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Eles comem tudo, quase tudo

por John Wolf, em 02.10.17

 

O Partido Socialista (PS), nas últimas legislativas, teve de se contentar com uma geringonça, mas se pudesse, congratular-se-ia com uma maioria absoluta para não ter de ficar refém dos comunistas ou bloquistas. Não foi isso que aconteceu nas legislativas e o PS tornou-se num partido dependente das doses radicais dos partidos mais à sua esquerda. A geringonça aproveitou os alibis internos e as exigências da sua ala mais "extrema" para fazer avançar uma agenda que, caso fosse necessário, poderia invocar como não sendo a sua. António Costa, que se alegra com o mal dos outros, nomeia o PSD como o grande perdedor da noite. Não está totalmente enganado, contudo a vista panorâmica tem de ser mais ampla e honesta. Os sócios comunistas da CDU perderam substancialmente em toda a linha - lá se vai a tese da leitura nacional que um bom resultado poderia servir para reforçar a legitimidade da geringonça. Uma das partes da geringonça sai ferida com gravidade deste embate. Fernando Medina, vendido como regente absoluto da cidade, e campeão das obras e do turismo, tem de agradecer o presente de António Costa (que largou a CML), mas sobretudo a um notável político que preparou o terreno para o incremento do Turismo em Lisboa. Adolfo Mesquita Nunes foi quem teve a visão, foi quem pensou Lisboa enquanto importante vector, enquanto região e capital económicas por excelência. Se tivessem nível, os ganhadores de secretaria e das autárquicas em Lisboa, ligavam os pontos para ampliar ainda mais a democraticidade abrangente da geringonça incluindo "inimigos". Mas não. Vivem de sobranceria ideológica - os socialistas são sempre melhores. Pelos visto Medina fez tudo de livre e espontânea vontade, e inventou a roda. No entanto, o facto de não ter conseguido a maioria absoluta em Lisboa significa que a pedra no sapato com que tem de marchar pelas ciclovias funcionará com um mecanismo de checks and balances: o posso, quero e mando já não será assim tão simples. E há mais. Não foi a Direita que saiu derrotada. Assunção Cristas encarna um perfil que transcende a bitola ideológica. Defendeu em campanha, e protege na oposição, causas definitivamente conotadas com justiça social e económica, mas que não são nem podem ser um exclusivo da Esquerda. E o prémio da noite, na minha opinião, vai para Rui Moreira. O independente foi capaz de travar as manobras e esquemas de um PS oleado há décadas para a manipulação nos bastidores e nos media.  De nada serviu, como Moreira bem frisou no discurso da noite, que Pizarro tivesse recrutado o governo de sua geringonça para descarrilar os seus intentos. Pizarro não teve fair-play, mas foi ajudado nesse tango manhoso. O PS que julga que não existem limites, levou uma castanhada no Porto. Quanto ao BE, não sei exactamente o que pensar. Estão ali em águas de blocalhau e podem ser vítimas dessa estagnação. Sabemos, face aos resultados da noite eleitoral de ontem, que o PSD vai ter de se reinventar, apanhar os cacos e fazer um reset. Mas não pode apanhar uns cacos quaisquer. A Manuela Ferreira Leite também pode apanhar a camioneta com Pedro Passos Coelho. Já não fazem falta ao partido ou ao país. Os comunistas, imutáveis perante as evidências, continuarão a musicar aquele pífaro de luta pelo trabalhador oprimido e a denunciar os opressores capitalistas. Estão, desse modo, no seu território preferencial, a jogar o papel que bem conhecem - o de vítimas. O PS irá espremer as autárquicas para canonizar a geringonça, mas em última instância será vítima do seu sucesso desmesurado. Isaltino, o cão-pisteiro, abriu o caminho para tantos outros, uns de Felgueiras, e outro da cela de Évora. Mas esse resultado espelha o povo, eticamente vergado e que se deixa enganar. Ouvi dizer que o maior derrotado da noite foi a abstenção, mas não é verdade. Foi uma metade que votou. Portanto apenas pode haver meio deleite.

