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Sócrates - belo, Belino...

por John Wolf, em 20.05.17

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José Sócrates foi o principal beneficiário do mundo do espectáculo e das artes. Recuando quase um ano, o campeonato europeu de futebol e a vitória da selecção nacional, foi um biombo perfeito para distrair o povo da sua provação judicial. Depois houve o Web Summit e nunca mais apareceu o insulta-jornalistas João Araújo. Entretanto houve o build-up da visita do Papa, a peregrinação a Fátima e ainda a febre do festival eurovisão da canção. Ou seja, Sócrates teve tantas atenuantes mediáticas, mas nada disse a esse propósito. Não concedeu uma entrevista sequer a reclamar da falta de atenção das televisões. Não assinou mais uma obra literária que esgotasse na aurora da sua publicação. Por outras palavras, com tanto tempo de folga, de baixa mediática, não foi capaz de se defender cabalmente das injúrias e mentiras. A fundação Belino que agora surge em primeiro plano nos escaparates não deveria ter aparecido. Nos bastidores das várias cantigas de distracção que assoláram o país, Sócrates não soube aproveitar os bónus como António Costa o fez. O primeiro-ministro, nesta onda hipnótica de comendas parlamentares, fados e futebol, conseguiu convencer Portugal inteiro que este já estava totalmente curado das maleitas económicas e sociais. O chefe da Geringonça teve a arte de dissimular a tempestade residente da dívida pública, e fingir os números de crescimento económico à pala de flacidez no investimento público - o povo engoliu a dois. Francamente. José Sócrates, que andou na mesma escola, não soube desmontar a cabala da Fundação Belino que segundo as suas visões seria natural que aparecesse. Ainda não tivemos uma conferência de imprensa onde Sócrates pudesse refutar tudo, mas pouco falta. Ainda esta noite, aposto, teremos um porta-voz jurídico a desmontar a ficção da fundação suiça. Não esqueçamos que as fundações são uma invenção dos socialistas. Uma espécie de cooperativa de interesses, com tesourarias e divisas próprias. Belo, Belino -  Lula, Dilma e Temer também não ajudam nada. Resta apenas o Salvador.

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publicado às 14:53

Pedro Dias e José Sócrates

por John Wolf, em 20.10.16

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Acho absolutamente notável que no caso de José Sócrates as forças de segurança fossem capazes de capturar o foragido sem demoras. Deve ser por ser VIP. O Pedro Dias, um cidadão comum, sem pergaminhos excepcionais, está a ser tratado de um modo repugnante. Anda por aí há mais de 10 dias. Visitou Carro Queimado, esteve em Constantim (a fama que vem de longe) e só Deus sabe por onde andará. Estão a dar lenha para o homem se queimar. No caso do 44 o tratamento foi outro. Quarto, comida e roupa lavada durante 11 meses! - pagos pelos contribuintes. Onze meses não são nove semanas e meia.

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publicado às 10:31

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São coisas que acontecem. São eventos normais. São factos que devem fazer parte da Democracia para que esta se mantenha viva e tendencialmente intacta. O possível impeachment de Dilma Rousseff, a dedução da acusação de José Sócrates, a prisão de Ricardo Salgado ou o encarceramento do CEO da Enron, são apenas pequenos exemplos do modo como o motor das nossas sociedades realiza uma sangria, e mantém em andamento uma certa ideia de justiça. O equilíbrio é dinâmico e pressupõe um calendário moral que nem sempre coincide com a agenda política. O escândalo Panama Papers é, essencialmente, um catalisador do processo de transparência que se exige sobretudo a detentores de cargos públicos. Ainda não me explicaram quem paga os honorários do advogado João Araújo. Já leva umas horas valentes a discorrer absurdidades e decerto que tudo isso tem um preço. O balão de oxigénio que refere não é nada disso. Diria que se trata do oposto, de uma câmara hiperbárica para estrangular as incongruências e as jogadas espertas que encaixam que nem luvas na figura jurídica de uma offshore. Era isto tudo ou então ficar quieto. A escolha parece óbvia, incontornável. Existem motores gripados.

