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Fong Fong - o fungágá do peculato

por John Wolf, em 25.11.17

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Para todos os efeitos jurídicos, o casal Fong Fong Guerra foi condenado pelos tribunais de Timor-Leste por peculato. Portugal, ao receber de braços abertos os fugitivos, aprova um pressuposto questionável - as sentenças criminais de Estados estrangeiros não valem grande coisa. Não ouvimos falar nada sobre o deferimento ou indeferimento do pedido de extradição. Pelo teor da notícia, e à luz dos factos, até parece que o Ministério dos Negócios Estrangeiros auxiliou a fuga. Quando o casal Fong Fong Guerra sugere "nulidades insanáveis" mais comuns em regimes "não democráticos", deita por terra passadas glórias de política externa. Não nos esqueçamos que Portugal sempre fez gala de ter sido o grande promotor da "nova democracia" timorense e de ter concedido uma "nova história" a um território martirizado pela expressão colonial e de subjugação da Indonésia. Já bastavam as Madonnas e as Belluci para dar prestígio e realizar o marketing positivo do país. Mas agora assistimos a algo diverso. Ao apadrinhar a fuga destes portugueses, e alegadamente o desrespeito por ordens jurídicas diversas, a administração portuguesa valida uma tese, que por analogia, embora mais intensa, aplaudiria a fuga de, por exemplo, Renato Seabra, do estabelecimento prisional nos EUA onde cumpre pena  - e sua "vinda" para Portugal. Como Timor-Leste já não vale grande coisa aos olhos de Portugal, um caso como este ainda passará por entre os princípios e a ordem jurídica sem dar nas vistas. São as implicações jurídicas que me interessam. Mais nada. Se efectivamente houve uma condenação, e factos que a sustentam, não me parece "natural" que não tenham sido recebidos por agentes de autoridade no aeroporto de Lisboa. Na escala de valores em causa eu sei que Sócrates é porventura a divisa corrupta incomparável e que a escolta policial realizada a partir da manga do avião se tenha justificado em pleno, mas esta recepção sem "cerimónias" torna Portugal inteiro num Alentejo sem lei - num fungágá da bicharada.

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publicado às 17:26

Afinal, a Madeira já é outro país

por Nuno Castelo-Branco, em 31.05.17

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É o que parece ser, a considerar os escritos ou ditos da autoria dos responsáveis políticos, uma espécie de herdeiros do governador Pôncio Pilatos. A tina de águas turvas onde insistem em lavar as mãos, é comprovada quase diariamente pelos silêncios embaraçados ou por recomendações indirectas, aquelas que após tecerem os considerandos que já ouvimos noutros tempos ..."os portugueses e luso-descendentes aqui nasceram, foram educados, têm as suas famílias, casas e empregos", logo indicam aquilo que para o esquema aqui vigente é mais aconselhável: ..."façam-se à vidinha e procurem outras paragens se não quiserem ficar na Venezuela".

Foi exactamente o que a catrefa de agentes civis ou militares disse em Luanda, Lourenço Marques, Bissau e outras localidades, quando perante eles se ergueu a evidente ameaça da deportação de centenas de milhar de nacionais. Nunca é demais voltarmos à carga, pois ponto por ponto, trata-se de uma repetição de factos. Aconteceu o que sabe por única responsabilidade e total culpa das autoridades então mandantes em Lisboa. Agora até se dão ao luxo de indicarem os receptores da desgraça de inegáveis nacionais portugueses, atrevendo-se mesmo a aconselhar como destino o Brasil - que se encontra numa excelente situação interna e externa -, a França, Espanha e até a América de perna-aberta do Sr. Trump que exautoram cada vez que tenham ou não uma oportunidade para tal.  Como se sobre estes países exercessem qualquer tipo de soberania, mesmo que moral. 

Desde que não venhas para cá, podes fazer o que te apetecer!, eis a mensagem subliminar. Se assim não é, tal é a impressão que eles, os luso-venezuelanos, têm acerca dos nossos dirigentes que ali desembarcam para conversações.  

Já vimos, ou pior ainda, já sofremos isto "naquele tempo que eles prefeririam jamais ter acontecido". Os mesmos argumentos, o mesmo laissez-faire, a mesma descarada inépcia ditada não se sabe bem porquê que suspeitamos ser a cíclica reserva mental que corrói aquelas pobres cabeças cheias de vento. Pior ainda, são exactamente os mesmos partenaires, ansiosos por não terem de se dar ao trabalho de accionarem gabinetes que já existem para outras finalidades, como o CPR e tudo o que à volta disto tem girado: gabinetes de estudos, boas vontades, entusiasmos de hora de telejornais, ditos espirituosos em S. Bento e sobretudo, os fundos comunitários que destinam a outros alvos. Sim, "aqueles" em que estão a pensar. 

Se não é assim, assim parece, apesar da nossa compreensão pela desejável moderação no deixar passar da informação. A prudência é inimiga do medo. 

Portugal não deve ver os luso-venezuelanos como um potencial perigo, mas sim como a reedição da oportunidade que outrora teve, quando à Metrópole arribaram centenas de milhar de pessoas em muitíssimo pior situação, se é que isto é possível, do que aqueles que para cá não só querem, como terão mesmo de vir. Já não se trata de um imaginado se, mas daquele indesejado  quando. Julgá-los como alvo fácil da desbragada reacção política, é um erro, mais um a juntar a todas as outras superstições. 

O governo regional da Madeira, honra e glória lhe seja votada, tem feito tudo o que é possível para arrecadar com a parte de leão desta catástrofe nacional. Catástrofe, dada a inércia evidente das autoridades centrais, apertadas entre os seus negócios e o compromisso oficial para com o governo de Caracas que, há que dizê-lo uma vez mais e sem rebuçados para a garganta, tem sido um bom amigo das autoridades de Lisboa, sejam elas as dos executivos da esquerda, como as dos executivos da direita.

