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A saída de cena de Passos Coelho abriu espaço no PSD para um eventual retorno da política ao centro da acção do partido, especialmente se for Santana Lopes o novo líder escolhido pelos sociais-democratas.

 

O anterior Primeiro-Ministro tem uma formação académica em economia e herdou uma situação política de crise em que as questões económicas e financeiras predominavam sobre quaisquer outras. Ademais, a sua ascensão à liderança do PSD e, posteriormente, do Governo, ficou marcada por uma atmosfera intelectual e política de acolhimento de um projecto político liberal que, em boa parte, passou dos blogs e de alguns meios académicos para o PSD. À semelhança de Passos Coelho, muitos dos que o rodearam e apoiaram neste projecto são formados em economia ou engenharia e as suas actividades profissionais passam, em larga medida, pelo ensino e investigação nestas áreas ou pelo meio empresarial.

 

Tal como Passos Coelho, muitos destes liberais acreditam ou acreditavam na narrativa alemã de imposição da austeridade como forma de expiar os pecados cometidos por governos anteriores e pelos próprios portugueses que teriam vivido acima das suas possibilidades e que, por isso, deveriam ser castigados. Escusando-me de abordar neste texto o confronto entre as duas narrativas durante a crise do euro e a errada receita da austeridade excessiva em que os merkelistas, passistas e muitos outros acreditavam, aos leitores interessados nesta temática recomendo a leitura deste artigo de Paul De Grauwe ou deste de Jay Shambaugh, em que fica patente que o caso grego é singular e o seu diagnóstico foi erradamente alargado a outros países.

 

Ao longo dos últimos anos, a receita da austeridade foi perdendo muitos adeptos em várias instituições internacionais e países - mesmo enquanto o Governo de Passos Coelho ainda estava no poder e acreditava em ir além da troika. Ademais, quando chegou ao fim o período e o plano do resgate financeiro a que Portugal foi sujeito, o Governo composto pelo PSD e CDS mostrou não ter qualquer outro plano norteador da sua acção.

 

Após as eleições legislativas de 2015, a solução encontrada por António Costa, a chamada geringonça, provocou uma alteração estrutural no sistema político português e remeteu Passos Coelho para a oposição. Ao longo dos dois últimos anos, a estratégia oposicionista de Passos Coelho passou essencialmente por anunciar, num tom catastrofista, que as políticas de António Costa e Mário Centeno irão levar-nos novamente a uma situação económica e financeira periclitante. Com excepção da dívida pública, os indicadores económicos têm contrariado as previsões de Passos Coelho. É certo que a conjuntura internacional continua a favorecer a nossa economia, embora devamos estar atentos à forma como o próximo governo de Merkel se irá posicionar e relacionar com Macron a respeito da reforma da União Europeia, bem como ao impacto que o Brexit terá no funcionamento futuro das instituições europeias. Mas também é certo que António Costa e Mário Centeno transmitem a imagem de que as finanças públicas estão sob controlo, apesar do aumento da dívida pública, e que as políticas do actual governo têm favorecido o crescimento económico. Claro que vários políticos e comentadores afectos ao PSD procuram reivindicar os bons resultados para o anterior Governo, mas independentemente do que for verdadeiro a este respeito, é o actual Governo que está no poder e, por isso, muito facilmente consegue reclamar para si os louros do recente crescimento económico. Ademais, se com o anterior Governo, de acordo com Luis Montenegro, a vida das pessoas não ficou melhor mas o país ficou muito melhor, com o actual Governo as pessoas sentem melhorias reais nas suas vidas, que se traduzem no aumento dos seus rendimentos. 

 

Ora, como ensinava Maquiavel - e aqui limito-me ao papel de observador, não emitindo qualquer juízo de valor sobre o que se segue - em política é a verdade efectiva das coisas que importa, são as consequências que devem prevalecer na tomada de decisão (ou na terminologia de Max Weber, a ética da responsabilidade deve preponderar sobre a ética da convicção), e são os resultados reais que importam aos cidadãos. Porque, citando O Príncipe, "Nas acções de todos os homens, e mormente dos príncipes, em que não há um tribunal para onde reclamar, olha-se é ao resultado. Faça, pois, um príncipe por vencer e por manter o estado: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos serão louvados, porque o vulgo prende-se é com o que parece e com o desenlace das coisas." Daí que Maquiavel, segundo José Adelino Maltez, seja “acima de tudo, o teórico do «homem de sucesso», do vencedor efectivo e não daquele que apenas tem vitórias ditas morais.” Nesta perspectiva, é fácil perceber quem é o homem de sucesso na contenda entre António Costa e Passos Coelho.

