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Síndrome de Padeiro

por John Wolf, em 28.01.17

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Antes que me acusem de sofrer da síndrome de padeiro, fica o aviso. Sou um sociólogo empírico, artesanal. Faço colagens, mas delicio-me com o corte e a costura. Adoro bricolage e fascina-me o betão. Cá vai. O ovo ou a galinha? Qual deles? Vem isto a propósito do efeito de contágio (ou não) das obras de Medina na cabeça dos cidadãos da capital europeia das autárquicas. O enunciado é relativamente simples: será que a malha civilizadora do passeio largo, da via minguada e das ciclo-rotas irá alterar o quadro comportamental do utente? Prevejo, e já assisti a muita inauguração construtora em Portugal, que teremos a insistência crónica do estacionamento sobre a calçada farta ou a ciclovia, a extensão da prática de arremesso de dejecto canino e o graffitar de assinaturas de artista delinquente sobre a pedra que tanto bate que até se apura. E há mais. A obrite aguda, embora vá embelezar a urbe alfacinha, representa, no seu âmago, uma patologia política de difícil cura. A obsessão pelo hardware. Quanto ao software do formato mental dos urbano-residentes a história será outra. A alteração da mentalidade que conduz à estima cívica e ao sentido colectivo parece ficar para depois do aumento do PMN - o passeio mínimo nacional. O problema é que a correlação entre a obra e o comportamento cívico não foi pensada em sede alguma. O que domina e extravasa é outro vector. A alma-matéria parece ser o modo de pagar promessas e comprar eleitores. Em plena época de dúvidas existenciais e rumores de populismo, convém acalmar os ânimos daqueles que usam as ferramentas mais básicas. O apelo da intelectualidade primária, ou da filosofia de lancil, parece ser a nota dominante. Quero ver quem tira o peão do caminho do triciclo, ou enxota a marca global que irá decorar aquela praça neo-típica. Quem levantará os autos? Não há dúvida que fica tudo mais bonito e que valeu a pena o pó e o trânsito, mas o resto será mais do mesmo. Quero ver quem entrega o pão como deve ser.

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publicado às 12:00

Medina Led

por John Wolf, em 18.11.16

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Fernando Medina vai duplicar o orçamento da iluminação de Natal da Câmara Municipal de Lisboa. Afinal estamos quase a ir a eleições. E a crise acabou. Os Led são uma espécie de Web Summit das velas. Acendem-se e depois apagam-se, mas não deixam rasto que se veja. Dizem os electricistas que a luz ficará em níveis pré-crise, ou seja, depois virá um clarão. Apagão.

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publicado às 10:24

E tudo o Web Summit levou...

por John Wolf, em 03.11.16

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Portugal regozija-se por ser a capital mundial de start-ups durante uns dias de Novembro. Mas não passará disso. Alguém que me responda à seguinte pergunta que poderia ser colocada por um sovina-capitalista-empreendedor-americano": digam-me os nomes de empreendedores estrangeiros e respectivas empresas que existam ou tenham vingado em Portugal? Não conheço. Em plena época de graves dúvidas trumpianas, os Estados Unidos da América continua a ser o porto seguro para uma arraia alargada de inventores, génios e empreendedores norte-americanos, mas nascidos "lá fora". Portugal é a antitese dessa realidade. E porquê? Porque a dimensão anónima não existe. Voltámos à mesma questão. É preciso conhecer gente dentro do aparelho. É preciso fazer parte da estrutura de poder. É preciso alavancar o esforço com prémios, estímulos e fotocópias. Faço-me entender? Como descendente de imigrantes alemães que chegaram aos States em 1848, sei do que falo quando refiro o elemento dinâmico da criação e do empreendedorismo. Não houve facilidades, mas também não houve dificuldades acrescidas resultantes da não pertença à textura "nativa". A influência faz-se pelo mérito das ideias, da força dos projectos. Enquanto Portugal não entender esse movimento pendular, de nada serve receber 50.000 empreendedores. Isso não será suficiente para realizar a ignição ou mudar a mentalidade local que não está muito receptiva a incursões excêntricas. A não ser que sejam mercearias de indianos que sempre dão muito jeito quando faltam bananas lá em casa. Não sei se me faço entender. Os mais bem sucedidos de Portugal até poderiam ter nascido em Madagascar ao lado de uma colónia de macacos. Web Summit? Muito bonito. Para inglês ver.

 

(O link inserido no post é 1000 vezes mais importante do que o meu texto. A ler...)

