espanha. A gente de Balsemão - João Carlos I deveria ser mais selectivo quanto às amizades que por cá mantém - fala de uma "maré republicana", para logo depois depararmos com a visão de uma modestíssima praça que dá pelo nome del Sol, apinhada com 20.000 pessoas oriundas das sedes habituais. Em Barcelona, foi ainda menos evidente a reclamação da república, reunindo apenas 5.000 furibundos. Tão modestas reuniões, fazem-nos logo recordar a ainda muito recente festança da vitória do Real Madrid que em pouco mais de meia hora, arrebanhou um milhão de entusiastas de "bandeira monárquica" em riste. Perdão, há que chamar-lhe bandeira de Espanha. Por outras palavras, no nosso CRonaldo vale mais que todo o pagode visto nas Puertas del Sol, Ramblas e similares. 

 

Por cá os artifícios são sempre os mesmos vulcões de ranho espirrado por patetas pivotados apontando o dedo a quem para lá da fronteira, vive num país muito mais moderno, justo e progressivo que esta grotesca republica de falsários, incompetentes institucionais, reservistas mentais e reputados gatunos de comenda ao peito. Dir-se-ia que a gente da RTP, SIC e TVI jamais deu conta dos Limites Materiais da revisão constitucional, pecisamente no que estes apontam naquele infamante artigo que proibe os portugueses de reporem no devido lugar, a legalidade histórica e institucional roubada em 1910. Em Portugal, nada de referendos!, pois vigora o princípio do facto consumado, seja este quanto à república, "descolonização", adesão à CEE, Maastricht, adopção do Euro, Tratado de Lisboa, etc. Como a propósito de Maastricht disse um dia o Sr. Cavaco Silva, ..."os portugueses não estão preparados para este tipo de decisões". 

 

Quanto a Espanha, nada de preocupante. As entrevistas feitas in loco já demonstram a falta de convicção e de fibra daquela gente: já não se trata de João Carlos I o tal O Breve de quase quarenta anos de reinado. Já nenhum deles se ilude quanto à entronização de Filipe VI. Agora, a conversa é outra: ..."su hija jamás sera Reina!".


Já cá não estarei para comprovar ou não o dia da proclamação de Leonor I, mas tenho a certeza de que há coisas que dificilmente mudam. 

 

Adenda: no meio de tanta cretinice televisionada, aqui está alguém que merece a nossa atenção.

 

 

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publicado às 19:14

Very, VERY BAD news:

por Nuno Castelo-Branco, em 02.05.14

...para a gente do costume. Ainda não será desta, ó Sr. Mário Soares. Como já se sabia, V. Exa. bem pode esperar até ao fim da sua next llife, mais ou menos daqui a uns cem anos. Aqui está uma notícia que não passa na RTP, TVI ou SICk.

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publicado às 20:33

Morreu Suárez

por Nuno Castelo-Branco, em 23.03.14

Ontem todos assistimos às imagens protagonizadas por depredadores que descaradamente se dedicaram a actos de autêntico terrorismo nas ruas da capital espanhola. Claramente conotados com sectores políticos residuais, inadvertidamente prestaram um inestimável serviço à Monarquia e ao regime constitucional, mostrando quem são e o que significaria um mais que certo regresso aos anos trinta.

 

Morreu Adolfo Suárez e aquilo que dele há para dizer, remete-nos para as palavras de S.M. o Rei João Carlos. 

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publicado às 19:16

Reis de Espanha em Lisboa

por Nuno Castelo-Branco, em 12.02.14

Há cerca de duas horas, a bordo do carro conduzido pela minha irmã, em plena 2ª circular deparámos com os reis de Espanha. Claro que devido à escolta não passavam despercebidos e foi sem surpresa termos verificado a grande estima que os portugueses nutrem pelos monarcas do país vizinho. Acenos, buzinadelas muito prolongadas, quatro piscas em modo de cortejo, enfim, o bom e generoso povo de Portugal. D. João Carlos muito sorridente, efusivamente correspondendo a quem o saudava. Oxalá a TVE e El País pudessem mostrar estas imagens. 

 

Nós, portugueses, somos mesmo assim. 

 

 

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publicado às 16:46

 

Apesar dos próprios erros cometidos e de um bem concertado ataque que não tem precedentes - extremistas, autonomistas que sonham com coutadas para certas elites políticas e financeiras, desastres familiares e interesses estrangeiros -, a Coroa espanhola reage em tempos de profunda crise. Conhecendo-se o talante "segue em frente" de D. João Carlos, não é esta uma altura para seguir o exemplo daquilo que recentemente aconteceu na Holanda. O Rei não pode, não deve e é certo que não irá abdicar nas condições em que a Espanha actualmente se encontra. Antes pelo contrário, fará o que lhe compete e que exige de si próprio, transmitindo uma mensagem de confiança, de transparência nas contas, do primado da Lei. Garantirá a continuidade.

