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Ontem escrevi no Facebook que gostei de ouvir Sócrates falar sobre política, especialmente quando iniciou essa parte da entrevista, porque se notou que percebe tanto de teoria política como eu de crochet. Hoje escrevo porquê.

 

Em primeiro lugar, porque Sócrates acha, com o intuito de defender a investidura do governo de António Costa, que em política só existe a legitimidade formal, constitucional, como se não existisse uma legitimidade material derivada do sentido de voto expresso nas urnas, que indicou claramente, à luz da tradição do nosso regime democrático, que seria a coligação Portugal à Frente a formar governo.

 

Em segundo lugar, para procurar refutar o argumento ancorado na tradição, o mestre pela Sciences Po aproveitou a ocasião para dar o exemplo de Robert Walpole, Primeiro-Ministro britânico entre 1721 e 1742, que teve de enfrentar uma Motion of No Confidence no parlamento e perdeu, demitindo-se, consequentemente, do cargo. Isto, para Sócrates, consubstancia uma tradição de não governar contra o parlamento. Ora, Sócrates esquece-se que não estamos no Reino Unido do século XVIII nem sequer no dos dias de hoje, mas na III República Portuguesa, na qual a tradição tem sido sempre a de que forma governo quem ganha as eleições, contando com a abstenção do ou dos partidos do arco da governação que estejam na oposição aquando da aprovação do Programa de Governo. E isto serve também para aqueles que, pateticamente, procuram argumentar dando o exemplo da Dinamarca e da série televisiva Borgen (a que nunca assisti). A este propósito, é particularmente útil a explicação de Miguel Morgado:

Um regime político depende sempre da experiência cívica dos seus cidadãos. No caso português temos uma tradição política democrática de 40 anos, de experiência cívica. As pessoas sabem, ou sabiam até António Costa perpetrar esta fraude, para que é que estavam a votar. No caso de outras experiências democráticas que muitas vezes se anunciam só há um país, em vinte e oito democracias, um país apenas onde o primeiro-ministro é proveniente de um partido que foi derrotado nas eleições: a Dinamarca. Os outros casos, que não são assim tantos, onde se fala de primeiros-ministros provenientes de partidos menos votados constituem coligações formais de Governo.

 

Em terceiro lugar, Sócrates repudiou a interferência da moral na política, qual Maquiavel de vão de escada. A interpretação mais corrente da contribuição de Maquiavel para a teoria política afirma que este operou a separação entre a moral e a política, quando, na verdade, parece-me bem mais verdadeira a interpretação de Isaiah Berlin, que em "The Originality of Machiavelli" afirma que o que Maquiavel alcança não é a separação entre a política e a moral, nem sequer a “emancipação da política em relação à ética ou à religião,” mas algo mais profundo, a “diferenciação entre dois ideais de vida incompatíveis e, portanto, duas moralidades.” Uma é a moralidade pagã cujos valores são “a coragem, vigor, força na adversidade, reconhecimento público, ordem, disciplina, felicidade, força, justiça, acima de tudo a afirmação de revindicações próprias e o conhecimento e poder necessários para assegurar a sua satisfação;” e a outra é a moralidade cristã, com os ideais da “caridade, misericórdia, sacrifício, amor a Deus, perdão aos inimigos, desprezo pelos bens deste mundo, fé na vida depois da morte, crença na salvação da alma individual como sendo de valor incomparável,” e, portanto, “superior, e até incomensurável em relação a qualquer outro objectivo terrestre, social ou político, ou qualquer consideração económica, militar ou estética.”(1)

 

Por último, na sequência das declarações do ponto anterior, Sócrates afirmou ainda que a moral é a relação de cada um com a sua consciência. É incrível que esta suprema idiotice subjectivista, que qualquer estudante de filosofia do secundário pode refutar facilmente, não tenha sequer sido questionada pelo entrevistador. Que Sócrates se vanglorie de ter obtido a melhor nota no seu mestrado só torna tudo isto ainda mais caricato. 

 

(1) Isaiah Berlin, The Proper Study of Mankind, ed. Henry Hardy e Roger Hausheer (New York: Farrar, Straus and Giroux, 2000), 289.

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publicado às 18:31

O relativismo cognitivo reforça a ética da convicção

por Samuel de Paiva Pires, em 09.10.13

 

Raymond Boudon, Os Intelectuais e o Liberalismo:

 

«Podemos afirmar que estes diversos factores – a descida média das exigências escolares e universitárias, a implantação de uma epistemologia que desvaloriza o conceito de um saber objectivo – produziram ainda outro efeito de importância crucial: contribuíram para um alastramento do moralismo nos meios do ensino e, mais ainda, nos meios intelectuais, já que é mais fácil emitir um juízo moral sobre um determinado episódio histórico ou sobre um determinado fenómeno social do que compreendê-lo. Compreender pressupõe ao mesmo tempo informação e competência analítica. Emitir um juízo moral, pelo contrário, não pressupõe nenhuma competência especial. O reconhecimento da capacidade de compreender pressupõe uma concepção objectivista do conhecimento. O reconhecimento da capacidade de sentir, não. Acresce que, se um dado juízo moral vai ao encontro da sensibilidade de um certo público, ou cumpre os dogmas que cimentam uma determinada rede de influência, pode ser socialmente rentável.