Já não se trata de negócios de loja & conveniência, mas sim de vidas a prazo, as que por mais irritante que isso possa ser para o politicamente correcto que por cá faz cátedra, pertencem à nossa família nacional, mesmo aquelas que apenas falem a língua da pátria-mãe num arrevesado de portunhol.

Devem ser estes refugiados prontamente auxiliados e sobretudo, terem a sensação de serem bem-vindos. Ora, uma vez mais repetindo a história - para alguns deles quiçá pela segunda vez -, tal não está a acontecer. 


Repitamos então o acima dito, isto não está a acontecer. Digamos desassombradamente do que se trata, a palavra chave que é o repetitivo tabu deste regime, são refugiados e ainda por cima, nacionais. 

Refugiados! 

Se pensam que a substituição do actual regime General Tapioca poder  rapidamente dar o lugar a um novo-antigo regime General Alcazar, precisamente aquele que provocou a ascensão irreversível do chavismo, preparem-se então, pois qualquer coisa em que surja como cabeça um qualquer Sr. Capriles, demorará décadas até a Venezuela remotamente poder comparar-se ao que era em 1975, quando ainda por ali imperava o sr. Carlos Andrés Pérez. Décadas, na melhor das hipóteses. 

Têm sido as nossas autoridades uma indigesta entremeada de timidez, medo, desleixo e barco de cavername carcomido e convés sem bússola. Isto, para não dizermos algo infinitamente pior. É o que tem transparecido semana após semana. 

Convém insistirmos nesta tecla até que algo seja bastante visível e evidente. Em momento de tecnologias da informação e imagens a cores, já não há como esconder os factos. 

Como se disse um dia a respeito de outro assunto, agora trata-se de ..."para Portugal e em força!"



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publicado às 13:55

Talvez como contrapartida à sua passagem pela FLAD, o Sr. Rui Machete presta um favor aos mais interessados neste frete e declara apoiar a entrada da Turquia na U.E. Sabendo-se que apesar das oportunas alegações do Sr. Erdogan quanto à "herança do Império Romano do Oriente", a realidade turca aponta precisamente para o legado da destruição daquele que foi um dos esteios da Europa. A afirmação do ministro português nada mais é senão um fait-divers, um estalido de boca que desta vez terá de passar pelo crivo de um referendo à escala europeia. 


*Em praticamente todas as línguas dos países que compõem a NATO: Talvez desta forma o Sr. Ministro entenda. 

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publicado às 18:14

Meias brancas de pano turco

por Nuno Castelo-Branco, em 23.07.14

 

Apesar do nome, a  CPLP não é apenas uma comunidade liguística. 

 

Aqui estão mais uns tantos preciosismos próprios das entradas e saídas dos embaixadores do Grande Siècle. Sem perucas empoadas, sem moscas cuidadosamente colocadas pelo rosto, sem bengalas de retorcidos castões encomendados em Paris, mas com as mesmas meias brancas - desta vez de pano turco substituindo a seda -, carnicões no nariz, pelo a saltar para fora do pavilhão auricular e dentes amarelos de broa.

 

Apesar do nome, a  CPLP não é apenas uma comunidade liguística. 

 

Para único e exclusivo consumo interno, parece ser este o caso dos amuos, surpresinhas e melindres que os media veiculam para contentamento dos pacóvios do actual regime. Tudo isto serve para preencher uns minutos de "tempos de antena de opinião pública" e algumas vozitas dos barbichas das indignações do "hoje há caracóis". As besteiras saídas da reaparecida boca de José Carlos de Vasconcelos - "a CPLP é uma comunidade linguística", quer acreditar este pobre diabo dos anos setenta! - sintetizam as demais. Ouvirmos o confortado João Soares indignar-se com ditadores, conhecendo-se as efusões com que sempre acolheu sobas que mandaram e à farta massacraram no antigo Ultramar, apenas confirma a excentricidade de toda a panóplia de magarefes das notícias. 

 

Apesar do nome, a  CPLP não é apenas uma comunidade liguística. 

 

Agora, consumado o facto da adesão da Guiné Equatorial à CPLP, os gnomos que regem as nossas vidinhas fixam-se em questões menores, resumindo-se o diplomático chilique a uma foto "antes do tempo" e a uma boliqueimada grosseria protagonizada pelo senhor Cavaco Silva. Pelo que a SIC está a proclamar, o presunto cavalheiro não aplaudiu o ingresso daquele país africano, consagrado na cerimónia. Apenas o "Chefe" do Estado português se eximiu à mais elementar e inócua cortesia. Enfim, é o que temos, esta gente que se beijocou e quis aparecer em fotos com Kadafi, condecorou Ceausescu com a Ordem de Santigo e Espada, elogiou o Gauleiter vermelho Honnecker, emperna com os Castro em todas as Cimeiras Ibero-Americanas, permitiu todo o tipo de dislates ao Samora, a Neto e Luís Cabral, bajulou Brezhnev e tantos outros. Já alguém ouviu Cavaco Silva admoestar os EUA quanto à existência da Pena de Morte, roubalheiras e negócios sujos em África, no Médio Oriente, na América latina, uso e abuso do nosso espaço áreo e outros factos que todos conhecemos? O que terá o belenense comensal dito ao presidente chinês aquando da sua visita? Falou-lhe nas inacreditáveis execuções públicas perpetradas em estádios de futebol, ou a EDP bem vale umas tantas valas comuns? Alguma vez puxou as orelhas ao embaixador dos aiatolás, fazendo-lhe advertências quanto aos enforcamentos em guindastes, lapidações e fuzilamentos a eito? A propósito da aplicação da sharia, terá Cavaco Silva recomendado a Paulo Portas umas conversas com os anfitriões sauditas?

 

Não vale a pena tentarem disfarçar o que sucedeu. Na CPLP, as decisões são tomadas por unanimidade, daí o pouco interesse prático das carinhas contristadas. Fez-se o que tinha de ser feito. Quem tem achincalhado Portugal, é o próprio regime em todas as etapas já percorridas. Ou será necessário lembrarmos as cantorias e hossanas em torno de gente que por disparate metropolitano, foi colocada no poder na maioria dos países  africanos de "expressão portuguesa"? 