 

Aproveitando as atribuições conferidas pela Constituição e superando os problemas de saúde, D. João Carlos intervirá junto das forças políticas e económicas, propiciando os necessários acordos que ajudem a reduzir o desemprego, "desenhando estratégias e elaborando planos, intensificando o seu papel de árbitro e moderador e os contactos com os sectores políticos, sociais e da cidadania". Em suma, a Coroa está decidida a "promover pactos, acordos e consensos, sempre na mais estrita neutralidade e acima dos interesses particulares, de siglas ou ideologias".

 

Cavaco Silva - seguindo exemplarmente os seus dois antecessores -, ainda não aprendeu grande coisa.  

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publicado às 10:18

Coisas do diabo em tempos de ruína

por Nuno Castelo-Branco, em 14.02.13

Fora o resto que sabemos e o que não se sabe: os 3 ex e as suas policiais seguranças, motoristas e mordomias "deslocativas", etc

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publicado às 10:05

Péssimas notícias...

por Nuno Castelo-Branco, em 06.01.13

...para os do costume, os muito ultra-minoritários de lá e a empafiosa ladroagem de cá. De tudo têm tentando para o denegrir da instituição que deu a Espanha um longo período de paz, justiça e progresso. Até a gente do "amigo" Balsemão já cavacalmente passa ao ataque com a SIC transmitindo as suas bem conhecidas e estafadas pseudo-notícias, trauteadas  sem um mínimo de afinação. A lusa máfia comprime-se no prelo e espeta-se nas antenas.

 

Por aquilo que os jornais dos socialistas vizinhos dizem, os espanhóis não alinham facilmente em modas ou na propaganda.

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publicado às 09:35

A Monarquia é superior

por Nuno Castelo-Branco, em 26.12.12

 

Muitos se interrogam acerca da razão pela qual as palavras do Presidente da República não são escutadas ou pior ainda, se tornam parte da gincana partidária, malbaratando-se assim aquele princípio de equitativa distância que se supõe em qualquer chefia de Estado. Pouco interessará se o utente do cadeirão presidencial seja Soares, Sampaio ou Cavaco Silva, pois a constante confirma-se sempre décadas sobre década e nem poderia ser de outra forma, dada a base de legitimidade onde a instituição assenta. 

 

Os conselhos jamais são escutados, a conhecida fábula da magistratura de influência não passará disso mesmo, de uma lenda tão nebulosa como a floresta de Birnam. Conhecem-se os nomes de uma infinidade de amigos acumulados por uma "inexperiência política" já anciã de mais de trinta anos, onde houve momentos bastante azados para se tecerem redes de influência em todos os aspectos da vida do Estado e sectores adjacentes da economia, finanças e imprensa. Em suma, permanecerá sempre a desconfiança, aliás plenamente confirmada pelo ridículo score eleitoral saído das últimas presidenciais, somando-se ainda as iniludíveis responsabilidades pela desastrosa "cooperação estratégica" que conduziu o nosso país ao abismo. Se infelizmente não podemos dizer que se terão tratado das derradeiras eleições ocorridas sob a forma de organização do Estado saído da longa e permitida subversão e dos golpes de 1908 e 1910, nem por isso deixam de estar bem evidentes as fragilidades e o completo descrédito da instituição de todas as conspirações, conluios e recados de encomenda.

 

Em Espanha passa-se precisamente o oposto. O discurso que o Rei João Carlos pronunciou há dois dias, consiste num claro repto lançado a toda a sociedade espanhola e pelas reacções imediatas da chamada opinião pública, atingiu plenamente os objectivos pretendidos, enumerando aquilo que mais urgente há a fazer: a reabilitação da política no seu melhor sentido. Essa política a que o Rei apela, deverá atender às prementes necessidades da reforma do Estado saído do já longo período de transição no qual a Coroa foi o elemento mais sólido, intransponível e coerente na conformação do todo. O Rei há muito se apercebeu do perigoso resvalar das reputações - inclusivamente da própria, sempre à mercê de críticas justas ou absurdas -, pois estas, se encaradas de forma global, serão aquele elemento incontornável e capaz de fazer ruir um sistema laboriosamente trabalhado e que deu ao país um feliz período de paz, progresso, justiça e tratamento equitativo sem paralelo na sua história. 

