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Ai, os homens!

por João Tavares, em 22.03.17

Isabel Moreira é uma lutadora, é corajosa, é livre, é afirmativa. E quem nos confirma isso, quem é? A própria, como é evidente. A confissão dos seus defeitos escondidos continua: estas deformidades do espírito (a coragem, a liberdade, a firmeza e tal) acabaram por arrastá-la para a solidão, para abstinência ou para o sexo ocasional. Porque os homens são uns malandros, diz, que não admitem uma mulher bravíssima, libérrima, incontrolável, blá, blá, blá. Mas a Isabel não tem preconceitos, não os admite e está cá para os combater – aos preconceitos e aos preconceituosos, esses homens.

 

O exercício de vaidade estava a ter graça, até que Isabel se confessa: «sou uma materialista (em sentido filosófico) e ateia». E lembrei-me logo de Chesterton. O problema dos ateus é substituírem a crença em Deus por crenças estúpidas. A Isabel, pelos vistos, acredita muito em si própria, coitada. Uma maluquinha no parlamento disposta a reencarnar os piores vilões dostoievkianos.

 

O preconceito tem sido mal tratado pelos racionalistas. Preconceitos, ou seja, reacções morais espontâneas, todos têm, felizmente. Talvez os puros, na sua obsessão pela coerência abstracta, vivam mal com isso. Mas Isabel Moreira acaba por morrer do seu próprio veneno («ai, os homens!»). Em caso de dúvida, refugio-me na frase de Miguel Veiga, já agora, um homem livre, corajoso e afirmativo: «reivindico o direito às minhas contradições e a não ter de me explicar sobre isso». Talvez não seja o mais indicado, neste tempo de higienização e de certezas. Mas, por vezes, é uma opção sensata e certamente menos ridícula.

 

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publicado às 14:11

Que descaramento!

por Nuno Castelo-Branco, em 17.08.13

A diferença entre esta preconceituosa pateta recauchutada e este miúdo extravagante, é simples: ela é uma recolectora do esquema vigente, enquanto ele aparenta ser um gastador que talvez involuntariamente dá de comer a muita gente.  Numas tantas penadas, aqui está a verdade.

 

Interesse a quem interessar o estilo de vida do garoto, tanta sandice vinda de quem bem se refastelou na RTP, não deixa de ser um sintoma bem típico do actual estado de coisas. Um dia destes, alguém terá de se lhe dirigir com mesmo termo você que a fulana emprega e perguntar-lhe:

 

- Você não se enxerga? 

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publicado às 21:09

G. K. Chesterton, Disparates do Mundo:

 

«Em suma, a fé humana racional tem de ser armar de preconceitos num tempo de preconceitos, da mesma maneira que se armou de lógica num tempo de lógica. Mas a diferença entre estes dois métodos mentais é profunda e inequívoca. O essencial desta diferença é o seguinte: os preconceitos são divergentes, enquanto os credos estão sempre em colisão. Os crentes chocam uns com os outros, enquanto os preconceituosos se afastam uns dos outros. Um credo é uma coisa colectiva, e até os pecados correspondentes são sociáveis. Um preconceito é uma coisa privada, e até a correspondente tolerância é misantrópica. É o que se passa com as divisões que nos separam: não se cruzam. O jornal dos conservadores e o jornal dos radicais não respondem um ao outro: ignoram-se um ao outro. A controvérsia genuína, uma controvérsia séria mantida na presença de um público comum, tornou-se hoje uma coisa muito rara. Porque o homem que a ela se dedica com sinceridade é acima de tudo um bom ouvinte. O verdadeiro entusiasta nunca interrompe: ouve os argumentos do inimigo com a mesma atenção com que um espião ouve as combinações do inimigo. Mas, se o leitor tentar manter uma discussão com um jornal que defenda ideias políticas contrárias às suas, verificará que não há meio termo entre a violência e a fuga; que a única resposta que recebe são insultos ou silêncios. O moderno director está proibido de ter aquele ouvido atento que acompanha a língua honesta. Pode ser surdo e silencioso - e a isso chama-se dignidade; ou ser surdo e ruidoso - e a isso chama-se jornalismo contundente. Em nenhum destes casos há controvérsia porque o objectivo dos actuais combatentes partidários é disparar de fora do alcance do tiro.»

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publicado às 13:44






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