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A geringonça e as barrigas privadas

por John Wolf, em 08.08.17

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Tudo se compra, tudo se vende. Sim, tudo se transforma. Não sei qual a tabela praticada, mas as peças saem por encomenda. Eu aprecio estas reportagens de jornal que sabem inclinar o campo de jogo, que contam metade da história e que se esqueçem de alguns detalhes. A geringonça está por detrás disto, como está em cima dos acontecimentos. O aumento recorde, Guinness dirão alguns, do número de contratos públicos e respectivos valores é realmente uma coisa formidável. Gostava apenas de saber se é com o dinheiro das cativações, com o aumento de receitas fiscais ou com o aumento da dívida pública que fazem a festa? A quem ficam a dever? Simples. A resposta é simples. Serão os portugueses que pagarão a dívida a si mesmos. Costa bem pode agradecer o agachamento de juros e o beneplácito do Banco Central Europeu que continua a molhar a sua mão visível no alguidar de poncha financeira. Sou fã ferveroso dos ajustes directos. Essa modalidade prescinde de tangas, de aquecimento, de preliminares. É sexo duro, contra a parede, com pés de barro que fazem estremecer, vibrar. O ajuste directo é uma espécie de assédio glandular de grande angular. É a expressão mamária em todo o seu esplendor. É dar a chupar àqueles que mamam, mas que quando passarem a fase do desleite, ingressarão logo na falange de apoiantes do regime, à espera de mais. O grande problema de toda esta excitação tem a ver com um pequeno apêndice. Esta fartura de contratos públicos tem um efeito limitado na dinamização da economia. Por outras palavras, embora os queiram alugar como indicadores de vigor económico, a verdade é que os contratos públicos revelam mais sobre a disfunção da economia do que a plenitude da sua virilidade. Mas nada disto tem importância. O dinheiro não é deles. É dos portugueses. A geringonça fornece apenas a barriga.

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publicado às 14:05

Putin "deselege" Trump

por John Wolf, em 04.08.17

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Quase todos conhecem o adágio - a história não se repete, mas por vezes rima. No entanto, penso que não se aplica ao seguinte enunciado. Quando Reagan lançou a Strategic Defense Initiative em 1987 (SDI, conhecida por Guerra das Estrelas) não seria um objectivo premeditado pôr de joelhos economicamente a União Soviética, mas de facto a corrida ao armamento que se seguiu acabou por ditar a ruína do império soviético e a mudança de sistema e regime políticos. A administração Trump, que "alega" ingerência russa no processo eleitoral norte-americano, riposta aplicando sanções à Rússia de Putin, como se tal ferramenta de política externa pudesse de algum modo repôr os pratos da balança da justiça, castigar economicamente a Rússia e enfraquecê-la mortalmente. Enquanto essas ferroadas são administradas, o sistema judicial dos EUA avança com a investigação a eventuais fugas de informação classificada para o domínio e controlo de oficiais russos, assim como a averiguação dos contornos das reuniões havidas entre Trump Jr. e advogados russos em 2016. Tudo isto, combinado numa aura de grande suspeição e incerteza, levanta algumas questões do foro patriótico. Fala-se, nos corredores de Washington, a cada dia que passa, de indícios de traição e lesa a pátria. Putin, que havia sido nomeado como "mandatário" de Trump, estará a pensar duas vezes à luz da imprevisibilidade comportamental do presidente americano. Ou seja, se de facto mexeu cordelinhos para auxiliar a sua eleição, também o poderá fazer para que Trump seja removido. Em todo o caso, os próprios norte-americanos já começam a invocar o enquadramento constitucional da 25ª Emenda que estabelece o modo e as condições que levam à substituição do seu presidente. Sim, a coisa está feia. Ou pouco bonita - conforme as preferências ideológicas. Veremos então se Putin "deselege" Trump.