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publicado às 12:36

MAATua

por Nuno Resende, em 11.10.16

Desculpem voltar ao tema, mas não deixa de me preocupar a forma passiva como a nossa classe política e a sociedade que a escolheu, olha para questões como a da barragem do Tua.
O vale do Tua já foi destruído: não há qualquer hipótese de retomar a paisagem, o território tal qual era antes da barragem que a EDP e os seus apaniguados fizeram construir à revelia de alguns.
Durante o processo houve vozes dissonantes, mas sobretudo uma silenciosa apatia em relação ao Plano Nacional de Barragens e os seus encargos para o país que inclui aquele projecto. Da Esquerda à Direita houve sempre, na Assembleia da República, uma cumplicidade que, bem vista, resulta duma chantagem global do poder económico à partidocracia.
Parecer impossível fugir a um monstro tentacular como a EDP agora controlada por cérebros economicistas chineses. Esta subserviência, «começada» por Paulo Portas e continuada hoje por António Costa, numa espécie de longa vénia entre Direita e Esquerda (de resto, movimento fácil de executar devido à característica fisiológica do político cuja espinha é uma maleável cartilagem), trata de agradar não ao cidadão, mas ao empresário. Como é possível que a Esquerda hoje no Poder, o ignore?
Chega a ser ordinário e escandaloso a forma como do mais desconhecido deputado à mais alta figura da Nação, o doutor Marcelo Rebelo de Sousa, todos se prestam ao beija-mão do senhor Mexia e da sua empresa.
Que uma jornalista «opinion maker» como a Lurdes Ferreira venha hoje dizer que o MAAT em Lisboa, não é EDP até se percebe. Está no seu direito e é coerente defender quem a premeia ou a protege. Embora até uma criança perceba que o mecenato é um nome bonito para limpar a imagem (quem não se recorda que a indústria Tabaqueira foi até há bem pouco tempo patrocionadora da cultura portuguesa?).
Mas que o senhor Presidente da República Portuguesa, pretensamente defensor dos interesses dos portugueses (eleitores ou não) corte fitas na inauguração de um Museu (?) que parece ser, em Lisboa, a paga pela destruição de um bocado de terra em Trás-os-Montes, isso não se compreende.
Talvez eu esteja errado e, como dizia um amigo meu, se os transmontanos não se importaram que os políticos lhe roubassem terra, paisagem e património e se os lisboetas fazem fila para entrar num Museu construído com o dinheiro de muita especulação energética que lhe vai aos bolsos, quem sou eu para achar isto tudo uma perfeita canalhice?

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publicado às 17:09

Governo encurralado num antro de taxistas

por John Wolf, em 08.10.16

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O Governo da República Portuguesa está cada vez mais encurralado. São vários agentes que mantêm refêm o executivo. O Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP) encostaram às cordas António Costa e as suas hostes. Não existe decisão governativa que não esteja condicionada pelo diktat de Catarina Martins ou pela bula de Jerónimo de Sousa. Mas a ameaça de "porrada" da Antral para a próxima Segunda-feira lisboeta levanta algumas questões fundamentais. A declaração do chefe dos taxistas deve ser entendida enquanto ameaça velada. O uso de força é, inequivocamente, uma prerrogativa jurídica do Estado, aliás consagrada constitucionalmente. Em nome da manutenção da ordem pública, um governo pode ter de fazer uso de instrumentos de coacção. Quando um grupo de cidadãos se organiza em torno da mensagem de violência, está efectivamente a assaltar a reserva de paz pública de uma nação - mas no meu entender, vai mais longe do que o tolerável: comete o crime de premeditação. Veremos se o Ministério da Administração Interna faz a leitura adequada desta situação e instrui as forças de segurança em conformidade. A Antral assemelha-se a outros grupos reivindicativos, com a nuance temporal de estar a anunciar um "atentado" antes do mesmo ocorrer. Nem menciono o impacto económico da perturbação que 6000 taxistas causam na vida de tantas empresas e trabalhadores portugueses. Este sector profissional não pode forçar a sua entrada na Assembleia da República. Esta classe laboral não pode ameaçar a integridade física e moral de um secretário de Estado, ou para todos os efeitos de qualquer cidadão. Não sei qual a filiação ideológica dos representantes dos "profissionais" dos táxis, mas cada vez mais se assemelha a falanges de inspiração extremista, que prosseguem os seus objectivos por via da intimidação e do músculo. O Governo da República Portuguesa está obrigado a defender a bela Democracia que tanto apregoa a torto e a direito. Mas António Costa encontra-se na China a vender falências a prospectores mercantis. A Uber que se deixe ficar quieta. São os outros que caírão - sozinhos.