 

Sabemos o que em Portugal significaria ter D. Duarte como Rei. Nada dado a frivolidades - talvez o único argumento que os republicanos em Espanha aproveitam para atacar o Grande Homem que é D. João Carlos -, perfeitamente consciente da situação de Portugal no mundo e do seu percurso histórico que ainda lhe garante a soberania, teríamos um monarca avesso a jogos partidários e às fáceis cedências a uma anónima Europa que nos sufoca. O nosso país contaria com o Rei decomprometido dos privados interesses que arruinaram Portugal e ainda mais importante, alguém disponível para a aceitação de uma profunda alteração da organização do Estado, prioridades sociais e a imperiosa preservação daquilo que é intrinsecamente português. Em suma, teríamos um supervisor da boa política, a única que interessa.

 

Sem essa política não existe a democracia, por melhor rotulada que esta esteja. A boa política tem muito a ver com o acerto das decisões atempada e cuidadosamente ponderadas e como seria evidente num Portugal normalizado, gizadas para um prolongado prazo que se medirá por décadas. As bases aí estão bem sólidas desde há quase setecentos anos e nem sequer a passagem dos séculos foi passível de uma grande alteração dos fundamentos da política portuguesa na arena internacional. Disso o regime tem tido alguma conta, mas de facto, os erros e as derivas têm sido catastroficamente acumulados devido à ânsia do agradar de sectores onde a cacicagem impõe cedências que muito prejudicaram o Estado e a sociedade civil. Não existe má política que não tenha imediatos reflexos na educação, saúde, defesa, economia, finanças e estabilidade social.

 

O Rei João Carlos impôs como metas o respeito pelo outro, o desenhar de objectivos claros a longo prazo, a lisura pessoal como essência do serviço público, a lealdade e também, como o caso espanhol impõe sem subterfúgios, o reconhecimento da pluralidade. Os sacrifícios de hoje, apenas terão razão de ser se existir uma sólida perspectiva de reforma onde a justiça, a simplificação do aparelho do Estado e a confiança nos agentes políticos for garantida. Ora, no Portugal de hoje, tal parece ser uma tarefa impossível, não existe o norte e nem sequer aquela carga simbólica que uma certa instituição  - independentemente da personalidade que no momento a encarna - significa. Uma vez mais, os espanhóis estão em clara vantagem.

 

Cavaco Silva poderia ter aguardado a ora real e somente necessitaria de um bom tradutor para a pronunciar em bom português, apenas mudando o nome do país. Apesar deste louvável esforço, duvidamos do alcance que as palavras teriam nesta terrível balbúrdia, nestes dias do fim que o regime ingloriamente enfrenta.

 

O Rei é o Rei. Gostaríamos que alguém nisto que é e sempre foi a República, nos oferecesse uma confiança e determinação comparável. 

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publicado às 10:44

O Rei João Carlos já falou. E Cavaco?

por Nuno Castelo-Branco, em 25.12.12

 

Como sempre, o Rei de Espanha faz o que deve e entre alguns oportunos recados apela à unidade dos nossos vizinhos, um precioso recurso que ajudará a enfrentar uma crise despoletada pelos políticos betoneiros e seus aliados da agiotagem financeira, não descurando a imensa massa de crentes que decidiu ser "mui rica" de cartonagem a crédito.

 

Por cá Cavaco disse umas coisas há uns dias e se já não nos lembramos, também não valerá a pena comentarmos. Em compensação, a gentuça do Estado Sentido aproveita para desejar a Sua Excelência, a perfeita digestão dos afamados sonhos fritos saídos das augustas mãozinhas da presidencial consorte.

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publicado às 00:26

Espanha e Estados Unidos, descubram as diferenças

por Nuno Castelo-Branco, em 27.04.12

 

A cônjuge do Sr. Obama decidiu-se por umas férias em Espanha, não dispensando a visita aos monarcas do país vizinho. Tudo estaria muito certo e perfeitamente compreensível, se o passeio não tivesse envolvido despesas pagas pelos contribuintes. Ainda há uma semana, o madrileno El País abria as suas páginas a "indignações" - sem que o Rei lhes sacasse um cêntimo - dos do costume. O que terão agora a dizer os republicanos? 

 

379.000 Euros em cinco dias, um bom regabofe! Mas tudo será desculpável, tratando-se da santidade Obama.

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publicado às 13:15

Que lata!

por Nuno Castelo-Branco, em 19.04.12

Por volta das sete da tarde, uma pateta debitava algumas notícias na SIC Notícias e com o ar mais sério deste mundo, remoía as questões relacionadas com aquilo que de Espanha nos tem chegado nos últimos dias. Mais precisamente, a vozita comprazia-se em sublinhar os  OITO MILHÕES de Euros que a Coroa custa aos contribuintes espanhóis, logo acrescentando como estocada final que ..."a partir de agora, todos os actos da Família Real serão totalmente monitorizados e públicos". Melhor dizendo, os seus membros deixam de ter vida privada. Que felicidade.