 

A isto é preciso acrescentar, antecipando uma objecção possível, que o relativismo cognitivo – o relativismo em matéria de saber – não implica de maneira nenhuma o relativismo em matéria de moral. Pelo contrário, o relativismo cognitivo estimula a ética da convicção. Porque, como uma convicção não pode, à luz do relativismo cognitivo, ser objectivamente fundamentada, o facto de ser vivida como justa é facilmente encarado como único critério que permite validá-la. Este critério tende por isso a ser considerado necessário e suficiente. O episódio do Quebeque a que anteriormente me referi, em que um grupo de feministas propôs que fossem atenuadas as exigências do doutoramento a favor das mulheres, com o argumento de que o saber é sempre incerto enquanto as exigências morais são irrecusáveis, é um exemplo que atesta este efeito.

 

Assim se compreende que a desvalorização do saber possa ser acompanhada de uma sobrevalorização da moral ou, mais exactamente, de uma exacerbação das exigências em matéria de igualdade em detrimento de outros valores. É talvez este fenómeno que algumas expressões hoje repetidas à exaustão tentam captar: «o pensamento único», «o politicamente correcto», a political correctness.» 

 

Leitura complementar: "Por isso pouco importa que a obesidade do Estado central prejudique toda a gente"

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publicado às 12:51

Hoje, dia 20 de Dezembro de 2012, cheguei a uma triste conclusão: Em Portugal é possível fraudar a Segurança Social e, simultaneamente, obter a carta de alforria por banda do poder judicial. Imaginem o seguinte - apelo à vossa imaginação, mas, aproveito para dizer que estamos perante um caso bastante verídico: (1) um determinado departamento jurídico da Segurança Social investiga e instrui um caso de fraude, passado algures em solo nacional, em que conclui pela existência de fortes indícios de fraude e abuso dos dinheiros públicos; (2) remete o caso para o Ministério Público que, perante as seriíssimas evidências de atropelo aos normativos legais e de locupletamento dos recursos públicos por parte de um determinado cidadão, emite o respectivo despacho de acusação; (3) o juiz, por fim, e a destempo, arquiva o processo, afirmando, vejam só, que os indícios são fortes, mas que, perante o não cumprimento do prazo de contestação por banda do departamento jurídico da Segurança Social, não pode dar seguimento ao julgamento. Em suma, neste país qualquer cidadão, maior de 18 anos e com dois dedos de testa, tem via livre para usar os dinheiros da Segurança Social a seu bel-prazer, designadamente através do reles esquema das baixas fraudulentas com o recebimento, em simultâneo, do salário, sem que tenha de temer a acção correctora do Leviatã. E tudo isto porquê? Porque há profissionais do direito pagos pela Segurança Social que não cumprem a tempo e horas os objectivos que lhes foram cometidos e, também, porque temos um sistema de justiça medieval, estribado em manobras dilatórias e num processualismo bacoco e pombalino, em que o que verdadeiramente compensa é o chico-espertimo que se aproveita inteligentemente da leniência generalizada vigente neste "torpe dejecto de romano império". Acreditar neste país torna-se a cada dia que passa mais difícil. Com exemplos destes, não sairemos deste lodaçal peçonhento.

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publicado às 20:36

Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray:

 

«Começou a perguntar a si mesmo se nós poderíamos um dia tornar a psicologia uma ciência tão absoluta que nos pudesse revelar as mais recônditas molas da vida. Com as noções de que dispúnhamos equivocámo-nos sempre a respeito de nós mesmos e raras vezes compreendíamos os outros. A experiência nenhum valor ético possuía. Era apenas o nome que os homens davam aos seus erros. Os moralistas haviam-na, em regra, considerado como um modo de advertência, haviam-lhe atribuído uma certa eficácia ética na formação do carácter, haviam-na exaltado como alguma coisa que nos ensinava o que devíamos seguir e nos mostrava o que devíamos evitar. Mas na experiência nenhuma força motriz existia. Era uma causa activa tao exígua como a própria consciência. A única coisa que ela deveras demonstrava era que o nosso futuro havia de ser o mesmo que o nosso passado, e que o pecado que nós uma vez havíamos cometido com repugnância o volveríamos a cometer muitas vezes, e com prazer.»

