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Makumbas urbanas

por Nuno Castelo-Branco, em 15.11.17

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 Nas imediações da Luciano Cordeiro/largo das palmeiras/Rua de Andaluz, aparecem desde há meses cestinhas cheias de ovos cozidos partidos ou semi-cozidos a deixarem escorrer a gema, acompanhados por garrafitas cheias de líquidos enigmáticos e folhagens suspeitas. Trata-se decerto de um feiticeiro "trabalho de desamarração" deste escandaloso projecto autorizado pela vereação do urbanismo da CML. Os saltinhos de pânico que os pobres transeuntes fazem para evitar pisar na maldição, seria coisa bem digna de ser filmada por um daqueles gadgets tecnológicos das "fake" notícias que geralmente são verdadeiras. A coisa é tão má que nem sequer os gatos da rua se atrevem a degustar tal mixórdia.

Oxalá esta makumba não surta o efeito desejado e assim se evite a escabrosa demolição por atacado destes magníficos oito edifícios de época, a tal época maldita própria dos "gajos das pedrinhas" como o tal salgalhado gosta de dizer.

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publicado às 08:50

A Lisboa do esquema vigente

por Nuno Castelo-Branco, em 30.08.17

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Há precisamente 43 anos, a 31 de Agosto de 1974, pela primeira vez vi a Lisboa que conhecia através de centos de imagens que os meus pais me mostraram sem que jamais cá tivessem estado. Identificava facilmente as zonas e logo passámos semanas a percorrê-las a pé, num turismo gostosamente forçado que recolhia a altas horas da noite ao refúgio na roulotte do primo Joaquim Dantas, estacionada no parque de Campismo de Monsanto, 5m2 à medida de 1m2 por pessoa do nosso agregado familiar.

Era ainda uma magnífica cidade, com áreas relativamente bem delimitadas pelo percurso da história de um país que contando com centenas de anos, nem por isso deixou de seguir, por vez tardiamente, os padrões aceites e vigentes no resto da Europa ocidental e central. Existia a cidade do Iluminismo, a de uma reconstrução admiravelmente conseguida. Sobreviviam poucos vestígios anteriores, tanto medievais como da Renascença que chegando aqui relativamente atrasada - e boa parte dela desapareceu em 1755 -, talvez em boa parte tenha coincidido com a união ibérica. Logo se seguiu a Lisboa burguesa num tímido imitar dos Boulevards da rectílinia e plana Paris, estendendo-se as novas ruas e bairros desde o início da Avenida até ao Campo Grande. A cidade republicana, essa limitava-se quase exclusivamente ao que a 2ª república em escassos anos, dado o volume que ainda ocupa, ergueu e expensas de proprietários obrigados a ceder posses, terrenos votados ao abandono e algum património do Estado. É mesmo aquela que grosso modo compreende a vasta área que vai da Praça do Chile aos Olivais, incluindo as artérias adjacentes à Avenida de Roma e todos os bairros ditos sociais que foram sendo ocupados por vários estratos relativamente afectos - ou naquele portuguesíssimo assim-assim - ao regime vigente.

Em 1974, poucos meses decorridos após o golpe de Estado, a cidade estava imunda, coberta de dizeres materialmente inócuos mas tremendamente violentos de morra! isto, morra! aquilo, alternando o forro de cartazes até aos terceiros andares, com os borrões de tinta passada à brocha que nem sequer pouparam monumentos. Uns tantos magníficos murais do MRPP, compunham o todo e sobressaíam, é mesmo verdade.

Lisboa ainda tinha e oferecia a oportunidade a quem quisesse vê-la para além dos passageiros estragos. Imponentes edifícios burgueses oitocentistas cobertos de ornamentos e arrebiques, grandes cafés de época, enormes teatros e aquela certa homogeneidade de áreas que contavam uma história, um certo tempo.

Tudo desapareceu, inclusivamente a fauna humana que então fervilhava e era espessa na Baixa, espessa nas Avenidas Novas, espessa nos locais onde facilmente eram catados turistas de ocasião. Foi a Lisboa que vi aos 15 anos de idade, uma cidade que se apercebia para além de um segundo do tempo da sua existência.

Dei-me esta noite ao voluntário trato de polé de assistir a uma espécie de debate televisivo em que se digladiaram todos os candidatos a presidir à edilidade da capital portuguesa. Um desastre que apenas confirmou as minhas suposições há muito tempo enraizadas após a passagem de décadas como pedestre e interessado não apenas no fachadismo, mas também voltando a minha curiosidade para a organização interior dos espaços que também desfiavam a história dos seus residentes, dependendo da ampulheta que marca o tempo e das condições propiciadas pelo mesmo.

Todos bem sabemos que os problemas da cidade já nos chegam após muitas décadas de depredações, quiçá podendo nós situar como marco a destruição calamitosa da Praça da Figueira e do Martim Moniz que lhe é contíguo. A partir daí, o camartelo tomou força e fúria e trepou pela Avenida acima, arrasando, mutilando e desfazendo belas realizações que um dia mereceram o Prémio Valmor, talvez o único prémio mundial que garante a futura demolição do galardoado. Para sempre desapareceram prédios de arrendamento, palacetes, igrejas e tantos, tantos outros exemplos daquilo que significava uma cidade relativamente europeia, pois a modéstia nacional não concentra a monumentalidade de capitais imperiais como Viena, Paris, Roma ou a Berlim também para sempre desaparecida com a terraplanagem final de 1945. Pouco se preservou e aquilo que sobra é adulterado, pladurizado, aluminizado e dotado de modernices brilhantes à luz led. Vingam os cabeçudos onde os arquitetos sem C teimam em deixar marca tão indelével e malcheirosa como o líquido aspergido pelo muito mais simpático e relevante cãozinho que fareja para logo alçar a perna. Desta forma vão vingando uns desgraçados monos aqui e ali e damo-nos, pobres coitados, a olhar para um das dezenas de Herons Castilho e exclamarmos ..."pelo menos salvou-se uma parte da fachada!" Muitos conhecem-no pelo Frankenstein da Rua Braamcamp.