 

Que gente descarada é esta que se atreve a sequer comentar casos destes, quando vive num país onde o Chefe de Estado teve ou tem ligações no mínimo indecentes, é um autêntico foco infeccioso na unidade nacional, foi e é um péssimo político para os interesses do país e um nulo embaixador daquilo que deveria ser Portugal? Que "lata" é esta, batida por uma qualquer papagaia que se atreve a ler um teleponto absurdo, quando tivemos vigaristas semi-presidiários sentados no Conselho de Estado, presidentes que viajavam para o Japão et ailleurs a bordo de aviões da TAP abarrotando de amigos, amigas e outros coriféus do estilo, com despesas de uísque a 2.000 contos/viagem, tudo isto à conta do contribuinte? Dúzias e dúzias de viagens com centenas de comensais - até bobos iam -, escapadelas em Falcon a 1.000 contos à hora, desvios de última hora para chapinhar patas nas cálidas águas do Índico, etc, etc? Que topete é este, quando se sabe que em Portugal sabemos da existência de casos onde as provas foram claramente silenciadas através da retirada de livros do mercado, surgindo patentes os vasos comunicantes entre a cúpula do Estado e os mais sórdidos interesses particulares? Que televisão é esta que ousa dar relevância - apresentando sem cessar o balir dos deputados da ridiculamente ultra-minoritária I.U., o travesti do extinto PCE - a um claro disparate que não envolveu abuso de poder, roubo ou má gestão de fundos públicos, quando em Portugal tivemos alguém que ao contrário da absolutamente impoluta observância constitucional de João Carlos I, teve o desplante de dissolver um Parlamento maioritário, apenas para deixar entrar e escandalosamente cooperar com mais uns tantos cavalos de Tróia da nossa ruína?

 

Mas afinal que gente é esta? Como se atrevem?

 

Por um décimo daquilo que acima está exposto, a Monarquia devia ser esta noite instaurada, nem que fosse a tiro de canhão.

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publicado às 23:19

Alguém alguma vez lhe pediu desculpa?

por Nuno Castelo-Branco, em 18.04.12

"Lo siento mucho. Me he equivocado y no volverá a ocurrir".

 

Foram estas as palavras de João Carlos I, Rei de Leão e Castela, de Aragão, de Granada, Navarra e da Galiza, enfim, daquele espaço internacionalmente conhecido por Espanha. Os jornais do país vizinho dizem tratar-se de um gesto inédito por parte de uma autoridade política. Pois foi o Rei o primeiro a fazê-lo. 

 

Muito a propósito, já alguém nos pediu desculpa por alguma coisa?

 

Alguma vez escutou qualquer escusa a propósito das perseguições políticas, espancamentos públicos, assaltos e destruição de jornais, invasão de propriedade, eleições fraudulentas, subversão da ordem da Carta Constitucional, assassinatos patrocinados pelos mais altos titulares do poder político, destruição da economia, corrupção generalizada e fuga em massa de população durante a I República Portuguesa?

 

Nunca.

 

Alguma vez ouviu qualquer um dos antigos hierarcas da II República escusar-se pela ditadura, prisões arbitrárias, julgamentos farsa, tortura de opositores, assumido e satisfeito desleixo na formação cívica e intelectual da população, irresponsável política ultramarina que significou o desastre para 30 milhões de criaturas, ou a arrogância imobilista que a mania da exclusividade no poder implicava?

 

Nunca.

 

Alguma vez escutou Spínola, Costa Gomes, Eanes, Soares, Sampaio ou Cavaco reconhecer os escabrosos e sempre bem escondidos eventos da descolonização, a liquidação do aparelho produtivo durante o PREC, as ocupações, espancamento de "miúdos fascistas" no COPCON, saneamentos selvagens, ruinosos tratados de adesão à então CEE, a entrega do país aos milhafres da plutocracia internacional que conduziram à perda de centenas de milhar de postos de trabalho, ao abandono dos campos e da faina marítima? Alguma vez ouviu gente persignar-se por vergonhas como a dissolução parlamentar de Sampaio, os deboches imobiliários, as escutas ilegais, a paródia da Justiça a soldo dos omnipotentes, o Caso Emáudio, os Freeport, os parasitários "estudos" para aeroportos, PPP, contentores e TGV, as bilionárias derrapagens orçamentais nas obras públicas, o arrasar dos nossos centros urbanos, as vigarices banqueiras que envolviam acções "fora de bolsa", as transferências secretas de incalculáveis somas para paraísos fiscais, as propriedades jamais registadas ou indexadas ao fisco?

 

Nunca, a III República jamais o fez ou fa-lo-á.

