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PEPAC

por Samuel de Paiva Pires, em 27.01.13

Abre amanhã o período de candidaturas a uma nova edição do Programa de Estágios Profissionais na Administração Pública. A ver se este governo preparou a coisa um bocadinho melhor e não abusa tanto nas cunhas. É que com os socráticos deu nisto.

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publicado às 23:43

It just keeps getting better!

por Samuel de Paiva Pires, em 06.06.10

(Originalmente publicado em PEPAC - Porque os Estágios Parecem Algo Complicado)

 

 

De acordo com o documento da DGAEP relativo à Comprovação dos Requisitos, não é necessário comprovar as competências línguisticas, as competências informáticas nem a experiência profissional, fazendo fé na declaração dos candidatos. Ora, sendo assim, mais valia todos os candidatos terem assinalado que sabiam 3 ou mais línguas, que detêm competências informáticas em todos os campos apresentados (inclusive Programação, que é algo essencial para estágios em tudo o que não seja Informática, não haja dúvida), e que têm experiência profissional na área de formação. Assim obtinham a classificação máxima nestes campos, e dado que a DGAEP e as entidades promotoras dos estágios nem se dão ao trabalho de solicitar a comprovação das mesmas, quem é que vai fiscalizar as falsas declarações nestes campos? Ninguém!!!

 

Vale a pena ser honesto quando quem devia dar o exemplo promove precisamente o contrário, a chico-espertice? Ora perguntem lá todos comigo, podia o Governo promover um PEPAC justo, meritocrático, transparente e rigoroso? Podia, mas não era a mesma coisa!!!

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publicado às 17:03

Contra a ditadura da (in)falibilidade do Estado

por Samuel de Paiva Pires, em 05.06.10

(Originalmente publicado em PEPAC - Porque os Estágios Parecem Algo Complicado)

 

 

O PEPAC - Porque os estágios parecem algo complicado (ver também o grupo no Facebook), tem trazido a público muitas das incongruências, erros e manipulações do muito pouco transparente processo de selecção do PEPAC - Programa de Estágios Profissionais na Administração Central.

 

Sendo todo o processo gerido pela Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), este organismo recusa-se a assumir quaisquer erros, conforme informaram o i. Com a superioridade moral que advém de uma certa cultura política que tende a revestir o Estado de uma aura de infalibilidade, como se não fossem seres humanos, por natureza imperfeitos, quem comanda os desígnios deste, a DGAEP e o Governo lá vão continuando este programa. Simultaneamente, relegam para segundo plano os milhares de reclamações e as diversas situações que têm sido trazidas a público, que, por si só, ao demonstrarem que houve falta de transparência, evidente manipulação dos dados e cunhas neste processo - sem falar nos critérios redutores e na falta de informação - deveriam ser suficientes para, em qualquer país civilizado com uma democracia liberal digna dessa qualificação e com um Governo responsável e responsabilizado pelos seus actos, suspender o concurso.

 

Mas não. Em Portugal, o Estado centralizado fragmenta cada vez mais os laços sociais entre os cidadãos, distancia-se de forma assustadora destes, esmaga-os com o que Max Weber classificou de monopólio da força legítima, e faz imperar a jacobina ideia da infalibilidade do Estado e do Governo - que muito recentemente José Manuel Fernandes relembrou: "Ao contrário das figuras públicas que não confundem autoconfiança com omnisciência e poder ilimitado, ou dos que acreditam nas virtudes da humildade democrática, os modernos filhos da tradição jacobina nunca estão ou estarão preparados para assumir um erro ou corrigir voluntariamente o seu rumo. Sócrates nunca sentirá que deve pedir desculpa, nem admitirá que se enganou: para ele o que corre mal é sempre efeito de conspiradores mal intencionados, como os “especuladores”, tudo o que corre bem é fruto da sua inspirada liderança. É também por isso que mente sem vergonha e nunca, ao longo da sua vida pública, e também da sua vida privada, se sentiu ou sentirá tolhido por qualquer escrúpulo ético."