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publicado às 07:26

O Porto e a guilhotina do PS

por John Wolf, em 08.05.17

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Manuel Pizarro e Manuel Correia Fernandes invocam a Ética (e os bons costumes socialistas) para devolver os pelouros à Câmara Municipal do Porto. Que se lixe a missão a que se tinham proposto, respectivamente a Habitação e a Acção Social. Ou seja, são imperativos de ordem ideológica que se atravessam no caminho das causas públicas que supostamente mexem com a vida de meros cidadãos. Deveria ser proibido abandonar o barco a meio da travessia da ribeira. Os políticos que alvitram pelouros como quem muda de camisa fazem parte do mesmo rol de titulares de cargos que trazem descrédito à disciplina de governação. E mais. Não seria de todo incoerente que os Manéis permanecessem na mesma liga do adversário. O que é afinal a Geringonça? Esse aparelho é um esquema pleno de contradições partidárias. Ou seja, o que se passa no Porto, à luz de uma extrapolação maior, representa o fim da ideia de geringonça. Qualquer dia os socialistas são obrigados a coabitar com famílias políticas mais distantes, em nome da representatividade democrática, e o que farão? Deixarão cair a lâmina farta de uma guilhotina de miudezas e rancores. Ana Catarina Mendes, sem o desejar, ou talvez não, assina um inside job -  faz germinar o embrião da dissenssão. Primeiro com os estranhos, mas mais tarde dentro de portas, quando nascer um neo-Seguro capaz de trautear uma nova cantiga mais próxima da desregulação política a que estamos a assistir por esse mundo fora. Penso em Macron, não como a solução, mas enquanto elo de uma corrente desligada de falsas promessas eleitoriais e ainda piores desempenhos efectivos. Custa-me assistir a provincianismos de terceira categoria proferidos por lideres de segunda estirpe.

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publicado às 17:48

A Joana Vasconcelos do PS

por John Wolf, em 05.05.17

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Se há coisa que me irrita é arrogância e falta de inteligência. A número 2 do partido socialista Ana Catarina Mendes padece de ambas as maleitas. Pode repetir as vezes que quiser "o partido socialista", mas deve acrescentar, "perdeu a Câmara Municipal do Porto." Ainda não percebi muito bem por que razão a rapariga foi promovida ao mais alto grau de incompetência política. Por mais que insista na ideia de representatividade dos socialistas e sublinhe a superior vocação moral do seu partido, a verdade é que Rui Moreira não precisa deles para nada. Fez obra - a obra fala por si. Os mexilhões do Largo do Rato podem agitar o Bolhão, mas o caldo já está entornado - podem acenar e dizer adeus ao Porto. Agora apenas resta o Simões prometer umas valentes bofetadas ao Moreira. Primeiro temos a Vasconcelos a dizer que aquela coisa não tem nada a ver com o seu terço, e agora temos a Mendes que diz que tem tudo a ver com o partido socialista. Ora veja este rosário.

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publicado às 19:57

The Moreira case-study

por John Wolf, em 12.04.17

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Tenho fama de distribuir chapada a torto e a direito - mais à esquerda do que à direita -, para ser coerente e honesto, mas aprecio casos de sucesso. Escuto com a devida atenção as histórias daqueles que ousaram romper com as regras da casa, aqueles que têm uma visão que transcende as formatações de quadros mentais estanques. O Presidente da Câmara do Porto Rui Moreira deve servir de farol para a construção de um novo ADN político. O homem do Norte não deve ser apenas daquela região. A declaração peremptória de que não haverá  jobs for the boys deve fazer parte do caderno de encargos de todas as agremiações políticas. E aqui não faço distinções. A farinha é a mesma seja qual for o saco de interesses partidários. São comunas que metem a cunhada Aliete no serviço. São sociais-democratas que lançam o Martim na banca. São socialistas que enchem de afilhados os corredores da PT. O que Moreira afirma é, em certa medida autofágico, mas obrigatório. É a promiscuidade e a proximidade de interesses que esmaga a excentricidade criativa do mérito desfiliado. É o incesto partidário que produz aberrações. Mas é sobretudo o fundamentalismo ideológico que mata e mói nesta ordem invertida. Rui Moreira declama qual o seu campo de crenças, com toda a naturalidade, mas não cerra fileiras. Abre a vedação. Professa uma salutar forma de ideologia civil. E quanto às obras no Porto. Onde está o pó das autárquicas? Também irão a votos.

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publicado às 10:59

Dom Galaaz, o marcelino

por Nuno Resende, em 12.03.16

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 (Na foto e acreditar na comunicação social, «a multidão efusiva» para aplaudir o presidente Marcelo à saída da Câmara do Porto).

Há um cheiro a algodão doce no ar por onde o presidente Marcelo Rebelo de Sousa passa. A música ajuda e os carrosséis também, embora no Porto seja fácil agradar com são joões antecipados e um discurso sobre a liberdade. Os remediados ficam contentes com o bodo e a burguesia empola-se com o brio de ser taxada de liberal e democrata (embora liberalismo aqui queira dizer bons negócios de mercearia e democracia um passeio à Foz ao domingo).

Bem dizia aquele publicitário brasileiro que hoje em dia se vendia presidentes como pacotes de manteiga. Este foi o método de Marcelo: usar a televisão para untar os portugueses. Tudo bem barrado de banha ao seu estilo - falando sobre tudo e mais alguma coisa sem dizer algo concreto- e esperar que a carne assasse. Em 2015 estava no ponto: a classe política descridibilizada da Esquerda à Direita, um golpe de estado encanbeçado pelo líder do Partido Socialista e um Passos Coelho mais vazio do que um balão entre espinhos. Nem foi preciso grande esforço: os restantes candidatos trataram de, um por um, contribuir para que Marcelo não cansasse a voz.