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publicado às 17:07

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Estou mesmo desiludido. Tanta coisa nos idos de Évora e agora nada. Não há quem organize um evento de defesa de Lula na Aula Magna da Universidade de Lisboa? Não existirá modo de financiar um cartaz alusivo à forma descarada como estão a destruir o carácter do homem? O próprio Lula da Silva tem mais espírito empreendedor do que aqueles que marcaram as conferências de José Sócrates. O santo serralheiro já meteu mãos à obra e estará na manifestação pró-Dilma. Que bonito. Só tenho a acresecentar o seguinte. Mal estalou o escândalo de Lula no Brasil, os mercados encararam o evento como algo de positivo. O ETF do Brasil (ticker: EWZ) valorizou de um modo dramático (ontem fechou com ganhos na ordem dos 8%). Por outras palavras, os investidores internacionais observaram o fenómeno como sendo o início de uma "limpeza profunda" da realidade corrupta do Brasil. A partir destes factos poderemos extrapolar qual será o comportamento dos mercados em relação a Portugal quando for deduzida a acusação contra José Sócrates. Em suma, mas sem querer aconselhar caminhos de investimento, Portugal, por analogia, pode vir a beneficiar da clarificação judicial que estará implícita no processo Marquês. Afinal Sócrates ainda pode dar algumas alegrias a pequenos e grandes aforristas. É tudo por hoje. Boa noite.

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publicado às 19:07

Prós e Contras

por Samuel de Paiva Pires, em 14.09.15

A RTP decidiu realizar um Prós e Contras sobre a independência da justiça, lançando a questão "Há interferência dos partidos no sistema judicial?", e um coro de protestos de destacados socialistas levantou-se para criticar a estação televisiva pública, depois de há dias António Costa ter procurado intimidar Vítor Gonçalves durante a entrevista conduzida por este. O que muitos socialistas talvez ainda não tenham percebido é que estão a tomar as dores de Sócrates e a dar razão a Paulo Rangel para suspeitar que com o PS no poder Sócrates dificilmente seria investigado. Na hora de votar, portuguesas e portugueses, não se esqueçam da fotografia. Sócrates e as suas políticas moram no Largo do Rato e em António Costa, assim como as tácticas de intimidação da comunicação social tao características dos governos socráticos.

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publicado às 09:29

Orelhas de ídolos

por John Wolf, em 10.05.15

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(enviada à Fremantle International em nome de princípios universais)

copiar, colar, assinar e enviar à pressenquiries@fremantlemedia.com

 

Dear Sirs,


I address this letter in the name of certain principles that should prevail in our societies.


The Portuguese production version of the TV show IDOLS has gone overboard and humiliated a failed contestant making a mockery of one of his physical features - in this disrespectful case, his ears.


The MEDIA should NEVER be a vehicle for expressions of discrimination, racism or xenophobia. Although apologies were presented by SIC TV channel to the targeted contestant, I believe more must be done by the very ones that invented the original formula. In other words, the contract and implicit production and broadcast rights must be revised, OR EVEN CANCELLED.


Democracy, although consolidated in Portugal, must still fine tune some of its behaviors. An obligation that all open societies are subject to, East and West. All countries demonstrate distinct forms of imbalance, but if they were to go unnoticed and unchallenged, then deeper forms of betrayal would certainly flourish.


We have witnessed in Portugal, on a prime-time TV programme meant to entertain and amuse, a clear example of bullying that must also be condemned by the creators of the show. Fremantle Media International must produce a serious and responsible reply to this incident.

Yours Sincerely,


John Wolf

 

(link relevante)

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publicado às 12:54

Soares dá mais umas passas

por John Wolf, em 04.01.15

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Quem é Mário Soares? É esta a pergunta que deve ser colocada para estabelecer os limites da sua actuação. O ex-primeiro-ministro do governo de Portugal e ex-presidente da República Portuguesa é, para todos os efeitos legais, um mero cidadão igual a tantos outros. Se fosse socialista ter-se-ia apercebido dessa contingência de igualdade, liberdade e fraternidade. Mas não é esse o caso, julga que é maior que os demais. Pensa que ainda manda como mandou, e mal, durante décadas. Continua na política como quem joga à sueca, à bisca. Desafia Cavaco Silva a fazer isto e aquilo. Vilipendia a Justiça em Portugal ao declarar a inocência imaculada de José Sócrates e ao lançar suspeições sobre o sistema nacional de justiça. Não existem provas contra José Sócrates? E contra si? Não vos parece estranho que tantos camaradas tenham logo acorrido a Évora para abraçar o amigo. Pois. E durante a duração do encosto dos lábios à orelha houve tempo mais que suficiente para avisar o recluso para eventualmente não envolver mais gente na confusão. Se Sócrates dispusesse de armas de arremesso que envolvessem outras forças políticas, decerto que as utilizaria. Se o caso é político, como solenemente afirma, já teria arrastado colegas de outros partidos para a mesma vitrine da prevaricação, mas o homem não tem nada na mão. E Sócrates apenas tem amigos socialistas? Não aparece lá alguém do PCP, do PSD, do BE, dos Verdes ou do CDS? Pensava que a amizade nada tinha a ver com a cor da pele, da bandeira de um partido. Acho muito bem que comecem a distribuir multas àqueles que decidem interferir nas investigações, nos trâmites legais. Soares também se está a pôr a jeito para ser autuado.