 

créditos fotográficos: CNBC

 

 

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publicado às 19:40

Mad at Correeiros

por John Wolf, em 02.08.17

 

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Foi o Miguel Somsen que nos alertou para o cambalacho dos Correeiros. O tal restaurante que alegadamente baralha as ementas e o preço da Gamba à Guilho (de Guilhotina, não relacionar com Ajillo) apresentando bandeiradas finais na casa das centenas de euros. Mas a culpa não é apenas dolosa. O estabelecimento de restauração soube interpretar o comportamento das nossas sociedades. Observou cuidadosamente e registou o seguinte: ninguém lê. O nativo ou o turista esfomeado deixaram pura e simplesmente de ler. E o smartphone que acumula tarefas e omite a presença de espírito é uma invenção genial, é mesmo para iletrados, pelo que se pode concluir que o mentor do Made In Correeiros deve ser um homem das artes e das letras - a arte da decepção e da letra miúda da ementa. No entanto, as vítimas do engodo apenas repararam devido à escala de valores em causa. Diariamente, aqui e acolá, somos vítimas da gula desmesurada (desmesurada? que redundância!) de agentes de restauração, bares e afins. Faz parte da matriz comercial portuguesa comer o cliente à primeira. Ou seja, pouco importa que regresse de um modo fiel e continuado. Mas este jogo de oportunismo sairá caro. Quando a febre turística baixar, e o excesso de procura acalmar, far-se-á a distinção. A destrinça entre aqueles que praticam uma fé comercial digna e genuína, e aqueles que confeccionam a aparência gourmet da banana confitada  pelo chef homónimo que se encontra na cozinha a inventar. No final ambos terão o que merecem. Os que aliciam e os que se deixam enganar. Quanto a mim, conheço verdadeiros templos gastronómicos em Portugal que ostentam a nobreza dos pratos e a adequação dos preços. Sei onde se encontram, mas não digo. Se não estragar-me-iam as tascas.

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publicado às 13:55

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Dirão eles, sócios-gerentes da Geringonça, que é melhor que nada. Mas em abono da verdade é mais que nada. É mais que zero. É mais que nulo. É mais que inexistente. Mas mais valiam ficarem quietos. Vieira da Silva congratula-se pelo assinalável aumento de pensões de mais de 2 milhões de contribuintes. Incrementos que oscilam entre a unidade de euro e um pouco mais de um trio da divisa. Mas se quer fazer o gosto ao dente, se é bom garfo, fique a saber que também estão consignados 25 cêntimos no que diz respeito ao subsídio de refeição para funcionários públicos. É obra, é uma maravilha. Com tanta folga orçamental, com tanto sucesso fiscal, seria expectável que as subvenções fossem efectivamente palpáveis, melhores. A culpa do desequilíbrio está na encomenda sucessiva de pareceres, estudos prévios e festivais da canção. Os 25 cêntimos rimam com o tecto falso dos 25 mil euros da fasquia automóvel - poesia. O subsídio de refeição, conferem eles, estava congelado há mais de 9 anos. Mais valia que assim ficasse. No frio, fossilizado. Agora podeis ir de férias descansados. A segurança financeira está assegurada. A Geringonça é um mãos largas.

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publicado às 17:32

De Magalhães a Maduro

por John Wolf, em 31.07.17

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O Governo da República de Portugal está de consciência tranquila em relação à Venezuela. Aliás, não convém nada uma mudança de regime. Não seria nada conveniente instigar um processo democrático que resultasse no afastamento de Maduro. Os socialistas portugueses, independentemente de pareceres da União Europeia (UE), não vêem com bons olhos uma crise profunda que abane o "status quo" daquela realidade. Referem um regresso à normalidade constitucional quando o que aquele país precisa é de um levantamento popular que afaste o ditador socialista Maduro e que o julgue por crimes cometidos contra o seu povo e opositores políticos. E este estado de arte política coloca Portugal numa situação particularmente difícil. São mais de 400 mil portugueses com residência na Venezuela, ao que se somam mais de um milhão e meio de luso-descendentes. A haver um processo de "descolonização" resultante de uma revolução democrática na Venezuela, Portugal terá de ter um programa de repatriamento de nacionais, um conceito operativo para lidar com os "retornados". Para já sacodem a água do capote afirmando que os que têm saído da Venezuela preferem Espanha devido às afinidades linguísticas, mas sabemos que quando a crise ganhar contornos mais intensos, outras valias, de índole jurídica, far-se-ão valer. Quando Santos Silva diz que não aceita os resultados das eleições, está de facto a fazer ouvidos de mercador, a fingir, a ser politicamente correcto, mas a mentir com os dentes todos. A geringonça é adepta de Maduro, como outros foram de Chavéz e dos Magalhães - aqueles PC - a verdadeira maravilha do engenheiro das amizades duvidosas.