 

A Commonwealth britânica tem o seu Mugabe - por mero acaso há uns tempos recebido em Lisboa -, enquanto os franceses pouco se ralam com o espantoso desfilar de títeres espalhados por toda a África central. Títeres que subornaram Giscard, compraram Mitterrand, traficaram com Chirac e que sempre contaram com a zelosa assistência militar de Sarkozy e do pudinesco Hollande. Nós, portugueses, somos especiais e assim há que escorraçar Obiang, ou melhor, a população que ele governa. 

 

Apesar do nome, a  CPLP não é apenas uma comunidade liguística. 

 

Como ontem muito bem disse o embaixador Martins da Cruz (TVI24, pelas 11 da noite), estamos entregues a paroquialismos. Nada que não se resolva com umas concessões de exploração de petróleo, compra de dívida pública, salvação de um ou dois bancos, venda de resorts turísticos e de condomínios de duvidoso luxo pladurado e iluminado a LED, contratos com as betoneiras do regime e outras habilidades cá do burgo. Como se lá fora - e cá dentro - não fosse bem conhecida a única e obsessiva natureza da república portuguesa...

 

Apesar do nome, a  CPLP não é apenas uma comunidade liguística. 

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publicado às 11:26

As boas vindas à Guiné Equatorial

por Nuno Castelo-Branco, em 22.07.14

 

Uma tremenda derrota para os sabichões relativistas do "comentoriorismo" televisivo, os das t-shirts do Che e dos cursos de férias em Washington.

 

Aqueles que jamais disseram coisa que se ouvisse acerca de regimes como os dos irmãos Castro e que com toda a bonomia bem convivem com bolivarianismos, daniéis orteguismos dos anos 80 e evomoraleirices, abespinham-se com o regime de Obiang. Não sendo de molde a provocar grandes entusiasmos de partilha de experiências de vida, o sistema vigente naquele país  fronteiro a S. Tomé e Príncipe não se diferencia de sobremaneira daqueles que durante décadas vigoraram nos principais Estados africanos da CPLP. Alguém se recorda hoje do sanguinário, prepotente e totalmente inepto regime de Samora Machel e dos morticínios Por Bem dos governos de Agostinho Neto? Não, não convém recordar essas ninharias, para mais da autoria de grandes libertadores e de excelsos amigos do povo português. 

 

Toda a publicidade televisiva anda em torno do total desrespeito pelos Direitos Humanos e descarado nepotismo do esquema Obiang, dois argumentos suficientes para impedirem o ingresso da Guiné Equatorial na CPLP. Verdade? É verdade. Perguntemos então aos indignados que andam pelo PSD, PS e PC, a opinião acerca do que desde 1975 se tem passado em Luanda e Lourenço Marques, perdão, Maputo. Não é preciso entrarmos em detalhes, todos compreendem o que queremos dizer. Alguns nomes de filhos, filhas e parentes por inerência, sempre efusivamente aguardados na Portela, significam babados negócios e compinchagens com a gente do regime de Lisboa. Veremos se o caso BES não significará mais umas tantas concessões aos aguardados salvadores.

 

A Guiné Equatorial não é um país onde se fale o português, aqui está o segundo argumento do rol. Verdade? É verdade, mas o que dizermos então de Timor Leste, onde decorrida mais de uma década desde a auspiciosa independência, pouco tem sido feito para estender o português à condição de língua franca? Qual o esforço feito pelas autoridades portuguesas quanto a este assunto de interesse nacional? Onde está o aproveitamento da "válvula de escape" para professores jovens e desempregados? Onde? Os indignados que nos esclareçam.

 

A entrada da Guiné Equatorial na CPLP, representa antes de tudo, uma verdadeira oportunidade para o exercício da persuasão das suas autoridades. Os ditadores vão e vêm e como dizia o santarrão Estaline a respeito dos alemães, "o povo fica". A pertença deste país à organização da lusofonia - e correspondentes vertentes da economia, educação, segurança e intervenção poíitica no concerto internacional -, implica a  aceitação de regras aceites pelo regime e decerto não tardarão sensíveis modificações na situação geral, tanto política, como económica e social. 

 

Portugal tem relações diplomáticas com Cuba? Tem, são excelentes e assim deverão continuar a ser, gostem ou não gostem os nossos aliados americanos. Portugal aceita as credenciais dos embaixadores do regime dos aiatolás? Certamente e bem longe vão as indignações contra o governo do grande Xá Reza Pahlavi. Portugal cultiva profícuas relações com a Arábia Saudita, China, Cuba, Qatar, Paquistão? Sim e com todos anseia estabelecer proveitosos negócios. Não existem por aí uns tantos Bernardinos que não estão seguros de a Coreia do Norte "não ser uma democracia"? Pois é mesmo assim. 

 

Seja então bem-vinda a Guiné Equatorial. Contabilizando factos nas imediações da vasta região um dia genericamente conhecida por um certo povo como a Costa da Mina, retoca-se agora mais uma das páginas do nosso álbum de recordações históricas. Desta vez, com uma quase garantida perspectiva de benefícios mútuos, multilaterais. Desta vez e ao contrário de Samora, Neto ou do guineense Luís Cabral, é mesmo Por Bem

