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Procedimento por elogios excessivos

por John Wolf, em 22.05.17

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Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente de todos os Portugueses + a Geringonça, alargou o âmbito do elogio respeitante à saída do Procedimento por Défice Excessivo (PDE). Afinal o governo anterior também tem direito a uma fatia do bolo, e a apagar uma vela. Mas o problema não reside nos festejos, nos globos de ouro, nas sandálias do Beauté, ou na alcatifa vermelha de políticas de mais ou menos Esquerda. O espinho que parece ter causado mais comichão é a simplificação que João Salgueiro cravou nos pressupostos da glória económica dos indicadores. Diz o especialista que foi o Turismo que se mexeu e roubou o lugar às indústrias, à economia dita clássica. Sem dúvida que a febre turística é responsável por uma grande quota-parte do sucesso. Mas existem perigos. Estarão recordados do primeiro boom turístico-imobiliário que desfigurou a pacata Armação de Pêra e que cicatrizou Quarteira? Pois bem. Assistimos a uma segunda vaga que comporta alguns desafios. Portugal encontra-se na fase hélio da bolha - é só facturar. São restaurantes e hóteis, tuk-tuks e programas de lazer, festivais de música, certames da bolota, mostras da rolha, mas o cidadão-residente, aquele que fica depois das festas acabarem, não está a participar no lado lúdico do espectáculo. Como o incremento do lado da oferta é superado pela procura, a equação é linear e tem um nome: inflação. O conceito Inatel, de turismo para o povo, deixou de existir. Pergunte-se a um idoso, com a reforma que se conhece, se vai para fora cá dentro. Não me parece. E é aí que a questão se torna problemática. O governo descobriu a galinha de ovos de ouro, mas à semelhança de tantas aventuras históricas de exploração económica (coloniais se quisermos), geralmente os processos descambam. Agora querem mexer no sector para o hiperbolizar ainda mais. A saída do PDE pode alimentar fantasias que estão na origem da ruína primeira que conduziu a sevícias da União Europeia, do FMI e do BCE. Por outras palavras, ao fazerem passar a ideia celebratória de vitória no festival da canção política, podem contribuir para que haja ainda mais extravagâncias. Os resultados do Turismo são óptimos. A ver se não estragam a coisa.

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publicado às 17:35

TSUNAMIGO

por John Wolf, em 17.01.17

 

 

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Jerónimo de Sousa, o místico, saiu da caverna para explicar aos jornalistas e ex-jornalistas que a aparição de coligação que Passos Coelho avistou, de facto não passa de uma miragem. Diz ele, ao bater o pé na trave e a foice no martelo, que os comunistas não são nada tsunamigos dos socialistas e que o maremoto dessa taxa descendente representa uma no cravo dos propósitos da Esquerda unida. Com tanta prosápia, com tamanha logística de quem é quem, e para onde caminhamos, Jerónimo de Sousa fere o orgulho geringoncial. Resta saber se os comunistas são mais social-democratas do que os passistas são marxistas. Devo dizer que aprecio estas saladas místicas temperadas por galheteiros ideológicos de candeias às avessas. Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, o presidencialista-pop, não me restam grandes dúvidas. Tudo fará para salvar o orgulho do Rato. Não sei exactamente qual Senhor serve o presidente da república. Uma coisa é certa, amor de povo é valioso. Afecto das massas não se enjeita. Resta saber quem paga a taluda da bandeira do salário mínimo a qualquer custo. Pessoalmente acho que o BES, a CGD e o Banif deveriam pagar o aumento da tarifa mensal com os fundos de salvamento que receberam a troco de sabe-se lá do quê. Assim vamos nesta assembleia de lideres mítricos, de barretes enfiados e pegas de caras ou coroas. Qualquer dia Catarina Martins será agraciada com a ordem de São Caetano por ser coerente e disciplinada. O acordo da Geringonça existe no papel, mas não passa disso mesmo. Vira o dístico e troca o mesmo pelo seu oposto. A maré está baixa e as calças estão pelos joelhos.