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publicado às 16:59

RSI Turbo PS GTI Geringonça

por John Wolf, em 30.07.17

 

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Quando o valor de uma viatura passa a servir de indicador para a atribuição de subsídios sociais, sabemos que o governo está desesperado para angariar adeptos. Ficamos a saber que o voto popular conta para a sobrevivência política. Mas mais grave do que estas técnicas duvidosas de contabilidade, será a eternização da divisa automóvel enquanto indicador de estatuto económico e social em Portugal. O socialismo nivelado, de todos diferentes todos iguais, não passa de um mito. Continua válida a ideia da aparência, da ficção de meios, ou seja, não ter um tostão furado, mas poder armar aos "ricos". Este tipo de abordagem joga com a psique colectiva de um modo particularmente perverso. Passa a mensagem de que o que conta é a imagem projectada, a forma como se é percepcionado, seja-se pobre ou abastado. E o inverso? O milionário que prescinde da viatura e que se serve do passe da Carris? Tem algum benefício fiscal? Pois. Como podem ver, o chassis socialista assenta na ideia de escalada social, no exemplo desviante de Sócrates, de apartamentos em Paris e fatos Brioni - vida faustosa. É essa mentalidade burguesa que caracteriza os socialistas encartados que a querem partilhar com os pobres de alma, colocando à frente dos seus chanfros asnos uma cenoura furada.

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publicado às 14:55

Acampamentos domésticos e o BE

por John Wolf, em 29.07.17

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É a Esquerda que está no poder. E no contrapoder. Nos meios de Comunicação Social, na Protecção Civil, na Caixa Geral de Depósitos, no BES, na Floresta, na praia do Ancão e no acampamento do Bloco de Esquerda. Por outras palavras - ela está no meio de nós. Mas as rezas de outrora, as causas da sua igreja ideológica, parecem desvanecer-se. Se bem me recordo foi a Catarina Martins que avisou que iria acabar de vez com a violência doméstica e que iria libertar a mulher dos estereótipos e lugares-comum. Não me parece que tenha havido grande esfregona e balde a serem empregues para limpar as manchas deste flagelo que assola a sociedade portuguesa. Com tanta prosápia sobre direitos inalienáveis e igualdade de géneros, não foram capazes de alavancar a mudança que se exige. Ou seja, como conseguiriam explicar aos libertários da revolução que a moldura penal para violentadores domésticos foi intensamente agravada? E é aqui que reside grande parte da contradição. O Bloco de Esquerda tem uma visão que nem sequer é selectiva nem generalista. É uma pescadinha de rabo na boca. Se a Esquerda fosse criteriosa e proporcional em relação à violência doméstica propunha medidas jurídicas que gostaria que fosse a direita a enunciar - restrições em relação ao conceito de liberdade que os bloquistas reclamam todos os anos sob os auspícios de um acampamento selvagem. Em vez disso, o número de mortes continua a doer.

