Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Sobre o futuro da ideia de inteligência

por Samuel de Paiva Pires, em 21.02.17

Stephen Cave, "Intelligence: a history":

So when we reflect upon how the idea of intelligence has been used to justify privilege and domination throughout more than 2,000 years of history, is it any wonder that the imminent prospect of super-smart robots fills us with dread?

 

From 2001: A Space Odyssey to the Terminator films, writers have fantasised about machines rising up against us. Now we can see why. If we’re used to believing that the top spots in society should go to the brainiest, then of course we should expect to be made redundant by bigger-brained robots and sent to the bottom of the heap. If we’ve absorbed the idea that the more intelligent can colonise the less intelligent as of right, then it’s natural that we’d fear enslavement by our super-smart creations. If we justify our own positions of power and prosperity by virtue of our intellect, it’s understandable that we see superior AI as an existential threat.


(...).

 

We would do better to worry about what humans might do with AI, rather than what it might do by itself. We humans are far more likely to deploy intelligent systems against each other, or to become over-reliant on them. As in the fable of the sorcerer’s apprentice, if AIs do cause harm, it’s more likely to be because we give them well-meaning but ill-thought-through goals – not because they wish to conquer us. Natural stupidity, rather than artificial intelligence, remains the greatest risk.

 

It’s interesting to speculate about how we’d view the rise of AI if we had a different view of intelligence. Plato believed that philosophers would need to be cajoled into becoming kings, since they naturally prefer contemplation to mastery over men. Other traditions, especially those from the East, see the intelligent person as one who scorns the trappings of power as mere vanity, and who removes him or herself from the trivialities and tribulations of quotidian affairs.

 

Imagine if such views were widespread: if we all thought that the most intelligent people were not those who claimed the right to rule, but those who went to meditate in remote places, to free themselves of worldly desires; or if the cleverest of all were those who returned to spread peace and enlightenment. Would we still fear robots smarter than ourselves?

 

(também publicado aqui.)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:12

Diz que o islão é uma religião de paz

por Samuel de Paiva Pires, em 15.02.17

O Papa Francisco afirmou há dias que o Corão é um livro de paz e que o islão não é uma religião violenta. Entretanto, na Indonésia, o cristão governador de Jakarta que vai hoje a eleições enfrenta a fúria dos que querem vê-lo condenado em tribunal por blasfémia, ou seja, por alegadamente ter insultado o islão, apesar de 88% dos indonésios admitirem que não sabem ao certo o que Basuki Purnama Tjahaja terá dito.

 

(também publicado aqui.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:37

O tempo das indignações fugazes e das certezas absolutas

por Samuel de Paiva Pires, em 10.02.17

Na era da informação, em que temos à distância de alguns cliques todo o tipo de conteúdos sobre toda e qualquer temática, em que qualquer um pode comentar tudo e mais alguma coisa sempre que o deseje através dos mais diversos aparelhos tecnológicos e utilizando as mais variadas plataformas comunicacionais, como as redes sociais e os blogs, não deixa de ser particularmente penoso constatar que a ignorância, o dogmatismo e o fanatismo parecem também ser potenciados pelos meios que temos ao nosso alcance.


Com efeito, não é novidade para ninguém que as redes sociais vivem, em larga medida, das indignações fugazes. Há dois meses era a indignação de certa esquerda com Ricardo Araújo Pereira, há umas semanas era a indignação com um dos sócios da Padaria Portuguesa e, por ora, não me ocorrem outras indignações recentes, pelo simples facto de que são tão fugazes e, muitas vezes, tão patetas, que mal ficam na memória. Pelo meio, na forma, as indignações são sempre iguais: surgem rapidamente como reacção às declarações de alguém, têm um efeito viral nas redes sociais e geram barricadas que se digladiam furiosamente até, de repente, deixarem de o fazer – ou porque o assunto se esgotou, ou porque surgiu outra indignação ou qualquer outro evento mediático que capta a atenção da esmagadora maioria dos indignados.


O dogmatismo é marca quase sempre presença nestas indignações, mas não é exclusivo dos constantemente indignados. Parece haver, entre muitos dos mais diversos intervenientes nos espaços públicos e políticos das sociedades demo-liberais, desde os mais aos menos esclarecidos, um dogmatismo que seria de esperar que os desenvolvimentos tecnológicos atenuassem, mas que acabam também por potenciar, talvez porque grande parte dos indivíduos viva em câmaras de eco, espaços em que determinadas ideias circulam, são reforçadas e não são questionadas e em que ideias divergentes são suprimidas, o que acaba por contribuir para a criação e/ou reforço de trincheiras político-ideológicas.


Não deixa de ser irónico que, sendo a filosofia moderna (e o ambiente intelectual contemporâneo) permeada pela dúvida cartesiana e pela impossibilidade de ter certezas, e quando tanto se fala em “pós-verdade” e “factos alternativos”, tantos pareçam ter tantas certezas absolutas sobre tudo e mais alguma coisa. De onde estas certezas vêm, pouco parece importar. Alguns socorrem-se da religião, outros da ideologia e outros ainda da realidade - como se pudessem ter contactos imediatos com “a realidade” e a pudessem avaliar objectivamente e sem referência ao enquadramento cultural que lhes fornece as ferramentas para a interpretar.


Naturalmente, isto faz com que o ambiente social e político se torne exasperante, sendo essencialmente uma arena em que os mais diversos grupos se confrontam sem que haja grande esperança de poderem ter uma discussão racional, sendo o debate político e moral reduzido a um confronto de vontades.


Provavelmente, pouco ou nada haverá a fazer quanto a este ambiente. Mas permitam-me terminar com uma nota de esperança, relembrando uma célebre passagem do ensaio “Philosophy and Politics” de Bertrand Russell:

bertrand-russell.jpg

The genuine Liberal does not say ‘this is true’, he says ‘I am inclined to think that under present circumstances this opinion is probably the best’. And it is only in this limited and undogmatic sense that he will advocate democracy.
What has theoretical philosophy to say that is relevant to the validity or otherwise of the Liberal outlook?
The essence of the Liberal outlook lies not in what opinions are held, but in how they are held: instead of being held dogmatically, they are held tentatively, and with a consciousness that new evidence may at any moment lead to their abandonment. This is the way in which opinions are held in science, as opposed to the way in which they are held in theology.

 

(também publicado aqui.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:52

Da ciência do governo

por Samuel de Paiva Pires, em 09.02.17

Edmund_Burke_by_James_Northcote.JPG

 Edmund Burke, Select Works of Edmund Burke, vol. 2 (Indianapolis: Liberty Fund, 1999), 153 (tradução minha):

Sendo a ciência do governo, portanto, tão prática em si mesma, e destinada a tais propósitos práticos, uma matéria que requer experiência, e ainda mais experiência do que uma pessoa pode adquirir em toda a sua vida, por mais sagaz e observador que possa ser, é com infinita cautela que qualquer homem deve aventurar-se a demolir um edifício que tenha respondido em qualquer grau tolerável, durante épocas, aos propósitos comuns da sociedade, ou a reconstruí-lo novamente sem ter modelos e padrões de utilidade aprovados perante os seus olhos.

 

(também publicado aqui.)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:09

Trump, Pilger and Meet the Press

por John Wolf, em 23.01.17

New_rulers_of_the_world-c5470c8348abe6914891eb48b6

 