 

O Estado centralizado, pouco institucionalizado, muito personalizado, dominado por gente perpassada por ideologias pretensamente superiores do ponto de vista moral, gente sem escrúpulos e com poucos ou nenhuns limites ao seu poder é tão só ume peça fundamental do que Hayek chamaria de O Caminho para a Servidão. O conformismo dos portugueses é, também, resultado disto, em especial da dormência instilada na sociedade com o Estado Novo e com a III República, regimes em que o poder centralizado do Estado foi sendo reforçado e a perigosidade deste para os cidadãos agravada.

 

É contra este sentimento de conformismo, contra a ideia da infalibilidade do Estado e com o sentido de causa pública e de dever cívico que continuaremos a actuar. Reclamações serão brevemente endereçadas a quem de direito, recorrendo a diversos casos para exemplificar as evidentes falhas que apenas a DGAEP se recusa a admitir, por óbvia cegueira e arrogância de quem julga que a centralização é benéfica. Pois não é. A centralização do Estado leva inequivocamente ao falhanço, à incompetência, à corrupção e à servidão. O PEPAC é apenas um dos muitos exemplos disto.

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publicado às 21:52

Estágios no Estado. Finanças receberam 1500 reclamações

por Samuel de Paiva Pires, em 03.06.10

Muito agradecemos ao i a preocupação com este assunto e a publicação desta peça (ver mais informação em PEPAC - Porque os Estágios Parecem Algo Complicado):

 

Pós-graduados passaram à frente de jovens com mestrados e médias mais baixas entraram à frente de médias mais altas

 

 

 

Quando o desemprego entre os jovens atinge os 22%, o Programa de Estágios Profissionais na Administração Central (PEPAC), que abrange licenciados até 35 anos desempregados, à procura do primeiro emprego ou a trabalhar numa área diferente da de formação, poderia ser um balão de oxigénio. Mas das cinco mil vagas disponíveis, apenas 2981 estágios foram preenchidos em 51 áreas, avançou ontem o governo ao divulgar a lista de colocados. Para vários candidatos ouvidos pelo i, o concurso foi mal gerido desde o início. Fonte do ministério das Finanças admite ao i que houve 1500 reclamações. Este número "decorre do vasto universo de candidatos", mas também "do sistema de candidaturas inovador cujos termos nem sempre resultaram claros para os candidatos", garante.


A maioria das reclamações dos candidatos prende-se com o facto de a DGAE (Direcção-Geral de Administração e do Emprego Público) não ter salvaguardado a veracidade dos dados prestados pelos candidatos, verificação que só ocorrerá agora, quando a lista dos seleccionados já foi divulgada. Houve casos, de que o i teve conhecimento, em que estágios para "Geografia e Ordenamento do Território" foram preenchidos por licenciados em arquitectura. Em resposta ao i, as Finanças reconhecem falhas: "Neste processo poderão, naturalmente, ter sido prestadas declarações incorrectas, podendo ter sido escolhida uma área de educação e formação que, na verdade, não comporta a licenciatura do candidato ou as características do estágio em oferta". Ainda assim, as Finanças garantem que "o PEPAC assegurou uma selecção isenta e adequada dos candidatos face às ofertas disponíveis".

Grupo no Facebook Segundo o ministério das Finanças, cerca de 3700 propostas ficaram sem resposta da parte dos candidatos notificados, razão que motivou a redução do número de estágios dos 5 mil iniciais para 3 mil. "O governo dizer que foram os jovens que não aceitaram os estágios foi uma provocação gratuita", ataca Samuel Paiva Pires, 24 anos, licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Técnica de Lisboa. O jovem e a amiga Inês Narciso, da mesma faculdade e curso, integram os 440 candidatos para as 55 vagas da área de Ciência Política e Cidadania. "Se as vagas não foram todas preenchidas é porque a maioria dos candidatos em lugares elegíveis não foi notificada", acusa Samuel Pires. Fartos de ouvir queixas, inclusive de pessoas que tinham conseguido um estágio, Samuel e Inês criaram um blogue e um grupo no Facebook para divulgarem as falhas no processo de selecção ao PEPAC. Constataram que não estavam sós: o blogue conta com uma média de 200 visitas diárias e o grupo com mais de 400 membros.