 

Foto de John Wolf tirada no Christopher Day Parade em Berlim, 23 Julho 2017

 

 

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publicado às 14:56

Os putos andaram a pedí-las

por John Wolf, em 13.07.17

 

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Uma coisa é receber um presente embrulhado sem pedir a quem quer que seja (e devolvê-lo!!!). Outra coisa é ser chulo e andar a angariar borlas. Os três secretários de Estado somados não dão grande coisa, mas são efectivamente sujeitos activos desta corrupçãozeca se, o que tudo parece confirmar, andaram a pedir benesses. Sabemos que a geringonça também fez uma viagem de borla do Parlamento para o Governo, que multiplicou um bilhete por três passageiros, e que a constituição da república portuguesa contempla essa possibilidade. Contudo o que está em causa tem a ver com a escala ética. Se três badamecos não se poupam a esforços para ganhar uns cupões da treta, imaginem o que fariam por um prémio maior? A Ética é uma apenas. E não é republicana nem parlamentar. Tem a ver com o sentido de correcção que faz parte do âmago de alguns indivíduos (e de outros nem por isso). O problema é o processo patológico que conduz à lula que escorrega pela goela abaixo, que nos faz passear de Castelo Branco a Paris com a soberba enfiada na casaca. Porque, de robalo em robalo, de selecção nacional em selecção irracional, os políticos revelam a sua genuína ambição arrivista, de regalia VIP e aparência fatela. O poder, pequeno ou farto, confirma a natureza trauliteira dos candidatos. No fundo, estes três mosquiteiros foram apanhados pela picada da sua pequenez. A etiqueta que os acompanha nem chega a ser um preço, não tem valor. É uma divisa miserável.

 

foto: crédito agência LUSA

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publicado às 16:25

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Esta história das cativações faz-me lembrar um carro cujo proprietário deixa de o levar às revisões, de mudar o óleo e os filtros, e efectivamente, as poupanças saltam à vista, são uma verdadeira maravilha - até o motor gripar. O governo encontrou um nicho contabilístico interessante. As cativações não são peixe nem carne. Não correspondem à função de reordenamento financeiro das contas do Estado, nem sugerem uma orientação programática da economia de um país. Pura e simplesmente congelam os dinheiros. Mas há mais. Se olharmos com atenção para as dimensões contaminadas pelas cativações, registamos o item Planeamento e Infraestruturas como aquele que merece especial apreço da parte da geringonça. E isto não é por acaso. Sabemos de gingeira que o sector das obras públicas e da construção é aquele em que os socialistas se sentem mais em casa. São os amigos empreiteiros que levarão o prémio quando, face ao abandono da manutenção de estradas e pontes, edifícios e paióis, forem requeridas intervenções de vulto, investimentos com montantes consideráveis para desentornar o leite derramado. As cativações são como voos atrasados. O avião não descola do aeroporto, mas os passageiros sabem que mais cedo ou mais tarde, custe o que custar, lá surgirá uma solução bem mais onerosa do que a inicialmente prevista. A Mariana Mortágua e o Jerónimo de Sousa sabem como isto funciona, mas continuam a conceder crédito ao patrão, ao mau pagador de promessas. E sabemos que este leasing político implica uma taxa de confiança que não corresponde às receitas económicas e sociais tão amplamente apregoadas para matar de vez a Austeridade. António Costa é felino e rato ao mesmo tempo.

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publicado às 14:32

Sucedâneos de demissões

por John Wolf, em 09.07.17

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O povo (e a oposição) gritava por sangue e (demissões) por causa das mortes resultantes dos incêndios de Pedrógão Grande e do assalto aos paióis de Tancos, mas o governo não respondeu à letra. Nem a ministra da administração interna nem o ministro da defesa arredaram pé. A geringonça, chica-esperta, desde a primeira hora do seu governo, vai encontrando modos de dissimular as contradições e distrair do essencial. Ao oferecer este peixe-miúdo, estes três secretários de Estado para abate de funções, pensa enganar um país inteiro com sucedâneos de demissões que deveriam naturalmente e inequivocamente acontecer. Colocar na faixa ética as viagens à pala para acompanhar a selecção nacional de futebol e não colocar a tragédia de Pedrógão e o assalto a Tancos revela o miserabilismo moral e a  total falta de escrúpulos dos actuais governantes. Mas existe ainda uma outra hipótese. Pode ser que os secretários de Estado Rocha Andrade, Costa Oliveira e João Vasconcelos saibam que vai haver chatice da grossa e que mais vale saltar do barco antes deste afundar. Parece-me muito estranho que este dossiê caia assim de paraquedas como se para calar a oposição e os detractores do governo. Deste modo a geringonça pode dizer, se perguntarem, que também sabe demitir ou exonerar, cortar ou cativar. Enfim, parecem tão certinhos e eticamente movidos, mas isto não passa de show de bola. Lamentável.