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publicado às 17:59

Abraça-me Chiado!

por John Wolf, em 26.05.16

   Inaugurou ontem a exposição de fotografia de Isabel Santiago Henriques. A não perder.

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Abraça-me Chiado!

Poderemos afirmar, sem grandes reservas, que o Chiado é um dos filhos primogénitos da cidade de Lisboa. A capital, embora repartida por bairros distintos, nutre um carinho especial pela atmosfera pessoana deste enclave traquina. É aqui que o lado jocoso cruza a ambição lírica. É aqui que um certo abandono demonstra a fugacidade da vida. E porventura será neste domínio que deambulam os melhores enquadramentos cénicos, as melhores propostas de enredo natural. E Isabel Santiago Henriques pressente esse código, e assume a missão de voyeur, discreta mas incisiva, e célere na captação do que foi ou do que poderia ter sido. Ao longo deste diaporama de histórias inacabadas, somos alimentados com indícios suficientes para imaginar o resto, aquilo que extravasa a fotografia e invade outras artes de representação, pose e desilusão. As imagens coladas numa dispersão intencional não devem ser lidas como uma proposta linear, encadeada pela razão que procura uma coerência amestrada. Santiago Henriques opera na clandestinidade da imagem estática, sem martirizar por completo o conceito de beleza que domina o espírito contemporâneo. Vivemos uma época de feixes rápidos, alternâncias de vidas, suplentes dispostos a trocar a camisola pela identidade alheia. Aqui, neste ensaio, registamos a contradição dessa limpeza estética. Os actores que se apresentam tecem movimentos e esboçam emoções avulso. A sua captura, e a sua elevação à pequena eternidade da impressão fotográfica, confirmam a escala humana de Santiago Henriques. Não houve ampliações desmedidas nem altercações de estilos. Os quadros que se apresentam são idóneos. Respeitam-se nesse quotidiano que se nos passa à frente todos os dias, e à noitinha quando elas também acontecem em sonhos ou devaneios de loucura, elucubração. Como o motociclista amadurecido distraído pela derme da pequena que esbarra nesse táxi malparado que não vimos também. Como o trio de haterónimos que desconhece as dores de articulações de Pessoa. Como o gingão que trabalha a altas horas da noite para apaziguar o bronze. Tudo isto e muito menos – a panóplia de frames descartados pela selecção, a sucessão de imagens que se alternam. Abraça-me Chiado é envolvente, promissora - a dama que insinua e diz que chega sempre a horas.

 

Bio

 

Isabel Santiago Henriques nasceu em Aveiro em 1960. Cresceu rodeada de máquinas fotográficas e de filmar do seu pai, envolta por dezenas de álbuns e bobines de filmes que a mãe meticulosamente organizava, um hobby que mais tarde viria a levar a sério. Estudou no Liceu de Aveiro, mais tarde numa Escola privada e na Universidade de Lausanne. Trabalhou nas empresas comerciais fundadas pelo seu pai durante mais de 20 anos. Em 2010, já a residir em Lisboa, inscreveu-se num curso de fotografia e fotojornalismo dirigido por Luiz Carvalho que levou a cabo entusiasticamente durante 3 anos. Nunca mais largou a fotografia, e ficou a trabalhar com Luiz Carvalho como assistente de realização no programa Fotografia Total da TVI24 ao longo de 4 anos. Assume Luiz de Carvalho como o seu Mestre, a inspiração, a fonte inesgotável de conhecimento e aprendizagem – e um grande amigo. Isabel Santiago Henriques vai mais longe: devo-lhe tudo o que sei sobre fotografia. Apaixonada por política, fotografa os mais diversos eventos do CDS. Tem 3 filhos, o Diogo o André e o Tiago.

 

A fotografia que mais me absorve é a street photography"

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publicado às 18:45

Será apenas estúpido ou gosta de bicicletas ?

por João Almeida Amaral, em 03.05.16

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Será apenas estúpido ou é apenas um amante do ciclismo.

Acabar com o estacionamento numa das faixas da Av. da República e eliminar o transito automóvel em duas faixas de rodagem do eixo central da cidade de Lisboa é no mínimo surpreendente , será que o presidente não eleito de Lisboa se julga em Amsterdão?