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publicado às 22:22

Capitalismo e moral

por Samuel de Paiva Pires, em 10.11.11

Anthony de Jasay, Finance in Parrot Talk:

 

«Where capitalism is superior to its real or putative alternatives is in its relation to morality. It is the only system where the optimal rule to follow in order to achieve success is "honesty is the best policy", ( though following a rule is not the only or necessarily a better road to success than not following one). Capitalism, as has been recognised by the more intelligent among its defenders, systematically economises morality: it needs less of it than other systems in order to function properly. It achieves more with morally fallible human agents than in other systems could hope to do by relying on the scarce supply of clean-handed, selfless, public-spirited people they could find. Capitalism shrinks the opportunities for corruption, pre-capitalist and socialist systems open them widely.»

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publicado às 01:10

Um post vaidoso

por Samuel de Paiva Pires, em 21.09.11

 

Nos últimos meses, entre os livros que precisei de ler para a tese de mestrado e os habituais livros de cariz filosófico e político, reli o Leopardo de Lampedusa e li A Servidão Humana de Somerset Maugham e Memória das Minhas Putas Tristes de Garcia Márquez, estando agora a ler A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera e O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde. Este último é das melhores coisas que já li. A escrita estética e estilisticamente bela, filosoficamente paradoxal e com contornos que ainda hoje podem ser considerados chocantes para muitos indivíduos, é simplesmente deliciosa.

 

Quanto mais clássicos leio, mais reforçada fica a ideia de que deveria antes dedicar-me às dimensões da eternidade da literatura e da filosofia. A política e a economia do aqui e agora da espuma dos dias sabem a muito pouco. O mediatismo reveste uma realidade que é intelectualmente muito pouco estimulante e demasiado pobre, chegando o decadente lodo da nossa televisiva e jornaleira infeliz existência a ser esmagadoramente claustrofóbico. O que não significa que, paradoxalmente, eu não vá vivendo neste lodo e, dentro do meu parco raio de acção, agindo e reagindo aos outputs do mesmo. O que, por seu lado, também não significa que esteja disposto a entrar em todo e qualquer debate com toda e qualquer pessoa. As pessoas atribuem demasiada importância a si próprias e às outras, bem como às discussões que encetam. Eu repudio o relativismo intelectual, o politicamente correcto e o dogma da igualdade. Tenho na tolerância uma ideia base do meu pensamento, mas isso não quer dizer que tenha que aceitar sem criticar todas as opiniões, aparências ou acções. Pelo contrário, critico muitas e não as respeito a todas. Ao contrário do que fazia até há poucos meses, deixei de perder tempo em debates espúrios, apenas entrando nos debates que quero e com aqueles que considero intelectualmente dignos de respeito e admiração.

 

As coisas são o que são, e todos nós fazemos juízos de valor uns dos outros. Todos somos passíveis de ser alvos da crítica ou admiração de terceiros, e certo é que "O número dos que nos invejam confirma as nossas capacidades” (Wilde). Contudo, alguns levam-no ao extremo e passam da mera constatação de facto ou de valor, possuindo até um pendor evangelizador, normalmente perpassado por uma atitude alegadamente moralista de quem egoisticamente quer corrigir os outros e fazê-los viver como vive, não passando, portanto, de um hipócrita, porquanto, como escreveu Wilde, "A moralidade é apenas a atitude que adoptamos para com as pessoas de que pessoalmente não gostamos”. Pode ser pessoalmente ou apenas intelectualmente, não se coibindo muitos indivíduos de tentar entrar em debate com outros ou criticá-los em termos meramente mesquinhos, quando não mesmo ignorantes e até absolutamente estúpidos. Como o mesmo autor salientou, "Não há outro pecado além da estupidez", e eu tenho cada vez menos paciência para lidar com esta. O meu caminho paradoxal para a verdade sou eu que o faço, pelo que dispenso as advertências inusitadas criticando a minha alegada incoerência - posto que “A coerência é a virtude dos imbecis” (Wilde), e talvez por isso seja muito apreciada em política, não tanto pelos seus actores maiores mas mais pelos seus públicos de onde recolhem as respectivas votações – assim como os conselhos vindos de quem muito provavelmente precisa mais deles do que a minha pessoa.