Pensei que iam falar da verdadeira razão da explosão incontrolável do muito necessário e bem-vindo turismo para este ensolarado Portugal, turistas esses empurrados por aquilo que os candidatos fazem de conta não perceber e têm em reserva mental, ou seja, a segurança. Não merecendo sequer a pena tecerem-se considerações a respeito das razões de uma tranquilidade durante passeios neste país que lhes é estrangeiro e que todos entendemos perfeitamente, politicamente tornou-se incorrecto mencionar ou identificar a causa desta súbita irrupção de forasteiros que antes preferiam o Egipto, o Próximo Oriente ou um dos países do Magrebe. Preferiam e suspeito intimamente ainda preferirem no recôndito dos seus cérebros à procura de aventuras exóticas. Portugal era uma fraca piada que poucos sequer tentavam conhecer através de fotografias, em suma, não interessava. 

Esperaria que pelo menos alguém ousasse falar da escandalosa depredação de património arquitectónico, miseravelmente substituído por construções horrendas, vulgares e sem qualquer interesse que num futuro bem próximo não concitarão a menor curiosidade ou estima. Não prestam nem sequer em qualidade estética que decorre de qualquer novidade. Copia-se em pequenino e mau a roçar o rasca, eis a situação.
Resolvidas as questões de instabilidade em certas áreas bem próximas da Europa, podemos ter a certeza deste turismo de massas desaparecer e oportunistamente deveremos desde já implorar a todas as alminhas do purgatório para que a criminosa violência por lá continue por muitos e bons anos. É o ponto a que chegámos.

A verdade é que o Esquema Vigente tornou-se tão retorcido, que a principal vereação da edilidade, a do urbanismo, tornou-se, alegadamente, numa ampla coutada de um conluio de certos fundos imobiliários adstritos a uma suspeitosa banca e em claro conúbio com as construtoras mais ou menos amigas. O resultado está à vista e podemos estar certos de que não sobejará pedra sobre pedra, cingindo-se a Lisboa que interessa a bem pouco das construções sobreviventes entre a Rotunda e o Tejo. A isto resumir-se-á a capital de Portugal.

O cúmulo da desfaçatez que me fez decidir a ir uma vez mais à secção de voto para depositar um X de alto a baixo? Ousaram mencionar a grande e muito necessária obra do Palácio "nacional" da Ajuda "não concluído desde há 200 anos". Ainda se gabam todos aqueles pobres tolinhos de olhinhos em alvo, como se de uma suprema e final conquista se tratasse. Bem vistos os factos, esta menção à Ajuda resume a total incapacidade e míngua mental de um bando de cinco paraquedistas da políticazinha.

 

É mesmo uma desgraça Ribeiro Telles não ter hoje 50 anos.

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publicado às 22:28

Macumbas camarárias?

por Nuno Castelo-Branco, em 01.07.17

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É uma visão repetitiva, mês após mês. Naquela zona a intervencionar entre a R. Luciano Cordeiro, Largo das Palmeiras e Rua de Andaluz, existem sete edifícios com "projecto aprovado", coisa que mais não quer dizer senão o inapelável e completo arrasar. Serão substituídos por uma magnífica novidade de lataria, betão, pladures e outras modernidades a que a vereação do urbanismo nos tem habituado. Lá se vão cantarias, madeiras, estuques e aquele dispensável aspecto urbano do final de oitocentos e virar de página para o século XX.

Sabe-se que o projecto terá sido muito naturalmente aprovado, obedecendo aos critérios demolicionistas que há muitas décadas assaltaram todas as vereações da CML. Este não foi excepção, mas... algo aconteceu. Como e o quê? Não se sabe, mas imagina-se.

A vizinhança anda entre o incomodada e o divertida com esta cena de ovos vergonhosamente desperdiçados, pois os noticiários são pródigos em feitiços, bruxarias e macumbas, umas à beira mar, outras terra adentro como é este o caso. Ficamos então sem saber se deve ser este sortilégio abençoado e seguir em frente impedindo a destruição irreparável dos sete magníficos edifícios que fazem parte da história desta cidade, ou pelo contrário, se este "desamarrar" de licenças deve continuar a encontrar todos os escolhos possíveis.

Dado o que se adivinha, até às eleições não teremos novidades.

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publicado às 08:24

Fachada poente a precisar de Ajuda

por Nuno Castelo-Branco, em 17.09.16

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 Ficou hoje a conhecer-se mais um dos muitos projectos apresentados para o remate da fachada poente daquele que é o maior e mais imponente edifício público da capital portuguesa.


Dispensando quaisquer comentários a respeito do gosto ou desgosto que os esboços mostraram, esta construção, mesmo com o previsível isco dos fundos do Turismo e da apresentação em exposição permanente das muito desfalcadas Jóias da Coroa, não pode ser iniciada sem a prévia consulta a quem mais interessa, ou seja, os habitantes de Lisboa.  