Quantas vezes ira ele levar os filhos a escola de bicicleta? 

Tenham dó , está na altura de correr com este imbecil. 

 

 

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publicado às 21:32

Comunistas fora da NATO, do EURO e do COSTA

por John Wolf, em 25.10.15

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Jerónimo de Sousa é bom homem, educado e coerente. Enquanto discute com o corretor de apostas António Costa e modera o seu discurso para consumo interno, avança em Bruxelas com o apoio à iniciativa para financiar países de saída do Euro. A ironia do destino dessa proposta é implicar a traição do Tratado da União Europeia da parte daqueles que o sustentam. Seria como pedir a Sócrates para se acusar e decidir a sentença mais pesada. A Juventude Comunista, presente em massa no protesto contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) de ontem em Lisboa, porventura também terá enviado um delegado de informação ideológica à sede da NATO para propor uma forma de desembarque daquela organização. Aposto que as centenas de participantes na marcha nem sequer sabem quais são os seus princípios fundadores e a sua missão principal. Contudo, há questões mais prementes. Com que estojo de facas e garfos se lida com Putin? Talvez seja boa ideia perguntar ao comité-central do Partido Comunista Português. Afinal os estalinistas têm grande experiência na arte da dizimação de povos inteiros e no envio de detractores para a Sibéria.

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publicado às 07:14

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publicado às 12:01

Mr. Clean Costa

por John Wolf, em 01.04.15

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O mais recente ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) é a última pessoa do mundo que deve declarar que deixa a casa arrumada ao abandonar a autarquia. Eu, por exemplo, tenho opinião diversa. Onde eu moro não deixou uma das ruas arrumadas. Nem sequer deixou rua. Falta à mesma um passeio. Os caminhantes servem-se há 8 anos de um estrado de madeira com uma extensão de mais de 100 metros! António Costa pode meter o quadro financeiro sustentável onde bem entender. O homem esqueceu-se que os residentes deveriam ser os principais destinatários da sua missão. Em todo o caso, o senhor não leva a chave da CML. Agora teremos a oportunidade de vasculhar e descobrir se o trabalho foi limpinho ou não. E com tanto festejo e glorificação, passamos de Meca a Medina sem termos sido consultados. Acabei de pagar o IMI, mas não existem atenuantes.

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publicado às 14:49

Fim do travão do IMI

por John Wolf, em 09.03.15

 

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Antes que comecem com coisas e me acusem de apontar o dedo à pessoa errada; António Costa não tem nada a ver com esta decisão. O senhor nem sequer é presidente da Câmara Municipal de Lisboa. O fim do travão do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) deve ser para compensar a circulação de trânsito em Lisboa. Ou seja, existe uma relação entre móveis e imóveis, estão a ver? Esperam-se aumentos de tributação sobre as casas que podem atingir os 500%. Pelos vistos a Austeridade socialista nem sequer precisa de São Bento. Daquele posto taxativo já se começam a fazer sentir os efeitos da contradição entre a demagogia conveniente e a falta de dinheiro em caixa. A síndrome que aflige Tsipras não é contagiosa, existe uma variante nativa, uma estirpe autóctone. Quando a realidade dura das provisões toca à porta, a bela conversa escorre pelo cano como se nada fosse.

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publicado às 09:54

Dos táxis imundos de Lisboa

por John Wolf, em 23.01.15

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Uma vez que nos encontramos em plena época de caça ao veículo que tenha nascido antes de 1996, gostaria de lançar outro mote respeitante à poluição, à saúde dos utentes - dos passageiros, entenda-se. Convido-vos a deixar as virtudes do carro particular na garagem mais próxima e a entrar no primeiro táxi que conseguirem parar. Hoje mesmo fí-lo, e mais uma vez fui confrontado com uma lixeira em andamento. Mas vamos por partes. Comecemos pelo factor humano. O condutor deste táxi para além de praticar uma modalidade de pára-arranca indutor de vómitos, descurará, e provavelmente desde sempre, a sua higiéne pessoal. O hálito projectado pelo espelho retrovisor tresandava a uma misto de urina e feijoada transmontana. Os assentos de tecido húmido decadente estavam literalmente ensopados em imundice pegada esquecida por uma catadupa de passageiros de perfume duvidoso. Os tapetes de borracha que beijavam as solas dos meus botins, corroídos pelo bicho da marcha - de certeza que as minhas solas apanharam uma doença qualquer. As pegas das portas com resquícios de corrimentos de vária espécie - não perguntem de que género que eu não respondo. Enfim, um martírio do princípio ao fim da viagem. António Costa bem pode estar preocupado com questões de aparência do parque automóvel da cidade de Lisboa e brincar às "capitais modernas", mas o autarca-mor não tem a mínima ideia do que falo. Não anda de táxi. Quer lá saber. Para quando um regulamento "a sério" da Câmara Municipal de Lisboa respeitante às condições que os táxis e seus condutores devem observar? Para quando uma brigada de intervenção para proteger a saúde pública? Isto é uma vergonha. Ah, falta apenas um detalhe. Sim, o taxista tinha o tal mindinho para esgravatar o ouvido e sacar cêra para fabrico, quem sabe, de uma vela de santuário - Santo António.