 

Nesta peça trágico-cómica que é o nosso país – e o mundo –, cujo “elenco é um horror" (Wilde), em que, como dizia alguém, a inveja é o desporto nacional, é perfeitamente repulsiva a exasperante realidade que nos tolhe a mente, pelo que cada vez mais me dou conta, como Wilde, “de que tudo o que é magnífico se prende com o indivíduo, e que não é o momento que faz o homem, mas o homem que cria o seu tempo”. Nesta época em que a ciência é talvez o maior dos avanços da humanidade, tudo o que ainda vale a pena descobrir está contido em nós próprios. Desde a minha imberbe adolescência que me recordo de ser adjectivado de arrogante, vaidoso e pouco modesto, em especial por professores. Nos últimos anos, o leque alargou-se a alguns amigos e muitos conhecidos e desconhecidos. Se há uns 7 ou 8 anos isto me fazia sentir mal e me deixava a pensar, o erro de todos eles é pensarem que a pessoa que sou hoje se importa com isso, quando essa é uma característica distintiva do meu carácter que assumi plenamente. Como escreveu Wilde, "A vaidade é uma das principais virtudes, e, no entanto, poucas pessoas admitem que a procuram e a tomam como objectivo. É na vaidade que muitos homens ou mulheres encontraram a salvação, mas, apesar disso, a maioria das pessoas arrasta-se a quatro patas em demanda da modéstia”. As pessoas perdem demasiado tempo a tentar corrigir os outros, sem que sequer sejam capazes de reflectir sobre os seus próprios defeitos. Se eu nem para a minha pessoa sou moralmente correcto, como posso querer corrigir moralmente os outros? Isto não implica, contudo, que não os critique. E por isso subscrevo aquela frase de Gore Vidal que o João Gonçalves salientou aqui há tempos: «-Van Vooren: É sensível às críticas? -Vidal: Não. Decidi cedo que aquilo que penso dos outros é mais importante do que aquilo que eles pensam sobre mim. Qualquer jogo tem de ter um árbitro e, então, decidi que eu seria o árbitro. »

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publicado às 13:05

Em nome da liberdade (XXXIV) - Coerção e moralidade

por Samuel de Paiva Pires, em 29.05.11

Dedico a todos os arautos da moralidade - socialistas, comunistas, jacobinos, nacionalistas, integralistas, beatos e afins - sempre prontos a prescrever as suas condutas morais como ideais e melhores, não hesitando em utilizar a coerção estatal para as impôr, e a condenar as dos outros que em nada os afectam, este naco de prosa directamente retirado da minha dissertação de mestrado sobre F. A. Hayek:

 

 

Apesar de o estado utilizar a coerção para determinadas actividades como a cobrança de impostos ou o serviço militar obrigatório, estas são previsíveis e gerais, aplicando-se a todos os indivíduos independentemente da forma como empregariam as suas energias em alternativa a estas imposições, e isto retira-lhes a carga valorativa negativa que normalmente reveste a coerção. Hayek considera que fora do campo da tributação, “é provavelmente desejável que devamos aceitar apenas a prevenção de coerção mais severa como justificação para a utilização da coerção pelo governo. Este critério talvez não possa ser aplicado a cada regra legal individual mas sim ao sistema legal como um todo. (…) Mas toda a concepção de interferência ou não-interferência pelo estado assenta na assumpção de uma esfera privada delimitada por regras gerais impostas pelo estado”[1].

 

A questão que Hayek coloca é se o estado deve ou não ir para além desta imposição de regras gerais, assinalando que “onde as práticas privadas não possam afectar outros que não os voluntários actores adultos, a mera oposição ao que seja feito por outros, ou até o conhecimento de que outros se prejudiquem a eles próprios através das suas acções, não providencia qualquer base legítima para a coerção”[2]. Em resumo, a moralidade de uma acção não é passível de ser objecto de controlo coercivo pelo estado, e a esmagadora maioria das regras de conduta que não afectam directamente a esfera privada de terceiros são de carácter voluntário - o que não significa que as regras de conduta estejam isentas da pressão da opinião pública. Como Hayek acaba por concluir, “É de facto provável que mais mal e miséria tenham sido causados por homens determinados a utilizar a coerção para acabar com um mal moral que por homens com a intenção de fazer o mal”[3].



[1] F. A. Hayek, The Constitution of Liberty, Londres, Routledge, 2010, p. 127.

[2] Ibid., p. 127.

[3] Ibid., p. 128. 

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publicado às 21:43

Em nome da liberdade (XXIX) - Crenças e factos

por Samuel de Paiva Pires, em 07.03.11

 

Embora Hayek o tenha escrito num contexto em que os partidos conservadores europeus haviam capitulado ante o colectivismo do pós-guerra, em 1960, o poderoso post-scriptum a The Constitution of Liberty, intitulado "Why I Am Not a Conservative", continua a ser uma fonte de onde várias ilações podem ser retiradas, quer quanto ao caminho prosseguido pelos partidos conservadores, ao apropriarem-se do que comummente se designa por neo-liberalismo, quer quanto ao que conservadorismo e liberalismo devem compatibilizar para fazer frente ao socialismo. Não por acaso, uma e outra doutrina reclamam-se herdeiras dos mesmos autores (Hume, Burke, Tocqueville, Acton, Smith, p. ex.). A versão integral pode ser consultada aqui, deixando ficar à consideração dos preclaros leitores e leitoras esta passagem:

