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Bola no Ferro Rodrigues

por John Wolf, em 05.10.14

 

Os sintomas não são nada animadores. Diria mesmo que o prognóstico não é reservado. Faz parte do domínio público, de um modo despudorado e inconsciente. Faz parte das atribulações da condição política em Portugal. A ideia de que se é mais importante do que a opinião pública, que a distância do eleitorado não tem importância em democracias representativas. Alguma vez terá Ferro Rodrigues questionado qual a sua relevância para o interesse nacional? Será que o novo lider parlamentar ainda não percebeu que já não tem (se é que alguma vez teve) ligação político-afectiva aos cidadãos portugueses? Por mais que julgue que ainda pode oferecer os seus bons serviços à nação, não sei se o inverso se aplica: a questão de saber se o país acha por bem o seu regresso. Será mesmo desejável arrastar a bagagem que está associada ao seu nome. Recordamos facilmente "aquele abraço" dado a Paulo Pedroso, mas temos brancas na memória quando pensamos o seu desempenho profissional, político. Lembramos sem esforço que os amigos lá estão para os maiores apertos. Mas, com essa prerrogativa vem uma certa desconsideração pelo país. À época casapiana pairou um certo ar de: "que se lixe a opinião do povo português. Que se lixe a verdade. O que interessa é safar os camaradas." Mas esta tendência para ver o mundo exclusivamente através dos próprios olhos deve ser um mal de família. Deve correr no sangue do clã. Ainda me recordo da entrevista dada pela Rita Ferro Rodrigues, há alguns anos a esta parte, sobre o início da sua carreira e do modo humilde com que se apresentou à entrevista de emprego na RTP, na qual "intencionalmente"  não terá mencionado o apelido, ou o facto de ser filha de quem é, para não granjear vantagem em relação a outros candidatos televisivos. Os políticos, assim como os iogurtes, têm um prazo de validade, podem azedar. Será que o "born again" Ferro, assim como os prospectivos Silva Pereira, Jorge Coelho, Manuel Alegre (ou ainda uns quantos que não refiro intencionalmente), não perceberam que não interessam ao menino Jesus? O que aqui argumento nada tem ver com ideologia, partidos, esquerdas ou direitas. Tem a ver com o abc da ética. Tem a ver com o que está certo. Tem a ver com condições básicas. Tem a ver com instintos primários. Tem a ver com os cinco sentidos. Tem a ver com animalidade. Tem a ver com sobrevivência. Tem a ver com presas fáceis. Tem a ver com quem elege. Tem a ver com quem vota. Tem a ver com cair que nem um pato. É o que eu digo. Um homem não se pode distrair. Um homem vai à bola e quando dá por isso já tem um Ferro empoleirado, disposto a fazer mais das suas na companhia de outros semelhantes.

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publicado às 12:30

A memória de Abril

por João Quaresma, em 17.04.14

«Património tanto individual como colectivo, a memória constitui a seiva das civilizações, pois sem ela "não há pensamento, sem pensamento não há ideias, sem ideias não há futuro", repetia, insistia Natália Correia, uma das figuras que mais se bateram pela sua dignificação.

Significando conhecimento, a memória pressupõe capacidade crítica e intervenção, o que incomoda todos os poderes, sejam eles ditatoriais sejam democráticos, de direita ou de esquerda, nucleares ou periféricos.

As ditaduras tentam controlá-la pela censura, pela violência; as democracias pela inflação dela até imporem, através da propaganda, da sedução, a que mais lhes convém. O objectivo é, porém, o mesmo: arrancar a memória que somamos (individual, colectiva, cultural, identitária) e substituí-la por outra única, inquestionável.

Daí os políticos, os intelectuais, os comentadores do regime se comportarem como se o país tivesse nascido com eles, esvaziando-o de quase mil anos de existência»

 

Fernando Dacosta, hoje no Jornal I

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publicado às 16:15

Memória electiva de Soares

por John Wolf, em 31.05.13

Se  Mário Soares alerta Cavaco Silva para a perda de pacifismo dos Portugueses, também estaremos no direito de alertar Mário Soares para a falta de memória, a falta de memória política de um dos mestres da democratização portuguesa. Pelo tom do discurso inflamatório de Soares, que pisa o risco de incitação à violência, julgar-se-ia que estamos na presença de um indivíduo que não assinou capítulos inteiros da história contemporânea de Portugal. O estado a que chegou o País é o resultado de uma sociedade repartida por quotas desiguais de responsabilidade. Cotas ou mais recentes, têm todos culpas no cartório, que pesam na carteira dos Portugueses, nas suas vidas e nos seus sonhos. O idealismo socialista assumiu-se como o libertador das amarras do antigo regime, mas a ideologia, elevada ao seu mais alto grau de incompetência, atraiçoa a sua missão original. Os socialistas, quer queiram quer não, encontram-se no início e no fim do comboio que descarrilou; mesmo que queiram atribuir o fim da linha a outras carruagens partidárias, fazem parte da máquina desgovernada que ainda mexe. Quantos anos esteve Mário Soares no poder? E será que nada tem a ver com a desgraça? O que é necessário para fazer reemergir a platina da lembrança? Palha de aço? ­­(não chamei palhaço, não senhor!). Tudo isto me faz lembrar aqueles cães que nunca deixam de urinar sobre o tapete. Por mais que se lhes esfregue os "detrimentos" na cara, nunca assumem, de um modo humilde, que foram eles. Que foram também governos socialistas, recentes ou esquecidos, que lá estiveram. Nunca colocam a cauda entre as pernas para ganir baixinho e de um modo sincero. A haver um genuíno sentido de Estado, o fundador Mário Soares deveria procurar uma ilha de sobriedade para se remeter a reflexões mais profundas condizentes com a condição de ancião da pátria. Ao tentar vender as últimas amostras de Esquerda unida que traz na mala de viajante, o ex-proeminente revela que pouco aprendeu em tantos anos de mester político. A Esquerda e a Direita já não existem nos termos em que o doutrinário está a pensar. De certo modo, há uma triste ironia no seu discurso. Ao dirigir tais palavras aos concidadãos, está a alcançar o país real - pobre e envelhecido. Que ainda se lembra do tempo da outra senhora, mas que se lembra também do tempo desta senhora. E Cavaco, que é a menina que se sabe, deveria tomar uma posição em relação à ameaça velada que Soares faz em nome dos Portugueses - a incitação à violência. Outro aspecto ainda: Soares quer lá saber do que Seguro anda a fazer nos últimos tempos! Anda o Seguro a esforçar-se a abraçar as frentes sindicais e a festejar as virtudes do consenso, e o Soares, em perfeita rebeldia com a ideia de encontro de vontades, promove a fractura de um modo muito básico. E estamos nós comprimidos nesta reserva política que tão rapidamente gostaríamos de esquecer.

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publicado às 10:23






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