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publicado às 16:37

Ataque de hackers do Shaolin ao MNE

por John Wolf, em 10.12.13

Não sei o que procuram os chineses nas gavetas de Rui Machete. Uma factura da EDP por cobrar? Uma carta por enviar com um pedido de desculpas? Mas devemos começar a pensar alto por que razão os hackers de Shaolin estão tão interessados na troca de correspondência do ministério dos negócios estrangeiros. Por outro lado, pode ter sido uma simulação por forma a dar a impressão que Machete é um player de respeito no tabuleiro geopolítico. Trabalham para quem estes maoístas? Para a National Security Agency? Terá sido um outsourcing por ajuste directo de contas antigas? Tudo isto é muito misterioso, mas não nos deve espantar. A República Popular da China já tem muitos interesses por defender em Portugal e convém tomar algumas precauções. Não vá haver algum leakage involuntário que possa comprometer futuros negócios líquidos ou não. De qualquer forma, em termos de percepção ou de classificações de instituições com matéria sensível a proteger, Portugal deve já estar no top 15 deste ranking de fífias. Não sei se a Judite Estrela - perdão, Edite Estrela -, tem razão, ao afirmar que ninguém sabe quem é Nuno Melo no Parlamento Europeu, porque pelos vistos estes chineses sabem-na toda. Este emaranhado de temas que para aqui trago parece que não tem ligação, mas aposto que tem. Talvez seja boa ideia perguntar à Ana Gomes se ouviu falar de alguma coisa.

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publicado às 18:37

Teimosias republicanas

por Nuno Castelo-Branco, em 07.10.13

Tal como estava previsto, aconteceu bem cedo. Eis o que aqui se dizia  a 24 de Julho de 2013:

 

"O novo Ministro dos Negócios Estrangeiros não é um qualquer ex-jotinha. Sendo um reconhecido professor de Direito Constitucional e com um sólido conhecimento da história portuguesa, parece uma boa escolha para desempenhar as funções. Contudo, as notícias que agora surgem conotando-o com o escândalo BPN e BPP, são um factor absolutamente adverso e o 1º Ministro devia evitar quaisquer tipo de alegações que decerto não tardarão a surgir na SIC e satélites. Não perderemos por esperar."


Há coisas que de tão expectáveis, bem poderiam ser evitadas. Nada há a lamentar. 

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publicado às 23:09

"Fêrias"

por Nuno Castelo-Branco, em 21.08.13

 

 

Deverá tratar-se do efeito kiki das praias algarvias e da silly season. O sr. Machete, recentemente chegado às lidas internacionais do governo, já foi de férias, ou melhor, "fêrias" para os entendidos do estilo Club Mediterranée da nossa política externa. De um certo modo, o exercício de tão exigente cargo, infalivelmente acarreta o desempenho das funções de caixeiro viajante em contra-ciclo sazonal. O sr. Machete deveria agora andar pelo hemisfério sul luso-africano e voluntariamente colocar-se a jeito de sofrer as bátegas das monções na Ásia oriental. Quem não percebe o porquê desta sugestão, não está apto a entender coisa alguma. 

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publicado às 18:06

O Ocidente de rastos

por Nuno Castelo-Branco, em 15.08.13

 

A violência tem sido extrema e como sempre, apenas nos chegam as notícias que vitimam uma das facções. A verdade é que se torna cada vez mais estranho o silêncio em torno dos ataques perpetrados pela gente da Irmandade Muçulmana contra os cristãos egípcios. Nas últimas 24 horas  foram destruídas 18 igrejas, sendo incontáveis os prejuízos causados a todo o tipo de propriedades dos cristãos. Tornou-se num vergonhoso hábito a genuflexão ocidental perante os supersticiosos gatinhadores e de Washington a Copenhaga vociferam-se condenações muito, muito parciais. Como sempre submetida ao Espírito de Munique, até Paris ousa fazer-se grande, devendo-se esta pusilanimidade à situação interna francesa e à tradição capitulacionista do patético Hollande e de quem o apoia. Bem pode o embaixador português António Tânger Correia alertar para os ataques sectários, mas o "politicamente correcto" deverá prevalecer. No momento em que este post é publicado, a imprensa portuguesa ostensivamente ignora aquilo que o nosso representante diplomático oportunamente denuncia. 

 

É este, o Ocidente em agonia de alegre appeasement.

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publicado às 14:49

Errado!

por Nuno Castelo-Branco, em 24.07.13

 

1. Despedir Álvaro Santos Pereira é um erro, um disparate que a ninguém passa despercebido. Este homem é sério, bem educado e competente. Logo no início do mandato deste governo, tornou-se no alvo de todas as lenga-lengas vomitadas por uma imprensa que longe de ser independente, serve interesses bem identificados. 

 

Quando tive o prazer de durante algumas horas ouvir o ministro falar acerca da situação portuguesa e sem qualquer rebuço responder a frontais questões colocadas por bloggers pouco dados a punhos de rendas, fiquei com uma excelente impressão de quem "não ia deixar o ministério para logo se estabelecer numa construtora". Quero acreditar que assim será. Fez um bom trabalho, incomodou quem há muito devia ter sido espoliado da autorização de esbulhar a população portuguesa. Em suma, ASP sai como entrou: honrado, decente.

 

2. O novo Ministro dos Negócios Estrangeiros não é um qualquer ex-jotinha. Sendo um reconhecido professor de Direito Constitucional e com um sólido conhecimento da história portuguesa, parece uma boa escolha para desempenhar as funções. Contudo, as notícias que agora surgem conotando-o com o escândalo BPN e BPP, são um factor absolutamente adverso e o 1º Ministro devia evitar quaisquer tipo de alegações que decerto não tardarão a surgir na SIC e satélites. Não perderemos por esperar. 

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publicado às 12:10

Necessidades consulares

por Nuno Castelo-Branco, em 27.05.13

 

A opinião é unânime, sejam os interessados portugueses ou moçambicanos.

 

Os serviços do MNE deverão urgentemente proceder a um "render da guarda" - melhor falando, uma limpeza geral - no Consulado de Portugal na capital de Moçambique. Pelo que ontem me contaram, a arrogante pesporrência, o altaneirismo pateta e a pequena e malcriada burocraciazinha que tudo e todos entrava, ali são diktat diário. Chega-se ao ponto dos incrédulos e desesperados visitantes classificarem o pessoal como racista e "uma carrada de atrasados mentais". Especialmente ridículas, são as dificuldades sempre colocadas aos moçambicanos que pedem vistos de visita a Portugal.