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publicado às 13:57

O BAILE

por Manuel Sousa Dias, em 20.12.14

A entrevista de ontem Judite de Sousa a João Araújo foi bastante esclarecedora sem no entanto termos visto esclarecidas quaisquer dúvidas relevantes por parte do advogado de José Sócrates. Ficámos sem saber 1) os fundamentos que justificam por parte do advogado a ilegalidade da prisão de José Sócrates, 2) os seus argumentos para que o ex-primeiro-ministro aguarde o seu julgamento em liberdade ou 3) a fragilidade das provas, nomeadamente as que justificam o crime de corrupção e, já agora, 4) como pôde José Sócrates viver da forma que vivia tendo os seus rendimentos tão limitados. Em contrapartida ficámos a saber que José Sócrates está bastante bronzeado, que tem praticado jogging diariamente e que está com o seu astral em cima, aliás, como sempre, para aguentar outro processo que os seus inimigos despoletaram apenas por razões políticas.

 

Resumindo, João Araújo não tentou esclarecer os portugueses das dúvidas que ensombram a honorabilidade e reputação do ex-primeiro-ministro de Portugal, mas sim sublimar aos apoiantes ferrenhos de José Sócrates a “narrativa” que dá conta que o animal feroz continua imbatível e com o mesmo espírito de gladiador. Fê-lo com ironia, fugindo às perguntas importantes, escondendo-se atrás da sua impossibilidade de falar sobre o processo, mostrando uma pretensa ignorância sobre as notícias dos jornais ou colocando em causa a veracidade de factos que são públicos sobre a vida do seu cliente - por exemplo, uma vida recheada de luxos caros. E assim foi respondendo, ou não respondendo, João Araújo, às perguntas colocadas. Os apoiantes de José Sócrates correram para as caixas de comentários na net: João Araújo “deu baile” a Judite de Sousa. O mesmo tipo de “baile” que José Sócrates gostava de dar nos debates na Assembleia da Republica, nos quais se escapulia à resposta das questões colocadas, concluí.

 

O problema presente de José Sócrates é bem mais grave do que a gestão da sua popularidade, é um caso de justiça. A gestão da sua comunicação será mais eficaz na medida em que esclarecer com sobriedade as dúvidas que legitimamente se colocam na mente dos portugueses quanto à figura que ocupou durante vários anos um dos mais altos cargos da nação. Não parece ser esta a opinião do seu advogado. Resta saber quais os verdadeiros trunfos jurídicos da defesa frente a um colectivo de juízes com poder de decisão sobre o futuro do ex-pm e, já agora, se este colectivo alinha em dançar ao som do baile que a defesa parece querer dar também à justiça portuguesa.

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publicado às 19:12

Portugal: dois mil e catorze menos 44

por John Wolf, em 20.12.14

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Do alto dos meus 39 graus de febre ainda consigo ver Portugal e em particular o ano de 2014. Estamos de parabéns e é Natal. Este ano ficará na história desta valente e imortal nação por ter quebrado o feitiço da intangibilidade. Temos a prova de que a Justiça é capaz de apanhar ex-lideres sem acanhamentos ou reverências. O que tem de ser tem muita força. Coloquemos José Sócrates no topo, mas acrescentemos outras missões investigativas. Mas o povo português é estranho e justifica a expressão proverbial: preso por ter cão, preso por não ter cão. Quando não havia resultados na Justiça no que dizia respeito aos "grandes de costas largas", ouvia-se o coro dos oprimidos, a  voz do mexilhão habituado a receber as sobras do tratamento justo e equitativo. Agora que é a doer para com um ex-primeiro ministro reclamam por chavões como segredo de justiça e presunção de inocência. Dizem que não passa de política, mas estão enganados. José Sócrates já não é uma divisa, não serve para apostas partidárias. Queimou-se, e embora os efeitos colaterais queiram ser dirimidos, mitigados, a verdade é que haverá consequências e não apenas para o Partido Socialista, mas para a totalidade da estrutura do poder político de Portugal. Nestas questões não há refúgios ideológicos. Os prevaricadores andam por aí, e vêm em todas as cores e feitios. Que 2015 chegue com a mesma pujança jurídica que vinha sendo adiada de há muitos anos a esta parte.