Critérios "redutores" Com médias de 18, 16 e 15 valores, respectivamente, Vânia Lopes, Samuel e Inês viram candidatos com médias inferiores passar-lhes à frente. "Sentimo-nos enganados e desiludidos com este programa devido às incongruências do processo de selecção", que teve critérios de selecção "redutores", acusa Samuel. "Não pediram currículos, não fizeram entrevistas, nem sequer pediram a discriminação das universidades onde as pessoas concluíram os cursos", acusa. Actividades extracurriculares e data de conclusão da licenciatura também não constavam nos pedidos de informação do governo.

Na última semana do concurso, o governo anunciou que, face à fraca procura, iria reduzir as vagas para 3 mil. Mas, para as Finanças, não houve corte, antes uma "reorientação", que implicou que "fossem eliminadas temporariamente vagas, apenas na penúltima ronda de notificações".

"Se todas as vagas fossem preenchidas, teria sido colocado", conta Acácio Moreira, 33 anos, licenciado em Novas Tecnologias da Informação que nunca foi notificado. "Das 215 vagas na área de informática em Lisboa, apenas foram preenchidas 48. Parece que não houve vontade do governo de colocar toda a gente", acusa.

Segundo o ministério, a escassez de respostas aos 6 mil convites para estágios deveu-se à preferência dos candidatos por várias zonas do País, com grande concentração em Lisboa, Porto e Coimbra, e por determinados serviços do Estado. Acácio Moreira contesta: "Concorri para sete distritos, num total de 290 vagas". "Apenas 99 foram preenchidas", garante. Além disso, "o concurso esteve parado pelo menos metade do tempo desde o início da fase de notificações", acusa. Por seu lado, o ministério rejeita estas acusações: "Quando o candidato notificado para um estágio numa entidade promotora não aceitou ou não respondeu [a uma proposta de estágio] no prazo de 48 horas, o sistema informático procedeu, automaticamente, ao envio de notificação ao candidato seguinte".

O Bloco de Esquerda apresentou um requerimento ao Governo, que não teve ainda resposta, onde questiona o processo de selecção. O partido não vê justificação para que cerca de 23 mil candidatos tenham sido excluídos, quando ficaram por preencher cerca de metade das vagas disponibilizadas no concurso. "Houve falhas no sistema informático e agora o governo está a atirar a culpa para os candidatos", acusa o deputado Paulo Soeiro. Já o presidente do STE (Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado), Bettencourt Picanço, diz que a atitude do governo é "lamentável", assegurando que as razões da redução das vagas são "obviamente financeiras". Circula ainda uma petição para reiniciar o concurso.

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publicado às 10:46

Queremos a Verdade sobre o PEPAC!

por Samuel de Paiva Pires, em 28.05.10

 

O PEPAC - Porque os Estágios Parecem Algo Complicado precisa de sair à rua! Por que não utilizar a Manifestação de amanhã para o fazer? Sugerimos que saiam à rua e entupam o Marquês de Pombal com os flyers do PEPAC que aqui apresentamos em jpg (em alta resolução, podem adaptar ao formato que considerarem melhor), e que poderão imprimir em vossa casa. Se tod@s imprimirmos 50, imaginem quantos não saírão!!! Façam o download em http://www.box.net/shared/meah7i5hhd

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publicado às 23:53

Petição pública para reiniciar o PEPAC

por Samuel de Paiva Pires, em 28.05.10

Lamentamos que em vez de unir esforços através de uma colaboração que a todos interessa, não nos tenham contactado - até considerando a projecção que conseguimos ter através deste grupo, do blog e dos milhares de e-mails e contactos que temos efectuado por estes dias -, porém, e dado que todos pretendemos o mesmo, aqui fica a publicidade a esta petição.

