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Peido suicida

por John Wolf, em 28.06.17

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São precisamente temas de pasquim como a declaração suicida de Passos Coelho ou a flatulência de Sobral que determinarão o próximo incêndio em Portugal. O povo aprecia o circo, e dispensa a essência basilar de um sistema. Rir à conta da palermice e da mediocridade afasta o ser pensante dos grandes desígnios do país. Ser profundo e consequente custa. E, in spite of it all, não se chega a bom porto com festas de auto-comiseração, espectáculos narcicistas e verberações masturbatórias. Sentar-se à mesa como adultos e encarar a música desafinada não é para qualquer um. Ao validarem a ideia de absolvição dos pecados, numa congregação de "manifesta e inequívoca solidariedade", adiam o trabalho duro, sujo. São momentos de pico como este, de libertação orgásmica, de hibridismo transformador da "dor dos outros" em esperança para "todos", que eternizam a noção de ascensão e queda, fulgor e inconsequência. Por mais que estiquem os zeros do milhão, os mesmos não tapam a parte descoberta de um país inteiro versado nas artes hedonistas, nos prazeres. Foram os deleites que mataram as florestas. Foram as extravagâncias de uns que abandonaram o interior. Foram os cosmopolitas vibrantes que deitaram fogo à ruralidade em nome da sofisticação cintilante de uma festa de arromba. A silly season está oficialmente aberta.

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publicado às 12:51

Não há democracia sem povo

por Samuel de Paiva Pires, em 16.10.13

José Adelino Maltez, "Democracia sem povo?":


O desafio que se apresenta à comunidade não é apenas uma questão financeira, mas antes um desafio total à própria democracia representativa, porque o representante não é apenas o que recebeu uma autorização para agir por outro, mesmo que seja o povo. Impõe-se que ele tenha uma responsabilização a posteriori, comaccountability, com prestação de contas em sentido amplo, porque há uma diferença entre o que o representante faz (acting for) e o que o representante é (standing for), para referirmos o que ensina Hanna Finichel Pitkin. O Orçamento pode ser aprovado em reuniões técnicas com a troika, ou com os agentes das forças vivas, nomeados para comissões técnicas de acompanhamento, mas uma democracia sem povo não passa de mera democratura.

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publicado às 12:11

Porque se soubesse isto acabava já hoje à noite

por Pedro Quartin Graça, em 03.05.13

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publicado às 07:46

Pedro Passos Caralho Não Acorda

por joshua, em 07.03.13

Ontem, pela milésima vez diante da TV para assistir a mais um debate parlamentar, percebi como somos patetas nas francas expectativas colocadas em cada megamanifestação pacífica, repleta de insultos e pedidos de demissão que não mordem, cartazes-desabafos a vermelho contra a traição dos políticos e o terror pela miséria semeada já sentida ou iminente.

 

Para mudar algo, prioridades, acentos, sensibilidades governativas internas e globais externas, nem que fosse o discurso seco de um Primeiro-Ministro, remetido ao seu etéreo assento de estrelas cristalino, para qualquer coisa de mais afinado com o que sofremos, teríamos de ocupar a rua dias consecutivos, pacificamente, se conseguíssemos, ou suicidar-nos em massa, ou organizar-nos meticulosamente, descobrindo uma unidade semelhante à dos dedos de uma mão. Mas percebi sobretudo como é completamente tonto quer o que um Passos Caralho desta vida tenha a dizer quanto a isso quer o que um verdadeiro paneleiro político como Sócrates disse alguma vez em circunstâncias muito semelhantes. É que nisso são iguais. Lidam connosco, apesar de nós, e tal é imperdoável. Os mundos da rua e da decisão política, sobretudo no pico desta crise cega, mostram-se irredutíveis e não deveria ser assim. Ouvir não quer dizer ceder. Sentir com empatia a dor e a impaciência das massas não leva necessariamente à kryptonite de converter em hesitante e fraca a decisão resoluta do decisor.

 

