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Reais Necessidades

por Nuno Castelo-Branco, em 27.10.17

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 1. A meio do dia almocei na tasca do sr. Oliveira e no preciso momento em que sabia estar a decorrer a votação no parlamento catalão, pedi-lhe que sintonizasse o 212, pois o homem tem contrato com a NOS. Segui com espanto toda aquela indigna trapalhada para lamentar, sobressaindo entre tudo a ostensiva e vergonhosa cobardia em modos de ópera bufa diante de meio mundo, a visível cobardia no momento exacto quando após a saída em massa da oposição, os que ficaram exigiram proceder à votação pela primeira vez em segredo, temendo a consequência cível do acto. Os que votaram no!, agora apodados de traidores, fizeram questão de mostrar à imprensa o seu súbito encolher de nádegas. Uma barriga satisfeita sempre é uma barriga satisfeita, o resto é marginal. Edificante independência e pobreza de espírito, sem dúvida. Cobardes mas gulosos, sem dúvida.

Neste momento, já anoitecendo, a independência é tão real como a bandeira do Reino de Espanha ainda flutuar no topo do Palácio da Generalitat.

...e passando adiante,

2. A reacção do governo português foi a que se esperava de um país que é um dos mais antigos e sólidos da Europa. Não embarcou nem em entusiasmos de "mortes", nem em "águas" passadas, ficando reconhecidamente ao lado da legalidade de um Estado de Direito, aliás, um país onde os súbditos da Dinastia de Bourbon usufruem incomparavelmente de muitas mais liberalidades e liberdades do que os cidadãos da cada vez mais nefasta república portuguesa. Se Santos Silva usou o habitual patois diplomático frisando a posição portuguesa, Costa foi mais directo e não deixou a menor dúvida quanto a este tema.

Esteve muito bem, o governo português.

3. Como também bem esteve aquando da histeria imediata ao Brexit, no preciso momento em que no areópago de Estrasburgo ulularam gritos de vingança desmiolada contra quem se tinha atrevido a apontar o dedo a certas prepotências que por cá bem sabemos. Há uns dias ouvimos o sr. Juncker mostrar ao Paulo Dentinho o seu recolher de unhas. Faz bem, pois pelo menos aprendeu qualquer coisa, enquanto o governo de Lisboa foi quiçá o único que manteve a calma e disse o que devia ter sido dito pelos restantes 26.

Hoje recebemos a visita do excêntrico Boris Johnson. Para quem não tenha entendido, veio cá invocar precisamente aquele tratado assinado nos tempos de D. Carlos I, o tal que confirmou todos os outros antecedentes. Foi expressamente mencionado por quem vindo de Londres nos visitou e o MNE, atendendo à política externa do Estado que deve ser coerente com os interesses do mesmo, agiu em conformidade. Não há como fugirmos. Em Lisboa os britânicos terão sempre um porto seguro, o resto não interessa, politicamente não risca coisa alguma.

Excelente.

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publicado às 19:14

"Paulo Portas anula prova polémica para futuros diplomatas"

por Samuel de Paiva Pires, em 05.04.13

No Público de hoje:

 

«MNE diz que a repetição da prova se deve ao facto de esta não ter assegurado condições de igualdade.

 

Ministério invoca substituição de enunciados rasurados. PÚBLICO noticiou questões polémicas do exame

 

O ministro Paulo Portas assinou na terça-feira um despacho no qual determinou a anulação da prova de cultura geral realizada por mais de 2000 candidatos no âmbito do concurso externo para ingresso na carreira diplomática, promovido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Os examinandos poderão agora realizar um novo teste no dia 20 de Abril.

 

O MNE justifica, em comunicado, que a repetição da prova se deve ao facto de esta não ter assegurado condições de igualdade para todos os candidatos, já que em algumas das salas da Faculdade de Direito de Lisboa - onde se realizou o teste no dia 16 de Março - os enunciados dos exames foram substituídos, permitindo assim a alguns candidatos corrigir respostas rasuradas. Tal facto, adianta o Ministério dos Negócios Estrangeiros, violou as regras contidas na folha de instruções que integrava o enunciado da prova.

 

Na véspera do despacho do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, o PÚBLICO noticiou que a primeira prova do concurso externo para futuros diplomatas gerou polémica pela quase ausência de questões relacionadas com tratados internacionais, História de Portugal, Geografia ou até regras de etiqueta. Num post intitulado As necessidades do Trivial Pursuit, publicado no blogue Estado Sentido, três dos candidatos à categoria de adido de embaixada questionaram "as opções de resposta algo obscuras". E argumentaram que a prova de cultura geral falhou o objectivo de selecção de potenciais diplomatas, ao passar ao lado de "dados históricos" essenciais.

 

Contactado pelo PÚBLICO, um dos autores do blogue e candidato ao concurso do MNE, Samuel de Paiva Pires, deu alguns exemplos que deixaram muitos dos examinados surpreendidos: "Perguntava-se por que ficou conhecida D. Filipa de Vilhena, de quem é a frase "Como é diferente o amor em Portugal", em que autor é que Eça de Queirós se inspirou para escrever o seu primeiro romance, quem foi o compositor da "sinfonia inacabada", o que é um amigo do alheio, quem realizou O Pai Tirano, o que é um cefalópode e, viajando da Terra a Urano pelo caminho mais curto, qual seria o planeta por que passaríamos."

 

Ontem, o PÚBLICO voltou a questionar o MNE sobre o anúncio da repetição da prova a 20 de Abril, inquirindo nomeadamente se esta se deve à polémica noticiada ou a uma eventual taxa de chumbo acima do normal. Em resposta, o MNE explica que a repetição do exame está "exclusivamente" relacionada com o problema apontado no comunicado. "Qualquer outro motivo é pura especulação", acrescenta.

 

Mas a "justificação diplomática" do MNE não convence vários candidatos que, ouvidos pelo PÚBLICO, rejeitam ter ouvido qualquer queixa relacionada com enunciados rasurados. "É uma forma diplomática de salvar a face, porque não houve qualquer conversa sobre a questão dos enunciados rasurados. E durante a prova foram feitos vários avisos para que não se rasurasse as respostas, para além de que essa informação constava na primeira folha do enunciado", diz um dos candidatos que irão repetir a prova e que prefere não ser identificado.

 

Samuel de Paiva Pires diz também não ter dúvidas que com esta prova já realizada "a esmagadora maioria" dos candidatos não passaria à segunda fase do concurso, que consiste num exame de língua portuguesa.

 

Para já, aguardam com expectativa a repetição do teste de cultura geral, mas, sobretudo, o conteúdo do mesmo.»

 

Leitura complementar: As necessidades do Trivial Pursuit"Candidatos à carreira diplomática criticam teste "obscuro" do MNE"Comunicado do Ministério dos Negócios EstrangeirosAinda a anulação da prova de cultura geral do concurso de ingresso na carreira diplomática.

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publicado às 10:30

No i online:

 

«O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) anulou uma prova escrita de acesso à carreira diplomática citando irregularidades no dia da prova que beneficiaram alguns candidatos, indica um aviso publicado esta semana pela tutela liderada por Paulo Portas. A prova de cultura geral, que mereceu muitas críticas de vários candidatos devido a perguntas exóticas e possibilidades de resposta pouco claras, será repetida a 20 de Abril.

 

“Segundo informação do presidente do júri, a realização da prova, no passado dia 16 de Março, não terá assegurado as condições de igualdade entre todos os candidatos uma vez que, em algumas salas, foi autorizada a substituição do enunciado da prova e, em consequência, a correção de respostas rasuradas”, aponta o comunicado emitido pelo MNE. “Este facto contraria as instruções previstas no enunciado da prova”, acrescenta.

 

A prova é feita num modelo de escolha múltipla e os candidatos não podem corrigir as respostas por si assinaladas. Contudo, em algumas salas houve vigilantes que permitiram a substituição do enunciado da prova, permitindo aos candidatos beneficiados a correcção de respostas. Segundo apurou o i, as irregularidades existiram e terão sido do conhecimento dos vigilantes no próprio dia de realização da prova, devido às queixas de alguns candidatos que souberam das excepções.

 

Segundo apurou o i, o júri do MNE já tem os resultados da prova, que foram “muito maus” e que resultaram numa taxa de chumbos superior a 50% e na perda de um número anormal de candidatos. “Nem metade passaram”, afirma ao i uma fonte que preferiu o anonimato. A aprovação era conseguida com pelo menos 63 respostas certas em 90 (uma nota de 14).

 

No comunicado oficial o MNE cita apenas as irregularidades na realização da prova e marca nova data. “Para garantir a total e igualdade de circunstâncias dos candidatos, deste concurso de acesso, o MNE decidiu anular o exame, convocando os candidatos para uma nova prova, a realizar no próximo dia 20 de Abril”, indica o comunicado.

 

A prova de cultura geral, que integra o concurso de ingresso na carreira diplomática, foi muito criticada por vários candidatos. Um dos problemas prende-se com o exotismo de algumas perguntas que passava ao lado do sugerido pelo regulamento da prova de cultura geral (“No caminho mais curto entre a Terra e Urano tem que se passar porque plante?” e “Qual deste animais é um cefalópode?” e “O que é um gibelino?”).

 

Os candidatos criticaram ainda as opções de escolha múltipla “algo obscuras”, uma expressão usada no blogue Estado Sentido por Samuel de Paiva Pires, João Teixeira de Freitas e Nuno Castelo Branco, que realizaram a prova que terão que repetir no dia 20.»


Leitura complementar: As necessidades do Trivial Pursuit"Candidatos à carreira diplomática criticam teste "obscuro" do MNE"; Comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

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publicado às 13:48

Comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros

por Samuel de Paiva Pires, em 03.04.13

Aqui:

 

«O Ministério dos Negócios Estrangeiros decidiu mandar repetir a prova escrita de cultura geral do concurso de acesso à carreira diplomática.

 

Segundo informação do presidente do júri, a realização da prova, no passado dia 16 de março, não terá assegurado as condições de igualdade entre todos os candidatos uma vez que, em algumas salas, foi autorizada a substituição do enunciado da prova e, em consequência, a correção de respostas rasuradas.

 

Este facto contraria as instruções previstas no enunciado da prova.

 

Para garantir a total e igualdade de circunstâncias dos candidatos, deste concurso de acesso, o MNE decidiu anular o exame, convocando os candidatos para uma nova prova, a realizar no próximo dia 20 de abril.»

 

Leitura complementar: As necessidades do Trivial Pursuit"Candidatos à carreira diplomática criticam teste "obscuro" do MNE"

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publicado às 20:57

No Público de hoje:

 

«O exame de cultura geral para ingresso na carreira diplomática, no qual participaram mais de 2000 candidatos no dia 16 de Março na Faculdade de Direito de Lisboa, lançou a polémica. Alguns dos participantes criticam a ausência no teste, da responsabilidade do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), ocupado pelo líder do CDS, Paulo Portas, de perguntas sobre tratados internacionais, História de Portugal, Geografia ou até regras de etiqueta.


Num post intitulado As necessidades do Trivial Pursuit, publicado no blogue Estado Sentido, três dos candidatos à categoria de adido de embaixada, que se realizou pela primeira vez em substituição de um teste psicotécnico, questionam "as opções de resposta algo obscuras". Argumentam que a prova não serviu o objectivo de selecção de potenciais diplomatas porque passou ao lado de "dados históricos" essenciais.


"Sentiu-se a dor de um vácuo no que concerne a perguntas sobre o Renascimento, História da fundação de Portugal, História do Estado, Geografia a sério (apenas duas questões do mais trivial possível), etiqueta", lê-se no texto.


Contactado pelo PÚBLICO, um dos autores do blogue e candidato ao concurso do MNE, Samuel de Paiva Pires, critica o facto de o regulamento do exame ser "extremamente vago, sem qualquer matriz de matérias para estudar", ao referir apenas que seriam avaliados "conhecimentos dos candidatos em diversas áreas, podendo incluir questões sobre História, Geografia, Economia, Arte e Cultura, e Política Internacional".


O também investigador do Centro de Administração e Políticas Públicas do ISCSP-UTL explica que "foi com um misto de espanto e surpresa que a maioria reagiu ao ser confrontada com um teste composto por muitas perguntas rebuscadas e temáticas que não foram mencionadas no regulamento".


E dá alguns exemplos: "Perguntava-se por que ficou conhecida D. Filipa de Vilhena, de quem é a frase "Como é diferente o amor em Portugal", em que autor é que Eça de Queirós se inspirou para escrever o seu primeiro romance, quem foi o compositor da "sinfonia inacabada", o que é um amigo do alheio, quem realizou O Pai Tirano e, viajando da Terra a Úrano pelo caminho mais curto, qual seria o planeta por que passaríamos."


Samuel Paiva Pires não discorda de que um futuro diplomata seja capaz de manter uma conversa sobre temas variados, que possam ir da "gastronomia" ao "cinema", passando pela até pela "astrologia", mas insiste na necessidade de um primeiro teste de selecção ter outro foco. "Poderá dizer-se que, sob a definição de cultura geral, tudo cabe. Mas cultura geral remete para relevância e pertinência", insiste.


A polémica à volta do exame levou também o ex-embaixador Francisco Seixa da Costa a escrever no seu blogue Duas ou Três Coisas que o modelo de prova que sentava o candidato diante de um júri, numa conversa de cerca de 20 minutos, permitia aferir se ele tinha ou não condições para a diplomacia.


"Quem tem a pretensão de vir a representar Portugal pelo mundo deve possuir uma razoável cultura geral, bem para além das temáticas da profissão. Resta saber se é a através de testes americanos, e especificamente dos que foram aplicados, que isso se avalia", escreve Francisco Seixas da Costa.


Sem que haja uma data prevista para a publicação dos resultados, este e outros candidatos estão curiosos para saber quantos passarão à segunda fase do concurso do MNE, que consiste numa prova de língua portuguesa. São necessárias 60 respostas correctas no total de 93 questões. O PÚBLICO tentou obter uma reacção do MNE, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.»

 

Leitura complementar: As necessidades do Trivial Pursuit

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publicado às 12:49

Aos paladinos da generalidade da cultura da generalidade

por Samuel de Paiva Pires, em 20.03.13

Comentário anónimo retirado da caixa de comentários do post do Embaixador Francisco Seixas da Costa:

«Caros paladinos da generalidade da cultura da generalidade:

Sois umas almas metafísicas e vastas, tão metafísicas e tão vastas que certamente tudo sabeis acerca da escola do cinismo, da disputa das curilas, do estilo chão e do último faraó do egipto.

É curioso notar como todos estes gárrulos soldados da cultura de trivial pursuit que conheço pessoalmente são aqueles que mais liminarmente tombariam neste massacre dos guelfos.

Isto não é coincidência: quem não sabe nada, pensa que todo o conhecimento é válido por igual e logo, que todo o tipo de perguntas, desde que "não venham nos livros da escola",são igualmente "aceitáveis". 

Q.E.D: quanto mais se sabe de literatura, mais se percebe a comicidade involuntária (?) de colocar questões acerca de uma tirada de uma peça de Júlio Dantas, ou de uma famosa obra literária de Rousseau(desconhecida o suficiente para não constar de nenhuma enciclopédia de referência), que era um filósofo.

