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Medina, dono da verdade e de um duplex

por John Wolf, em 12.09.17

 

Nem sequer vou referir os atrasos em relação ao Processo Marquês, os contornos respeitantes a contas de outrém e os mecanismos de subterfúgio de que se serve José Sócrates para, à chico-esperto, tentar fintar a justiça. O que está em causa é o precedente ético e comportamental que o ex-primeiro ministro estabelece. Enuncia o falso princípio de que o que afirma é o que está certo, como se a lei pura e simplesmente não existisse. Fernando Medina faz parte da escola de Sócrates. Aprendeu como se faz. Julga o candidato à Câmara Municipal de Lisboa que basta dizer que está tudo correcto para que esteja tudo certo. Mas não está. Fernando Medina não declarou o que deveria ter declarado. E, para perceberem o que está em causa, nada disto tem a ver com preferências por partidos ou amores ideológicos. Miguel Cadilhe e António Vitorino (de casas partidárias distintas) também se meteram em sarilhos imobiliários, tributários ou patrimoniais. Muita sorte tem Fernando Medina que não tenha sido financiado por um tal de Carlos Santos Silva, o banqueiro privado de socialistas amigos. Em suma; se Medina não cumpriu a lei, deve ser sancionado por tal facto. No entanto, o Largo do Rato dirá que tudo isto não passa de oportunismo à luz das eleições autárquicas, de perseguição política do menino Medina. Francamente, já chega. Estes gajos não aprendem e pelos vistos não têm quem lhes ensine. E há mais; Fernando Medina é um duplexado - vive um mezanino acima das suas possibilidades.

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publicado às 10:25

Vistos Gold

por Nuno Castelo-Branco, em 09.10.16

 

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Está o primeiro-ministro na China, procurando investimentos e a diversificação da nossa economia. Para além do óbvio significado do mercado chinês que é em termos numéricos o de maior potencial planetário, existem alguns sectores que poderiam interessar ao governo, aproveitando para cabalmente cumprir a sua alegada missão de protector da cultura nacional naquilo que é reconhecível em termos mundiais, ou seja, o património construído, a área da museologia e do restauro, elementos essenciais à consolidação do crescimento do sector do turismo.

O Visto Gold tem servido, é verdade, para o potenciar do sector betoneiro e banca que à míngua de grandes obras públicas do regime, teve então de forçosamente recorrer ao investimento propiciado por estrangeiros que pretendem possuir uma propriedade em Portugal. Se os europeus - alemães, franceses ou britânicos - têm grosso modo votado o seu interesse para a reabilitação de imóveis nas zonas históricas, outros interessam-se pelo sector imobiliário recentemente construído e até há pouco considerado como parte da bolha que eclodindo em 2008 nos EUA, bem depressa estourou noutras partes do mundo. Como dolorosamente sabemos e foi previsto mesmo antes daquele fatídico ano, Portugal infelizmente não esteve imune ao descalabro. 

O OGE tem de uma forma inusitada e pela primeira vez sido pasto para os mais desencontrados comentários, sugestões, diz-que-disse e  suposições acerca de medidas arrastadas para a dissecação nas redes sociais, jornais, rádio e televisão. Cremos então estar no pleno direito de intervir num Orçamento que, supomos, passa por estar totalmente aberto à participação de qualquer português. 

A acima citada questão dos Vistos Gold poderá então ser alargada não apenas ao sector imobiliário e do investimento na educação, mas forçosamente deverá estender-se à reabilitação do património num país que tendo uma história quase milenar, possui uma infindável lista de castelos, solares, igrejas, mosteiros, conventos e outros testemunhos mudos da nossa história, há muito atirados para a área nebulosa do abandono que prenuncia a total e irreversível ruína. Em alguns pontos do país, os proprietários de vastos casarões que pertencem há séculos à família, tudo têm feito  para as manterem, adaptando as propriedades àquilo que o cada vez mais exigente núcleo restrito do turismo de qualidade pretende. É por vezes um acto heróico que esbarra com dificuldades burocráticas de toda a ordem, mas não pode ou deve ser descurado, ignorado.
Se é seguro o escasso interesse, para não dizermos nulo, que devido à proverbial escassa educação este património desperta junto dos investidores nacionais, este poderá então concitar muito boas vontades, venham elas da China, da Rússia, dos EUA, do Brasil, Angola e qualquer outro país fora da U.E.