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publicado às 19:56

Nacionalismo imobiliário?

por John Wolf, em 08.07.17

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Sabemos todos que money doesn´t sleep (lembram-se de Gordon Gekko e do filme Wall Street?) e que flui para onde é efectivamente melhor tratado. O Diário de Notícias revela alguns traços de nacionalismo-imobiliário com o artigo que "expõe" a apatia de investidores estrangeiros, que compraram imóveis de vulto no sentido de os restaurar e revender, mas que ainda não o fizeram. Não esqueçamos que grande parte desses palacetes e casas nobres foram erguidos com capital "excêntrico". Foram dinheiros oriundos de negócios internacionais que permitiram tamanha expressão faustosa ao longo da história de Portugal. Se pesquisássem com mais cabeça e menos paixão, cedo descobririam que João Frederico Ludovice era de facto Johann Friedrich Ludwig, ou seja um arquitecto "estrangeiro". Pela mesma lógica da batata, um investidor português que se aventure em projectos imobilários na Provence francesa, também seria obrigado a fazer obras no dia seguinte. Mas não é assim que acontece. Talvez seja boa ideia solicitar um estudo sobre a relação entre governos de Esquerda e a apetência para investir de entidades estrangeiras. Quem sabe, talvez tenham tido second thoughts. Talvez estejam a pensar com mais afinco sobre decisões tomadas em ambientes económicos e fiscais mais favoráveis. Os fundos de investimento imobiliário têm à sua disposição ex-políticos que sabem muito bem onde a vaca torce o rabo. Vieram de fora comprar? Em que século vive a autora desta peça jornalística. Não existe um fora e um dentro. A não ser que se construa um muro bem alto.

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publicado às 19:53

Turistas low-cost

por John Wolf, em 07.07.17

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Tenho autoridade para produzir o seguinte statement. Disponho de um estatuto especial. Embora não seja um nativo na acepção pura da palavra, Portugal diz-me respeito. Não sou um turista badameco, de sovaco à mostra e farfalheira à vista, que aprecia o território pelo tempo "sempre" quente e a cerveja fresquinha (e barata). Vivo neste país, bato-me por ele e não me vou embora ao fim de 3 noites bêbadas. Acabo de regressar a casa do tourist spot Chiado e as perspectivas são aterradoras. Os rebanhos de turistas são da estirpe mais brejeira possível. São mesmo low-cost. Não sei se vêm de Besançon, de Liverpool ou Munster, mas estes vão dar cabo do país. Contudo, não são os únicos responsáveis. Os agentes turísticos portugueses baixaram a fasquia consideravelmente. Entusiasmaram-se com os números e o caudal avassalador. Agora aguentem o desfalque, a delapidação gradual mas certeira do legado histórico e patrimonial de Portugal. Os guias que andam ali a contar histórias da tanga junto à Brasileira provêm de que escola de certificação? E há mais tristezas. Não são portugueses que vão ao Rio Maravilha ou ao Topo no Martim Moniz sorver um gin tónico - 12 euros é muita fruta por aqueles baldes de gelo. E confirmamos o seguinte. A ideia da galinha de ovos de ouro continua válida. É aproveitar enquanto durar. Espremer o bicho até à medula e esperar que venham mais da mesma patente. Estes turistas querem lá saber do país. Regressam a uma subúrbia infestada de hooligans, frequentam o seu pub e respondem: It were luvely. Da beer wa cheep and it wa always sunny...Poortagal wa great.

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publicado às 11:36

Paióis a dar com o pau

por John Wolf, em 05.07.17

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Não foi preciso um alicate, uma carrinha, uma lanterna e um mapa. A geringonça foi aos paióis de todos os portugueses, às claras, de dia. O ministro das finanças serve-se de linguagem de boicote para se esquivar ao bottom line. Os contribuintes portugueses são reféns de cativações e, fazendo uso de malabarismos orçamentais e de designação, a geringonça efectivamente fez cortes na Saúde e na Educação. Mas se tivesse sido o governo anterior a realizá-los, os mesmos desbastes teriam outro nome - seriam inscritos na categoria de austeridade. Centeno, que não se chamuscou em Pedrógrão e não foi recruta em Tancos, ainda julga que está imune a escrutínios. Responde inequivocamente com uma cassete - diz e volta a dizer onde não houve cortes. Insiste na ideia de uma reserva estratégica de créditos, como se o fogo pudesse ser compensado pelo excesso de água, como se o futuro pudesse ser arriscado no casino do presente. Porque é disso que se trata. Quando, para escamotear os números, não se aprovisionam stocks respeitantes ao sector de saúde, está-se de facto a poupar. Estão a poupar na segurança, estão a abrir brechas na sanidade, estão a jogar com probabilidades e hipóteses favoráveis, quando sabemos, que quando elas acontecem elas não escolhem hora nem local. E para rematar: que história é essa de aprovar estudantes com negativas a disciplinas curriculares? Qualquer dia retomamos a máxima académica de que a quarta classe chega. Diria mais; não chega. É mesmo conveniente manter as massas pobres, estúpidas e ignorantes. Onde já vimos isto?

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publicado às 15:27

Capitães de Julho, espadas na lapela...

por John Wolf, em 03.07.17

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Tenho a maior consideração e respeito pelos militares. São capazes de estruturar pensamento e são hábeis na prossecução de missões - se tiverem meios, se tiverem fundos, se tiverem o backing político adequado. Sabemos há muito tempo que vivem com parcos meios, mas muitos ignoram que os militares portugueses estão activos com assinalável sucesso em mais de vinte teatros de operações por esse mundo fora. Se os civis não são capazes de instigar a mudança, se os políticos e os governos são deficitários na defesa de princípios invioláveis associados à democracia, à soberania e a manutenção da ordem, acho muito bem que os militares passem da reserva a indignados em manifestação activa, na rua. Os capitães de Abril que ostentam tantos louros podem agora ser secundarizados pelos capitães de Julho - estes que agora irão depor espadas à porta da presidência da república. As medalhas que ostentam os obreiros de 1974 perderam o lustre, já não reluzem, nem têm um efeito mobilizador. São meras antiguidades românticas que evocam baladas e pouco mais. Sem terem dado conta, os sucessivos governos foram condescendentes com precisamente aqueles que enfrentam as broncas, que defendem a nação. O que aconteceu em Tancos é da exclusiva responsabilidade de governos. Não tenho uma espada em casa, mas se a tivesse também a dispunha em Belém.