Para os filósofos da generalidade deixo à consideração a seguinte questão - uma pessoa que fala muito e diz pouco é, segundo Esopo:
1. Um prognata?
2. Um conhecedor íntimo da lei das sesmarias?
3. Um descendente por linha travessa de D.Filipa de Vilhena?
4. Um ignorante?

Os factos... os factos... (paráfrase de citação célebre de romance de Charles Dickens...)»


Leitura complementar: As necessidades do Trivial PursuitAinda a prova de cultura geral do concurso de acesso à carreira diplomática.

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publicado às 22:04

Um post do Embaixador Francisco Seixas da Costa. Recomenda-se também a leitura dos comentários ao mesmo.


Leitura complementar: As necessidades do Trivial Pursuit.

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publicado às 11:59

As necessidades do Trivial Pursuit

por Estado Sentido, em 18.03.13


 

No passado Sábado, dia 16 de Março, na Faculdade de Direito de Lisboa, e durante uma pluviosa manhã, mais de 2000 cidadãos portugueses participaram na primeira prova do concurso externo de ingresso na carreira diplomática, a prova de Cultura Geral.

 

Esta primeira prova consistia num teste escrito em formato de escolha múltipla, que abrangeu variadíssimas temáticas, tais como: o ADN, a batalha de Alfarrobeira sob estranhos pontos de interesse, as acções familiares de Filipa de Vilhena, qual o planeta por onde passaríamos se viajássemos da Terra até Urano pelo caminho mais curto, o que é um amigo do alheio, o que significa ser uma pessoa prognata, o que foi o “estilo chão”, o que é um cefalópode, quem é que não tem ascendência portuguesa conhecida, quem realizou o “Pai Tirano”, qual é a raiz quadrada de 3.141, o que eram os Guelfos e, ainda, uma pergunta sobre Rousseau que envolvia averiguar um romance conhecido deste autor – sendo todas as opções de resposta algo obscuras a quem procuraria responder pelo ponto de vista relevante a este tipo de prova: o da filosofia política.

 

Tratemos objectivamente a situação: um concurso público para uma determinada carreira visa perfilar candidatos com potencial para a mesma através das suas diversas fases, e deve, por conseguinte, adequar todas as suas provas a esse objectivo. Esta prova de nada serviu a esse objectivo essencial. Aliás, como podemos ver por alguns dos exemplos, muitas foram as questões que ocuparam espaço que devia ter sido atribuído a questões bem mais relevantes ao perfil de um potencial diplomata.

 

Por exemplo, pesou a ausência de datas de tratados internacionais, sobre o que estes eram e, até, nomes dos mais relevantes à estruturação do sistema internacional como hoje o conhecemos. Bastariam umas curtas questões sobre dados históricos que são essenciais a provar que o cidadão em teste é de facto sequer adequado ao concurso a que se propõe, mas infelizmente estiveram largamente em falta.

 

Em termos de temáticas que edifiquem de facto a cultura de uma pessoa, e que são relevantes à definição do próprio conceito de cultura, sentiu-se a dor de um vácuo no que concerne a perguntas sobre o Renascimento, História da Fundação de Portugal, História do Estado, Geografia a sério (apenas duas questões do mais trivial possível), Etiqueta, grandes peças e impulsionadores na área da Música (nem os movimentos pré-modernos foram abordados) e o mesmo repete-se no mundo da Arte com as grandes escolas e vanguardas em absoluta falta, e, ainda, apenas constaram duas perguntas que procuravam de facto revelar o conhecimento sobre Literatura do candidato. Diga-se, ademais, que as que estavam presentes em nada testavam a cultura geral do candidato sobre Literatura Universal, a História da mesma e os grandes movimentos que a compuseram.