 

«Personally, I find that the most objectionable feature of the conservative attitude is its propensity to reject well-substantiated new knowledge because it dislikes some of the consequences which seem to follow from it - or, to put it bluntly, its obscurantism. I will not deny that scientists as much as others are given to fads and fashions and that we have much reason to be cautious in accepting the conclusions that they draw from their latest theories. But the reasons for our reluctance must themselves be rational and must be kept separate from our regret that the new theories upset our cherished beliefs. I can have little patience with those who oppose, for instance, the theory of evolution or what are called "mechanistic" explanations of the phenomena of life because of certain moral consequences which at first seem to follow from these theories, and still less with those who regard it as irrelevant or impious to ask certain questions at all. By refusing to face the facts, the conservative only weakens his own position. Frequently the conclusions which rationalist presumption draws from new scientific insights do not at all follow from them. But only by actively taking part in the elaboration of the consequences of new discoveries do we learn whether or not they fit into our world picture and, if so, how. Should our moral beliefs really prove to be dependent on factual assumptions shown to be incorrect, it would hardly be moral to defend them by refusing to acknowledge facts

 

(também publicado no blog da Causa Liberal)

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publicado às 02:11

Aproveitando a referência do Manuel a Ayn Rand, autora que me tem prendido a leitura nos intervalos do estudo para os exames, deixo alguns excertos retirados da brilhante e poderossíssima palestra "Faith and Force: The destroyers of the modern world", que podem encontrar na colecção de ensaios de Rand Philosophy: Who needs it, ou na versão audio aqui. A quase totalidade encontra-se também neste site. Sei que ninguém ou quase ninguém se irá dar ao trabalho de ler este extenso post mas, ainda assim, não poderia deixar passar em branco tamanha demonstração de clarividência. Recomenda-se vivamente a todos os comunistas, socialistas, bloquistas, nazis, kantianos, rousseaunianos, jacobinos e afins:

 

 

"The three values which men held for centuries and which have now collapsed are: mysticism, collectivism, altruism.  Mysticism -- as a cultural power -- died at the time of the Renaissance.  Collectivism -- as a political ideal -- died in World War II.  As to altruism -- it has never been alive.  It is the poison of death in the blood of Western civilization, and men survived it only to the extent to which they neither believed nor practiced it.  But it has caught up with them -- and that is the killer which they now have to face and to defeat. That is the basic choice they have to make.  If any civilization is to survive, it is the morality of altruism that men have to reject."

 

(...)

"What is the morality of altruism?  The basic principle of altruism is that man has no right to live for his own sake, that service to others is the only justification of his existence, and that self-sacrifice is his highest moral duty, virtue and value.
Do not confuse altruism with kindness, good will or respect for the rights of others.  These are not primaries, but consequences, which, in fact, altruism makes impossible.  The irreducible primary of altruism, the basic absolute, is self-sacrifice -- which means: self-immolation, self-abnegation, self-denial, self-destruction --- which means: the self as a standard of evil, the selfless as the standard of the good."

 

(...)

 

"Now there is one word -- a single word -- which can blast the morality of altruism out of existence and which it cannot withstand -- the word: "Why?"  Why must man live for the sake of others? Why must he be a sacrificial animal?  Why is that the good?  There is no earthly reason for it -- and, ladies and gentlemen, in the whole history of philosophy no earthly reason has ever been given.

It is only mysticism that can permit moralists to get away with it.  It was mysticism, the unearthly, the supernatural, the irrational that has always been called upon to justify it -- or, to be exact, to escape the necessity of justification.  One does not justify the irrational, one just takes it on faith.  What most moralists -- and few of their victims -- realize is that reason and altruism are incompatible And this is the basic contradiction of Western civilization: reason versus altruism.  This is the conflict that had to explode sooner or later.

The real conflict, of course, is reason versus mysticism.  But if it weren't for the altruist morality, mysticism would have died when it did die -- at the Renaissance -- leaving no vampire to haunt Western culture.  A "vampire" is supposed to be a dead creature that comes out of its grave only at night -- only in the darkness -- and drains the blood of the living.  The description, applied to altruism, is exact."

 

(...)

 

"Let us define our terms.  What is reason?  Reason is the faculty which perceives, identifies and integrates the material provided by man's senses.  Reason integrates man's perceptions by means of forming abstractions or conceptions, thus raising man's knowledge from the perceptual level, which he shares with animals, to the conceptual level, which he alone can reach. The method which reason employs in this process is logic -- and logic is the art of non-contradictory identification.   What is mysticism?   Mysticism is the acceptance of allegations without evidence or proof, either apart from or against the evidence of one's senses and one's reason.  Mysticism is the claim to some non-sensory, non-rational, non-definable, non-identifiable means of knowledge, such as "instinct," "intuition," "revelation,' or any form of "just knowing."