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publicado às 17:36

Em 2014, os Espanhóis em Portugal.

por João Quaresma, em 01.12.14

 

Neste aniversário da Restauração da Independência, uma longa e interessante reportagem sobre os cidadãos espanhóis (no caso, madrilenos) residentes em Lisboa.
Uns mais recentes do que outros, conhecedores e apreciadores do país, boa parte trabalha em empresas espanholas aqui estabelecidas, que é a razão principal pelo grande crescimento da comunidade espanhola em Portugal nos últimos vinte anos. E alguns não pensam regressar ao país de origem.
 

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publicado às 20:03

300.000 rastilhos de António Costa

por John Wolf, em 18.11.14

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Fico com náuseas. Fico com a cabeça a rodar. Sinto o estômago a dar voltas. Mas sobretudo sinto raiva quando sou confrontado com políticos que nada têm no bolso, e que à custa dos cidadãos, querem fazer bonitos e ser populares, simpáticos, elegíveis... Em tempos de grave crise económica e social, a Câmara Municipal de Lisboa simplesmente não pode gastar 300.000 euros em luzinhas de Natal (não sei se este valor inclui a conta de electricidade). Que António Costa não me venha com essa conversa da pequena alegria que está obrigado a dar às pessoas. Treta. Se fossem criativos lá para os lados dos Paços do Concelho, poderiam propor uma vigília à Nazarenos - em que cada uma traria uma pequena vela para iluminar o lirismo da quadra. Uma concentração  de  cidadãos para uma reflexão conjunta sobre as adversidades, e o modo como o espírito humano pode superá-las. Uma cidade rica em iconografia e santos padroeiros, de corvos a Santos António, não se pode deixar vender por saldos de ocasião. Com 300.000 euros, uma obra "para ficar" poderia ser erigida. Acresce a todo este aparato de killerwatts, uma outra dimensão - quem ganha com o negócio das lâmpadas e lamparinas? António Costa prova que não está à altura da situação, da falência que nos condiciona, mas que não nos deve atar as mãos. Combinemos então a noite da procissão - e cada um que traga a sua vela de santuário, e diante da sede da capital, afoguemos o nosso desagrado pelo esbanjamento da razão e do bom-senso.

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publicado às 22:33

A pouca vergonha chegou à cidade

por Pedro Quartin Graça, em 05.11.14

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Cidade Universitária, junto ao ISCTE - IUL, na rua que liga a morgue de Santa Maria a esta Universidade, hoje dia 5 de Novembro.

11H - Carro estacionado em parque de zona verde gerido pela EMEL. Parque praticamente vazio. Carro fechado, bem estacionado, direito, com ticket pago, travado, numa reta. Nenhum carro à volta.

13.45 H - O mesmo carro, por sinal o meu, desaparece do local onde se encontrava estacionado. Aparece no outro lado da rua, sem qualquer multa ou aviso, atravessado em espinha em cima do passeio. Fechado, mas destravado, com um pedregulho a fazer de travão atrás da roda traseira esquerda. Nenhum carro à volta.

Na zona, mas muito mais à frente, vários carros bloqueados pela EMEL.

Até agora ainda não consegui perceber o que se passou, como isto foi, no fundo, possível. Uma única explicação sobre a autoria da brincadeira, um verdadeiro crime de lesa propriedade, aliás: a EMEL.

A inevitável pergunta: Agora a EMEL, alegadamente, abre carros(!!!???), destrava-os, retira carros dos locais e deixa-os abandonados e destravados no meio da rua? Tudo isto sem qualquer razão plausível?

Mas que enorme pouca vergonha é esta? 