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A infindável lista de hipóteses - a Real Quinta de Caxias consiste num escandaloso exemplo demasiadamente flagrante - é bem conhecida e seria fastidioso enumerar os exemplos que carecem de urgente intervenção. Se em França o Palácio de Versalhes tem, digamos, um clube de Amigos de Versalhes que incansavelmente ali tem despejado enormes verbas que trouxeram aquele espaço imenso ao actual estado de decência e talvez seja a maior atracção do país, isto mesmo poderá com sucesso inspirar o governo português, alargando-se a concessão de vistos a quem resolva contribuir para a manutenção de inúmeros edifícios, colecções - o restauro cuidadoso de cada uma das preciosas e únicas carruagens do MNC, por exemplo - que até agora têm sido vítimas da incúria e destrato pelo bem conhecido e rotineiro problema: a falta de verba que paulatinamente os condena ao desinteresse geral por parte de quem manda. Do desinteresse estatal à demolição, trata-se apenas de uma questão de poucas décadas.


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publicado às 21:51

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Coisas há que causam espécie ao mais desatento dos visitantes.

Gostaríamos de saber a razão pela qual estando presente na supracitada expo o colar da referida majestade, nada oportunamente foi esquecida a sua espectacular coroa que por sinal se encontra precisamente no mesmo museu em Coimbra. Será este mais um "problema político", ou andam os decisores a necessitar urgentemente de fosfoglutina? 

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publicado às 14:45

Sábado à tarde, no S. Carlos

por Nuno Castelo-Branco, em 17.05.14

Durante imensos anos fui quase um "cadeira residente" dos espectáculos do S. Carlos e tal como aconteceu a muitíssima gente, deixei de frequentar essa sala, um luxo há muito perdido noutra dimensão. Esta tarde lá estive para assistir a um concerto. Digo concerto, pois parece-me que a correcta designação da Gioconda que ali se apresentou, corresponde mais a este modelo. Sem o fausto próprio da ópera, valeram as interpretações dos cabeças de cartaz, do coro e da magnífica orquestra. 


Que maravilhosa casa é o São Carlos. Ouros de outros tempos, uma patine irrepetível de eras de bom gosto e onde as instituições zelavam pela sua imagem e legado aos vindouros. Este é um sector onde por razões óbvias, não deveria existir margem para cortes. O ouro jamais embacia.

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publicado às 21:22

Roubalheira BPN, com Miró no esquema vigente (2)

por Nuno Castelo-Branco, em 07.02.14

 

Até ao dia de hoje, uma sexta-feira que não é treze, o único parecer com dois dedos testa, surgiu ontem num conhecido debate nocturno. Nesta balburdienta pocilga - ou piolheira, como preferirem - em que vivemos, saiu da boca do deputado Paulo Rangel. Propunha ele a selecção de uns tantos quadros miroseiros destinados a permanecerem em Portugal e com o produto da venda do que restasse, criar-se-ia um fundo destinado à compra de património que rigorosamente tenha algo a ver com Portugal.

 

Não é incomum surgirem peças de claro interesse nacional em leilões, desde jóias a quadros, livros, louças, móveis, mapas ou trajes que outrora pertenceram a colecções portuguesas. Saíram de Portugal devido a dotes, dispersão de heranças ou simples roubos perpetrados ao longo de séculos. Querem um exemplo? O "cabinet de Lisbonne", ainda hoje na posse do governo francês, creio que no Museu de História Natural, em Paris. Roubados centenas de exemplares durante as Invasões francesas, ainda por lá estão, sem que Lisboa exija a devolução do que nos pertence por direito. Os franceses sabem do que se trata e como ninguém reclama, o assunto não existe. Oxalá por cá tivéssemos um Dr. Zahi Hawass. Não temos, até porque segundo a opinião há dois séculos ditada pelo Senhor Napoleão Bonaparte, ..."todos os homens de cultura são franceses". Assim se justifica o esbulho

O Caso Miró já é meramente político, pois a gritaria partidista logo tomou conta do assunto, precisamente num país onde os mais doutos políticos dificilmente distinguirão um quadro de Miró*, de um outro pintado por Guilherme Parente. À falta de laxantes, pílulas, acções de Bolsa, vírus da gripe das aves, "al-morródias, espandiloses, úrsulas nervosas, alcoólicos invertebrados", tribunais e juntas de freguesia que fecham ou robalos para distribuição, temos telas e desenhos. Antes assim, o nível está colocado uns degraus acima.  

