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Da amizade em política

por Samuel de Paiva Pires, em 15.06.17

Na Quadratura do Círculo, a respeito da nomeação de Lacerda Machado para a TAP, Jorge Coelho afirma que também é amigo do Primeiro-Ministro e este não o nomeia para nada. Estribando-se na doutrina de Carlos Santos Silva, António Costa deveria cuidar melhor dos seus amigos.

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publicado às 23:11

"Deixem-me comer" - diz Maria de Belém

por John Wolf, em 14.01.16

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Apresento-vos o novo humorista de Portugal - Jorge Coelho. Qual homem-forte do PS qual carapuças. O político que apenas mereceu o meu respeito no dia em que se demitiu (estais recordados da tragédia de Entre-os-Rios? Esteve bem. Foi-se embora). Não sei se o guião estava combinado com a Maria de Belém, mas o arruaceiro Coelhão, à falta de melhores piadas, pôs-se a contar umas anedotas. Citou de memória Marx (Groucho, mas poderia ter sido o outro, esse mesmo da Esquerda esclarecida), partilhou a depressão que atravessa, mas deixou transparecer o seguinte: tem uma certa dor de cotovelo, uma pequena inveja de Maria de Belém. Fala alto, de um modo desengonçado, embora sem estilo, como se ele próprio fosse candidato a qualquer coisa. E depois, para rematar, foi deselegante para com a senhora candidata. Chamou Maria de Belém de velha - uma mulher madura, com muito para ensinar do alto do seu "pensamento estruturado" e com a sua bagagem de "experiência". Enfim, não sei que mais poderemos esperar desta campanha. Nos cartazes de rua da candidata já não se lê "a força do carácter"; agora é tempo de "unir os portugueses", e aproveitou o seu entusiasmo para indicar que se for presidente da república será para governar Portugal. As 35 horas semanais já servem de mote, de munição de campanha. Ao referir que o presidente da república deve manter-se à margem das negociações entre o governo e os sindicatos, confessa precisamente o oposto: que quer dar os seus bitates, meter a colher. Não sei o que ela pretende, mas deve desejar elevar o estatuto de candidato a algo mais permanente. Para já aqui vos deixo com a sua frase do dia: "Temos aqui estes tabuleiros fantásticos à nossa frente, com um cheirinho fabuloso e agora não nos deixam começar a comer".

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publicado às 19:25

As razões de vida de Marques Mendes

por John Wolf, em 17.11.14

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Se houvesse alguma coerência e sentido de ética, a SIC já deveria ter prescindido de uma série de comentadores. Em vez disso, concede-lhes direito de antena - direito de resposta. Maria João Ruela, ou qualquer outro dos seus colegas dessa estação de televisão (ou de outra que queiram elencar), pode brincar às adivinhas, às perguntas e respostas, e fingir exercer jornalismo, mas não tem culpa no cartório. A repórter é um(a) pau-mandado e faz o que o patrão lhe manda fazer. O ex-ministro Miguel Macedo fez o que outros já fizeram (o barão do PS Jorge Coelho demitiu-se após a queda da ponte de Entre-os-Rios) e salvaguarda o princípio de responsabilidade política por mais remota que seja a sua ligação a forças desviantes, a erros de governação e ilegalidades. E essa regra transcende as interpretações decorrentes das minhas preferências ideológicas. Marques Mendes, embora inócuo e inconsequente, e de utilidade duvidosa, serve para ilustrar as várias nuances do absurdo que assola Portugal nos tempos que correm. O senhor explica " ter entrado nesta empresa com mais três pessoas depois de ter deixado a vida política ativa", mas sublinhou que nunca exerceu "qualquer cargo" e "por razões da vida" acabou "por não prestar qualquer atividade profissional a esta sociedade". Com o caneco; eu entro em minha casa todos os dias, sirvo-me da casa de banho, uso a cozinha e deito-me na minha cama, mas não digo que tenho casa há dez anos e que nunca me servi dela por razões de vida. Então por que carga de água Marques Mendes fez parte da empresa? Para servir de porteiro? Para decorar a fachada? Mas o homem não fica por aí. Aproveita a cadeira do estúdio para picar o ponto com: "Eu pauto-me por princípios e na vida tem de haver princípios, cada um responde pelos seus atos e em democracia, no Estado de Direito, ninguém está acima da lei, sejam amigos, sejam conhecidos, sejam parentes, sejam familiares, seja quem for, a lei é igual para todos e se alguém comete um ilícito tem de haver mão pesada da parte da Justiça", defendeu. Contudo, o mais grave destas cenas picarescas, é que para a semana que vem, bancadas repletas de cidadãos portugueses continuarão a sintonizar o tal canal para escutar com atenção mais balelas, ruelas - também sei encostar o queixo à mão.

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fotografia JW por Kenton Thatcher www.kentonthatcher.com

 

 

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publicado às 08:35






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