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O caviar intragável

por João Pinto Bastos, em 29.01.14

Pois é, parece que à esquerda não há, efectivamente, nada de novo debaixo do sol.O Bloco, fazendo jus à sua tradição de parlapatice enfatuada, vai-se esfumando progressivamente, levando, nessa espiral destrutiva, os pouquíssimos rostos mediaticamente apelativos que ainda restavam nas caves bolorentas da Almirante Reis. A coisa tem uma história e genealogia próprias, que, para abreviar o possível cansaço dos leitores com as tranquibérnias do esquerdismo caviar, se resume no facto de a tradição política da extrema-esquerda ter no seu âmago constitutivo o dissídio e o confronto intestinos. Nada que, em boa verdade, surpreenda os espectadores mais cautos das guerras civis da esquerda portuguesa. Aliás, se há ilação que se pode retirar da imensa confusão em que caiu o Bloco de Esquerda é que o aggiornamento das esquerdas portuguesas, sob este regime, e com estes protagonistas políticos, é, ao cabo, uma autêntica miragem. Passada uma década e meia, o Bloco implode sem que, ao menos, tenha logrado europeizar, política e intelectualmente, um sistema político configurado às arrecuas. Mas, no fundo, o que tem de ser tem sempre muita força, e, neste caso, a força reside inapelavelmente do lado dos que desejam, sem desprimor para Schumpeter, a destruição pouco criativa da civilidade inerente ao bom trato da coisa pública. O problema é que, com esta implosão, a governabilidade futura do país ficará, em grande medida, superiormente limitada. Mais: pensar numa esquerda que governe unida, carregando solidariamente as dores da governação, é, para todos os efeitos, uma ilusão que doravante, atenta a crise presente, importa não alimentar. Tudo leva a crer, portanto, que serão os portugueses a pagar, mais uma vez, a factura desta romaria festiva, pela singela razão de que não será de todo possível regenerar a República sem uma extrema-esquerda que entre no arco da governabilidade, desobstruindo, com essa abertura, o imobilismo político crismado pelo PREC. Foi isto que, com muita bufonaria política à mistura, o séquito de Louçã diligentemente legou aos seus compatriotas.

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publicado às 01:03

Rui Tavares e o lugar no meio da Esquerda

por John Wolf, em 17.11.13

Rui Tavares quer se sentar no meio da Esquerda, mas eu gostaria de saber onde fica esse lugar na plateia. Se é um lugar vago entre Marx e Slavoj Žižek, ou  se fica na outra fila, entre Gramsci e Chomsky. Por aquilo que pudemos ler no manifesto inaugural, não é muito fácil perceber quais as referências de Esquerda do fundador do partido. O guião escrito não me parece a base para a constituição de um partido fundamentalista anti-Troika e anti-austeridade - o que discorre nas parcas páginas lembra outros guiões da praça - não acrescenta muito mais ao universo das ideias políticas. Parece-me, numa primeira análise, que o partido Livre irá assentar na figura de Rui Tavares, na sua voz europeia e no que profere na coluna de opinião que escreve regularmente na imprensa escrita. Justiça e igualdade queremos todos. Ecologia amamos muito. E solidária é a nossa condição no contexto do descalabro nacional. O que ele defende na declaração de princípios não é pertença exclusiva da esquerda. E é aí que reside uma parte da contradição. Se o partido Livre pretende incluir os cidadãos na acção política de um modo abrangente e profundo, não é apenas no meio da esquerda que isso acontece. Os objectivos a que se propõe o "libertador" são, de facto, um lugar comum das exigências dos cidadãos. Será que se justifica a criação de mais um partido? Ou será que o Rui Tavares não encontra poiso noutras plataformas? Novidade novidade (política) seria Tavares contribuir com soluções em território inimigo. Incluir-se na luta civil dos socialistas ou até de uma CGTP. Mas não. Rui Tavares deve ter algo muito melhor para oferecer que os coordenadores do Bloco de Esquerda. Será que os políticos ainda não perceberam que a titularidade de pouco vale nos dias que correm? Um partido, para ser verdadeiramente livre nem sequer seria partido, não teria personagens - seria uma ex-machina. Seria uma força sem assinatura, sem magnetismos típicos da idolatria que acompanha a liderança. Rui Tavares corre o risco de ser o António José Seguro desse território enigmático - o meio da esquerda, no meio de nada. Tavares é um activista sem obra carismática para oferecer ou noções que rompam os atavismos dos outros - anos de política na bagagem, soa-me a muito pouco para emitir cartões de membro do partido. Sinto que com a sua chegada (mais um imigrado!), haverá um fenómeno semelhante àquele gerado por Louçã e Rosas quando estes irromperam com uma meta-linguagem política diferente da que estavam habituados os convivas partidários ou parlamentares. Quanto à papoila - prima suave do cravo -, é um cliché relativamente fraco. Mais valia o designer ter aproveitado um malmequer - o cidadão sabe o que não quer, mas não necessariamente o que quer.