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publicado às 14:46

M&M - Marcelo e Merkel

por John Wolf, em 02.06.16

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De maneiras que é assim. Acabou o namoro entre Marcelo e Costa. O fim do matrimónio deve implicar separação de bens. A escapadinha tinha de acontecer - agora é M&M bff. O Presidente da República Portuguesa foi chamado à liça por Merkel. Entre duas ou três bolas de Berlim, a chanceler alemã puxou o professor para um canto e disse: "vê lá se ganhas juízo". Costa = Passos. Por outras palavras, Portugal = Portugal. E a festa é para continuar. Mas, Marcelo Rebelo de Sousa que passa mais tempo em Belém do que Berlim, ainda teve tempo para inventar uma ficção para consumo interno. O Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP) aceitaram a realidade? Minha Santa Ângela das mudanças de sexo aos 16!!! Eles nem sequer viram a realidade. Já ouviram falar do Bremain? Pois. Seis meses nem chega a ser uma gestação como deve ser.

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publicado às 13:47

A trumpização de Passos

por Pedro Quartin Graça, em 08.05.16

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Reeleito por larga maioria no recente Congresso do PSD, incapaz de abandonar o luto posterior às eleições legislativas na qual tentou, sem sucesso, convencer os portugueses que estas serviam para eleger o primeiro-ministro, persistindo simbolicamente em ter o pin na lapela ainda da época em que entregou o país às mãos da senhora Merkel, Passos, é dele que aqui falamos, voltou esta semana a debitar uma daquelas frases de que tanto gosta, na senda, aliás, de muitas outras com que enriqueceu o já rico anedotário nacional. Disse ele que "nunca" esteve numa obra de inauguração enquanto liderou o Governo. "Nem de estradas, nem de autoestradas, nem de pontes, nem de coisa nenhuma."

 

Não fora o facto de podermos ver o ex-governante neste vídeo em que, com pompa e circunstância, inaugurou uma ponte no IP3, quase julgaríamos que era na verdade um sósia de Passos que nos deliciou com todas estas presenças públicas...

 

Passos dá, de novo, pública nota de uma crescente perturbação. Pobre PSD...

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publicado às 11:31

O branqueamento da rosa

por John Wolf, em 13.02.16

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Está em curso um processo de branqueamento da rosa. O Partido Socialista (PS) sabe há demasiado tempo que as decisões políticas do governo anterior não resultam de preferências ideológicas, mas de circunstâncias incontornáveis respeitantes ao estado da nação. Nenhum governo escolhe o caminho da Austeridade por amor à camisola. Nenhum governo escolhe o caminho conducente à impopularidade e subsequente demissão pelo eleitorado (que até nem foi o caso). António Costa mal teve tempo para aquecer a cadeira de primeiro-ministro, para agora se dar conta de que o caminho traçado pelo governo anterior afinal não era o errado. Ou seja, o que tinha de ser feito foi feito, e pelos vistos deve ser continuado, se Portugal deseja evitar uma catástrofe de proporções gigantescas. É caricato que o mesmo homem que invocou a maioria parlamentar para formar governo, venha agora pedinchar ao PSD e ao CDS o seu apoio. Mais valia que o PS pedisse a abolição de partidos da oposição, que engendrasse um modelo de Estado novo alicerçado na apreciação monolítica dos desafios nacionais. António Costa está à rasca e joga esta cartada - passa a batata quente à oposição -, para se poder libertar do peso da responsabilidade. O casulo é uma metáfora curiosa, mal escolhida por António Costa para descrever o direito ao respouso que assiste ao anterior governo de coligação. O que está a acontecer é o seguinte. Passo a explicar. António Costa quer que a oposição subscreva as medidas de austeridade que vão ter de ser agrafadas ao Orçamento de Estado, mas do casulo brotam borboletas às cores e não flores de rosa. Quisesse Costa evitar transtornos e servir o país, teria, nessa mesma noite eleitoral, se aproximado de Passos Coelho e Paulo Portas para encarar de frente a verdade dos factos duros da vida económica, financeira e social do país. A oposição, chamada à liça pelos socialistas, decorre da possibilidade de Costa ter de substituir peças gastas da geringonça. O que ele quer eu sei bem. Substituir Jerónimo de Sousa por Passos Coelho e Catarina Martins por Assunção Cristas. O homem é esperto. E pouco mais.

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publicado às 19:37

A reemergência do bloco central de interesses

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.15

As notícias sobre a morte do centrão foram manifestamente exageradas. Passos e Costa podiam fazer o jeitinho a Cavaco Silva e permitir-lhe terminar o mandato deixando o legado com que há anos sonha: um governo composto por PSD e PS. Sempre era mais "estável e duradouro" que a geringonça.

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publicado às 16:41

E também isto

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.15

Luís Aguiar-Conraria, “As finanças são uma arma. Política é saber quando puxar o gatilho”.

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publicado às 10:06

Isto

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.15

Luís Menezes Leitao, Oposição a sério, precisa-se:

 

Se, como tudo indica, o PSD viabilizar o orçamento rectificativo, acho que deve ser Passos Coelho a demitir-se da liderança. O país precisa de uma oposição a sério a este governo e não de partidos amorfos, que vêem o seu próprio governo ser derrubado e vêm logo a seguir oferecer a outra face, apoiando quem os derrubou. E não me venham com a treta do interesse nacional. O interesse nacional é precisamente que não sejam gastos os 3.000 milhões que se quer meter no BANIF, agravando o défice e a dívida. O voto do PSD a favor deste orçamento só demonstrará uma coisa: que António Costa tem todas as condições para ser primeiro-ministro. Pedro Passos Coelho é que não tem manifestamente condições para continuar a liderar a oposição.

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publicado às 09:51

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Passos Coelho acaba de empossar o governo de António Costa. O primeiro-ministro promove os socialistas ao seu mais alto nível de usurpação. Certamente que conhecem a expressão:"contra uma porta aberta não vale a pena empurrar", e, nessa medida, como já havia escrito noutras ocasiões, o PSD e o CDS devem deixar a nova Esquerda demonstrar a amplitude das suas contradições. Deixem-nos utilizar a sua varinha mágica. A mesma que gera aumentos de salários, reposições de pensões, que acaba com as privatizações, que diminui a dívida pública e privada, que disciplina a banca e os especuladores neo-liberais, que cria impostos sucessórios pesados ou que lança obras públicas megalómanas. Portugal tem todo o tempo do mundo para suportar todas as experiências, para se afundar novamente, para repetir a história recente. O PS apenas quer apresentar um orçamento. Vive obcecado com essa ferramenta de execução governamental, como se não houvesse nada mais a acrescentar ao desígnio nacional. António Costa quer respeitar os compromissos europeus, mas ainda não percebeu que o continente está a mudar. Quero saber quem irá ser o Centeno dos negócios estrangeiros. Será Freitas do Amaral o novo responsável pela política externa deste país? Não seria mal visto. Os bons serviços devem ser recompensados. Essa é a lógica conceptual do PS. Colocar gente de confiança nas juntas de freguesia, nas chefias de repartições públicas e nos quadros de grandes empresas. Se houver chatice, basta virar as costas. Fingir que Armando Vara é nome de cantor e José Sócrates alcunha de outras sortes. Não vale a pena insistir na tese da banana pequena. Cavaco poderá prestar um último serviço ao país, e daqui a uns meses quando estiver a gozar a reforma na praia da Coelha, poderá dizer: eu bem que avisei.

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publicado às 13:53

Fim de festa.

por Pedro Quartin Graça, em 11.11.15

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Afastado por mentira e mau comportamento reiterado. Siga.

 

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publicado às 07:21

Se eu estivesse aboletado em Belém (2)...

por Nuno Castelo-Branco, em 21.10.15

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...decerto estaria hoje com uma visão muitíssimo mais nítida do que está em causa e agiria em conformidade.


Amanhã, 5ª feira, chamaria Passos Coelho a Belém e indigitá-lo-ia, obrigando-o a apresentar um orçamento que decerto há muito estará concluído. Indo este a julgamento em S. Bento, logo a oposição unida previsivelmente o chumbaria, responsabilizando-se por todas e quaisquer consequências.


Consequentemente, chamaria o líder do novo bloco governamental, fazendo-lhe apenas uma exigência:

- "Na suposição de Vossa Excelência ter imposto aos seus aliados o disposto pelos tratados internacionais a que Portugal está vinculado, conceder-lhe-ei a presidência do Conselho de Ministros, formulando apenas uma exigência: quero uma coligação formal que obrigue os três partidos à solidariedade por todos os actos que o dito Conselho exarar. Não posso em consciência aceitar outra fórmula, pelo que desde já o aviso de que se vislumbrar qualquer tipo de manobras dilatórias, manterei o actual governo em gestão corrente. Boa tarde e boa sorte, fico então a aguardar a sua resposta". 

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publicado às 21:10

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Passos Coelho e Paulo Portas, digam o que disserem os seus detractores, estão inequivocamente a demonstrar a sua estatura política. A porta para um entendimento a três não está obviamente escancarada, mas deixa entrar alguma luz. Em nome da governabilidade e da salvação nacional, a actual coligação entende que mais altos valores estão em causa - Portugal. António Costa, se for inteligente e não for ganancioso, tem menos a perder integrando o executivo, do que apostando o património do Partido Socialista nos comunistas ou bloquistas. A matriz política do país não é muito diferente daquela dos Estados Unidos. Para bem e para mal, são dois os partidos que disputam o poder. A expressão reaching across the aisle consubstancia bem o que Portugal necessita com alguma urgência. O que deve prevalecer neste momento será algo que escapa à racionalidade e calculismo políticos - o bom-senso. O Partido Socialista, se preza a sua continuidade nos moldes da sua alegada cultura ideológica moderada, deve, sem hesitações, entrar com firmeza e honestidade intelectual em negociações tendentes à distribuição de pastas e a um acordo genérico respeitante a questões políticas fracturantes. Faz isto ou arrisca-se a escutar Cavaco Silva informar que não há nada para ninguém socialista. Quanto a Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, lamento muito. Se ainda não perceberam o que se está a passar (após duas semanas de ensaios), então não merecem ocupar os seus postos de liderança. O sonho foi bom enquanto durou. E António Costa não fará mais ou menos do que fez a António José Seguro. Servir-se-á deles como monta-cargas, mas quando for preciso manda-os embora com a cauda entre as pernas.

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publicado às 16:32

O PS ficou em prisão domiciliária

por John Wolf, em 05.10.15

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O Partido Socialista colocou-se numa situação difícil. Diria mesmo que ficou em prisão domiciliária. A derrota eleitoral da noite de ontem põe em evidência alguns factos relevantes. António Costa, que fez da alternativa de confiança a sua bandeira de campanha, nem sequer é alternativa de si mesmo, mas ficou preso à cadeira do Largo do Rato como se não fosse arguido de uma noite eleitoral para esquecer. António Costa não se apresenta como um homem toldado pelos mais recentes acontecimentos. O que ontem aconteceu deveria ter implicado outro discurso. Em primeiro lugar, e em nome do fair-play democrático, congratular a coligação Portugal à Frente (PàF) e os portugueses pela escolha dessa maioria (mesmo que relativa). Em segundo lugar, e sem demoras, apresentar a sua demissão à luz de um outcome insuficiente, servindo-se da mesma régua que serviu para admoestar António José Seguro. São comportamentos desta natureza, que "administrativamente" podem dizer apenas respeito aos socialistas, que transbordam para o espectro integral da matriz electiva nacional - os portugueses viram e tornam a ver incongruências, e isso afasta-os cada vez mais, para gaudio do Bloco de Esquerda que soube interpretar as deficiências congénito-políticas do partido rosa. Os socialistas, pela mão de Costa, parecem não estar interessados em aprender. Repetem erros e mais erros que minam os fundamentos da representatividade partidária. As consequências do descalabro de Costa devem se fazer sentir o mais celeremente possível no Largo do Rato. A coligação, por seu turno, pode encarar a maioria relativa como algo de positivo. Um governo, fragilizado pelo número de assentos parlamentares, pode aproveitar a dissonância para conduzir a governação de um modo que assenta no envolvimento colectivo. As propostas que a coligação venha a apresentar em sede legislativa podem ser inviabilizadas pela oposição, mas a plenitude dessa negação recairá sobre os ombros de Costa e sua bancada parlamentar. O Partido Socialista (PS), se for inteligente, poderá aproveitar a estrada que tem pela frente para capitalizar junto da população portuguesa, demonstrando que é capaz de pensar para além do lugar dianteiro reservado aos ganhadores. O conceito de lead from behind seria um modo do PS paulatinamente renascer das cinzas. Mas não me parece que o ego político de António Costa queira acomodar o melhor para o país. A aposta foi de tudo ou nada. Pelos vistos o tema monolítico da Austeridade tem mais nuances do que os olhos querem ver. Aguardemos com expectativa, e com algum grau de suspeição, para confirmar se António Costa pretender mesmo lançar Portugal no marasmo político. Apenas mais uma coisa para terminar e que salta à vista de um forasteiro como eu: em Portugal temos quase sempre um grupo de génios que é sempre melhor que o outro grupo de atrasados mentais.

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publicado às 13:29

Portugal not blowing in the wind

por John Wolf, em 02.10.15

 

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In January of 2011 Bloomberg TV interviewed me for two long minutes from the beautiful Praça do Comércio square in Lisbon, to borrow my take on Portugal´s economic and social condition and the big event of that day - the sale of treasury bonds in the open market. There was some vague hope that the going rate would reflect Portugal´s financial and economic condition. However, that form of diagnosis would prove to be insufficient, albeit correct – the country was in serious trouble and favorable financial lending conditions just wouldn´t fit the bill, they would be insufficient to address deeper concerns. The socialist government eventually admitted the demise and signed the terms imposed by the Troika, in the process managing to get the support of the two other mainstream parties which form the coalition soon after put in place, following a stunning electoral defeat. Difficult times lay ahead for Portugal, but before I go any further, let me convey the following: ideologically it would make no difference who was in power or who held government – the problems were structural and long overdue. The coalition government of the social-democrats and the christian-democrats, that succeeded the socialist previously in power, not only received one rotten apple, but an overwhelming legacy of imbalances from previous decades. Portuguese European Economic Community (EEC) and European Union (EU) membership had brought an array of good things and change to a periphery country hindered by poverty for such a long time. Portugal can now boast the largest network of highways in Europe, but the easy money handed over by Brussels proved to be a temptation for gross government mismanagement and corruption. And there was more. The body of civil servants had already then for many years outgrown the capacity of a nation of ten million inhabitants, debt had flared up and the economy was unable to position itself in a competitive manner in the midst of a global scenario of transfer of wealth from West to East.

 

In 2012 Portugal started to implement the recipes from the Troika´s instruction manual. Unemployment rocketed as harsher fiscal measures forced companies to restructure the nature of their operations. The workers were the first to go and capital expenditure was brought to a halt. The reforms envisaged by the Troika had been implemented, but not to the degree demanded by the working class of Portugal. Street protests were staged in Lisbon and other important cities. Some issues did not go unnoticed by large swaths of the population, whatever their political inclination, either adepts of the Greek left-wing, inspired by the antics of Syriza, or subscribers of neo-liberal solutions put forth by Wall Street. In the years that followed, the privileges of politicians had hardly been tinkered with and banks in dire straits were receiving preferential treatment at the expense of taxpayers. Those unemployed and those that had fallen out of the social security network did not take this lightly. Portugal was fulfilling the promises made to the Troika bosses, but its people were suffering. One wonders if there was a better choice, an alternative. The situation had become economically and socially distressing, and as members of the European Monetary Union, currency devaluation had become an impossibility, a myth – the Euro for good and for bad. Portugal needed urgently to raise cash for treasury needs and International Monetary Fund installments, so the privatization of state-owned companies was the route to take, which led to a fierce proto-nationalist discussion on the loss of economic sovereignty. Many of the politically motivated arguments were fished from historic considerations, a by-product of the Pink Carnation Revolution of 1974 that overthrew 48 years of Salazar dictatorship. Sadly enough, Portugal still tends to cling onto concepts of the past when it must jump-start a totally different political approach. Portugal has been held in the ideological straightjacket of the discussion between the Left and Right wings of the political spectrum and has difficulty in thinking beyond the old fashioned paradigm.

 

Presently Portugal is to be found at the perilous crossroad of geopolitical and economic events. One could argue that the country has already hit the bottom and that the economic and social situation is slowly turning around. Recently unemployment data was disclosed and the number presented was slightly favorable: 12.2%, although the parties in the opposition do not concur, even if the numbers are official. One may even consider that Portugal seems to have entered a period that would be best described as a “cautious recovery”, but always bearing in mind some important caveats and unpredictable risks. One may ask which factors have most likely contributed to a GDP uptick in the last quarters, although any reply must take into account not only quantifiable vectors, but dimensions that relate to the macro-social mood and the confidence in the future felt by the people. In financial and economic terms, we may state that the positive impacts result from revenues from tax collection, the elimination or downsizing of public sector services, the optimization of production units in the private sector, the increment of the export of goods and services where Portugal already had a stronghold, the general lending environment with interest rates close to zero, the intervention of the European Central Bank that acted as the “replacement buyer” of Portuguese treasuries, and one other discretionary vector that has yet to be fully understood or accepted as such – the direct transfers of funds of Portuguese emigrant workers that left their country in order to provide for their families. All this must be part of the mix that explains a possible turning point. However, one must add one other dimension that suffers the volatility of seasonality. Tourism has hit record figures in 2014, and 2015 will most certainly replicate or even surpass the previous good results. As such, Portugal must be identified as a tourism-based economy with a number of satellite sectors that operate in specialized niche areas. A country at the forefront of technology, with skilled workers and unhindered by radical or extreme political phenomena that afflict other nations. Portugal must continue its path of economic consolidation and slowly commit itself to innovate its political matrix. One could argue that Portugal´s leaders have been its worst enemy, but the following analysis must be kept in mind; the collective nature of its Portuguese society has yet to flourish, in the sense that excludes the damaging culture of traffic of influence, special connections and corruption. The political forces in Portugal are to be held responsible for the destiny of this nation, but its people must develop the conventional wisdom that the future lays in its hands. In that line of considerations, one may state that Portugal is a divided nation. The up and coming elections of October 4th will most likely reflect the mixed assessment of voters. We may identify those that believe that Austerity has worked and that a return to a socialist led government would mean a reversal of what was achieved, and on the other hand, those battered by unemployment and difficult living conditions, are probably more inclined to punish the government for the past 4 years of imposing rules. A clear-cut winning scenario seems to be out of the question. And that may not be what Portugal needs most – a mandate to finish business and move along.

 

Portugal must also cross its fingers and hope that Greece doesn´t derail itself, that China doesn´t catch a serious cold, or that Russia does not drag the western nations into some wide-scale European conflict. A combination, of all or most of those, paradoxically, might give Portugal the chance to do what it historically does best: sit on a fence and ride the winds.

 

So, quite literally, Portugal depends on itself as much as it may blow in the wind…

 

  • article written in english per request by an international think-tank. To be also published in German.

 

 

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publicado às 11:39

Sem pedirem a maioria absoluta

por Samuel de Paiva Pires, em 30.09.15

Com jeitinho, Passos e Portas ainda são capazes de a conseguir.

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publicado às 18:50

Leitura recomendada

por Samuel de Paiva Pires, em 16.09.15

"Obviamente, voto Passos", de Maria de Fátima Bonifácio.

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publicado às 17:25

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Qual a relação entre o corte nas pensões e os lesados do BES? Ainda não consigo responder de uma forma satisfatória, nem sei se conseguirei, mas estou a tentar. Hoje mesmo, na pré-campanha da coligação em Braga e na arruada do Partido Socialista (PS), a divisa de câmbio político parece ter assente nessa premissa dialética, nesse tema que simultaneamente aproxima e afasta. Passos Coelho, que foi confrontado de um modo intenso por reclamantes do BES, não virou as costas ao assunto e, de um modo sussurrado ao freguês, até formulou um caminho para os lesados avançarem. Por seu turno, António Costa gritou, acompanhado pela fanfarra da terra onde desfilou, que com um governo socialista: "cortes nas pensões, jamais". E acrescentou que nunca faria uma coligação com um governo de Direita, mas engana-se no mapa de estradas ideológicas. A Esquerda e a Direita já não são o que eram. Nem no Reino de Sua Majestade. O momento que Portugal atravessa, a crise que tantas pessoas afecta, obriga, de um modo genérico, à adopção de entendimentos impensáveis. Os socialistas, se fossem progressistas e já se tivessem adaptado convenientemente ao novo mundo da política, já teriam percebido que vai ser necessário encontrar um compromisso, se não em todas as matérias de atrito, pelo menos em relação a alguns temas centrais. A própria coligação - o governo em funções-, já estendeu a mão à ala socialista para propor soluções mais consensuais para Portugal e que integrem ideias do PS. Já vimos que o país está politicamente rachado ao meio, mas enquanto a coligação procura colmatar as falhas, António Costa insiste na fissura maior. Enquanto isso acontece, ou se isso acontecer, Portugal apenas tem a perder. Quanto à pergunta que coloquei e a que não respondi; Os cortes nas pensões equivalem, se não aproximadamente, pelo menos paradoxalmente, às perdas dos aforristas nos produtos de ganho rápido no BES. Em suma, enquanto os depositantes tinham dinheiro em caixa, e o seu dinheiro estava a salvo, eram declaradamente de Direita, neo-liberais, amantes do mercado e tudo o que isso acarreta, mas a partir do momento que a coisa deu para o torto, filiaram-se na Esquerda para melhor vingar o mau-feitio dos exploradores capitalistas. Não sei se me faço entender, mas sinto algum oportunismo lírico e ideológico no ar. E não é apenas dos lesados. António Costa também oscila conforme lhe dá mais jeito. Mas ele lá sabe.

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publicado às 20:16

Teoria da negociação

por Samuel de Paiva Pires, em 23.06.15

Bernardo Pires de Lima, Ser ou não ser a Grécia:

O acompanhamento ao minuto que a administração Obama tem feito da crise grega mostra bem a intranquilidade política que o dia seguinte ao grexit levanta. Por outras palavras, Atenas está a fazer tudo para dramatizar os efeitos políticos na Europa, de forma a flexibilizar os termos da negociação financeira. Sem ter percebido, Passos Coelho avalizou ontem esta estratégia quando sublinhou, precisamente, os perigos do "contágio político". Se não somos a Grécia, parecemos.

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publicado às 10:55

Segurança Social e carreira política

por John Wolf, em 05.03.15

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CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA POLÍTICA

 

Informa-se que está aberto o concurso de admissão à carreira política.