O Palácio da Ajuda não é uma construção da qual se possa dispor à la carte, não pode estar à diposição de um projecto de promoção pessoal, ou de qualquer partido Desde que se ergueu tem sido uma sede de  poder, seja ele o monárquico ou o republicano. Nele se pavoneiam vaidades na recepção do corpo diplomático e ali se inauguram presidências e governos, por muito efémeros que sejam. É um local emprestado pela nossa história, um eco de um passado relativamente glorioso. Aqueles brilhos dos adamascados e dourados, as pratas e porcelanas, as pinturas e tapeçarias, os bibelots assinados, os torneados do mobiliário daquela mescla de estilos, o bric-a-brac de Dª Maria Pia de Sabóia, impressiona os nacionais e os estrangeiros. Não é nenhuma novidade, aquela colecção marcou uma época e por milagre praticamente íntegra - apesar dos acontecimentos da 1ª república, da visita recolectora da aventureira com quem o infante D. Afonso se casou, da retirada de mobiliário e peças decorativas que o regime da 2ª república colocou em embaixadas -, é um cenário infinitamente superior em termos de prestígio e harmonia, a uma banal construção que qualquer um dos regimes que sucedeu ao ciclone de 1910, tenha erguido nas respectivas Expo. Das pedras lavradas e pinturas murais da Ajuda à bela pala de betão armado do antigo Pavilhão de Portugal, vai uma boa distância e os nossos senhores não hesitam na escolha do decor. Sejam então coerentes.

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 Poderá a entidade mais ansiosa, a Câmara Municipal, esgrimir argumentos a favor da "rápida conclusão de uma obra que já tarda e é urgente", mas estas atitudes em nada abonam quem decide e muito dependerá da confiança de uma população muito desconfiada por este inesperado inferno eleitoral de ciclovias, alargamento de passeios, demolições a eito e sem consulta, desrespeito pelo próprio inventário municipal e outras habituais habilidades comezinhas. Bem poderá então escudar-se atrás do MC e do Turismo, mas o protagonismo é totalmente seu, nada de manobras de ilusionismo. O protagonismo e o interesse.


O projecto existe há bastante mais de meio século e é da autoria do arquitecto Raul Lino que se manteve fiel à ínfima parte construída do risco original que a Ajuda teve nos finais do século XVIII e alvorada de oitocentos. O Palácio jamais foi concluído e será supérfluo inventariarmos as razões para tal incúria sobretudo devida às vicissitudes da política, às mudanças e de regime e à sempre latente penúria financeira. Anos após a sua concepção, Salazar, a braços com uma guerra em três frentes africanas e assoberbado pela construção da Ponte, não pôde dar andamento a este projecto que hoje, a ter sido concluído, já teria beneficiado da patine da passagem de meio século e muito provavelmente, com interiores a condizerem com a fachada. Seria parte da paisagem urbana. Não se fez, paciência, outros valores se levantaram, mesmo quando alguém teve a ideia de construir de raiz um Centro Cultural em Belém, nem sequer aproveitando o que já existia no alto do bairro lisboeta da Ajuda. Idem quanto ao Museu dos Coches, naquelas cíclicas, bastante oportunas para uns tantos e previsíveis derrapagens orçamentais que em muito lesaram o crédito e a respeitabilidade de quem decidiu e ordenou. Este é o país em que os cidadãos enviam cartas registadas aos governantes e estes, nada preocupados, nem sequer se dão ao trabalho de acusar a recepção. Foi o que sucedeu há perto de três décadas, quando do anúncio da construção do CCB e alguém lhes terá chamado a atenção para o aproveitamento da parte a reconstruir do Palácio da Ajuda. Pelos vistos, continuamos neste estranho caminho da surda arrogância. O mesmo se pode dizer a fundos esfumados, como aqueles deixados pela Sra. Reagan que também terá apreciado o potencial do edifício. 

Mais próximo de nós, ainda está o embaraço nacional acerca da retirada russa da exposição do Hermitage na Ajuda, pois consideraram o palácio na sua secção poente, impróprio para a apresentação das periódicas colecções imperiais. Não valerá a pena o recurso a subterfúgios lava-faces, pois foi isto mesmo o que aconteceu.

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 Este edifício não pode ser mais um passageiro pasto de modas e vaidades. Não pode, é campo interdito. Esperava-se a abertura de um concurso público e internacional, mas recorreu-se ao expediente já bem conhecido, da decisão sem dar cavaco. Fizeram mal, como se tornou costume. Mal, e, suspeitamos, de forma ilegal.

Bem vistos os factos, este anúncio de surpresa é mais um exercício de vanitas política embrulhada caprichosamente em argumentos apenas válidos, porque óbvios ao longo de mais de duzentos anos. O Palácio Real ou Nacional, como queiram, consiste num património que condensa a história de um século pleno de acontecimentos e que está recheado de uma inestimável colecção de época, embora, tal como as Jóias da Coroa, privada, como acima dissemos, de inúmeros elementos que a queda da Monarquia fez por vários meios sumir. Há que valorizá-lo e para isso podem e devem ser despendidas quantias necessárias que estimularão a criatividade, a arte de bem fazer, o labor dos artesãos nacionais e o interesse de uma miríade de pequenas e médias empresas de construção. A cultura não é despesa, por muitos fundos que nela se vertam sob supervisão e criteriosamente. Trata-se de um investimento e para mais, da garantia da identidade nacional que é pontilhada por um certo sentido de orgulho. 

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 Os decisores podem pensar o que entenderem acerca das suas excelsas personalidades, mas não vivem num exclusivo Olimpo. Desçam à terra e procedam então a uma consulta popular que decida a viabilidade do projecto de Raul Lino ou a alternativa hoje apresentada. Num país onde a palavra mais usada pelos agentes da política é democracia! democracia! democracia!, do que que têm medo os senhores da nossa situação?





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publicado às 19:16

Assinem esta petição

por Nuno Castelo-Branco, em 01.08.16

 

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Estamos todos cansados, fartos de sofrer em silêncio as habilidades, manhas, negociatas, imundícies que envolvem irmãos, primos, cunhados e gabinetes de todo o tipo de actividades especulatórias, desleixo e outras estultas acções por parte das sucessivas vereações - sejam elas de que coloração forem - que têm arruinado a cidade de Lisboa: bairros inteiros que para sempre desapareceram por vontade dos grupelhos conluiados que bem conhecemos, obra feita e logo obra refeita, cabeçudos que surgem em prédios de fachada anterior ao betão, eis o que o futuro reserva para uma Lisboa que passará pela infâmia e vergonha de perder todo e qualquer interesse que uma capital europeia deveria ter. Neste caso, nem sequer a oposição se salva, é parte integrante do esquema.