 

Um dos principais erros em que Passos Coelho e muitos liberais portugueses incorrem é a crença na distinção de uma realidade objectiva e única, que se impõe às ideologias e à política e que, alegadamente, eles conseguem discernir. Não explorando sequer os complexos problemas filosóficos da realidade e da verdade, creio ser útil complementar os ensinamentos de Maquiavel com a distinção de Harold e Margaret Sprout, no domínio das relações internacionais e da análise de política externa, entre o psychological milieu (ou meio psicológico) e o operational milieu (ou meio operacional) dos decisores políticos. O primeiro é o meio conforme é percepcionado pelo decisor, influenciado pelas suas crenças e vieses cognitivos, sendo o meio mais importante na formulação de decisões, ao passo que o segundo é o meio conforme este realmente é, no qual as decisões são executadas. A existência de incongruências entre os dois meios pode levar a más decisões e péssimos resultados. Parece-me que a incongruência entre o meio percepcionado por Passos Coelho e o meio operacional explica o fracasso da estratégia oposicionista insistentemente praticada.

 

Centrando-se esta estratégia meramente nas questões económicas, Passos Coelho e os seus apoiantes acabaram por se ver reduzidos à crítica ao crescimento da dívida pública e tornaram-se incapazes de gizar uma estratégia de oposição que permitisse combater o Governo de António Costa em várias frentes e eixos de acção política. Esta incapacidade parece-me resultar dos seus parcos ou nulos conhecimentos e interesses relativamente a outras áreas do conhecimento além da economia. Na realidade, a maioria dos liberais portugueses pouco ou nada tem a dizer de interessante, com autoridade e além dos seus dogmas ideológicos e da doxa plasmada em artigos de jornal e conversas de café,  sobre o exercício do poder político (querem um Estado mínimo ou, alguns, mais extremistas, a dissolução do Estado) e sobre temas como, a título exemplificativo, a representação política e a reforma do sistema eleitoral, a administração da justiça, o mundo do trabalho e as relações laborais (acreditam que os empresários são vítimas dos trabalhadores e do Estado), as políticas sociais (são para substituir pela caridade), a educação ou a saúde (só deveriam ser prestadas por privados), ou a política externa portuguesa que tem de enfrentar os desafios colocados pela reforma de uma União Europeia confrontada com o Brexit.

 

Por tudo isto, estou em crer que o projecto liberal que teve na liderança de Passos Coelho o seu pináculo em termos de exercício do poder político continuará em declínio e que, se Santana Lopes ascender à liderança do PSD, a oposição deste partido ao Governo de António Costa será decisivamente norteada por critérios políticos e a sua acção política global marcada pela formulação de um projecto político alternativo para o país - algo que Passos Coelho manifestamente não tem.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 21:33

Passos Coelho: "it was a dirty job..."

por John Wolf, em 03.10.17

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Passos Coelho será injustamente lembrado por muitos, mas foi o homem certo no momento errado - "it was a dirty job and somebody had to do it". O homem que agora se prepara para sair da cena política, não escolheu o mandato. O mesmo foi imposto duramente e sem tréguas. A geringonça herdou uma casa arrumada e pôde libertar-se da Troika e de todo um léxico associado à Austeridade. Se houve alguém que teve de pagar um elevado preço político, essa pessoa foi Passos Coelho. E ele sabia-o a cada medida imposta, a cada decisão que castigava o contribuinte português, o trabalhador nacional. A personificação de tudo quanto é sinistro na sua pessoa foi habilmente promovida pela oposição, como se todos os males do mundo português e o descalabro económico e financeiro tivessem sido criados por ele. O Partido Social Democrata (PSD) enfrenta agora outros dilemas. Como se diferenciar e apontar as falhas de um governo de Esquerda embalado pela onda favorável do turismo e receitas conjunturais? O PSD, à falta de candidatos-estadistas para relançar a sua estirpe política, tem forçosamente de procurar noutro palheiro a saída desta crise de liderança e défice de carisma. Rui Rio ou Luis Filipe Menezes se fossem um só, uma soma de partes, talvez pudessem representar o partido com argumentos e credibilidade, mas essa construção não é possível. Se o PSD não foi capaz de produzir uma nova geração de lideres com profundidade e campo de visão (perdão, Luís Montenegro não tem o que é preciso), terá de validar outros vectores, outras propostas, correndo o risco de perder terreno para o ex-parceiro de coligação - o CDS. O processo de recalibragem não depende de uma figura de proa. Sustentar-se-á numa leitura ajuizada da realidade ideológica e política que extravasa os parâmetros de Portugal. O PSD não pode ser um mero agente reactivo ao poder instalado, à bitola ideológica, ao PS, o PCP, o BE e agora o CDS. Exige-se uma lavagem de conceitos operativos, um refrescar de propósitos, um realinhamento sem sacrificar os princípios fundadores, os valores de base. Nessa medida, mais do que homens-estandarte, serão as ideias que terão de se autonomizar. Serão axiomas e conceitos plenos que terão de servir de justificação. Por outras palavras, as respostas estarão na métrica da realidade, como por exemplo o nível recorde de dívida pública. Serão os factos inegáveis que emprestarão credibilidade às propostas, e menos o estilo de discurso ou as preferências de liderança. O PSD, à falta de cão, terá de caçar com gastos não previstos pelo seu guião clássico, tradicional. Se souberem aproveitar a crise estarão preparados para a próxima bancarrota.