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publicado às 10:38

O futuro de Sócrates

por Manuel Sousa Dias, em 17.12.14

Sócrates não acreditou na sua prisão, porque “eles” não tinham coragem para enjaular o animal feroz. Mas tiveram. Então qual tem sido a estratégia (se é que há estratégia) de defesa? Desacreditar a justiça, desacreditar os juízes e desacreditar a investigação. Martelar a ideia de que a prisão é ilegal e de que a defesa desconhece os factos que levam à detenção. Marcar presença diária na comunicação social. Dar entrevistas. Polarizar a opinião publica. Fale-se bem de Sócrates, fale-se mal de Sócrates mas fale-se de Sócrates.

 

A estratégia de defesa produzirá resultados? A agressão à justiça é decerto má aposta para a defesa, numa altura em que parece que ela finalmente funciona e, já agora, com aparente mão pesada nestas meias tintas entre politica, negócios e todos os esquemas in-between. É também um contra-senso o animal feroz em cativeiro disparar em todas as direcções ao mesmo tempo que a defesa advoga a benignidade para a investigação do animal feroz em liberdade. E a opinião publica? Essa, perante a vida faustosa e, sobretudo, o interminável rol de confusões de Sócrates, família e amigos, certamente quer que finalmente seja feita justiça sobre um “poderoso” que, de uma forma ou outra, tem sido habilmente escorregadio em relação à barra dos tribunais.

 

E quanto ao PS? O PS é, no que toca a Sócrates, um submarino com um rombo a deixar entrar água. E o que se faz nesta situação? Isola-se hermeticamente a área inundada. Costa seguiu friamente o procedimento e fechou a escotilha, apesar de no outro lado ter deixado Sócrates, já com falta de ar e a tentar desesperadamente tapar com os dedos o enorme rombo no casco. Enfim, casualties of war, à política o que é da política e à justiça o que é da justiça. Então por altura do Natal, já com os estragos no casco minorados e a máquina estabilizada, Costa, porque assim tem de ser, lá fará a sua viagem a Évora, deixando no ar uma bem medida ambiguidade entre a solidariedade politica e a caridadezinha natalícia.

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publicado às 01:13

Dos fracos não reza o Sócrates

por John Wolf, em 08.12.14

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Existe uma cela dentro do nosso espírito onde habitam aqueles que acicatam a morte prematura. Quando somos destinatários da falência ética, devemos procurar refúgio numa casa vizinha, no castelo de convicções sólidas, inabaladas pela perfídia daqueles que não caíram por terra - pois sempre rastejaram no lodo da sua existência. A liberdade não é uma pátria comandada. A inveja, sendo a derradeira de Camões, Deus reserva para o diabo que anda à solta. A cobardia, justamente convocada para a falácia do dilema, não afasta os bravos, não intimida os fracos - atrai os audazes que não anunciam a sua chegada. Como ousam ofender a alma lusitana?

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publicado às 19:41

Sócrates no vermelho

por John Wolf, em 04.12.14

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Ainda não foi traçado o perfil psicológico do caso patológico que dá pelo nome de José Sócrates. À medida que a síndrome de prisioneiro se instalar no espírito do recluso, iremos ser contemplados com mais manifestações maníacas. A tinta vermelha da caneta BIC, que o ex- primeiro ministro usou para redigir uma nova reclamação, carrega outras angústias. Os especialistas, quando procuram estabilizar um certo padrão de comportamento de um alegado criminoso, servem-se de todos os indicadores para traçar o seu perfil. O vermelho (ou encarnado) reflecte, de um modo genérico, a tendência violenta, a predisposição para a agressão, e em consequência do desferimento do golpe, a fatalidade do sangue. José Sócrates ainda não desenhou todos os contornos do dilema do prisioneiro, mas para lá caminha. A teoria do jogo pode vir a tornar-se útil para tentarmos perceber o que nos espera. Sugiro também a leitura da obra de Konrad Lorenz - Sobre a Agressão -, embora esta última tenha a ver com comportamentos gregários. Ou seja, poderemos induzir que à medida que o recluso se sentir cada vez mais encurralado, irá, de um modo etológico, arrastar mais jogadores para o tabuleiro do desespero. Este caso está a tornar-se cada vez mais interessante. Nos meses que se seguem seremos fornecidos com muito material de estudo, bastante útil para redigir uma tése de doutoramento sobre ex-políticos com fétiches diversos - encarnados, encarcerados. Pouco importa. A cor dos factos não sofre grandes alterações.