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publicado às 17:35

A expressão sacudir a água do capote assenta que nem uma luva. António Costa demonstra mais uma vez que não tem o que é preciso para governar um país:"foi mais o susto que o prejuízo" (?). Não sei há quantos anos este político lidera os destinos da cidade, nem sei há quantas décadas anda o Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles a se bater pelas causas da eco-sustentabilidade de Lisboa, mas António Costa nem sequer é capaz de limpar as sarjetas e os sistemas de drenagem de águas. E se um sismo de grandes proporções ocorrer, is Costa our man? Não me parece. Onde esteve António Costa quando os rápidos desceram pela Av. da Liberdade? Não o vi de galochas ao lado dos senhores da protecção civil. Não o vi mais ou menos molhado. Ah, já percebi. Se aparecesse em cena seria logo acusado de estar em campanha, de se aproveitar despudoradamente do evento para granjear uma opinião favorável junto dos simpatizantes. Mas não é disso que se trata. Trata-se simplesmente de estar no exercício das suas funções. De fazer o que lhe compete. Em vez disso, apresenta-nos um paleio empírico de águas em abundância, surpresas e sustos. A água que certamente irá regressar a Lisboa para apanhar desprevenidos outros autarcas, levanta a eterna questão, permanente: de que modo a cidade de Lisboa tem vindo a redesenhar a estrutura sobre a qual assenta o seu futuro? Em plena festa de protesto climático em todo o mundo, Lisboa levou um aviso sério, mas os mesmos desafios que puseram os lisboetas com água pelos joelhos, são transversais à integridade do país, à sua totalidade. Seguro que também quer mandar, também não soube aproveitar a deixa. Viram-no de galochas a armar-se em bombeiro? Não vi nada. Em 1927, o Estado do Lousiana, EUA foi devassado pelas cheias que se viriam a tornar épicas. O então presidente Coolidge acorreu logo ao local para emprestar a sua aura de lider e dar confiança aos cidadãos. É óbvio que o que aconteceu ontem não se pode comparar com a catástrofe da cidade de Evangeline, mas o chefe Costa não cumpriu os requisitos mínimos. Se acontecer algo realmente devastador nesta cidade, pelo menos sabemos com o que não contamos. Não contamos com presidentes de câmara capazes de pensar nas questões de fundo subjacentes ao governo de uma cidade ribeirinha. E diz ele que quer ampliar os resultados da gestão de Lisboa ao resto do país. Ao que restar dele.

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publicado às 08:47

António Costa nunca esteve em Lisboa

por John Wolf, em 05.09.14

Demagogia é uma doença grave. Afecta grande parte dos membros políticos da nossa sociedade. Mas existe outra patologia ainda mais grave - a mentira. E mesmo que a mesma seja repetida vezes sem conta, não se transforma em verdade. Quando António Costa afirma que oito orçamentos rectificativos são a prova de que o governo falhou, deveria virar a sua lupa de inspector para a gestão da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e as contas habilmente camufladas pela venda de património ao desbarato, entre outras manobras. O presidente de câmara, que teve a oportunidade concedida por diversos mandatos para provar a sua competência, não pode, à meia-volta, omitir a sua vida autárquica, quando apresenta as credenciais aos eleitores, simpatizantes ou não. Se bem me recordo, quando lá chegou (à CML), para fazer face ao balancete, obteve um empréstimo de 500 milhões de euros (estarei enganado?) que foi muito conveniente para dar o ar de graça de contas saudáveis. Embora os socialistas se afirmem quase "racialmente" diferentes dos outros (melhores e mais iluminados), em abono da verdade não praticam uma religião diferente. Quando o governo decidiu alienar empresas públicas houve logo um coro de protesto sobre a perda de soberania e entrega de empresas-bandeira, mas Costa não faz algo diverso. Vende uma parte da história de Lisboa com o mesmo sentido de urgência. Ou seja, se os portugueses forem objectivos na análise dos factos, terão de interpretar e validar a obra de António Costa na autarquia lisboeta. O seu estágio camarário deve servir de teste para voos maiores, para a sua promoção ou não. Qual o resultado da conta de somar e subtrair na gestão de Lisboa? É esse o critério que deve servir para organizar o processo de reflexão respeitante à eleição, numa primeira fase, de um candidato a candidato, e mais tarde (quando porventura for tarde demais), de um candidato a primeiro-ministro. O departamento de comunicação da CML pode produzir todos os videos catitas que quiser, com um décor pejado de amigos à volta da clareira, mas esses diaporamas contam apenas metade da estória. Não me venham com a cantiga que o país foi à ruína, mas que existe uma excepção, um estado-exíguo, a ilha de deslumbramento onde a devastação não chegou. Lisboa responde perante o país, assim como António Costa.

