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O masoquismo português.

por Cristina Ribeiro, em 04.12.13
A  partidocracia é, sabemo-lo, e  como sabemos!, um polvo de compridos tentáculos que asfixia o povo; povo a quem deve a sua existência, porque lhe acenou com as conhecidas " papas e bolos ". Facto historicamente inatacável.
É o que, superiormente, nos diz outro doutrinador do Integralismo - Mário Saraiva:
   " E tenhamos nós presente que é em nome da liberdade democrática que a partidocracia impinge ao povo o mais bem conseguido regime oligárquico e despótico!... "

Vamos continuar a ser tolos?

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publicado às 20:37

Tudo esquecemos, nada aprendemos ( 2 )

por Cristina Ribeiro, em 21.10.13
Para os que ainda duvidam de que está no ar um segundo « rotativismo » partidário, tal como o cunhou João Franco. O primeiro aconteceu durante a famigerada monarquia parlamentar, que, verdadeiramente, acabou com o assassínio de D.Carlos. Em certos aspectos da vida, a mesma água passa debaixo da mesma ponte, sim senhor! Basta não aprendermos com a História.
E, como as coisas estão, também este acabará em tragédia.
Temos de nos consciencializar de que os partidos são uma máquina de destruição.

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publicado às 11:02

Frases com Sentido.

por Cristina Ribeiro, em 05.09.13
A dignificação política do nosso País conseguir-se-á quando os homens bons de Portugal se resolverem a arrancar os Municípios das mãos em que caíram, cortando pela raiz o partidismo."
António Sardinha

         Num ensaio que intitulou de « Teoria do Município », António Sardinha, depois de evocar o Municipalismo de Alexandre Herculano - " O estudo do Município, nas origens dele, nas suas modificações como elemento político, deve ter para a geração actual subido valor histórico, quando a experiência tiver demonstrado a necessidade de restaurar esse esquecido mas indispensável elemento de toda a boa organização social " - , e de asseverar que a concepção de sociedade que viria, pelo contrário, a triunfar " gerou, como não podia deixar de gerar, o cesarismo - e com ele o absolutismo mascarado de centralização ", ' convoca ' os depoimentos de pensadores tais como Savigny ( " Se se analisam e decompõem os elementos orgânicos dum Estado, encontraremos em toda a parte o município " ), Tocqueville ( " É a primeira escola onde o cidadão deve aprender os seus deveres políticos e sociais " ), Royer-Collard ( " O município, tal como a família,existiu antes do Estado. Não foi a lei política que o constituiu, porque foi achá-lo já formado " ) ou Cânovas del Castillo - fundador do Partido Liberal Conservador de Espanha - ( " Um pueblo que no tiene liberdades locales, carece de hogar " ).
                                              ( antes editado no blogue Guimarães da Liberdade )

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publicado às 19:48

 

Na partidocracia está a origem de toda a podridão nacional.E ponto final.  

( Sem apelo nem agravo! )

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publicado às 01:25

O falhanço do sistema partidário.

por Cristina Ribeiro, em 23.07.13


" Esta crise dome'stica do principio do Verão e' a prova provada de que o bem pu'blico e o sentido de Estado estão ausentes como valor e critério de actuação dos políticos portugueses ( ... ) " e de que o que nela prevalece são " os interesses pessoais e partidários e a vaidade " Jaime Nogueira Pinto, no jornal Sol.

Por mais fartos que estejamos destes joguinhos não podemos abster- nos de os apontar uma e outra vez, " até que a voz nos doa " na medida em que não se trata de meras brincadeiras de infantário, embora o pareça, e, como tal inócuos. Não. Porque, como se sabe os portugueses são, de várias formas prejudicados por tais divertimentos - não só não são governados, como te^m direito, mas , mais, são revoltantemente lesados.

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publicado às 14:40

Banda desenhada a rigor

por Fernando Melro dos Santos, em 15.07.13

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publicado às 15:48

Indicando a porta de saída

por João Quaresma, em 14.12.12

Segunda: «O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, defendeu hoje, em Bruxelas, uma política industrial europeia mais "amiga do investimento", defendendo que a reciprocidade é a palavra-chave, e critica o "fundamentalismo" de algumas regras ambientais.»

Quinta: «Assunção Cristas desautoriza Álvaro. Ministro tinha criticado regras ambientais "fundamentalistas" que prejudicam a economia. Colega centrista do Governo responde que não podemos voltar ao século XIX e elogia ambição europeia.»

