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A filosofia pós-moderna a mascarar a anomia

por Samuel de Paiva Pires, em 21.10.15

Alasdair_MacIntyre.jpg

 Alasdair MacIntyre, Whose Justice? Which Rationality?:

Nietzsche is of course not the only intellectual ancestor of modern perspectivism and perhaps not at all of modern relativism. Durkheim, however, provided a clue to the ancestry of both when he described in the late nineteenth century how the breakdown of traditional forms of social relationship increased the incidence of anomie, of normlessness. Anomie, as Durkheim characterized it, was a form of deprivation, of a loss of membership in those social institutions and modes in which norms, including the norms of tradition-constituted rationality, are embodied. What Durkheim did not foresee was a time when the same condition of anomie would be assigned the status of an achievement by and a reward for a self, which had, by separating itself from the social relationships of traditions, succeeded, so it believed, in emancipating itself. This seld-defined success becomes in different versions the freedom from bad faith of the Sartrian individual who rejects determinate social roles, the homelessness of Deleuze’s nomadic thinker, and the presupposition of Derrida’s choice between remaining “within,” although a stranger to, the already constructed social and intellectual edifice, but only in order to deconstruct it from within, or brutally placing oneself outside in a condition of rupture and discontinuity. What Durkheim saw as social pathology is now presented wearing the masks of philosophical pretension.

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publicado às 14:16

A morte do Ocidente

por Samuel de Paiva Pires, em 02.09.13

Tim Stanley, Conservatives: don't despair of our corrupted, decadent age. Write about it:

«Again, I cannot agree. Suicide is a nihilistic act that communicates not art but despair. But, again, as an Englishman and a Catholic I do share Mishima's instinctive dislike of all things contemporary. At times, it's like living in the ruins of a once great culture. All around you are the bare bones of a civilisation – the cathedrals, the municipal buildings, the art collections, the piers, the hotels, and the palaces. But the heart beats no more and the breath of life is gone.

In the words of Joe Orton, "Cleanse my heart … let me rage correctly." So what do I rage against? I hate our economic system that speculates on people as if they were cattle in a market. I hate modern art that swaps form for dead sharks; and modern music that exchanges harmony for noise. I hate our Conservative Party that preserves nothing and our Left that would destroy everything. I hate religious leaders who think that God is found "in the spaces" and that worship is therapy. I hate our pornographic culture, our tasteless battery foods, and our TV that treats adults like children and children like adults. I hate our obsession with irony, as if a shrug of the shoulders is cleverer than serious inquiry. I hate the death of chivalry, manners and the doffed hats. I hate our promotion of sex over romance – today's Brief Encounters are very different things. I hate the eradication of guilt and shame, very useful concepts that hold us back from indulgence. I hate the populism that passes for patriotism. I hate our obsession with youth, as if life ends after 30 (I'm 31). And most of all, I hate the new series of Doctor Who. It's the Death of the West in a nutshell.»

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publicado às 23:05

O triunfo da ignorância

por Samuel de Paiva Pires, em 25.02.13

Dá-me pena ouvir Camilo Lourenço neste vídeo que o Pedro aqui deixou, e que o João Pinto Bastos já comentou. Permitam-me ainda acrescentar, no mesmo sentido do que o João escreve, que, infelizmente, as afirmações de Camilo Lourenço são bem representativas de um certo espírito materialista e utilitarista que perpassa muitas mentes - um dos males de que estes nossos tempos pós-modernos enfermam -, que pensam tudo apenas do ponto de vista da economia, considerando que tudo se deve submeter a esta, toda a vida deve girar em torno desta, e que por isto, só as ciências duras e a técnica é que são úteis e só estas devem ser valorizadas, em detrimento de tudo o resto. Nem sequer percebem que a cultura, as artes, a literatura, a filosofia ou as ciências sociais em geral, são não só necessárias à vida, como também contribuem para a economia. Mentes num certo estado de ignorância, portanto. Completamente apropriadas para o espaço merdiático que temos.

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publicado às 22:40

A arte dessacralizada

por João Pinto Bastos, em 11.12.12

 

 