 

Requisitos dos candidatos:

  •  Licenciatura em Estudos Superiores de Política e Ética (classificação mínima de 14 valores).
  •  Cidadania portuguesa.
  •  Ser maior de idade.
  •  Estar filiado num partido político ou ser um cidadão independente.
  •  Não ter cadastro criminal.
  •  Não ter dívidas fiscais.
  •  Não ter dívidas à Segurança Social.
  •  Apresentar todas as declarações de rendimentos.
  •  Não receber dotações financeiras ocultas para o desenvolvimento de campanhas políticas e afins.
  •  Não dar ou receber prendas a/de amigos que emprestem habitação em capitais europeias.
  •  Prescindir de actividade profissional desenvolvida no sector privado.
  •  Proibição de retornar à anterior actividade profissional.
  •  Não ter familiares que possam beneficiar do cargo público ocupado.
  •  Não comunicar a partir de celas de prisão.
  •  Ter o boletim de vacinas em dia.
  •  Não sofrer de alcoolismo.
  •  Não padecer de anomalias psíquicas. 
  •  Não ser toxicodependente.
  •  Não ser traficante de influências.
  •  Capacidade de estruturar ideias.
  •  Aprovação em exame de aptidão cultural.
  •  Aprovação em exame de língua portuguesa (escrito e oral).
  • Obrigatoriedade de se apresentar no local de trabalho no horário legalmente estabelecido.
  • Obrigatoriedade de renunciar ao cargo ao mínimo indício de prevaricação legal, criminal, substantiva ou formal (decorrentes ou não do cargo público ocupado).
  • Obrigatoriedade de não ocupar posições de relevo em organismos internacionais que condicionem decisões políticas nacionais.

 

Tenho a certeza que teremos milhares de candidatos que preenchem os requisitos enunciados. O futuro de Portugal está garantido.

 

 

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publicado às 08:35

Portugal positivo e o moralismo do Restelo

por John Wolf, em 03.03.15

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Entramos na época de saldos políticos. O período sórdido que antecede eleições, no qual todo o género de armas de arremesso é utilizado. Entre o ruído produzido por uns e o barulho oferecido por outros, encontraremos aquilo que efectivamente interessa ao país - o interesse nacional. Enquanto brincam ao jogo da dívida à Segurança Social ou aos dardos IMI, Portugal parece estar a consolidar a sua recuperação económica. Os bons indicadores económicos e sociais devem custar a engolir a certos detractores e pessimistas crónicos, mas os dados são incontornáveis. Por alguma razão um movimento à Syriza ou estilo paella Podemos não eclodiu em Portugal. A Esquerda sabe (embora não o admita) que a viragem está a acontecer. Não precisa de um campeão demagógico (e perigoso) como Tsipras, que a breve trecho terá de encarar a inevitabilidade de um terceiro resgate. No entanto, Portugal tem de lidar com uma outra maleita que diz respeito à sua identidade cultural, à sua natureza endémica - a tendência para se canibalizar e maldizer. Esse espírito resteliano parece ser de difícil cura - os tratamentos também não funcionam. Aqueles que me lêem sabem que já fui muito mais céptico em relação a Portugal, mas tenho de reconhecer que agora devo mudar a ficha, realizar um upgrade do software. Ainda ontem me chamaram de estafeta da Direita, mas enganaram-se no género - sou mais do tipo estafermo direito, mesmo sendo torto. Ou seja, não nutro preferências ideológicas por esta ou aquela escola. Sou a favor da cidadania, defensor da força colectiva das nossas sociedades e apologista da máxima expressão de individualismo. Capitalista? Sem dúvida? Crente no lucro? Sim. Se assim não fosse, ambicionaria ser apenas mediano, correndo o risco de atingir a mediocridade. Deste modo posso afirmar sem pudor que falhei. Mas que tentei, tentei.

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publicado às 08:57






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