Não é caso para gritar presidente-rei, porém. Embora as televisões que tanto ajudaram Marcelo a construir-se, adorem folguedos e apertões, posso garantir que não estava à frente da Câmara Municipal do Porto a multidão que as têvês se esforçaram por captar com planos picados e apertados. A foto acima é reveladora.

O estilo da presidência, Marcelo conhece-o bem: é o das monarquias. Quis festividades de coroação, dispersas, três dias de fogo de artíficio.

Mas Marcelo, apesar de católico, não é monárquico, nem é novato.

Andá cá há muitos anos e joga bem com Deus e com o diabo.

A Natália Correia conhecia-o bem, «o passarão» «Dom Galaaz»*

 

Veja-se o Natália Correia, “Cancioneiro Joco-Marcelino” , de 1989.

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publicado às 09:44

«Anda comigo ver os aviões...»

por Nuno Resende, em 03.03.16

Nunca uma letra de uma música se adequou tanto à polémica que grassa a norte. A norte, como quem diz. No Porto. Embora o discurso político mais recorrente dos ocupantes da cadeira do palácio da avenida dos Aliados seja a ideia de que o Porto é a capital do Norte, historicamente nunca o foi. Nem nunca o será, em abono da verdade, e esperemos que assim seja, para bem das liberdades locais e regionais do Minho, Douro e Trás-os-Montes
Provavelmente a única cidade-estado na História medieval e moderna portuguesa, o Porto foi sempre uma urbe com brio, consciente da sua qualidade de entreposto comercial e lugar de poder.
Naturalmente que o poder acarreta conflitos e o Porto nunca também foi espaço de paz, cidade de plácidos momentos. Fosse o Bispo, a câmara, o povo, os nobres ou os reis, sempre um espinho contribuía para sangrar o percurso histórico e comercial desta comunidade de burgueses.
Assim compreende-se que na esteira dos seus antecessores o presidente da actual cidade lance as suas farpas em várias direcções. Hoje não há reis nem nobres, o bispo já não detém o senhorio do velho couto e naus como as que daqui rumaram a Ceuta em 1415 não há.
Não há velas, mas há asas - as dos aviões que sulcam os céus da cidade num fernesim entre lá e cá, trazendo e levando já não especiarias, panos ou obras de arte, mas despejando gente que vem usufruir do exotismo da cidade - ainda que este seja hoje do género «gourmet», um género que se encontra em qualquer cidade do mundo ocidental.
Talvez assim se compreenda a polémica «Moreira-TAP». Já não preocupado com as questões aduaneiras do rio, as inspecções de saúde, ou os períodos de quarentena na margem esquerda do Douro, Rui Moreira aponta baterias à TAP esse reflexo de um país estado-novista que não existe.
Que a questão é estranha e inusitada é. Que eu me lembre e que os registos documentem, nunca um presidente de câmara se preocupou tanto com voos de longo curso, sobretudo quando os de low-cost que ligam o Porto aos subúrbios europeus é que lhe trouxeram fama e proveito*. Fama à cidade e proveito ao executivo camarário actual que à conta do lucro de empresas como a Ryanair ou a Easyjet tem vendido a ideia de um Porto-Pitoresco.Ponto.
Por isso que interessa que a TAP deixe de voar para o Porto ou que do Porto voe para o resto do Mundo? Não é o turista da Malásia ou da Argentina que vai usufruir de uma francesinha gourmet, numa «tasca gourmet», de uma rua gourmet da cidade-gourmet. De resto, quem vê mobilário Ikea vê-o num café do Porto ou em outra qualquer parte do mundo.
Não entendo, portanto, a fixação do senhor presidente Moreira nos defeitos empresariais da TAP.
Entenderia mais depressa se concentrasse esforços em contribuir para o melhoramentos dos transportes públicos de e para a cidade. A STCP presta um dos piores serviços desde a sua existência e as empresas públicas CP/REFER desinteressaram-se completamente na revitalização do património ferroviário a norte do país. Entenderia a exictação do senhor presidente se ele pedisse (exigisse!) a retoma da ligação ferroviária Porto-Salamanca, ou a duplicação e electrificação da linha do Minho até Espanha. Mas não consigo compreender a celeuma em relação à TAP.
Calculo contudo que o senhor presidente saiba o que faz, dada a taxa de popularidade de que usufrui nas redes sociais e que o torna num dos mais notáveis virtuais fazedores da história do Porto. Mas suspeito que o senhor Rui Moreira ande mais de avião do que eu ando de autocarro ou de comboio e tenhamos, portanto, uma visão diferente dos problemas da cidade onde ambos vivemos.

 

*Sobre aviões em geral, ou melhor, sobre aviõezinhos, há contudo alguma tradição no Porto - que radica a sua origem numa disputa por corridas daqueles aparelhos, patrocinada por uma reconhecida marca de bebidas energéticas.

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publicado às 17:46

Por falar em ideias novas...

por Nuno Resende, em 02.06.15

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 Folheto informativo do Secretariado de Propaganda Nacional sobre o concurso «A Aldeia mais Portuguesa de Portugal», 1938

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 Nova imagem logótipa do Porto criada pela Whitestudio (c) para a Câmara Municipal daquela cidade.

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publicado às 11:28

O Porto por uma lata.

por Nuno Resende, em 27.05.15

 Imagem via Notícias ao Minuto

 

Quem é ou mora no Porto há pelo menos 30 anos, como eu, assistiu às notáveis transformações da cidade. Desde uma Foz ainda longínqua, a uma marginal marítima abandonada e decadente, até à consagração da cidade (ainda suja e com problema sociais por resolver no Centro Histórico) enquanto Património da Humanidade, o percurso tem sido fulgurante.

Como em todas as cidades ou como, aliás, na história do país, o Porto ruma entre as marés das modas e dos devaneios político-partidários e entre questiúnculas de uns e outros (dos arremessos urbanísticos de Fernando Gomes, às mãos-pelos-pés do eng. Nuno Cardoso, passando pela longa «fantasia Rui Riesca») chegamos, hoje, ao Apogeu.

Se a História é cíclica, o Porto está em 2015 como estava em 1415, nas vésperas da conquista de Ceuta, quando investiu do bolso a abertura do mediterrâneo aos seus desejos expansionistas comerciais. Mas, volvidos 500 anos, o projecto é outro e o Porto não sai do sítio. Hoje vem cá a Europa.

E a Europa vem às mancheias. Não, não se deve à governação provinciana dos últimos 30 anos, com as suas arremetidas pequeninas a Lisboa, coladas à estratégia futeboleira, nem ao fraquinho investimento na promoção turística (ou da imagem que hoje se quer vender com um PONTO). Não. Deve-se a investimento externo, nomeadamente aos voos baratuchos (low-cost como a gíria bem falante lhes chama) que há pouco menos de 10 anos despejam na cidade por mês milhares de forasteiros.

Ora, naturalmente que o encanto da cidade, que muitos têm tentado estragar desde o ano da Capital Europeia da Cultura, em 2001, é motivo mais do que suficiente para este tipo de pontes aéreas. Mas eu e certamente muitos dos meus correligionários portuenses já percebemos que ao aumento exponencial do fluxo de turistas (aproveitado pelo actual executivo para justificar os bons anos de governação «independente») não se seguiu um correspondente incremento dos serviços: os transportes (STCP e Metro) estão de rastos; o trânsito é um caos (desde os anos 80 que não se assistia a estrangulamentos como os de hoje nas Pontes e nas vias supostamente rápidas) e, de repente, parece que uma fábrica do IKEA explodiu em plena baixa, tal é a repetição nauseabunda do mobiliário daquela empresa em todos os bares, hotéis e cafés que, de há 5 anos a esta parte, têm matado o comércio tradicional.

Tudo isto é abundantemente vendido como imagem de turismo, futuro e progresso pela actual edilidade. Mas o facto é que se vende gato por lebre. Depois da azia popularucha dos carros de corrida ou dos aviõezinhos, a que a cidade entregou o nome por alguns trocos, um festim cultural de duvidosa qualidade tem acometido a agenda do Porto. Há um ano repleto de encontros, sessões, inaugurações com nomes estrangeirados, parangonas - e…nenhum conteúdo - numa sucessão de eventos que se resume a recepções e copos d’água para classe média e média-alta beberem - desesperadas que são por festas e copos. Depois há o São João das Fontainhas e da Boavista revisitados no modo «carrinhos de choque e rodas gigantes» mas hoje com vestes intelectuais. E dizem que vem aí a «cidade líquida»….

Eu votei Rui Moreira. E considerei que a mudança se fazia na cidade das mudanças, pela alteração do paradigma Circo e Festa, pelo da promoção integral de uma cidade (perdoem-me a parvoíce da inocência) onde a liberdade e o brio eram fundamentais para preservar o nunca foi nem será a naçom parola – mas uma urbe consciente do seu papel histórico de lugar cívico. Enganei-me logo quando a cidade entregou a pouca dignidade que tinha aos representantes das Repúblicas «Populares» da China e de Angola.

Reflecti porém que tinha dado para outro peditório: dei o meu voto para a criação um Olimpo, com os seus Apolos a beberricar ambrósia e a tirar selfies para as redes sociais.

E o «povo» do Porto? O «povo» que beba Coca-Cola, que agora até traz a imagem de um certo «Porto»

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publicado às 16:10

Zeinal e a falência do futebol

por John Wolf, em 09.10.14

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Dos céus ao inferno - poderia ser o título da monografia da ascensão e queda dos deuses em Portugal. Aclamado como o maior da Europa no sector das telecomunicações, Zeinal Bava afinal trazia água no bico. Ou dito de outro modo, quanto maior a altura maior a queda. Mas esse corolário transcende os telemóveis, faz parte do diálogo nacional, consta na bolsa de aclamação dos intocáveis. Desde sempre que reitero que não existem atalhos económicos. Estamos todos sujeitos ao biorritmo dos ganhos e proveitos. Quando se procura encurtar a distância que nos separa do enriquecimento, geralmente dá asneira. O Espírito Santo e o seu Ebola Rio Forte ainda vão fazer mais mossa, causar mais danos. É apenas uma questão de tempo até que outros contaminados dêem à costa. Não gosto de meter tudo no mesmo saco, mas eles andam aí. Existe uma série de elefantes brancos (ou encarnados, azuis...) que ainda goza de um estado de graça, de protecção. Há muito tempo que se sabe que os clubes de futebol se encontram em maus lencóis. Passivos de 500 milhões? Estão a gozar? E ainda há quem lhes conceda crédito bancário. Quando estoirar lá se vai o juízo de uma das pontas do tridente - Fado, Futebol e Fátima. Quando o cidadão-adepto-da-bola exigir para o seu clube a mesma protecção emprestada aos bancos, o governo (este ou o que se seguir) irá baixar as calças e honrar o pedido de absolvição financeira, de salvamento. António Costa é particularmente dotado para essa função. Desde sempre que se serviu do pátio da Câmara Municipal de Lisboa para afagar o pêlo de Luis Filipe Vieira e outros da mesma estatura. Não tenhamos ilusões de campeonatos ganhos - os clubes de futebol também têm encontro marcado com o desmoronamento. Não há volta a dar. Basta olhar para a classificação.

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publicado às 09:24

Porto Moreira

por John Wolf, em 30.09.13

Se eu tivesse de eleger o vencedor absoluto das autárquicas, esse homem seria, sem margem para dúvida, Rui Moreira. As suas primeiras frases de declaração de vitória não servem apenas a cidade do Porto, devem servir o país: "pela primeira vez, o partido que venceu na cidade foi o Porto". Esta simples linha política é mais do que um mero chavão de ocasião e não será esquecida tão facilmente. A afirmação - uma espécie de primeiro tijolo do processo político -, tem implicações para a totalidade do território. É um aviso sério à navegação partidária dos compinchas e um estímulo para todos os movimentos alternativos ou independentes. Portugal viu nascer um político com um sistema operativo totalmente novo - não é um upgrade de um modelo já existente no mercado. É um design original com a folha limpa, com futuro pela frente e sem passado duvidoso. Os detractores e delatores da bola, invocaram desde o primeiro minuto dos festejos do independente Moreira, que este representava uma mera extensão figurada do CDS, como se este fosse uma marioneta ao serviço dos centristas. Mas não se trata disso. Rui Moreira tem o seu quadro-base de valores, mas soube afastar-se da catequese doutrinária para granjear a confiança da sociedade civil. Em duas penadas de inteligência demonstrou que é o extremo oposto de Seguro - é competente e sabe transmití-lo -, e ao fazê-lo inspira confiança muito para além da cidade do Porto. Penso que estamos diante de alguém com carisma suficiente para servir Portugal de um modo muito mais substantivo. Ainda bem que não tem percurso político. Ainda bem que não é um notável recauchutado de um município para o seguinte, de um partido para outro. Nos próximos dias seremos surpreendidos com a inclusão na sua equipa de indivíduos sem cadastro político mas com perfil adequado para servir um Porto em crise, um Portugal em descalabro. Se Costa foi o vencedor incontestado de Lisboa, Moreira será mais do que um "simples" vencedor do Porto. Será, se assim o desejar, o embaixador de um Portugal que quer acreditar no futuro. Os socialistas que cantam vitória em todas as categorias, assentam a sua existência numa matriz de apoio tradicional que conhece os seus limites e define a sua doutrina com muita convicção e auto-suficiência. Rui Moreira, que não é partido e não é nada, apenas depende de si, mas já declarou que irá incluir uma panóplia de protagonistas para atingir os objectivos da sua missão. E é aqui que reside a sua vantagem. Os outros, os partidos, têm valores de referência e notáveis, mas que deixaram de o ser de um modo inequívoco. O movimento dos indignados e os protestos de rua não estão necessariamente por detrás de Rui Moreira, mas têm uma quota importante de responsabilidade na sua eleição. Agitaram as águas políticas e alertaram para a corrosão dos partidos políticos. Mas Moreira fez o que fez, sem se aproveitar de marchas por avenidas com aliados ou por alamedas da liberdade. Foi suave e inteligente, sabendo interpretar o mood social e político dos portuenses. Neste caso em particular, foi o Porto a centralidade da sua acção, mas o que invocou serve um manifesto geral. Lentamente começamos a vislumbrar uma nova disposição política em Portugal. Não sei se Costa aguenta os quatro anos de mandato que a população de Lisboa lhe conferiu, mas terá seriamente de pensar nas agruras que um dirigente como Seguro pode trazer. Moreira, sem o desejar, é uma pedra no sapato de Seguro, por demonstrar de um modo abismal que há certas pessoas que parecem ter nascido para a política e outras não. Contudo, como já havia referido antes, os resultados das autárquicas não desequilibram as contas da troika nem servem para afastar a expressão dos juros da dívida. A vida negra decorrerá debaixo das mesmas nuvens de contrariedades. Mas o que aconteceu no Porto é de aproveitar. É uma tocha à entrada do túnel. A contagem dos votos ainda decorre, mas podemos afirmar de um modo paradoxal, que nada e tudo mudou em Portugal. No Porto e quem sabe nos arredores.

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publicado às 09:06

Uma declaração de voto

por João Pinto Bastos, em 27.09.13

Voto no Porto, e votarei, seguramente, em Rui Moreira. O cenário eleitoral, e os candidatos em disputa, obrigam a uma tomada de posição que não oferece grandes ambiguidades. Menezes é, indiscutivelmente, um mau administrador da coisa pública. Por outras palavras, é um político que, caso seja eleito, arrisca-se, com a benévola conivência do eleitorado votante, a destruir o razoável trabalho legado por Rui Rio. Votar em Menezes é, em larga medida, coonestar o desperdício público, o despesismo clientelar e a obra pública derrochadora. Não terá, por conseguinte, o meu voto. Rui Moreira tem, em comparação com Menezes, a óbvia vantagem de não ter a sua imagem maculada pela má gestão dos dinheiros públicos. Além disso, é reconhecidamente uma personalidade de méritos mais do que firmados. Tem um passado como gestor, e tem, também, créditos estabelecidos como cidadão activo que intervém empenhadamente no debate público, com a sua opinião e a sua experiência. Por estas razões, Rui Moreira é o presidente de Câmara de que o Porto necessita. Sabe como administrar, e, conhece, como poucos, os rudimentos básicos de uma gestão pública participada e austera. Porém, não posso deixar de fazer alguns reparos. Em primeiro lugar, houve, nos apoios granjeados, alguns nomes que, em boa verdade, são relíquias de um passado que não interessa recriar. Há escolhas que, em candidaturas ditas independentes, matam, ou, pelo  menos tendem a matar o espírito de renovação que as anima. Rui Moreira, talvez por inexperiência, esqueceu clamorosamente essa lição, optando por dar voz e espaço a apoios e rostos cujos méritos são bastante duvidosos. Em segundo lugar, e last but not the least, a máquina política de Rui Moreira geriu com bastante amadorismo a campanha eleitoral, o que é, de certo modo, justificado por uma elevada dose de inexperiência política. Em política, maus timings e más escolhas pagam-se caro. Contudo, fazendo o cômputo geral da candidatura de Rui Moreira, é claríssima a sua superioridade face aos seus adversários. Num tempo de decaimento geral dos costumes e das gentes, ter um candidato que propõe um módico de seriedade na vida pública não é de desprezar. Valha-nos isso.

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publicado às 18:40

Por baixo do tabuleiro

por João Pinto Bastos, em 27.09.13

O Rui A. comete aqui um pequeno erro que urge, a meu ver, corrigir. A animosidade existe, mas deve-se, sobretudo, ao carácter político, ou à ausência dele, de Luís Filipe Menezes. Há gente que não se recomenda nem para governar uma casa, e Menezes é, seguramente, um desses casos.  A suposta "obra" apresentada  em Gaia não é, nem deve ser um atestado de competência imune a uma avaliação política mais fundamentada. Deixando de lado a politiquice serôdia que oblitera factos e acontecimentos, é fácil constatar que Menezes propõe para a cidade do Porto uma espécie de Menezolândia regada a muito crédito. Basta dar uma vista de olhos pelo arremedo de programa apresentado pela candidatura menezista para concluir que a fantasia e o pensamento mágico são um exclusivo do ilustre médico. Quanto ao resto, é evidente que há muitos interesses em movimento, assim como, alguma falta de tacto e de profissionalismo político na abordagem do eleitorado pelos diversos candidatos. Pizarro foi, em grande medida, uma má aposta, devido, fundamentalmente, ao seu low profile político. Na política a falta de carisma paga-se muito caro. Já Rui Moreira, não obstante o facto de não dispor de uma máquina política suficientemente oleada, conseguiu, com as qualidades que se lhe reconhecem, construir um movimento independente com, ao que parece, a forte possibilidade de arrebanhar a Câmara. Porém, nem tudo é um mar de rosas. Além da fraca máquina política, há que mencionar um certo amadorismo no modo como a candidatura de Rui Moreira lidou com algumas das questões mais candentes da campanha eleitoral. Contudo, não obstante essas falhas, que não são de somenos, Rui Moreira continua a ser o candidato melhor avalizado para tomar entre mãos os destinos da edilidade portuense. Os portuenses têm, pois, a palavra.

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publicado às 13:15

Um Porto Sentido

por João Pinto Bastos, em 12.09.13

Há dias especiais. Hoje foi certamente um desses dias. A razão é, verdade seja dita, assaz prosaica. Por norma, a primeira coisa que faço quando saio de casa é efectuar uma rápida vistoria pela caixa de correio, de molde a verificar se há alguma novidade postal de monta. Normalmente, essas novidades quedam-se pelas contas da água e da electricidade, contas essas, que, como os leitores muito bem sabem, são um autêntico panegírico à roubalheira legal sancionada pelo Leviatã desrepublicanizado. Porém, hoje, fui agradavelmente surpreendido quando abri a minha caixa de correio. Qual não foi a minha surpresa ao encontrar dois dvds com filmes de Aurélio Paz dos Reis. Inicialmente, julguei, e bem, vistas as circunstâncias, que houve engano. Não seria a primeira vez, nem, muito provavelmente, a última, que os nossos serviços postais cometeriam erros deste jaez. Contudo, após uma rápida análise dos dvds em causa, constatei que os mesmos tinham uma dedicatória anónima à minha pessoa. Perante este achamento, concluí que, de facto, os filmes em questão eram dirigidos a mim. Quem quer que tenha sido o autor de tamanha dádiva, aproveito, desde já, para endereçar-lhe os maiores e mais sentidos agradecimentos. Lamento, apenas, que o dito oferecimento fosse desafortunadamente anónimo. Dito isto, o que mais me agradou no referido presente foi o boníssimo facto de os filmes em questão abrangerem um cineasta que muito prezo. Para quem não sabe, Aurélio Paz dos Reis foi um dos grandes responsáveis pela implantação do cinema em Portugal, se não mesmo o maior responsável. Mais do que um pioneiro arrojado, Paz dos Reis foi um divulgador incansável da sétima arte em solo nacional. Num tempo em que a memória colectiva é constantemente ensaboada pelo olvido deliberado das referências nacionais de antanho, um presente desta magnitude teve o singelo condão de me recordar que há uma história soterrada pela insaciável espuma dos dias. A cidade do Porto é um bom exemplo desta deriva desmemoriada. Vejam, por exemplo, o desprestígio granjeado, nos últimos anos, pelos agentes culturais da cidade. Se olharem para a cena cultural da grande metrópole nortenha - com algumas excepções de vulto - verão que os Paz dos Reis de outrora são, hoje em dia, meros mequetrefes que vivem a expensas do subsídio público habilmente negociado com o poder político municipal. Não há "cultura" que sobreviva a tanto embuste. Entretanto, e como não há, qohéleteanamente falando, nada de novo debaixo do sol, vou aproveitar o ensejo fornecido pela alma caridosa que me ofereceu os santíssimos dvds, para rever, entre outros, o "Mercado do Porto" e o "Avenida da Liberdade". Boa noite, e boa sorte.

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publicado às 22:51

RU+A

por Samuel de Paiva Pires, em 22.08.13

O RU+A é um projecto de mestrado que pretende intervir sobre a paisagem urbanística da cidade do Porto, estimulando diversas actividades artísticas que envolvam a comunidade local. Terá lugar a 15 de Setembro e, até lá, podem contribuir para este projecto através da sua página de crowdfunding, onde encontrarão informação mais detalhada sobre o mesmo. 

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publicado às 12:00

Rui Rio: coerência e frontalidade

por Pedro Quartin Graça, em 05.08.13

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publicado às 12:48

Muralismo político da JCP

por John Wolf, em 23.06.13

Sobre a pintura do mural numa escola do Porto e a detenção dos artistas há muitas questões que devem ser inscritas na parede. Em primeiro lugar, a arte produzida era assim tão má? O muro em questão é propriedade pública ou pertence a uma galeria de arte? Os pintores foram contratados, trabalhavam a recibos verdes ou realizavam um biscate? Os contornos ideológicos têm importância, mas não necessariamente por opôr a juventude comunista ao governo. Os murais produzidos pelo partido comunista português ao longo das últimas décadas, foram quase sempre dos mais criativos (ok, repetiam muitas vezes imagens do foice e do martelo), mas não é isso que está em causa. Se de facto o referido muro pertence a todos os portugueses, e se aceitarmos a violação desse espaço em nome da liberdade de expressão, então teríamos de aceitar graffiti em todos os domínios públicos. Mas há zonas cinzentas que não podem ser ignoradas. Uma mensagem de protesto inscrita na areia da praia com um pauzinho de um gelado Supermaxi constitui transgressão do domínio público?Uma avioneta que rasga os céus atrelando uma mensagem de propaganda não estará a fazer uso do espaço aéreo para fins específicos que não interessam ao menino Jesus? Ou seja, em princípio, a expressão geográfica do país é passível de ser entendida como uma gigante ardósia para mandar recados. Se o tal muro pertence à escola então deve obedecer ao princípio consagrado na constituição, à separação da escola da política, do dogma ou da religião. Se a escola autorizou a inscrição de arte comunista, deveria atribuir a outras minorias uma parte desse direito, um talhão dessa parede. Aos ciganos, aos deficientes, aos muçulmanos, aos hindus, aos lojistas chineses e aos clubes de futebol. É esse o princípio que está em causa e nunca o facto de ser uma mensagem de contestação política que por acaso opõe os comunistas ao governo. O espaço público, embora geneticamente seja uma amálgama de posições politicamente contrastantes, na minha opinião, não pode ser apropriado por uma qualquer hierarquia. Se a escola autorizou o uso do muro para fins ideológicos ou políticos, serão os membros do conselho directivo que devem ser interrogados pelas autoridades. Se alguém trespassasse a sua propriedade privada e escrevesse insultos no muro que divide o seu quintal do jardim do vizinho, aposto que ficaria chateado e que chamaria a polícia? E se apanhasse em flagrante os autores ainda mais contente ficava. Embora não tenha escutado o Mário Nogueira a esse propósito ou outro dirigente sindical,  cuja matéria-prima com que lidam são escolas, parece que houve conluio da parte do estabelecimento de ensino. A escola alegadamente terá autorizado a primeira demão. Ou será que foi um trabalho nocturno, feito às escuras? O facto de terem sido muralistas da juventude comunista a serem apanhados é uma questão secundária. Sem dúvida que o filme é perfeito para fazer má figura do governo. Mas sejamos sinceros, o governo já estalou o verniz há muito tempo. Não precisava de algemar estes alunos de belas artes para estragar ainda mais a sua maquilhagem.

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publicado às 08:13

Do fim-de-semana

por Samuel de Paiva Pires, em 12.05.13

O Benfica terá perdido o campeonato para o Porto e Portas terá recuado em relação à posição tomada há cerca de uma semana. Ironicamente, ainda há quem diga que a tradição já não é o que era. E, meu caro João, quer-me parecer que estadistas, cá no burgo, já se encontram mesmo extintos. Como ouvi um dia a um dito conservador, as coisas são o que são. E a mistura de partidocracia com teatrocracia é isto mesmo. 

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publicado às 19:22

A dificuldade de saber sair de cena

por Pedro Quartin Graça, em 15.04.13

Como bem referiu Paulo Rangel no último Conselho Nacional do PSD, era altura de Seara (e agora de Menezes) pensarem seriamente em retirar as suas candidaturas autárquicas, a bem da dignificação das funções que ainda ocupam e da não perpetuação, contra a lei, em cargos políticos.

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publicado às 18:17

Futeboladas

por João Pinto Bastos, em 13.03.13

 

O Porto do Mister Pereira vai a Málaga entregar uma eliminatória de mão beijada aos insolventes capitaneados pelo chileno que não gosta de Mourinho. Mais a norte, o Barça, para alguns a melhor equipa de sempre - caramba, a memória é sempre tão curta-, dá uma remontada histórica a um clube que, noutras eras, e que eras, propinava a esse mesmo Barcelona goleadas de chapa 4, com direito, no fim, ao tão ansiado caneco. O futebol anda estranho. Muito estranho. Mas mais estranho ainda, é verificar que Jorge Jesus, sim, Jorge Jesus, quem mais?, tornou-se num palestrante fortemente requisitado pela academia. Ah, pois é. Não é, de facto, para todos. Da teoria para a prática, e da prática para a teoria, Jesus sentou-se finalmente no seu tão requisitado trono de ideólogo-mor do futebol pátrio. O que é que falta para o puzzle completar-se? O Galatasaray ser campeão europeu com Altintop a furar as redes do desistente Valdés? Stoichkov treinar o Sporting, com Severino a liderar a queda no abismo da falência? Ou Jesus escrever um livro com a epistemologia do futebol-arte? O futebol anda estranho, muito, muito estranho.

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publicado às 22:52

Cuidado com o coração de D. Pedro IV

por Pedro Quartin Graça, em 12.03.13

 Veja aqui o que nunca viu: o coração do ex-monarca, doado à cidade do Porto devido à gratidão pela resistência do Porto na luta das forças liberais contra as tropas absolutistas de D. Miguel, irmão de D. Pedro IV. Agora os brasileiros querem descobrir a causa da morte do, também seu, ex-rei. Os cientistas brasileiros pretendem fazer-lhe uma biópsia para detectar eventuais doenças no miocárdio, inclusivamente as provocadas por processos infecciosos noutros órgãos. Mas tudo isto é muito complexo, como pode ler aqui.

Veja-se, também, o vídeo da sua exumação aqui.

 

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publicado às 08:02






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