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publicado às 14:12

"Grande novidade" no BE: o socialismo!

por Nuno Castelo-Branco, em 02.02.13

 

Louçã parece querer inventar um tema que finalmente unifique o saco de gatos assanhados conhecido por BE. Uma vez que o bloco não arranca nas sondagens - enquanto isso e apesar de tudo, o "burguês PS" vai somando e seguindo -, o ex-coordenador que ainda quase tudo parece coordenar, encontrou um meio para amalgamar esta agremiação rotineiramente desavinda. Diz agora que o BE deve enveredar pelo socialismo. A ser assim, o que terá sido o partido até estes dias, senão um projecto socialista naquele sentido comodamente lato que evitava dissabores de maior? O BE é uma oportuna unidade eleitoral de trotsquistas da LCI/PSR, de pró-albaneses da UDP e de neo-estalinistas, ouns tantos trânsfugas do PC e do MDP. O bloco sempre se referiu ao socialismo como a sua bandeira, o seu projecto.  Não se percebe onde querem hoje os bloquistas chegar, até porque nem sequer têm a vantagem de poderem contar com a submissão de qualquer uma organização "social-democrata", imitando aquilo que o KPD outrora impôs na RDA. Pelos vistos, continua o combate de chefes e Louçã quer regressar à ribalta, dizendo que ali quem manda é ele. Assim deve ser, pois é de longe, o melhor entre os seus pares. Tudo normal. 

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publicado às 10:11

Mamarráchica sugestão ao Bloco "de Esquerda"

por Nuno Castelo-Branco, em 24.08.12

 

Porque não voltarem às origens? Garantimos que esta foto não é de Ary dos Santos. Lembram-se da "candidata operária" Arlete Vieira da Silva?  Louçã bem podia cantar "Ó tempo volta pra trás" e colocá-la como um jarrão Coordenador do Bloco "de Esquerda". Que tal reinventarem a biografia e chutá-la prá frente?  

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publicado às 17:38

A soma de dois QI = Louçã

por Nuno Castelo-Branco, em 21.08.12

 

Há quem critique os monárquicos devido à questão do princípio sucessório na Chefia do Estado. Nos tempos da Monarquia Portuguesa, o soberano não podia dar-se ao luxo da designação de quem se lhe seguiria no trono. Existiam regras bastante claras quanto à sucessão e ao longo dos séculos, as Cortes decidiram ou validaram o herdeiro. Mais tarde, tal era previsto pela Carta Constitucional e em ambos os casos, vingava sempre a Lei. Para a história ficaram curiosidades como o claro não! a D. João II que pretendia colocar o ilegítimo filho D. Jorge no trono, ou a predilecção de D. João V pelo infante D. Francisco. 

 

O Coordenador Louçã é de outras finuras, até porque tem bastos e bons exemplos noutras camaradarias. Desde Ceausescu que se preparava para designar o seu filho Nico como futuro Conducator, até à família Kim do Grande Líder, Querido Líder e do Grande Sucessor, a gente da estrelinha vermelha faz o que bem entende. Que o digam o camarada Lukashenko e o Comandante Castro. O primeiro faz passar a ideia de um dia vir a ser sucedido pelo garoto Kolya - já anda vestido de general -, enquanto o segundo deixou o cadeirão ao irmão Raul. 

 

Louçã não pode fazer-se passar por um Lukashenko qualquer, é especial, único. Não conhecemos a filha do Coordenador, talvez hoje em dia mais preocupada com solarengas actividades balneares, muito mais agradáveis do que as tricas e mexericos da abastada burguesia bloqueira. Assim, para evitar um previsível "après moi le déluge" arrastando Oliveiras e Dragos, o até agora intitulado Coordenador do BE alvitra a necessidade de uma liderança bicéfala, talvez pensando na acumulação de dois QI que talvez atinjam a esperada bonita soma do seu próprio. É o dois em um, no cada vez mais bloquinho de notas.

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publicado às 10:02

Populismo sinapista

por Nuno Castelo-Branco, em 15.05.12

O mais rasteiro populismo tem destas originalidades. O sr. Louçã anda muito aflito pela falta de atenção que os chamados "mercados" têm dado Portugal. Não há dia em que os manigantes da plutocracia não falem da Grécia e de Espanha. Quanto ao nosso país, este momentâneo esquecimento talvez queira significar algo que nada convém aos partisans do "quanto pior, melhor". Sonham com o caos que hipoteticamente lhes daria algum poder. Os garotos crescidos do BE, deviam ter bem presente o facto deste país não ser um retalho de qualquer uma possessão do Sultão de Constantinopla, subitamente trazido ao concerto dos Estados independentes pelo interesse e vontade da Rússia, França e Inglaterra. Por isso mesmo, bem podem as conhecidas milícias de choque bloquistas acender um ou outro fogacho, pois esta população não partiu montras, não roubou lojas, nem incendiou viaturas. São mesmo uns maçadores, estes portugueses velhotes de nove séculos.

 

Aquilo que esta diminuta imitação barata do Syriza devia increpar, é o porquê da situação criada por um Estado tentacular e patrocinador de ruinosas PPP, sugador de impostos e controleiro de todo e qualquer tipo de actividade. É o famoso círculo vicioso, pois se Louçã quer sempre "mais serviços públicos", não existirá outra alternativa senão o constante exigir de mais e mais impostos a cobrar a uma população onde os ricos são uma ínfima minoria. A menos que rico signifique auferir 1500€ mensais. Ora, este é um dos cavalos de batalha de Louçã, oportunistamente acenando com o "roubo dos subsídios de férias e de Natal". Não se entende qualquer coerência no discurso: o BE, partido comunizante, é obviamente favorável a nacionalizações sem quartel, quer rasgar o acordo com a troika cujo dinheiro mensalmente paga os salários e reformas, apoia uma imparável e forte taxação e em simultâneo, pretende um Estado paternalista que invista, subsidie e onde tudo deverá ser grátis? Como?

 

Em pleno século XXI e num país de pequenos proprietários o BE pretende, sem ousar dizê-lo, sovietizar a sociedade. Só visto!

