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Penpal de Portugal

por John Wolf, em 05.02.17

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Portugal é um país de águas de bacalhau. Mas esse estado de alma acarreta consequências. Determina um anda e desanda, um dois passos avante e três à retaguarda. Assim tem sido e desse modo prosseguirá. Sobe uma força partidária ao poder, e logo desfaz à pancada o realizado pelo anterior. E assim sucessivamente e alternadamente. Por outras palavras, o Portugal político é uma imensa bancada central. E, embora possa parecer uma solução consensual e benigna, a verdade é que penaliza a possibilidade de um choque sistémico. A geringonça, no entanto, trai esse conceito mas não adianta grande coisa ao integrar no mesmo embutido um espectro alargado que se anula, que se descaracteriza. Ao diluirem o valor ideológico e a estância de princípios em nome da manutenção do poder, acabam por plantar no seu seio a toupeira do descalabro. O Partido Socialista ao querer ser tudo, é, ao mesmo tempo, comunista, neo-liberal, progressista e populista - mas cada vez mais menos socialista. O governo assume, sem margem para dúvida, um contrato a termo com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, embora não o admita, e ao invés do que dizem no PS, os socialistas terão de levar em conta a Direita, senão numa perspectiva doméstica, ao que tudo indica, no plano europeu. A grande questão que se coloca diz respeito ao seguinte: se Marine Le Pen for chamada ao Eliséu, acabou a União Europeia, não tenham dúvidas. A não ser que governos híbridos queiram replicar as suas condições de governabilidade e negoceiem cedências oportunas. Os alegados comentadores políticos e os sucedâneos de jornalistas tardam em perceber que estamos na presença de uma revolução sistémica, à la Kuhn. O modelo organizacional e político que estruturou o Ocidente nas últimas décadas, caminha, a passos largos, para um fim feio, caótico. Não foi um actor político externo a determinar o curso dos eventos  que se encontra em dinâmica crescente. Foram as complicações endémicas do projecto económico e social que falharam. Referem todos a grande paz europeia resultante do carvão e do aço, mas a que preço e com que consequências? Portugal, que não conhece a experiência dos extremos, pode ceder à tentação de negociar geringonças à escala europeia, contribuindo ainda mais para uma cisão irreversível. Quero ver se as políticas da amiga Marine também serão chumbadas na Assembleia da República ou se ela será uma Penpal. Se reprovam Trump, devem admoestar aqui e agora a congénere francesa.

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publicado às 19:26

Trump: onde fica Portugal?

por John Wolf, em 16.11.16

 

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O que se passa em Portugal? Com esta história das eleições de Trump quase que me esquecia onde tenho assente o meu arraial. Pois. Não devo ser o único. António Costa também anda equivocado. São só boas notícias. É o tal crescimento do PIB que dá logo vontade de comemorar. É a tal intensificação das exportações. É o passeio dos alegres a Moncloa com direito a beberete com Rajoy. É o doutoramento honório casa de António Guterres nesse país de nem bons ventos nem bons casamentos. E, como cereja em cima do bolo, o beijo de aprovação do Orçamento de Estado de Juncker e companhia! Ah, como é bom fingir que está tudo bem e que os ventos de mudança dos EUA e da Europa não têm nada a ver, que não são suficientemente fortes para albalroar o casco de uma geringonça. Quem tem Centeno e Galamba não precisa de ver esses canais de televisão vendidos aos neo-liberais. Esses Bloombergs ou CNBC. Os juros dos government bonds dos EUA? Isso? Isso é lá com eles, pá. Aqui é porreiro pá. Trumponomics? Nunca ouvi falar. E nós temos a nossa escola. Temos o Constâncio. Temos o BCE, não precisamos de mais nada. E o Donald Trump até nem sabe onde fica Portugal. É na América Latina, não é?

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publicado às 13:04

Trump e a banda The Socialists

por John Wolf, em 12.11.16

 

 

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O vocalista pop Eddy Cabrita, da banda Trump and the Socialists, percebe muito pouco de arranjos democráticos. Faz-lhe espécie que o princípio da maioria absoluta dos votos populares não tenha sido honrado nas eleições presidenciais dos EUA. Diz o intérprete que Hillary Clinton teve mais votos populares do que Donald Trump. Pois bem, teve sim senhor. Mas não é assim tão linear e "excêntrico" como ele julga. Que fique assente: eu sou a última pessoa à face da terra para tentar ser paternalista ou dar lições a almas extraviadas, mas a ovelha tresmalhada do rebanho do Rato anda a pedí-las. Nem sequer percebe da arquitectura democrática da União Europeia que tem o seu próprio sistema de "colégios eleitorais". A saber, e no que diz respeito ao Parlamento Europeu (em inglês, para não haver brigdes...):The allocation of seats to each member state is based on the principle of degressive proportionality, so that, while the size of the population of each country is taken into account, smaller states elect more MEPs than is proportional to their populations. As the numbers of MEPs to be elected by each country have arisen from treaty negotiations, there is no precise formula for the apportionment of seats among member states. No change in this configuration can occur without the unanimous consent of all governments. Como podem ver, os princípios subjacentes aos colégios eleitorais americanos fazem parte do sistema operativo dos Tratados da União Europeia. E a razão de ser dos mesmos pode ser explicado historicamente. Os EUA instituíram esta prática eleitoral que concede mais peso a uns Estados do que outros em virtude dos danos decorrentes da escravatura. Ou seja, um sistema político dinâmico deve integrar processos de reposição de equilíbrio que sirvam para limar assimetrias anacrónicas. Não sei por que causas o Cabrita se anda a bater nestes últimos tempos, mas talvez pudesse reclamar junto das instâncias europeias a revisão do sistema de quotas, por forma a que países-membros da União Europeia, vítimas da Austeridade, pudessem ter mais peso na produção política dos tempos que se avizinham que certamente farão ruir certas convenções mentais. A pastorícia socialista não sei se merece a subvenção política que tem recebido. Não se esqueçam do seguinte; durante mais de 40 anos prometeram justiça económica e social, mas está a sair-lhes algo diverso na rifa. Numa análise de continuidade, a eleição de Trump é também um processo a ter em conta em todos as sedes políticas deste lado do lago - largo do Rato e afins. A música pode ser outra, mas que é parecida é.

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publicado às 08:58

Esta é fácil, Centeno

por John Wolf, em 02.11.16

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"Governo falha meta de redução de funcionários públicos" (?) - como se não soubéssemos que assim seria. Esta deve ser para nivelar outras em relação às quais o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português andaram a torcer o nariz. Era óbvio que nunca iriam dar um tiro no pé. Os funcionários públicos são simultaneamente um balastro e uma arma de arremesso. Andam para alí aos tombos a bel prazer do governo que sem eles nada seria. Se reduzíssem o número de funcionários públicos de um modo credível, e à luz da eficiência administrativa, pagariam certamente um preço político muito elevado. Com as autárquicas tão próximas não convém brincar com fogo. Aliás, nos concelhos de norte a sul do país grassa aquela modalidade de sorvedor de meios e orçamentos. Sim, refiro-me às empresas municipais que têm de existir em duplicado e triplicado para justificar os directores de serviços disto e daquilo. Falam em acordos e entendimentos, declamam estrofes de solidariedade de Esquerda, mas ao longo de tantos mandatos passados ou presentes, não foram capazes de criar plataformas inter-municipais para afectar positivamente os orçamentos locais que por sua vez retirariam alguma carga a Orçamentos de Estado generalistas. Centeno não é economista. Centeno trai a geométria dos números. Centeno é, seguramente, um ideólogo com uma agenda imposta pelo Largo do Rato. Calculo que tenha sido esse um dos pré-requisitos para ser contratado. Tratar da contabilidade, mas não orientar a máquina que tem os carburadores a dar o berro - Deixa estar. Fica quieto. Não estragues o que está estragado.

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publicado às 15:44

Ruiu o Roque

por John Wolf, em 26.10.16

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A Confederação de Licenciados de Portugal (CLF) vem agora exigir que o governo da República Portuguesa submeta todos os seus membros ao escrutínio de um polígrafo académico. A CLF, numa nota de imprensa tornada pública, vai mais longe e sugere que todos os titulares de cargos públicos do presente e passado sejam sujeitos a um processo de autenticação de diplomas. Por outro lado, a Intersindical de Não Licenciados de Portugal (INLP) reclama idênticas condições no acesso a cargos públicos. Numa nota conjunta reiteram que não se pode continuar a pactuar com uma situação de "nem rei nem Roque" no que diz respeito às burlas agravadas a que são sujeitas tantas portuguesas e muitos portugueses. Já bastava Bob Dylan ter ganho o Nobel sem o merecer, como afirmou a catedrática Alice Vieira, para agora sermos confrontados com esta pouca vergonha. Daqui a nada temos um padeiro-presidente que nunca viu mais gorda ou mais magra uma carcaça. O que podemos concluir, sem prejuízo de outras casas partidárias, é que o Partido Socialista tem um certo fetiche por engenheiros da tanga.

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publicado às 08:30

Os Carlos Santos Silvas das Autárquicas

por John Wolf, em 18.10.16

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Ainda não tinha percebido quais eram os atributos intelectuais ou políticos de Ana Catarina Mendes. Mas agora percebi. Não os tem. Limita-se a seguir o quadro ético do seu partido, que se inspirou no precedente de Sócrates que afirma ter tido a boa fortuna de ter o amigo Carlos Santos Silva para lhe emprestar umas coroas. A fórmula vencedora parece servir na perfeição os intentos do Partido Socialista. O Largo do Rato, falido que está, agora pede aos autarcas para contribuírem com a dízima para as eleições que se avizinham. E quais serão as contrapartidas? Porque almoços grátis não há. Mas a distorção desta prática levanta outras lebres. Discrimina, dentro do próprio partido, os dadores dos forretas. Alimenta a ideia (errada) de que a política apenas se faz com dinheiro quando faltam ideias vencedoras. Se não vai a bem, vai a notas. Quando chegaram as legislativas como vai ser? Também vão ter uma entidade e uma referência de valores morais?

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publicado às 20:12

Vacas e tetas salariais

por John Wolf, em 08.06.16

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O mero facto de se discutir o fim do tecto salarial dos administradores da Caixa Geral de Depósitos é uma ofensa para milhões de portugueses que ainda não se levantaram do chão. Mas vamos por partes. Quando a Comissão Europeia aperta os calos da geringonça e ameaça com sanções, a União Europeia é uma madrasta terrível, mas quando o Banco Central Europeu recomenda uma revisão da regra de equiparação de remunerações de gestores a União Europeia já é boazinha. Já sabemos o que acontece à malta que se deita com uns e outros. Já bastava a promiscuidade com os da casa, para agora o Partido Socialista equiparar-se a uma trabalhadora de esquina. São quatro mil milhões de tetas que os portugueses vão ter de mamar. A comissão parlamentar de inquérito à CGD dispensa-se. No comment.

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publicado às 22:14

O governo de oposição PSD-CDS

por John Wolf, em 22.02.16

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O PSD e o CDS votaram contra o Orçamento de Estado (OE) de 2016, mas nem precisavam de o ter feito. Ao longo dos últimos anos da minha vida tenho vindo a aprender que por vezes nada fazer é o melhor que se pode fazer. O governo de António Costa não precisa de terceiros para cair pelas escadas abaixo. O conteúdo do OE falará por si, e revelará a seu tempo a sua inviabilidade, a sua fragilidade. A Catarina Martins irá aproveitar para extrair mais dividendos de um governo de que não quis fazer parte. Agora percebemos com ainda maior clareza que não deposita muita fé nas promessas eleitorais dos socialistas. António Costa, em vez de se concentrar nos desafios que o país enfrenta, está obcecado com o fantasma do governo anterior. O Partidos dos Animais e Natureza (PAN) bem que quis tratar da questão das touradas, mas Costa esboçou uma chicuelina, atirando para os curros a investida do seu parceiro a solo. Mas o mais grave disto tudo é que fica demonstrado o modo como o governo não consegue caminhar sozinho sem demonstrar tiques de paranóia. Afinal o PSD e o CDS têm muito mais poder na oposição do que tinham no governo. O PSD e o CDS vão chumbar o OE em Bruxelas, vão afogar as agências de rating com menções desonrosas. Vão conspirar no grupo de Bilderberg. Vão fazer macumba junto de prospectivos investidores internacionais. Vão rogar pragas aos agricultores da Beira-Baixa. Vão formar um cartel em Sines para inflacionar o preço do crude em Portugal. Vão fazer falir empresas públicas e privadas para que um terceiro resgate chegue ainda mais rapidamente. A oposição vai governar, deste modo, na sombra escura, e derrubar Portugal. O guião rectificativo da desgraça pode já ser lido na íntegra. Está escrito naquele tomo socialista sobejamente conhecido, dedicado à responsabilidade política, ao sentido de Estado e ao interesse nacional. O que está acontecer era de prever. Mas também de evitar.

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publicado às 18:12

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O Partido Socialista (PS) entrou na fase de narcisismo (sem obra feita), como se fosse um super-homem político, um corpo eticamente inatacável, o depósito de verdade, a marca de superioridade moral na paisagem política portuguesa. Contudo, o aparelho governativo depende de terceiros. Ao reclamar o sucesso da Esquerda e a alegada coesão dos parceiros que a formam, teria sido mais credível oferecer o púlpito a Jerónimo de Sousa e a Catarina Martins - gostava de os escutar e ver passar um cheque em branco ao "seu" governo. Ou seja, as jornadas parlamentares, embora se sirvam do nome, de parlamentar pouco ou nada têm. O arranjo à Esquerda com o PCP e o BE, e baseando-nos nas suas declarações, foi a cunha perfeita para chegar a este estado de arte, ao governo. Ou seja, o PCP e o BE parecem nem sequer existir no espectro mental dos socialistas. Não estive em Vila Real (e pelos vistos António Costa também não), mas pelo que percebi, o agrupamento alfa de socialistas serviu para bater nos que já não estão no poder, quando o que deveria estar a ser perspectivado são matérias bem distintas. A saber; À luz do caos orçamental, e o consequente despite das contas exigidas em sede de contrato com credores internacionais, a probabilidade de ocorrer mais um resgate a Portugal, com natural agravamento das medidas de Austeridade. Segundo. As consequências da saída do Reino Unido da União Europeia e os seus efeitos nos países da periferia. Terceiro; a possibilidade de nova crise hipotecária nos EUA com expressão semelhante àquela registada em 2008. E ainda; a mais que certa subida acentuada do preço do crude nos mercados internacionais (50%!!!) durante o verão de 2016. A pergunta que os portugueses devem colocar é a seguinte: para que servem as jornadas parlamentares do PS? A resposta é relativamente simples: não servem para nada. Funcionam como uma moção de confiança para consumo da casa, mas na casa nem sequer estão os que contam, aqueles que pagam a conta da aprovação de decisões de governação. Ou seja, o BE e o PCP. Se fossem coerentes e verdadeiros democratas, o festival ter-se-ia chamado Jornadas Esquerdamentares. Já vimos o que está acontecer ao país dos departamentos, organismos e direcções. O PS está a plantar os seus nos mais variados postos de recompensa variável. Estão a ter alguma dificuldade em arrancar a urtiga cravada no Banco de Portugal. A tal entidade que terá de arcar com a responsabilidade pela situação calamitosa dos lesados do BES, em relação à qual os socialistas nada têm a ver. Os governos passados dos socialistas, dos seus mandatos históricos, são folhas de cálculo em branco. O PS bem que tenta limpar o seu cadastro, mas em breve terá o seu próprio momento Sócrates. Ainda se lembram daquela emissão em directo de São Bento, quando o 44 lá teve de pedir ajuda aos de fora? Pois. Vai ser mais ou menos assim. Outra vez.

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publicado às 17:59

PSP - Pedro Silva Pereira: caso de polícia

por John Wolf, em 19.02.16

 

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O sósia de José Sócrates merece ser processado pela DBRS pelo teor das suas declarações: (uma) “chuva de telefonemas” para a agência de notação financeira DBRS a pressionar para que baixem o rating de Portugal e a oposição do eurodeputado José Manuel Fernandes do PSD a que o plano de investimento Juncker pudesse “apoiar as economias mais atingidas pela crise”Sim, alguém deve ligar à agência de rating DBSR. Isto é muito grave e deve ser comunicado à entidade canadiana. Com quem julga este político de meia-tigela que está a lidar? Isto sim serve para denegrir Portugal.

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publicado às 21:17

O branqueamento da rosa

por John Wolf, em 13.02.16

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Está em curso um processo de branqueamento da rosa. O Partido Socialista (PS) sabe há demasiado tempo que as decisões políticas do governo anterior não resultam de preferências ideológicas, mas de circunstâncias incontornáveis respeitantes ao estado da nação. Nenhum governo escolhe o caminho da Austeridade por amor à camisola. Nenhum governo escolhe o caminho conducente à impopularidade e subsequente demissão pelo eleitorado (que até nem foi o caso). António Costa mal teve tempo para aquecer a cadeira de primeiro-ministro, para agora se dar conta de que o caminho traçado pelo governo anterior afinal não era o errado. Ou seja, o que tinha de ser feito foi feito, e pelos vistos deve ser continuado, se Portugal deseja evitar uma catástrofe de proporções gigantescas. É caricato que o mesmo homem que invocou a maioria parlamentar para formar governo, venha agora pedinchar ao PSD e ao CDS o seu apoio. Mais valia que o PS pedisse a abolição de partidos da oposição, que engendrasse um modelo de Estado novo alicerçado na apreciação monolítica dos desafios nacionais. António Costa está à rasca e joga esta cartada - passa a batata quente à oposição -, para se poder libertar do peso da responsabilidade. O casulo é uma metáfora curiosa, mal escolhida por António Costa para descrever o direito ao respouso que assiste ao anterior governo de coligação. O que está a acontecer é o seguinte. Passo a explicar. António Costa quer que a oposição subscreva as medidas de austeridade que vão ter de ser agrafadas ao Orçamento de Estado, mas do casulo brotam borboletas às cores e não flores de rosa. Quisesse Costa evitar transtornos e servir o país, teria, nessa mesma noite eleitoral, se aproximado de Passos Coelho e Paulo Portas para encarar de frente a verdade dos factos duros da vida económica, financeira e social do país. A oposição, chamada à liça pelos socialistas, decorre da possibilidade de Costa ter de substituir peças gastas da geringonça. O que ele quer eu sei bem. Substituir Jerónimo de Sousa por Passos Coelho e Catarina Martins por Assunção Cristas. O homem é esperto. E pouco mais.

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publicado às 19:37

O governo do "tudo a correr bem"

por John Wolf, em 03.02.16

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O secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares Pedro Nuno Santos informa que as negociações relativas ao Orçamento de Estado de 2016 estão a correr bem. É quase a mesma coisa que dizer que José Rodrigues dos Santos é o melhor escritor português. E o que significa exactamente que "estão a correr bem"? Significa que o governo de António Costa tem de mentir ao seu eleitorado, e fingir que a missão em Bruxelas está a ser um sucesso, quando sabemos que já estão alinhados mais encargos contributivos para os portugueses. Mas este governo de Portugal ainda pode sacar da sua caixa de ferramentas algumas surpresas. Falta que o compadre do Banco de Portugal ponha em marcha outro modo de confisco de dinheiro dos aforristas, claro está, em conluio com os socialistas. Por exemplo,  através da implementação de taxas de juro negativas, através das quais os depositantes pagam para que lhes guardem as quantias - e sim, esse é um belo modo da tesouraria lucrar à pala do cidadão comum. Mas há mais truques que os socialistas, à falta de verdade económica e visão prospectiva, sacarão do seu caderno ideológico para matar de uma vez por todas os rebentos de credibilidade plantados pelo governo precedente junto dos credores. O que julgam António Costa, Catarina Martins e a Marisa Matias? Que o dinheiro dos outros lhes pertence? Que primeiro estão os "seus" funcionários públicos, e que o sector privado que se lixe? Contudo, existe uma réstea de esperança de bom-senso, mas do lado de lá, da Comissão Europeia. Eles sabem que Portugal não pode merecer tratamento privilegiado à luz do que se exige a outros Estados-membro da União Europeia. Não estranham que Tsipras e o Syriza não sejam citados de cor por Centeno e Costa? Eu não. Os gregos tiveram de engolir a pastilha e mesmo assim continuam na corda bamba. O Partido Socialista, por seu turno, roubou o refrão a outra banda, mas canta desalinhado - pão, pão, paz e liberdade quando sabemos que a letra é outra.

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publicado às 18:02

O perigo de governos míopes

por John Wolf, em 27.01.16

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De nada serve o Tratado de Methuen assinado entre Portugal e Inglaterra  - o governo de António Costa tem a obrigação de delinear uma série de planos B para a eventualidade de uma saída britânica do Euro e muito mais que consta da ementa do quadro internacional. Mas os políticos, na sua generalidade, apenas conseguem ver um palmo à frente do seu nariz, obviando uma visão panorâmica e integrativa de diversos factores de risco. A saber; (aquele que acabo de referir - o Brexit), a crise dos refugiados, a obliteração do enunciado pelo tratado de Schengen e o seu impacto nos assuntos internos da União Europeia nos planos social e económico, a desaceleração da economia chinesa, o efeito cada vez mais minguado do programa de estímulo financeiro lançado pelo Banco Central Europeu, as ameaças terroristas convertidas em actos pelo Estado Islâmico em distintos endereços do espaço da UE, a quebra acentuada e continuada do preço do crude, as implicações da política externa da Rússia no que diz respeito à ruptura de equilíbrios já de si frágeis (no contexto do (des)intervencionismo americano), a (des)democratização da Húngria e da Polónia com efeitos nefastos e contagiantes no demais espaço da UE, a possibilidade de uma vitória presidencial de Donald Trump e a implementação de uma política externa intensamente agressiva, o conflito sírio e as suas ramificações no espaço do Médio Oriente, designadamente no que concerne à relação entre o Irão e a Arábia Saudita, a iminência de mais uma crise financeira com impacto acentuado, numa primeira fase, nos mercados bolsistas, e num segundo momento na economia real dos países desenvolvidos; as crises em diversos países emergentes como por exemplo o Brasil, e por último, num plano doméstico, mas não menos importante, a desagregação do actual governo de Esquerda colado a cuspo, e apoiado em acordos frágeis e de conjuntura que não produzem propostas que merecem a aprovação da Comissão Europeia. Enfim, o que está em cima da mesa é de facto incontornável, seja qual for o governo em funções. Acontece que António Costa e o seu tesoureiro Mário Centeno estimam os seus extraordinários resultados baseando-se no princípio de ceteris paribus, quando é precisamente o oposto que sucede. A realidade é um difícil alvo em movimento. E não me parece que este governo tenha a visão panóptica para sequer equacionar o sarilho em que está metido. Agarrem-se à cadeira. Não tenham dúvidas. Isto vai estoirar. Lá e cá.

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publicado às 18:53

PS: à terceira não é de vez

por John Wolf, em 26.01.16

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As "quase" três derrotas consecutivas do Partido Socialista (nas eleições Europeias - como se tivesse sido porque despediram António José Seguro -, nas Legislativas e nas Presidenciais) não são sintomas de que algo corre mal. São a patologia, a doença infecciosa que resulta de consaguinidade ideológica naquele partido. Ou seja, a procura de respostas para problemas distintos fazendo uso da mesma caixa de ferramentas e do mesmo grau de convicção. A realidade económica e social ultrapassou de um modo intenso a teimosia socialista. A insistência em certas premissas colide de frente com um processo político e civilizacional em profunda mutação. Quando se levanta a hipótese de uma alternativa dentro do PS, a margem de erro é enorme. A opção certa não se encontra no legado socialista, no seu património intocável. As fórmulas que se devem buscar são trans-ideológicas, ou pós-paradigmáticas -, ou seja, encontram-se para além da dimensão partidária, seja qual for a filiação. Acreditar que em nome do salvamento do presente se pode comprometer  gerações futuras, confirma o grau de irresponsabilidade do actual governo. Não é possível ser mais contraditório do que Centeno que promete conter a despesa ao mesmo tempo que repõe salários e pensões. O contexto económico-financeiro do momento aponta noutro sentido. Nos últimos anos os bancos centrais substituíram a acção política através da impressão de divisa e a sua injecção nos mercados. Centeno não parece entender esse facto. Ou seja, substantivamente, não existiu despesa. Existiu ficção monetária. Existiram facilidades e juros baixos. O governo anterior beneficiou sem dúvida alguma dessas condições, mas colocou Portugal no caminho da recuperação certa e sustentável. As indicações da Comissão Europeia e os indicadores das agências de rating levam isso em conta. Ambas esperam que o actual governo consiga consolidar as contas e o regime de sustentabilidade do país. Mas, lamentavelmente, o que vislumbramos é um delapidar de esforço alheio, devido a intransigência ideológica, a um complexo de superioridade moral. A questão da devolução da sobretaxa é apenas uma pequena verruga na cara daqueles que não querem perder a face. Se não for o PS a deitar a toalha ao chão, será o PCP ou BE a arrancar-lhe a camisa. Marcelo vai ter pouco trabalho. Escutem o que Mohamed tem a dizer. Dispensem as palavras de Galamba.

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publicado às 19:37

Sobre a vida e morte presidencial

por John Wolf, em 19.01.16

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Com o maior sentido de respeito pela morte de Almeida Santos escrevo as seguintes palavras. Não sei se a pausa na campanha de Maria de Belém corresponde ou não a aproveitamento político do falecimento do presidente honorário do Partido Socialista. Não sei se a única socialista presidenciável estará presente no grande debate com todos os candidatos quando esta noite soarem as 21 horas. Não consigo imaginar o seguinte: que o homem-político Almeida Santos preferisse que a Maria de Belém não fosse à luta, que permanecesse de luto a ver passar na televisão os navios presidenciais dos outros candidatos. De uma coisa tenho a certeza; um dos temas de debate desta noite será a questão dos cortes nas subvenções vitalícias, que pelos vistos a Maria de Belém foi contra, e agora teme enfrentar. E esse é o busílis da questão. Não é o nojo, o sentimento de perda e respeito pela perda de um ente ideológico que está em causa. Esta noite Maria de Belém não escapará a essa linha de ataque, não tenham dúvidas. Acresce uma outra questão que deve ser levada em conta. O Presidente da República é o Chefe-Maior das forças armadas. Imaginemos por um instante o seguinte; que o país sofre um ataque militar, terrorista se quiserem, e familiares do presidente são dizimados e o o mesmo decide que não está em condições de cumprir a sua missão, de se apresentar ao serviço. Maria de Belém deveria, na minha opinião, honrar a missão política, o espírito combativo de Almeida Santos, e estar presente no debate desta noite. Tudo o resto, que venha ou não venha a fazer, apenas reforça a ideia de que Maria de Belém não tem estaleca para o cargo que tanto almeja.

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publicado às 19:17

Má-partilha socialista

por John Wolf, em 01.12.15

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Podemos concluir que o jornalista Alexandre Abreu é o mérito em pessoa. O imposto sucessório é o mais justo dos impostos? A época de caça aos bens dos outros está oficialmente aberta. Até parece que o jornalista em causa não é português. E ofende tanta gente que teve uma vida honrada e suada para juntar algo para os filhos. Insulta o Sr. Ermelindo que se fez à estrada e chegou a França nos anos sessenta com pouco mais do que a quarta classe, e que trabalhou décadas a fio para montar uma empresa de construção. Uma vez tornado a Portugal com o pé-de-meia de uma vida esforçada, constrói a sua vivenda, e cumpre uma promessa antiga - ter o melhor restaurante lá na Beira-Baixa. Os filhos, amparados pelas mãos calejadas do pai, não irão conhecer a dureza do betão. Em vez disso, dão expressão intelectual às suas existências. Um forma-se em medicina e o outro conclui um MBA e pega no caminho já traçado pelo pai e abre uma pequena empresa de aluguer de equipamento de construção. Ao todo, o património do pai vale um milhão e meio de euros, mas o Sr. Abreu, numa manhã de restauros e conservações, decide bater à porta e apontar uma pistola e dizer: passa para cá 40% do teu bolo, porque os teus filhos são uns mandriões, uns preguiçosos. É isto justiça económica? Não me parece. Façam como o Hollande. Apliquem a tabela dos 70% ao património alheio para ver o que acontece.

 

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publicado às 17:05

Não batam no ceguinho

por John Wolf, em 26.11.15

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António Costa invocou a democraticidade parlamentar para formar alianças conducentes à formação de um governo alegadamente legítimo e estável. Se aceitarmos o princípio do primado da Assembleia da República, na qual e a partir da qual, a genuína representação se efectiva, então muitas lacunas estarão por preencher. Por exemplo; a representação parlamentar de deputados que defendam os interesses das comunidades portuguesas de origem cabo-verdiana, angolana ou moçambicana. Mas não é essa a linha principal de argumentação deste enunciado. A nomeação da primeira secretária de Estado "cega" implica um princípio de igualdade de representação. Se a Exma. Sra. D. Ana Sofia Antunes é de facto a pessoa mais que competente para assumir a pasta da Inclusão de Pessoas com Deficiência, então, por analogia, e face ao problema da toxicodependência que também preocupa o país, nomear um secretário de Estado toxicodependente talvez fizesse algum sentido. Se buscam indíviduos que possam se esgrimir de razões, por sentirem em primeira mão os desafios da sua condição, então, nessa linha de argumentação, um drogado estará mais que habilitado para propor medidas de combate à toxicodependência. Não sei se me faço entender, mas a política não pode ser apropriada de um modo cínico e intensamente populista. António Costa deve ter alguma noção dos fortes desequilíbrios que caracterizam a matriz social deste país. Por melhores intenções que tenha para nivelar assimetrias, corre o risco de as agudizar por não ser efectivamente inclusivo. Quantos sem-abrigo equivalem a um cego? E quantos génios são necessários para formar um governo?