 

Neste post tentei ironizar com o militante maguérrismo que pela imprensa escrita e tv grassa, mas já compreendi que a mensagem não passou, houve quem a tivesse levado muito à letra. Apenas para dar um exemplo absurdo do país em que vegetamos, os escabrosamente miseráveis 6 milhões de Euro que Portugal recebeu devido ao roubo holandês das peças da colecção Jóias da Coroa, foram usados para a aquisição de um Tiepolo. A ninguém terá ocorrido que de forma rotineira são realizados leilões onde surgem peças de joalharia - mencionemos igualmente as condecorações raras - outrora pertencentes a monarcas portugueses. Os Orleães e os Hohenzollern-Sigmaringen, por exemplo, venderam jóias e muitíssimas outras peças que vieram de Lisboa. Os casamentos, as heranças pela morte de parentes que não deixaram sucessores directos - apenas estou a recordar os casos de SS.MM. Dª Amélia e D. Manuel II -, fizeram dispersar bens que poderiam ter sido adquiridos pelo Estado português.

É conhecido o caricato caso do piano - regalem-se com a imagem, pois é o que fica - que pertenceu a Dª Maria Pia e mais tarde, a Dª Amélia . Fazia parte do conjunto de móveis decorados com porcelanas de Saxe que ainda hoje podemos ver no Palácio da Ajuda. Este piano foi vendido num leilão, sem que um único representante do Estado português tivesse estado presente. Trata-se já de uma questão de descarada falta de interesse, não sei se pela costumeira boçalidade de certas autoridades, ou devido à conhecida reserva mental política que tão bem caracteriza o actual estado de coisas.

 

Há cerca de três anos, foi vendida uma aigrette de brilhantes que pertenceu à Rainha D. Amélia. Está agora no cofre da Ajuda? Não. Atingiu a soma de 25.000 €, ou sejam, cinco mil contos, 1/6 do preço do tal BMW que o Sr. Francisco Assis embirrou em querer comprar para uso do seu grupo parlamentar:

 

- "Se calhar queriam que andássemos de Renault Clio, não?!"

 

Se vivêssemos num país com novecentos anos de história, e não num sítio mal afamado, a resposta seria esta: 

 

 

- "Claro que queremos, especialmente se for pago, abastecido, segurado, mantido e conduzido por si. Isto é extensível não só ao seu partido, mas também a todos os outros. A todos, sem excepção.

* Afogados os portugueses em conversas do chácha de "empreendedorismo" - é assim que se diz e escreve? -, negócios, balanços, activos à disposição e outros etc da plutocracia, a decisão peregrina de colocar 85 "Mirós" num leilão por atacado, não lembra nem ao diabo. Nem sequer parece ser coisa de tão brilhantes intelectos financeiros. O que tem a dizer, Sr. Pires de Lima?

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publicado às 19:38

Petição pelo Odeon

por Nuno Castelo-Branco, em 27.11.13

Não deixe de participar, a defesa do nosso património também é um acto de soberania. A petição já se encontra no Parlamento e neste momento conta com mais de dez mil assinaturas. 

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publicado às 16:20

A descalçada portuguesa

por John Wolf, em 27.11.13

A calçada portuguesa é a impressão digital (pedonal?) do país. Basta travar um estrangeiro na Baixa lisboeta e pedir que partilhe o perfume da cidade, e da sua boca saem a correr pastéis de nata, azulejos e a maravilhosa calçada da cidade - wonderful! marvelous! A operação plástica que António Costa quer levar a cabo através do Plano de Acessibilidade Pedonal colide com o traçado idiossincrático de Portugal, apunhala a tradição e a saudade com uma mesma navalhada. Pelos vistos o chão de uns é o tecto de outros - ou vice-versa. Depois dos atentados ao património que se conhecem e aqueles que estão para breve, como a transexualização do Odeon em centro comercial, começamos a ter um certo receio - o medo residente que acompanha a certeza de mais violações. E não será apenas o desenho na pedra a ir pela sarjeta. Os mestre-calceteiros que não estão munidos de um Arménio Carlos para se defenderem, assistem ao varrimento da sua arte. Venha de lá essa pedra lisa convertida em lioz para gaudio de burgueses ignorantes e destruam a assinatura de um povo com um simples escarro municipal. A calçada portuguesa não é apenas encosto de sola gasta, conta várias histórias em simultâneo. Lembra o desgaste, assinala humor e arranca aplausos. Mas é sobretudo um exercício de participação democrática - primeira pedra, pedra a pedra. A pedrinha da calçada passa da mão para o pé, na construção das paisagens urbanas e marca o compasso, ora mais lento ora mais veloz. Atrasa os transeuntes distraídos e fá-los olhar de alto a baixo do magistério da sua alegada superioridade, assinala com pontos negros ou brancos onde tudo aconteceu, romance ou quebra de tensão. A calçada molda-se, retoca-se e apresenta-se como uma desdentada a precisar de cuidados. Está viva, respira e encanta como puzzle lusitano. A seguir a este trespasse o que nos espera? Serão os azulejos que devem ser estilhaçados porque levam a luz para longe? Ou serão as telhas que devem partir para calar o cio felino? E ficaremos ao relento da nossa ignomínia, descalços sobre um tapete mágico sem mácula de tropeços - andar apressado.