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publicado às 15:00

A Itália que importa

por João Pinto Bastos, em 25.02.13

Há pouco, numa das minhas contumazes deambulações feicebuqueiras, deparei-me com uma agudíssima análise do Jorge Nascimento Rodrigues, que permito-me citar aqui no blogue: "A verdadeira divisão é entre os que ainda aceitam jogar segundo as regras da troika em diversos graus (Bersani e Monti) e os que, por demagogia populista ou convicção, se opõem, como todos os grupos e partidos que se integram na coligação liderada por Berlusconi ou os integrantes do movimento de Beppe-Grilo (verdadeira surpresa eleitoral, game changer no atual contexto, sendo o segundo partido mais votado, à frente do próprio partido de Berlusconi) (...) Um membro do Partido de Bersani já disse que por este andar haverá novas eleições, como na Grécia. Só que Beppe Grillo não é Siryza e Berlusconi e seus apoiantes não são o PASOK para servir de muleta a Antonis Samaras. È um contexto radicalmente diferente". O cerne destas eleições prende-se exactamente com o facto, estranho para alguns, de Berlusconi e Grillo não serem comparáveis aos actores políticos da desgraça grega. Há diferenças notáveis entre os eurocépticos italianos e os eurocépticos gregos, ainda que a semelhança principal entre ambos reconduza-se ao firme repúdio da actual arquitectura de gestão macroeconómica do euro. O que as eleições italianas patentearam foi uma divisão radical entre os que partilham os postulados merkelianos e eurocráticos de gestão do euro, e os que preferem uma via autonomista que recupere soberania e voz activa na resolução dos problemas políticos e económicos nacionais. Sim, caríssimos leitores, o que está em causa é tão-só saber até que ponto os italianos aderiram ao federalismo aditivado dos eurocráticos de Bruxelas e Berlim. Pelos vistos, a adesão não foi em massa, e por mais que se critique Berlusconi - e eu estou longe, bem longe, de ser um admirador do Casanova cantor -, e muitos fá-lo-ão, uma coisa é certa, o senhor renasceu das cinzas, qual fénix perdida nas ladeiras da proscrição judicial. O futuro será incerto, e as próximas horas, dias e meses revelarão se os italianos estão ou não dispostos a suportarem, silente e calmamente, a dureza austeritária. Algo me diz que não. Mais: esta crise porá a nu, definitiva e derradeiramente, a pobreza política que domina as estruturas políticas europeias. Com que consequências? Só o futuro o dirá.

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publicado às 23:10

A deambulação por alguma blogosfera de referência permite-nos verificar que o ideário liberal, tão incensado e aclamado durante o consulado majestático de Sócrates, é agora virulentamente metido na gaveta. O João Miranda ao qualificar as medidas apresentadas como "uma solução magistral de liberalismo prático", acaba objectivamente por mascarar a realidade, acobertando a total impudicícia ideológica do Governo com um sensaborão arremedo de liberalismo. Não há praticamente nada, pelo menos nas medidas que foram anunciadas e amplamente divulgadas nos media, que permita concluir pela existência de uma orientação política que privilegie a abertura da economia e o florescimento de uma sociedade civil livre e próspera. A única medida que poderia ter esse efeito - a descida da TSU - foi prontamente anulada com a sobrecarga dos mesmos de sempre com um aumento encapotado de impostos. Ademais, afirmar que a despesa pública é cortada - onde? -, e que os obstáculos constitucionais à acção governativa são contornados por este brilhante cardápio de medidas - bem, o João Miranda que me perdoe, mas esta afirmação é digna, parafraseando Vital Moreira, de uma antologia do anedotário político - é, com toda a franqueza, um arriscado exercício de irrealismo interpretativo.

O irrealismo/idealismo não provém, ao inverso do que perora o João Miranda, dos liberais desenganados com a febre extorsionária de meia dúzia de tecnocratas alçados ao poder político. O irrealismo deve ser indagado, isso sim, nos defensores estrénuos de uma estratégia condenada de antemão ao fracasso. O João Miranda comete um erro de palmatória ao tomar a abordagem pragmática e inescrupulosa do Governo, envolta numa novilíngua pseudo-reformista, por liberalismo - pragmático, sublinhe-se. Ao misturar conceitos não intercambiáveis, o João Miranda olvida e camufla o real significado de um conjunto de medidas que mais não faz a não ser consolidar e fortalecer a cultura paternalista que domina o país de fio a pavio. O desvio de energias no sentido contrário ao desejável encontra-se, pois, na apologia da punção fiscal gizada pelo actual Governo.

Seria estulto da minha parte sugerir que o liberalismo em Portugal poderá vir a ter uma ampla margem de aceitação, pelo menos no curto prazo. Numa cultura fortemente marcada pelo espartilho do paternalismo, o liberalismo será sempre malquisto por vastos segmentos da população. Todavia, "a contrario" do que escreve o João Miranda, não creio que a correcção dos problemas que afligem o nosso país possa ser efectuada com uma abordagem pragmática. O pragmatismo em causa não é mais do que uma variante lusitana do célebre adágio lampedusiano de que "é preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma". Qualquer mudança de fundo neste país terá de começar, inelutavelmente, pela célebre "reforma das mentalidades", algo que, desde a geração seareira, tem ficado constantemente por cumprir. Sem isto, qualquer reforma de fundo encalhará na bestialidade do Leviatã lusitano.

P.S.: A última posta do Samuel de Paiva Pires resume, no essencial, o desafio com que estamos confrontados. Sublinharia, contudo, um aspecto que certos comentadeiros têm vindo a esquecer: a falácia do mito do povo de brandos costumes. Partir da assumpção de que o povo português jamais se rebelará contra a agenda austeritária em curso é um erro crasso. Sejamos claros, a resiliência dos cidadãos terá, certamente, um limite, além de que, como afirmou e bem o Samuel, "no contexto de uma década perdida, perante o mais do mesmo do centrão, com o desespero a começar a tomar conta de muitas mentes, vão-se criando condições para a ocorrência de situações social e politicamente perigosas". Menosprezar a possível ocorrência e despoletamento de focos de contestação social é, no mínimo, leviano.

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publicado às 13:51






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