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Pinhal de Dívida Pública

por John Wolf, em 20.10.17

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Existe outra frente de incêndio activa em Portugal. Um fogo de proporções assinalável, que até 2015 estava a ser controlado, lavra agora sem que um corpo de bombeiros exista para o combater - a DÍVIDA PÚBLICA. Os incendiários, entretanto, já foram identificados. Alegadamente, o gangue composto por três elementos -  o PS, o PCP e o BE -, anda a monte. A dívida privada, por seu turno, já conseguiu organizar um concerto de solidariedade para diminuir os seus encargos e inverter a tendência dessa chama financeira. Em breve mais notícias. Um estoiro, uma explosão. Mais um resgate.

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publicado às 13:56

Os amigos do Costa

por John Wolf, em 19.10.17

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Decididamente António Costa não quer aprender. Diria mais; o primeiro-ministro não pode aprender. A sua vida política, e a amizade que nutre por alguns, não se distinguem. A montante ou a jusante, essa é a premissa que tem marcado a paisagem política do Partido Socialista (PS) - colocar em lugares de governação homens de confiança - uma manada de boys. Mas está enganado. Um amigo, por defeito afectivo, não é capaz de formular uma crítica objectiva, de tecer um juizo a doer. O bom amigo não quer magoar e perde a noção da sua missão por amor à camisola da lealdade. António Costa, ao nomear para ministro da administração interna Cabrita e o compincha Siza Vieira, mais uma vez fere a isenção e a ideia de mérito que devem nortear um país. Não interessam as ligações do advogado da Linklaters a dossiers eventualmente em conflito de interesse com o Estado. Não interessa que provenha da família certa. Não interessa que saiba arquitectar soluções políticas ou não. O que interessa é esse pacto de consanguinidade, o juramento, a prova de fidelidade em nome da grande casa, a loja do Rato. Mas este fenómeno faz parte de uma escala maior, faz parte da matriz de Portugal. Há escassos anos, quando procurava quem me publicasse uma obra, contactei uma editora que faz carreirinha numa casa de publicações universal, e após submeter insistentemente e repetidamente umas meras cinco páginas de amostra do meu manuscrito, por fim lá obtive a resposta. A editora não tinha tempo para ler cinco páginas e, para além do mais, a sua resposta foi, e passo a citar: "primeiro estão os autores da casa". Está tudo dito. É assim que funciona. É assim que morrem 100 pessoas.

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publicado às 14:45

Psicose socrática

por John Wolf, em 13.10.17

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Nos dias que correm Portugal sofre de psicose socrática colectiva. E não é caso para menos. Nos próximos tempos o país irá levar com doses cavalares de substância gravosa sem que haja um antídoto eficaz. A cura para o estado patológico existe e encontra-se nos tribunais, mas o quadro aponta para uma processo paliativo longo. Para erradicar de vez todos os vestígios de corrupção vai ser necessária uma empreitada monstra. Na lavagem de roupa suja que se avizinha, seremos provavelmente contemplados com mais enfeites de delito. Teremos resmas de opiniões para passar a ferro e veremos na fila ex-titulares de pastas ministeriais a debitar dados para o jogo de verdade ou consequência. Em abstracto, e sem nada que possa por enquanto apontar nesse sentido, penso nas seguintes ligações afectivas e de parentesco; será que José Sócrates cometeu o pecadilho adicional de subvencionar a casa que o viu nascer politicamente?. Quando António Costa afirma que se deve separar aquilo que pertence à política daquilo que pertence aos tribunais, comete uma imprudência, é insensato - deve esperar para ver. Os barões Pedro Silva Pereira e Jorge Coelho, em aparente estado chill-out, de relaxe e descontração, já sacaram das respectivas cartolas uns fait-divers de ocasião. Eram tão íntimos com o grande chefe que nem sequer poderiam supor que a vida "à grande e à francesa" de José Sócrates trazia Carlos Santos Silva no bico. Quando já não subsistem dúvidas em relação aos factos (existem cofres, havia dinheiro) seria ajuizado que os demais correligionários servissem Portugal e reconhecessem o maior escândalo político do pós 25 de Abril. Mas não, continuam a praticar a mesma política de eufemismos e descontos, retirando a importância que este processo merece. Falta vergonha na cara e ética a tantos que desfilam e irão desfilar. E isso não tem remédio. Sei que existem temas tão importantes para tratar, como o Orçamento do Estado 2018, a continuação da Austeridade ou o relatório sobre Pedrógão Grande, mas eles também sabem. E vêm mesmo a calhar. O que será que o cofre ainda tem para oferecer?

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publicado às 17:19

A acusação de Sócrates e associados

por John Wolf, em 11.10.17

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Este post é dedicado a todos aqueles eticamente questionáveis que alimentaram a noção da inocência de José Sócrates e associados. Muitos dos defensores dos visados, presentes com prosápia e arrogância nas redes sociais, em partidos políticos, em orgãos de soberania, nas diversas agremiações de tolerância inaceitável, no meu entender, partilham a falência moral dos acusados. As acusações que acabam de ser deduzidas são o resultado de uma obra jurídica e processual de vulto. Todos aqueles detractores que acusavam o ministério público de ser letárgico e persecutório terão agora de engolir os factos incontornáveis. Os sete magníficos, os sete procuradores que assinam o despacho, galvanizam as acusações a José Sócrates e restantes, e servem a causa pública da justiça em Portugal. As ramificações da associação criminosa exigiram este tempo todo de investigação e corroboração por alguma razão: a dimensão do desfalque, para não usar um termo ainda mais degradante. Um polvo inédito num país com a dimensão económica de Portugal afinal existia. A ideia de enriquecimento ilícito leva assim uma machadada e deve servir de aviso para uma sociedade excessivamente tolerante para com os seus traidores. O que esta corja fez fere a dignidade de tantos portugueses honrados, vilipendia o conceito de mérito, fere de morte a ideia de qualidade e de recompensa de toda uma classe trabalhadora, os homens e mulheres que contribuem honestamente para acrescentar valor a si mesmos, às suas famílias e ao país. Temos a prova de que servir-se de ligações perigosas e abusar da posição dominante produz consequências nefastas. Agora, todos eles, devem pagar. Condenações, prisão, multas, coimas e compensações por danos causados devem ser distribuídas na justa proporção dos crimes cometidos. Portugal não é isto. Portugal é honrado. Portugal é um país repleto de gente digna. Portugal merece melhor. Que sirva de lição.

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publicado às 12:03

O capital talvez tenha pátria

por Samuel de Paiva Pires, em 06.10.17

A Alemanha que se recusa a reconhecer que a União Económica e Monetária (UEM) gera desequilíbrios que levam a choques assimétricos, que acredita que os seus excedentes comerciais resultam meramente da boa gestão e não se devem aos desequílibrios estruturais da UEM e à utilização de uma moeda subvalorizada, que insistiu na narrativa dos trabalhadores do norte da Europa vs. os preguiçosos do sul e que empurrou vários países para resgates financeiros que tinham entre os seus principais objectivos a privatização de empresas em sectores económicos estratégicos, vem agora queixar-se da influência que a China tem sobre os países europeus em que investiu. Mais do que irónico, é ilustrativo quanto baste da falta de visão da liderança merkeliana e de todos aqueles que sofrem do que Ulrich Beck denominou por cegueira da economia, que atinge muitos economistas que, segundo Wolfgang Munchau, padecem de analfabetismo político-social.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 10:25

Oeiras, capital da ética

por John Wolf, em 03.10.17

 

E já agora, se um pederasta, pedófilo condenado e com sentença cumprida, fosse nomeado como presidente de uma comissão de protecção de menores? No comments.

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publicado às 07:16

1640

por Nuno Castelo-Branco, em 23.09.17

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Liga-se a televisão ou liga-se o feicebuque e o tema do momento é sempre o mesmo: Catalunha, explodindo excitações infantis acerca de algo que a esmagadora maioria não conhece e reacciona com aquele típico porque sim ou porque não. Uma das parvoíces mais propaladas remete-nos a 1640, quando no contexto da longa e desastrosa Guerra dos 30 Anos, a elite da Catalunha resolveu separar-se de Espanha. Aos catalães "devemos a  independência", aos catalães isto, aos catalães aquilo, é um chorrilho incessante de ignorância que nos entope os ouvidos. Nada disto seria muito importante se fosse apenas dito por aquelas doutas cabeçorras até aqui partisans do "open your borders", subitamente caídos de joelhos perante o deslumbramento de "mais uma revolução", por muito burguesa e xenófoba que seja. E é mesmo: xenófoba, egoísta e burguesa.

A verdade é simples e bem diversa. Ainda durante a primeira metade do século XVII o declínio militar, político e económico de Espanha era evidente, apesar da União de Armas engendrada por Olivares. Ao contrário do condado de Barcelona e zonas anexas, partes da já simbólica coroa de Aragão, Portugal era um reino distinto, o outro elemento de uma união dual que lhe garantia moeda, bandeira, alfândegas, forças armadas e um império colonial autónomo. Os inimigos tinham-se tornado nos mesmos, pois as emergentes potências marítimas - Inglaterra, Holanda e até um certo ponto a França -, tinham no Portugal dos Áustrias um alvo preferencial, enfraquecido pela ausência de uma Corte própria capaz de participar nos meandros internacionais da diplomacia e arranjos geopolíticos. A situação era deveras má, fosse a interna ou aquela existente nas possessões do Atlântico ou no Índico. Portugal era  oportunamente atacado e contra os portugueses teciam-se as mais desmioladas estórias de difamação, apontando aos lusos a estranha tendência para se miscigenarem "com animais", ou seja, negros, indianos, índios ou extremo-orientais asiáticos. Após os auspiciosos acontecimentos de 1640 escrever-se-iam páginas e  páginas de justificações neste preciso sentido,  destinadas sobretudo a uma Europa espantada pela guerra de autêntico extermínio que os holandeses, por exemplo, faziam a um país recentemente libertado da tutela da Casa de Áustria.

Vamos então às vantagens óbvias que a Restauração implicava para os jogos geoestratégicos de então:

1. O controlo das vias marítimas.
Basta-nos olhar para o mapa e a situação portuguesa de hoje é precisamente a mesma daqueles tempos. Portugal situa-se a meio caminho da ligação do Mediterrâneo com o Mar do Norte e Báltico; Portugal é uma costa fronteira às ligações marítimas da Europa e das suas então possessões coloniais nas Américas, África e Ásia. mesmo sequer sem contar com o seu vasto património ultramarino, convinha Portugal não estar dependente de Madrid e do seu vasto império sul e centro americano.

2. A posição privilegiada do porto de Lisboa, onde desembarcavam artigos trazidos pelos intermediários portugueses que aqui faziam negócios com as potências, umas mais relevantes do que outras e todas elas desejosas da obtenção de porcelanas, perfumes, pedras preciosas, marfim, panos, especiarias, açúcar, madeiras e outros artefactos coloniais. Se Portugal pudesse servir de recolector, talvez fosse mais lucrativo aos nórdicos limitarem-se a abastecer os seus navios comerciais numa Lisboa livre das limitações que a pertença à União Ibérica significava.

3. Havia interesse internacional na emancipação nacional, aliás desde sempre desejada pela grande maioria dos portugueses de todos os extractos, fossem eles o do povo miúdo, burguesia mercantil ou orgulhosa nobreza da então desaparecida Corte. A pertença das possessões portuguesas à mesma dinastia reinante em Castela, Aragão - a Espanha propriamente dita -, Nápoles, Sicília, Milanado, Franco-Condado e Países Baixos espanhóis, tornava mais difícil equilíbrio europeu, num momento em que as conclusões da Paz da Vestefália ainda pareciam distantes, conclusões essas que durante mais de um século e meio definiriam as  relações internacionais nos seus múltiplos aspectos, aliás alguns deles ainda bem presentes nos nossos tempos. O rei de Espanha - Castela, Aragão e a Navarra peninsular - era também rei de Portugal, um território distinto e como tal reconhecido em Tomar por Filipe II, tornado I de Portugal.

A Restauração viria, fosse ela desencadeada no 1º de Dezembro ou mais tarde, fruto do interesse internacional. Em 1701 rebenta a Guerra da Sucessão de Espanha e ao contrário da revolta catalã anterior que sintomaticamente logo proclamou Luís XIII como seu soberano e  tornando-se assim num mero apêndice da mais vasta política de guerras anti-Casa de Áustria veiculada por Richelieu, em Portugal voltou-se rapidamente à legitimidade usurpada nas Cortes de Tomar, quando a Duquesa de Bragança foi espoliada pelo seu primo Filipe II. Era ela a herdeira legal e legítima, disso não existe a menor dúvida. Assim sendo, em termos jurídicos a questão nem sequer poderia colocar-se, apenas prevalecendo o poder da força militar e do dinheiro que provisoriamente comprou consciências e lealdades.