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publicado às 08:48

Habeas Socras

por John Wolf, em 03.12.14

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Não tenho um telefone com uma linha directa para a central de segredos da casa da justiça, mas é óbvio que o pedido de Habeas Socras não tem pernas para andar (de Évora, ou do raio que o parta). Será racionalmente recusado. José Sócrates pode ser acusado de inocência as vezes que quiserem pelos Almeidas e Lacões deste universo, mas os prazos de entrega ao poder judicial ou de detenção não foram ultrapassados. Acresce a este facto que provavelmente os tentáculos do polvo de Castelo Branco se estendam de Caracas a Tripoli - como diz o próprio: "isto mal começou". Podemos afirmar, com alguma margem de erro contabilístico, que o Banco Espírito Santo também terá sido uma das instituições do regime socrático. Mas o Habeas Corpus também não faz sentido por outra razão. Sócrates, embora esteja privado de liberdade de movimentos, não perdeu o contacto com o mundo. Parece não ter dificuldades em mandar mensagens e bilhetes - quer em tom de ameaça quer em jeito de promessa - para diferentes orgãos de comunicação social. Em todo o caso, quem parece ter os movimentos condicionados, e estar ligeiramente paralisado, é outro cavalheiro. Já passou mais de uma semana sobre a detenção de Sócrates e António Costa nem sequer se dignou visitar o seu camarada. Mas será apenas uma questão de tempo até apanhar a mesma camioneta de Soares e companhia.  À medida que o enredo for adensando, e Sócrates deixar de se sentir o homem mais livre do mundo, arrastará para o filme outros protagonistas. Não me parece, que em nome do Partido Socialista ou da revolução socialista, esteja disposto a passar uma longa temporada em Évora. Quando a ocasião o exigir, Sócrates, como dizem os nossos amigos brasileiros - vai botar a boca no trombone.

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publicado às 08:24

A odisseia de Ulisses, Sócrates...

por John Wolf, em 02.12.14

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Duarte Lima, José Sócrates e Ulisses provavelmente têm mais em comum do que julgam. Mas há mais, muitos mais, que padecem da mesma doença do enriquecimento. A ideia de que é possível encontrar um atalho financeiro, um modo de meter dinheiro ao bolso de um modo pouco convencional, e em grande parte dos casos, de forma ilegal, criminosa. Na análise do perfil psicológico de sujeitos com esta inclinação, devemos levar em conta alguns traços dominantes. A noção de que se pode subalternizar o concidadão, inferiorizá-lo através de fintas e esquemas de decepção. É com isso que lidamos de um ponto de vista estrutural, e que infelizmente podemos observar a montante e a jusante na cadeia alimentar da sociedade portuguesa. Mas o caçador furtivo acaba por se tornar a presa das suas próprias armadilhas. É nessa fase de desenvolvimento que Portugal se encontra - morde a sua cauda. As detenções e condenações devem fazer parte da normalidade ética do país. Apenas desse modo se pode cumprir um dos desígnios fundamentais da democracia - o funcionamento eficaz do sistema de justiça. Bem sei que Portugal é um país de paixões - daqueles que se encontram ao lado dos justos e dos outros que se alinham com os prevaricadores. Cada um é livre de fazer as escolhas que entender, mas em última instância porá em causa a sua liberdade e contribuirá para arrastar ao fundo o seu país. Não se dormem em casas alheias, mesmo aquelas que se encontrem em Paris. A casa de Évora tem dono - pertence aos portugueses.

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publicado às 09:28

António Costa - feito num 8 com o 44

por John Wolf, em 29.11.14

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Antes mesmo de António Costa disputar eleições no ano que vem, já está a ir a votos. António não tem mãos a medir com a bagagem que lhe deitaram às costas. O Expresso irá fazer a cobertura do oitavo congresso do PS, em antecipação da campanha com que brindará o candidato a primeiro-ministro. Mas vamos por partes. Sabemos que o jornalismo não é grande coisa quando se tem de socorrer de anagramas cabalistas para interpretar os sinais políticos. Qualquer dia chamam a Maya para deitar cartas. Enfim. Adiante. Então quais são os oito desafios mágicos que referem?

1. Garantir que há vida além de Sócrates. Não, não existe vida para além de Sócrates. Que eu saiba o homem está vivinho da silva e marcará a sua presença de um modo assíduo no imaginário colectivo dos socialistas e na quantidade de recursos que irá apresentar. Como o próprio disse, é comigo, mas não deixa de ser político. Como podem ver, não diz respeito ao PS.

2. Manter o PS unido. Ora bolas! Essa é fácil. O PS está totalmente unido na estupefacção e na surpresa decorrentes da detenção de Sócrates. Estão mais do que unidos - são uníssonos - o homem está inocente.

3. Construir uma equipa robusta. Entendo a abordagem ecológica - servirem-se de materiais usados para reconstruir - Ferro Rodrigues e Vieira da Silva. E acrescentar alguns elementos compósitos -  a cola-rápida fornecida por Carlos César para garantir que a coisa não se desunha.