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publicado às 09:22

Onde começa e acaba Lisboa

por John Wolf, em 25.08.14

Ainda não percebi muito bem onde termina a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e onde começam as Juntas de Freguesia.  Dizem que existe uma linha que separa uma coisa e outra. Ou será que é algo diverso? Por exemplo, uma janela de oportunidade para sacudir a água do capote quando a coisa não corre bem: Muito agradecemos a reclamação, mas essa matéria diz respeito à sua Junta de Freguesia.  Ou então o inverso, quando na Casa do Povo houve uma iniciativa bem sucedida e o país inteiro aplaude a “dinâmica da CML” que afinal nada teve a ver com o assunto, mas que não deixa fugir o resultado líquido da publicidade de uma qualquer praia do Torel. Não sei se me faço entender? Esta espécie de “regionalização” da capital lisboeta parece servir para um fim muito preciso: diluir o sentido de competência e de responsabilidade política. O residente da capital acaba por ter duas casas, duas vidas: uma na autarquia e outra na freguesia. Mesmo que a nova divisão administrativa tenha resultado na optimização de recursos e numa mais eficiente utilização de meios, a verdade é que o destinatário final, o residente de Lisboa, não sabe muito bem desenhar o mapa de competências da cidade. Deixou-se confundir pela complicação, pelo novo organograma que não altera de um modo fundamental o modo como se vive na metrópole, mas que distorce o quadro de percepções. É como se desejassem que Lisboa não se desse a conhecer àqueles mais interessados pelas suas causas. De nada serve Lisboa ganhar o concurso de melhor destino europeu do New York Times ou da CNN,  se os que cá vivem é que têm de aguentar a broncaos turistas que descem dos cruzeiros para visitar a cidade não ficam mais do que alguns dias, e não têm de lidar com os problemas que afligem os residentes. Os camones disfrutam do bem-bom e não imaginam os desafios que se apresentam aos lisboetas. Sabemos muito bem que Lisboa tem uma vocação turística assinalável, mas a prioridade deve ser dada aos que vivem definitivamente na cidade. Mas há mais que gostaria de incluir nesta lista de considerações que esgotam as fronteiras da freguesia ou do turista ocidental. Há algo de mais estratégico que faz falta a Lisboa. Uma visão global e prospectiva, assim como algumas ferramentas essenciais. Que tal um conceito de desenvolvimento dedicado apenas a Lisboa?  Algo que poderia ser designado por  “Zona Económica Exclusiva de Lisboa” – uma resenha exaustiva dos atributos económicos e sociais da cidade. Um quadro a cores que identifique as carências e que assinale as valências. Não conheço a App - um interface para medir o biorritmo económico e social do bairro. Se querem aproveitar a arquitectura administrativa da cidade, então que se proceda ao levantamento das necessidades de cada localidade. Qual a taxa de desemprego na freguesia de Santa Isabel? E qual o rácio entre o número de habitantes e os serviços médicos na zona de Alcântara? E qual o PIBf (produto interno bruto de freguesia) de Belém? Um potencial empreendedor ou investidor, que queira avançar para o terreno, nem sequer dispõe de dados que permitam testar o seu modelo de negócio antes do seu próprio arranque. Será que faz falta mais um café na zona do Campo Pequeno? São estes dados estatísticos que devem estar à mão de semear do residente de Lisboa. A economia local apenas se tornará produtiva e inovadora se os destinatários finais puderem participar na sua (re)construção. No meu entender, os habitantes de Lisboa têm vivido há demasiado tempo na sombra, na ignorância dos elementos operativos mais básicos. Trabalha-se em Lisboa como se vive. Com o coração na mão, mas sem a racionalidade que permita fazer a destrinça entre o impulso do momento e a visão de longo prazo, sustentável. Os políticos que gerem os destinos da cidade ainda não perceberam que devem entregar Lisboa a quem de direito, aos seus residentes. A matriz cultural que rege a relação entre o poder político e os seus súbditos tem de mudar. A cidade não largará as docas como um navio de cruzeiro. Fica, deixa-se estar. Eternamente.

