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Já não falta tudo

por João Quaresma, em 12.06.15

O grande problema que era a TAP foi resolvido. O interesse do Estado, os interesses dos contribuintes foram salvaguardados. Agora será o mercado a funcionar. Agora já não serão os contribuintes a serem obrigados a sustentar uma empresa contra a sua vontade. E também se cumpriu o acordado com a Troika, pelo que é o prestígio do país que também sai salvaguardado.

Agora, para normalizar a situação em Portugal e colocá-la a par do que se passa no resto da Europa, já só falta:

- Acabar com as rendas de energia tal como ficou acordado no Memorando de Entendimento com a Troika, rendas essas que são ilegais à luz do Direito Comunitário e que são responsáveis por Portugal ter uma das electricidades mais caras da Europa.

- Acabar com as Parcerias Público-Privadas abusivas e que isentam os privados de quaisquer riscos de mercado, que estão arruinar as finanças públicas e o país por gerações, e que obrigam os contribuintes a sustentarem empresas contra a sua vontade, boa parte do tempo pagando serviços de que não usufruem nem solicitaram.

- Introduzir concorrência no mercado de combustíveis, tal como ficou acordado com a Troika, para pôr um fim à cartelização do mercado e para que Portugal deixe de ter uma das gasolinas mais caras do Mundo.

- Reduzir o número de autarquias, tal como era exigido pela Troika em 2011.

- Reduzir os mais de 2 mil institutos públicos, fundações e observatórios, grande parte deles de utilidade duvidosa e que consomem muitos milhões de euros que o contribuinte tem de sustentar.

Como se vê, já não falta tudo.

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publicado às 12:25

A falência do estado é constitucional e isso é que importa

por Samuel de Paiva Pires, em 26.09.13

José Meireles Graça: «E aqui estamos. Os senhores juízes deverão por certo estar satisfeitos: à força de dizerem como se governa vão tornando o país ingovernável.»

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publicado às 18:02

Requiem pelo Memorando?

por joshua, em 24.09.13

Se houver um segundo resgate é porque a política, o jornalismo e o comentário político falharam. Não sou, jamais serei, como outros que imputam quase exclusivamente a Passos Coelho o malogro do Primeiro Programa de Resgate. Não suporto a linha discursiva ultradestrutiva de Pacheco Pereira. Estranho muito João Gonçalves cujo conhecimento privilegiado da experiência governativa recente não se traduz em qualquer expectativa favorável para Portugal, em confiança no nosso destino, ou no recato de uma lealdade básica, mas apenas no ressabiamento, justificado ou não, pela própria evacuação com a saída de um dos melhores ministros, Álvaro Santos Pereira. Não podemos alegrar-nos por Portugal cair de borco; não se pode fazer figas por que naufraguemos, dadas as desavenças com o timoneiro em plena borrasca. Como é que há gente lucidíssima que traz para a arena pública nada mais que a incontinência dos seus maus fígados, vísceras viciosas de quem detesta outra gente por razões muitíssimo pessoais?! Em todo o caso, se este Primeiro Programa de Resgate falhar, falha por razões bem amplas, até longínquas. Falhará porque terá estado errado? Sem dúvida, especialmente na tentativa de concentrar no tempo um sofrimento esmagador sobre milhões de nós. Quando o PS negociou esta merda já se sabia que seria assim. Antes do Resgate, porém, o País não vivia no paraíso das contas e sem problemas, ilusões ou falácias. Antes deste Primeiro Programa de Resgate, a economia não crescia. Só a dívida, só adjudicações, só o engendramento de pagamentos pesados futuros, só despesa pública, só os ajustes directos da política pré-eleições, só a inefável engenharia dolosa das PPP e dos Swap. Se este Primeiro Programa de Resgate falhar, falhará por acumular erros, sendo que o erro é o efeito da tentativa de acertar por contraponto à esterilidade de apenas opinar. Falhará por causa do calculismo excessivo do CDS-PP sob Portas e da instabilidade idiossincrática de Portas. Falhará por incompetência global, geral, alargada, da sociedade, dos seus políticos, dos seus especialistas, dos seus jornalistas, todos incapazes de se deixarem mobilizar para um objectivo inequívoco, claro, onde nem sequer o pantanoso PS tergiversasse, coisa impossível. Falhará porque uma só eleição, as autárquicas, e a tarefa hercúlea de ganhá-la ou não perder demasiado muda muita coisa, sendo o CDS-PP o primeiro a entrar na mais agitada angústia pelo temor da extinção. Falhará porque a mediocridade e o comodismo das Centrais Sindicais não muda nem consente que se mude uma vírgula ao Portugal fossilizado desde 74, cíclica e sucessivamente falido por défice de replicação dos modelos funcionais de uma AutoEuropa, por exemplo. Falhará porque a incerteza nesta Europa é a nossa certeza acerca do que de mais sádico e cruel urge fazer: cortes, a fim de sossegar os detentores do dinheiro internacional e únicos capazes de financiar dignamente o Estado Português no futuro. Falhará porque o Presidente da República é um Presidente da República ao retardador e falhará porque nos últimos dois anos Seguro fez de conta que o Memorando não era com ele, que o compromisso salvador do País, ainda que crucial, poderia sacrificar-se aos desígnios eleitorais imediatos. Falhará porque, em Política, a esperança covarde e ilusória é sempre a primeira coisa a morrer depois de mendigar em vão as ideias pródigas e psudo-redentoras do sr. Hollande ou a ajoelhar na esperança vã da remoção de Frau Merkel. Falhará, em suma, porque milimetricamente o Tribunal Constitucional, Portas, Seguro, Cavaco, todos contribuíram para as brechas, as inconsistências, as hesitações, os cálculos, a lógica de salvamento do próprio couro antes de mais. Falhará porque as coligações responsáveis só saem bem sucedidas em Países Europeus Prósperos, à prova de Corruptos: num Regime Corrupto, como o nosso, o cidadão sempre amargará, emigrará, suicidar-se-á. Num Regime Corrupto só há salvação para quem rouba a tempo e horas e passa incólume. Uns ficam em prisão domiciliária. Outros exilam-se em Cabo Verde. Outros litigam-isaltinam pelos séculos sem fim, amem. Outros ainda, depois de terem crucificado directamente o próprio Povo com decisões e efeitos duríssimos a repercutir no futuro imediato e devidamente saídos de cena a tempo para parecer que não foram eles, comentam na RTP como quem fuzila. Unhas polidas. Face esfoliada, escanhoada, maquilhada. Corte de cabelo impecável. Fato do mais caro, pose científica, perfeita, fotogénica, a beleza que passa bem, o lixo coberto de ouro e mundanidade. Esta miserável capacidade de nos deixarmos ludibriar, de consentirmos impunidade, explica, desde o doloroso Camões, o Portuense, por que motivo cenas como o Primeiro Programa de Resgate podem falhar, talvez falhem, o mais certo é que falhem. No entanto, ao contrário do Pacheco, do Gonçalves, de tantos e tantas que salivam por que isto dê com os burros na água, necessito de acreditar ser possível salvar os dedos. Contemplando os mais frágeis e sofredores, os mais desvalidos e maltratados, os desempregados, rejeitados, excluídos, recluídos na sua solidão de decepados da vida social e activa, tenho a obrigação de rezar, torcer, sofrer, chorar, babar, por que Portugal resista à tentação derrotista de falhar. Falhar o caralho, portugueses! Quem trouxe a Índia ao Terreiro do Paço e gerou com viagra natural todo o glorioso Colosso Brasil, não falha. Não sabe o que seja falhar. Não chora. Não espera o pior, não vai na cantiga cangalheira do Semedo, da Catarina, do Jerónimo ou do Seguro. Não fomos feitos para um colossal, monumental, vergonhoso, estatelarmo-nos internacional. Não somos, não podemos ser, jamais seremos, helénicos no caos consentido e cultural de não sermos levados a sério, no diz uma coisa e faz outra, tirando o PS e Paulo Portas, claro. 2.º Resgate? Digam-me que não. Assegurem-me que não.

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publicado às 11:46






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