 

Em termos específicos a área de Relações Internacionais e Geopolítica foi largamente ignorada. Claro está, essa fase será tratada nos testes de conhecimento, mas de forma muito limitada dado o procedimento sobre esses testes e o facto deste pecar por não constituir um complemento mais desenvolto de algo prévio: nomeadamente um teste de cultura geral que testasse conhecimentos elementares sobre estas áreas, provavelmente as mais relevantes a um potencial diplomata.

 

Antiguidade Clássica, Judaísmo e Cristianismo, Império Carolíngio, Fundação de Portugal, a Guerra dos 100 anos e a Crise de 1383-85 e o estabelecimento da Aliança Luso-Britânica, a Ínclita Geração e os Descobrimentos, Conquista de Ceuta, o Renascimento, a Reforma e Contra-reforma, a Guerra dos 30 Anos, a Restauração e a política externa portuguesa, a luta pela hegemonia na Europa, a Paz de Vestefália e os Tratados de Osnabrück e Munster, o Tratado de Utrecht, a Guerra dos Sete Anos, Frederico II e a Prússia, o despertar da Rússia europeia, as Revoluções Inglesa, Americana e Francesa, o Iluminismo e Pombal, o Império Napoleónico, o Congresso de Viena e a Santa Aliança, 1830, 1848, a ascensão dos nacionalismos, a abolição da escravatura, a Guerra Franco-Alemã, Bismarck, Congresso de Berlim, a Restauração Meiji, a corrida para África e os ultimatos (Lisboa e Fachoda), a rivalidade Russo-Japonesa, a Belle Époque e Sarajevo, a I Guerra Mundial, os 14 pontos de Wilson e a auto-determinação, a Paz de Versalhes, a criação da SDN, a Revolução Soviética, a Conferência Naval de Washington, o crash bolsista de 1929 e a ascensão dos totalitarismos, o militarismo japonês, a Guerra Civil de Espanha (1936-1939), a conquista italiana da Abissínia (1936), o Pacto de Aço (eixo Roma-Berlim), a crise dos Sudetas, o pacto Germano-Soviético, a Conferência do Atlântico, a era atómica, a criação da ONU, da NATO e do Pacto de Varsóvia, a Guerra Fria, o advento da China maoísta, o conflito Coreano, a Conferência de Bandung, os Tratados de Roma, a crise dos mísseis de Cuba, a descolonização, as guerras israelo-arábes, os conflitos no sudeste asiático e Kissinger, o choque petrolífero, os Tratados SALT, a Revolução de 1974 e o novo enquadramento internacional de Portugal, a Conferência de Helsínquia, a Revolução Iraniana, a era Reagan e Thatcher, a invasão do Afeganistão, o Solidariedade e o desmoronar do bloco soviético, Glasnost e Perestroika, a Queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria, as Guerras do Golfo, Fukuyama e O Fim da História e Huntington e o Choque de Civilizações, os PALOP, a CPLP e a independência de Timor, a ascensão do islamismo, o 11 de Setembro, o declínio do Ocidente e a ascensão dos BRIC e a crise financeira, entre outros elementos da História da Humanidade e da actualidade, foram esquecidos neste teste. Ao invés, tivemos questões como aquelas com que começámos este post, entre outras mais bizarras e/ou mais rebuscadas e obscuras.

 

Desta forma, aqui graciosamente deixamos algumas sugestões para num futuro exame procederem a uma liminar selecção de candidatos com vocação e perfil para servir a diplomacia nacional.

 

Julgamos que o teste de Sábado passado não se coaduna com o propósito de selecção num dos mais importantes concursos públicos para o Estado Português, a sua projecção, a sua continuidade e a sua influência, sendo esta, contudo, uma situação facilmente ultrapassável. Estes considerandos respeitam tão-somente às matérias a avaliar, embora não seja despiciendo referir as dúvidas levantadas pela generalidade dos examinandos no concernente à perfeita identificação dos mesmos e da autoria dos correspondentes testes entregues.

 

João Teixeira de Freitas

Nuno Castelo-Branco

Samuel de Paiva Pires

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publicado às 00:45






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