Não tenham dúvidas, esta destruição consiste mesmo uma intenção política e assim sendo, política deverá ser a resposta popular. 

Esta é uma petição urgente, pois sublinha uma certa e necessária revolta contra uma acção que longe de atender a dificuldades de tesouraria, visa tão só prosseguir a já demasiadamente longa campanha política contra tudo o que a nossa história significa. 

Se há dinheiro, muito mais dinheiro, para outras actividades pré-eleitorais, obrigatoriamente deverá o executivo municipal atender a este caso. Em conformidade, façam o favor de divulgar e assinar esta petição. Lisboa agradecerá. 

* Já tem 1500 assinaturas e teremos de atingir as 4.000 até ao próximo dia 15 de Agosto. Copiem o link e divulguem. 

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publicado às 13:42

Martim Moniz, a costa da loucura salgada

por Nuno Castelo-Branco, em 28.01.15

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 Mais um imaginativo caixotismo, prolongando o desastre urbanístico que é o Martim Moniz

 

Parece uma piada de péssimo gosto, mas não é. Consiste em mais uma loucura assentada pela calamidade ambulante que dá pelo nome de Sr. Manuel Salgado e decerto pelo seu adjunto formalmente superior, o Sr. António Costa. Implica outra série de demolições e o despejar de milhões para a construção de um edifício religioso. Leiam o texto anexo, vale a pena"libertação de edifícios e demolições, verbas saídas do orçamento municipal". E se fosse uma igreja, sinagoga, templo budista ou hindu? Seria possível esta indecente e provocadora solicitude? Depreende-se que a cada vez mais grotesca superstição laica, encontra intermitências quando convém aos comandantes de toda esta geringonça, no preciso momento em que a Europa enfrenta o maior desafio das últimas décadas. Má mensagem, precisamente quando no Martim Moniz existe uma estação do metropolitano que rapidamente transporta os crentes para a mesquita da Praça de Espanha. 

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As demolições previstas 


A cidade foi tomada a partir daquela zona, disso ninguém duvida. Desta forma a Câmara Municipal de Lisboa toma uma tão deliberada como desastrada decisão meramente política e de descarado favorecimento de facção, pois neste caso, o argumento Bangladesh não passa disto mesmo: é político.

A prepotente decisão não passa de péssima política e de um deliberado caçoar da nossa história, da nossa soberania que afinal, para Costas e adjuntos, é reversível. Por muito que procurem disfarçar, esta é a mensagem que torna anacrónico o nome da Praça Martim Moniz.

Um trecho n' "O Corvo", diz o essencial: 

"Trata-se portanto do realojamento de um equipamento já existente, onde se acrescentam outras valências importantes para a respetiva integração social desta comunidade, numa zona cuja história remete para a manutenção da presença islâmica na cidade após a reconquista cristã”"

 

Manutenção? Que manutenção? Devem querer dizer reintrodução. 

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publicado às 09:26

Costa & Salgado (Manuel) de novo

por Nuno Castelo-Branco, em 15.01.15

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Mais uma sujeira urbana da dupla Costa & Salgado. O PC vota contra com argumentos  ventosamente imbecis e sem um balbuciar acerca do património arquitectónico do século XIX/XX. Quanto aos saloios patrioteiros PPD e CDS, enfim, farelo, farelo, o habitual colaboracionismo asqueroso. 

 

Ainda há poucas semanas, Paris chumbou a construção de uma demencial construção cónica no centro da cidade, obedecendo ao interesse da preservação patrimonial e à vontade dos habitantes da capital francesa.

 

Com a assinatura "sim" de mais este inevitável Salgado, Manuel, inacreditável e hipoteticamente arquitecto, Lisboa continua a assistir à concessão de cada vez mais espaços para o terciário, precisamente numa zona onde abundam edifícios de escritórios completamente vazios: dois dos anos 80/90 na Rua Sousa Martins, o gigantesco mamarracho anos 90 ex-CTT na R. do Conde Redondo, o mamarracho da viragem séc. XX/XXI ex-Nokia nas imediações da SPA (Duque de Loulé), outro mono novo - tem meia dúzia de anos - e desde sempre vazio na Praça José Fontana, etc, etc. Se isto não é incompetência, ganância, corrupção e banditismo, não sei o que possa chamar-lhe. Se não é, parece.

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publicado às 15:51

Edição especial

por Nuno Castelo-Branco, em 14.10.14

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Uma até agora pouco conhecida Aventura de Tintim. Com o patrocínio municipal e totalmente à revelia de Gonçalo Ribeiro Telles.

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publicado às 20:13

Água vai

por Nuno Castelo-Branco, em 13.10.14

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Em 1982, numa das rotineiras conferências organizadas na antiga sede do PPM na Rua da Escola Politécnica, Gonçalo Ribeiro Telles traçou o quadro geral dos problemas da Lisboa de então, não deixando de prever milimetricamente tudo o que aconteceria num futuro não muito distante. Além do pesadelo betoneiro que grassava a toda a força sob a égide do Sr. Abecasis - o tal prestidigitador que destruiu o Monumental alegando a excessiva volumetria - , GRT apontava para o descalabro na parte Baixa da capital, no preciso momento em que eram conhecidos os projectos de construção de mastodontes como o edifício Libersil e vizinhos Mapfre, entre outros. Parques de estacionamento nos subterrâneos, o desleixo a que estavam votados bueiros e colectores, a imperiosa necessidade da articulação geral da rede de esgotos e o extremo cuidado a ter com as águas subterrâneas - a esquadra que tomou a cidade, aportou no actual Martim Moniz - , aconselhavam uma abordagem muito diversa da total incúria a que a partidocracia - a de clube único e aquela que se seguiu e bem conhecemos - votara a cidade nas últimas décadas. 