 

foto: Expresso

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publicado às 20:50

O grande desafio

por Pedro Quartin Graça, em 02.10.17

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O PSD foi atingido mortalmente no seu último bastião eleitoral: as autarquias. Aquele, precisamente, que era a derradeira trincheira partidária e onde poucos pensavam que pudesse ser penalizado. Foi-o e foi-o duramente. Quem acompanha o comentário que por aqui fazemos não terá sido surpreendido. Na verdade, a noite de ontem foi o culminar dos erros sucessivamente cometidos. Entregue a jogos internos de barões e baronetes durante o consulado passista (a exemplo de outros consulados, diga-se, mas substancialmente agravado), o eleitorado social-democrata e as largas franjas de votantes flutuantes que, circunstancialmente, dão a vitória a um ou a outro dos dois maiores partidos, mostraram um cartão encarnado a Passos e à estratégia política suicida por este seguida. Reduzido a um partido de média dimensão nos principais centros urbanos e apenas resistindo no "mundo rural" , o PSD vai ter, se quiser voltar a ser o que já foi nos tempos de Sá Carneiro, de mudar muito daqui para a frente. De políticas, de estratégias e de pessoas que as possam interpretar. Se assim não o fizer, ou seja, se não retomar as suas origens e adaptar o seu programa reformista aos novos ventos da cidadania activa, o futuro será ainda mais negro. Conseguirá o "PSD profundo" dele "expurgar" todos quantos apenas dele se serviram e que nunca pensaram verdadeiramente em Portugal? Este é o grande desafio.

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publicado às 08:03

Da importância do timing em política

por Samuel de Paiva Pires, em 01.10.17

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Uma das melhores qualidades que um político pode ter é saber quando deve retirar-se, evitando a humilhação de ser forçado a sair. Esta qualidade torna-se ainda mais importante em determinadas circunstâncias, como, por exemplo, quando um líder político-partidário fica indelevelmente associado a políticas impopulares, tornando-se um óbice ao regresso do seu partido ao poder. Passos Coelho ainda não percebeu isto. Paulo Portas, dono de um aguçado instinto político, soube precisamente qual o melhor momento para ceder o lugar. O resultado está à vista, especialmente em Lisboa.  

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publicado às 22:23

Peido suicida

por John Wolf, em 28.06.17

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São precisamente temas de pasquim como a declaração suicida de Passos Coelho ou a flatulência de Sobral que determinarão o próximo incêndio em Portugal. O povo aprecia o circo, e dispensa a essência basilar de um sistema. Rir à conta da palermice e da mediocridade afasta o ser pensante dos grandes desígnios do país. Ser profundo e consequente custa. E, in spite of it all, não se chega a bom porto com festas de auto-comiseração, espectáculos narcisistas e verberações masturbatórias. Sentar-se à mesa como adultos e encarar a música desafinada não é para qualquer um. Ao validarem a ideia de absolvição dos pecados, numa congregação de "manifesta e inequívoca solidariedade", adiam o trabalho duro, sujo. São momentos de pico como este, de libertação orgásmica, de hibridismo transformador da "dor dos outros" em esperança para "todos", que eternizam a noção de ascensão e queda, fulgor e inconsequência. Por mais que estiquem os zeros do milhão, os mesmos não tapam a parte descoberta de um país inteiro versado nas artes hedonistas, nos prazeres. Foram os deleites que mataram as florestas. Foram as extravagâncias de uns que abandonaram o interior. Foram os cosmopolitas vibrantes que deitaram fogo à ruralidade em nome da sofisticação cintilante de uma festa de arromba. A silly season está oficialmente aberta.

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publicado às 12:51

Mar de Chamas (X)

por Fernando Melro dos Santos, em 20.06.17

Não deixamos entrar galegos e fazemos tombar espanhóis.

 

Oh Tadeu, vai comer merda que acordaste hoje .

 

Aguarda-se a qualquer momento o show lésbico entre Judite de Sousa e Fátima Campos Ferreira, seguido da cerimónia de abertura de dez petições públicas e uma linha de valor acrescentado, solidariamente com as novas vítimas a quem Marcelo, por estar algures na Mongólia Inferior, não pode abraçar.

 

Árvore plantada por Antonio Costa em 21 de Março já se manifestou: o raio quando cai é para todos.

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publicado às 17:16

Procedimento por elogios excessivos

por John Wolf, em 22.05.17

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Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente de todos os Portugueses + a Geringonça, alargou o âmbito do elogio respeitante à saída do Procedimento por Défice Excessivo (PDE). Afinal o governo anterior também tem direito a uma fatia do bolo, e a apagar uma vela. Mas o problema não reside nos festejos, nos globos de ouro, nas sandálias do Beauté, ou na alcatifa vermelha de políticas de mais ou menos Esquerda. O espinho que parece ter causado mais comichão é a simplificação que João Salgueiro cravou nos pressupostos da glória económica dos indicadores. Diz o especialista que foi o Turismo que se mexeu e roubou o lugar às indústrias, à economia dita clássica. Sem dúvida que a febre turística é responsável por uma grande quota-parte do sucesso. Mas existem perigos. Estarão recordados do primeiro boom turístico-imobiliário que desfigurou a pacata Armação de Pêra e que cicatrizou Quarteira? Pois bem. Assistimos a uma segunda vaga que comporta alguns desafios. Portugal encontra-se na fase hélio da bolha - é só facturar. São restaurantes e hóteis, tuk-tuks e programas de lazer, festivais de música, certames da bolota, mostras da rolha, mas o cidadão-residente, aquele que fica depois das festas acabarem, não está a participar no lado lúdico do espectáculo. Como o incremento do lado da oferta é superado pela procura, a equação é linear e tem um nome: inflação. O conceito Inatel, de turismo para o povo, deixou de existir. Pergunte-se a um idoso, com a reforma que se conhece, se vai para fora cá dentro. Não me parece. E é aí que a questão se torna problemática. O governo descobriu a galinha de ovos de ouro, mas à semelhança de tantas aventuras históricas de exploração económica (coloniais se quisermos), geralmente os processos descambam. Agora querem mexer no sector para o hiperbolizar ainda mais. A saída do PDE pode alimentar fantasias que estão na origem da ruína primeira que conduziu a sevícias da União Europeia, do FMI e do BCE. Por outras palavras, ao fazerem passar a ideia celebratória de vitória no festival da canção política, podem contribuir para que haja ainda mais extravagâncias. Os resultados do Turismo são óptimos. A ver se não estragam a coisa.

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publicado às 17:35

TSUNAMIGO

por John Wolf, em 17.01.17

 

 

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Jerónimo de Sousa, o místico, saiu da caverna para explicar aos jornalistas e ex-jornalistas que a aparição de coligação que Passos Coelho avistou, de facto não passa de uma miragem. Diz ele, ao bater o pé na trave e a foice no martelo, que os comunistas não são nada tsunamigos dos socialistas e que o maremoto dessa taxa descendente representa uma no cravo dos propósitos da Esquerda unida. Com tanta prosápia, com tamanha logística de quem é quem, e para onde caminhamos, Jerónimo de Sousa fere o orgulho geringoncial. Resta saber se os comunistas são mais social-democratas do que os passistas são marxistas. Devo dizer que aprecio estas saladas místicas temperadas por galheteiros ideológicos de candeias às avessas. Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, o presidencialista-pop, não me restam grandes dúvidas. Tudo fará para salvar o orgulho do Rato. Não sei exactamente qual Senhor serve o presidente da república. Uma coisa é certa, amor de povo é valioso. Afecto das massas não se enjeita. Resta saber quem paga a taluda da bandeira do salário mínimo a qualquer custo. Pessoalmente acho que o BES, a CGD e o Banif deveriam pagar o aumento da tarifa mensal com os fundos de salvamento que receberam a troco de sabe-se lá do quê. Assim vamos nesta assembleia de lideres mítricos, de barretes enfiados e pegas de caras ou coroas. Qualquer dia Catarina Martins será agraciada com a ordem de São Caetano por ser coerente e disciplinada. O acordo da Geringonça existe no papel, mas não passa disso mesmo. Vira o dístico e troca o mesmo pelo seu oposto. A maré está baixa e as calças estão pelos joelhos.

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publicado às 14:46

M&M - Marcelo e Merkel

por John Wolf, em 02.06.16

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De maneiras que é assim. Acabou o namoro entre Marcelo e Costa. O fim do matrimónio deve implicar separação de bens. A escapadinha tinha de acontecer - agora é M&M bff. O Presidente da República Portuguesa foi chamado à liça por Merkel. Entre duas ou três bolas de Berlim, a chanceler alemã puxou o professor para um canto e disse: "vê lá se ganhas juízo". Costa = Passos. Por outras palavras, Portugal = Portugal. E a festa é para continuar. Mas, Marcelo Rebelo de Sousa que passa mais tempo em Belém do que Berlim, ainda teve tempo para inventar uma ficção para consumo interno. O Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP) aceitaram a realidade? Minha Santa Ângela das mudanças de sexo aos 16!!! Eles nem sequer viram a realidade. Já ouviram falar do Bremain? Pois. Seis meses nem chega a ser uma gestação como deve ser.