 

O Rei de Espanha desceu do seu trono e pediu desculpas pela falta de sensibilidade. Não cometeu qualquer acto ilegal, não perjurou, roubou ou conluiou fosse com quem fosse. Partiu de férias na pior altura e apenas por isso mesmo, foi alvo de uma bem coordenada "campanha de indignição pública", excelente válvula de escape para os mesmos de sempre, precisamente aqueles que trazem hoje a Espanha para um dos piores momentos da vida deste regime que já conta duas gerações.

 

Percebem a diferença? 

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publicado às 14:53

Espanha: o Rei errou

por Nuno Castelo-Branco, em 17.04.12

Sem sequer recorrermos às elaboradas teses velhas de séculos que consolidaram ou pelo contrário procuraram minar o poder real, parece-nos certo atalhar e colocar como padrão esta verdade insuspeita e indesmentível: o edifício monárquico do Estado é o mais justo, mais estável e aquele que propicia a melhor harmonia social.

 

O Rei João Carlos I cometeu um erro crasso, dando o gosto ao dedo no gatilho. Desde sempre a caça me pareceu uma coisa detestável e ainda criança, vivendo no paraíso cinegético que era Moçambique, sempre me recusei a esse tipo de "cretinismo escopeteiro". No caso em questão, um disparate imperdoável, uma indecência, mesmo que esta caçada tenha respeitado a legalidade e o excesso da população de elefantes na zona. O Rei não deve fazê-lo. É tão simples quanto isto.

 

Em Espanha existem mais de 3.000.000 de caçadores com licença, entre os quais, infelizmente está o próprio monarca. Embora tal apetite pretensamente desportivo seja para mim uma incógnita, há que reconhecer a sua existência. Se por cá temos republicana gente que parte para carabineiros safaris ou dispendiosíssimas jagatinas de golfe intra e extra fronteiras, tais notícias não passam de curiosidades para cinco minutos de charla. Pois em Espanha a coisa parece ser diferente. Conhecendo-se a situação periclitante da unidade do próprio Estado, há quem procure tirar dividendos de uma desastrada opção lúdica do monarca. Consistiu num inexplicável erro, é verdade, e tratando-se de reis, este tipo de atitudes são escrutinadas da forma impiedosa que se sabe. Qualquer Presidente pode caçar livremente, ter férias por conta de escroques da finança internacional, "vencer eleições" através de fraudes, ser ostensivamente subornado por um qualquer potentado centro-africano, mandar liquidar gente do Greenpeace a bordo do Rainbow Warrior, escutar adversários, criar redes de tráfico de influências, traficar diamantes e marfins de forma impune ou até ir amealhando acções, propriedades fora do registo público e outros malabarismos que a sua posição pública - ou melhor, política - lhe permite.

 

Aos reis, tudo isto está muito justamente vedado. Os monárquicos devem ser e são exigentes.

 

Na longa noite da Tejerada, D. João Carlos obrigou o então garoto D. Filipe a permanecer acordado, assistindo ao desenvolvimento da situação explosiva que o golpe criara no novel regime espanhol. Mais ainda, declarou tê-lo advertido quanto à "profissão real", ..."necessário sendo construí-la dia a dia, incessante e perseverantemente". Aproximando-se dos oitenta anos, o homem que ainda há pouco tempo colocou no seu devido lugar o grotesco chefão de Caracas, parece ter-se esquecido de si próprio, partindo para um safari em terras quentes e ricas em grassa grossa. Fisicamente decaído, surge esgotado e não será difícil compreender o quão trabalhoso é o cargo que ocupa, mesmo descontando o longo período de expectativa e criação das condições que o guindariam ao trono e por sua mão, a Espanha à democracia plena.

 

Uma breve leitura das caixas de comentários nos principais periódicos espanhóis, apenas nos confirmarão muitos dos alegados preconceitos que normalmente são atribuídos aos nossos vizinhos: gente pouco curiosa pelo outro, ensimesmada, fanática por qualquer fait-divers, sanguinolentamente reactiva a qualquer minudência, por muito inconsequente que esta possa ser. É este, o caso. Em suma, bramem pelos oito milhões anuais gastos com a Casa Real - o cerne de todos os discursos é este - , desconhecendo totalmente o que se passa no seu arruinado "vizinho ibérico" e nem sequer sonhando com o elíseo regabofe parisiense. Pior ainda, mergulhados no seu castelhano-centrismo, olvidam o que significa uma república em Espanha, ou seja, a própria extinção desta denominação como uma entidade política no concerto dos Estados. 