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publicado às 22:37

 

 

 

 

O PEPAC - Porque os Estágios Parecem Algo complicado emitiu um Comunicado de Imprensa onde sublinha a necessidade da comunicação social e entidades competentes levarem em conta as inúmeras reclamações individuais que lhes têm sido enviadas individualmente.

 

É impressionante a quantidade e "qualidade" dos casos que temos recebido por email e nas redes sociais, e lamentável o facto de ninguém se ter pronunciado sobre os atropelos ao direito e ao bom senso que nos indignam e ofendem.

 

Ver mais aqui.

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publicado às 14:50

 

Foi enviado um e-mail para a imprensa, Governo e Presidência da República, com alguns parágrafos do post "Contra a Ditadura da Incompetência", e com este:

 

Venho por esta forma manifestar a minha indignação quanto ao processo de selecção do PEPAC - Programa de Estágios Profissionais na Administração Central e, principalmente, em relação à distorcida forma como no dia de hoje têm sido comunicadas as informações sobre o mesmo na imprensa. Não se percebe, realmente, a conivência entre os jornalistas, a quem parece não interessar desmascarar este logro, bem como a falta de bom senso do governo ao provocar os jovens que sabem muito bem como se tem processado toda este programa.

 

De facto, a forma como na imprensa foram reproduzidas as informações prestadas pelo Governo esta manhã, não passam de uma provocação gratuita e indecente a todos os candidatos. Muito agradecemos ao ionline ter alertado para esta situação:

 

Depois das várias notícias vindas a público durante os processos de selecção, um grupo de jovens criou um blogue e uma página no Facebook entitulada PEPAC - Porque Estágios Parecem Algo Complicado. "Independentemente de quaisquer filiações ideológicas ou partidárias, de quaisquer crenças ou religiões, ou da idade, o que está em causa é a necessidade de alertar para uma profunda injustiça e para a gritante incompetência dos decisores políticos e da burocracia estatal, mais até do que no que diz respeito a este tão propagandeado PEPAC", alerta Samuel de Paiva Pires, fundador do movimento.

 

Apelo a todos que se juntem a nós com o objectivo de desmascarar este logro, que a todos os cidadãos deve indignar!

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publicado às 15:52

Em destaque

por Samuel de Paiva Pires, em 27.05.10

 

Em 2 dias, com 6 posts e cerca de 700 e-mails de divulgação, o PEPAC - Porque os Estágios Parecem Algo Complicado, já juntou 120 pessoas no Grupo no Facebook, 80 no Perfil também no Facebook, e atingiu, para já, 274 visitas. Apelamos a todos a juntarem-se a esta iniciativa e a divulgarem-na, com a certeza de que o que está em causa é, como em tantos outros casos, a falta de competência e transparência do Estado português, que a todos os cidadãos deve indignar.

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publicado às 01:15

Será que é ao PEPAC que se referem?

por Samuel de Paiva Pires, em 26.05.10

(Publicado originalmente no PEPAC - Porque os Estágios Parecem Algo Complicado)

 

 

(imagem tirada daqui)

 

Foi hoje anunciado o cancelamento de 8 das 20 medidas do pacote anti-crise apresentado pelo Governo. Entre as 8, encontramos "os apoios à requalificação de cinco mil jovens licenciados". Quererá isto dizer que vão cancelar o PEPAC? Alguém consegue clarificar esta questão? Mais, será isto fruto da crise ou apenas da cada vez menos disfarçável incompetência que tem perpassado todo este processo?

 

É com agrado que registamos o aumento da actividade no blog e no Facebook, pelo que exortamos todos os descontentes a enviarem-nos mensagens e e-mails com casos concretos que desejem ver denunciados.

 

Aproveito ainda para solicitar a todos os que têm acompanhado este processo se já conseguiram aplicar de forma correcta a fórmula de cálculo da pontuação final, isto é, se conseguiram chegar aos mesmos resultados que aqueles apresentados pela entidade promotora. Ficamos a aguardar!

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publicado às 23:42

Contra a Ditadura da Incompetência

por Samuel de Paiva Pires, em 26.05.10

(Originalmente publicado no blog do PEPAC - Porque os Estágios Parecem Algo Complicado)

 

 

Nos anos 90 os estudantes e jovens portugueses foram apelidados de "geração rasca". Na primeira década do século XXI, passámos a ser uma geração quase acefalamente conformada com o status quo de uma sociedade onde a incompetência, a falta de transparência e a corrupção generalizada se tornaram apanágio. Emigramos, olhamos para o lado ou simplesmente deixamo-nos levar nesse dolce fare niente, encolhendo os ombros perante situações que por acontecerem todos os dias, se tornam banais e deixam de nos indignar, acabando por, no fundo, enveredar pelo clássico axioma que nos diz que "se não os podes vencer, junta-te a eles".


Somos, na verdade, o espelho de uma sociedade civil muito pouco vibrante e que em pouco ou nada responsabiliza os seus decisores políticos, que nas últimas décadas em demasia se têm preocupado com as gerações dos direitos adquiridos, com o aumento (desmesurado) do Estado sem olhar ao mérito e à qualidade dos seus funcionários (recrutamentos e concursos públicos viciados à partida, cunhas para familiares e amigos ou sistemas de avaliação perniciosos e que originam negociatas entre funcionários, são apenas alguns dos exemplos do que vergonhosamente se vai passando na administração pública) em detrimento dos jovens qualificados que podem ser uma mais valia para o país. Tudo isto enquanto o sistema educacional se tem vindo a tornar cada vez mais facilitista, a justiça cada vez mais descredibilizada perante a opinião pública, e os políticos cada vez mais desacreditados perante os cidadãos.


Qualquer democracia liberal digna dessa qualificação deve ter uma sociedade civil perante a qual haja accountability das acções do Estado. Não, não podemos continuar a deixar passar em branco situações gritantes e escandalosas que deveriam envergonhar não só os jovens como qualquer cidadão. Afinal, ser cidadão implica, para além de um vínculo à civitas, a participação política e o direito de exigir que os decisores prestem contas dos seus actos. Já dura há demasiado tempo um certo sentimento de impunidade e de desresponsabilização que reina entre quem nos tem vindo a (des)governar, entre quem não tem sentido de causa ou ética pública. Esta, deve pautar-se, acima de tudo, pela transparência, pela competência e pela igualdade no tratamento de todos perante as mesmas oportunidades.


Competência, transparência e tratamento igual, três conceitos-chave que importa reter quando pretendemos analisar o que tem acontecido com o processo de selecção do PEPAC. Esta é, sem dúvida, uma iniciativa revestida de boas intenções, nomeadamente, dar qualificações a jovens recém-licenciados que, por sua vez, contribuem com os seus conhecimentos para que a máquina estatal se torne mais eficiente. Isto, pelo menos, em teoria.


Se pensarmos em termos de competência e tratamento igual para todos, e dado que se trata de um processo de recrutamento, estamos em crer que seria apenas normal que se solicitasse a submissão de Curriculum Vitae e se realizassem entrevistas. Ora, qual o espanto inicial quando não só tal não acontece como as candidaturas foram realizadas através de um simples formulário onde era solicitado o nome da licenciatura e se o candidato já era detentor de uma pós-graduação, mestrado ou doutoramento, as médias de licenciatura e ensino secundário, competências na área de informática e línguas e se possuía experiência profissional. No fim, uma fórmula matemática calcularia a pontuação do candidato com base nestas informações, como consta do documento relativo aos parâmetros de avaliação.


Mas, acontece que, não diferenciando se as licenciaturas em causa são de 3 anos (de acordo com o regime de Bolonha) ou 4 anos (regime pré-Bolonha), por exemplo, está-se a tratar de forma igual o que é per se desigual, o que encerra em si, paradoxalmente, uma profunda desigualdade. Não diferenciando sequer as Universidades, dado que não era solicitada informação sobre a instituição de ensino onde o candidato obteve o grau de licenciado, está-se, novamente, a tratar de forma igual o que é desigual - até porque existem vários rankings e indicadores nacionais e internacionais de avaliação da qualidade das Universidades. E aplicando uma fórmula matemática generalista a dados que pouco informam sobre quem é, na realidade o candidato, está-se a tratar de forma igual pessoas que são todas elas diferentes entre si, porque cada ser humano é único e irrepetível. Não solicitando o CV (onde se deve ressalvar o chamado hidden curriculum (actividades extra-curriculares, experiência profissional, competências técnicas e artísticas etc), que é, a mais das vezes, bem mais importante do que o grau académico de que se é detentor) nem realizando entrevistas, acabou por se tratar 25 mil candidatos com o desdém de os considerar apenas um produto de uma fórmula matemática. Isto é, no mínimo, desumano e arrogante, e só demonstra a incapacidade da Administração central para processar de forma competente a informação. Deixámos de ser cidadãos para passarmos a ser um número, para passarmos todos a ser supostamente iguais, quando não há dois seres humanos exactamente iguais entre si. Mais uma vez, paradoxalmente, um suposto pressuposto de igualdade, só conduziu a uma profunda desigualdade de tratamento.


E a falta de competência veio ainda mais ao de cima quando após saírem os resultados, muitos candidatos começaram a falar entre si e a verificar incongruências como as que foram reportadas aqui. Pessoas que deveriam ter pontuações totais inferiores em relação a outras foram colocadas à frente destas.


Do ponto de vista da transparência, e sendo este um concurso público, seria apenas normal que as candidaturas de todos os jovens fossem disponibilizadas online. E foram-no, mas apenas nos primeiros dias em que saíram as listas de candidatos, e ainda no primeiro dia em que saíram as listas de colocados. A partir daí, nunca mais foi possível aceder aos dados dos vários candidatos, o que, desde logo, lança suspeitas sobre o processo de selecção. É mais que legítimo levantar dúvidas sobre se não houve manipulação dos dados, sobre se mesmo os dados solicitados foram tratados correctamente (o que sabemos que não foram, em decorrência do que escrevemos no parágrafo acima), e sobre porque não é possível visualizar os dados dos candidatos e seleccionados, como foi em dada altura.


Onde ficam então a competência, a transparência e a igualdade? Pura e simplesmente na gaveta. Além do mais, em época de crise financeira estrutural grave, em que uma gestão eficiente e valorização dos recursos disponíveis devem ser a tónica da administração pública, não deveria o Estado preocupar-se em realizar um concurso pensado e planeado de forma competente?


Entretanto, milhares de jovens que se candidataram a este programa têm falado sobre isto. Têm escrito por aí no facebook e blogs, dando conta deste tipo de irregularidades. A comunicação social e o Governo mantêm-se completamente mudos.


Foram enviados cerca de 700 e-mails, entre contactos dos vários jovens envolvidos neste grupo, imprensa, universidades, e governo. Note-se, foi enviada divulgação desta causa para todos os grandes órgãos de comunicação social do país, e para os gabinetes de todos os Ministros e Secretários de Estado. Exigimos, nada mais nada menos do que ser ouvidos, porque é preciso dizer "basta". Basta deste sentimento de impotência perante um Estado que está cada vez mais distante dos cidadãos, que prejudica deliberadamente os jovens e que é inerentemente injusto. Basta deste sentimento de impotência perante a ditadura da incompetência, da corrupção generalizada e do "se não os podes vencer, junta-te a eles".


Independentemente de quaisquer filiações ideológicas ou partidárias, de quaisquer crenças ou religiões, ou da idade, o que está em causa é a necessidade de alertar para uma profunda injustiça e para a gritante incompetência dos decisores políticos e da burocracia estatal, mais até do que no que diz respeito a este tão propagandeado PEPAC. Este é apenas mais um passo que leva a sociedade civil a vergar-se perante um Estado profundamente injusto. Juntem-se a nós, jovens e menos jovens, candidatos ao PEPAC e descontentes, porque apenas juntos poderemos fazer-nos ouvir perante quem nos anda há muito a enganar.