As CNN e New York Times deste mundo já não ocupam o palco central das conferências de imprensa organizadas pela presidência Trump. Os últimos da fila com a senha na mão passaram a liderar o processo jornalístico. A Fox News e  o The New York Post são agora as estrelas da companhia. Os lugares cativos de certos opinion makers estão a ser redistribuídos. Hoje o Expresso e o Diário de Notícias, amanhã as Linhas da Beira ou as Notícias da Terra. Temos assitido ao pasmo e ao queixo caído de muito jornalista internacional, ou desta aldeia, que ainda não perceberam a revolução sistémica em curso. O excêntrico Donald, há poucas semanas não fazia parte do clube, mas agora ele é o country club - tem os tacos na mão. Os comentadores, aqui e acolá, ainda acreditam no regresso à convenção, à normalidade. Mas estão enganados. As regras do jogo são outras. No entanto, e em abono do karma jornalístico, foram décadas de preferências e versões coloridas que nos conduziram a este estado de arte, a esta vendetta. Foram muito poucos aqueles que ousaram partir a loiça. Retenho alguns na memória e poucos no presente. Penso no jornalista e investigador John Pilger, e na reedição da sua obra  - The New Rulers of the World -, que pensava eu, por ter Chomsky na badana, ser um hino às virtudes de um campo ideológico em detrimento de outro, mas estava enganado. O homem distribui chapada a torto e a direito, à esquerda, em cima e em baixo. São relatores deste calibre os únicos com argumentos para confrontar Trump, ou seja quem for, em nome do processo democrático. Em vez disso, vemos microfones vendidos a simular entrevistas a presidentes da república, colunistas ao melhor preço de mercado, e a verdade dos factos a escoar por um cano de minudências e chatices. Ainda não entenderam que a tendência da política é hardcore, XXX? Enquanto os jornalistas andam aos papéis para ver se saem bem na fotografia e eternizam os favores, os danos são prolongados. E muito por sua culpa. Trump está a fazer tremer mais do que mera gelatina de cobertura mediática. O epicentro pode ter sido lá, do outro lado do Atlântico, mas aqui, seja qual for a jornada parlamentar, cheira mal e há tempo demais. As conivências políticas e os encostos de ombro de determinados jornalistas são flagrantes - as primeiras páginas parecem ser agora as derradeiras. Vai rolar muita tinta e algo mais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:19

Marcelo, déficit emocional e populismo

por John Wolf, em 09.01.17

 

 

images.png

 

Em plenos dias de emoções à flor da pele, afectos e vazios, parece-me apropriado pensarmos o caso Marcelo Rebelo de Sousa de um modo mais expressivo. O presidente da República Portuguesa parece padecer de uma espécie de déficit emocional. Apenas deste modo se explica a sua incessante necessidade de ser amado a torto e a direito, de norte a sul pelos ares de gente e as gentes dos mares. O seu estado roça a condição psicótica e acarreta sérias consequências para o serviço político que se espera de um chefe de Estado. Por seu turno, o comportamento obsessivo-compulsivo do sujeito não vive a solo. É uma nação inteira falha de afectos que leva em ombros este estado de transe. São os recepientes dos abraços também responsáveis pelos fundamentos desta premissa psico-emocional registada em forma de beijos e selfies. Embora Marcelo possa parecer neutralizar polaridades, ao integrar a gama completa de sabores ideológicos, em abono da objectividade, a sua acção preenche os requisitos da construção populista. E é esse o perigo da sua toada de normalização - empresta a aura benigna, pacífica. Aos poucos, Marcelo vai-se desprovendo de espinha dorsal, vai perdendo o respeito político de actores de todos os quadrantes. A dada altura do realismo pragmático que o ultrapassará, o presidente terá de tomar a posição incómoda e inequívoca. Numa fase madura e de dor governativa, Marcelo terá de trair o guião de consensos e entendimentos que escreve. E Marcelo terá de virar a casaca se pretende sobreviver e alimentar a ideia de crédito institucional e presidencial. Marcelo procura em vida aquilo que Soares está a receber nesta sua hora. A mais alta homenagem, a tábua rasa de considerações supletivas, positivas. Para se ser amado em política não se pode amar desalmadamente. Lidamos, para todos os efeitos práticos e questionáveis, com um caso maníaco.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:43

Itália e os grilos europeus

por John Wolf, em 05.12.16

barulho-grilo.jpeg

 

A União Europeia (UE) não é uma união, mas a Europa é uma democracia. Os Estados-membro de uma e de outra exprimem a sua vontade política de um modo assimétrico. Julgavam todos que a Áustria iria pender para um lado, mas inclinou-se para outro. Matteo Renzi, porventura inspirado por David Cameron, apostou o tudo ou nada no referendo e o resultado está à vista. A Itália e o Reino Unido, um continental e o outro nem por isso, rasgam o manto do projecto europeu, colocando à vista de todos as frágeis costuras de uma construção cada vez mais duvidosa. Estamos cada vez mais à mercê de um fenómeno imprevisível de desmontagem de um sistema político. Se existia uma alma mater na génese da Comunidade Económica do Carvão e Aço, ou espiritualidade nas propostas de Schuman e Monnet, as mesmas são agora meros fantasmas. Resta saber se não terá chegado o momento da UE pensar uma saída limpa. Uma saída da sua própria condição. Enquanto decorrem processos eleitorais parcelares no espaço intra-comunitário, as instituições da UE tardam em pensar uma iniciativa estruturante, um modo de calibrar o pensamento dos europeus em relação ao seu futuro. Por outro lado, a Itália pode bem ser o melhor exemplo da patologia crónica que assola a Europa - para quê mudar? O grande deficit a que assistimos nos processos eleitorais já decorridos e naqueles que se avizinham, tem a ver, na minha opinião, na não inclusão de um clausulado de responsabilidade no que diz respeito à integração europeia. Ou seja, cada qual lida com a sua casa do modo que melhor entende, mas o edifício, o condomínio de interesses comuns da União Europeia, fica para depois. Ou seja, a cada expressão de individualidade democrática dos Estados-membro da UE, a mesma enfraquece. É esta contradição que faz a UE enfermar de problemas genéticos enquanto exulta continuamente as virtudes da liberdade política e reclama a alegada superioridade moral da Europa. No entanto, a sua tradição política é precisamente essa. Assenta na ideia de movimento epicêntrico, baseia-se na ideia de que as fissuras nunca abalarão os princípios subjacentes. A UE também sofre de um problema de linguagem. Estes fenómenos não são excêntricos nem atípicos.  Passam-se dentro de portas. E os personagens que fazem os enredos não são de todo estranhos. São produtos internos. Brutos ou nem por isso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:38

Vivam, os Castro!

por John Wolf, em 26.11.16

Irmãos Castro Atletismo Sporting.jpeg

Dois irmãos Castro que merecem homenagem.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:46

Medina Led

por John Wolf, em 18.11.16

led.jpg

 

Fernando Medina vai duplicar o orçamento da iluminação de Natal da Câmara Municipal de Lisboa. Afinal estamos quase a ir a eleições. E a crise acabou. Os Led são uma espécie de Web Summit das velas. Acendem-se e depois apagam-se, mas não deixam rasto que se veja. Dizem os electricistas que a luz ficará em níveis pré-crise, ou seja, depois virá um clarão. Apagão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:24

Servimos, percebes

por John Wolf, em 26.09.16

 

 

 

ES campanha 8.jpg

 

Nomeados Blog do Ano TVI / Media Capital. Vote aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:08

O Estado Sentido não faz descontos

por John Wolf, em 26.09.16

ES campanha 7.jpg

 Nem promovemos cupões. Estamos na final dos PRÉMIOS BLOG DO ANO - TVI // MEDIA CAPITAL.

 

Vote aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:07

Viva o Solcialismo!

por John Wolf, em 03.05.16

sun-heats-earth-on-one-hemisphere-only.jpg

 

Portugal é filho do vento e do sol. Devemos congratular aqueles que acreditaram na visão. As energias renováveis serão porventura o melhor exemplo do que é possível alcançar neste país, mitigando os efeitos nefastos da política de interesses parcelares, da corrupção e de outras patologias colectivas. A ver vamos quais serão os políticos a querer reclamar o prémio. Bravo, empreendedores. Bravo, investidores. Bravo, iniciativa privada. Viva o solcialismo!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:28

António Costa entre o UBER e o PEC

por John Wolf, em 28.04.16

car-exhaust-pipe.jpg

 