D
Domingo é sempre um óptimo dia para visitar o nosso património museológico. O tempo é mais distendido e a atenção é redobrada. Por isso, escolhi este dia para efectuar uma breve visita à Fundação de Serralves. Visita essa, que visava, sobremodo, o cumprimento de um desejo que eu acalentava há muito: a apreciação in loco da obra de Julião Sarmento. A ansiedade era grande, a decepção foi gigantesca. Porém, nada do que vi me surpreendeu deveras. Não sou crítico de arte, nem pretendo ser, contudo, posso afirmar, com alguma certeza, que as manifestações contemporâneas do fenómeno artístico - já sei que algumas das aventesmas do meio irão apodar-me de perigoso reaccionário - são, em maior ou menor grau, o triunfo absoluto do nada. Do nada peçonhento, do nada que desmoraliza e amoraliza. Não chegámos aqui por acaso. O percurso que nos trouxe a esta degradação artística tem uma história bem determinada. Não é o objectivo desta posta escalpelizar esses motivos, no entanto, a genealogia da degradação é um ponto incontornável em qualquer diagnóstico que se queira certo e fiável. Fiquei particularmente desiludido com a vacuidade da obra de Sarmento. Sei bem que esta asserção é polémica e passível de contraditório, mas, o que observei, e considero aqui todos os suportes da sua obra - a pintura, a fotografia, o desenho, o vídeo, a instalação, a performance -, permitiu-me recordar algo que sempre tive como uma verdade indesmentível: a representação do erotismo banalizou-se. Trivializou-se inapelavelmente. A plasticidade e fragmentação das obras representadas, em que as imagens são compaginadas com citações literárias bem esgaravatadas, reduzem-se a um todo comum coroado na afirmação de um erotismo chão completamente desprovido de sensibilidade. Um erotismo carregado de choque e de vulgaridade sensaborona. A representação dos sexos é um bom termómetro do que foi referido atrás. Há, no conjunto da obra exposta, uma certa banalização no tratamento do sexo, no destino dado às figurações do íntimo e do impenetrável. A própria indecifrabilidade das figurações e representações aduz, a meu ver, mais um elemento de trivialização em algo que, por natureza, não é trivializável. Tenho um parti-pris de princípio relativamente à arte contemporânea. Nas suas diversas representações - a arte informal, a body art, a arte conceptual, o minimalismo, etc. - falta à arte hodierna um princípio de Beleza, um significado poderoso que capte o mistério da Vida, que represente e não desfigure.  Em suma, que refute o império do kitsch. Há alguns dias atrás o Samuel de Paiva Pires citou Mario Vargas LLosa que, numa passagem interessante, dizia que "actualmente tudo pode ser arte e nada o é, segundo o soberano capricho dos espectadores, elevados, devido ao naufrágio de todos os padrões estéticos, ao nível de árbitros e juízes que outrora só certos críticos detinham." No fundo, a deriva da arte é o sinónimo mais inclemente do declínio irreversível de uma civilização assente, em simultâneo, na trivialização da vida, no ocaso do mistério, no desprezo das grandes verdades, e, por último, no menoscabo brutalizado da beleza indizível da existência. A obra de Sarmento, respeitável como qualquer outra, é uma mera centelha no meio da fogueira aberta. Mas é, concomitantemente, um bom exemplo, desta feita meramente nacional, do declínio induzido por uma cultura estribada no facilitismo generalizado. Sair disto será difícil. 


P.S.: Veja-se esta amostra  http://mademoisellecaetanodiaz.blogspot.pt/2012/10/a-procura-de-juliao-sarmento-em.html

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publicado às 01:27

 

Mario Vargas Llosa, A Civilização do Espectáculo:

 

«Todavia, a autoridade, no sentido romano de auctoritas, não de poder, mas sim, como define na sua terceira acepção o Diccionario da Real Academia Espanhola, de «prestígio e crédito que se reconhece a uma pessoa ou instituição pela sua legitimidade ou pela sua qualidade e competência nalguma matéria», não voltou a levantar a cabeça. Desde então, tanto na Europa como em boa parte do resto do mundo, são praticamente inexistentes as figuras políticas e culturais que exercem aquele magistério, moral e intelectual ao mesmo tempo, da «autoridade» clássica e que os professores, palavra que soava tão bem porque se associava ao saber e ao idealismo, encarnavam a nível popular. Em nenhum campo isto foi tão catastrófico para a cultura como na educação. O professor, despojado de credibilidade e autoridade, convertido em muitos casos, na perspectiva progressista, em representante do poder repressivo, isto é, no inimigo a quem, para alcançar a liberdade e a dignidade humana, era preciso resistir e, até, abater, não só perdeu a confiança e o respeito sem os quais era impossível cumprir eficazmente a sua função de educador – de transmissor tanto de valores como de conhecimentos – perante os seus alunos, como também os dos próprios pais de família e de filósofos revolucionários que, à maneira do autor de Vigiar e Punir, personificaram nele um daqueles instrumentos sinistros de que – tal como os guardas das prisões e os psiquiatras dos manicómios – o establishment se vale para refrear o espírito crítico e a sã rebeldia de crianças e adolescentes.