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publicado às 21:03

Tansos e Tancos

por John Wolf, em 02.07.17

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Há qualquer coisa que me está a escapar. Não seria expectável, que à luz do furto de material de guerra em Tancos, o governo da república portuguesa determinasse o fecho de fronteiras, a suspensão de Schengen? Não entendo esta atitude de deixa andar, deixa ver. Não ouvi falar de uma operação de caça aos infractores. Não ouvi falar do controlo de pontos nevrálgicos na fronteira. Daqui por alguns meses teremos um relatório sobre a qualidade das vedações e a mediocridade do sistema de videovigilância. Tal como fizeram em relação aos incêndios, dirão que foi uma figura abstracta a determinar os desfechos - um trovão ou o raio que o parta. As autoridades responsáveis afirmam que o material subtraído já se deve encontrar fora do território. Eu entendo a lógica por detrás deste esquema - casa roubada, portas escancaradas. Deste modo, a haver um evento terrorista, a probabilidade de ser no estrangeiro é maior. Já sabemos que a União Europeia deixa muito a desejar, mas aqui temos mais uma prova de que a Política Externa e de Segurança Comum é de facto um mito. Devemos agradecer aos espanhóis pelo fornecimento da lista aproximada dos engenhos furtados. Na escala de valores de desgraça e consequências, não sei quem ocupa o lugar cimeiro do pódio, mas a violação da soberania militar de um Estado é, no meu entender, ainda mais grave do que o falhanço de um SIRESP. Aguardemos então pelo próximo episódio sórdido. E esperemos que não custe ainda mais vidas humanas. Os que levaram as granadas não andam a brincar aos polícias e ladrões. São dos maus. E este governo é tão bonzinho que nem sequer sabe admoestar os titulares de pastas e cargos públicos com responsabilidade directa nas matérias em causa. Quanto a Marcelo, este já faz parte do problema da nação e cada vez menos da solução.

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publicado às 20:09

A vedação foi dada como culpada em Tancos

por John Wolf, em 30.06.17

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Lamentavelmente entrámos num registo de inevitabilidades, de avarias e peças defeituosas. Falo do Estado, naturalmente. Refiro-me ao governo, obviamente. Primeiro foi o SIRESP que deu o berro, mas a Ministra da Administração Interna lá continua a lamentar um incêndio descomunal e não arreda pé. Depois foram as granadas e engenhos explosivos que "alguém" abarbatou em Tancos (ainda não escutei o Ministro da Defesa, mas temos tempo). Ainda antes tivemos a flatulência de intervenção do arrivista-artista. O que se seguirá? Um software seco que toma conta do sistema de semáforos da metrópole e provoca acidentes na Av. Padre Cruz?  Aparentemente foram tudo causas naturais. Não houve mão humana que tivesse determinado o destino deste cabaz de incongruências. Foram três penáltis sem resposta. Mas devemos nos preocupar seriamente. Quando o inimigo assinar o decreto, quando o adversário declarar guerra aberta, o governo já terá esgotado o kit de desculpas esfarrapadas. Os seus serviços de desmancha-verdades deixarão de fazer sentido. Os inquéritos de opinião para determinar os níveis de popularidade de nada servirão para camuflar os efeitos nefastos deste regime, este socialismo-nacional. Enfim, o estado de arte resume-se a um farpado. Uma vedação. A culpada inquestionável, sem margem para dúvida.

 

Adenda:

Não esquecer - são as catástrofes que estendem e validam mandatos caducos.

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publicado às 17:43

Peido suicida

por John Wolf, em 28.06.17

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São precisamente temas de pasquim como a declaração suicida de Passos Coelho ou a flatulência de Sobral que determinarão o próximo incêndio em Portugal. O povo aprecia o circo, e dispensa a essência basilar de um sistema. Rir à conta da palermice e da mediocridade afasta o ser pensante dos grandes desígnios do país. Ser profundo e consequente custa. E, in spite of it all, não se chega a bom porto com festas de auto-comiseração, espectáculos narcicistas e verberações masturbatórias. Sentar-se à mesa como adultos e encarar a música desafinada não é para qualquer um. Ao validarem a ideia de absolvição dos pecados, numa congregação de "manifesta e inequívoca solidariedade", adiam o trabalho duro, sujo. São momentos de pico como este, de libertação orgásmica, de hibridismo transformador da "dor dos outros" em esperança para "todos", que eternizam a noção de ascensão e queda, fulgor e inconsequência. Por mais que estiquem os zeros do milhão, os mesmos não tapam a parte descoberta de um país inteiro versado nas artes hedonistas, nos prazeres. Foram os deleites que mataram as florestas. Foram as extravagâncias de uns que abandonaram o interior. Foram os cosmopolitas vibrantes que deitaram fogo à ruralidade em nome da sofisticação cintilante de uma festa de arromba. A silly season está oficialmente aberta.

