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Grécia, Espanha e embaixadas a Roma

por John Wolf, em 24.05.15

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Portugal é um caso à parte. Não é a Grécia nem é a Espanha. Mas os acontecimentos em curso naqueles países podem ter ou terão efeitos indesejados neste país. Tsipras acaba de anunciar antecipadamente aquilo que era expectável. No dia 5 de Junho teremos o primeiro de uma série de defaults gregos. Não existem meios para pagar o que é devido ao Fundo Monetário Internacional e não existe margem política para implementar medidas  adicionais de austeridade. Enquanto esse evento "excêntrico" decorre, em Espanha ainda sopram ventos promissores do Podemos e Ciudadanos. O centro da Europa observa com apreensão. Os dois fenómenos podem funcionar em tandem, emprestando força numa relação de reciprocidade, de engrandecimento e risco. A Troika sabe que não pode penalizar aqueles que cumpriram o seu ditado. Nessa medida, Portugal não será percepcionado como um caso extremo, mas certas condições terão de ser observadas. Já registámos o "baixar da bolinha" do Partido Socialista. O próprio António Costa já chamou "tonta" a abordagem do Syriza, e ele tem boas razões para o fazer. Quer ganhar as eleições, mas essa vitória depende de um acordo pré-nupcial com a Alemanha, a União Europeia, o Banco Central Europeu, assim como outras instituições europeias. Para cumprir as promessas de obras públicas, reposição de pensões e salários, Costa apenas o poderá fazer com meios financeiros adequados, de preferência a fundo perdido, como tem sido apanágio dos socialistas sempre que tomam o poder. As movimentações hispano-gregas devem ser acompanhadas com muito interesse. As semanas que se seguem serão determinantes para Portugal. Portugal é um caso à parte. Começa a dar sinais de ímpeto económico, mas não embarquemos em aventuras. À Embaixada a Roma, esplendorosa e reluzente, seguiram-se ciclos de marasmo e decadência. O Museu dos Coches serve para recordar que cavalos alados fazem parte de um mundo de sonho e fantasia - narrativas que emanam do Largo do Rato com excessiva facilidade.

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publicado às 21:46

Museu dos Coches: diga lá quando ?

por Nuno Castelo-Branco, em 31.12.09

 

 

Quem passe pela zona da fábrica da electricidade em Belém, depara com um grande estaleiro de demolições. No sítio, erguer-se-á o novo Museu dos Coches, projecto tão controverso quanto necessário, por várias razões.

 

Pode ser bastante discutível a construção de um imenso bloco de betão naquela zona. Isto, em detrimento do espaço já existente e susceptível de ser prolongado através de um túnel que ligaria o Picadeiro à nova zona hipoteticamente situada na Calçada da Ajuda, em instalações desactivadas e que têm pertencido às Forças Armadas. Esta era entre outras, uma das propostas aventadas. Contudo, há que fazer algo que corrija a actual situação de desleixo e pouco interesse estético do conjunto de carruagens  que se encontram amontoadas sem qualquer critério.

 

A colecção deve ter uma apresentação condigna, com espaço, luz, qualidade ambiental e oferecendo a possibilidade de visitas mais longas às exposições a realizar. Decerto contaremos com mais viaturas provenientes de Vila Viçosa e se existir algum bom senso, o Museu poderá alargar em muito, o âmbito das suas actividades.

 

O que parece inacreditável, é a pressa no anúncio da conclusão da obra a ser inaugurada dentro de dez meses. Será possível tal milagre? Num país onde a construção de um pequeno colector de rua demora anos a fio, como podem ousar prometer a abertura de portas do Museu dos Coches no próximo 5 de Outubro de 2010 ? É um autêntico jogo do risco a que a tutela se sujeita e veremos se esse afã construtor não implicará como é habitual, uma colossal derrapagem de custos que claro está, jamais serão adjudicados às comemorações da famigerada república. Se a isto acrescentarmos a homenagem da Câmara Municipal de Lisboa ao Buíça - as tais pretensas "cartas de marear" no Terreiro do Paço-, aí temos a mais reles provocação em todo o seu duvidoso esplendor.

 

Sabemos como as coisas funcionam. Engenheiros que se atrasam nos projectos, modificações de última hora na arquitectura, faltas na entrega de materiais, etc. Desta vez, será salutarmente desejável o catastrófico adiamento da conclusão das ditas obras, eximindo o próprio regime à vergonha do enaltecer da usurpação, subversão, assassínio e toda uma longa série de deboches aviltantes que o regime de 1910 significou. Para nem sequer falarmos da apropriação de símbolos que significam precisamente o oposto daquilo que querem comemorar, isto é, a consagração dos futuramente anónimos senhores deste preciso momento.

 

Estas fortes chuvadas com as consequentes enxurradas, são um excelente sinal dado pelo braço forte de uma Natureza que é mais sábia que uns tantos milhões de neurónios alojados aqui e ali nos cérebros dos decisores dos nossos destinos e carteiras.

 

Existem sérias dúvidas acerca da viabilidade da dita inauguração na data anunciada. Esta gente gosta de anunciar e principalmente, de inaugurar para telejornal ver. Talvez - e com muita sorte - lá consigam realizar uma cerimónia onde cheguem nos nossos Mercedes pretos a 150.000 Euros/unidade, com batedores da policia e banda da GNR. Um grande discurso acerca das novas iniciativas do progresso, uma fita verde e vermelha a ser cortada por um desconhecido de ocasião e aí, a oficial inauguração do futuro colector de esgotos do futuro edifício do remotamente futuro Museu dos Coches. Tal e qual como as famosas auto-estradas inauguradas a metro. Logo a seguir, um grandioso repasto a ser debitado nas despesas de representação do Estado.

 

O povo paga para no final da obra concluída e ao ler as brochuras referentes ao Museu dos Coches, ter a perfeita consciência do valor da colecção e principalmente, a quem ela se deve.

 

Logo à entrada, inevitavelmente estará o retrato da fundadora, benevolamente sorridente e grandiosa no seu majestático porte. Quem se lembrará então dos presidentezinhos disto e daquilo, de ministrozecos de caspenta barbicha, das pançonas de secretários de Estado ou dos opinionistas regimentais? 

 

A realizar-se pela multiplicação de esbulhos, derrapagens e todo o tipo de subsidiarismos do costume, a inauguração do Museu dos Coches "em 5 de outubro de 2010", será um violento e masoquista estaladão que a república desfere na própria fuça. Ficamos a rir.

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publicado às 09:52

 

 

Nos últimos dias, recebi alguns e-mail "circular", onde é solicitada a minha adesão a um abaixo-assinado contra a edificação de um novo Museu dos Coches. Como obrigatória regra inerente à participação cívica - um dever entre nós bastante desprezado -, contribuo modestamente para protestar contra aleivosias e atropelos vários, onde a gestão danosa do património o conduz a um fim inglório e desnecessário. No entanto, desta vez não o farei.

 

O Museu dos Coches consiste na principal jóia museológica nacional, dada a espantosa quantidade e qualidade de viaturas ali expostas. Miraculosamente sobreviveram a um terramoto, invasões, várias revoluções e principalmente, à atávica indiferença que as entidades oficiais sempre manifestam quanto à preservação de um passado muitas vezes extravagante, mas nem por isso menos demonstrativo daquilo que fomos. Ao contrário das destruições e queimadas que reduziram a carvão as carruagens das cortes de Versalhes ou de S. Petersburgo, Portugal contabiliza uma colecção absolutamente extraordinária e sem par. Viaturas que percorrem três séculos de evolução técnica e artística, sendo de salientar o facto de muitas terem participado em importantes acontecimentos da nossa história, ainda se encontram em razoável estado de conservação, para deleite dos visitantes que ao Museu acorrem. 

 

Fundado mercê da teimosa insistência da benemérita rainha D. Amélia, a própria inauguração do Museu dos Coches consistiu num verdadeiro acontecimento sem precedentes em Portugal, dada a sempre avara renitência das autoridades políticas, a profundamente imbecil indiferença da inteligentsia da época e a dificuldade na concepção do próprio espaço de exibição permanente da enorme colecção disponível. D. Amélia porfiou e conseguiu realizar o projecto e apesar de algumas pequenas modificações, o Museu é sensivelmente semelhante àquele que abriu portas em 1905.