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publicado às 14:25

Não é a Maria de Belém

por John Wolf, em 18.11.15

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Maria de Belém não chamou Cavaco Silva de gangster, mas aproveitou a boleia. A candidata que por acaso é socialista, sem ser necessariamente a candidata socialista, demonstra que quer ser a presidente da república de todos os socialistas. Ao exercer pressão sobre o actual chefe de Estado para que este se despache, fá-lo não no sentido abstracto do juízo presidencial, mas com os galões da Esquerda sobre a ombreira das suas pretensões. Ao sugerir o aprofundamento dos acordos firmados por António Costa e as outras forças políticas de Esquerda, Maria de Belém afunila o sentido abrangente e pan-ideológico que um presidente deve imprimir ao exercício do seu cargo. Se Belém os tivesse no sítio, faria bem em repudiar os insultos dirigidos ao presidente da república, mas não, preferiu fingir que nada aconteceu, que um colega seu do Partido Socialista (Porto) nada disse. A uma senhora não se pergunta a idade.

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publicado às 11:41

Trailer do filme socialista

por John Wolf, em 12.11.15

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O putativo governo do Partido Socialista e seus associados ainda não foi empossado e já paira no ar uma neblina de censura tácita. Não se pode sujeitar as propostas de governação da Esquerda ao escrutínio normalmente expectável em Democracias. O governo de coligação, ainda em funções, foi submetido de forma intensa e continuada ao juízo da oposição durante os últimos quatro anos. Ou seja, esse desnível crítico era considerado normal, salutar. O invés nem por isso. Mas não tem muita importância. Basta ir ao barbeiro popular, à praça, ao consultório do dentista, para, sem grande provocação de conversa fiada, perceber que o cidadão português não encaixou com grande facilidade o que António Costa fez enquanto epílogo dos resultados eleitorais. Na sua vida quotidiana os portugueses não são complacentes com práticas desta natureza - não se dão bem com vira-casacas, mesmo que o sobretudo tenha sido vendido como dissuasor de intempéries. Adiante. Ainda não temos governo novo à novo banco, mas já temos diversas comissões de lesados a protestar. Ele é a Confederação dos Agricultores - não quer a reforma agreste. Ele é a Petição para não dar posse ao governo - por causa das manias de poder de Costa. Ele é a TAP que está perto do colapso - os comunistas não têm noção de distâncias.  Ele é a Confederação da Indústria Portuguesa - não quer três patrões em simultâneo. Enfim, ainda nada está feito e o caldo já se entornou. O Ministro do Medo João Galamba veio mesmo a público insurgir-se contra um dos pecados mortais e alertar para os perigos da contaminação da descrença, da perda de confiança. E acho muito bem que o faça. Estes ensaios gerais servem exactamente para isto. Para confirmarmos o que está mal - para que não haja estreia. O filme ainda nem sequer começou, mas o trailer é miserável.

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publicado às 18:13

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Aviso os leitores para a violência das ideias contidas neste artigo. Decidi, embora temporariamente, colocar-me na cabeça politicamente cínica de António Costa. E depois aproveitei o devaneio da sua mente torcida e realizei o seu transplante para o espectro lobotómico de Cavaco Silva. Uma vez que os socialistas esticaram até ao limite as possibilidades constitucionais, e realizaram um golpe parlamentar perfeitamente legítimo, embora politicamente questionável, não vejo razão para que o Presidente da República se abstenha de cravar as suas unhas nas costas do sistema político e da instituição que corporiza - Cavaco Silva poderia ser António Costa apenas por umas horas, para ver se ele gosta. Ou seja, há tanta coisa que pode fazer sem contemplações de ordem misericordiosa, e que tiraria o tapete por debaixo dos pés da Esquerda que se espraiou em acordos de ocasião. Não falo de um governo de iniciativa presidencial. Não me refiro a um governo de gestão. Não menciono a dissolução da Assembleia da República e a convocação de novas eleições. Não senhor. Nada disso. Refiro-me a algo mais subliminar, malicioso, eticamente questionável, mas perfeitamente legal, inteiramente exequível do ponto de vista constitucional. Cavaco Silva poderia simplesmente demitir-se e passar a batata quente ao seu sucessor. O Presidente da República tem muito menos a perder do que António Costa. Se o fizesse não seria muito distinto daquilo que António Costa fez à revelia da tradição política de Portugal. Catarina Martins repete vezes sem conta que o aconteceu era exactamente o que o país precisava - algo novo, inédito. Então, pela mesma bitola e com o mesmo entusiasmo democrático, o Presidente da República poderia inaugurar uma nova modalidade institucional - demitir-se. Cavaco Silva poderia causar alguma confusão nas mentes convencidas daqueles que julgam que têm o rei revolucionário na barriga. Se é para escangalhar o regime de uma vez por todas, ao menos que o Chefe de Estado ainda seja chefe de alguma coisa.

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publicado às 15:21






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