 

Quinta: «O último foi há 45 anos. Portugal vai ter um plano de fomento industrial. Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, garante que vai estar pronto em Fevereiro e será acompanhado por um comité de sábios»

Quinta: «Número 2 do PSD arrasa estratégia industrial do ministro da Economia»

 

Isto é a política em Portugal. Um professor universitário de Economia é desautorizado no exercício de funções de ministro por dois imprestáveis expelidos pelas máquinas partidárias. E como se não bastasse:

 

Sexta: «Passos Coelho: Descida do IRC só pode ser temporária. A descida do IRC que o Governo está a negociar com Bruxelas, que pretende reduzir a referida taxa bruta de imposto dos cerca de 25% atuais para 10% e apenas para os novos investimentos, só pode, afinal, ser temporária, esclareceu hoje o primeiro-ministro.»

 

Os independentes, os descomprometidos com os poderes e hábitos instalados, os competentes para as funções e todos aqueles que fazem o que está ao seu alcance para servir o interesse nacional são intrusos, são persona non grata. Mesmo que tenham sido convidados. São gente que não interessa e que incomoda o regime.

Isto não tem emenda.

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publicado às 21:00

As liberdades perdidas

por João Pinto Bastos, em 09.12.12

O cursus honorum do político profissional na partidocracia portuguesa é o exemplo mais saliente da gritante ausência da palavra Liberdade na narrativa ideológica oficial. Desde o beija-mão rastejante até à obediência servil às chefias partidárias, que atravessa curiosamente todos os estamentos etários, a carreira política é uma fonte inesgotável de arrivismo. Como explicar, por exemplo, a ascensão do atrevimento ignorante nas juventudes partidárias do centrão? O problema da liberdade em Portugal não se reduz apenas à deficiente concepção dos institutos da propriedade e do contrato. O problema é bem mais agudo e começa na Política. Na política com P maiúsculo. Na incompreensão, perigosa e letal, de que a democracia só funciona se for devidamente temperada pela lei e pelo direito. O principal problema deste "torpe dejecto de romano império" é a fraqueza do Estado de Direito. Sem ele, o despotismo e a corrupção dos costumes serão, inevitavelmente, uma realidade tangível. Já estamos nesse estádio. E digo mais, caso não atalhemos de vez esta putrefacção generalizada acontecer-nos-á aquilo que Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) diz na passagem em baixo, citando Ezequiel: "abençoado é aquele que, em nome da caridade e da boa-vontade pastoreia os fracos pelo vale da escuridão, pois ele é verdadeiramente o protector do seu irmão e aquele que encontra as crianças perdidas. E Eu atacarei, com grande vingança e raiva furiosa aqueles que tentam envenenar e destruir os meus irmãos. E saberão que eu sou o Senhor quando eu tiver exercido a minha minha vingança sobre eles"- Ezequiel 25:17. Os germes do totalitarismo andam por aí, ocultos sob a neblina da ilusão. E por mais que tentemos negar o óbvio, a liberdade encontra-se ameaçada. Seja no estupro económico do país, seja no abastardamento da democracia pela costumeira imundície dos pastores do regime, a liberdade está a sofrer vários abalos. E, mais cedo ou mais tarde, a gana de ter um Pastor que nos comande será infinitamente maior que a vontade de agir e viver em, e com, Liberdade. Cuidado.

 

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publicado às 12:53

Tudo esquecemos, nada aprendemos

por Cristina Ribeiro, em 05.12.12

 

Tenho na mesa de cabeceira vários livros; de literatura apenas leio um à vez ( neste momento, « No Bom Jesus do Monte » ), mas outros vou consultando, a eles recorrendo amiúde. Um destes é « Sob o Nevoeiro », do conterrâneo Mário Saraiva. Lúcido, cedo me dei conta de que em muito me identificava com o seu pensamento; na questão agora abordada, a conclusão lógica e óbvia é corroborada pela experiência que nos está dado ser vivida, há já 38 anos, a qual justifica que nela só não me revisse se fosse masoquista; só se não parasse um bocadinho, pouco é necessário, para pensar na razoabilidade do que diz.

 

Pergunta ele: " Acaso o pluripartidartimo [ tanto em Monarquia como na República ] alcançou a representatividade nacional? "

 

Pergunta que faz anteceder das seguintes considerações: " Temos no país uma longa experiência que vem dos princípios do século XIX e não podemos desprezar os factos e ensinamentos que ela encerra.

 

No desmanchar da feira do partidarismo monárquico, Oliveira Martins, um dos maiores pensadores da sua geração, denunciava com a maior propriedade que « o deputado só legitimamente representa a opinião partidária » e também que « entre os partidos e a sociedade portuguesa , entre uns bandos de espectadores e uma massa de gente laboriosa, não há pontos de contacto íntimo, nem solidariedade ». ( ... ) É notável, pela clarividência que revela, o seu estudo « As Eleições », propositadamente posto no esquecimento, porque muito informativo para o público desprevenido.

 

Com o acto revolucionário de 1910 os ingénuos idealistas republicanos [ que também os houve ] não tiveram a percepção de que o mal que arruinara a vida política em monarquia era o do partidarismo, pelo que em vez de partidos monárquicos passaram a degladiar-se partidos republicanos.

 

As coisas e as pessoas são o que são, e não como se desejam. Os partidos políticos não podem ser diferentes de si próprios, porque não podem fugir à sua circunstancialidade. A prova que nos deram, em tão longa experiência ( partidarismo monárquico, partidarismo republicano ) foi a de que, com o tempo, em vez de se corrigirem e aperfeiçoarem,mais se deterioraram, por agravamento doss seus defeitos ".

 

Acrescento: porque está na sua natureza o autopromoverem os próprios interesses, em detrimento do interesse do povo que juram representar, do interesse nacional.

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publicado às 18:49

Passos Coelho está no olho de um furação de miséria, convulsão social engolida em seco, custosa transformação paradigmática da economia portuguesa, colocando lá, onde antes estava a dívida para cobrir dívida, mais exportações num esforço titânico e brutal pelo equilíbrio do Estado. Suceda ou não suceda Passos nesse saneamento das Contas Públicas, conforme tenho repetido, o Regime caducou inexoravelmente. Corrompeu-se. Acabou. Os partidos estão de um lado. Os demais portugueses do outro. No meio, o vazio. No meio, o resvalar para a não-representação. Se tudo isto fosse apenas uma questão de política e de Governo, com os cofres repletos, teríamos força para mudar de imediato uma coisa e outra. Jamais tombaríamos na esparrela de conceder o voto à dissimulação e à autodestruição que nos faz morrer para salvar a face do País no contexto internacional. Acontece que todos os rostos do Regime assumem um último e derradeiro esforço pela salvação através dos jogos de sombras, da retórica leonina sob pactos tácitos alargados em voz de rato.

 

A violência do fisco e dos cortes, justamente denunciada pelo resto do espectro partidário, não tem como contraponto qualquer iniciativa dos partidos da denúncia e do protesto no sentido de beliscar finalmente as realidades arcaicas que norteiam o enorme negócio da partidocracia, listas do grande beija-mão para a deputação e para o resto. Depusesse a rua este Governo, conforme clama o patético Soares, mediante uma permanência egípcia das turbas tugas numa praça qualquer de Lisboa, e ficaria em causa não apenas o nosso simulacro de democracia formalística, arremedo donde se arredou o cidadão extra-partidos, mas sobretudo a própria base de sustentação dos Partidos eles-mesmos: PS, PCP-PEV, BE, PSD, CDS-PP, todos!, seriam tão apeados e atirados com a água suja do Regime quanto este Governo que faz o trabalho a dias sujo da Crise, executado tudo o que lhe dita o exterior, avançando e recuando como pau-mandado de Alemães e Franceses, executando o que nenhum outro partido ousaria fazer alguma vez, mesmo com uma pistola apontada à cabeça para ser Poder. Sem economia não há democracia. Sem cargueiros não há estiva. Sem passageiros não há transportes.

 

Com um Governo Capataz obediente à Alemanha, sob cujas directrizes mesmo a França já dança e faz coro, não temos como inventar um novo orgulhosamente sós feito de rupturas-Otelo, cubanizações-Soares, esquerdalhando, isto é, reciclando o Regime mediante o expelir expedito de investidores, capitais, confiança, tudo o que nos tem faltado desde há quinze anos, mas em muito pior. A nossa dependência de manietados é total. Eu que demonizei concentradamente alguém de quem nunca mais falarei vejo que toda a gente demoniza Passos. Mas o nosso problema trancende-os. Não interessa. Se o Regime caducou, o que lhe falta então para desmoronar ou implodir definitivamente?! Pouco. A situação de impasse-recuo da base tributária portuguesa atira o País para um labirinto sem qualquer saída: Gaspar e Passos festejaram precipitadamente as novas condições que passam a contemplar a Grécia, que lhe aliviam o torniquete dos juros e do tempo, e que supostamente seriam extensíveis aos outros países sob assistência. Afinal, não são. As vantagens concedidas à Grécia são as vantagens exclusivamente atribuídas a esse País. O estigma grego, esse é que não poderá alastrar aos Países cumpridores e obedientes, como o nosso, alegam as potências do Norte. Nem no Inferno! Capatazes obedecem. Feitores obedientes recebem louros elogiosos das potências a Norte.

 

Os submissos não serão incomodados. Só os seus povos! O par hermafrodita Passos-Gaspar recuou rapidamente da pretensão homologante à Grécia, e agora, com aquela face onde brilha um sorriso do tipo «Já tinha dito isto. Não disse nada daquilo», já não flana a bandeira branca pelas mesmas condições da Grécia. Perguntemo-nos o que nos resta. O que haverá para Portugal fora da subserviência aos alemães? Qual a margem para inventar uma voz portuguesa que em vez de sussurrar prudentemente o que quer, do que necessita, afirme veementemente qualquer coisa de legítimo para si, na Zona Euro? O Eurogrupo, aliás Eurobabel, centro de comando da Crise em crise, caminha às cegas, egoísmo por egoísmo, eleitorado por eleitorado, salve-se quem puder no grande balde de equívocos europeu.

 

Não está a valer a pena a lealdade portuguesa, uma lealdade que capitula, quando afinal somos nós que, se não emigramos e não desertamos, sucumbimos. Portanto, salva o teu coiro, tuga! Não há sinais de que o Regime dos Soares, dos Cavacos, dos grandes e secretos chupistas do Regime, desmorone controladamente, primeiro com a queda do Governo algures nos próximos meses, a bem ou a mal; depois com um Governo indigitado por Mário Soares e o grupo dos 70 [LOL], caso não avancemos para novas eleições; depois, com a atroz ingovernabilidade, em caso de eleições; depois, com o recrudescer dos mercados e do seu cerco de juros, estrangulando-nos novamente pelos ratings de lixo para baixo; depois, com a óbvia inviabilidade e greciaficação do Estado Português; depois, com a desacreditação, desarticulação, impugnação dessa nulidade curricular que preside à República, que é aquele como poderia ser outro qualquer; depois, com a humildade de se avançar para a eleição do cidadão livre e sem partido como representante dos demais portugueses no Novo Parlamento; depois, com um plebiscito ao modelo de Regime que nos naufragou e submergiu na humilhação vergonhosa em que estamos; depois, num assomo de orgulho, réstia de amor e brio nacionais, com a escolha de um homem humilde, de mãos limpas, como chefe de Estado.

 

Em suma, paciente leitor, como queres que Portugal desmorone, para além das fomes e das dores com que cada qual, no seu segredo, já desfalece? Na balbúrdia cacofónica das bazófias de Esquerda sem eleitorado? Com referendos claros, massivamente concorridos, a fim de clarificar a forma e os limites de actuação dos partidos, da representação parlamentar, a forma do Regime? Há dogmas quanto ao Regime ideal, no meio desta falência moral deplorável, ou poderemos finalmente mudar em paz?! Por que nos condenamos a ser e ter menos que dinamarqueses?! Por que nos resignamos a ser menores em comparação com holandeses?!

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publicado às 15:00

« O Tempo Esse Grande Escultor »

por Cristina Ribeiro, em 30.10.12

Certo. Foi um elo da engrenagem partidária. Mas será um daqueles que " não têm vergonha de mudar de opinião "?  porque não têm medo de dizer que erraram? Não sei bem se é esse o motivo, mas o certo é que já há tempos vem pondo a boca no trombone. Como outros. 

 Hoje diz-nos o quanto essa austeridade que tanto apregoam como a alternativa possível pode ser -é!- tenebrosamente facciosa.

Armemo-nos e marchai!...

 

Por esta e por outras, como posso continuar a acreditar nos partidos?

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publicado às 17:14


Edvard Munch, O Grito, 1893

Ao iniciar a redacção desta posta pensei na célebre pintura de Edvard Munch, O Grito. Porquê esta obra? Este quadro serve um pouco para tudo, pois é, de certo modo, uma alegoria perfeita da melancolia solipsista do homem moderno. Não se cura aqui de efectuar um exame filosófico ou sociológico do homem-massa, que é indiscutivelmente um dos principais atributos das pós-democracias actuais, mas sim fazer um paralelismo entre o desespero englobante da pintura referida e a inquietação que acometeu o povo português nos últimos anos. A perscrutação das maleitas da pátria, a que tenho dedicado a grande maioria das minhas postas neste blogue, tem-me feito pensar no grau de derisão colectiva a que chegámos. Há uma angústia latente no rosto gasto e abatido dos portugueses. Atingimos o limite. Assistir à decomposição de um país tão sofrido, de uma nação secular, de uma pátria que passou e sobrepujou obstáculos múltiplos, dói e magoa. O desejo suicida veiculado por Herculano já não basta como brado de revolta face a este caos pútrido que nos encharca diária e quotidianamente. Hoje, mais do que nunca, só um potente grito será capaz de salvar-nos enquanto povo: um grito torrencial, vívido e fulgurante, sem peias nem grilhetas. 

Estas divagações têm como ponto de partida os últimos desenvolvimentos da já avelhentada crise portuguesa. As recentes declinações passistas a propósito da refundação do memorando, ainda que imerecedoras de interpretações rebuscadas, são dignas de algumas notas. O que significa, em concreto, a "refundação" do memorando de entendimento? Esta pergunta, objectiva como não poderia, aliás, deixar de ser, é fruto da incompreensão berrante que a narrativa política construída por este Governo amiúde impõe. A proclamação de Passos Coelho, além de nebulosa e torva, obliterou a menção aos detalhes e pormenores que irão ser arrolados na árdua tarefa da refundação. Não basta afirmar que se pretende reformar e refundar, é necessário, outrossim, dizer como e quando. Ademais, há um aspecto que passou completamente despercebido na comunicação do primeiro-ministro: a revisão da Constituição. Será que Passos Coelho acredita na reforma do Estado sem a alteração da vigente narrativa constitucional? É assim tão espinhoso compreender que a superação dos bloqueios nacionais exige, pede, e demanda o fim do verniz socializante vertido na CRP.

Como se isto tudo não fosse suficiente, António José Seguro resolveu brindar-nos com mais uma reflexão política de fôlego. O secretário-geral do PS, nas já famosas alocuções facebookianas - o exemplo do preclaro Presidente da República fez escola -, veio rememorar aos mais desprevenidos que o PS, e passo a citar (sic), " não está disponível para nenhuma revisão constitucional que ponha em causa as funções sociais essenciais do Estado." Estamos, pois, conversados quanto à viabilidade de uma "refundação" verdadeiramente consequente do memorando de entendimento. Contar com o PS para uma revisão constitucional que reenquadre as funções sociais do Estado num cenário de escassez de recursos? Nunca, ou como diria o saudoso Mário Lino, jamais! A partidocracia do regime chegou ao pináculo irrecuável da irreformabilidade. Já escrevi sobre isto, e volto a repetir: "este regime, na catrefada de erros que o tem caracterizado, chegou ao seu crepúsculo terminal. O tribalismo "devorista" das nossas elites, e a impermeabilidade das mesmas ao pulsar da vida quotidiana, conduzirão, mais dia menos dia, a um fim súbito."

Para terminar esta breve glosa das declarações do primeiro-ministro trago à colação um facto que, devidamente menosprezado pelo comentarismo caseiro, é de enorme revelância para o que se seguirá neste "torpe dejecto de romano império": o Governo não está, nem estará interessado em seguir a teoria da "negociação honrada" tão cara a Miguel Cadilhe. Renegociar prazos, juros, não, nem pensar, cruzes credo. Não congregar esforços com os restantes PIIGS (que acrónimo mais horroroso) é a senha de ordem de Gaspar e companhia. Espero que - concedo que talvez seja mero wishful thinking -, o credo aventado por Paulo Portas nas jornadas parlamentares PSD/CDS se concretize: Portugal deve ser proactivo nas negociações com a troika. É tempo de Portas levar à prática o conselho dado à estampa nas páginas do Público por Paulo Rangel: proactividade e autonomia negocial no seio do MNE. Ironia ou não, começo a achar que uma diplomacia bifronte até teria algumas virtualidades.

As breves reflexões acima esparramadas têm como corolário lógico a seguinte conclusão: com esta política, com estes protagonistas, com estas elites, não sairemos deste letargo. Caros leitores, convençam-se que, enquanto permanecermos enrodilhados no cárcere da perfídia regimental alinhavada pelos cortesãos do costume, não lograremos sair desta austeridade brutal que atinge o âmago da nossa existência. Munch retratou na perfeição o frenesi do homem moderno, todavia, receio que hoje o grito seja bem mais arrebatado e impetuoso. Talvez Hemingway tivesse razão ao dizer que um homem pode ser destruído mas não derrotado. Falta saber se o povo português concorda com esta tese. 

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publicado às 23:58

O problema não está necessariamente nos povos

por João Quaresma, em 07.05.12

«A ideia de que Cavaco, porque foi primeiro-ministro e Presidente da República, tem algum talento para a política, é falsa. De resto, Portugal está cheio de casos desses, falsos escritores, falsos políticos, falsos jornalistas. Cavaco Silva não tem jeito nenhum para a política. É ver essas coisas que ele vai dizendo por aí ultimamente – e quando se enerva ainda é pior. Cavaco Silva só é político porque vive em Portugal».

 

Vasco Pulido Valente, hoje no I

 

Tem razão no que diz, mas não concordo com a última frase. Por toda uma Europa onde a política está entregue, em larga medida, a nulidades haverá gente a tirar a mesma conclusão em relação às suas. Os italianos acharão que só em Itália é que Romano Prodi poderia ter sido político, os finlandeses que só na Finlândia é que uma Tarja Halonen poderia ser eleita presidente, e os franceses nem falar. Mas isso não é grave. O que é grave é concluir que só no Reino Unido é que Thatchers chegam ao poder. E mesmo isso foi há trinta anos.

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publicado às 16:15

Louçã, Jerónimo e Cavaco "à rasca"?!

por Nuno Castelo-Branco, em 10.03.11

Vivemos num país que faria as delícias de qualquer pintor surrealista. Melhor dizendo, Portugal teria servido de guião alternativo ao "Un Chien Andalou" da dupla Buñuel/Dali. 

 

Jerónimo lidera um partido que destruiu empresas, desertificou os campos, agrilhoou a política a sofismas de outros séculos e liquidou nos manuais escolares, a ideia de nacionalidade. Louçã é um incendiário, quase um psicopata que de isqueiro em punho, tenta queimar o edifício onde vive e prospera. Cavaco pôs as mãos num cofre de ouro que faria inveja aos quintos que D. João V recebia do Brasil e desbatratou-os como soube ou não soube.

 

Ironicamente, são estes os avós desta geração "à rasca" e que a ela se juntam em apelos para a manifestação contra si próprios. Que parvoíce, é o descrédito total, tudo é demasiadamente rasca.

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publicado às 10:57

O "presidente honorário" do PSD...

por Nuno Castelo-Branco, em 09.03.11

...retomou posse do seu sonhado cargo de 1º ministro sombra. Que vergonha, que falta de nível para a função constitucional, benza-o Deus! Nada de novo, confirma-se a falsidade do corriqueiro ..."de todos os portugueses", tratando-se apenas da mesma luta intestina do regime. Em suma, o discurso - entremeado por muito audíveis rosnares do lado esquerdo -, consistiu na oportunista "deolindação" de Belém. A uns dias da tal manifestação, fez os possíveis para que o seu nome - também - não seja proferido na rua. Isto, da parte de um até agora ostensivo colaboracionista e responsável de três décadas, pelo estado a que Portugal chegou. O discurso primou pela indecência.

 

Separadas as águas, se o PS tivesse um mínimo de decoro, reuniria esta noite a Comissão Política e declararia o seu apoio à instauração da Monarquia.

 

Pobres diabos...

 

Adenda: em 1907, o Rei D. Carlos I concedeu uma entrevista ao jornal Le Temps. Umas tantas passagens que levantavam suspeitas acerca da imparcialidade política do Chefe de Estado e uma expressão incorrectamente traduzida e que colocava em causa a integridade do carácter dos agentes políticos, precipitou a crise e talvez, o Regicídio. Este discurso de Cavaco Silva, escandalosamente colando-se à manifestação anti-regime que se prepara - consultem o Facebook e ficarão elucidados -, pode muito bem significar o início da etapa final do sistema vigente. Para isso bastará o PS apanhar a luva e aceitar o duelo com Belém. Grande serviço prestou Cavaco Silva à Causa Real!

 

Pedro Quartin Graça, teve a amabilidade de nos enviar o magnífico e inclusivo discurso proferido esta noite pelo Rei Mohamed VI de Marrocos. O Sr. prof. Cavaco Silva bem poderia lê-lo com atenção e aprender alguma coisa. 

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publicado às 16:35






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