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publicado às 13:47

A trumpização de Passos

por Pedro Quartin Graça, em 08.05.16

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Reeleito por larga maioria no recente Congresso do PSD, incapaz de abandonar o luto posterior às eleições legislativas na qual tentou, sem sucesso, convencer os portugueses que estas serviam para eleger o primeiro-ministro, persistindo simbolicamente em ter o pin na lapela ainda da época em que entregou o país às mãos da senhora Merkel, Passos, é dele que aqui falamos, voltou esta semana a debitar uma daquelas frases de que tanto gosta, na senda, aliás, de muitas outras com que enriqueceu o já rico anedotário nacional. Disse ele que "nunca" esteve numa obra de inauguração enquanto liderou o Governo. "Nem de estradas, nem de autoestradas, nem de pontes, nem de coisa nenhuma."

 

Não fora o facto de podermos ver o ex-governante neste vídeo em que, com pompa e circunstância, inaugurou uma ponte no IP3, quase julgaríamos que era na verdade um sósia de Passos que nos deliciou com todas estas presenças públicas...

 

Passos dá, de novo, pública nota de uma crescente perturbação. Pobre PSD...

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publicado às 11:31

O branqueamento da rosa

por John Wolf, em 13.02.16

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Está em curso um processo de branqueamento da rosa. O Partido Socialista (PS) sabe há demasiado tempo que as decisões políticas do governo anterior não resultam de preferências ideológicas, mas de circunstâncias incontornáveis respeitantes ao estado da nação. Nenhum governo escolhe o caminho da Austeridade por amor à camisola. Nenhum governo escolhe o caminho conducente à impopularidade e subsequente demissão pelo eleitorado (que até nem foi o caso). António Costa mal teve tempo para aquecer a cadeira de primeiro-ministro, para agora se dar conta de que o caminho traçado pelo governo anterior afinal não era o errado. Ou seja, o que tinha de ser feito foi feito, e pelos vistos deve ser continuado, se Portugal deseja evitar uma catástrofe de proporções gigantescas. É caricato que o mesmo homem que invocou a maioria parlamentar para formar governo, venha agora pedinchar ao PSD e ao CDS o seu apoio. Mais valia que o PS pedisse a abolição de partidos da oposição, que engendrasse um modelo de Estado novo alicerçado na apreciação monolítica dos desafios nacionais. António Costa está à rasca e joga esta cartada - passa a batata quente à oposição -, para se poder libertar do peso da responsabilidade. O casulo é uma metáfora curiosa, mal escolhida por António Costa para descrever o direito ao respouso que assiste ao anterior governo de coligação. O que está a acontecer é o seguinte. Passo a explicar. António Costa quer que a oposição subscreva as medidas de austeridade que vão ter de ser agrafadas ao Orçamento de Estado, mas do casulo brotam borboletas às cores e não flores de rosa. Quisesse Costa evitar transtornos e servir o país, teria, nessa mesma noite eleitoral, se aproximado de Passos Coelho e Paulo Portas para encarar de frente a verdade dos factos duros da vida económica, financeira e social do país. A oposição, chamada à liça pelos socialistas, decorre da possibilidade de Costa ter de substituir peças gastas da geringonça. O que ele quer eu sei bem. Substituir Jerónimo de Sousa por Passos Coelho e Catarina Martins por Assunção Cristas. O homem é esperto. E pouco mais.

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publicado às 19:37

A reemergência do bloco central de interesses

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.15

As notícias sobre a morte do centrão foram manifestamente exageradas. Passos e Costa podiam fazer o jeitinho a Cavaco Silva e permitir-lhe terminar o mandato deixando o legado com que há anos sonha: um governo composto por PSD e PS. Sempre era mais "estável e duradouro" que a geringonça.

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publicado às 16:41

E também isto

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.15

Luís Aguiar-Conraria, “As finanças são uma arma. Política é saber quando puxar o gatilho”.

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publicado às 10:06

Isto

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.15

Luís Menezes Leitao, Oposição a sério, precisa-se:

 

Se, como tudo indica, o PSD viabilizar o orçamento rectificativo, acho que deve ser Passos Coelho a demitir-se da liderança. O país precisa de uma oposição a sério a este governo e não de partidos amorfos, que vêem o seu próprio governo ser derrubado e vêm logo a seguir oferecer a outra face, apoiando quem os derrubou. E não me venham com a treta do interesse nacional. O interesse nacional é precisamente que não sejam gastos os 3.000 milhões que se quer meter no BANIF, agravando o défice e a dívida. O voto do PSD a favor deste orçamento só demonstrará uma coisa: que António Costa tem todas as condições para ser primeiro-ministro. Pedro Passos Coelho é que não tem manifestamente condições para continuar a liderar a oposição.

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publicado às 09:51

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Passos Coelho acaba de empossar o governo de António Costa. O primeiro-ministro promove os socialistas ao seu mais alto nível de usurpação. Certamente que conhecem a expressão:"contra uma porta aberta não vale a pena empurrar", e, nessa medida, como já havia escrito noutras ocasiões, o PSD e o CDS devem deixar a nova Esquerda demonstrar a amplitude das suas contradições. Deixem-nos utilizar a sua varinha mágica. A mesma que gera aumentos de salários, reposições de pensões, que acaba com as privatizações, que diminui a dívida pública e privada, que disciplina a banca e os especuladores neo-liberais, que cria impostos sucessórios pesados ou que lança obras públicas megalómanas. Portugal tem todo o tempo do mundo para suportar todas as experiências, para se afundar novamente, para repetir a história recente. O PS apenas quer apresentar um orçamento. Vive obcecado com essa ferramenta de execução governamental, como se não houvesse nada mais a acrescentar ao desígnio nacional. António Costa quer respeitar os compromissos europeus, mas ainda não percebeu que o continente está a mudar. Quero saber quem irá ser o Centeno dos negócios estrangeiros. Será Freitas do Amaral o novo responsável pela política externa deste país? Não seria mal visto. Os bons serviços devem ser recompensados. Essa é a lógica conceptual do PS. Colocar gente de confiança nas juntas de freguesia, nas chefias de repartições públicas e nos quadros de grandes empresas. Se houver chatice, basta virar as costas. Fingir que Armando Vara é nome de cantor e José Sócrates alcunha de outras sortes. Não vale a pena insistir na tese da banana pequena. Cavaco poderá prestar um último serviço ao país, e daqui a uns meses quando estiver a gozar a reforma na praia da Coelha, poderá dizer: eu bem que avisei.

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publicado às 13:53

Fim de festa.

por Pedro Quartin Graça, em 11.11.15

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Afastado por mentira e mau comportamento reiterado. Siga.

 

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publicado às 07:21

Se eu estivesse aboletado em Belém (2)...

por Nuno Castelo-Branco, em 21.10.15

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...decerto estaria hoje com uma visão muitíssimo mais nítida do que está em causa e agiria em conformidade.


Amanhã, 5ª feira, chamaria Passos Coelho a Belém e indigitá-lo-ia, obrigando-o a apresentar um orçamento que decerto há muito estará concluído. Indo este a julgamento em S. Bento, logo a oposição unida previsivelmente o chumbaria, responsabilizando-se por todas e quaisquer consequências.


Consequentemente, chamaria o líder do novo bloco governamental, fazendo-lhe apenas uma exigência:

- "Na suposição de Vossa Excelência ter imposto aos seus aliados o disposto pelos tratados internacionais a que Portugal está vinculado, conceder-lhe-ei a presidência do Conselho de Ministros, formulando apenas uma exigência: quero uma coligação formal que obrigue os três partidos à solidariedade por todos os actos que o dito Conselho exarar. Não posso em consciência aceitar outra fórmula, pelo que desde já o aviso de que se vislumbrar qualquer tipo de manobras dilatórias, manterei o actual governo em gestão corrente. Boa tarde e boa sorte, fico então a aguardar a sua resposta". 

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publicado às 21:10

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Passos Coelho e Paulo Portas, digam o que disserem os seus detractores, estão inequivocamente a demonstrar a sua estatura política. A porta para um entendimento a três não está obviamente escancarada, mas deixa entrar alguma luz. Em nome da governabilidade e da salvação nacional, a actual coligação entende que mais altos valores estão em causa - Portugal. António Costa, se for inteligente e não for ganancioso, tem menos a perder integrando o executivo, do que apostando o património do Partido Socialista nos comunistas ou bloquistas. A matriz política do país não é muito diferente daquela dos Estados Unidos. Para bem e para mal, são dois os partidos que disputam o poder. A expressão reaching across the aisle consubstancia bem o que Portugal necessita com alguma urgência. O que deve prevalecer neste momento será algo que escapa à racionalidade e calculismo políticos - o bom-senso. O Partido Socialista, se preza a sua continuidade nos moldes da sua alegada cultura ideológica moderada, deve, sem hesitações, entrar com firmeza e honestidade intelectual em negociações tendentes à distribuição de pastas e a um acordo genérico respeitante a questões políticas fracturantes. Faz isto ou arrisca-se a escutar Cavaco Silva informar que não há nada para ninguém socialista. Quanto a Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, lamento muito. Se ainda não perceberam o que se está a passar (após duas semanas de ensaios), então não merecem ocupar os seus postos de liderança. O sonho foi bom enquanto durou. E António Costa não fará mais ou menos do que fez a António José Seguro. Servir-se-á deles como monta-cargas, mas quando for preciso manda-os embora com a cauda entre as pernas.