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publicado às 14:45

Vale a pena protestar

por Nuno Castelo-Branco, em 18.10.13

A Câmara Municipal de Lisboa não esperava um repúdio tão sonoro e generalizado. Quando retirou os antigos candeeiros que durante mais de um século iluminaram o Terreiro do Paço, cometeu um abuso que não podia passar despercebido. 

 

Costa está a remediar a grossa asneira, colocando novos candeeiros - parecem ser cópias, o tal pastiche que noutros casos é tão vituperado - na  Praça. Em boa hora está a fazê-lo, não tendo sido necessária  a espera de uma década para a correcção do disparate. Ficamos então à espera da urgente remoção dos pavorosos periscópios/schnorkel colocados há uns meses. No Terreiro do Paço não existe qualquer hipótese para uma iluminada  "convivência pacífica" e se Costa iniciou o "desanuviamento", então que complete o serviço, pois não nos esqueceremos facilmente do património desaparecido, por sinal muito bonito e superior ao ersatz que está a ser colocado. 

 

Como nota final, seria excelente informarem-nos acerca do paradeiro dos antigos candeeiros - passíveis de restauro e adequação às novas necessidades de iluminação - e o preço pago pelos novos postes que a primeira imagem mostra. Isto, sem contarmos com as verbas dispendidas para a remoção da antiga iluminação, a colocação dos  schnorkel e a "mise en place" dos ersatz. Má despesa pública. 

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publicado às 13:55

Domingo em Vila Viçosa

por Nuno Castelo-Branco, em 28.07.13

 

Estive hoje em Vila Viçosa, mostrando a localidade a amigos franceses. Um local limpo e com o património em bom estado. O Palácio, grandioso e bem cuidado como sempre esteve. O pessoal de serviço foi amável e no jardim vive uma colónia de gatos amistosos e bem tratados. Serão descendentes daqueles que por lá andavam e eram protegidos nos tempos em que D. Carlos espairecia naquela vila alentejana?

 

Tive mesmo de o puxar para o passeio, pois o turista ocasional ia sendo atropelado pelo único carro que circulava na Vila

 

Nas ruas via-se pouca gente e quase nenhuns turistas da crise. A missa esteve cheia e com um grupo de escuteiros cantores que fizeram uma festa. Na sede do Grupo Filarmónico União Calipolense, estava hasteada a sua bandeira bipartida a azul e branco, pois ali também não cederam. Bom sinal. 


Vê-se que não estamos na Lisboa da temível dupla Costa & Salgado CML Comp. Lda.


A bela "manjedoura" da Pousada D. João IV

 



 

Sinal dos tempos: à direita, a viatura de um tradicional agricultor alentejano. À esquerda, o presumível "carro de lavoura" de um seu émulo dos alegados subsídios e fundos estruturais da PAC

 

 

 

* Apenas uma nota a destoar: a esquisitíssima estátua erguida em memória do Dr. João Augusto Couto Jardim. Inacreditável, deviam odiar o pobre homem!

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publicado às 23:13

Portugal Arruinado: nas Caldas da Rainha

por Nuno Castelo-Branco, em 13.02.13

 

Os pavilhões anexos ao Hospital Termal das Caldas da Rainha. Situados no belíssimo Parque D. Carlos I, encontram-se hoje num deplorável estado de abandono. Embora jamais tivessem servido as termas, neles estiveram instaladas unidades militares, escolas e liceus. Entra na segunda década do século XXI com janelas escancaradas, vidros partidos, telhados danificados. A ruína é evidente e teme-se aquilo que todos já adivinham. É isto, o Portugal do progresso. 