 

Muitos professores acreditaram de muito boa-fé nesta satanização de si mesmos e contribuíram, atirando baldes de azeite para a fogueira, para agravar o estrago fazendo suas algumas das mais disparatadas sequelas da ideologia do Maio de 68 relativamente à educação, como considerar aberrante reprovar os maus alunos, fazê-los repetir o ano e, até, dar classificações e estabelecer uma ordem de preferências no rendimento académico dos estudantes, pois, fazendo semelhantes distinções, propagar-se-ia a nefasta noção de hierarquias, o egoísmo, o individualismo, a negação da igualdade e o racismo. É verdade que estes extremos chegaram a afectar todos os sectores da vida escolar, mas uma das perversas consequências do triunfo das ideias – das diatribes e fantasias – do Maio de 68 foi que por esse motivo se acentuou brutalmente a divisão de classes a partir das salas de aula.

 

A civilização pós-moderna desarmou moral e politicamente a cultura do nosso tempo e isso explica em boa parte que alguns dos «monstros» que julgávamos extintos para sempre depois da Segunda Guerra Mundial, como o nacionalismo mais extremista e o racismo, tenham ressuscitado e vagueiem novamente no próprio coração do Ocidente, ameaçando uma vez mais os seus valores e princípios democráticos.

 

O ensino público foi uma das grandes conquistas da França democrática, republicana e laica. Nas suas escolas e colégios, de muito alto nível, as vagas sucessivas de alunos gozavam de uma igualdade de oportunidades que corrigia, em cada nova geração, as assimetrias e privilégios de família e classe, abrindo às crianças e jovens dos sectores mais desfavorecidos o caminho do progresso do êxito profissional e do poder político. A escola pública era um poderoso instrumento de mobilidade social.

 

O empobrecimento e desordem que o ensino público sofreu, tanto em França como no resto do mundo, deu ao ensino particular, ao qual por razões económicas só tem acesso um sector social minoritário de altos rendimentos, e que sofreu menos os estragos da suposta revolução libertária, um papel preponderante na forja dos dirigentes políticos, profissionais e culturais de hoje e do futuro. Nunca foi tão verdade o «ninguém sabe para quem trabalha». Julgando fazê-lo para construir um mundo verdadeiramente livre, sem repressão, nem alienação nem autoritarismo, os filósofos libertários como Michel Foucault e os seus inconscientes discípulos agiram muito acertadamente para que, graças à grande revolução educativa que propiciaram, os pobres continuassem pobres, os ricos, ricos e os inveterados donos do poder sempre com o chicote nas mãos.»

 

Leitura complementar: O mito do individualismo extremo do nosso tempoA insustentável leveza da literatura do nosso tempoA banalização da políticaDa arte modernaDo erro da equivalência entre culturas à difusão da inculturaDa proliferação de Igrejas à substituição da religião pela alta cultura e aos escapismos contemporâneosDa libertação sexual ao erotismo como obra de arteA ausência dos intelectuais da civilização do espectáculo

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publicado às 23:12

Sir Winston Leonard Spencer-Churchill

por João Pinto Bastos, em 30.11.12

Winston Churchill


Churchill tinha, entre as suas incontáveis qualidades, um predicado que sobressaía claramente: uma ironia aristocrática única e inimitável. Se há algo que falta nas sociedades atomizadas e pós-moderninhas dos nossos dias é, justamente, uma dose bem carregada de ironia. Uma ironia fina que atinja o âmago das coisas. Uma ironia que questione radicalmente o mundo presente. Uma ironia que destempere e fira a banalidade do quotidiano. Sem ela o debate intelectual torna-se invariavelmente num sucedâneo mísero do célebre adágio hobbesiano do "homo homini lupus". Por outras palavras, a morte do pensamento. O sono goyano da razão. Churchill conhecia bem o carácter do homem democrático, posto que temeu, como poucos, as suas deformidades mais nefastas. Mas, foi, também, um dos poucos políticos que ousou, durante toda a sua vida política, lutar contra os vícios inerentes à democracia, usando sempre a ironia. No dia do seu aniversário, recordar a sua memória é, acima de tudo, retomar uma tradição perdida. Um ideário desaparecido nas brumas da memória. Como diria Churchill o fracasso não é fatal, o que importa é tão-só a coragem para continuar a perseverar. Um bom liberal, sobretudo nos dias lassos que correm, sabe que esta é a única alternativa que resta ao ocaso da razão.