 

O sistema deixou o nosso país chegar a um extremo que não permite este tipo de situações insólitas. Alguém haja que lhes dê remédio. 

*

Adenda: recebi um irado e-mail negando qualquer anormal funcionamento no citado consulado português. Pelas expressões - "normal funcionamento", "procedimentos legais", "cumprimento escrupuloso dos trâmites" - notei a habilidade própria dos serviços de representação. A serem exactas todas as informações que acima deixei, há que corrigir a situação. É normal a irritação dos utentes que talvez tenderão ao exagero, sem que tal coisa lhes retire as razões de queixa.

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publicado às 14:25

"Paulo Portas anula prova polémica para futuros diplomatas"

por Samuel de Paiva Pires, em 05.04.13

No Público de hoje:

 

«MNE diz que a repetição da prova se deve ao facto de esta não ter assegurado condições de igualdade.

 

Ministério invoca substituição de enunciados rasurados. PÚBLICO noticiou questões polémicas do exame

 

O ministro Paulo Portas assinou na terça-feira um despacho no qual determinou a anulação da prova de cultura geral realizada por mais de 2000 candidatos no âmbito do concurso externo para ingresso na carreira diplomática, promovido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Os examinandos poderão agora realizar um novo teste no dia 20 de Abril.

 

O MNE justifica, em comunicado, que a repetição da prova se deve ao facto de esta não ter assegurado condições de igualdade para todos os candidatos, já que em algumas das salas da Faculdade de Direito de Lisboa - onde se realizou o teste no dia 16 de Março - os enunciados dos exames foram substituídos, permitindo assim a alguns candidatos corrigir respostas rasuradas. Tal facto, adianta o Ministério dos Negócios Estrangeiros, violou as regras contidas na folha de instruções que integrava o enunciado da prova.

 

Na véspera do despacho do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, o PÚBLICO noticiou que a primeira prova do concurso externo para futuros diplomatas gerou polémica pela quase ausência de questões relacionadas com tratados internacionais, História de Portugal, Geografia ou até regras de etiqueta. Num post intitulado As necessidades do Trivial Pursuit, publicado no blogue Estado Sentido, três dos candidatos à categoria de adido de embaixada questionaram "as opções de resposta algo obscuras". E argumentaram que a prova de cultura geral falhou o objectivo de selecção de potenciais diplomatas, ao passar ao lado de "dados históricos" essenciais.

 

Contactado pelo PÚBLICO, um dos autores do blogue e candidato ao concurso do MNE, Samuel de Paiva Pires, deu alguns exemplos que deixaram muitos dos examinados surpreendidos: "Perguntava-se por que ficou conhecida D. Filipa de Vilhena, de quem é a frase "Como é diferente o amor em Portugal", em que autor é que Eça de Queirós se inspirou para escrever o seu primeiro romance, quem foi o compositor da "sinfonia inacabada", o que é um amigo do alheio, quem realizou O Pai Tirano, o que é um cefalópode e, viajando da Terra a Urano pelo caminho mais curto, qual seria o planeta por que passaríamos."

 

Ontem, o PÚBLICO voltou a questionar o MNE sobre o anúncio da repetição da prova a 20 de Abril, inquirindo nomeadamente se esta se deve à polémica noticiada ou a uma eventual taxa de chumbo acima do normal. Em resposta, o MNE explica que a repetição do exame está "exclusivamente" relacionada com o problema apontado no comunicado. "Qualquer outro motivo é pura especulação", acrescenta.

 

Mas a "justificação diplomática" do MNE não convence vários candidatos que, ouvidos pelo PÚBLICO, rejeitam ter ouvido qualquer queixa relacionada com enunciados rasurados. "É uma forma diplomática de salvar a face, porque não houve qualquer conversa sobre a questão dos enunciados rasurados. E durante a prova foram feitos vários avisos para que não se rasurasse as respostas, para além de que essa informação constava na primeira folha do enunciado", diz um dos candidatos que irão repetir a prova e que prefere não ser identificado.

 

Samuel de Paiva Pires diz também não ter dúvidas que com esta prova já realizada "a esmagadora maioria" dos candidatos não passaria à segunda fase do concurso, que consiste num exame de língua portuguesa.

 

Para já, aguardam com expectativa a repetição do teste de cultura geral, mas, sobretudo, o conteúdo do mesmo.»

 

Leitura complementar: As necessidades do Trivial Pursuit"Candidatos à carreira diplomática criticam teste "obscuro" do MNE"Comunicado do Ministério dos Negócios EstrangeirosAinda a anulação da prova de cultura geral do concurso de ingresso na carreira diplomática.

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publicado às 10:30

No i online:

 

«O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) anulou uma prova escrita de acesso à carreira diplomática citando irregularidades no dia da prova que beneficiaram alguns candidatos, indica um aviso publicado esta semana pela tutela liderada por Paulo Portas. A prova de cultura geral, que mereceu muitas críticas de vários candidatos devido a perguntas exóticas e possibilidades de resposta pouco claras, será repetida a 20 de Abril.

 

“Segundo informação do presidente do júri, a realização da prova, no passado dia 16 de Março, não terá assegurado as condições de igualdade entre todos os candidatos uma vez que, em algumas salas, foi autorizada a substituição do enunciado da prova e, em consequência, a correção de respostas rasuradas”, aponta o comunicado emitido pelo MNE. “Este facto contraria as instruções previstas no enunciado da prova”, acrescenta.

 

A prova é feita num modelo de escolha múltipla e os candidatos não podem corrigir as respostas por si assinaladas. Contudo, em algumas salas houve vigilantes que permitiram a substituição do enunciado da prova, permitindo aos candidatos beneficiados a correcção de respostas. Segundo apurou o i, as irregularidades existiram e terão sido do conhecimento dos vigilantes no próprio dia de realização da prova, devido às queixas de alguns candidatos que souberam das excepções.