 

- "Esta obra terá mesmo de ser feita. É cara, muito morosa, impopular e sobretudo, não rende votos".

Telles tudo previu. Sabia o que era urgente e quais os escolhos intransponíveis. Em suma, dada a situação vigente, nada há a fazer.

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publicado às 21:03

António Costa sem bueiros orais

por Nuno Castelo-Branco, em 22.09.14

 

Rua das Pretas, Lisboa, 22 de Setembro de 2014, pelas 15.00H 

 

António Costa diz a António José Seguro:

 

"Quero levar a experiência do que fiz em Lisboa e ampliá-la ao resto do País"

 

Acreditamos piamente nesta ameaça.

 

Há 115 anos, a "vereação republicana" da Câmara Municipal de Lisboa proclamou exactamente a mesmíssima coisa. Conhecemos o resultado: o prometido foi dolorosamente cumprido, com os resultados que todos conhecemos.

 

Aproveitando a época revivalista com uma paródia relapsa e contumaz, o Sr. Marinho e Pinto - é Marinho ou MÁrinho como a SIC insiste em dizer? - anuncia a fundação da sua coisa para  o próximo dia do felizmente abolido coiso de Outubro. Para cúmulo, a coisa terá o mesmíssimo nome do coiso do Afonso Costa, ou seja, Partido Democrático Republicano. Está-se mesmo a ver a coisa

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publicado às 17:28

Costa & Salgado...

por Nuno Castelo-Branco, em 17.09.14

...somam e seguem.

 

"Também nos preocupa constatar que algumas das destruições de azulejos acima referidas (a negrito) foram legais porque as demolições de fachadas receberam aprovação do Pelouro do Urbanismo, «por despacho do Vereador Manuel Salgado» conforme se podia ler nos locais das obras."

 

Nada de fiscais, pesadas penalizações ou embargos de obra, claro. "Paciência, foi-se, agora já nada podemos fazer". 

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publicado às 10:06

Cushman & Wakefield

por Nuno Castelo-Branco, em 16.09.14


Aparentemente indignada pela criminosa possibilidade do desaparecimento destas fachadas, contudo não se rala minimamente em manter fechadas as janelas de todos estes edifícios. Pelo contrário, miraculosamente vão sendo escancaradas de forma paulatina e muitíssimo evidente. Porque será, Sr. Cushman e Dª Wakefield? Ainda por cima Vossas Excelências já foram avisadas bastas vezes, a partir deste blog e/ou do Forum Cidadania LX.  Rica imagem para uma imobiliária, não haja dúvida. Bem podem estabelecer avenças com empresas de demolições e uma joint-venture com a empresa-vereação do urbanismo olissiponense.

O projecto chegou a ser aprovado pela Câmara Municipal de Lisboa e a ter licença. Mas ela caducou, antes de se efectivar a venda. A maioria dos candidatos à compra pretende manter as fachadas. Até porque, no caso do edifício da Duque de Loulé [demolir a fachada] seria criminoso” disse ao Corvo fonte da Cushman & Wakefield."

É, como dizia o outro, "deves"...

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publicado às 09:02

 

Profunda e arrogantemente imbecil, o tal Zé que não faz falta alguma, alegadamente escarra mais umas tantas sandices a respeito do património que "urge não preservar". Segundo aquilo que o texto do Público alega, para esta coisa ..."os brasões são sinais do colonialismo". Refere-se ao simulacro de brasões que  só com muita imaginação turística, ainda conseguem passar por tal na Praça do Império.

Há muito desapareceram, apenas restando uns raquíticos vestígios que estão muito longe daquilo que os canteiros durante décadas mostraram aos visitantes daquela zona da capital. A verdade é outra, pois uma rápida passeata pelas imediações, é mais que suficiente para verificar-se a progressiva degradação de todo o conjunto. O jardim  não passa de um baldio semi-abandonado. Fonte luminosa? Onde? Quando, em que dias? A passagem subterrânea sempre sujíssima, borrada com porcarias garatujadas. O Padrão dos Descobrimentos, enegrecido. O prolongamento arrelvado em direcção à casa oficial do Sr. Silva das marquises, com obras de Sta. Engrácia, papelada por recolher; a prenda tailandesa, desprotegida e à mercê da gandulagem da Urban "Art". A lista a cargo da incompetência camarária é vasta, perfeitamente safernandizada e bem ao gosto salgado-costista.

 

A obliteração de uma História ainda bem presente e por sinal vivida in loco - na África e na Ásia - por uma boa parte da população portuguesa, deveria então ser acompanhada pela destruição de outros elementos do extinto império. Nem as palmeiras lisboetas escapam, agora condenadas pela praga de um mortífero besouro ao qual a CML não prestou qualquer atenção. Assim sendo, há que demolir o Mosteiro dos Jerónimos, erguido para comemorar a gesta no Oriente e que para cúmulo, também ostenta catatuas brasileiras, esferas armilares, brasões reais e túmulos dos Aviz que devem ser imediatamente despejados "à francesa-St. Denis" pós-1789; a Torre de Belém, carregada de símbolos imperiais manuelinos; há que mandar picar as Armas do Reino em todos os principais edifícios públicos - os únicos de valor, foram erguidos pela Monarquia -, assim como na generalidade de palácios e mosteiros, na estátua de D. José, no Arco da Rua Augusta e na Estação do Rossio, nos chafarizes e fontanários, nas igrejas, actuais museus, etc. Também podem queimar os coches, já que o "novo espaço" ainda está e previsivelmente ficará às moscas. Há quem ainda não tenha percebido que o império outrora exposto em mapas nas salas de aula, continua a existir de outra forma. Arribou à Europa, desde a nossa alimentação até às músicas que ouvimos, às gentes que connosco se cruzam nas ruas de uma Lisboa que há cinco séculos habituava-se às partidas e às chegadas. As pedras e os símbolos de outrora, são, ao contrário daquilo que um passageiro autarca possa julgar, elos que não se rompem por apetites ou isoladas manias. 

 

Esta é uma das piores Câmaras Municipais de sempre e dela Lisboa guardará triste memória. Comparado com esta gente, o catastrófico Abecassis era um Ludovice, um Mardel. 

 

Interessante seria, se este bufante indivíduo fosse obrigado a indemnizar o município pelos milhões de prejuízo que causou, quando politicamente embargou a abertura do túnel do Marquês.

 

Nesta republiqueta de sarjeta a impunidade dita a regra, é imperial. Imperial, mas sem brasões.

 

 ***

Adenda: há algumas semanas, levei uns amigos estrangeiros a passear em Belém e diante dos fanados brasões, expliquei-lhes o que ali existira e o que significavam. Ficaram surpreendidos pelo desleixo e obliteração da história e ainda lhes garanti que a situação não era recente, tinha muitos anos. No entanto, a verdade é que eu, como tantos outros, deveria ter agido atempadamente, alertando a Câmara e os jornais. A culpa também é minha, pois nada fiz e critico agora, aquilo que podia ter sido evitado. Realmente, é fácil falar.

 

Estamos uma vez mais perante um facto consumado, até porque o grunhido de resposta dado pelo Zé ao jornalista, leva a questão para o patamar da política. Já ganhou o caso, pois agora com ele terá os mesmos incondicionais de sempre. Querem apostar?

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publicado às 16:52

Odeon, um futuro centro comercial vazio

por Nuno Castelo-Branco, em 17.08.14

É esta a Lisboa de Costa, o tal que quer a sua pouco urbana e demasiadamente salgada  "exemplar gestão", transplantada para o resto do país. Enfim, uma ameaça que segue aquela outra da famosa vereação republicana dos finais da Monarquia, garantindo que república costista imposta, logo Portugal inteiro beneficiaria das delícias da émula e boa gestão camarária verde-tinto.

 

Viu-se, vê-se, ver-se-á (?)

 

Se há coisa que esta gente não tem, é imaginação. O Sr. Soares costuma papaguear as sangrentas ameaças do Guerra Junqueiro, agora Costa rumina sandices conhecidas urbi et orbi

"Um dos cinemas mais antigos de Lisboa, o devoluto Odeon perto da Avenida da Liberdade, vai ser demolido dentro das próximas semanas para dar lugar a mais um centro comercial. Por tratar-se de um exemplo único da arquitectura Art Deco, há quem tente salvá-lo através do protesto numa petição. Se concorda que o teatro deve ser reabilitado, como foi o Le Louxor de Paris, por exemplo, em vez de vir a ser mais um centro comercial, poderá assinar a petição aqui": 
http://www.gopetition.com/petitions/petição-lisboa-precisa-do-cinema-odéon1.html

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publicado às 19:08

Mais um mamarracho à vista, na Fontes Pereira de Melo

por Nuno Castelo-Branco, em 29.07.14

 

Há uns tempos questionávamos acerca do futuro destes três edifícios sitos na Av. Fontes Pereira de Melo.

 

Parece que há quem anda com as ideias do costume, as que as fotos mais abaixo mostram. Vamos lá a ver quem serão os patrocinadores dos projectados mamarrachos. E pensarmos que durante anos andaram a azucrinar-nos com a "monstruosa volumetria" do demolido Monumental...

 

Em escassos 500 metros, temos: o mamarracho Monumental, o mamarracho "Duque" (aquela rasquíssima coisa branca, no Saldanha), o mamarracho Atrium Saldanha, o mamarracho hotel em construção na mesma praça, o mamarracho Saldanha Residence, os dois mamarrachos Sheraton/Imaviz, o mamarracho PT, e pela avenida F. P. de Melo abaixo, horrores mamarrachados dos anos setenta e oitenta - sim, os da 2ª República/ Marcelo Caetano também contam - , culminando com o recente mamarracho Sana. Tudo isto sob o patrocínio da Câmara Municipal de Lisboa.  

 

Coitados dos senhores Saldanha, Fontes Pereira de Melo e Sebastião José.  

 

  

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publicado às 18:00

António Costa & lusas ridicularias… na Ásia

por Nuno Castelo-Branco, em 20.07.14

1. ...acha que seria um privilégio termos Guterres como presidente. Pois muitos acham que seria uma benção deixarmos de ter presidente, fosse ele quem fosse. Benção esta tão benfazeja como Costa - e o seu acólito Salgado/primo - definitivamente deixar a Câmara Municipal de Lisboa. 

 

2.  Este regime  é ridículo. Pela primeira vez está um presidente português na Coreia do Sul. Há que repetir, pela primeira vez. Se tivermos o ano de 1976 como ponto de partida, comparem os especialistas o percurso da Coreia do Sul e de Portugal. Vejam o que era aquele país naquele ano e o que é hoje. Depois, sigam o caminho de Portugal e tirem as devidas conclusões. 

 

3. O ridículo não mata, mas moi. Pela primeira vez está no Ceilão um chefe do governo português. Aquele país é um dos mais fortes símbolos da presença portuguesa no mundo que desvelámos à Europa. Completamente ignorado pelas nossas elites, a antiga Taprobana representou algumas das mais inacreditáveis e gloriosoas páginas da nossa história. Mesmo que nos limitemos à queda de Colombo, este episódio é por si demonstrativo daquilo que há muito já não somos. 

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publicado às 17:00

Ribeira das Naus, "lá está ele a dizer mal!"

por Nuno Castelo-Branco, em 18.07.14

Não se trata de incluir a questão na "subjectividade dos gostos", pois o local não se compadece com experiências ou "reinterpretações de espaços que o adequam à funcionalidade do momento". 

 

Após a inauguração das remodelações efectuadas por Costa, o conjunto geral parece  muito mais aceitável do que o previamente existente. Desapareceram as grades, o alcatrão, a lixeira a céu aberto e a rubra lataria que hoje infelizmente foi colocada na Alameda das Universidades. A Ribeira das Naus está melhor, sem dúvida. Numa conversa com turistas que por lá aproveitavam para aumentar a colecção de fotos, fiquei a saber por idioma forasteiro, aquilo que a maioria dos lisboetas conseguiu ver assim que pela primeira vez teve conhecimento do projecto:

 

- Esta relva serve para refrescar o ambiente e fixa os visitantes que dela se servem para se bronzearem sob o sol de Lisboa. Mas... porque razão construíram estas rampas? Colocavam a relva, mas evitavam destruir a perspectiva arquitectónica!"

 

É verdade. Qualquer um diria o mesmo e não valerá apenas puxarmos pelas rebuscadas razões que fundamentaram a decisão recorrendo à "memória histórica" das carreiras que durante séculos fizeram deslizar para o Tejo uma infindável quantidade de galeões e naus, navios de transporte, fragatas, bergatins e galés. As rampas são um disparate e desvalorizam o espaço. Aquelas que servem para justificar a maluquice, eram invisíveis acima do "nível térreo", não interferiam com a discreta e intemporal grandeza dos edifícios contíguos.

 

Muito bem fez a Câmara em interessar-se por uma zona há muito ameaçada por vários desastres, desde o incêndio e destruição da Sala do Risco, até à decadência do Terreiro do Paço transformado em parque de estacionamento - em boa hora liquidado por João Soares -, ruína do muro debruando a margem do rio, a construção de observatórios-mamarrachos U.E. nas imediações e sem esquecermos a ainda muito recente e disparatada retirada dos valiosos candeeiros que faziam parte da colecção de mobiliário urbano da cidade, hoje substituídos por ridículos postes imitando fósforos carbonizados.

 

O interesse por aquela zona deve coadunar-se com a sensatez quanto às decisões tomadas para a sua preservação. Quando falamos em preservação, isto pouco ou nada terá a ver com experiências que cabem na zona da Expo - "monumento" a Maria José Nogueira Pinto incluído -, mas não ali, na zona de aparato da reconstrução setecentista. Bem melhor teriam feito em previamente auscultar a opinião dos lisboetas, pois desde o Sua Magnificência o Senhor Doutor, até ao vendedor de cautelas, a opinião talvez fosse unânime. Recupere-se mas não se estrague ou invente. 

 

 Adenda: como aqui já foi dito algumas vezs, teria sido mais simples o aproveitamento da doca e a construção de molhes onde estivesse em exposição permanente a fragata D. Fernando II e Glória e ocasionalmente, a caravela Bartolomeu Dias e os navios-escola Sagres e Croiula. Mas não, preferem sempre mexer onde não devem.

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publicado às 08:05

Mais um mono-mento

por Nuno Castelo-Branco, em 29.05.14

Dir-se-ia um salvado do desmantelamento de um stand da FIL. Mais um risível mono engendrado por Costa & Comp. Lx Lda., a somar ao mono-mento a Sá Carneiro (Areeiro), ao mono-mento aos "construtores" de Lisboa (à Expo), ao mono-mento a Duarte Pacheco (no viaduto do mesmo nome) e à pouco mono-mental pilinha erguida por Cutileiro e João Soares no Parque Eduardo VII. Rico património deixará o actual regime!

 

Esta gente enlouqueceu.

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publicado às 09:00

Costa FORA da CML, já!

por Nuno Castelo-Branco, em 27.05.14

 

O bota-fora de Costa acarreta algumas vantagens, uma das quais será um mitigar das suas malfeitorias no Concelho de Lisboa. Talvez a febre demolicionista esmoreça, mas para isso urge também alijar o senhor do Urbanismo, o tal primo do reconhecido apelido Salgado que nos últimos dias tem feito as manchetes. 

Aqui está um bom exemplo da destruição que a nefasta dupla Costa & Salgado têm perpetrado nesta Lisboa Arruinada. O anúncio da imobiliária reza este sugestivo apelo:

 

 

"Bonito Palacete de 1910, vende-se no centro de Campolide para renovação com projecto aprovado para 1 T5 Duplex e 3 T2,ideal para apartamentos de charme.
Venha conhecer este belo investimento no centro de Lisboa.
Área bruta por piso 185m2
Área Útil 136.5 por piso + sótão 50m2
Não deixe para amanhã, o que pode ser seu.

Consideram ser um bonito palacete de 1910 e logo depois, indicam a sua destruição. dD 1910 apenas existe uma mamarracha para impiedosamente demolir pedra por pedra. Sabem qual é, a do felizmente erradicado feriado. 

 

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publicado às 19:31

Lisboa Arruinada: Rua Viriato (Picoas)

por Nuno Castelo-Branco, em 10.05.14

Obra a obra, Lisboa desaparece, a nossa capital entregue a mentecaptos, devoristas e fazedores de privativas vidinhas.

Este prédio será demolido e encontra-se num ainda aceitável estado de conservação. Situado na Rua Viriato nº 6 (Picoas), está à venda. Após uma breve conversa com alguém que conhece a situação e reside nas proximidades, parece garantida a demolição deste imóvel, visando-se a construção de mais um daqueles horrendos exemplares erguidos na mesma rua, cujo mau gosto e baixíssima qualidade de construção, garantem o destino que por ali se comprova: prédios novos e semi-abandonados, obras de especulação imobiliária a que a CML vergonhosamente se rendeu.  

Se a fachada corresponde ao discreto estilo dos prédios de rendimento da viragem do séc. XIX/XX, o hall é muito bonito. Um grande arco emoldurado por vidros artisticamente pintados, estuques, boas madeiras, pinturas murais e um belo candeeiro ao qual já faltam três tulipas, hoje possíveis de adquirir em algumas lojas que vendem cópias em vidro gravado.

Lisboa é uma cidade a saque. Não passa de mais uma presa de consecutivas vereações camarárias de todas as cores partidárias, cuja incompetência apenas pode ombrear com a cupidez, desleixo, negócios turvos, mau gosto e descaramento. Em Portugal age-se à vontade, à larga, pois a preservação e gestão do património é coisa que não interessa minimamente aos pés de gesso que controlam o Estado. O cartaz na fachada diz o que é necessário saber para confirmarmos o resto. 

 

 

 

 

Muito a propósito, Paulo Ferrero* elucida-nos acerca do que se está a passar numa outrora opulenta zona de Lisboa, precisamente aquelas transversais da Avenida da Liberdade, hoje alvos de uma depredação inimaginável. 

 

"Hoje, em plena discussão pública sobre a alteração da CML ao Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente - facto que decorre da classificação recente da zona da Avenida como de Interesse Público e das alterações legais havidas na reabilitação urbana -, é oportuno perspectivarmos o futuro da cidade a partir do que sucedeu ao primeiro bairro burguês (alto-burguês) nascido no pós-Avenida: o Bairro Barata Salgueiro, erguido nos terrenos de Antão Barata Salgueiro e que começou a ser urbanizado na última década e meia do século XIX.

O bairro compreendia então toda aquela zona íngreme que vai desde a Avenida, montes acima, até ao Rato e a São Mamede. Recorrendo ao Google, é fácil visualizá-lo: faz hoje fronteira, a nascente, no passeio que vai do Hotel Tivoli ao Marquês; a poente, com a Rua do Salitre, São Mamede e Rodrigo da Fonseca; a norte, com a Braamcamp; a sul, de novo com a hoje Barata Salgueiro e traseiras do Salitre.

A sua toponímia, salvo raras excepções, não engana ninguém, repleta que está de nomes sonantes do nosso liberalismo. O "mercado--alvo" - proprietários endinheirados, intelectuais, ligados às artes, uns, nobres, até, outros - recorreria a arquitectos, construtores e decoradores "topo de gama" (Ventura Terra, Norte Júnior, Nicola Bigaglia, Korrodi, Álvaro Machado, etc.) para fazer passar a "mensagem". E conseguiu. Os arruamentos, espaçosos e bem arborizados, foram sendo preenchidos por palacetes e distintos prédios de rendimento, formando uma unidade de conjunto digna de nota e louvor para o tempo, hoje infeliz e totalmente adulterada, perdida, na maior parte dos casos.

O edificado era ecléctico, de tom assumidamente afrancesado, com as suas fachadas de cantaria e ferro forjado, as suas mansardas, mas também, e muito, os seus interiores, sóbrios e distintos, com estuques, madeiras exóticas e belezas de pormenor, em grande parte "estado da arte". De cércea geralmente baixa, os seus poucos andares tinham no entanto um imenso pé-direito e imensas divisões, com luz a entrar por todo o lado. Alguns tinham logradouros, bem arborizados. Outros, casa para caseiro e cocheiras. Um bairro em tudo oposto ao Bairro Camões, por sinal, que nasceria do outro lado da Avenida, no sopé da agora celebrada Colina de Santana; mais atabalhoado, sem tanto sol e com muito menos espaço, direcionado à média e à baixa burguesias, no pré-Avenidas Novas de Ressano Garcia.

E assim foi existindo até há coisa de 35 anos (de permeio houve intervenções de nomeada em alguns palacetes, com adaptações modernistas, feitas por Cassiano Branco, entre outros, mas sem nunca se adulterar sobremaneira a unidade do conjunto), altura em que o bairro entrou em perda: perda no rendimento dos proprietários (paradigmática, a construção nos logradouros das moradias dos Carvalhos/Cinemateca e de Medeiros e Almeida, por ex.) e perda no número de moradores, o que aliado à venda sucessiva de palacetes e prédios de rendimento a imobiliárias (muitas delas estrangeiras), ao crescente estado de abandono do edificado, à crónica fraqueza de quem de direito não fez o que lhe competia - classificar o bairro e zelar pela observância dos regulamentos para a conservação de edifícios -, ao boom especulativo, às primeiras demolições para a construção de bancos (BNU, BES...) e hotéis (Hotel Altis à cabeça); levaria a que hoje o bairro esteja irreconhecível, sem graça, subjugado à omnipresença do automóvel (coitadas das olaias da Mou- zinho da Silveira...), de escritórios e serviços, e dos acrescentos espelhados, "cabeçudos", que encimam muitos dos prédios de antanho, coroando fachadas agora "para inglês ver" (Heron Castilho, Allianz, Hotel Vintage, etc.).

A coisa foi (e continua) imparável, a breve trecho não restará nada, a não ser, talvez, a frente de quarteirão da Alexandre Herculano e alguns bibelots. A outrora belíssima Rua Rosa Araújo, por ex., está transformada em montra-laboratório de pós-modernices, na qual alguns dos arquitectos de hoje se estão nas tintas (é esse o termo, desculpem) para os colegas de ontem, cedendo à tentação fácil do momento. Escândalos há como a destruição feita a prédio magnífico de Bigaglia; a destruição em marcha noutros dois prédios para mais um hotel; e as destruições anunciadas de uma moradia (Ventura Terra) e do melhor dos seus prédios, esquina com a Castilho.

E se foi assim com o bairro, a coisa replicou-se inexoravelmente nas Avenidas Novas. Não tarda muito a que se replique por Alvalade e arredores."

 

*Fundador do Fórum Cidadania Lx

 

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publicado às 10:34






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