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MAATua

por Nuno Resende, em 11.10.16

Desculpem voltar ao tema, mas não deixa de me preocupar a forma passiva como a nossa classe política e a sociedade que a escolheu, olha para questões como a da barragem do Tua.
O vale do Tua já foi destruído: não há qualquer hipótese de retomar a paisagem, o território tal qual era antes da barragem que a EDP e os seus apaniguados fizeram construir à revelia de alguns.
Durante o processo houve vozes dissonantes, mas sobretudo uma silenciosa apatia em relação ao Plano Nacional de Barragens e os seus encargos para o país que inclui aquele projecto. Da Esquerda à Direita houve sempre, na Assembleia da República, uma cumplicidade que, bem vista, resulta duma chantagem global do poder económico à partidocracia.
Parecer impossível fugir a um monstro tentacular como a EDP agora controlada por cérebros economicistas chineses. Esta subserviência, «começada» por Paulo Portas e continuada hoje por António Costa, numa espécie de longa vénia entre Direita e Esquerda (de resto, movimento fácil de executar devido à característica fisiológica do político cuja espinha é uma maleável cartilagem), trata de agradar não ao cidadão, mas ao empresário. Como é possível que a Esquerda hoje no Poder, o ignore?
Chega a ser ordinário e escandaloso a forma como do mais desconhecido deputado à mais alta figura da Nação, o doutor Marcelo Rebelo de Sousa, todos se prestam ao beija-mão do senhor Mexia e da sua empresa.
Que uma jornalista «opinion maker» como a Lurdes Ferreira venha hoje dizer que o MAAT em Lisboa, não é EDP até se percebe. Está no seu direito e é coerente defender quem a premeia ou a protege. Embora até uma criança perceba que o mecenato é um nome bonito para limpar a imagem (quem não se recorda que a indústria Tabaqueira foi até há bem pouco tempo patrocionadora da cultura portuguesa?).
Mas que o senhor Presidente da República Portuguesa, pretensamente defensor dos interesses dos portugueses (eleitores ou não) corte fitas na inauguração de um Museu (?) que parece ser, em Lisboa, a paga pela destruição de um bocado de terra em Trás-os-Montes, isso não se compreende.
Talvez eu esteja errado e, como dizia um amigo meu, se os transmontanos não se importaram que os políticos lhe roubassem terra, paisagem e património e se os lisboetas fazem fila para entrar num Museu construído com o dinheiro de muita especulação energética que lhe vai aos bolsos, quem sou eu para achar isto tudo uma perfeita canalhice?

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publicado às 17:09

Tapar a piscina em São Bento

por John Wolf, em 05.10.16

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Enquanto as auto-proclamadas elites podem passear e fazer-se ver na pomposa inauguração do Museu Arte Arquitectura e Tecnologia (MAAT), importantes questões de design e construção são debatidas. Quem paga o gradeamento dos jardins da residência oficial do primeiro-ministro em São Bento? A factura do MAAT já sabemos quem paga. Tapar piscinas é deveras importante - meter água não é algo que possa remotamente ser sugerido. Enquanto o país se ocupa de futilidades de casa e jardim, uma outra realidade mais atroz avança sorrateiramente sem dar tréguas. Durante os últimos anos o Banco Central Europeu (BCE) foi a tal vaca voadora. Foi mungida até à medula do tutano para ficcionar as recuperações económicas dos países em apuros da Zona Euro. Acontece que o impacto da compra de títulos de dívida de países como Portugal teve efeitos limitados. Garantiu a tesouraria, o fundo de maneio, para que não houvesse um descalabro das funções mínimas do Estado. A cada nova emissão com juros mais baixos abriam garrafas celebratórias. Os propagandistas partidários serviram-se dessa bitola para demonstrar sucessos de governação. Nada mais errado. O BCE apenas serviu para criar e prolongar a ilusão. Encontramo-nos agora numa fase perniciosa do jogo. Mesmo que não hajam sanções a Portugal, e o abrandamento ou cancelamento de fundos, esta modalidade representa uma forma diversa de tributação. Subir as taxas de juro encarece tudo de um modo transversal. Afecta pensões e reformas, afecta o sector de saúde, afecta a educação, afecta os investimentos, e em última instância, impacta o preço de gradeamentos seja qual for o jardim. O Governo e a Câmara Municipal de Lisboa, embora geminados por obra e graça de António Costa e Fernando Medina, podem passar as batatas quentes que quiserem de uma panelinha para outra porque não fará diferença alguma. Os quintais de uns são os quintais de outros. Portugal é um imenso jardim. Quando olho para o MAAT parece que um pé gigante esmagou o Guggenheim de Bilbau. A coisa é achatada e tem pouca utilidade no contexto da efectiva situação gravosa de tantos portugueses que podem lá pagar a conta da luz. É isto, mais coisa menos coisa.

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publicado às 08:32






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