Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Fillon mignon

por John Wolf, em 21.11.16

complete_trim.jpeg

 

Os democratas franceses nada aprenderam com os mais recentes eventos que abanaram o sistema político norte-americano. A lição de Hillary não foi assimilada. São tantos os participantes a concurso nesse campo ideológico que Marine Le Pen deve estar a esfregar as mãos de contente. Sarkozy jafoste. E agora Fillon mignon apresenta-se com grandes desígnios que se inscrevem nessa velha escola de funcionalismo público, impostos mais ou menos baixos, e depois, como se ninguém reparasse, lá mete um referendo sobre a quota de imigrantes como se a virtude democrática das massas pudesse ser exultada de um modo honesto. Ou seja, defende o que Trump defende, mas não assina o despacho. Remete para o povo essa decisão nefasta. Sacode preventivamente a água do capote do nacionalismo residente na marselhesa. Em plena época de falências do politicamente correcto o filão de Fillon não pega. Nas cidades e nas serras, e nos banlieu, o código de sobrevivência é outro. Os franceses de pleno direito, que em tempos não o eram, são os primeiros a pôr trancas à porta, a barrar a porta a "ladrões" de empregos. E há mais. A alegada moderação de Trump apenas ajuda a consolidar a ideia de que afinal o conservadorismo não se faz equivaler a extremismos proto-fascistas. Vivemos uma época de grandes rupturas. O descarrilamento das instituições clássicas, mas também da linguagem que tarda em se refrescar para acompanhar o novo glossário de intenções políticas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:51

O PS e o fim de mon ami Mitterrand

por John Wolf, em 26.05.14

 

Não pretendo insultar a inteligência dos leitores, nem ofender a teimosia de alguns, mas tenho uma simples pergunta que gostaria de colocar às hostes mais analíticas, àqueles dispostos a ver para além de Badajoz, mentes hábeis na leitura de quadros maiores. Que relação existe entre a "vitória" socialista  portuguesa e o fim da crise na União Europeia? Que relação existirá entre uma putativa vitória socialista nas legislativas e a crise económica e social na zona Euro? A resposta é simples: não existe relação, uma vez que a arquitectura política da União Europeia não se baseia na equidade entre o que se passa a montante e a jusante. O que acontece em Portugal não tem efeitos na Europa, por mais que alguns se queiram armar em campeões da liga do sul. Os socialistas padecem de uma condição auto-endorfínica, quase endémica - alimentam-se do seu próprio sangue, numa espécie de ritual narcisista-masturbatório. Saberá Seguro por que razão a Marine Le Pen arrombou os caciques do poder francês? Não tenho a resposta completa, mas Hollande deu uma ajuda enorme. O aventureirismo fiscal à la Robin dos Bosques colidiu com a seta da livre iniciativa, do self-made man do banlieu e, ao contrário do que seria de esperar, foram largas camadas de oprimidos que produziram os resultados que deixaram a Europa em estado de choque ontem ao cair da noite. Portugal corre perigo imediato, mas também correrá a breve trecho se depositar confiança nas impossibilidades avançadas por Seguro, nas falsas promessas. Não, os portugueses não derrubaram o poder vigente nem elevaram os socialistas a sérios candidatos. Ainda não entendeu Seguro, que aconteça o que acontecer no bairro mais próximo, a Europa dos grandes nunca deixará Portugal se extraviar dos carris do acerto e consolidação orçamental - a austeridade vai muito para além deste governo que se encontra em funções. Se os socialistas quisessem mesmo ajudar o país, deveriam concentrar os seus esforços noutras corridas, nomeadamente em tentar perceber quais os aliados com que podem contar no Parlamento Europeu. Com a nova disposição de cadeiras e a ocupação de muitas delas por euro-cépticos e a direita extremada, as forças políticas "convencionais" da ala socialista ou da ala social-democrata, devem, com um elevado sentido de urgência, tentar perceber como podem travar as ondas de populismo que muito dano podem causar à ordem democrática europeia. Por isso, um pequeno partido como o partido socialista português deveria estar preocupado em angariar aliados ideológicos. As coisas mudaram em França. De terra de liberdades e garantias, exílios e mestrados, França passou a ser entendida como terreno non grato por aqueles que ainda acreditam no projecto europeu. Os socialistas portugueses parecem ligeiramente atordoados com a vitória agridoce de ontem. Fiaram-se na velha receita do voto útil, do castigo aos governantes, mas a coisa deu para o torto. E o que aconteceu nem sequer aconteceu num esplendoroso dia de praia. Foi abstenção pura e dura - e os dias de mon ami Mitterrand acabaram em definitivo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:11






Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas