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10 milhões de milhas da TAP

por John Wolf, em 12.06.15

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Estou relativamente à vontade para falar sobre o tema da aviação. Acompanhei muitas narrativas familiares sobre o assunto. O meu tio-avô Alfred L. Wolf foi um notável jurista formado em Oxford, piloto e General da Força Aérea dos EUA, fundador da Aircrafts Owners and Pilot´s Association, da Wolf Aviation Fund e legislador pioneiro no domínio da aviação civil e comercial. Não tendo tido filhos, quis incutir a paixão pela aviação nos sobrinhos. E pelo menos num dos casos resultou. O meu primo-direito Dan Wolf, actual Senador no Estado do Massachussetts, embora se tenha formado em Ciência Política, também se tornou piloto e mecânico aeronáutico certificado. Mas teria ainda outro sonho por cumprir - fundar uma companhia aérea. Em 1989 nasce a Cape Air que se viria a tornar na maior companhia aérea regional independente dos EUA.  Uma história de sucesso que não se deve a um acaso do destino. A empresa, inovadora em múltiplas dimensões, acaba por fazer parte do sonho americano, mas de um modo particularmente interessante. Logo no início das operações da companhia aérea, o CEO Dan Wolf percebeu que um dos vectores de motivação na companhia aérea teria de passar pela partilha da mesma com os colaboradores. Num golpe de mestre, e encarnando aquilo que designo por "socialismo americano", mais de 70% da empresa passa a ser detida pelos trabalhadores. Esse vínculo laboral presente no ADN da Cape Air determinou que a mesma tivesse sempre resultados operacionais surpreendentes e taxas de crescimento bastante acima da média do sector. Dan Wolf nunca perdeu o sentido de pertença à missão e ainda hoje se mantém ao serviço da Cape Air não apenas como mítico fundador, mas como piloto e mecânico "de facto" aos fins de semana, arregaçando as mangas para o que for necessário e sujando a face com lubrificante de turbinas. A única coisa aérea de que eu me posso orgulhar é ter sobrevivido a um acidente aéreo a 17 de Dezembro de 1973 a bordo de um DC-10 da Iberia na ligação Madrid-Boston. Não posso dizer que tenha saído ileso. Fracturei a perna esquerda e ainda sofro de algumas perturbações quando viajo de avião e as aterragens decorrem. Agarro-me à cadeira! Vem tudo isto a propósito do seguinte: A privatização da TAP esteve quase sempre à mercê de vontades políticas, mas convém não esquecer que foram os socialistas de Portugal que lançaram o mote da privatização, embora em moldes questionáveis e enviesados. Mas deixemos a pequena política de grandes interesses à parte, e passemos ao essencial; acredito que as mudanças que se avizinham na ex-transportadora nacional serão benéficas no médio e longo prazo. O nacionalismo que veio a lume, a propósito da cedência de soberania "aérea", deve ceder lugar a uma visão de sustentabilidade e crescimento de longo prazo. Se a TAP já era a grande companhia aérea que conhecemos, então ainda maior se tornará. E mais alto voará. Boa sorte!

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publicado às 14:56

John Gray, "A Conservative Disposition":

Conservative individualists recognize that, before anything else, even before freedom, human beings need a home, a nest of institutions and a way of life they feel to be their own. Among conservatives, the practices of market exchange and of rational argument are familiar ingredients in, and even necessary conditions of, their way of life. They are not the whole of the way of life that they inherit, and they cannot hope to flourish, or in the end to survive, if the common culture of liberty and responsibility that supports and animates  them is eroded in the pursuit of the mirage of the sovereign individual of liberal ideology.

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publicado às 19:59

Tragam as pipocas

por Samuel de Paiva Pires, em 22.12.14

Carlos Abreu Amorim afirma que já não é liberal, as reacções entre alguns liberais e até pessoas de outros quadrantes político-ideológicos não se fizeram esperar, mas talvez o melhor mesmo seja ler este texto de Rui A. de onde se pode retirar uma ilação que não fica necessariamente patente no mesmo, mas que há já algum tempo venho afirmando: público e privado, Estado e mercado, são duas faces de uma mesma moeda, pelo que nem tudo o que é público é bom ou mau, tal como nem tudo o que é privado. Como diria Montaigne, bem e mal coexistem nas nossas vidas. O mundo - e a condição humana - é um bocadinho mais complicado e menos ingénuo do que o preto e branco e tudo ou nada que muitas almas ditas liberais tendem a ver. Por outras palavras, menos Rothbard e mais Hayek só faria bem a muita gente. 

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publicado às 10:44

A colusão dos burocratas burrocratas

por João Pinto Bastos, em 07.11.13

Há uns tempos não muito largos, nos idos da outra senhora (não, não estou a falar do Dr. António de Oliveira Salazar), a magnânima e expedita Autoridade da Concorrência, uma entidade solidamente venerada por todos os portugueses, decidiu instaurar um inquérito às presumíveis práticas de concertação dos preços da gasolina e do gasóleo estabelecidos pelos grandes potentados do sector. Como é sabido, o inquérito teve como conclusão a tese, "firmemente alicerçada" na análise empírica da realidade económica, de que não há, em Portugal, cartelização dos preços neste sector. Uma conclusão totalmente desconchavada, portanto. Visto à distância, este inquérito foi, no fundo, um mero pró-forma, dado que, para os feitores daquela magnífica inquirição, as gasolineiras jamais concertariam os seus preços de molde a prejudicar os consumidores. Interpretado literalmente, o espírito do relatório foi justamente esse. O porquê desta alienação autocomplacente da realidade é facílimo de aferir, basta pensar, por exemplo, no seguinte: 1) em Portugal, não há uma tradição de livre funcionamento dos mecanismos mercantis, 2) é claro e inequívoco que os grandes grupos económicos do sector promoveram, durante anos (e continuam a promover), uma política de aproximação dos preços praticados junto dos consumidores, de modo a ampliar as rendas obtidas no bojo desta actividade, 3) é certo, também, que estes potentados contaram activamente com a conivência declarada dos poderes públicos. Estes factores, devidamente reunidos e compilados, ajudam, em certa medida, a compreender o corporativismo senil que tem presidido aos vaivéns galácticos na formação dos preços do gasóleo e da gasolina, mas há um factor adicional que, pesadas bem as coisas, tem tido, nos últimos tempos, uma influência brutal na desorientação altista do sector. Falo, claro está, do invencionismo dirigista propugnado pelos principais responsáveis políticos do governo. A última invencionice provém das sapientíssimas mãos do divino secretário de Estado da energia, Artur Trindade. O que propõe o excelso governante? Algo tão simples como criar uma nova autoridade reguladora, desta feita unicamente para o sector dos combustíveis. Reparem na lógica da coisa: a Autoridade da Concorrência, liderada na altura por um tímido Manuel Sebastião, investigou arduamente as suspeitas de colusão de preços no sobredito sector, não chegando, como já foi também referido, a nenhuma conclusão, por isso, a solução divisada pelo magnífico enviado de Deus ao Governo da Nação foi, nada mais nada menos, a criação de um novo mamarracho institucional, ou, melhor dito, institucionalíssimo, que empregue, de preferência, mais uns boys saídos de uma qualquer school of economics adepta dos crony capitalisms a todo o custo. Percebe-se o porquê: o desemprego, não obstante ter caído algumas décimas (graças às poucas e admiráveis empresas que vão resistindo ao saque organizado), continua extremamente elevado, pelo que, com tão poucas oportunidades no seio da economia privada, há que abrir mais umas vagas para os amigalhaços de sempre. O capitalismo português funciona irremediavelmente assim. Se o mercado funciona mal, cria-se mais uma autoridade ou comissão, que emprega meia dúzia de patetas obscuros, que, no final, pronunciam a sentença do costume: está tudo bem. Como dizia o ilustríssimo prócere do tempo da outra senhora, da verdadeira, está tudo bem assim e não podia ser de outra maneira. 

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publicado às 14:26

Conflito de interesses num Estado depredatório

por João Pinto Bastos, em 13.06.13

Um estado todo-poderoso, insindicável e pouco transparente tende, frequentemente, a produzir este género de fenómenos. Não está em causa a honorabilidade de Pedro Reis que, em bom rigor, actuou de molde a evitar todas as suspeições que pudessem advir da aceitação do convite formulado pelo Ministério das Finanças. O que interessa relevar neste caso é a total falta de tacto da equipa comandada pelo Capitão meteorológico, Vítor Gaspar. Repare-se que Gaspar convida expressamente, com vista à assumpção de responsabilidades num banco estatal, um cidadão que exerce funções numa instituição situada na órbita do Estado (AICEP), menosprezando os, mais do que óbvios, conflitos de interesse que resultariam dessa escolha. Não se trata apenas de desatenção, isto é pura zombaria para com os cidadãos contribuintes. O AICEP, como é do domínio geral, lida diariamente com todos os bancos, pelo que um convite deste jaez teria, forçosamente, de contender com os interesses dos bancos concorrentes da Caixa Geral de Depósitos. No fundo, estes convites são a prova de que, com mais ou menos troikas, o Estado português é irreformável. Por maior que seja a vontade deste ou daquele protagonista da governação, os interesses que gravitam em torno dos centros de poder jamais cederão a menor quota na apropriação das tão ansiadas e cobiçadas rendas económicas. Pedro Reis é um mero peão nesta jogatana que não tem desfecho à vista. O capitalismo luso funciona assim, em capelinhas fechadas à concorrência e à abertura. Mercado livre? Viram-no?

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publicado às 23:11

A propósito da 7.ª avaliação da troika

por Samuel de Paiva Pires, em 15.03.13

Apetece-me relembrar dois posts do Dragão. O primeiro, Para que conste - I:

 

«Estado e Finança são inseparáveis. Entretecem-se e reforçam-se. Afinal, sempre foi preciso financiamento para exércitos e obras públicas. Só que como o Estado em relação à Nação, também a Finança começa por servir o Estado e acaba a servir-se dele. Por outras palavras, assim como a Nação desenvolve um Estado, o Estado desenvolve uma Finança. À medida que se hipertrofia o Estado, hipertrofia-se ainda mais a Finança. Necrose com necrose se paga. Quanto mais o Estado devora a Nação, mais a Finança digere o Estado. De modo que a sujeição nanificante (e nadificante) da nação a um estado descomunal agrava-se pela subserviência deste a uma Finança desorbitada e exorbitante. E tanto assim é, e tem sucedido, que podemos hoje em dia testemunhar o nosso próprio Portugal a ser estrangulado por um Estado que a Finança traz pela trela.»


E o segundo, Os otários que paguem a crise. É para isso que eles existem:


«Entretanto, o país de regresso à sua penúria tradicional, do ponto de vista dos ricos e seus acólitos, é positivo: quer dizer que o país, de volta ao terceiro mundo e à realidade, está a transformar-se num país mais competitivo, com mão de obra mais barata e menos esquisita. Para os pobres, os verdadeiros, também não faz grande diferença: abaixo de pobres não passam, e já estão habituados. Concentram-se no futebol, na pinga e lá vão. Os únicos que, de facto, têm motivos para se preocupar seriamente são aquela classe heteróclita e intermediária – daqueles que vivem digladiados entre a angústia de regredirem a pobres e a ilusão de, num golpe de asa, ou por qualquer súbita lotaria do destino, ascenderem a ricos. Esses, temo-o bem, vão ter que sacrificar-se, mais uma vez, pela competitividade do país. É, aliás, urgente que desçam do seu pedestal provisório e se compenetrem dos seus deveres atávicos. São para isso, de resto, que, cíclica e vaporosamente, são criados.

E dado que os pobres não pagam porque não têm com quê, e os ricos também não, por inerência de função e prerrogativa sistémica, resta-lhes a eles, os tais intermédios (ou otários, se preferirem), como lhes compete, chegarem-se à frente. Está na hora de devolverem a sua "riqueza emprestada", o seu "estatuto a prazo"; de se apearem do troleibus da ficção e retomarem o seu lugarzinho na horda chã, em fila de espera para o próximo transporte até à crise seguinte.
Não sei se campeia a justiça neste mundo. Duvido. Mas que reina uma certa ironia, disso não restam dúvidas.»

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publicado às 13:21

Ratzinger, a polemização necessária

por João Pinto Bastos, em 03.01.13

Não tenho por norma dissentir das postas dos meus ilustres confrades, aliás, concordo geralmente com tudo o que os escribas deste blog escrevem. Contudo, e como há sempre uma primeira vez para tudo, desta feita sou obrigado a discordar em parte do longo comentário da Regina da Cruz a propósito da Mensagem de Ano Novo, de Sua Santidade Bento XVI. Subscrevo a opinião da Regina no tocante ao erro que Bento XVI cometeu ao afirmar que o "capitalismo desregulado" é o grande responsável pela crise económica e financeira do último lustro. Erro esse, justificado pela observância imprescritível da doutrina social da igreja que não é propriamente um receituário ou uma súmula de prescrições liberais. Como podem depreender do que venho escrevendo neste blog e noutros fóruns não considero o capitalismo como o grande responsável pela crise. Sou, à semelhança da Regina, um apreciador inveterado das virtudes do capitalismo. Gosto do frémito da liberdade induzido pela criatividade que só um regime de mercado e livre concorrência consegue gerar. Liberdade e criatividade devidamente temperadas pela ética, como muito bem sublinhou a Regina. O busílis do argumento desfiado pela caríssima colega prende-se não com a apologia do capitalismo, que acompanho e suporto, mas sim com o breve libelo contra o Papa e a Igreja. A Igreja, não obstante os erros, desvios e imperfeições que qualquer instituição naturalmente possui - e, aqui, mais uma vez sigo a opinião da Regina - é uma das derradeiras formas de vida inteligente que existem neste mundo pós-moderninho. Mais, se há alguém que tem apelado à renovação espiritual do homem, esse alguém tem sido Bento XVI. Com os vitupérios do costume provindos dos artesãos do politicamente correcto. Portanto, quando a Regina fala em reabilitação dos valores humanos fundamentais deveria olhar, em primeiríssimo lugar, para a Igreja, por uma razão bastante singela: em tudo o que diga respeito à vida humana, a Igreja está e estará sempre na primeira linha de defesa do justo e do direito. Ontem, hoje e amanhã. A raiz do catolicismo bebe, justamente, nesta predisposição para a dádiva.

 

A Igreja não tem uma história impoluta? É um facto indesmentível. A Igreja deixou em vários momentos de viver a palavra de Cristo? Sim, é verdade. A Igreja favoreceu, em muitas circunstâncias, os grandes deste mundo? Infelizmente, sim. Tudo isso é verdade, porém, o que atrás foi dito não ajuda, de todo, a explicar o porquê de, ainda hoje, muitas pessoas devotarem à autoridade papal um respeito invejável. A relevância da Igreja mostra-se no dia-a-dia, nos magistérios da palavra e da acção, com o Homem como pano de fundo. As "palavras vazias" e os "rituais anacrónicos" são a razão de ser da Igreja. Sem eles nada faria sentido. Com eles a comunidade de fiéis alarga e fortalece os seus horizontes. O Governo da Igreja, tão criticado por alguns, é a prova de que a conjugação entre autoridade e liberdade é uma possibilidade bem real, testada ao longo de dois mil anos. Não são muitas, se não mesmo nenhumas, as formas políticas que podem gabar-se de combinar hierarquia com autonomia, justapondo autoridade pessoal com descentralização. O Governo da Igreja, considerado amiúde como uma antigualha bárbara, é um resguardo imprescindível em tempos de niilismo político e cultural. Bento XVI soube interpretar, como poucos, a impessoalidade do mundo contemporâneo, chamando a atenção para o relativismo que acomete todos os recantos da vida social. Impessoalidade que não brota apenas da falta de ética que perpassa os mecanismos económicos. A origem desta maleita é bem mais funda, grave e periculosa. É por isso que, por mais que eu possa discordar desta ou daquela afirmação do Santo Padre, nada me levará a dizer que a Igreja pouco ou nada faz pelo bem-estar espiritual do Homem. Faz e muito, sobretudo junto dos que mais precisam, assim como, dos que anelam por um futuro melhor. Talvez o tom seja demasiado apologético, mas a verdade é que nunca como hoje a Igreja foi tão necessária. O filisteísmo relativista só será combatido com autoridade e auctoritas. Bento XVI encarna na perfeição estes dois predicados.

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publicado às 01:22

Um 5 de Outubro crepuscular (3)

por João Pinto Bastos, em 06.10.12

O chamado Congresso Democrático das Alternativas é o exemplo mais cabal do nefelibatismo em que paira a esquerda reaccionária que, desde os primórdios da III República, se considera a proprietária exclusiva do regime. As propostas aventadas no fórum da ilusão política são um epítome do irrealismo político e económico que abunda naquelas pobres almas. O repúdio da dívida, a crítica desusada da austeridade - ainda não entenderam que a austeridade é inevitável - e, acima de tudo, a insistência nas mesmas políticas despesistas que nos trouxeram à actual bancarrota política e económica, são a prova derradeira da inexistência das ditas alternativas supostamente apresentadas no referido congresso. Esta esquerda necessita urgentemente de um aggiornamento ideológico. Que tal olharem para os exemplos - pífios e com falhas, sei bem disso - do PT brasileiro ou da Frente Ampla uruguaia? Será assim tão impossível aceitarem que o mercado é o instrumento mais eficiente na alocação dos recursos da comunidade?

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publicado às 01:11

Por que será que quando vejo alguém dizer que os mercados não se auto-regulam parece-me que o que essa pessoa quer mesmo dizer é que os mercados não fazem aquilo que ela deseja?

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publicado às 00:58

Mourinho Campeão!

por Carlos Santos, em 03.05.12

Quando Kasparov se treinava para ser campeão do mundo pela primeira vez tinha no  quarto a frase dos amigos: "E se não fores tu a bater Karpov, quem há-de ser?". Mourinho vive na mesma galáxia de campeões. Campeão em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha. Duas Champions em 8 anos, com 6 meias-finais! Há claramente um Special One. Que mostra a única maneira de os portugueses serem os melhores: com talento e muitíssimo estudo e trabalho. No meio de tanto chico espertismo e luso-saloíce, Mourinho é uma referência de quem não vive de subsídios mas de resultados. E luta por eles. Campeão, neste caso, com maiúscula. O futebol é uma metáfora do mercado: não premeia a performance artística, mas os resultados. E Mourinho vence!

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publicado às 11:30

Ou ainda, como escreve o Professor José Adelino Maltez no Facebook, «O modelo político que as forças vivas geraram chama-se aliança da esquerda moderna com a direita dos interesses, entre a subsidiocracia e a empregomania», aqui fica parte de um excelente editorial de Helena Garrido:

 

«Desde que o país se começou a liberalizar, na segunda metade dos anos 80 do século XX, a teoria prevalecente foi, em parte, semelhante à do Estado Novo. É preciso dar margens elevadas às elites para que acumulem o capital e o saber que fará Portugal prosperar por contágio a todo o resto da economia. Assim se disse. Passou quase um quarto de século e o que boa parte das elites acumularam foram dívidas, que as conduziram – e nos conduziram – ao precipício da falência. Onde não vão cair porque obviamente são a nossa elite, porque são demasiado grandes e demasiado agarrados uns aos outros para falirem, porque a sua queda seria a nossa miséria.

Não foi sempre assim e sempre assim será? Talvez. Então, por favor, que se tenha o pudor de não invocar o mercado e o liberalismo ou, ainda, o génio da gestão. Se há culpas, se há responsabilidades, são das elites económicas e políticas. Que não querem apenas tudo. Praticam a política da terra queimada para todos os que não sejam eles. E nem sequer são capazes de criar valor para eles. Há países onde não é assim. Aqui, também podia não ser. Sinais de esperança? Poucos. »

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publicado às 13:05

Sugestões de leitura

por Samuel de Paiva Pires, em 09.10.11

Os índios de Wall Street, por Alberto Gonçalves:

 

«Nas últimas semanas, diversas cidades dos EUA acolheram manifestações de jovens furiosos. Embora a fúria se prenda com a suspeita de que terão de trabalhar para sobreviver, os jovens preferem inventar razões menos prosaicas e reclamam-se dos "valores" dos acampados de Madrid e dos insurgentes do Norte de África, curiosas inspirações que, no limite, significariam a oposição ao sabonete e, no segundo caso, o desejo de levar uma existência de acordo com os sábios preceitos do Corão.

 

(...)

 

É igualmente interessante reparar que o movimento, na verdade de uns escassos milhares, foi iniciado por uma organização anticonsumo (?) chamada Adbusters. Dado que todos ostentam laptops, telemóveis e iPads, ou os aderentes não perceberam bem a ideia ou convenceram-se de que as geringonças tecnológicas da moda são concebidas por pequenos artesãos reunidos em comunas e vendidas sob as regras do comércio dito justo.»

 

Hipocrisias e contradições, por Carlos Guimarães Pinto:

 

«Um dos argumentos mais utilizados pelos opinadores de esquerda para justificarem a contradição entre o fim que dão aos seus rendimentos privados e a ideologia que defendem, é o facto de terem que se sujeitar à realidade em que vivem. Mais tarde ou mais cedo, acabam por contra-argumentar que também os defensores de uma economia de mercado se aproveitam dos serviços prestados pelo estado. Este argumento esquece a natureza dos serviços fornecidos pelo mercado e pelo estado. Os produtos disponibilizados pelo mercado garantem sempre a possibilidade de o indivíduo se auto-excluir de os financiar, não usufruindo deles.

 

(...)

 

O contra-argumento de que os defensores da economia de mercado utilizam bens públicos também faz pouco sentido. Quando um defensor de uma economia de mercado utiliza serviços públicos não está a contrariar as suas convicções, porque, antes e independentemente de os vir a usufruir, já foi coagido a financiar esses mesmos serviços. O usufruto dos serviços públicos que financiou coercivamente é uma questão de justiça, não de hipocrisia moral.»

 

Mais socialismo, por Gabriel Silva:

 

«Nem o Estado percebe pevide de «empreendedorismo» nem de inovação, pelo como pode promover tal coisa? E um empreendedor que precise do Estado ou um inovador, são na verdade uns encostados. O que não é inovação nenhuma nem empreendedorismo, mas sim uma chaga nacional.

 

(...)

 

Que ministro é este que entende que existe «capital de risco público»?  Se é público, é dinheiro dos contribuintes. Onde está o risco ao se dar esse capital a uns encostados quaisquer? Nenhum! Se correr mal, paciência, o contribuinte fica a penar mais, o gestor passa para  outra empresa pública, o encostado vai à sua vidinha e até logo.  Se correr bem, como ter a  percepção do momento ideal de retirada, ou de investir noutra iniciativa? Um burocrata que usa dinheiro público? Santa paciência! Deixem-se de fosquinhas e chamem as coisas pelos seu nomes verdadeiros: emprestimos, subsídios, subvenções, apoios, benefícios. Em suma, transferência do património dos contribuintes, socialismo.»

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publicado às 13:54

Em nome da liberdade (XXX) - Tradição, moralidade e mercado

por Samuel de Paiva Pires, em 08.03.11

 

Agora que esta rubrica alcança o trigésimo post, aproveito para deixar uma secção de um artigo de Roger Scruton inserido no Cambridge Companion to Hayek, intitulado "Hayek and Conservatism", precisamente acerca de uma temática sobre a qual muitos debates se debruçam, a da compatibilidade entre a tradição e o mercado (a secção do artigo intitula-se "Tradition, Morality and the Market") :

 

«For a contemporary conservative, the most profound aspect of Hayek’s extended epistemological argument is the alignment between the defense of the market and the defense of tradition. Indeed, as Edward Feser has argued, the defence of tradition, custom, and common sense morality could well constitute the most important aspect of Hayek’s social and political thought. Hayek’s theory of evolutionary rationality shows how traditions and customs (those surrounding sexual relations, for example) might be reasonable solutions to complex social problems, even when, and especially when, no clear rational grounds can be provided to the individual for obeying them. These customs have been selected by the ‘‘invisible hand’’ of social reproduction, and societies that reject them will soon enter the condition of ‘‘maladaptation,’’ which is the normal prelude to extinction.

 

 

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publicado às 15:54






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