A política e os mercados têm tanto em comum. Mas uma máxima em particular aplica-se sem reservas. Por mais que queiram insistir no contrário, a verdade é que não existem lugares cativos - a não ser que se trate de uma ditadura. O governo de António Costa e os taxistas partilham a mesma cultura da intangibilidade. Julgam que existe uma estância que não pode ser tocada, um património ideológico sagrado, uma faixa de rodagem inviolável. Contudo, essas intenções estão sujeitas às considerações e às preferências dos cidadãos. No mercado quem concede os selos de aprovação são os consumidores, e na política quem diz que sim são os destinatários finais de decisões governativas. O ponto de equilíbrio resulta da fricção entre o deve e o haver, a procura e a oferta, a qualidade ou a ausência da mesma. Amanhã o protesto dos taxistas irá subtrair receitas à economia nacional. Milhares de cidadãos que não fazem parte desta guerra sofrerão as consequências de um pequeno sector da textura produtiva nacional. O que irá suceder quando a UBER for substituída por veículos sem condutor? Será que a UBER tornar-se-á num arruaceiro? Será que ainda não perceberam que o cliente pode não ter sempre razão, mas que neste caso exprime inequivocamente que deseja algo diferente  - mais qualidade? Os taxistas devem continuar a existir, mas agora a fasquia está mais elevada. E amanhã não sei se ganharão mais adeptos. Parece que será mais um tiro que sai pelo escape. Estou a falar do PEC, naturalmente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:11

Empêssegamento de Dilma Rousseff

por John Wolf, em 18.04.16

peach.jpg

 

Este post é dedicado àqueles que acreditam nas virtudes da democracia, na voz da maioria, no slogan "o povo é quem mais ordena", na dinâmica que deve prevalecer nas sociedades, na busca do equilíbrio social e na clarificação dos desígnios políticos dos partidos e seus agentes. Este post não é dedicado a facções ideológicas que acreditam na prerrogativa do Estado e dos orgãos públicos enquanto reguladores do mercado e da verdade. Este post é dedicado não apenas ao povo brasileiro, mas ao povo que defende Sócrates, que tanto se tem esforçado para manter a imaculada virgem. Este post é dedicado aos amantes do golpe, da conspiração e da cabala. Este post não é dedicado àqueles que desejavam que tudo ficasse como está, que tudo não fosse mexido. Este post é dedicado às almas que se sentem perdidas, baralhadas pelos mais recentes eventos capazes de devolver uma réstea de esperança a um povo suprimido pelas promessas furadas de pão e justiça para todos. Este post é dedicado a todas as offshores do mundo que contribuíram para acelerar a inevitabilidade dos acontecimentos. Este post não é dedicado a quem não acredita no voluntariado e na acção humana que não conhece género feminino ou canino. Este post é dedicado a todos aqueles que diariamente contrariam as mentes parcelares que dirigem países inteiros usando a divisa da demagogia e proveito próprio. Este post é dedicado aos pêssegos do mundo e em particular ao impeachment de Dilma Rousseff. Este post é dedicado ao sumo que extrairemos de uma matriz de conluio e decepção que tem polvilhado a paisagem política um pouco por todo o mundo. Este post é dedicado à árvore de frutos, à natureza e ao bicho da maçã. Este post é dedicado aos pesticidas e os produtos biológicos. Este post é dedilhado por tantos que não encaixam numa coisa ou outra.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:52

Esganiçados da União Europeia

por John Wolf, em 28.03.16

IU6A7022.jpg

 