 

A Espanha está sob cerrado ataque. Cerrado ataque por parte da mafiosa plutocracia que se faz sentir na questão da dívida soberana e principalmente, cerrado ataque àquilo que neste momento mais deveria preocupar todos os espanhóis: as suas empresas, precisamente esses bem conhecidos polos de criação de riqueza que o regime da Monarquia Parlamentar conseguiu firmar em todo o mundo. Uma patética aventureira de marcantes características caudilhistas, num daqueles enxertos fascisto-leninistas, resolveu-se a uma golpada que precisamente há trinta anos, seria de outra forma tentada pelo seu antecessor Leopoldo Galtieri. Esta expropriação da YPF/Repsol, além de esconder o claro interesse privado da famiglia Eskenazi no assunto, subverte todas as regras do Direito. A um anúncio de expropriação precipitado pela descoberta de novas jazidas petrolíferas, seguiu-se um inopinado e vergonhoso ataque, ocupação da sede e expulsão dos gestores da Repsol e mais ainda, a ameaça de continuação do processo de extorsão, apontando-se o Santander, a Mapfre e a Telefónica como próximos alvos.

 

Entretanto e em Madrid, a dúzia e meia de tricoloridos "demócratas porque nada", insiste em questões próprias do revistismo cor-de-rosa.

 

O Rei errou. Pois sim, e daí?

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publicado às 21:00

Sem dar mais cavaco

por Nuno Castelo-Branco, em 28.12.11

No meio de toda a tormenta em que "los modernos del dinero" deixaram Espanha, o Rei João Carlos deslocou-se às Cortes, onde além de ter escutados entusiasmados "Viva el Rey!", recebeu a mais estrondosa e prolongada ovação parlamentar do seu longo reinado. Todos os grupos presentes o aplaudiram de pé e a Coroa é, sem margem para qualquer dúvida, a instituição mais prestigiada e que goza da maior confiança por parte da população do país vizinho. Aproveitando para dissipar qualquer dúvida, surgiram publicadas todas as despesas referentes à Coroa de Espanha e de imediato salta à vista, a abissal diferença entre aquilo que Portugal - ou melhor, os portugueses - entregam de mão repelentemente beijada ao Palácio de Belém e os montantes bastantes modestos, concedidos ao Palácio da Zarzuela. Até o conhecido oportunismo izquierda-gourmet do El País, teve de engolir em seco. Cai assim o essencialmente obsessivo argumento dos "gastos das Monarquias", pois nesta Europa em ocaso, qualquer República, por mais periférica que seja como a portuguesa, consome enormes quantidades de dinheiro e de criadagem - os famosos 500 de Belém! -, sem que isto tenha qualquer correspondência nas actividades exercidas pelos referidos Chefes de Estado. Pior ainda, ninguém imagina qualquer presidente da República Portuguesa, seja ele quem for, como um símbolo de unidade ou unanimidade nacional. Longe disso, ou antes bem pelo contrário.

 

Para infeliz previsível gáudio dos apoiantes destas "grandezas miseráveis" da República, aqui deixamos o texto em castelhano. O Sr. Cavaco Silva consegue a supina habilidade de gastar mais do dobro daquilo que os britânicos anualmente pagam per capita à Rainha Isabel II. Para que conste...

"Las otras Jefaturas del entorno

 

Perceberam?

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publicado às 20:20

Portugal anda a ser roubado! (1)

por Nuno Castelo-Branco, em 08.12.10

Aqui estão as dotações anuais entregues pelo governo espanhol à Casa Real. Como facilmente se depreende, o Rei João Carlos I gasta menos de metade do orçamento atribuído ao sr. Cavaco Silva e acompanhantes (além dos 3 ex) e nem sequer valerá a pena notar que a Espanha é quatro vezes mais populosa que Portugal. A questão da dimensão económica dos dois países, ficará para a vossa consideração. Ler o restante  A Q U I

 

 

2006

2007

2008

2009

2010

Dotación Casa de S.M. el Rey (en miles de euros)

 

8.048,51

8.289,97

8.663,02

8.896,92

8.896,92 (*)

 

(*) La Casa de S.M. el Rey, de acuerdo con lo más arriba indicado, solicitó que la asignación global para el ejercicio de 2010 se mantuviera al mismo nivel que en 2009.

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publicado às 01:09

A Copa del Rey e o 31 de Janeiro: não foi a mesma coisa

por Nuno Castelo-Branco, em 22.02.10

 

 Em Espanha, os extremistas já entenderam perfeitamente o papel unificador da Monarquia. Tendo contemporizado com a instituição que permitiu as Autonomias e a democratização do Estado, conseguidos agora os seus primeiros intentos, já querem muito mais. As quiméricas independências ditadas sobretudo pelo despeito, baixezas várias e projectos caciquistas de alguns, encontram na Coroa o obstáculo intransponível. Total desconhecedores de outras realidades históricas que com o fim do Império Austro-Húngaro - e também da Jugoslávia e da Rússia/URSS - trouxeram o caos à Europa central e oriental, nada lhes serve de argumento para contrariar as pulsões mais ordinárias. Desta vez, organizaram uma monumental assobiadela aos soberanos espanhóis, quando da final da Taça do Rei em basquetebol.