4. Liderar o PS ao mesmo tempo que preside a Lisboa. Não é tanto liderar. Tem mais a ver com fingir com lidar com a gestão autárquica. Afinal a Câmara Municipal de Lisboa (CML) não é Portugal. Mais inundação menos inundação, o que interessa? Por daqui a uns tempos, quando auditarem as contas da CML (e com sorte as tornarem públicas), Costa já estará longe.

5. Escolher quem quer apoiar nas eleições presidenciais. Compreendo que haja dificuldades uma vez que Sócrates não está disponível e que Guterres ainda não possa ser considerado uma fava contada. Bem vistas as coisas, os suplentes de que dispõem carecem de argumentos para a titularidade daquele posto ou mesmo outros de nível mais baixo. António Costa provavelmente terá de se alinhar com o candidato de outro grémio partidário e repetir que é a melhor proposta da Esquerda.

6. Apresentar o programa de Governo. Então não o tinha feito? Combater o desemprego e aumentar a produtividade? Ah, esqueci-me. A questão da dívida pública também será tratada ( e que não tem nada a ver com Sócrates).

7. Fazer as listas a candidatos a deputados. O verbo fazer não cai bem. Soa a cozinhar. Em vez disso, numa lógica ascendente seria natural que a selecção de membros assentasse no mérito e não em lealdades políticas. Já sabemos que isso deu e dá quase sempre asneira. Os portugueses ficam sempre a arder com os arranjinhos dos outros.

8.Vencer as legislativas. Ouviram bem? v-e-n-c-e-r  a-s  l-e-g-i-s-l-a-t-i-v-a-s. Não ouvi a palavra Portugal e os portugueses uma única vez. Os socialistas não devem ser portugueses. Ou será ao contrário?

 

E por último, para rematar, o Expresso coloca a cereja em cima do jornal. Questiona a capacidade de impermeabilidade do PS, no contexto da bomba Sócrates, a tal "credibilidade intacta", que não sabem ainda em que condições terá ficado, e ainda a separação das águas da Justiça e da Política. Na minha opinião estas considerações finais são desnecessárias. Já temos as respostas. Mário Soares que está em todas, no princípio e no fim, foi particularmente esclarecedor. Mas com alguma sorte ainda o escutaremos este fim de semana no congresso de Évora, perdão, parque das nações socialistas, onde poderão limar a teoria da cabala, da perseguição àquela ideologia.

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publicado às 08:28

José Sócrates e Mário Soares, Paulo Cunha, Lusa

 

Mário Soares não acredita em Portugal. Mário Soares não tem fé nas instituições que ele próprio ajudou a dar à luz. Mário Soares insulta o cidadão comum e o tribunal de instrução criminal - ofende o Estado de Direito e enxovalha a Democracia. Mário Soares serve-se da sua condição para furar as regras de visita ao estabelecimento prisional. E Mário Soares tem medo. Mário Soares apresenta-se amparado por uma enfermeira, mas ainda tem fôlego para ser brejeiro e dar uma péssima imagem de um ex-Presidente da República. José Sócrates faz o que qualquer acusado faz - defende-se, e irá servir-se de todos os argumentos para o fazer. É natural que o faça, mas contradiz-se de um modo flagrante. Se o caso é político, como afirma, não pode ser exclusivamente pessoal - uma perseguição individual. Ou seja, sendo um processo político, diz respeito ao Partido Socialista. Mas há mais. Se José Sócrates considera que as imputações são injustas, está a aceitar a figura de imputação, embora não concorde com o grau da admoestação. Ou seja, a culpabilidade está presente nas suas primeiras linhas de defesa, difundidas pela TSF e o jornal Público. Podemos ter a certeza de que o special one vai usar a sua coragem extraordinária para montar uma PIDS (Polícia Internacional de Defesa do Sócrates). Isto vai dar pano para mangas.