Passei uns dias em Madrid. Três noites bastaram para arejar a cabeça e ganhar distância em relação à pequena política de esganiçadas ofendidas ou feriados reconquistados pelos campeões socialistas. Há mais vida (e morte) para além do sórdido local. Karl Marx escreveu o seu Manifesto Comunista em Bruxelas e podemos afirmar, sem reservas, que foi um sucesso notável. A capital belga é um emaranhado de 19 bairros administrativos, uma torre de Breugel de burocracias e gastos despropositados. Mas dizem salvar o orgulho "nacional" por via da intransigência dos idiomas, do flamengo ao francês, passando pelas casas políticas dos socialistas valões, os democratas-cristãos ou os nacionalistas do norte. Contudo, a manta de retalhos de Bruxelas não fica entre portas. A sua vocação disfuncional confunde-se com a da própria União Europeia. Porém, não se sabe ao certo qual o sentido da contaminação. Se os comissários europeus se inspiraram nas virtudes nativas ou se Bruxelas impôs a sua cultura letárgica às instituições comunitárias. O tema de constructivismo político permite as mais variadas interpretações. Podemos, no entanto, concluir, que não seremos os únicos observadores das brechas da alegada construção unionista. Os jihadistas sabem muito bem onde fraqueja a ambição europeia, e Molenbeek, tratado pelos media como um gueto, não é um banlieu à distância de duas horas. Da rue Dansaert (Av. Liberdade dos Gucci e Armani lá do sítio) ao coração das comunidades muçulmanas marroquinas é um tiro - quinze minutos chegam. Pelos vistos a paz e prosperidade de Robert Schuman e Jean Monnet não bastaram. Cometeram-se erros crassos de leitura histórica. A França e a Bélgica (e muito pouco da Alemanha) foram impérios coloniais e não terem pensado o conceito de construção da Europa sem levar em conta o seu legado implica algum teor de responsabilização. Portugal, também grandiosamente imperial, fez um trabalho mais interessante. Os angolanos, os cabo-verdianos ou os moçambicanos, são "portugueses" no modo equivalente com que estabelecem relações cordiais com os seus "anfitriões". Nessa medida, Portugal deve ser considerado um caso de sucesso. A língua é a mesma, e as gentes entendem-se. Na Bélgica, os flamengos não sabem ou recusam falar francês, e ainda têm de levar com aqueles que falam alemão na região de Liége. A monarquia, a suposta cola de contacto das divergências, também não serve de grande coisa. Em suma, a grande questão de integração, que aflige os espíritos iluminados de uma esquerda baudelairiana, deve ser encarada de um modo frontal, mas dirá mais respeito aos da casa do que àqueles de proveniência excêntrica. Os estrategas do Estado Islâmico são porventura muito mais inteligentes do que os eurocratas ou qualquer eurodeputada que se chame Marisa Matias. Conseguiram arrestar a entrada de políticos na capital belga. Simplesmente fecharam o aeroporto de Zaventem, enquanto pacifistas europeístas descartam informação importante fornecida pelos serviços de inteligência turcos. Portugal, com Marrocos aqui tão perto, está obrigado a acautelar-se. Não sei qual o grau de superficialidade dos jornalistas da praça portuguesa, mas parecem omitir a taxa de radicalização dos marroquinos no bairro de Molenbeek, que é, como sabemos, das mais altas. No meu regresso via Barajas em Madrid, confirmei os meus piores receios. A Europa parece estar à espera que a próxima aconteça. Existe luz ao fim do túnel. Mas não é essa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:13

Sobre a vida e morte presidencial

por John Wolf, em 19.01.16

blog-off.png

 

Com o maior sentido de respeito pela morte de Almeida Santos escrevo as seguintes palavras. Não sei se a pausa na campanha de Maria de Belém corresponde ou não a aproveitamento político do falecimento do presidente honorário do Partido Socialista. Não sei se a única socialista presidenciável estará presente no grande debate com todos os candidatos quando esta noite soarem as 21 horas. Não consigo imaginar o seguinte: que o homem-político Almeida Santos preferisse que a Maria de Belém não fosse à luta, que permanecesse de luto a ver passar na televisão os navios presidenciais dos outros candidatos. De uma coisa tenho a certeza; um dos temas de debate desta noite será a questão dos cortes nas subvenções vitalícias, que pelos vistos a Maria de Belém foi contra, e agora teme enfrentar. E esse é o busílis da questão. Não é o nojo, o sentimento de perda e respeito pela perda de um ente ideológico que está em causa. Esta noite Maria de Belém não escapará a essa linha de ataque, não tenham dúvidas. Acresce uma outra questão que deve ser levada em conta. O Presidente da República é o Chefe-Maior das forças armadas. Imaginemos por um instante o seguinte; que o país sofre um ataque militar, terrorista se quiserem, e familiares do presidente são dizimados e o o mesmo decide que não está em condições de cumprir a sua missão, de se apresentar ao serviço. Maria de Belém deveria, na minha opinião, honrar a missão política, o espírito combativo de Almeida Santos, e estar presente no debate desta noite. Tudo o resto, que venha ou não venha a fazer, apenas reforça a ideia de que Maria de Belém não tem estaleca para o cargo que tanto almeja.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:17

Outra lei que a Esquerda vai contestar

por John Wolf, em 16.01.16

bad-behavior.jpeg

 