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publicado às 12:59

Os "democratas" do costume

por Nuno Castelo-Branco, em 05.06.11

Aqueles que odeiam partidos e querem uma "democracia" sem democracia, levantaram hoje a tenda por umas horas e foram direitinhos às mesas de voto, ajudando à tentativa de contenção da fuga de sufrágios que o Sr. Louçã logo à noite verificará in situ. Tão certo como um mais um serem dois. É que esta dúzia e meia de meninos, parecem-se estranhamente com aquelas criaturas vociferantes dos "viva o Buíça", escutados no Terreiro do Paço no 1º de Fevereiro de 1908. Se não são, passam perfeitamente por facas-de-mato que o BE utiliza para estas ocasiões.

 

Querem a prova? Os súbditos do Sr. Louçã de imediato vieram zelar porr aqueles que se dizem contra o tipo de democracia em que o próprio BE participa e da qual vive folgadamente. Os nossos enxertos de Trotsky em Estaline, estão perplexos com a "violação do direito à liberdade de expressão". Pois então, o que dizermos da nossa perplexidade pela impunidade da ocupação de um local público, a depredação de um monumento nacional, o berreiro de patetices sem nexo, a imundície espalhada pelo chão e o descarado não cumprimento das regras que a Lei prevê para casos de ajuntamento? Vamos a ver se mais este encarte dos mesmos de sempre, não lhes custará caro lá para as oito da noite. O maior prejudicado com o fim do camping-pocilga, será o proprietário do McDonalds do Rossio.

 

Assembleia Popular, dizem eles. Se assim fosse e dado o número de presentes, o povo português estaria mesmo à beira da extinção.

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publicado às 12:08


No meio do muito ruído que vai por aí a respeito da moção de censura do BE, e obviamente concordando com o Pedro, saliento alguns pontos:

 

1 - Mérito para Louçã. Nunca foi tão atacado ad hominem como nos últimos dias. Pode ser uma criança, teimoso, ideologicamente preconceituoso, intelectualmente desonesto e enviesado e ter tendências autoritárias (mesmo totalitaristas). É verdade. Foi oportunista e excessivamente tacticista. Talvez se tenha precipitado inadvertidamente. É tudo verdade. Mas conseguiu recuperar do desaire do apoio a Manuel Alegre, marcar indubitavelmente a agenda (gostei particularmente do argumento de certos militantes do PSD, que acham que por este ser um partido maior que o BE, que não tem que andar a reboque deste, como se o tamanho de um partido tivesse alguma relação causal com o agenda setting, ou não sejam os jornalistas portugueses, na generalidade, alinhados com o BE e PS), e mostrar verdadeiramente as intenções de todos os partidos e actores relevantes - começando, agora, a capitalizar com estas.

 

2 - José Sócrates, sempre ele, continua a resistir a tudo e todos. Melhor, tem encontrado no PSD de Passos Coelho um grande aliado, mesmo passando a vida a enxovalhá-lo, como se viu no fim-de-semana que passou. Começa, até, a ter uma certa aura de invencibilidade, pois que todos parecem ter medo de o enfrentar em eleições.

 

3 - Saem mal na fotografia o PSD e o CDS. Demonstraram não estar assim tão preocupados com o país. De salientar a incoerência de Paulo Portas, que se primeiro se escudou na necessidade de conhecer o texto da moção, agora já veio dizer que o CDS irá abster-se - ainda sem conhecer o texto da moção, texto este que, como aqui escrevi, poderia dizer as maiores alarvidades do mundo que nada aconteceria para além do único resultado prático que seria a queda do governo -, e a falta de coragem de Passos Coelho, que a continuar a salvar José Sócrates como tem feito, corre sérios riscos de começar a ver a sua liderança do PSD ameaçada. Até porque, por tudo o que António Balbino Caldeira já explicou, será praticamente impossível a aprovação de uma moção de censura no parlamento - a não ser que, Passos Coelho e Paulo Portas consigam negociar um altamente improvável acordo com Jerónimo de Sousa.

 

4 - Muitas razões há para que se acabe com o consulado Sócrates assim que possível. Pelo tal interesse nacional, de que este se apropriou indevidamente. Álvaro Santos Pereira, Pinho Cardão (via Blasfémias), e Rui Crull Tabosa demonstram-nas com particular acuidade. O discurso do PSD deveria, na verdade, ter sido do género do que Ricardo G. Francisco recomendou. E a conclusão mais acertada e mais simples que há a retirar de toda esta novela é, sem dúvida, a de Tiago Loureiro: «Esta esquerda sectária e fundamentalista que habita num cantinho em S. Bento prova que a chave para a necessária queda do governo não está numa qualquer moção de censura. Está em Belém.»

 

5 - Perdeu-se uma oportunidade de ouro, com o BE a colocar-se como refém da sua moção de censura e em que se poderia ter dado a estocada final neste desgoverno. Perdemos todos. É pena. Os juros da dívida externa continuam a aumentar, o Estado continua sem ser reformado e reestruturado, a carga fiscal continua a ser brutal, a economia continua a contrair. Continuamos a caminho da tragédia do ano. Mas está tudo bem.