 

Insultos ao Hino e apupos aos monarcas, foi aquilo que os bem organizados promotores da assoada fizeram escutar. De facto, os eventos desportivos são hoje um poderoso atractivo para todo o tipo de manifestações organizadas e a visão de qualquer reportagem acerca de um jogo de futebol "dos grandes", demonstra pela gritaria e certa simbologia utilizada, o que por ali vai em termos de marginalidade. 

 

A política deixa-se sufocar nesse abraço mortal do velho pão e circo de outros milénios e assim, cede à comparência em locais onde devia estar ausente. O profissional-desporto, omnipresente na imprensa e numa televisão que a todos deixa exaustos de asco, obtém um tempo de antena desmedido e ocupa a abertura e fecho dos noticiários. Mal fazem os agentes da autoridade política - e decisores da informação - em aquiescer com todo o tipo de abusos que aviltam as instituições e embrutecem os espíritos, já por si atreitos à ligeireza de discernimento da hierarquia das coisas.

 

Imagina-se o que significará em Portugal, o próximo campeonato do mundo a realizar-se na África do Sul... Mais uma oportunidade para a total bestilização do momento, sofregamente aproveitada pelo laparotismo militante em todos palácios do regime.

 

Os reis de Espanha podem ter uma certeza e essa é sem dúvida, a consciência do papel fundamental que desempenham na união do Estado e daquela imensa maioria composta por castelhanos, bascos, galegos ou catalães que nada mais desejam senão a tranquilidade dos seus dias e a prosperidade em casa e no trabalho.

 

João Carlos e Sofia foram assobiados por marginais extremistas "nacionalistas". Não se preocupem Suas Majestades. No passado dia 31 de Janeiro de 2010, Cavaco Silva, o 1º ministro, o presidente do Parlamento e outros dignitários do Estado português, foram recebidos nas cerimónias comemorativas da derrota de 1891, aos gritos de "gatunos para a prisão!"

 

Não é a mesma coisa.

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publicado às 20:02

Croniquetas republicanas (15): a tragédia espanhola

por Nuno Castelo-Branco, em 01.09.09

 

J A M A I S ! ! !

 

 Inacreditável! O novo chefe comunista de Espanha, cujo partido hoje também se esconde atrás da anódina sigla de Izquierda Unida, teve o topete de no primeiro encontro com o Rei João Carlos, lhe apresentar o programa "o mais detalhado possível", para a instauração de um "Estado federal, solidário e republicano". Esta gente parece nada ter aprendido com os próprios erros que levaram o país a uma longa guerra civil. O actual e vergonhoso branqueamento do período histórico de 1931-36, durante o qual a Espanha viu repetir por mil no seu território a miséria, violência e todo o tipo de arbitrariedades daquela outra república, a portuguesa de 1910-26, visa tão só fazer regressar o país vizinho à situação anterior ao desencadear da guerra. Sabemos quais as imediatas consequências de uma hipotética queda da Monarquia: secessão imediata de algumas das autonomias e seguidamente, o início de um perigoso conflito interno pela delimitação de fronteiras e partilha de recursos. 

 

O que verdadeiramente importa a Portugal, é a  equívoca expressão de Estado federal que vindo da tradição de certos sectores que para isso trabalham há mais de um século, pretende com este sofisma, a pura e simples liquidação do nosso país e da sua independência. Nada mais é, senão um mal amanhado sucedâneo de outros iberismos passados, desde as uniões dinásticas tardio-medievais, à oferta da coroa a D. Fernando II e a D. Luís I. Projecto alternadamente almejado ou proposto pela direita e pela esquerda dita moderada, surge agora - tal como em  1936 -, pela voz do PCE,  aliás I.U.  Tal como o seu correspondente lusitano, o PCE/IU é um partido ultra minoritário mas com uma desproporcionada audição na sociedade espanhola, beneficiando da cobardia e  dos descabidos "complexos de esquerda" por parte das principais organizações partidárias do arco constitucional - o PSOE e o PP -, sempre prontas a contemporizar com a velha chantagem moral que significa uma auto-vitimização daqueles que foram os prestimosos carrascos da democracia. 