 

Segundo apurou o i, o júri do MNE já tem os resultados da prova, que foram “muito maus” e que resultaram numa taxa de chumbos superior a 50% e na perda de um número anormal de candidatos. “Nem metade passaram”, afirma ao i uma fonte que preferiu o anonimato. A aprovação era conseguida com pelo menos 63 respostas certas em 90 (uma nota de 14).

 

No comunicado oficial o MNE cita apenas as irregularidades na realização da prova e marca nova data. “Para garantir a total e igualdade de circunstâncias dos candidatos, deste concurso de acesso, o MNE decidiu anular o exame, convocando os candidatos para uma nova prova, a realizar no próximo dia 20 de Abril”, indica o comunicado.

 

A prova de cultura geral, que integra o concurso de ingresso na carreira diplomática, foi muito criticada por vários candidatos. Um dos problemas prende-se com o exotismo de algumas perguntas que passava ao lado do sugerido pelo regulamento da prova de cultura geral (“No caminho mais curto entre a Terra e Urano tem que se passar porque plante?” e “Qual deste animais é um cefalópode?” e “O que é um gibelino?”).

 

Os candidatos criticaram ainda as opções de escolha múltipla “algo obscuras”, uma expressão usada no blogue Estado Sentido por Samuel de Paiva Pires, João Teixeira de Freitas e Nuno Castelo Branco, que realizaram a prova que terão que repetir no dia 20.»


Leitura complementar: As necessidades do Trivial Pursuit"Candidatos à carreira diplomática criticam teste "obscuro" do MNE"; Comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

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publicado às 13:48

Comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros

por Samuel de Paiva Pires, em 03.04.13

Aqui:

 

«O Ministério dos Negócios Estrangeiros decidiu mandar repetir a prova escrita de cultura geral do concurso de acesso à carreira diplomática.

 

Segundo informação do presidente do júri, a realização da prova, no passado dia 16 de março, não terá assegurado as condições de igualdade entre todos os candidatos uma vez que, em algumas salas, foi autorizada a substituição do enunciado da prova e, em consequência, a correção de respostas rasuradas.

 

Este facto contraria as instruções previstas no enunciado da prova.

 

Para garantir a total e igualdade de circunstâncias dos candidatos, deste concurso de acesso, o MNE decidiu anular o exame, convocando os candidatos para uma nova prova, a realizar no próximo dia 20 de abril.»

 

Leitura complementar: As necessidades do Trivial Pursuit"Candidatos à carreira diplomática criticam teste "obscuro" do MNE"

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publicado às 20:57

No Público de hoje:

 

«O exame de cultura geral para ingresso na carreira diplomática, no qual participaram mais de 2000 candidatos no dia 16 de Março na Faculdade de Direito de Lisboa, lançou a polémica. Alguns dos participantes criticam a ausência no teste, da responsabilidade do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), ocupado pelo líder do CDS, Paulo Portas, de perguntas sobre tratados internacionais, História de Portugal, Geografia ou até regras de etiqueta.


Num post intitulado As necessidades do Trivial Pursuit, publicado no blogue Estado Sentido, três dos candidatos à categoria de adido de embaixada, que se realizou pela primeira vez em substituição de um teste psicotécnico, questionam "as opções de resposta algo obscuras". Argumentam que a prova não serviu o objectivo de selecção de potenciais diplomatas porque passou ao lado de "dados históricos" essenciais.


"Sentiu-se a dor de um vácuo no que concerne a perguntas sobre o Renascimento, História da fundação de Portugal, História do Estado, Geografia a sério (apenas duas questões do mais trivial possível), etiqueta", lê-se no texto.


Contactado pelo PÚBLICO, um dos autores do blogue e candidato ao concurso do MNE, Samuel de Paiva Pires, critica o facto de o regulamento do exame ser "extremamente vago, sem qualquer matriz de matérias para estudar", ao referir apenas que seriam avaliados "conhecimentos dos candidatos em diversas áreas, podendo incluir questões sobre História, Geografia, Economia, Arte e Cultura, e Política Internacional".


O também investigador do Centro de Administração e Políticas Públicas do ISCSP-UTL explica que "foi com um misto de espanto e surpresa que a maioria reagiu ao ser confrontada com um teste composto por muitas perguntas rebuscadas e temáticas que não foram mencionadas no regulamento".


E dá alguns exemplos: "Perguntava-se por que ficou conhecida D. Filipa de Vilhena, de quem é a frase "Como é diferente o amor em Portugal", em que autor é que Eça de Queirós se inspirou para escrever o seu primeiro romance, quem foi o compositor da "sinfonia inacabada", o que é um amigo do alheio, quem realizou O Pai Tirano e, viajando da Terra a Úrano pelo caminho mais curto, qual seria o planeta por que passaríamos."


Samuel Paiva Pires não discorda de que um futuro diplomata seja capaz de manter uma conversa sobre temas variados, que possam ir da "gastronomia" ao "cinema", passando pela até pela "astrologia", mas insiste na necessidade de um primeiro teste de selecção ter outro foco. "Poderá dizer-se que, sob a definição de cultura geral, tudo cabe. Mas cultura geral remete para relevância e pertinência", insiste.


A polémica à volta do exame levou também o ex-embaixador Francisco Seixa da Costa a escrever no seu blogue Duas ou Três Coisas que o modelo de prova que sentava o candidato diante de um júri, numa conversa de cerca de 20 minutos, permitia aferir se ele tinha ou não condições para a diplomacia.


"Quem tem a pretensão de vir a representar Portugal pelo mundo deve possuir uma razoável cultura geral, bem para além das temáticas da profissão. Resta saber se é a através de testes americanos, e especificamente dos que foram aplicados, que isso se avalia", escreve Francisco Seixas da Costa.


Sem que haja uma data prevista para a publicação dos resultados, este e outros candidatos estão curiosos para saber quantos passarão à segunda fase do concurso do MNE, que consiste numa prova de língua portuguesa. São necessárias 60 respostas correctas no total de 93 questões. O PÚBLICO tentou obter uma reacção do MNE, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.»