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publicado às 16:32

O PS ficou em prisão domiciliária

por John Wolf, em 05.10.15

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O Partido Socialista colocou-se numa situação difícil. Diria mesmo que ficou em prisão domiciliária. A derrota eleitoral da noite de ontem põe em evidência alguns factos relevantes. António Costa, que fez da alternativa de confiança a sua bandeira de campanha, nem sequer é alternativa de si mesmo, mas ficou preso à cadeira do Largo do Rato como se não fosse arguido de uma noite eleitoral para esquecer. António Costa não se apresenta como um homem toldado pelos mais recentes acontecimentos. O que ontem aconteceu deveria ter implicado outro discurso. Em primeiro lugar, e em nome do fair-play democrático, congratular a coligação Portugal à Frente (PàF) e os portugueses pela escolha dessa maioria (mesmo que relativa). Em segundo lugar, e sem demoras, apresentar a sua demissão à luz de um outcome insuficiente, servindo-se da mesma régua que serviu para admoestar António José Seguro. São comportamentos desta natureza, que "administrativamente" podem dizer apenas respeito aos socialistas, que transbordam para o espectro integral da matriz electiva nacional - os portugueses viram e tornam a ver incongruências, e isso afasta-os cada vez mais, para gaudio do Bloco de Esquerda que soube interpretar as deficiências congénito-políticas do partido rosa. Os socialistas, pela mão de Costa, parecem não estar interessados em aprender. Repetem erros e mais erros que minam os fundamentos da representatividade partidária. As consequências do descalabro de Costa devem se fazer sentir o mais celeremente possível no Largo do Rato. A coligação, por seu turno, pode encarar a maioria relativa como algo de positivo. Um governo, fragilizado pelo número de assentos parlamentares, pode aproveitar a dissonância para conduzir a governação de um modo que assenta no envolvimento colectivo. As propostas que a coligação venha a apresentar em sede legislativa podem ser inviabilizadas pela oposição, mas a plenitude dessa negação recairá sobre os ombros de Costa e sua bancada parlamentar. O Partido Socialista (PS), se for inteligente, poderá aproveitar a estrada que tem pela frente para capitalizar junto da população portuguesa, demonstrando que é capaz de pensar para além do lugar dianteiro reservado aos ganhadores. O conceito de lead from behind seria um modo do PS paulatinamente renascer das cinzas. Mas não me parece que o ego político de António Costa queira acomodar o melhor para o país. A aposta foi de tudo ou nada. Pelos vistos o tema monolítico da Austeridade tem mais nuances do que os olhos querem ver. Aguardemos com expectativa, e com algum grau de suspeição, para confirmar se António Costa pretender mesmo lançar Portugal no marasmo político. Apenas mais uma coisa para terminar e que salta à vista de um forasteiro como eu: em Portugal temos quase sempre um grupo de génios que é sempre melhor que o outro grupo de atrasados mentais.

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publicado às 13:29

Portugal not blowing in the wind

por John Wolf, em 02.10.15

 

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In January of 2011 Bloomberg TV interviewed me for two long minutes from the beautiful Praça do Comércio square in Lisbon, to borrow my take on Portugal´s economic and social condition and the big event of that day - the sale of treasury bonds in the open market. There was some vague hope that the going rate would reflect Portugal´s financial and economic condition. However, that form of diagnosis would prove to be insufficient, albeit correct – the country was in serious trouble and favorable financial lending conditions just wouldn´t fit the bill, they would be insufficient to address deeper concerns. The socialist government eventually admitted the demise and signed the terms imposed by the Troika, in the process managing to get the support of the two other mainstream parties which form the coalition soon after put in place, following a stunning electoral defeat. Difficult times lay ahead for Portugal, but before I go any further, let me convey the following: ideologically it would make no difference who was in power or who held government – the problems were structural and long overdue. The coalition government of the social-democrats and the christian-democrats, that succeeded the socialist previously in power, not only received one rotten apple, but an overwhelming legacy of imbalances from previous decades. Portuguese European Economic Community (EEC) and European Union (EU) membership had brought an array of good things and change to a periphery country hindered by poverty for such a long time. Portugal can now boast the largest network of highways in Europe, but the easy money handed over by Brussels proved to be a temptation for gross government mismanagement and corruption. And there was more. The body of civil servants had already then for many years outgrown the capacity of a nation of ten million inhabitants, debt had flared up and the economy was unable to position itself in a competitive manner in the midst of a global scenario of transfer of wealth from West to East.