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publicado às 22:13

Coisas que o pessoal da S. Caetano teima em não perceber

por Samuel de Paiva Pires, em 14.02.11

 

(Otto von Bismarck, imagem tirada daqui)

 

E com essa teimosia, deixar Sócrates continuar a levar o país ainda mais para o abismo. Recomenda-se que se deixem de tentativas de ganhar tempo através de pretensas divisões ideológicas (o texto da moção até pode dizer que Marx está vivo e que Lenine nos vai governar. Até pode dizer que Estaline é Deus ou que Jesus Cristo era chinês. Não servirá para rigorosamente nada. O único efeito prático da mesma é a queda do Governo) e saibam aproveitar oportunidades, com realismo e considerando a velha máxima biscmarckiana de que "a política é a arte do possível". Transcrevo, na íntegra, o post de António Balbino Caldeira:

 

«Os pressurosos que exigem a definição imediata da direcção do PSD sobre o sentido de voto do partido face a uma moção de censura que o Bloco de Esquerda prometeu apresentar em 10 de Março de 2011, e cujos motivos ainda não apresentou nem foram discutidos, deveriam reflectir sobre a limitação que o n.º 3 do art.º 194.º da Constituição da República Portuguesa (CRP) impõe:

«Se a moção de censura não for aprovada, os seus signatários não podem apresentar outra durante a mesma sessão legislativa.»

Se a moção de censura do Bloco de Esquerda não passar, este partido não poderá apresentar outra nesta sessão, isto é, até meados de Setembro de 2011. E não se pode tomar como adquirido que o Bloco e o PC viabilizem, depois do insucesso desta, uma moção do PSD ou do CDS.
É que, para sermos francos, ao PC e ao Bloco de Esquerda não interessa a queda do Governo, nem a dissolução da Assembleia da República, para se instalar um Governo de direita com maioria absoluta, que é, segundo as sondagens, o resultado mais provável. Ao PC e ao Bloco de Esquerda convém a instabilidade governativa e social. E em novo escrutínio haverá tendência de crescimento de voto útil à esquerda para evitar a penúria eleitoral dos socialistas que, aliás, ainda não chegaram nas sondagens aos 20,8% de Almeida Santos, em 1985 (quando pedia 42% nos cartazes...).  Então, se não é seguro a aprovação pela esquerda (PC e Bloco) de uma moção de censura do PSD ou do CDS, o PSD não pode decidir imediatamente um voto contrário à moção do Bloco, uma posição que implica, em coerência, a inviabilização pelo PSD também de uma moção de censura do PC...

E não se pode pedir ao Presidente da República Cavaco Silva que, no estilo insensato de Jorge Sampaio, resolva ele, mais tarde, o que os partidos de direita não querem agora fazer: a queda do Governo e a dissolução do Parlamento...

O bom senso recomenda também o PSD não se aliene o apoio do CDS. Esse apoio pode ser necessário. Se as sondagens derem um resultado percentual tangente de maioria absoluta de direita (à volta dos 45%), importa ponderar uma aliança, para não desperdiçar os votos do CDS que não valem separados, senão em Lisboa, Porto, Aveiro e Braga... Isto é, nesse caso, pode não chegar uma aliança pós-eleitoral, pois, concorrendo separados, o número de deputados dos dois partidos pode ficar aquém da maioria parlamentar, ainda que a percentagem conjunta de votos seja superior aos 42%.

Um mês é muito tempo, na actual conjuntura de turbulência financeira e de asfixia da tesouraria do Governo. A marcha da taxa de juro da dívida do Estado é muito errática e pode acontecer que Sócrates grite «Socorro!» mais cedo do que se espera. E, se assim for, a queda do Governo não deve tardar, depois do anúncio pelo Governo Sócrates de novo pacote de austeridade como contrapartida do apoio financeiro da União Europeia. Não podemos aceitar uma espécie de feitiço mefistofélico que nos condena à petrificação, enquanto o socratismo afunda o País.»

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publicado às 13:10

BE em ruptura

por Pedro Quartin Graça, em 12.02.11

Não é só o PND que vive dias difíceis. Também na extrema-esquerda o partido da Louçã os sente. Como se não bastassem as palavras demolidares para com a actual direcçao do Berloque por parte de Daniel Oliveira, depois da peregrina e desastrosa ideia de apresentar uma moção de censura ao Governo afirmando que a mesma também é contra o PSD, soube-se hoje que o BE expulsou o seu primeiro filiado, um actual vereador em Olhão e que Louçã tem contestação formal à sua liderança. Tudo isto no mesmo dia. Louçã está desesperado. O BE atravessa tempos difíceis!

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publicado às 20:16

A respeito da eventual moção de censura do BE

por Samuel de Paiva Pires, em 11.02.11

 

(imagem descaradamente roubada ao Pedro Quartin Graça)

 

Dispensando a análise dos tacticismos e as especulações de muitos que têm pululado nas televisões nas últimas horas, prefiro focar-me nos cenários do que acontecerá se esta for apresentada:

 

a) PSD aprova a moção de censura e vamos para eleições legislativas.

b) PSD não aprova a moção de censura e Passos Coelho pode dizer adeus à liderança do PSD.

c) Cavaco antecipa-se, dissolve a assembleia e salva a face ao PSD - que assim não tem que aprovar uma moção com uma brutal carga ideológica esquerdista, e também não tem que se abster em face da mesma, o que, estou em crer, levará a uma crescente contestação ao líder do PSD, quer dentro do próprio partido, quer na restante sociedade.

 

Importa realçar alguns aspectos. Em primeiro lugar, o efeito prático da aprovação de uma moção de censura é apenas um: a queda do governo. O texto da mesma não interessa para coisa alguma a não ser para pura masturbação intelectual de uns quantos. A carga ideológica da mesma não tem impacto algum no que se segue à queda do governo, até porque, realisticamente, apenas um partido que não o PS tem realmente capacidade de formar governo - embora o CDS faça parte do arco governativo, não tem apoio eleitoral suficiente para formar um governo composto apenas por membros das suas fileiras. Em segundo lugar, Sócrates é a principal causa da actual situação em que nos encontramos, pelo que a queda do seu governo deve ser o maior e mais importante desígnio nacional nos tempos que correm. Muitos dizem que este vitimizar-se-á. Quanto a isto, digo apenas: que se dane, o país está primeiro.

 

Assim sendo, para o PSD só há uma solução viável (desde que não apresente o PSD uma moção de censura da sua autoria, ou que negoceie com CDS e/ou PCP a apresentação e aprovação, independentemente de quem for a autoria da mesma), que indicará que realmente se preocupa com o futuro do país, e que será também uma posição de reapolitik (e, simultaneamente, garante da continuação da liderança de Passos Coelho): a aprovação da moção de censura.

 

Pessoal que por ora habita a São Caetano: têm um mês para preparar uma campanha, um programa e um governo. Mãos à obra.

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publicado às 00:11

Vasos comunicantes

por Nuno Castelo-Branco, em 08.10.10

O caudilho Sr. Louçã, dizia há uns dias na SIC, sentir-se "preocupado" por existirem tantos monárquicos a participar cívica e política. Qual é a surpresa? Como se tal coisa fosse uma novidade! Se o próprio Parlamento tem dúzias deles...

 

Que direito tem o caudilho Sr. Louçã de contestar a participação cívica de alguém? Perante um embaraçado Carlos Alberto Amorim, anteontem a Sra. Dª Joana Amaral Dias exigia saber se o lider do PSD é monárquico. Porquê? O que  tem a senhora com isso? É proibido? Pois bem pode dizer ao seu chefe, o caudilho Sr. Louçã, para escarafunchar dentro do seu próprio partido, porque quanto aos maiores da oposição e ao do próprio governo, estamos seguros, tranquilos e bem falados.

 

Antes mesmo do caudilho Sr. Louçã ir à televisão dizer seja o que for decidido pelo "comité da esquerda sushi-Lapa", já os talassas estarão informados. Embora até hoje nada de importante houvesse para precaver, desses transpirares pode o caudilho Sr. Louçã ter a certeza. Absoluta, como republicanamente prefere.

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publicado às 11:59

O nosso pequeno Francisco Vichinsky Louçã

por Nuno Castelo-Branco, em 01.10.09

 

 

Os resultados eleitorais que deixaram o Bloco de Esquerda atirado para um monturo de estrume, levaram o Conducator Louçã a proferir um dos mais mesquinhos, miseráveis e vergonhosos discursos do seu já vasto currículo de incitamento ao ódio.

 

Percebe-se o porquê do seu ataque a Paulo Portas, o adversário que lhe reduziu o protagonismo a  uma excentricidade própria do interesse dos paleontólogos.

 

Louçã não muda ou se o faz, a verdadeira face do exímio seguidor  mini-size dos princípios de Vichinsky, sobrepõem-se logo às falas mansas que  acalmam os putativos eleitores. Ele aí está de novo e desta vez, indicando o caminho aos procuradores do ministério público. Ontem vociferou quase em tom de exigência, a urgente entrada policial em casa do líder do CDS, sugerindo a possibilidade muito real de lá se encontrar uma cópia do famoso contrato para a construção dos submarinos para a Armada.

 

É o comunismo na sua versão mais conhecida e que deixou a reputação indelével que se lhe conhece. Invasão de domicílios, prisão de opositores e preferencialmente - já que em Portugal não existe pena de morte -, o seu definitivo silenciar pelo linchamento moral.

 

Antes de deixar o Ministério da Defesa, Paulo Portas alegadamente terá copiado milhares de documentos, colocando-os em local seguro. Compreende-se agora o porquê da aparentemente insólita atitude. Com desavergonhados homenzinhos impregnados de uma mentalidade herdada dos tempos da PIDE, há que tomar precauções. Em caso de acusação - e em Portugal sabemos bem como este tipo de coisas funcionam -, há que não descurar a defesa contra futuras investidas. Normalmente, o tradicional desleixo lusitano deixa para trás e à confiança, provas que facilmente ilibariam qualquer um de atentados ao património público. Paulo Portas não é parvo e sabe bem com que tipo de gente  e de sistema terá de lidar até ao final da sua carreira política. Resguardou-se e fez muito bem. É nisto que quero acreditar e julgo não estar enganado.

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publicado às 08:25

Legítimas e colectivas vigarices em bloco

por Nuno Castelo-Branco, em 20.09.09

 

 O colectivo "trotsko-estalinista" do alto-burguês BE, reagiu como se esperava às notícias da perda da nada credível virgindade colectiva tão ciosamente preservada diante de um público bastante mais atento. À má prestação de Louçã diante de Sócrates e Portas júnior, somam-se agora os "casos", os famosos podres colectivos que o Conducator tanto gosta de arremessar à cara dos seus rivais políticos. Não nos preocupando com a desmesurada e desproporcional presença em tudo o que é órgão de comunicação social - num comentadeirismo político ao estilo comicieiro -, nem sequer mencionando o alegado caso Salvaterra de Magos, as assessorias maternas e as colectivas mordomias que jamais rejeitaram como deputados da nação, os chefes do BE afinal pecam dos mesmos vícios pequeno-burgueses, da "imunda ralé exploradora e parasitária". Gostam de amealhar o dinheirinho em fundos de poupança - é legítimo e fazem muito bem - e pelo que parece, não resistem à tentação do jogo na Bolsa do capitalismo selvagem e neo-liberal. 