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publicado às 21:28

Insensibilidade de António Costa

por John Wolf, em 01.05.14

Irei tentar ser brando e comedido no uso das palavras, quando, em abono da verdade, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) mereceria ser insultado. As famílias lisboetas bateram com a cara no portão do Parque Recreativo do Alvito neste 1 de Maio. Em pleno dia do trabalhador (ou o raio que o parta), António Costa demonstra inequivocamente (e mais uma vez) que não tem nível para interpretar o sentimento colectivo. O "povo" já muito zangado, cabisbaixo e frustrado com o estado da nação, não tem margem de manobra para aturar idiotices autárquicas. Como ousa a CML fechar o Parque Recreativo do Alvito neste dia, quando tantas famílias aí encontram o seu refúgio gratuito, a sua tranquilidade, o seu descanso? Dia do trabalhador? Ou Dia do Autarca Atrasado Mental? Provavelmente a resposta do chefe Costa seria qualquer coisa do género: "Há que respeitar o descanso do trabalhador neste dia com forte carga política e ideológica". Ah, sim? E que tal o respeito pelas crianças e as respectivas famílias? Não arranjam um porteiro e dois assistentes? Então façam uma requisição civil de dois ou três funcionários para abrir o parque do Alvito neste esplendoroso dia de piqueniques e convívio familiar. O presidente da CML demonstra grande insensibilidade. Francamente. Quanto custa um beberete nos Paços do Concelho para receber um dignatário vindo do reino da Noruega? Quanto custam as belas projecções luminosas da Praça do Comércio? Quanto vale a felicidade de tantas miúdos e graúdos que não dispõem de meios para dar um saltinho a Londres para umas compras de ocasião. António Costa pode invocar o Santo e a Trindade, o livro sagrado da ideologia da Esquerda, os cadernos eleitorais, mas nada servirá para desculpar esta rudeza, este insulto aos seus munícipes. Um cidadão nacional, com quem troquei algumas palavras em frente ao excelso portão trancado, despejou singelas frases de desencanto. Retenho estas em particular: "Fui emigrante vinte e dois anos na Suiça. Voltei em 2007. Se soubesse que iria encontrar esta merda, nunca tinha tirado os pés de Lausanne. Estou arrependido por ter voltado a esta miséria". E eu acrescento; os lisboetas não podem admitir ser enxovalhados deste modo. Espero que caia uma chuva de reclamações na secretária do magnífico presidente da CML.

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A descalçada portuguesa

por John Wolf, em 27.11.13

A calçada portuguesa é a impressão digital (pedonal?) do país. Basta travar um estrangeiro na Baixa lisboeta e pedir que partilhe o perfume da cidade, e da sua boca saem a correr pastéis de nata, azulejos e a maravilhosa calçada da cidade - wonderful! marvelous! A operação plástica que António Costa quer levar a cabo através do Plano de Acessibilidade Pedonal colide com o traçado idiossincrático de Portugal, apunhala a tradição e a saudade com uma mesma navalhada. Pelos vistos o chão de uns é o tecto de outros - ou vice-versa. Depois dos atentados ao património que se conhecem e aqueles que estão para breve, como a transexualização do Odeon em centro comercial, começamos a ter um certo receio - o medo residente que acompanha a certeza de mais violações. E não será apenas o desenho na pedra a ir pela sarjeta. Os mestre-calceteiros que não estão munidos de um Arménio Carlos para se defenderem, assistem ao varrimento da sua arte. Venha de lá essa pedra lisa convertida em lioz para gaudio de burgueses ignorantes e destruam a assinatura de um povo com um simples escarro municipal. A calçada portuguesa não é apenas encosto de sola gasta, conta várias histórias em simultâneo. Lembra o desgaste, assinala humor e arranca aplausos. Mas é sobretudo um exercício de participação democrática - primeira pedra, pedra a pedra. A pedrinha da calçada passa da mão para o pé, na construção das paisagens urbanas e marca o compasso, ora mais lento ora mais veloz. Atrasa os transeuntes distraídos e fá-los olhar de alto a baixo do magistério da sua alegada superioridade, assinala com pontos negros ou brancos onde tudo aconteceu, romance ou quebra de tensão. A calçada molda-se, retoca-se e apresenta-se como uma desdentada a precisar de cuidados. Está viva, respira e encanta como puzzle lusitano. A seguir a este trespasse o que nos espera? Serão os azulejos que devem ser estilhaçados porque levam a luz para longe? Ou serão as telhas que devem partir para calar o cio felino? E ficaremos ao relento da nossa ignomínia, descalços sobre um tapete mágico sem mácula de tropeços - andar apressado.

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publicado às 14:45






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