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publicado às 08:52

Primeiro-ministro, primeiro inédito

por John Wolf, em 25.11.14

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Os primeiros passos são sempre os mais difíceis, mas ontem vivemos um dia histórico na Democracia portuguesa. Para que fique esclarecido preventivamente, não concedo tratamento diferenciado a qualquer um dos partidos que polvilha o espectro político de Portugal. Desta vez o corrupto vestia uma camisola rosa. Da próxima vez a malha pode ser outra. Não interessa. O que importa é que o país se possa ver livre destes anticorpos que têm causado tanto dano ao país. Primeira nota a reter. Se o Partido Socialista tiver um pingo de dignidade, deve, de um modo institucional, pedir desculpa aos portugueses. Foi essa casa de valores éticos e morais que forneceu aquele lider. Foi naquele partido que determinadas condições permitiram a ascensão de alguém com uma agenda contrária ao interesse nacional. Era suposto ser precisamente o oposto - a promoção de candidatos com um genuíno sentido de abnegação. Depois de anos de clamor pela ineficácia do sistema de Justiça em Portugal, o mesmo funcionou com pertinência e com sentido de reserva. O segredo de justiça, invocado pelas "primas da dona" de Portugal, existe mesmo. Se a escrivã não dissertou sobre os fundamentos das medidas de coacção devemos pensar porquê. A investigação em curso não termina com Sócrates. Certamente outros serão detidos. Deixem o sistema funcionar e deixem de ser o circo que acusam as televisões de ser. Mas a comunicação social também tem pontas soltas. Foi verdadeiramente deplorável escutar a antena da SIC Notícias. José Sócrates mexe-se bem. Afinal tem mais do que um advogado de defesa. O Dr. Araújo será coadjuvado, no recurso à medida de coacção, pelo Sr. Sousa Tavares e pela Sra. D. Clara Ferreira Alves - ambos filhos do regime, que agora começa a desmoronar de um modo expressivo. Os dois analistas nacionais devem ser considerados traidores da objectividade analítica, marionetas de um esquema ardiloso patrocinado pela SIC. O que está em causa é muito maior do que as miudezas dos modos policiais, o aparato ou falta de decoro na detenção do ex-primeiro ministro. Não nos deixemos distrair com a hipocrisia, os direitos humanos de que falam, como se Portugal fosse perfeitamente civilizado. Ainda existe um traçado a percorrer, mas Portugal não deve atravessar-se no seu próprio caminho. Venham de lá mais inéditos.

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publicado às 08:43

Prisão preventiva, what else?

por John Wolf, em 24.11.14

 

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PRISÃO PREVENTIVA, WHAT ELSE?

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publicado às 22:33

 

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Se fosse no Reino Unido ou nos EUA nenhuma pedra ficaria por revirar. E haveria condenações. Aqui têm uma pequena lista de condenações de políticos na terra do Uncle Sam. O aparato de jornalistas seria 10 vezes mais sensacionalista e muito, mas muito mais implacável. Queriam uma Democracia? Então, aqui a têm. Tudo o resto é pose de pseudo-intelectuais com mania de que vivem num país civilizado, superior no trato - ofendidos pelos jornalistas e os directos a partir de aeroportos e garagens. Falamos de corrupção. Falamos de danos causados à nação. Falamos de malandros que concebem esquemas para fintar a justiça e continuar a bailar. Mas também não podemos esquecer aqueles que invocam a presunção de inocência - os espectadores-cidadãos. E eu pergunto: porque o fazem? Invocam essa premissa porque pode dar jeito. Porque pode ser que consigam fintar os outros. Pode ser que ainda consigam ser mais chico do que os outros que são espertos. Estou a ser duro? Não me parece. Perguntem a Sócrates que teve a sorte de aterrar na Portela.

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publicado às 14:32

Cinco pontos

por Nuno Castelo-Branco, em 23.11.14

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Passada a dose cavalar de adrenalina há vinte e quatro horas ministrada a um país inteiro - ao punhado de prós e aos efusivos contras que segundo creio, são a maioria -, há que atender a alguns pontos que parecem pertinentes:

 

1. Nenhum juiz no seu perfeito tino, ousaria montar num Estado de Direito como aquele em que consta vivemos,  este ruidoso espectáculo, sem ter fundamentos muito fortes para desta maneira abordar um ex-Chefe de Governo. Nenhum. Não existe qualquer possibilidade de reedição dos usos e costumes daquela época em que um qualquer prepotente tolo assinava folhas em branco, onde depois eram inscritos nomes com direito a rápido ingresso e prolongada estadia involuntária nos parques de diversão do Copcon. Quanto ao assunto em questão, as provas devem ser esmagadoras e indesmentíveis,  justificando-se a abertura do processo.

 

2. O modo de detenção do referido cavalheiro à saída do avião foi legítimo, pois todos presumimos a existência dos conhecidos riscos próprios destes casos. Assim, é óbvio que não tendo estado em causa uma fuga do país, colocava-se então o perigo da destruição de provas - por sinal, todos conhecemos a insultuosa brincadeira da queima ou trituração de dossiers, gravações, etc - e/ou o contacto do acusado com outros potenciais envolvidos, com estes coordenando estórias que encantassem a verdadeira história, condenada a permanecer em salgadas águas de bacalhau.