 

In 2012 Portugal started to implement the recipes from the Troika´s instruction manual. Unemployment rocketed as harsher fiscal measures forced companies to restructure the nature of their operations. The workers were the first to go and capital expenditure was brought to a halt. The reforms envisaged by the Troika had been implemented, but not to the degree demanded by the working class of Portugal. Street protests were staged in Lisbon and other important cities. Some issues did not go unnoticed by large swaths of the population, whatever their political inclination, either adepts of the Greek left-wing, inspired by the antics of Syriza, or subscribers of neo-liberal solutions put forth by Wall Street. In the years that followed, the privileges of politicians had hardly been tinkered with and banks in dire straits were receiving preferential treatment at the expense of taxpayers. Those unemployed and those that had fallen out of the social security network did not take this lightly. Portugal was fulfilling the promises made to the Troika bosses, but its people were suffering. One wonders if there was a better choice, an alternative. The situation had become economically and socially distressing, and as members of the European Monetary Union, currency devaluation had become an impossibility, a myth – the Euro for good and for bad. Portugal needed urgently to raise cash for treasury needs and International Monetary Fund installments, so the privatization of state-owned companies was the route to take, which led to a fierce proto-nationalist discussion on the loss of economic sovereignty. Many of the politically motivated arguments were fished from historic considerations, a by-product of the Pink Carnation Revolution of 1974 that overthrew 48 years of Salazar dictatorship. Sadly enough, Portugal still tends to cling onto concepts of the past when it must jump-start a totally different political approach. Portugal has been held in the ideological straightjacket of the discussion between the Left and Right wings of the political spectrum and has difficulty in thinking beyond the old fashioned paradigm.

 

Presently Portugal is to be found at the perilous crossroad of geopolitical and economic events. One could argue that the country has already hit the bottom and that the economic and social situation is slowly turning around. Recently unemployment data was disclosed and the number presented was slightly favorable: 12.2%, although the parties in the opposition do not concur, even if the numbers are official. One may even consider that Portugal seems to have entered a period that would be best described as a “cautious recovery”, but always bearing in mind some important caveats and unpredictable risks. One may ask which factors have most likely contributed to a GDP uptick in the last quarters, although any reply must take into account not only quantifiable vectors, but dimensions that relate to the macro-social mood and the confidence in the future felt by the people. In financial and economic terms, we may state that the positive impacts result from revenues from tax collection, the elimination or downsizing of public sector services, the optimization of production units in the private sector, the increment of the export of goods and services where Portugal already had a stronghold, the general lending environment with interest rates close to zero, the intervention of the European Central Bank that acted as the “replacement buyer” of Portuguese treasuries, and one other discretionary vector that has yet to be fully understood or accepted as such – the direct transfers of funds of Portuguese emigrant workers that left their country in order to provide for their families. All this must be part of the mix that explains a possible turning point. However, one must add one other dimension that suffers the volatility of seasonality. Tourism has hit record figures in 2014, and 2015 will most certainly replicate or even surpass the previous good results. As such, Portugal must be identified as a tourism-based economy with a number of satellite sectors that operate in specialized niche areas. A country at the forefront of technology, with skilled workers and unhindered by radical or extreme political phenomena that afflict other nations. Portugal must continue its path of economic consolidation and slowly commit itself to innovate its political matrix. One could argue that Portugal´s leaders have been its worst enemy, but the following analysis must be kept in mind; the collective nature of its Portuguese society has yet to flourish, in the sense that excludes the damaging culture of traffic of influence, special connections and corruption. The political forces in Portugal are to be held responsible for the destiny of this nation, but its people must develop the conventional wisdom that the future lays in its hands. In that line of considerations, one may state that Portugal is a divided nation. The up and coming elections of October 4th will most likely reflect the mixed assessment of voters. We may identify those that believe that Austerity has worked and that a return to a socialist led government would mean a reversal of what was achieved, and on the other hand, those battered by unemployment and difficult living conditions, are probably more inclined to punish the government for the past 4 years of imposing rules. A clear-cut winning scenario seems to be out of the question. And that may not be what Portugal needs most – a mandate to finish business and move along.

 

Portugal must also cross its fingers and hope that Greece doesn´t derail itself, that China doesn´t catch a serious cold, or that Russia does not drag the western nations into some wide-scale European conflict. A combination, of all or most of those, paradoxically, might give Portugal the chance to do what it historically does best: sit on a fence and ride the winds.

 

So, quite literally, Portugal depends on itself as much as it may blow in the wind…

 

  • article written in english per request by an international think-tank. To be also published in German.

 

 

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publicado às 11:39






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