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publicado às 09:10

Lisboa Arruinada: "l'Ãbaçade de Ferronce"

por Nuno Castelo-Branco, em 25.01.13

 

Este casarão já viveu melhores tempos. Antiga residência real, foi também casa dos marqueses de Abrantes. Nela encontra-se hoje instalada a Embaixada de França que pelos vistos, também joyeusement marcha ao passo daquilo que a Câmara Municipal de Lisboa e os gestores do nosso património permitem.

 

Diz-se que o interior é feérico, cheio de preciosidades. O pior é a cobertura, o glacé deste apetitoso bolo urbano. A fachada encontra-se num estado affreusement vergonhoso. Reboco a despegar-se dos muros, musgo por toda a parte, cantarias deterioradas, as janelas evidentemente empenadas, com a pintura descascada e pior ainda, desirmanadas (ver na foto, a quarta janela, possivelmente já muito malinianamente "aluminizada" e de desenho diferente das demais). O aspecto é péssimo, aparentemente blasé, très decadent, enfim, um  edifício que perfeitamente se coaduna com a utilitária e revolucionária expressão de 1793: um ci-devant palácio.

 

Será mesmo isto "l'Ãbaçade de Ferronce"?

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publicado às 15:00

A entrevista de Sócrates para uma Lisboa Arruinada

por Nuno Castelo-Branco, em 22.04.09

 

 Chegar ao Porto dez minutos mais cedo, eis em resumo o que significa o mega-projecto do TGV. No exacto momento em que as cidades do país proporcionam um ridículo espectáculo de ruas esburacadas, prédios e casas a ameaçar derrocada, jardins ao abandono, transportes públicos deficientes e monumentos a carecer de intervenção urgente, as autoridades parecem querer insistir num erro vetusto de décadas. Se talvez se possa compreender a insistência na construção de uma linha de alta velocidade que nos ligue ao resto da Europa, as suas ramificações dentro do território nacional são por todos consideradas como teimoso desvario. 

 

Após a entrevista de ontem, o primeiro-ministro confirmou os piores receios, uma vez que se mostrou inamovível nas muito discutíveis opções de investimento. Continuamos então na senda das obras de fachada ao estilo aldeia de Potemkin, em vez de recuperarmos o imenso e quase fatalmente perdido património. As obras de pequena e média dimensão, proporcionam o trabalho de que as empresas tanto necessitam, dinamizando vendas, produção de materiais e consequentemente, ajudando a mitigar o problema do desemprego. Simultaneamente, prestar-se-ia um inestimável serviço a um país que pretende  apresentar-se ao mundo como um destino turístico de primeira categoria. Para assim ser, não basta desfiar-se um caricato rol de campos de golfe e hotéis de charme,ao mesmo tempo que se esquecem as praias poluídas e sem infraestruturas de acolhimento, ou as muito danificadas estradas secundárias que conduzem os visitantes ao apregoado turismo num interior praticamente desertificado.

 

Quem chega a Lisboa, depara com uma zona histórica cada vez mais invadida por intrusões da descaracterizadora especulação imobiliária, num galopante processo de suburbanização de toda a capital. Edifícios do Estado em ruínas - o Palácio da Ajuda, irónica sede da Cultura institucional é um ex-libris -, total desinteresse pela rápida recuperação das construções características de cada uma das zonas da cidade e destruição do espaço sagrado envolvente dos principais monumentos de Lisboa, são alguns dos problemas mais imediatos. Muito há para fazer, proporcionando o necessário trabalho por todos reclamado. Mas o programa parece ser outro, beneficiando uma vez mais, os interesses de uma restrita minoria.

 

Entretanto, a nossa Câmara Municipal de Lisboa, prossegue nas já sistemáticas malfeitorias e tem ainda o topete de se gabar através de cartazes que são um insulto à decência. Na foto acima, mais um prédio* que vai abaixo, na av. da república. Um dos últimos de uma outrora impressionante amostra daquilo que Lisboa foi há cem anos. É desencorajante.

 

 

 

*A antiga sede da Diese. Quantos lisboetas aí foram comprar produtos que ao tempo não existiam nos supermercados, como muesli, soja, bolachas integrais, etc?

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publicado às 11:17






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