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publicado às 20:16

De partida para Inglaterra

por Samuel de Paiva Pires, em 21.09.12

 

Depois de alguns anos a almejar este objectivo, iniciarei dentro de poucos dias o doutoramento em Politics, na Universidade de Durham, Inglaterra, dedicado à temática “The spontaneous order and the role of tradition in classical liberalism in face of modern rationalism and post-modern relativism”. Sentindo-me, neste momento, a fechar um capítulo de vida e a abrir outro, sou compelido, pelas exigências académicas, a um certo isolamento de que cada vez mais careço para poder melhor reflectir. Ademais, muitas leituras há a fazer para colmatar a minha ignorância em várias matérias, embora tenha noção que acabarei por a aprofundar. Continuarei a andar por aqui e pelo Facebook, mas deixarei de ter a mesma disponibilidade mental e temporal para a blogosfera e para o comentário político à espuma dos dias. A busca pelo conhecimento e a dedicação às verdades eternas assim o exigem.  

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publicado às 11:26

Algumas Questões

por o corcunda, em 10.06.12

Sobre este texto do Samuel:

 

1) Uma religião que tem uma finalidade social é um código político, ou seja, um mero instrumento do Poder. Se se aceita isso, nunca mais poderás dizer que algo é justo ou injusto, porque a justiça é apenas reflexo do Poder. Tocqueville, p.ex., vê no Cristianismo uma verdade transcendente que tem utilidade social. E tu estás a afirmar a primazia desse papel social, face ao Transcendente, o que implica uma subordinação do padre ao sociólogo. Isso é positivismo puro e incompatível com a fundamentação do liberalismo que defendes...


2) A modernidade não matou Deus. Foi a pós-modernidade. A modernidade de Locke a Kant está cheia de Deus, de um Deus que possibilita o progresso (individual e colectivo) que é tão patente no vitorianismo e na obra de Hayek. Nenhuma dessa modernidade ousou afirmar que haveria uma independência entre o Homem e Deus, ou que o segundo fosse subproduto do primeiro.


3) Esse vitorianismo foi uma forma de fundamentalismo sem fundamento. Sem transcendência divinizou os "mores" sociais (vide penas sobre a homossexualidade ou mendicidade) utilizando o aparato de Poder para perpetuar "manners not morals". Foi certamente mais repressivo moralmente que toda a Idade Média, com os seus filhos bastardos e liberdade para o pecado socialmente irrelevante.


4) Essa visão que tens em relação à verdade e expuseste em "Não creio que a modernidade tenha transformado a verdade numa percepção humana, creio que sempre o foi" é radicalmente incompatível com os teus pressupostos liberais políticos e económicos, uma vez que um pós-moderno não pode ser defensor de visões protestantes ou deístas. Como sabes melhor que eu, o fundamento de Hayek para a liberdade repousa na concepção de que a melhor (um termo qualitativo) forma política é revelada através do sucesso material, ou seja, presume uma transcendência protestante, incompatível com essa visão. Até porque se a consciência empírica fundamenta a liberdade, temos de aceitar também a boa-fé dos que não aceitam a liberdade. A circularidade do argumento é evidente e demonstra que nesta formulação não há possibilidade de fundamentar o que seja.

 
5) Como verás, o texto a que te referes não é uma apologia do Cristianismo. E portanto o argumento do agnosticismo ser mais antigo que o Cristianismo não tem razão de ser. O que sabemos é que a definição de uma Verdade em Sócrates (de Platão) conduziu a uma concepção religiosa monoteísta (a Ideia do Bem) e a aceitação de que a Verdade não é um artefacto humano (o diálogo com Trasímaco). O oposto do que afirmas. O que significa que a dúvida socrática tem uma fé que a fundamenta. Essa fé é em algo que é exterior ao homem e constitui a referência para este! Algo radicalmente incompatível com essa concepção humanizante da verdade. Mesmo o cepticismo presume que se pode atingir uma verdade externa ao Homem. A tua posição não é céptica, mas sofística.

 

6) Nas últimas linhas fazes uma profissão de fé na tua concepção, acreditando que a mesma toca a transcendência. Mas como? E não podemos fazê-lo todos? Hitler acreditava firmemente nisso. E também na verdade como produto humano e num conjunto de máximas morais. Se não há nada de transcendente na posição dele, o que é que a distingue da tua?

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publicado às 15:07

Afinal já consegui perceber o problema

por Samuel de Paiva Pires, em 11.04.12

O problema, para a Leonor Barros, a Ana Vidigal  e outros é, afinal, o facto de José António Saraiva ser capaz de utilizar os seus olhos e o seu cérebro para operar duas acções humanas: observar e classificar. Passam ao lado do argumento central e que realmente importa no texto de JAS. Se o problema é a classificação derivada da observação e descrição, deixem-me então contar-lhes uma observação que me fizeram no início da primeira noite que fui a um bar gay. Dois gays olharam-me de alto a baixo, viraram-se para mim e afirmaram categoricamente: "Você é hetero, não é gay." Sorri e pronto. Qual é o problema? Todos os dias passo algum tempo no Chiado e, sentando-me numa qualquer esplanada ou nos Armazéns a jantar, consigo dizer quem é gay com um alto grau de probabilidade de acertar. E quem disser que o não consegue, ou está a mentir ou deve andar de olhos fechados e sem utilizar o cérebro. Todos classificamos os outros, mesmo que o façamos inconscientemente e sem o exteriorizar. Aliás, se há pessoas que refinam apuradamente esta capacidade são precisamente os gays. Não há mal nenhum nisso, é uma característica humana e que nos distingue dos animais.

 

Entretanto, recomenda-se especialmente aos que andam sempre com a tolerância na ponta da língua que leiam um artigo que José António Saraiva escreveu há uns meses e que é mais do que apropriado: Uma polícia do pensamento?

 

Adenda: Quando escrevi "é uma característica humana e que nos distingue dos animais", estava a pensar em classificação em termos do que comummente se chama tribos urbanas, mesmo pertencendo às mesmas espécie e comunidade. Alertado pelo Filipe Faria, rectifico salientando que a capacidade para definir grupos instintivamente está também presente nos animais.

 

Leitura complementar: O falhanço mental da brigada do politicamente correcto ou ainda o artigo de José António Saraiva sobre a homossexualidade contestatária; A homossexualidade como revolta contra o niilismo modernoEu, retrógrado, curvo-me perante os adiantados mentaisTodas as diferenças de opinião são também epistemológicas e metodológicas

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publicado às 14:00

A homossexualidade falsa vista por quem trabalha com ela

por Samuel de Paiva Pires, em 11.04.12

Na caixa de comentários, Abel Matos Santos:

 

«Como profissional de saúde que trabalha, também, com adolescentes, posso afirmar categoricamente que assistimos a um fenómeno absolutamente assustador, onde muitos adolescentes e jovens adultos que não são homossexuais se envolvem em práticas homossexuais pela pressão dos pares, por estar na moda e pela pressão social, tendo muitos desenvolvido problemas emocionais graves que os leva, entre outras coisas, a automutilações, depressões e suícidio. JAS tem toda a razão no seu artigo! Venham as ILGAS e os arautos dos homossexuais contestar, mas a realidade impoe-se sempre a ideologia.»

 

Leitura complementar: O falhanço mental da brigada do politicamente correcto ou ainda o artigo de José António Saraiva sobre a homossexualidade contestatáriaA homossexualidade como revolta contra o niilismo modernoEu, retrógrado, curvo-me perante os adiantados mentaisTodas as diferenças de opinião são também epistemológicas e metodológicas

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publicado às 00:55

(imagem daqui)

 

1 - A esmagadora maioria das reacções ao artigo de José António Saraiva são bem reveladoras do maniqueísmo que grassa em muitas mentes, incapazes de ver o mundo em tons de cinzento – que é como ele realmente é –, concentrando-se no acessório (a descrição que JAS faz do rapaz que encontrou no elevador) para ofender aqueles que não apreciam e deixando o essencial de lado, talvez porque tenham consciência que as suas reacções manifestamente exageradas escondem aquilo que lá no fundo sabem ou que pelo menos vislumbram como até podendo ser verdadeiro mas com que não querem confrontar-se por poder colocar em causa os dogmas em que acreditam: que, na verdade, JAS tem razão quando diz que há muitos homossexuais que não são realmente homossexuais mas sim mentes fracas que em face do niilismo moderno encontram na orientação sexual uma forma de afirmação e/ou revolta, sendo, acrescento eu, produtos da ideologia de género que faz crer que a orientação sexual pode ser uma escolha consciente e racional, o que é falso.

 

2 – Note-se que não se trata de uma contestação geracional num sentido colectivista, isto é, organizado e com propósitos bem definidos (como o foram as lutas estudantis que JAS refere) mas, num contexto de isolamento individual e alienação, sendo a sexualidade uma vertente da afirmação da personalidade, pode funcionar este processo quase espontaneamente como forma de revolta não se sabe bem contra o quê, em virtude do niilismo, do vazio de significado e propósito, acabando alguns indivíduos por se reconhecer nesse tipo de comportamento, tornando-o uma moda e atraindo mais indivíduos para esse estilo de vida. Conheço alguns casos que me parecem estar perfeitamente enquadrados nisto, daí dizer que o ponto central do artigo merece ser explorado. É interessante do ponto de vista sociológico, porque acaba por ser um fenómeno que vem a ter alguma visibilidade (no Chiado é mais do que evidente) e também do ponto de vista da psique, podendo servir para percebermos melhor os tempos em que vivemos. É primeiramente uma revolta individual, e só depois pode ou não ter efeitos nas esferas sociais e/ou política. Quando o que vários indivíduos fazem se torna uma tendência crescente e facilmente observável na sociedade, e se eu ao observá-la conseguir perceber qual o substrato filosófico que lhes dá sustentação prática (e este é o do neo-marxismo) e se eu conseguir provar que esse substrato está errado, como eu consigo com o neo-marxismo, então eu tenho o dever de o dizer/escrever, se quiser intervir criticamente na sociedade onde vivo.

 

3 – Tomando como dado adquirido que a orientação sexual é genética, isto não equivale a dizer que seja uma doença. A nossa personalidade, da qual faz parte a orientação sexual, é fruto da combinação de factores genéticos/biológicos, que nos são transmitidos pelos pais, e de factores sociais/ambientais. O que acho é que há uma transmissão genética, e há vários estudos que apontam nesse sentido, um dos quais bastante recente (2008), sendo este um debate já bem velhinho. Não estou a fazer nenhum juízo de valor ou a criticar. Pelo contrário, estou a dizer que é natural e que não é uma doença, uma fase ou uma escolha. Por outro lado, a ideologia de género é que inventou as muy politicamente correctas possibilidades de escolha do género e orientação sexual, que acabam, essas sim, muitas vezes por originar perturbações mentais. Não há contra-senso porque, tal como JAS, o que digo é que há gays que o são realmente, e depois há estes que acham que são e/ou que podem estar tão confundidos que nem sabem o que são (a ideologia de género faz muito por isso). Talvez um dia a ciência nos auxilie sobre isto. Mas por ora, tudo isto serve também para ilustrar que, sem fazer juízos de valor sobre o que é uma verdadeira orientação sexual, mas sim sobre processos sociais e individuais que advêm de teorias falsas que se desenvolvem e propagam num contexto niilista e relativista, é saudável sairmos dos redis do politicamente correcto e questionarmos aquilo sobre o que nem a ciência ainda nos deu respostas conclusivas.

 

4 - A incapacidade de muitos indivíduos para questionar as ideias pré-concebidas, politicamente correctas, que professam como um credo (provavelmente sem saber de onde provêm), e de discutir civilizadamente um qualquer tema, por mais delicado que seja, como este é, é claramente mais um sintoma do falhanço moral e educacional da sociedade portuguesa. Sem uma formação sólida nas humanidades e que fuja aos cânones do neo-marxismo, não admira que muita gente seja incapaz de perceber que generalizações são explicações de princípio, gerais, com um certo grau de verificação, mas com excepções que evidentemente servem para as confirmar como tendências.  É por isso que as estatísticas nunca são reais. Só a irregularidade da realidade é real, como escreveu Jung. E esta diz respeito a cada indivíduo, um ser único e irrepetível, pelo que ninguém obviamente diz que "todos os homossexuais são-no porque escolhem ser" ou "todos os homossexuais são-no porque querem revoltar-se contra os pais ou a sociedade" ou "todos os homossexuais são-no porque está na moda". Quando perceberem que aquilo que qualquer pensador social ou intelectual público minimamente credível faz é colocar hipóteses sobre comportamentos individuais, e que não sendo o mundo a preto e branco, podem verificar-se até em combinações várias, mas não deixam de ser hipóteses e especulações úteis para tentar entender a sociedade em que vivemos, mesmo com as excepções que confirmam a regra, talvez nessa altura o debate público em Portugal possa ser menos acrimonioso.  

 

5 – Como muitos recusam o que decorre dos pontos anteriores, enveredam pelo campo mais fácil, o do insulto, apelidando José António Saraiva ou quem com ele concorde de homofóbicos, como já hoje fizeram comigo, quando não partem para outros mimos. Claro que o facto de lidar com diversos gays ou ir a bares gays sem qualquer problema não deve obstar à minha homofobia. Deve ser um tipo especial de homofobia. Mas daquela que muitos gays têm, ao saberem perfeitamente que aquilo que aqui escrevi corresponde em grande medida à realidade que facilmente observamos em Lisboa. Para finalizar, praticamente só vi virgens ofendidas e histéricas que partiram logo para o insulto. Tentar analisar o que já por várias vezes salientei como um válido ponto central e debater civilizadamente é coisa que não assiste às mentes cheias de certezas absolutas. Entretanto, se começassem por ler isto e isto, podia ser que aprendessem qualquer coisa e conseguissem ir um bocadinho além do “que texto nojento”, “este gajo é um nojo”, “este gajo é homofóbico”, “este gajo anda a galar meninos de 17 anos” e outros mimos muito sofisticados.

 

Leitura complementar: A homossexualidade como revolta contra o niilismo modernoEu, retrógrado, curvo-me perante os adiantados mentaisTodas as diferenças de opinião são também epistemológicas e metodológicas

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publicado às 22:23

Eu, retrógrado, curvo-me perante os adiantados mentais

por Samuel de Paiva Pires, em 10.04.12

Em reacção ao meu pequeno post de ontem, João Quadros, no Twitter, referiu-se a este dizendo que "há blogs no século XVIII!!!". Não sei bem se era um insulto ou um elogio, pois poucos séculos existiram tão ricos em desenvolvimentos intelectuais, políticos e sociais como o XVIII. Entretanto, o camarada Francisco Silva, que alinha pelo mesmo diapasão que o escriba anterior, produziu um texto onde pouco mais faz que insultar José António Saraiva, sem nada acrescentar à discussão do ponto central do artigo, que, como escrevi aqui, parece-me digno de ser explorado e debatido. Mas, para que os adiantados mentais dos nossos tempos se dêem ao trabalho de o fazer sem começarem num pranto, quais progressistas virgens ofendidas, têm que tentar sair dos redis do politicamente correcto. Cá os espero, se quiserem dar-se ao trabalho. Podem começar, por exemplo, por estes dois artigos da Slate e os estudos a que se referem. Sintam-se bem-vindos ao século XXI.

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publicado às 10:10

A homossexualidade como revolta contra o niilismo moderno

por Samuel de Paiva Pires, em 10.04.12

Não costumo apreciar José António Saraiva, mas daquilo que me é dado observar do que me rodeia, acho que o ponto central do artigo merece ser explorado. Creio, como o autor, que a orientação homossexual é genética. Mas que se vê muita gente a enveredar por aí como se fosse uma escolha (a ideologia de género e a Escola de Frankfurt ajudam a perceber porque muita gente pensa que pode fazer essa escolha), e como forma de constestação/revolta, também me parece verdade. Que isso tenha efeitos nefastos na psique individual é apenas natural, e o caso Renato Seabra é só um exemplo do que pode acontecer ao tentarmos alterar a nossa natureza.

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publicado às 00:20

CDS - um partido de ideias, mais do que de pessoas

por Samuel de Paiva Pires, em 02.04.12

Nos últimos dias, o CDS tem andado nos jornais e na Internet por dois motivos, como toda a gente sabe: o voto contra o novo Código do Trabalho de Ribeiro e Castro, por um motivo que apoio em toda a linha, a resistência à eliminação do feriado do 1.º de Dezembro, e a carta de 12 Conselheiros Nacionais que pretendiam ver reafirmados os princípios do partido no que às chamadas “causas fracturantes” (não gosto da terminologia, mas é o que temos para nos fazermos compreender) diz respeito.

 

Deixando de lado considerações e juízos sobre o conteúdo destes dois factos, fico genuinamente contente por assistir aos debates que estes estão a gerar, que significam várias coisas, nomeadamente, que o partido está bem vivo e pujante na sua reflexão ideológica e intelectual, que este é efectivamente um partido que se preocupa mais em discutir ideias do que pessoas, e que está a tornar-se maior, mais representativo do eleitorado, mais transversal à sociedade portuguesa. O facto de existirem divergências ideológicas no seu interior é apenas natural, e será saudável para um partido que se quer cada vez maior saber conviver com a pluralidade que advém de acolher no seu seio três pilares ideológicos que, se têm muitos pontos de convergência, também têm outros de divergência.

 

Mais, não tendo o restante espectro partidário português capacidade para estes debates verdadeiramente importantes e que estão para lá do economês – PSD e PS, como catch-all parties que são, pouco ou nada se preocupam com questões filosóficas e ideológicas, sendo as parcas produções intelectuais no domínio da social-democracia verdadeiramente confrangedoras, e BE e PCP vivem noutra realidade intelectual que economicamente já foi mais do que provada como errada e, do ponto de vista da teoria social, representam exactamente as escolas teóricas de certezas absolutas contrárias ao que poderá sair dos debates internos do CDS –, é com muito agrado que vejo diversas pessoas interessarem-se e debaterem temáticas que são de todo o interesse para o futuro da sociedade portuguesa.

 

E que temáticas são as que estes dois factos levantam? Em primeiro lugar, a questão do mandato livre vs. mandato imperativo, debate em relação ao qual, embora historicamente tenham os defensores do primeiro saído vencedores, importa ressalvar que com a organização de grandes aparelhos partidários ocorreu o fenómeno da frequente imposição de uma restritiva disciplina de voto aos representantes eleitos, sendo a essência do mandato livre subvertida. Na prática, um deputado eleito através de um partido recebe o mandato não dos eleitores mas do partido, que pode punir o representante através da revogação desse mandato quando este ignore a disciplina partidária, que se torna, na verdade, um substituto do mandato imperativo do eleitorado. Daqui, salta logo à vista que é incoerente quem critica Ribeiro e Castro por votar de acordo com a sua consciência (numa questão que devia envergonhar toda a bancada do CDS, diga-se de passagem, se for na realidade “radicalmente patriótica”, como há umas semanas ouvi Telmo Correia dizer que o CDS é) e ao mesmo tempo defende que noutras matérias os deputados possam votar livremente. Assim como é incoerente defender a atitude de Ribeiro e Castro e simultaneamente atacar os que nas tais outras matérias votam de acordo com a sua consciência. O argumento de que há coisas onde a liberdade de voto deve ser dada e outras não, não colhe, porque qualquer critério de verdade que possa definir substantiva e positivamente estas matérias tende a tornar-se absoluto, exclusivo e a ser contraproducente, isto é, afrontando e eventualmente afastando militantes e simpatizantes do CDS. Como é que isto se resolve? Simples, ou se acaba com a liberdade de voto de vez e o CDS se torna num PCP onde impere o centralismo democrático, ou se faz o moralmente correcto que é acabar com a disciplina de voto. E todos sabemos o que isto significa e o que se lhe deve seguir: a reforma do sistema eleitoral, com a introdução de círculos uninominais, desta forma minorando o défice de representatividade de que a democracia portuguesa enferma, tornando os partidos menos caciquistas e os eleitos verdadeiramente representativos dos eleitores e fiscalizados por estes. PS e PSD muito dificilmente avançarão com isto, pois os interesses instalados têm demasiada força, embora frequentemente encomendem estudos e anunciem intenções de o fazer. Se o CDS conseguir colocar novamente este debate na agenda mediática e contribuir para precipitar esta reforma, poderemos assistir a uma excelente evolução do sistema político português.

 

E em segundo lugar, não pretendendo entrar em temáticas nas quais não sou versado, creio que no contexto do racionalismo moderno e do relativismo pós-moderno, a chave para lhes responder filosófica e politicamente se encontra nos três pilares ideológicos do CDS. Porquê? Porque como escrevi noutro post, a modernidade produziu um enquadramento que é altamente destrutivo das tradições intelectuais e morais europeias, que através do racionalismo construtivista e do relativismo produz morais inviáveis, ou seja, sistemas de pensamento moral incapazes de sustentar qualquer ordem social estável, que através de teorizações sociológicas contemporâneas e da corrupção da arquitectura e das artes (como Roger Scruton e John Gray demonstram) criam um clima cultural que é profundamente hostil à tradição e também à sua própria existência. Confrontamo-nos, assim, com uma cultura que tem ódio à sua própria identidade, tornando-se, em larga medida, efémera e provisória. Este quadro deriva essencialmente da inspiração do Projecto Iluminista, à luz do qual os autores modernos e pós-modernos desenvolveram um caos moral, em que o abuso da razão, o objectivismo e o relativismo criaram um ambiente cultural, social e intelectual que é inimigo da tradição. Ao proporem ancorar a moralidade no racionalismo, o positivismo, o cientismo, o historicismo e o cepticismo conduziram naturalmente ao niilismo, construtivismo e planeamento social, e, consequentemente, ao utilitarismo e emotivismo. A rejeição de qualquer tipo de instituição ou código de comportamento que não seja racionalmente justificado parece ser uma característica distintiva da modernidade, e para responder a isto é necessário recorrer às ideias de tradição e evolução, que estão no centro dos pilares ideológicos do CDS. Só apelando a estas e debatendo as questões em causa com abertura de espírito podemos esperar fazer frente ao quadro político e cultural que domina Portugal e o Velho Continente.

 

Por tudo isto, apenas desejo que os debates continuem e que o CDS dê o exemplo aos restantes partidos de como um partido político pode e deve reflectir filosoficamente sobre matérias que nos interessam a todos. 

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publicado às 23:40

Da pseudo-tolerância do relativismo pós-moderno

por Samuel de Paiva Pires, em 26.03.12

Circula por aí esta foto com uma mensagem pseudo-tolerante, bem ilustrativa do relativismo pós-moderno. Em primeiro lugar, classificar os outros é uma capacidade saudável, e todos a devemos exercer, para que não percamos algo que nos torna distintamente humanos: a diversidade. Em segundo, experimentem apresentar-se como orgulhosos cristãos/judeus/agnósticos/ateus, heterossexuais e brancos a certos indivíduos das categorias opostas e/ou aos que disfarçam a sua intolerância criando e divulgando este tipo de mensagens pseudo-tolerantes. Depois contem-me como correu.

 

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publicado às 22:22






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