 

O maior serviço prestado pela sua existência oficial, consiste sobretudo, nesse mesmo acumular e conservação das carruagens que de outra forma há muito teriam desaparecido,tal como aconteceu a tantas outras colecções portuguesas. 

 

O actual Picadeiro Real transformado em armazém de um precioso espólio de talha dourada, é apenas isto e pouco mais. Diria mesmo tratar-se de uma simples "garagem" de viaturas fora de uso, praticamente empilhadas num cenário deveras encantador, mas totalmente contrário ao destaque que a maior parte das peças merece.  É quase impossível proceder a uma visita de forma criteriosa, pois os estilos e modelos que evoluíram ao longo dos tempos  surgem de forma heteróclita, num reduzidíssimo espaço, deficiente iluminação e patética organização que apenas imita de forma bastante ténue, aquilo que deverá ser um verdadeiro Museu. A solução encontrada pela soberana fundadora consistiu antes de tudo, no profundo desejo em conservar, não desprezando intuitos pedagógicos e coincidentes com a sua multifacetada personalidade, sempre disposta a trazer para Portugal, as "novidades" de uma época moderna que teimava em não chegar.

 

Hoje temos o dever de prosseguir o caminho em boa hora encetado pela rainha. É indispensável uma criteriosa catalogação de todas as viaturas - incluindo as de Vila Viçosa, cuja ausência mutila gravemente o todo - e a organização do espaço de exposição, que julgo dever ser repensado na forma de um projecto mais vasto e didáctico, com o regresso de aspectos complementares à vida das próprias carruagens, como o vestuário de época, os ofícios relativos à construção daquelas, pequenos espectáculos multimédia e porque não?, a extensão da colecção a algumas das viaturas motorizadas utilizadas pela Corte e que ainda existem algures em Portugal. Este é um maravilhoso museu do bom gosto da monarquia portuguesa, cujas preferências estéticas foram evoluindo ao longo do tempo, adequando-se à moda e à inovação técnica.

Tão relevante para a compreensão da história é a carruagem de Filipe II, como as espectaculares viaturas de aparato de D. João V e de D. José. Se  os coches de passeio, belos e de uma discreta riqueza, evocam a vida quotidiana da família real, temos por exemplo, o modesto landau do Regicídio que por sinal, é sem dúvida e a par da chamada Carruagem da Coroa, o veículo politicamente mais importante da nossa história. Se existir vontade das autoridades na persuasão do mecenato, poder-se-ão até incluir elementos  - boas cópias - dos adereços presentes na Aclamação dos monarcas, como bandeiras, o trono, o manto, os símbolos da realeza e uniformes que serviram nas cerimónias oficiais do Estado. O Museu deverá  ser visto como um todo explicativo das várias épocas que a colecção integra.

 

Os coches merecem bem um novo espaço, melhor organizado e exclusivamente concebido para uma grandiosa exposição, única no mundo. Será igualmente desejável que a absurda regra imposta pela tutela quanto à recolha e gestão do dinheiro dos ingressos seja revista, de modo a que uma política de rigoroso restauro tenha início. Desejo até que a maioria das viaturas possa um dia encontrar-se numa situação de operacionalidade. As razões para tal são óbvias.

 

Creio que o maior óbice quanto ao novo edifício a construir, consiste no aspecto arquitectónico do mesmo, que inevitavelmente terá de ser contemporâneo. Embora não me manifeste como grande entusiasta  dos figurinos plasmados no CCB, Torre do Tombo ou Expo, há que reconhecer que este novo Museu, consiste numa boa oportunidade para  criar um marco visível e prestigiante para Portugal. 

 

A escassos meses da comemoração da golpada subversiva que roubou Portugal a um destino sem dúvida mais progressivo e conforme a sua História, a edificação de um novo Museu dos Coches é a maior homenagem que o povo português pode prestar à rainha D. Amélia. Arrisco mesmo em afirmar que para a maioria silenciosa, tratar-se-á de um necessário exorcismo ao 5 de Outubro de 1910.  Aproveitemos a momento em que no desespero de causa, a própria república é pelos seus comemorada, recorrendo aos símbolos da monarquia portuguesa.

 

 

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publicado às 19:08






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