 

O selecto ultrapopulista de caviar Louçã, veio a terreiro desculpar-se com um gargalhável ..."não olho pelos meus interesses, mas sim pelos interesses colectivos" ( ou seja, um claro "vejam como sou bonzinho e altruísta), afirmando ainda que os ditos irrisórios trinta mil Euros são o fruto da poupança de uma vida inteira ..."como professor universitário, funções pelas quais não recebo um tostão!" (sic). Enfim, são as habituais "desconjunâncias colectivas" da coisa que ontem Jerónimo de Sousa risonhamente comentou.

 

A kiki menina Joana Amaral nunca tentou enganar ninguém e basta olhar para a sua figura para nos apercebermos de um certo "cinhismo a Dias" de capa da Flash, Nova Gente ou Olá. Investiu nas acções dumas empresas ligadas ao Estado e em fase de privatização, "colectando" a mais-valiazita da praxe. Quanto à menina Ana Drago, aproveitou também para dragar uns cobres para arredondar o cofrezinho proletário do qual certamente aproveitará uns dividendos para "acções de solidariedade" na Bica do Sapato ou em qualquer outro local frequentado pelos marginais especuladores "colectivos" da nossa praça.

 

Os colectáveis dr. Rosas, Portas sénior e o outro senhor do Porto (não me recordo do nome), compõem o colorido e cheiroso  ramalhete que confirma aquele velho dito do vigário e que a todos aconselhava "fazerem o que eu digo, mas não fazerem o que eu faço".

 

É de facto, uma campanha indecente contra o BE, coitadinhos dos colectivos.

 

Tenho é de me dirigir à sede da Almirante Reis e solicitar uma audiência de aconselhamento económico, pois por ali não faltarão peritos na matéria.

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publicado às 12:01

MFL, Portas e Louçã

por Samuel de Paiva Pires, em 12.09.09

Do debate de Manuela Ferreira Leite com Paulo Portas, parece-me que há a ressalvar a defesa do indefensável por parte de MFL. Alberto João Jardim pode ter repetidamente excelentes resultados nas eleições regionais, mas isso não significa que a Região Autónoma da Madeira seja verdadeiramente democrática. MFL revelou a falta de conhecimento quanto à teoria e prática da democracia, legitimando-a com base apenas nos resultados das eleições. A isso chama-se democracia eleitoral e/ou iliberal. Para quem não saiba o que é, perguntem a Hugo Chávez.

 

Do debate de ontem retive algumas ideias que me parecem essenciais para entender os postulados que o Bloco de Esquerda defende. Logo a começar, Louçã fugiu à pergunta de Portas sobre a forma como conduziria as tão propagandeadas nacionalizações, nada referindo relativamente aos investidores estrangeiros e às indemnizações que teria (o contribuinte) que pagar. Nada referiu ainda em relação aos cerca de milhão e meio de pequenos investidores que têm participações na EDP ou na GALP. Louçã com o dinheiro dos outros era até fartar vilanagem!

 

Fugiu novamente à questão que Portas lhe colocou relativamente à nacionalização das patentes dos projectos de investigação científica. Na prática isto seria não reconhecer o mérito dos talentos que (ainda) temos em Portugal, impelindo-os a sair do país.

 

Quanto ao racismo social, de que dei conta aqui, a desculpa de Louçã para não fiscalizar os abusos na atribuição do RSI prendeu-se essencialmente com os abusos que se verificam na atribuição de subsídios à agricultura ou nas baixas médicas. Ou seja, só porque uns abusam, vamos deixar abusar todos, é isso não é? Entretanto continuamos a ter pessoas a viver em casas com rendas irrisórias, a receber o RSI e a ter actividades legais e/ou ilegais que lhes permitem ter grandes carros e outros sinais exteriores de riqueza, enquanto ao lado continuam pensionistas e reformados a viver na miséria, é isso não é? Fico sempre espantado de cada vez que oiço os argumentos bloquistas, não haja dúvida. Esteve bem Paulo Portas quando apontou as diversas medidas de apoio social criadas por governos de direita, desmontando o falacioso lugar comum de que a esquerda é que "tem o monopólio do coração e da solidariedade".

 

No tema que se seguiu, imigração, viu-se um Louçã desconhecedor das indicações provenientes de Bruxelas, e um Portas pragmático de acordo com essas mesmas recomendações. Em resumo, é necessário regular a imigração em função das oportunidades de trabalho e da exigência de deveres dos estados de acolhimento para com esses imigrantes, i.e., propiciando-lhes dignas condições de vida. De resto, esta política  vai de encontro ao que estados como o Canadá e Austrália praticam de há vários anos a esta parte.

 

O debate finalizou com o tema da segurança. Louçã defende uma polícia de proximidade e de integração na comunidade, embora esteja contra o aumento de efectivos e acredite na socratista teoria da melhor organização, assente na transferência de agentes que estão afectos à burocracia das forças de segurança para o terreno. Como apontou Portas, muitos já não têm idade para ser operacionais. São, por isso, necessários mais efectivos, e leis mais firmes no combate à criminalidade, especialmente quanto à reincidência.

 

Agora falta aguardar pelo último debate antes do início formal da campanha. Ou muito me engano, ou Sócrates vai sair a ganhar do embate com MFL.

 

(também publicado no Novo Rumo)

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publicado às 16:24

Racismo Social???

por Samuel de Paiva Pires, em 10.09.09

(imagem roubada ao 31 da Armada)

 

No seguimento das diversas reportagens que a SIC tem feito com os líderes dos principais partidos, viu-se ontem um Louçã pouco à vontade e preconceituoso como sempre. A dada altura a entrevistadora pediu-lhe para definir os vários líderes em uma palavra. Em relação a Manuela Ferreira Leite, afirmou que era a marca de uma governação falhada. E quanto a Paulo Portas, afirmou ser este um protagonista de uma forma de racismo social.