 

Quem hoje  visione os programas do Canal de História, absurdamente submetidos aos ditames de uma suspeita selecção madrilena, não deixará de verificar com espanto, a descarada manipulação da verdade dos acontecimentos passados, re-interpretados ao sabor e interesses do sector hoje representado precisamente pelo PCE/IU. Em tudo o que se refere ao período de 1931-39, "los rojos" surgem como democratas sacrificados ao ogre fascista, como se tudo aquilo que em Espanha se passou nos cinco anos de república, não tivesse sido o rastilho que fez estourar o conflito que dlaceraria o país. Nunca se fala na grande intervenção política, económica e militar de Estaline e dos seus brutais comissários russos e do PCE que acabou por dominar totalmente o regime, comprometendo-o perante o resto do mundo. Aqui e ali surgem simulacros de verdades sectoriais, como as Brigadas Internacionais - um punhado de voluntários, numa guerra de centos de milhar -, oriundos dos países do negregado Ocidente capitalista. Dos russos, dos seus tanques, metralhadoras, canhões e aviões, nada!  Do roubo do ouro do Banco de Espanha, saqueado pela URSS e jamais devolvido, nem uma palavra. Dos massacres ocorridos antes e durante a Guerra Civil, apenas contam aqueles cometidos pelos franquistas, focando-se - para atemorizar os supersticiosos, -  as execuções e violações da autoria de los moros de Franco. Dos assassínios de deputados da direita da república, dos ataques e saques à propriedade civil e da Igreja, o oblívio. As brutalidades acicatadas em pleno Parlamento pela "Pasionaria", as graves responsabilidades de Carrillo e dos militares comprometidos com o PCE e satélites, o mais absoluto silêncio! Mas isto consiste num problema interno dos espanhóis que cedem facilmente à moda do tempo, com um encolher de ombros que pagarão caro.

 

Pior que tudo, surge agora com inaudita frequência, a legendagem dos programas de língua inglesa exclusivamente em espanhol, num claro desrespeito pelos consumidores portugueses obrigados a paulatinamente se irem habituando à completa subalternização do seu idioma. A isto, juntemos as rajadas de imundos anúncios publicitários tagarelados em algaraviada castelhana e sem qualquer interesse para uma programação dita de formação cultural, transformando o Canal de História numa mera sucursal da TVE no território português e ainda por cima, sob o despótico controle da costumeira minoria hiper-activa que por cá também temos a pouca sorte de conhecer. Torna-se ridícula esta cedência dos interesses económicos aos radicais do dito politicamente correcto e em simultâneo, alargar-se o espaço comercial da venda da banha da cobra. Estranha coligação esta, sobretudo desculpabilizadora não  se sabendo bem de quê.

 

A discussão do Estatut catalão, agendada para os próximos tempos, poderá despoletar o processo de implosão de Espanha  que paradoxalmente, conhece um brilhante período de desenvolvimento, consolidação do sistema representativo e reencontro com a história que dela fez uma grande potência. Se a Monarquia dos Bourbons permitiu à Espanha ser aquilo que é hoje, os sectores que visam a plena balcanização da península para uma posterior unificação total, há muito descobriram ser a instituição real o primeiro alvo a abater. Com uma república instaurada, cumprir-se-ia fatalmente o projecto absorcionista, tanto mais que é sobejamente conhecida a triste realidade para cá da fronteira, onde pontifica uma classe política incapaz, sumamente ignorante, corrompida pelos eflúvios  inebriantes das promessas  rendosas e sem um claro projecto de renovação nacional. 

 

Após a quase volatilização eleitoral do grotescamente xenófobo e oportunista Carod Rovira - Esquerra Republicana Catalana - , serve agora este desplante do senhor Cayo Lara, para alertar as eternamente pouco atentas autoridades portuguesas. O nosso país jamais deverá ceder à tentação de participar  seja de que forma for, num projecto unificador de antemão condenado ao fracasso e que inevitavelmente conduzirá a uma tragédia interna de proporções inimagináveis. Ainda no último fim de semana, o Tenente-Coronel aviador João José Brandão Ferreira escreveu no Público (edição de Sábado, 29 de Agosto de 2009, pág.35), um claro aviso sem qualquer margem para dúvidas de interpretação. Se Sampaio, Saramago, Mário Lino, o señor Iberdrola Pina Moura e outras parcas do "mundo da plutocracia" caíram na tentação do El Dorado fácil e de acesso restrito, não deverá existir qualquer ilusão acerca da vontade da esmagadora maioria dos portugueses. Não temos qualquer ensejo de reivindicação territorial em Espanha, não cabendo a legitimamente esperada  retrocessão de Olivença neste capítulo. O constante aceno com a patética "questão galega", para mais nada serve senão como um chamariz que bem pelo contrário, facilitaria um certo tipo de regionalização que nada mais significa senão o desmembramento territorial português, em benefício de entidades autónomas do país vizinho. 

 

Tal como há um ano escrevemos aqui,  aqui,  e aqui, o desaparecimento de Portugal integrado numa entidade ibérica, está fora de qualquer cogitação. A alternativa é uma corrida às armas. Se assim o quiserem, assim a terão.

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