Em 1701 defrontava-se a Casa de Áustria com a Casa de Bourbon, ambas com direitos legais evidentes ao trono espanhol. Enquanto a parte substancial de Espanha alegremente acolheu os ímpetos reformistas da nova dinastia vinda de Versalhes, a Catalunha - e não Aragão de quem dependia -, proclamou o arquiduque Carlos, o futuro imperador Carlos VI com um entusiasmo tal que bem depressa fez esquecer a revolta que alguns, hoje e em Portugal, apontam como salvadora da nossa Restauração: Carlos era um Áustria como Filipe IV. Se a Restauração tivesse fracassado e o rol de confrontos militares fosse diferente do que aquele registado pela história, politicamente o caso português continuaria em aberto não apenas por questões internas, mas sobretudo pelo interesse externo. Porquê? Porque sem dúvida, anos mais tarde e na conclusão do conflito que partilhou o património espanhol na Europa, existe uma clara evidência do território português e as depauperadas dependências coloniais que ainda nos restassem seriam outorgadas ao esbulhado Carlos de Habsburgo, ou até, quem sabe?, à Casa de Bragança. Não podemos agora saber o que teria ocorrido aquando da morte de Carlos II de Espanha, mas é quase certo que em Lisboa o assunto seria tratado de outra forma do que o aguardar de ordens. As potências assim o exigiriam e a oportunidade era demasiadamente tentadora para não ser levada avante. O equilíbrio europeu assim o exigia e com ele, o controlo das vias marítimas.

Agora o caso é bem diverso. Temos uma historicamente rara e excelente relação com Madrid e com Espanha partilhamos a fronteira, os principais rios que nascendo no seu interior desembocam no litoral português, assim como as vias de acesso terrestre à Europa. Partilhamos a garantia da segurança no flanco sudoeste europeu. A Espanha é o nosso principal cliente e o nosso primeiro fornecedor. Com Espanha participamos em varias instituições internacionais, sejam elas a U.E., a NATO ou a Ibero-América.

A verdade? A última coisa que quereremos é um conflito interno no nosso único vizinho e não se arrisca muito quando se afirma ser para Portugal desejável uma Espanha unida, em paz e também muito próspera. Desejar o contrário é uma sandice dos entusiastas do "one world, open your borders", exactamente os mesmos que agora desejam mais uma fronteira ainda para mais instável e não reconhecida ou um potencial emirato a longo prazo. Pensarem que os espanhóis, todos eles, sejam eles os castelhanos, galegos ou outros aceitarão encolhidos uma secessão catalã sem uma resposta à medida do desafio, é lamentável, denotando uma inconsciência perante as realidades.

Não nos convém, é tudo e mais importante ainda, nem sequer convém aos próprios catalães, já senhores de uma vasta autonomia, bandeira, hino e outros  aspectos essenciais ao seu desmedido orgulho, tão amplo e exclusivo como o dos próprios castelhanos.

Para a nossa tranquilidade, o mapa da península deverá continuar a ser aquele  que conhecemos desde o século XVIII: Portugal, Espanha, Andorra e uma possessão britânica, Gibraltar.

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publicado às 20:00

Centeno e Costa escrevem ficção

por John Wolf, em 23.09.17

 

 

Não gosto que me mintam. Não aprecio que dourem a pílula. Não aceito que aproveitem os louros dos outros. Não pactuo com a destruição de obra alheia. Não tolero que inventem estórias da carochinha. Não admito devaneios ideológicos. Não sou solidário com facciosos. Não acredito naquilo que me contam. Não tenho confiança em declarações de sucesso. Não me rendo perante a insistência dos outros. Não integro no meu espírito a ficção que nos querem impingir. António Costa, Mário Centeno, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa podem meter no bolso as casas de propaganda nacional, mas não conseguem enganar todos ao mesmo tempo.

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publicado às 17:25

Comunicação Política para Totós

por John Wolf, em 22.09.17

 

Embora não vá votar porque não posso votar, e mesmo que pudesse votar provavelmente não votaria, não deixo de ser visado enquanto potencial-candidato-eleitor - o meu voto é desejado.  Recebi na caixa do correio (nas últimas semanas) missivas de toda a espécie e feitio de impressão. Foram cartas e brochuras, panfletos e desdobráveis de todas as hostes partidárias, apelando ao meu poder de encaixe autárquico. Tive, desse modo, a feliz oportunidade de pôr essa leitura em dia no decorrer de actividades sanitárias - sentado, entenda-se (com as mãos livres, sem cometer infracções). Lavei as mãos e posso afirmar que me encontro em condições de avaliar como a Comunicação Política é realizada pelas diversas forças partidárias em Portugal no festival eleitoral em curso. Devo dizer que as propostas apresentadas carecem todas de um enquadramento conceptual e de uma visão estruturante. Ora falam de parques de estacionamento, ora mencionam apoios sociais, ora congratulam-se pela obra feita, ora reclamam pela incúria dos outros...enfim, não passam todos da mesma chapa gasta vezes sem conta a cada campeonato autárquico. O formato foto-passe de todos partidos pretende confirmar o alto teor de democraticidade e convívio político entre as cabeças de lista - as estrelas da companhia -, e os pobres anónimos resgatados da paragem de autocarro para preencher as listas. A Comunicação Política simplesmente não existe. Existe uma forma de Comunicação, mas não preenche os requisitos da Política. São Políticos que se apresentam, mas não Comunicam eficazmente. Plagiam-se a torto e a direito. Chamam algo diverso à mesma coisa, mas não passa de embuste ideológico. Gastam rios de dinheiro em bandeirinhas e esferográficas, pastas e sacos para arremessar a tralha, mas não conseguem erradicar os vícios da classe política canonizada pelo mistério da promessa cumprida. Os textos que acompanham a vontade política são fracotes e encontram-se na fronteira do pueril, do dispensável. Desejariam, se soubessem, ou pudessem, a sofisticação subtil, a sugestão da genuína transformação filosófica que está na génese das aspirações da freguesia, do concelho, da região, da península, do mundo. Mas não conseguem. Estão presos, cativos num labirinto de inconsequências e desperdícios. Tanta coisa para tão pouco. Tantos. Bastava um(a) para fazer o frete a todos. Criatividade, inteligência ou originalidade não fazem parte de lista alguma. Triste. É triste. É tão triste.

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publicado às 15:35

Autárquicas da bola

por John Wolf, em 14.09.17

 

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) deve ser composta por bananas. Apenas trabalha quando o rei faz anos, mas mesmo assim não acorda a tempo e horas do serviço. Borra a pintura. Tem expediente a cada 4 ou 5 anos, mas é incapaz de dar conta do recado. Nem umas miseráveis eleições é capaz de marcar no calendário. É uma infeliz coincidência essa estória dos jogos acontecer no mesmo dia. Azar. Os adeptos do Porto, se carregarem em massa em Alvalade, terão de organizar muito bem o seu dia. Terão de descer à Ribeira, inserir o boletim na ranhura e depois rumar a Lisboa. Pois. Estou a ver o filme. Isto precisava de um vídeo-árbitro-autárquico para controlar a jogada - amarelo, no mínimo. Falamos de uma estimativa de abstenção afectada negativamente pelo espectáculo da Primeira Liga. Não me venham com estórias. Querem convencer-me que a CNE não analisa todos os factores de perturbação dos actos eleitorais? Os eleitores da coligação Benfica-PS também terão de fazer um esforço acrescido para ver se não ficam retidos na ilha da Madeira devido a um inesperado vento cruzado. Contudo, independentemente da bola, os portugueses terão mais uma desculpa para não exercerem a sua obrigação cívica. Depois é o que se sabe. Continuarão a queixar-se deste ou daquele, mas mandam dar uma volta àqueles que ousem perguntar: votou? Ou foi ver a bola?

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publicado às 13:33

Atentado na Catatonia

por John Wolf, em 19.08.17

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Enfrentamos um falso dilema ideológico. Os governos de Esquerda invocam que a sua natureza não é securitária. Defendem as liberdades individuais e o direito à criatividade, mas sabemos - porque a história é tramada e não mente (embora existam revisionistas!) -, que foram também regimes estalinistas e que são regimes de inspiração maoista que mais controlam (ou controlaram) os seus cidadãos. Os atentados de Barcelona remetem-nos para a Catalunha, e simultaneamente para a catatonia, ou seja, a forma de esquizofrenia que se caracteriza pela alternância de períodos de passividade e de excitação repentina. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa diz que "não há razões para alarmismos" e, deste modo, preenche uma das metades do estado catatónico. António Costa também lá anda na mesma ala de prejuízo e inconsequência. A geringonça, que saúda a estirpe revolucionária de um Manuel Alegre inspirador, tarda em dar conta do recado. Portugal está à mercê, pôs-se a jeito. Enquanto deglutem as mortes da avó e da neta, esquecem a geração do presente, aquela ensanduichada na mesma irresponsabilidade que grassa de Pedrógão a Tancos. A Esquerda ainda julga que existe um oásis moral, uma reserva intangível. Será expressamente proibido efectuar controlos aleatórios de cidadãos nas ruas pejadas de turistas. Está completamente vedada a colocação de barreiras físicas nas portas da Rua Augusta. É totalmente inconcebível colocar militares na ruas. Porque tudo isso é obra para o diabo  - a Direita que deve carregar o regime securitário às costas. Quem disse que a festa do Avante não é um soft target? O governo está à espera que elas aconteçam. Desse modo, pode alinhar-se com os países civilizadamente evoluídos que já viram os seus corações destroçados. Até uma criança pode entender o guião, a argumentação subjacente. Estão à espera de um estoiro de dimensão assinalável para poderem justificar as tais medidas securitárias. Inventaram a figura de estado de calamidade preventiva, mas não pescam nada de nada do mundo perigoso em que vivemos. Tenham cuidado. Ninguém vos protege. Estão sós. Estavam.

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publicado às 19:47

De Magalhães a Maduro

por John Wolf, em 31.07.17

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O Governo da República de Portugal está de consciência tranquila em relação à Venezuela. Aliás, não convém nada uma mudança de regime. Não seria nada conveniente instigar um processo democrático que resultasse no afastamento de Maduro. Os socialistas portugueses, independentemente de pareceres da União Europeia (UE), não vêem com bons olhos uma crise profunda que abane o "status quo" daquela realidade. Referem um regresso à normalidade constitucional quando o que aquele país precisa é de um levantamento popular que afaste o ditador socialista Maduro e que o julgue por crimes cometidos contra o seu povo e opositores políticos. E este estado de arte política coloca Portugal numa situação particularmente difícil. São mais de 400 mil portugueses com residência na Venezuela, ao que se somam mais de um milhão e meio de luso-descendentes. A haver um processo de "descolonização" resultante de uma revolução democrática na Venezuela, Portugal terá de ter um programa de repatriamento de nacionais, um conceito operativo para lidar com os "retornados". Para já sacodem a água do capote afirmando que os que têm saído da Venezuela preferem Espanha devido às afinidades linguísticas, mas sabemos que quando a crise ganhar contornos mais intensos, outras valias, de índole jurídica, far-se-ão valer. Quando Santos Silva diz que não aceita os resultados das eleições, está de facto a fazer ouvidos de mercador, a fingir, a ser politicamente correcto, mas a mentir com os dentes todos. A geringonça é adepta de Maduro, como outros foram de Chavéz e dos Magalhães - aqueles PC - a verdadeira maravilha do engenheiro das amizades duvidosas.

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publicado às 16:59

A Liberdade, essa fantasia

por João Almeida Amaral, em 19.07.17

 

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Francamente, não sei se é da idade, mas estou cansado, a bem dizer, farto desta marmelada em que o país mergulhou. 

Ardem milhares de hectares , morrem MAIS DE UMA CENTENA DE PESSOAS, mas para efeitos de subsídios europeus oficializa-se o número 64. 

Os políticos responsáveis não são responsabilizados. Despedem-se secretários de estado ao retardador para ocultar os factos. 

O 1º ministro marimba-se no país e vai de férias.

A base militar de Tancos descobre que lhe falta material, inventa-se um roubo, (quando o roubo, na minha opinião, foi ao longo do tempo e era necessário acertar o stock) e exoneram-se oficiais que dias depois são reintegrados. 

O Prof. Gentil Martins emite uma opinião (ao abrigo da sua liberdade) e as figuras pidescas do regime, como a Moreira, ao melhor estilo do KGB, exigem punição, sangue. 

Agora são os bombeiros silenciados. 

Quando o governo, que emerge de um grupo parlamentar de forças antidemocráticas que nem deviam ter representação parlamentar, se formou, temi que este seria o caminho, mas francamente nunca pensei que se iria tão longe. 

Portugal tem que reagir.

Tem que acordar. 

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publicado às 17:17

Nacionalismo imobiliário?

por John Wolf, em 08.07.17

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Sabemos todos que money doesn´t sleep (lembram-se de Gordon Gekko e do filme Wall Street?) e que flui para onde é efectivamente melhor tratado. O Diário de Notícias revela alguns traços de nacionalismo-imobiliário com o artigo que "expõe" a apatia de investidores estrangeiros, que compraram imóveis de vulto no sentido de os restaurar e revender, mas que ainda não o fizeram. Não esqueçamos que grande parte desses palacetes e casas nobres foram erguidos com capital "excêntrico". Foram dinheiros oriundos de negócios internacionais que permitiram tamanha expressão faustosa ao longo da história de Portugal. Se pesquisássem com mais cabeça e menos paixão, cedo descobririam que João Frederico Ludovice era de facto Johann Friedrich Ludwig, ou seja um arquitecto "estrangeiro". Pela mesma lógica da batata, um investidor português que se aventure em projectos imobilários na Provence francesa, também seria obrigado a fazer obras no dia seguinte. Mas não é assim que acontece. Talvez seja boa ideia solicitar um estudo sobre a relação entre governos de Esquerda e a apetência para investir de entidades estrangeiras. Quem sabe, talvez tenham tido second thoughts. Talvez estejam a pensar com mais afinco sobre decisões tomadas em ambientes económicos e fiscais mais favoráveis. Os fundos de investimento imobiliário têm à sua disposição ex-políticos que sabem muito bem onde a vaca torce o rabo. Vieram de fora comprar? Em que século vive a autora desta peça jornalística. Não existe um fora e um dentro. A não ser que se construa um muro bem alto.

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publicado às 19:53

Turistas low-cost

por John Wolf, em 07.07.17

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Tenho autoridade para produzir o seguinte statement. Disponho de um estatuto especial. Embora não seja um nativo na acepção pura da palavra, Portugal diz-me respeito. Não sou um turista badameco, de sovaco à mostra e farfalheira à vista, que aprecia o território pelo tempo "sempre" quente e a cerveja fresquinha (e barata). Vivo neste país, bato-me por ele e não me vou embora ao fim de 3 noites bêbadas. Acabo de regressar a casa do tourist spot Chiado e as perspectivas são aterradoras. Os rebanhos de turistas são da estirpe mais brejeira possível. São mesmo low-cost. Não sei se vêm de Besançon, de Liverpool ou Munster, mas estes vão dar cabo do país. Contudo, não são os únicos responsáveis. Os agentes turísticos portugueses baixaram a fasquia consideravelmente. Entusiasmaram-se com os números e o caudal avassalador. Agora aguentem o desfalque, a delapidação gradual mas certeira do legado histórico e patrimonial de Portugal. Os guias que andam ali a contar histórias da tanga junto à Brasileira provêm de que escola de certificação? E há mais tristezas. Não são portugueses que vão ao Rio Maravilha ou ao Topo no Martim Moniz sorver um gin tónico - 12 euros é muita fruta por aqueles baldes de gelo. E confirmamos o seguinte. A ideia da galinha de ovos de ouro continua válida. É aproveitar enquanto durar. Espremer o bicho até à medula e esperar que venham mais da mesma patente. Estes turistas querem lá saber do país. Regressam a uma subúrbia infestada de hooligans, frequentam o seu pub e respondem: It were luvely. Da beer wa cheep and it wa always sunny...Poortagal wa great.

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publicado às 11:36

Paióis a dar com o pau

por John Wolf, em 05.07.17

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Não foi preciso um alicate, uma carrinha, uma lanterna e um mapa. A geringonça foi aos paióis de todos os portugueses, às claras, de dia. O ministro das finanças serve-se de linguagem de boicote para se esquivar ao bottom line. Os contribuintes portugueses são reféns de cativações e, fazendo uso de malabarismos orçamentais e de designação, a geringonça efectivamente fez cortes na Saúde e na Educação. Mas se tivesse sido o governo anterior a realizá-los, os mesmos desbastes teriam outro nome - seriam inscritos na categoria de austeridade. Centeno, que não se chamuscou em Pedrógrão e não foi recruta em Tancos, ainda julga que está imune a escrutínios. Responde inequivocamente com uma cassete - diz e volta a dizer onde não houve cortes. Insiste na ideia de uma reserva estratégica de créditos, como se o fogo pudesse ser compensado pelo excesso de água, como se o futuro pudesse ser arriscado no casino do presente. Porque é disso que se trata. Quando, para escamotear os números, não se aprovisionam stocks respeitantes ao sector de saúde, está-se de facto a poupar. Estão a poupar na segurança, estão a abrir brechas na sanidade, estão a jogar com probabilidades e hipóteses favoráveis, quando sabemos, que quando elas acontecem elas não escolhem hora nem local. E para rematar: que história é essa de aprovar estudantes com negativas a disciplinas curriculares? Qualquer dia retomamos a máxima académica de que a quarta classe chega. Diria mais; não chega. É mesmo conveniente manter as massas pobres, estúpidas e ignorantes. Onde já vimos isto?

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publicado às 15:27

Tansos e Tancos

por John Wolf, em 02.07.17

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Há qualquer coisa que me está a escapar. Não seria expectável, que à luz do furto de material de guerra em Tancos, o governo da república portuguesa determinasse o fecho de fronteiras, a suspensão de Schengen? Não entendo esta atitude de deixa andar, deixa ver. Não ouvi falar de uma operação de caça aos infractores. Não ouvi falar do controlo de pontos nevrálgicos na fronteira. Daqui por alguns meses teremos um relatório sobre a qualidade das vedações e a mediocridade do sistema de videovigilância. Tal como fizeram em relação aos incêndios, dirão que foi uma figura abstracta a determinar os desfechos - um trovão ou o raio que o parta. As autoridades responsáveis afirmam que o material subtraído já se deve encontrar fora do território. Eu entendo a lógica por detrás deste esquema - casa roubada, portas escancaradas. Deste modo, a haver um evento terrorista, a probabilidade de ser no estrangeiro é maior. Já sabemos que a União Europeia deixa muito a desejar, mas aqui temos mais uma prova de que a Política Externa e de Segurança Comum é de facto um mito. Devemos agradecer aos espanhóis pelo fornecimento da lista aproximada dos engenhos furtados. Na escala de valores de desgraça e consequências, não sei quem ocupa o lugar cimeiro do pódio, mas a violação da soberania militar de um Estado é, no meu entender, ainda mais grave do que o falhanço de um SIRESP. Aguardemos então pelo próximo episódio sórdido. E esperemos que não custe ainda mais vidas humanas. Os que levaram as granadas não andam a brincar aos polícias e ladrões. São dos maus. E este governo é tão bonzinho que nem sequer sabe admoestar os titulares de pastas e cargos públicos com responsabilidade directa nas matérias em causa. Quanto a Marcelo, este já faz parte do problema da nação e cada vez menos da solução.

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publicado às 20:09

Peido suicida

por John Wolf, em 28.06.17

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São precisamente temas de pasquim como a declaração suicida de Passos Coelho ou a flatulência de Sobral que determinarão o próximo incêndio em Portugal. O povo aprecia o circo, e dispensa a essência basilar de um sistema. Rir à conta da palermice e da mediocridade afasta o ser pensante dos grandes desígnios do país. Ser profundo e consequente custa. E, in spite of it all, não se chega a bom porto com festas de auto-comiseração, espectáculos narcisistas e verberações masturbatórias. Sentar-se à mesa como adultos e encarar a música desafinada não é para qualquer um. Ao validarem a ideia de absolvição dos pecados, numa congregação de "manifesta e inequívoca solidariedade", adiam o trabalho duro, sujo. São momentos de pico como este, de libertação orgásmica, de hibridismo transformador da "dor dos outros" em esperança para "todos", que eternizam a noção de ascensão e queda, fulgor e inconsequência. Por mais que estiquem os zeros do milhão, os mesmos não tapam a parte descoberta de um país inteiro versado nas artes hedonistas, nos prazeres. Foram os deleites que mataram as florestas. Foram as extravagâncias de uns que abandonaram o interior. Foram os cosmopolitas vibrantes que deitaram fogo à ruralidade em nome da sofisticação cintilante de uma festa de arromba. A silly season está oficialmente aberta.

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publicado às 12:51

Poupança portuguesa

por John Wolf, em 23.06.17

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Tenho autorização para regressar à economia real? Se sim, então tomem nota do seguinte: "a poupança das famílias recuou para 3,8% do rendimento disponível no primeiro trimestre de 2017, marcando assim o valor mais baixo da série que teve início há 18 anos". Significa isto que os portugueses pouco aprenderam e que acreditam no conto do vigário. Somem a este vector o outro - o nível de dívida pública acima dos 130% do PIB e temos o cocktail perfeito para deflagrar mais um descalabro, um semelhante àquele de 2011. Nem mesmo as sucessivas tragédias incendiárias ensinam grande coisa. O comportamento colectivo é unamunaniano, suicida. A expressão saving for a rainy day não se aplica ao continente ou às regiões autónomas. Não sei qual a medida portuguesa, e não sei se a família-tipo tem reservas equivalentes a 6 salários ou se prefere ir de férias e logo se vê. Os partidos que formam o governo de Portugal não parecem ligar muito a estas leituras estatísticas. E existe uma explicação para isso - replicam os comportamentos individuais. Vivem para além das possibilidades. Nem acima nem abaixo. Vivem noutro universo desprovido de responsabilidade moral. A dívida e a falta de poupança são dissabores que ardem sem se ver. E eles querem que assim seja, que não sejam vistos ou revistos.

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publicado às 20:35

Como ajudar os bombeiros neste momento (2)

por Samuel de Paiva Pires, em 19.06.17

Haverá certamente que apurar responsabilidades, debater estratégias e actuar no sentido de melhorar o dispositivo de prevenção e combate aos fogos. Até lá, é ajudar os bombeiros que estão no terreno e as populações afectadas por este flagelo. Entre as várias louváveis iniciativas, destaco a da Uber, que permite utilizar a aplicação para solicitar gratuitamente recolhas de donativos como água e bens não perecíveis.

 

Entretanto, para os que estão em Lisboa, podem entregar soro fisiológico (unidoses), compressas, ligaduras e adesivos, a qualquer hora do dia e da noite, no quartel dos Bombeiros Voluntários de Lisboa, no Largo Barão de Quintela.

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publicado às 16:21






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