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publicado às 12:51

Se Pedrógão fosse no Texas

por John Wolf, em 26.06.17

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Sou apenas mais um que ignora os factos. Sou um mero papalvo que aceita as patranhas. Sou um sobrevivente da calamidade - e estou à mercê do estado de graça de Portugal. Se fosse no Texas seria bem diferente. Ao mero indício de falha de um sistema de comunicações, e à luz dos cidadãos mortos pela incompetência e irresponsabilidade políticas, os familiares das vítimas já tinham movido um processo ao Estado Português. O governo da república sabe que do outro lado da barricada está gente pequena, minifundários, almas sem grande poder de fogo para ripostar. Mas há bastante mais. Há o negócio volumoso que o SIRESP envolve; os contratos, os financiamentos, as contrapartidas. Não sei quantas centenas de milhões de euros este matrix das emergências já consumiu, mas "algum" do dinheiro tem proveniência externa. A União Europeia (UE), essa entidade reguladora por excelência, parece o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português - não se pronuncia sobre putativas responsabilidades políticas. O esclarecimento cabal de que fala António Costa não pode nascer a partir de uma comissão de inquérito de um concelho socialista como Pedrógrão Grande. Tem de ser a Comissão Europeia a iniciar um processo que extinga todas as dúvidas sobre o SIRESP; quanto dinheiro foi lá metido? E quanto terá escorrido para bolsos alheios? Finda essa parte instrutória, a "judicialidade" da UE deve determinar o grau de culpa do Estado Português e distribuir sanções e multas. Com os da casa isto não vai lá. Querem enrolar-nos a todos.

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publicado às 10:46

Poupança portuguesa

por John Wolf, em 23.06.17

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Tenho autorização para regressar à economia real? Se sim, então tomem nota do seguinte: "a poupança das famílias recuou para 3,8% do rendimento disponível no primeiro trimestre de 2017, marcando assim o valor mais baixo da série que teve início há 18 anos". Significa isto que os portugueses pouco aprenderam e que acreditam no conto do vigário. Somem a este vector o outro - o nível de dívida pública acima dos 130% do PIB e temos o cocktail perfeito para deflagrar mais um descalabro, um semelhante àquele de 2011. Nem mesmo as sucessivas tragédias incendiárias ensinam grande coisa. O comportamento colectivo é unamunaniano, suicida. A expressão saving for a rainy day não se aplica ao continente ou às regiões autónomas. Não sei qual a medida portuguesa, e não sei se a família-tipo tem reservas equivalentes a 6 salários ou se prefere ir de férias e logo se vê. Os partidos que formam o governo de Portugal não parecem ligar muito a estas leituras estatísticas. E existe uma explicação para isso - replicam os comportamentos individuais. Vivem para além das possibilidades. Nem acima nem abaixo. Vivem noutro universo desprovido de responsabilidade moral. A dívida e a falta de poupança são dissabores que ardem sem se ver. E eles querem que assim seja, que não sejam vistos ou revistos.

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publicado às 20:35

SIRESPonsáveis

por John Wolf, em 20.06.17

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Os promotores do magistério intocável do luto podem transmitir às famílias das vítimas que o sistema de comunicações SIRESP provavelmente falhou e que alegadamente resultou na morte trágica dos seus parentes. Não existe árvore criminosa nem trovoada delinquente que possa ilibar a responsabilidade de políticos desprovidos de sentido ético. O luto, interpretado por todos menos os próprios inflamados, deixou de ser de pesar. O luto é indignação. O luto é raiva. O luto é exigir responsabilidades. O luto é pedir demissões. O luto não é um alibi para encapotar as verdades. O luto não é atribuir a culpa à natureza feroz. O luto não é silenciar aqueles que defendem a reserva natural da verdade e respectivas consequências. Não querem assumir a SIRESPonsabilidade? Deveriam ter vergonha na cara. Todos eles. Os governantes do passado, do presente e provavelmente do dia de amanhã. Em vez disso colocam paninhos quentes no eucalipto queimado.

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publicado às 09:28






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