 

3. Um curto e incisivo anúncio da detenção para interrogatório teria bastado para todos nos inteirarmos de um extraordinário e inédito evento neste regime. Apesar da personagem em questão, foi absolutamente escandalosa e sobretudo desnecessária, a convocação de órgãos de comunicação social para a imortalização televisiva do evento. Não existe a menor dúvida de a informação ter vindo de quem conhecia todos os detalhes da operação a executar. Um abuso, uma ilegalidade que devassou a blindagem que deve proteger o poder judicial. Se o arauto foi um membro do pessoal menor do departamento responsável - e, confiando no luso mal por mal, oxalá assim tenha sido -, há que encontrar pronto e definitivo remédio para catastróficas ocorrências destas que nas últimas décadas exuastivamente se multiplicam. Não é possível acreditarmos que a concepção do espectáculo possa provir de altas instâncias. É impensável sequer imaginarmos tal coisa.

Era imperioso o anúncio da detenção, disso não há qualquer dúvida, pois a população deve, por indiscutível direito, ser sempre informada. Bastaria um comunicado lacónico como aquele enviado pela PGR e sem o recurso ao arrastão mediático que atropelou o país inteiro. Isto evitaria muita da paixão na qual quase todos naturamente caímos pelo estupor generalizado provocado por este episódio. Tratou-se de uma catarse nacional, Miguel Vaasconcelos foi uma vez mais defenstrado e em boa verdade não consistiu numa surpresa total, pois desde há anos os episódios acumulavam-se, as ligações perigosas ou escusas eram por todos conhecidas, agravando-se ainda as suspeições pelo conhecimento de casos de clara arrogância, conluio amiguista, um constante e impune achincalhar da separação de poderes, coacção moral sobre a imprensa - ou seja, um descarado condicionamento do que pode ou não pode ser dado a conhecer ao país - e abusos de poder que denotavam total impunidade.

 

4. Todos sabemos como pode a opinião pública ser manipulada na direcção de uma condenação antecipada - não estou a referir-me ao sr. Sócrates, a este caso em concreto - ou de uma absolvição apriorística ao estilo da histriónica Sra. Estrela, de João Soares e outros.

Assim, cabe ao poder judicial impor a sua autonomia e não permitir uma demasiada aproximação da imprensa que surge acintosa e de forma totalmente abusiva, como ilegítima porta-voz. A informação deve ser única e exclusivamente veiculada por esse mesmo poder judicial, para isso sendo necessário habituar-se a regularmente organizar conferências nas quais poderá permitir ou não, a colocação de questões. Tem o inegável dever de justificar as suas decisões, sem que isso signifique fornecer informações que estejam em segredo enquanto decorre o processo. Existindo as suspeitas que o despoletaram, não pode criar a impressão de que alguém pode ser preso ou estar em liberdade sem uma perceptível  justificação para tal. Afinal, o que é ou não é legal?

 

5. Passada a emoção e  sorvida a última gota da garrafa de espumante que quase todos imaginámos beber em justa festa diante do computador, atinemos.

Pela primeira vez desde há muito tempo, consegui ouvir até ao fim os semanais foliões do Eixo do Mal. Concordei com as banalidades do que ali foi dito, embora tenha tomado nota de uma nítida mudança de apetite, talvez  um sumarento fruto do incómodo causado pelo nome e posicionamento político da personalidade agora em questão. Nos últimos anos, todos eles, repito, todos eles lapidaram sem apelo nomes como Duarte Lima, Relvas - este, durante meses a fio - Santana, Teixeira da Cruz, não perdendo uma ocasião para escorcharem vivos Santos Pereira, Crato, Machete e Passos. Com selvagem risota gozaram dos delíquios da mania da espionite de que o sr. Cavaco se sentia cercado. Não esqueçamos o Arlindo ministro, o genro presidencial, Oliveira e Costa, Isaltino, Alberto João Jardim, Dias Loureiro, Isabel Jonet, etc. Sempre os vi lestos e lampeiros na apressada degola, usando as facas mesmo antes de qualquer caso concreto levantado pela justiça. Subitamente aborregaram, ficaram diferentes e mansinhos no ruminar deste tipo de pasto e com agrado há que reconhecer esta miraculosa evolução. Esperemos que assim prossigam no futuro, mas dentro de semanas, provavelmente regressarão à tona os submarinos encomendados por uns, mas contratualizados por outros. Uma vez mais baterão a certas  portas e isto é tão certo como o esperado salivar diante de um belo, estaladiço e autêntico pastel de Belém, o tal que o negregado e atrevido ministro corta-rendas queria exportar para o resto do mundo. Lembram-se?

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publicado às 02:05






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