 

MFL até pode ser a marca de uma governação falhada, mas Louçã é a representação de uma ideologia genocida que tem mais de religião do que muitas religiões, e que não tem cabimento em qualquer mente sã. Sejam estalinistas (PCP) ou trotskistas (BE), o resultado da conquista do poder por qualquer um deles seria sempre o mesmo: uma sociedade aterrorizada e um país completamente miserável.

 

 

E o que será que Louçã queria dizer com racismo social? Confesso que não percebi. Louçã e os seus camaradas que são os protagonistas de uma forma de parasitismo social que vive à conta do erário público, que passa a vida a criticar o sector privado que gera o dinheiro à conta do qual vivem, que se arrogam de serem detentores da verdade absoluta e da suprema inteligência, um grupo de intelectuais que se acha no direito de controlar e manipular universidades, fundações, instituições públicas, ainda para mais com boa imprensa, sem prestar contas a ninguém das suas intenções que, como muito bem fez notar o Nuno, têm que ser trazidas à luz do dia.

 

Vivem numa eterna luta de classes completamente descontextualizada e desadequada da realidade vigente, sempre à espera de voltar ao tempo das nacionalizações, contra os odiosos "ricos", "burgueses", "meninos de bem", e outros epítetos que tais a que a esquerda caviar gosta de recorrer, sem se olhar ao espelho. Até quando vamos tolerar estes parasitas que realmente praticam esse tal racismo social?

 

(também publicado no Novo Rumo)

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publicado às 15:09

O sótão das arrumações

por Nuno Castelo-Branco, em 09.09.09

 

 

O facto de alguém não ter qualquer intenção de votar num dos partidos do sistema, oferece-lhe a oportunidade única de proceder a uma análise imparcial dos debates para as legislativas.

 

Ontem à noite, o primeiro-ministro foi de longe, o vencedor num frente-a-frente que todos adivinhavam difícil, senão massacrante para o mesmo. Sócrates deve ter visionado outros debates nos quais o sempre aguerrido e provocador Louçã acabava por vencer, mercê da habitual catadupa de alegações, escândalos isolados - uns verdadeiros e outros imaginados, mas que fazem o todo - e apelo à básica inveja, sentimento de impotência e recalcamento que minam uma boa parte de uma sociedade cada vez mais empobrecida. Como dizíamos aqui e aqui, o BE é hoje uma emulação aparentemente contrária do Front National de Jean-Marie Le Pen, mas copiando-lhe a táctica e a estratégia tendente à conquista de posições. Seguindo a velha cartilha dos totalitarismos dos anos 20 e 30, o populista Conducator Francisco Anacleto Louçã tem o verbo fácil e aquela  ousadia que o Dr. Goebbels tornou universalmente conhecida, ao repetir até à exaustão, suposições que se tornam indesmentíveis verdades num mundo que bastas vezes é apenas ficção criada pelo chefe extremista.

 

O primeiro-ministro parece ter compreendido aquilo que apenas a actual falta de cultura política dos nossos dirigentes deixava passar por timidez, ou pior ainda, devido a uma enraizada cobardia ditada pela coacção moral,  arcaica de quarenta anos. Sócrates leu o programa do BE que no essencial, não será diferente daquele que os progenitores desta coligação - a UDP e a LCI (PSR) - propunham desde 1975. Na verdade, Louçã é um dos dirigentes mais vulneráveis à derrota em qualquer frente a frente com todos os outros chefes partidários, à excepção do simpático, prudente e rígido Jerónimo de Sousa, aliás incapaz - justiça lhe seja feita - da acintosa grosseria do seu detestado e rival companheiro de leninismo.

 

O chefe socialista apercebeu-se do essencial, ou seja, do sempre procurado objectivo de esmagamento da classe média - a famigerada burguesia -, passo primeiro para a conquista do poder total. No entanto, fica no ar a sensação de tal luz ter surgido da leitura das compilações contabilísticas e não do conhecimento da história e dos fundamentos ideológicos do universo comunizante. Sócrates não conseguiu ir mais além do que um apontar o dedo à "esquerda radical" e permitiu que Louçã tivesse ousado denominar-se como "um socialista". O Conducator do BE é um comunista dito trotsquista, a facção do PCUS derrotada pelo matreiro José Estaline e que para a história ficou como uma desvanecida possibilidade de uma diferente URSS. No essencial, a vitória do sr. Leon Trotsky pouco ou nada alteraria na construção totalitária do poder do Partido Comunista e apenas a patine intelectual emprestada pelo cosmopolita Bronstein faria a diferença. Uma marginal questão de imagem, habilmente orquestrada e branqueada num Ocidente bastante hipnotizado pela propaganda coactora da razão. Se a Louçã questionarem frontalmente se é um comunista e qual a sua opinião acerca da revolução soviética, não existirá a mais remota hipótese de fuga. O tergiversar apenas confirmará a verdade que no fundo, todos conhecem.