 

"In Western civilization, the period ruled by mysticism is known as the Dark Ages and the Middle Ages.  I will assume that you know the nature of that period and the state of human existence in those ages.  The Renaissance broke the rule of the mystics.  "Renaissance" means "rebirth."  Few people today will care to remind you that it was a rebirth of reason -- of man's mind.
In the light of what followed -- most particularly, in the light of the industrial revolution -- nobody can now take faith, or religion, or revelation, or any form of mysticism as his basic and exclusive guide to existence, not in the way it was taken in the Middle Ages.  This does not mean that the Renaissance has automatically converted everybody to rationality; far from it.  It means only that so long as a single automobile, a single skyscraper or a single copy of Aristotle's Logic remains in existence, nobody will be able to arouse men's hope, eagerness and joyous enthusiasm by telling them to ditch their minds and rely on mystic faith.  This is why I said that mysticism, as a cultural power, is dead.  Observe that in the attempts at a mystic revival today, it is not an appeal to life, hope and joy that the mystics are making, but an appeal to fear, doom and despair.  "Give up, your mind is impotent, life is only a foxhole," is not a motto that can revive a culture.
Now, if you ask me to name the man most responsible for the present state of the world, the man whose influence has almost succeeded in destroying the achievements of the Renaissance -- I will name Immanuel Kant.  He was the philosopher who saved the morality of altruism, and who knew that what it had to be saved from was -- reason.

This is not a mere hypothesis.  It is a known historical fact that Kant's interest and purpose in philosophy was to save the morality of altruism, which could not survive without a mystic base.  His metaphysics and his epistemology were devised for that purpose.  He did not, of course, announce himself as a mystic -- few of them have, since the Renaissance.  He announced himself as a champion of reason -- of "pure" reason.
There are two ways to destroy the power of a concept:  one, by an open attack in open discussion -- the other, by subversion, from the inside; that is: by subverting the meaning of the concept, setting up a straw man and then refuting it.  Kant did the second.  He did not attack reason -- he merely constructed such a version of what is reason that it made mysticism look like plain, rational common sense by comparison. 
He did not deny the validity of reason -- he merely claimed that reason is "limited," that it leads us to impossible contradictions, that everything we perceive is an illusion and that we can never perceive reality or "things as they are."  He claimed, in effect, that the things we perceive are not real, because we perceive them.
"

 

(...)

 

"As to Kant's version of the altruist morality, he claimed that it was derived from "pure reason," not from revelation -- except that it rested on a special instinct for duty, a "categorical imperative" which one "just knows." His version of morality makes the Christian one sound like a healthy, cheerful, benevolent code of selfishness.  Christianity merely told man to love his neighbor as himself;  that's not exactly rational -- but at least it does not forbid man to love himself.  What Kant propounded was full, total, abject selflessness: he held that an action is moral only if you perform it out of a sense of duty and derive no benefit from it of any kind, neither material nor spiritual; if you derive any benefit, your action is not moral any longer.  This is the ultimate form of demanding that man turn himself into a "shmoo" -- the mystic little animal of the Li'l Abner comic strip, that went around seeking to be eaten by somebody.
It is Kant's version of altruism that is generally accepted today, not practiced -- who can practice it? -- but guiltily accepted.  It is Kant's version of altruism that people, who have never heard of Kant, profess when they equate self-interest with evil.  It is Kant's version of altruism that's working whenever people are afraid to admit the pursuit of any personal pleasure or gain or motive -- whenever men are afraid to confess that they are seeking their own happiness -- whenever businessmen are afraid to say that they are making profits -- whenever the victims of an advancing dictatorship are afraid to assert their "selfish" rights.
The ultimate monument to Kant and to the whole altruist morality is Soviet Russia.

If you want to prove to yourself the power of ideas and, particularly, of morality -- the intellectual history of the nineteenth century would be a good example to study.  The greatest, unprecedented, undreamed of events and achievements were taking place before men's eyes -- but men did not see them and did not understand their meaning, as they do not understand it to this day.  I am speaking of the industrial revolution, of the United States and of capitalism.  For the first time in history, men gained control over physical nature and threw off the control of men over men -- that is: men discovered science and political freedom.  The creative energy, the abundance, the wealth, the rising standard of living for every level of the population were such that the nineteenth century looks like fiction-Utopia, like a blinding burst of sunlight, in the drab progression of most of human history.  If life on earth is one's standard of value, then the nineteenth century moved mankind forward more than all the other centuries combined.
Did anyone appreciate it?  Does anyone appreciate it now?  Has anyone identified the causes of that historical miracle?
They did not and have not.  What blinded them?  The morality of altruism.