 

Leitura complementar: As necessidades do Trivial Pursuit

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publicado às 12:49

Aos paladinos da generalidade da cultura da generalidade

por Samuel de Paiva Pires, em 20.03.13

Comentário anónimo retirado da caixa de comentários do post do Embaixador Francisco Seixas da Costa:

«Caros paladinos da generalidade da cultura da generalidade:

Sois umas almas metafísicas e vastas, tão metafísicas e tão vastas que certamente tudo sabeis acerca da escola do cinismo, da disputa das curilas, do estilo chão e do último faraó do egipto.

É curioso notar como todos estes gárrulos soldados da cultura de trivial pursuit que conheço pessoalmente são aqueles que mais liminarmente tombariam neste massacre dos guelfos.

Isto não é coincidência: quem não sabe nada, pensa que todo o conhecimento é válido por igual e logo, que todo o tipo de perguntas, desde que "não venham nos livros da escola",são igualmente "aceitáveis". 

Q.E.D: quanto mais se sabe de literatura, mais se percebe a comicidade involuntária (?) de colocar questões acerca de uma tirada de uma peça de Júlio Dantas, ou de uma famosa obra literária de Rousseau(desconhecida o suficiente para não constar de nenhuma enciclopédia de referência), que era um filósofo.

Para os filósofos da generalidade deixo à consideração a seguinte questão - uma pessoa que fala muito e diz pouco é, segundo Esopo:
1. Um prognata?
2. Um conhecedor íntimo da lei das sesmarias?
3. Um descendente por linha travessa de D.Filipa de Vilhena?
4. Um ignorante?

Os factos... os factos... (paráfrase de citação célebre de romance de Charles Dickens...)»


Leitura complementar: As necessidades do Trivial PursuitAinda a prova de cultura geral do concurso de acesso à carreira diplomática.

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publicado às 22:04

Um post do Embaixador Francisco Seixas da Costa. Recomenda-se também a leitura dos comentários ao mesmo.


Leitura complementar: As necessidades do Trivial Pursuit.

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publicado às 11:59

As necessidades do Trivial Pursuit

por Estado Sentido, em 18.03.13


 

No passado Sábado, dia 16 de Março, na Faculdade de Direito de Lisboa, e durante uma pluviosa manhã, mais de 2000 cidadãos portugueses participaram na primeira prova do concurso externo de ingresso na carreira diplomática, a prova de Cultura Geral.

 

Esta primeira prova consistia num teste escrito em formato de escolha múltipla, que abrangeu variadíssimas temáticas, tais como: o ADN, a batalha de Alfarrobeira sob estranhos pontos de interesse, as acções familiares de Filipa de Vilhena, qual o planeta por onde passaríamos se viajássemos da Terra até Urano pelo caminho mais curto, o que é um amigo do alheio, o que significa ser uma pessoa prognata, o que foi o “estilo chão”, o que é um cefalópode, quem é que não tem ascendência portuguesa conhecida, quem realizou o “Pai Tirano”, qual é a raiz quadrada de 3.141, o que eram os Guelfos e, ainda, uma pergunta sobre Rousseau que envolvia averiguar um romance conhecido deste autor – sendo todas as opções de resposta algo obscuras a quem procuraria responder pelo ponto de vista relevante a este tipo de prova: o da filosofia política.

 

Tratemos objectivamente a situação: um concurso público para uma determinada carreira visa perfilar candidatos com potencial para a mesma através das suas diversas fases, e deve, por conseguinte, adequar todas as suas provas a esse objectivo. Esta prova de nada serviu a esse objectivo essencial. Aliás, como podemos ver por alguns dos exemplos, muitas foram as questões que ocuparam espaço que devia ter sido atribuído a questões bem mais relevantes ao perfil de um potencial diplomata.

 

Por exemplo, pesou a ausência de datas de tratados internacionais, sobre o que estes eram e, até, nomes dos mais relevantes à estruturação do sistema internacional como hoje o conhecemos. Bastariam umas curtas questões sobre dados históricos que são essenciais a provar que o cidadão em teste é de facto sequer adequado ao concurso a que se propõe, mas infelizmente estiveram largamente em falta.

 

Em termos de temáticas que edifiquem de facto a cultura de uma pessoa, e que são relevantes à definição do próprio conceito de cultura, sentiu-se a dor de um vácuo no que concerne a perguntas sobre o Renascimento, História da Fundação de Portugal, História do Estado, Geografia a sério (apenas duas questões do mais trivial possível), Etiqueta, grandes peças e impulsionadores na área da Música (nem os movimentos pré-modernos foram abordados) e o mesmo repete-se no mundo da Arte com as grandes escolas e vanguardas em absoluta falta, e, ainda, apenas constaram duas perguntas que procuravam de facto revelar o conhecimento sobre Literatura do candidato. Diga-se, ademais, que as que estavam presentes em nada testavam a cultura geral do candidato sobre Literatura Universal, a História da mesma e os grandes movimentos que a compuseram.

 

Em termos específicos a área de Relações Internacionais e Geopolítica foi largamente ignorada. Claro está, essa fase será tratada nos testes de conhecimento, mas de forma muito limitada dado o procedimento sobre esses testes e o facto deste pecar por não constituir um complemento mais desenvolto de algo prévio: nomeadamente um teste de cultura geral que testasse conhecimentos elementares sobre estas áreas, provavelmente as mais relevantes a um potencial diplomata.

 

Antiguidade Clássica, Judaísmo e Cristianismo, Império Carolíngio, Fundação de Portugal, a Guerra dos 100 anos e a Crise de 1383-85 e o estabelecimento da Aliança Luso-Britânica, a Ínclita Geração e os Descobrimentos, Conquista de Ceuta, o Renascimento, a Reforma e Contra-reforma, a Guerra dos 30 Anos, a Restauração e a política externa portuguesa, a luta pela hegemonia na Europa, a Paz de Vestefália e os Tratados de Osnabrück e Munster, o Tratado de Utrecht, a Guerra dos Sete Anos, Frederico II e a Prússia, o despertar da Rússia europeia, as Revoluções Inglesa, Americana e Francesa, o Iluminismo e Pombal, o Império Napoleónico, o Congresso de Viena e a Santa Aliança, 1830, 1848, a ascensão dos nacionalismos, a abolição da escravatura, a Guerra Franco-Alemã, Bismarck, Congresso de Berlim, a Restauração Meiji, a corrida para África e os ultimatos (Lisboa e Fachoda), a rivalidade Russo-Japonesa, a Belle Époque e Sarajevo, a I Guerra Mundial, os 14 pontos de Wilson e a auto-determinação, a Paz de Versalhes, a criação da SDN, a Revolução Soviética, a Conferência Naval de Washington, o crash bolsista de 1929 e a ascensão dos totalitarismos, o militarismo japonês, a Guerra Civil de Espanha (1936-1939), a conquista italiana da Abissínia (1936), o Pacto de Aço (eixo Roma-Berlim), a crise dos Sudetas, o pacto Germano-Soviético, a Conferência do Atlântico, a era atómica, a criação da ONU, da NATO e do Pacto de Varsóvia, a Guerra Fria, o advento da China maoísta, o conflito Coreano, a Conferência de Bandung, os Tratados de Roma, a crise dos mísseis de Cuba, a descolonização, as guerras israelo-arábes, os conflitos no sudeste asiático e Kissinger, o choque petrolífero, os Tratados SALT, a Revolução de 1974 e o novo enquadramento internacional de Portugal, a Conferência de Helsínquia, a Revolução Iraniana, a era Reagan e Thatcher, a invasão do Afeganistão, o Solidariedade e o desmoronar do bloco soviético, Glasnost e Perestroika, a Queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria, as Guerras do Golfo, Fukuyama e O Fim da História e Huntington e o Choque de Civilizações, os PALOP, a CPLP e a independência de Timor, a ascensão do islamismo, o 11 de Setembro, o declínio do Ocidente e a ascensão dos BRIC e a crise financeira, entre outros elementos da História da Humanidade e da actualidade, foram esquecidos neste teste. Ao invés, tivemos questões como aquelas com que começámos este post, entre outras mais bizarras e/ou mais rebuscadas e obscuras.

 

Desta forma, aqui graciosamente deixamos algumas sugestões para num futuro exame procederem a uma liminar selecção de candidatos com vocação e perfil para servir a diplomacia nacional.

 

Julgamos que o teste de Sábado passado não se coaduna com o propósito de selecção num dos mais importantes concursos públicos para o Estado Português, a sua projecção, a sua continuidade e a sua influência, sendo esta, contudo, uma situação facilmente ultrapassável. Estes considerandos respeitam tão-somente às matérias a avaliar, embora não seja despiciendo referir as dúvidas levantadas pela generalidade dos examinandos no concernente à perfeita identificação dos mesmos e da autoria dos correspondentes testes entregues.

 

João Teixeira de Freitas

Nuno Castelo-Branco

Samuel de Paiva Pires

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publicado às 00:45

Sobre o concurso de acesso à carreira diplomática

por Samuel de Paiva Pires, em 16.03.13

Hoje descobri que sou um inculto. E que a avaliar pelo nível de exigência do teste de cultura geral no concurso de acesso à carreira diplomática, vamos passar a ter o corpo diplomático mais culto da galáxia e arredores.

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publicado às 18:52

O Mandrake, um nasi goreng e o mau café Star Bucks

por Nuno Castelo-Branco, em 24.12.12

A SIC convida, o Expresso publica e o ruído ecoa pelos outros órgãos de comunicação social. Os inevitáveis "eu não disse?" correram de boca em boca, num bastante pavloviano salivar pelo regresso aos lugares já julgados ao alcance de um golpe de mão. 

 

Era falso, o homem que por mero acaso também não será engenheiro, mas em todos vê potenciais Patacôncios, é tão autêntico como o Professor Mandrake. Serviu para aquilo a que nos temos habituado, cozinhando-se assim mais um casinho servido em mesas redondas, expressos médio nocturnos, eixos do mais ou menos mal e outras tantas visitas ao comboio fantasma. Este grupo Balsemão do apresenta e logo desmente, nem sequer se preocupa em averiguar ou autenticar as "querdenciais" dos nomes arrastados para os seus horários enche-tolos e pouca diferença teria feito se em vez do Baptista, tivesse promovido uma qualquer reedição do gonçalveiro "Dia de Trabalho para a Nação", aquela gesta stakhanovista  que como muito bem se sabe, acabou em revolucionários, mas privados bolsinhos.

 

A "esquerda das causas" alegremente endossou o milionésimo cheque falso e até o conhecido ex-croqueteiro de Paris* teve mais uma das incontornáveis tiradas gastronómicas, deixando-nos na dúvida quanto à sua opção por um nasi goreng na Indonesian Lounge ou pelo mauzito cappuccino ao estilo Star Bucks na cafetaria da ONU.

 

Aqui fica uma pequena ajuda ao conhecido "embeijador de coquitéis". Degluta o nasi goreng e remate o repasto com o péssimo café. Eis o que sobra de toda a estória, pelo menos o ano morre de forma risonha.

 

* Horas depois da fraude Baptista ser evidente e difundida urbi et orbi, a "fina ironia do embeijador" garantia isso mesmo num convenientemente alinhavado P.S.: as suas estrambólicas palavras "não tinham passado" de uma bela, diplomática  e finérrima ironia que ninguém entendeu. É, devemos ser todos muito "burros", melhor figura faríamos se comêssemos mais croquetes. Quanto ao engasgado degustador de salés et friandises, parece-nos que bem podia ter seguido pelo mais digno caminho de Nicolau Santos, publicando uma autocrítica em duas linhas. 

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publicado às 10:49






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