 

A obsessão que Louçã professa pelo aniquilar do sector bancário, obedece ao respeito canónico pelo pensamento de Lenine.  Na lógica da economia de mercado - o capitalismo a abolir -, o crédito deverá ser controlado pelo poder central, ou melhor dizendo, por aquilo que em sentido lato se designa por Partido. A táctica quase mitológica da conquista do poder por etapas - impossibilitada a "revolução" por um hoje bastante imaginário "proletariado" -, prevê o condicionamento estrangulador de todos os sectores da economia, através do simples recurso á secagem do manancial financiador da iniciativa. No nosso país, tal aconteceu logo após o 11 de março de 1975, quando a banca nacionalizada, possibilitou a  sucção dos seguros, da indústria e de boa parte do sector agrícola. Concentracionariamente controlados pelo Estado que se concebia como a face oficial do partido "do povo", os sectores de actividade viam-se despojados dos empresários, financiadores capitalistas e daquela essencial camada intermédia que organizava a produção e viabilizava o crescimento. Liquidada pela ruína, a economia capitalista passava então para a fase de adequação à quimera do Plano, essencial à padronização "por baixo" de toda a sociedade, agora refém de um ultra-minoritário sector de privilegiados "condutores das massas em direcção ao socialismo". 

 

O que se torna espantoso é o facto de nenhum dirigente - o culto e informado Paulo Portas incluído no rol - ter jamais confrontado o sr. Francisco Anacleto Louçã com o seu passado sempre tão orgulhosamente presente. O programa do BE é simples, linear e tão previsível como as fases da Lua. Uns arremedos de liberalismo da moda - as questões fracturantes que posteriormente se aniquilariam na fase de consolidação do poder e em nome da moral proletária,  tal como aconteceu na URSS, satélites do Leste, China -, servem perfeitamente para abstrair o eleitorado do núcleo duro do verdadeiro e disfarçado programa: a economia e finanças.  Louçã já imagina um país submetido ao ditame da concessão do crédito em troca da obediência e o actual estado de coisas na China aponta uma remota, mas possível via para o sucesso. De nada servirão as realidades teimosamente ditadas pelo diminuto poder de autonomia que um Portugal económica e territorialmente definhado hoje apresenta. Sonhando com a autarcia que se torna na derradeira possibilidade para um absolutismo que ainda parece ter algumas hipóteses de vigência noutras paragens de atraso social e económico  - Cuba, Coreia, Venezuela, etc - , os dirigentes do BE adoptam a pose burguesa que provisoriamente tranquiliza os da "sua classe" e elimina a inevitável suspeita que afasta o eleitorado. 

 

Pode ser  muito fácil derrotar Louçã, se houver a vontade de obter uma vitória clara, obrigando-o a dizer o que realmente pensa, quer e está escrito em páginas que testemunham uma caminhada ao longo de mais de trinta anos e impossível de esconder.  A incógnita consiste afinal, na preparação que cada dirigente terá do conhecimento da história - aquela famigerada factual serve perfeitamente -, a essencial e impenetrável armadura que garante um êxito que de tão fácil, remeterá o agressivo aspirante a ditador para o sótão das arrumações.

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publicado às 18:17

Todos diferentes, mas todos iguais!

por Nuno Castelo-Branco, em 01.08.09

 

 

O verão é assim a tal silly season, quando nada de especial acontece, à parte a exibição de barrigas nas praias in do Allgarve e de num ou noutro conhecido caso, surgirem periódicas proibições de circulação no espaço aéreo.

 

Assim, qualquer notícia da chamada política caseira torna-se num mero "encarte" para preencher o papel dos nossos pouco lidos jornais, concorrendo com as especializadas Olás, Flash, Nova Gente ou de forma mais escondida, da popularíssima Maria.

 

Louçã teve (!) um avô, o dr. Neves Anacleto, patriota que em Moçambique se opôs à rápida entrega do Ultramar no período dos acontecimentos de 7 de Setembro de 1974. Louçã tem um pai, antigo comandante da Marinha, pacifista tão assumido que segundo se diz "por aí", se recusou a disparar os canhões, devido às furtivas cores de um certo  pull-over em pleno Terreiro do Paço. Louçã tem um irmão que após passar um tempo infinito a forçar a prova da prosmiscuidade da transumância do ouro "judeu" entre Salazar e Hitler, decide-se volta e meia, a tecer considerações anti-sionistas que não lembrariam nem ao senhor Rosenberg. O tal Rosenberg que foi Reichsminister  e não o outro, de homónimo apelido e que foi marido de Ethel .

 

Finalmente e talvez mais relevante que o anteriormente dito, o sr. Louçã também tem mãe! O Trancão do Pensamento é assim uma criatura absolutamente normal, comum como qualquer um de nós. Presume-se que à hora de chegar a este mundo, tenha deslizado para fora do canal anatómico que a todos os humanos irmana na origem. Deve ter-se alimentado exactamente da mesma forma que tu, eu e os outros biliões de eles que povoam o planeta, uns mais sôfregos que outros. Provavelmente terá levado as mesmas palmadas no rabo por qualquer travessura praticada. Hipoteticamente terá feito birras, chorado baba e ranho, recusado comer  a sopa de feijão, ou  lavar os dentes três vezes por dia. Em tudo isto, nada fazia adivinhar a genialidade  e uma personalidade única e infalível a que com o decorrer dos anos foi habituando os portugueses. Nunca se engana, tem sempre razão e não falha. Os seus oponentes são todos burgueses corruptos, imbecis semi-iletrados, devassos morais não assumidos, vigaristas de comarca de quarta categoria, onde os laços familiares de corte mafioso se confundem com a própria identificação ideológica no espectro político. Enfim, uns degenerados que corroem o sistema e impedem o povo de calmamente gozar a sua vidinha.

 

Pelo que parece, afinal somos todos iguais e no seu caso, ainda mais igual que os demais. O senhor Louçã tem uma mãe assessora*. Que bom... Que alívio!

 

 

* Não vale a pena vir agora dizer que se chama "Noéminha"!

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publicado às 16:40






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