Let me explain this.  There are, fundamentally, only two causes of the progress of the nineteenth century -- the same two causes which you will find at the root of any happy, benevolent, progressive era in human history.  One cause is psychological, the other existential -- or: one pertains to man's consciousness, the other to the physical conditions of his existence.  The first is reason, the second is freedom.  And when I say "freedom," I do not mean poetic sloppiness, such as "freedom from want" or "freedom from fear" or "freedom from the necessity of earning a living."  I mean "freedom from compulsion -- freedom from rule by physical force."  Which means: political freedom.
These two -- reason and freedom -- are corollaries, and their relationship is reciprocal: when men are rational, freedom wins; when men are free, reason wins.
Their antagonists are: faith and force. 
These, also, are corollaries: every period of history dominated by mysticism, was a period of statism, of dictatorship, of tyranny.  Look at the Middle Ages -- and look at the political systems of today.
The nineteenth century was the ultimate product and expression of the intellectual trend of the Renaissance and the Age of Reason, which means: of a predominantly Aristotelian philosophy.  And, for the first time in history, it created a new economic system, the necessary corollary of political freedom, a system of free trade on a free market: capitalism.
No, it was not a full, perfect, unregulated, totally laissez-faire capitalism -- as it should have been.  Various degrees of government interference and control still remained, even in America -- and this is what led to the eventual destruction of capitalism.  But the extent to which certain countries were free was the exact extent of their economic progress.  America, the freest, achieved the most.
Never mind the low wages and harsh living conditions of the early years of capitalism.  They were all that the national economies of the time could afford.  Capitalism did not create poverty -- it inherited it.  Compared to the centuries of precapitalist starvation, the living conditions of the poor in the early years of capitalism were the first chance the poor had ever had to survive.  As proof -- the enormous growth of the European population during the nineteenth century, a growth of over 300 percent, as compared to the previous growth of something like 3 percent per century.
Now why was this not appreciated?  Why did capitalism, the truly magnificent benefactor of mankind, arouse nothing but resentment, denunciations and hatred, then and now?  Why did the so-called defenders of capitalism keep apologizing for it, then and now?  Because, ladies and gentlemen, capitalism and altruism are incompatible.
Make no mistake about it -- and tell it to your Republican friends: capitalism and altruism cannot coexist in the same man or in the same society.

Tell it to anyone who attempts to justify capitalism on the ground of the "public good" or the "general welfare" or "service to society" or the benefit it brings to the poor.  All these things are true, but they are the by-products, the secondary consequences of capitalism -- not its goal, purpose or moral justification.  The moral justification of capitalism is man's right to exist for his own sake, neither sacrificing himself to others nor sacrificing others to himself; it is the recognition that man -- every man -- is an end in himself, not a means to the ends of others, not a sacrificial animal serving anyone's need.
There is a tragic, twisted sort of compliment to mankind involved in this issue: in spite of all their irrationalities, inconsistencies, hypocrisies and evasions, the majority of men will not act, in major issues, without a sense of being morally right  and will not oppose the morality they have accepted.  They will break it, they will cheat on it, but they will not oppose it; and when they break it, they take the blame on themselves.  The power of morality is the greatest of all intellectual powers -- and mankind's tragedy lies in the fact that the vicious moral code men have accepted destroys them by means of the best within them.
So long as altruism was their moral ideal, men had to regard capitalism as immoral; capitalism certainly does not and cannot work on the principle of selfless service and sacrifice.  This was the reason why the majority of the nineteenth-century intellectuals regarded capitalism as a vulgar, uninspiring, materialistic necessity of this earth, and continued to long for their unearthly moral ideal.  From the start, while capitalism was creating the splendor of its achievements, creating it in silence, unacknowledged and undefended (morally undefended), the intellectuals were moving in greater and greater numbers towards a new dream: socialism.

Just as a small illustration of how ineffectual a defense of capitalism was offered by its most famous advocates, let me mention that the British socialists, the Fabians, were predominantly students and admirers of John Stuart Mill and Jeremy Bentham.
The socialists had a certain kind of logic on their side; if the collective sacrifice of all to all is the moral ideal, then they wanted to establish this ideal in practice, here and on this earth.    The arguments that socialism would not and could not work, did not stop them: neither has altruism ever worked, but this has not caused men to stop and question it.  Only reason can ask such questions -- and reason, they were told on all sides, has nothing to do with morality, morality lies outside the realm of reason, no rational morality can ever be defined.
The fallacies and contradictions in the economic theories of socialism were exposed and refuted time and time again, in the nineteenth century as well as today.  This did not and does not stop anyone; it is not an issue of economics, but of morality.  The intellectuals and the so-called idealists were determined to make socialism work.  How? By that magic means of all irrationalists: somehow.

It was not the tycoons of big business, it was not the working classes, it was the intellectuals who reversed the trend toward political freedom and revived the doctrines of the absolute State, of totalitarian government rule, of the government's right to control the lives of the citizens in any manner it pleases.  This time, it was not in the name of the "divine right of kings," but in the name of the divine right of the masses.  The basic principle was the same: the right to enforce at the point of a gun the moral doctrines of whoever happens to seize control of the machinery of government.
There are only two means by which men can deal with one another: guns or logic.  Force or persuasion.  Those who know that they cannot win by means of logic, have always resorted to guns.
Well, ladies and gentlemen, the socialists got their dream.  They got it in the twentieth century and they got it in triplicate, plus a great many lesser carbon copies; they got it in every possible form and variant, so that now there can be no mistake about its nature: Soviet Russia -- Nazi Germany -- Socialist England.
This was the collapse of the modern intellectuals' most cherished tradition.  It was World War II that destroyed collectivism as a political ideal.  Oh, yes, people still mouth its slogans, by routine, by social conformity and by default -- but it is not a moral crusade any longer.  It is an ugly, horrifying reality -- and part of the modern intellectuals' guilt is the knowledge that they have created it.  They have seen for themselves the bloody slaughterhouse which they had once greeted as a noble experiment -- Soviet Russia.  They have seen Nazi Germany -- and they know that "Nazi" means "National Socialism."  Perhaps the worst blow to them, the greatest disillusionment, was Socialist England: here was their literal dream, a bloodless socialism, where force was not used for murder, only for expropriation, where lives were not taken, only the products, the meaning and the future of lives, here was a country that had not been murdered, but had voted itself into suicide.  Most of the modern intellectuals, even the more evasive ones, have now understood what socialism -- or any form of political and economic collectivism -- actually means.
Today, their perfunctory advocacy of collectivism is as feeble, futile and evasive as the alleged conservatives' defense of capitalism.  The fire and the moral fervor have gone out of it.  And when you hear the liberals mumble that Russia is not really socialistic, or that it was all Stalin's fault, or that socialism never had a real chance in England, or that what they advocate is something that's different somehow -- you know that you are hearing the voices of men who haven't a leg to stand on, men who are reduced to some vague hope that "somehow my gang would have done it better."
The secret dread of modern intellectuals, liberals and conservatives alike, the unadmitted terror at the root of their anxiety, which all of their current irrationalities are intended to stave off and to disguise, is the unstated knowledge that Soviet Russia is the full, actual, literal, consistent embodiment of the morality of altruism, that Stalin did not corrupt a noble ideal, that this is the only way altruism has to be or can ever be practiced.  If service and self-sacrifice are a moral ideal, and if the "selfishness" of human nature prevents men from leaping into sacrificial furnaces, there is no reason -- no reason that a mystic moralist could name -- why a dictator should not push them in at the point of bayonets -- for their own good, or the good of humanity, or the good of posterity, or the good of the latest bureaucrat's five-year plan.  There is no reason that they can name to oppose any atrocity. 
The value of a man's life?  His right to exist?  His right to pursue his own happiness?  These are concepts that belong to individualism and capitalism -- to the antithesis of the altruist morality.

Twenty years ago the conservatives were uncertain, evasive, morally disarmed before the aggressive moral self-righteousness of the liberals.  Today, both are uncertain, evasive, morally disarmed before the aggressiveness of the communists.  It is not a moral aggressiveness any longer, it is the plain aggressiveness of a thug -- but what disarms the modern intellectuals is the secret realization that a thug is the inevitable, ultimate and only product of their cherished morality.
I have said that faith and force are corollaries, and that mysticism will always lead to the rule of brutality.  The cause of it is contained in the very nature of mysticism.  Reason is the only objective means of communication and of understanding among men; when men deal with one another by means of reason, reality is their objective standard and frame of reference.  But when men claim to possess supernatural means of knowledge, no persuasion, communication or understanding are impossible.  Why do we kill wild animals in the jungle?  Because no other way of dealing with them is open to us.  And that is the state to which mysticism reduces mankind -- a state where, in case of disagreement, men have no recourse except to physical violence.  And more: no man or mystical elite can hold a whole society subjugated to their arbitrary assertions, edicts and whims, without the use of force.  Anyone who resorts to the formula: "It's so, because I say so," will have to reach for a gun, sooner or later.  Communists, like all materialists, are neo-mystics: it does not matter whether one rejects the mind in favor of revelations or in favor of conditioned reflexes.  The basic premise and the results are the same.
Such is the nature of the evil which modern intellectuals have helped to let loose in the world -- and such is the nature of their guilt.
"

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