Porque mais vale quebrar que torcer, mais vale enfrentar do que vergar, mais vale ser ouvido do que simplesmente encolher os ombros, juntem-se a nós no perfil do Facebook Pepac Estágios, no grupo também no Facebook, deixem-nos comentários nestes e no blog, enviem-nos e-mails para pepac2010@gmail.com com sugestões e a relatar as situações que conhecem que permitam desmacarar este logro. Ficamos a aguardar!

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publicado às 02:15

PEPAC - Porque os Estágios Parecem Algo Complicado

por Samuel de Paiva Pires, em 25.05.10

 

Lançamento do PEPAC - Porque os Estágios Parecem Algo Complicado.

 

 

Vejam aqui esta iniciativa de um grupo de jovens descontentes com o processo de selecção do Programa de Estágios Profissionais na Administração Central.

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publicado às 14:00

Transparência (2)

por Samuel de Paiva Pires, em 23.04.10

 

No seguimento do primeiro post, aqui fica um caso real. Consideremos três sujeitos, nomeadamente, eu, um amigo a quem vamos dar o nome de Zé, que tem uma pontuação, segundo os mais que discutíveis critérios de selecção, inferior à minha, e um amigo a quem vamos dar o nome de António, que tem uma classificação superior à minha.

 

Eu fiquei classificado no 111.º lugar para uma determinada entidade. O António ficou poucos lugares à minha frente para essa mesma entidade. Para uma outra entidade, o António ficou nos 50 primeiros, e o Zé ficou nos vinte lugares seguintes. Eu fiquei em 160.º para esta segunda entidade. Conseguem perceber isto? Eu não. Ou melhor, talvez até consiga...

 

Aos senhores do Gabinete do Ministro das Finanças que todos os dias visitam este blog, e, em especial, aos senhores que gerem a BEP, o Instituto de Informática do mesmo Ministério, bem como ao Governo em geral, gostava de perguntar se achavam mesmo que as pessoas não tinham vários amigos e conhecidos a candidatarem-se e não iam começar a cruzar a informação? Não se podiam ter dado ao trabalho de esconder um pouco melhor? Ademais, quanto mais tempo passa sem que permitam visualizar as candidaturas dos candidatos, como anteriormente era possível, mais suspeitas deixam recair sobre este processo.

 

Recapitulando o que ontem escrevi, gostava tanto de ver as candidaturas das cento e poucas pessoas que ficaram à minha frente nos estágios do PEPAC. Porque é que será que já não é possível ver? E gostava ainda mais de perceber como não pedem CVs, não fazem entrevistas, não diferenciam as universidades, não diferenciam licenciaturas pré e pós-Bolonha, não conta para nada estar a fazer mestrado... Muito transparente e meritocrático este processo, não haja dúvida...

 

Estará o nosso Estado tão desesperado que precise de "enchouriçar" na Administração Pública 5000 jovens independentemente das suas qualidades? Qual o benefício de contratar por contratar, a "martelo"? Custava assim tanto ter encetado um processo mais demorado mas mais justo, que permitisse recrutar realmente os melhores de entre os candidatos? Há maneiras correctas, justas e boas de fazer as coisas. E depois há formas injustas e erradas. O Estado português, por alguma razão, parece ter tendência para fazer as coisas como não devem ser. Tudo o que pode ser mal feito, é-o. Entretanto proclamam bonitos princípios, que em pouco ou nada correspondem à autenticidade da praxis quotidiana. Deve ser a isto que chamam de ética republicana. Muito rigor, transparência e competência, claro está.

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publicado às 20:01

Transparência

por Samuel de Paiva Pires, em 22.04.10

 

Gostava tanto de ver as candidaturas das cento e poucas pessoas que ficaram à minha frente nos estágios do PEPAC. Porque é que será que já não é possível ver? E gostava ainda mais de perceber como não pedem CVs, não fazem entrevistas, não diferenciam as universidades, não diferenciam licenciaturas pré e pós-Bolonha, não conta para nada estar a fazer mestrado... Muito transparente e meritocrático este processo, não haja dúvida...

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publicado às 22:40






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