Quando se trata de civismo, ou a falta do mesmo, todas as leis e respectivas sanções são mais que bem-vindas. Se não vai a bem, se o comportamento de cada um não é passível de ser auto-regulado (devido a carência ética ou a pobreza de princípios), em nome da comunidade e dos seus valores de agregação, o Estado deve intervir. O sociólogo Tonnies faz a destrinça entre as forças espontâneas que asseguram a coesão dos agrupamentos humanos (comunidades) e os vectores de dispersão que obrigam ao estabelecimento de contratos para evitar a desagregação irreversível (sociedades). Neste quadro de entendimento, que cruza a etologia (estudo do comportamento animaI) com a civilização, fruto da cultura humana, das regras adoptadas, dos costumes e tradições, os legisladores cumprem uma missão polivalente. Substituem a paternidade que não soube transmitir os valores que permitem a vida colectiva e interpretam o conceito de idealismo existencial, através do qual o respeito pelo próximo estaria salvaguardado pela acção individual. A nova lei, em vigor desde janeiro de 2015, estabelece coimas para utentes que demonstrem determinadas faltas de civismo ou incomodem outros passageiros. No meu entender, o âmbito de aplicação da lei deveria ser alargado a outros espaços públicos onde os indivíduos incomodam os seus concidadãos. Não é apenas na Carris ou nos Táxis que os fenómenos de mau comportamento se registam. Já sei que qualquer tentativa de ordenamento do território comportamental deste país choca de frente com os activistas das liberdades fundamentais, os obreiros do 25 de Abril, os pais da Democracia, aqueles que acham que a sua liberdade não pode ser condicionada por o que quer que seja, os delfins intransigentes de uma Esquerda questionável, libertários do Antigo Regime - aquele pau para toda a obra da desculpabilização política e sociológica. Enfim, um espectro alargado de gente que muito provavelmente não vê mal algum num conjunto de comportamentos primários que polvilham a paisagem deste país. A saber; os telemóveis que tocam incessantemente e que são atendidos (e a conversa que se segue em voz alta em pleno concerto de música clássica no CCB); o uso da faixa de emergência na via rápida para fugir à fila demorada ocupada por condutores que respeitam o código de estrada; as escarretas lançadas à porta da entrada do hospital; as beatas atiradas da janela de um terceiro andar para o passeio já de si manchado pelos dejectos de cão alheio (coitadinhos dos animais, criem mais uma petição) ou o cliente-amigo no balcão dos Correios que não tem senha porque apenas tem uma perguntinha a colocar e não demora nada (e passa à frente do freguês). Em suma, nos transportes públicos acontece muita coisa, mas se buscarmos a objectividade na análise do fenómeno do mau comportamento, não é preciso ir muito longe. Não sei se a lei funcionará nestes domínios de ética, porque em última instância o que impera é a tese voluntarista - ou se é educado ou se procura sê-lo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:22

O orçamento que salvou Portugal

por John Wolf, em 03.01.16

metalen-platbek_knip-tang-13-cm-met-roze-softgrip_

 

Sabemos, lamentavelmente, que estamos na presença de alguém com um nível intelectual e cultural questionável, quando escutamos a seguinte afirmação: (este) "orçamento vai reverter empobrecimento". António Costa parece não saber que um orçamento é uma mera ferramenta operativa, e pouco mais. Se fosse estadista, saberia beber em fontes mais profundas. Saberia iniciar um processo de refundação das premissas que enquadram sociedades. Se fosse um pensador pensaria para além dos benefícios de um alicate que serve para reparar o arame da vedação gasta. Existe algo muito familiar na toada deste governo socialista. Algo ironicamente semelhante a regimes que os socialistas tanto abominam, por se perfilarem como sendo os defensores da individualidade que caracteriza os espíritos livres. Regressamos ao registo cómodo da ideologia do conforto. Ao agradar das hostes para que estas se tornem estáticas e não perturbem o reset da canalização do Estado, assente no corporativismo partidário, claramente dependente de obras públicas, fundos comunitários e a quase total desregulação dos meios para atingir esses fins duvidosos. António Costa não pode oferecer mais. Não leu muito, certamente. Mas escutou os versos de um poeta menor, quando outros maiores poderiam ter servido de provocação. Sérgio Godinho certamente que prefereria não ter sido requisitado à força toda para este frete populista. Contudo, é essa a matriz cultural de onde provém Costa. Não é capaz de pensar Portugal para além do seu quintal de amizades. A neuro-política - disciplina instável que acabo de cunhar-, serviria para investigar as propriedades dualistas que Descartes "angariou", e para determinar os obstáculos cognitivos que o primeiro-ministro enfrenta na leitura da relação entre o corpo (país) e a mente (governo). Infelizmente, os atributos que assistem o seu conceito de desenvolvimento, assentam em elementos operativos pueris. Da história não rezam os orçamentos. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:55

Luxury-Dinette-Sets-40.jpg

 

 

Estava inclinado para escrever sobre o mais recente desabafo (recado?) de Cavaco Silva que partilhou uma parte do seu currículo, referindo que também tem experiência profissional na liderança de governos de gestão e que se recorda bem desse serviço político. Não é preciso ser grande decifrador para perceber que pelos vistos António Costa deve ficar apeado. O presidente da república tem todo o tempo do mundo para receber em audiência quem bem entender. Mas não está sozinho nessa corrida. O líder socialista António Costa reuniu-se com a malta dos bancos ainda antes de Cavaco Silva, para ver se lhes consegue prometer condições mais vantajosas do que aquelas oferecidas pelo governo de coligação. Não há mal algum nestas movimentações. O que acho questionável é António Costa ter reunido com os banqueiros no Hotel Ritz. Não sei quem pagou a conta (Sei, sei. Fomos nós), mas teria sido mais simpático se a reunião tivesse ocorrido num local menos faustoso. Das duas uma: ou não foi António Costa que escolheu o local do encontro ou António Costa não teve pulso para propor outra residencial - o Ibis não teria sido mal pensado. Poderia servir para contrariar a ideia de que os socialistas são despesistas. Ah! Agora entendo a frase: o encontro não estava incluído na agenda oficial de António Costa. Mau! Então, foi um convívio de amigos, com fados e tudo? Sem conversa entediante? Temas políticos, por exemplo? António Costa ainda nem sequer começou o que quer que seja, mas parece estar a replicar o seu amigo esquecido José Sócrates. Não sei, não. Pouca sorte tem tido António Costa com esta história de Paris. Aquela tragédia fez com que Cavaco Silva fosse ainda mais ponderado. Foi à Madeira e tudo. Ritz-te, Ritz-te!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:40

RAP e as piadolas políticas

por John Wolf, em 25.09.15

143eudx.jpg

 

Já vimos que António Costa conseguiu contratar o humorista-rei de Portugal. Ricardo Araújo Pereira (RAP) tem capital intelectual para dar e vender. Apenas alguém com níveis de inteligência muito elevados consegue apostar no cavalo político ganhador. Não há mal nenhum em ser franco e honesto em relação à preferência ideológica. RAP não está a ser cínico. Tem mesmo afecto por António Costa. O problema reside na explicação racional que teria de oferecer (se não fosse humorista) para fundamentar a sua escolha. Mas depois pensei no seguinte; os humoristas, à semelhança dos mágicos, apresentam truques com uma mão cheia de nada. Eu entendo que seja tentador estar alinhado com a parte fraca, com aqueles pintados de perdedores. E a comédia é intrinsecamente um exercício de contestação, mas não de alinhamento com um partido político. Isso tem outro nome - propaganda. Charlie Chaplin também fora acusado de ser socialista, mas eu sei que não devo confundir o cu com as calças. Ainda falta bastante para RAP superar Herman José, quanto mais Charlot (que raio de tradução?!). Por estes motivos de escalada mediática ou de manutenção do status de humor, devemos questionar as suas motivações e o que afirma Pereira (Tabucchi, perdoa-me) no seu programa tá-se-bem (é assim?). Se RAP fosse mesmo rapper, incluiria na sua letra um sentido mais ecológico e subtil, esbanjaria gargalhadas no boletim de voto integral e não correria o risco de ser eleito faccioso. Mas deste modo, impõe-se de um modo anti-democrático. Canoniza a antitese perfeita, corporiza o estado paliativo do humor inteligente e apresenta um estado novo de comédia. RAP tornou-se numa autoridade, no ditador da piada fácil, dispensável.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:18






Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Em destaque

  •  
  • Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas