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Atentado na Catatonia

por John Wolf, em 19.08.17

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Enfrentamos um falso dilema ideológico. Os governos de Esquerda invocam que a sua natureza não é securitária. Defendem as liberdades individuais e o direito à criatividade, mas sabemos - porque a história é tramada e não mente (embora existam revisionistas!) -, que foram também regimes estalinistas e que são regimes de inspiração maoista que mais controlam (ou controlaram) os seus cidadãos. Os atentados de Barcelona remetem-nos para a Catalunha, e simultaneamente para a catatonia, ou seja, a forma de esquizofrenia que se caracteriza pela alternância de períodos de passividade e de excitação repentina. O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa diz que "não há razões para alarmismos" e, deste modo, preenche uma das metades do estado catatónico. António Costa também lá anda na mesma ala de prejuízo e inconsequência. A geringonça, que saúda a estirpe revolucionária de um Manuel Alegre inspirador, tarda em dar conta do recado. Portugal está à mercê, pôs-se a jeito. Enquanto deglutem as mortes da avó e da neta, esquecem a geração do presente, aquela ensanduichada na mesma irresponsabilidade que grassa de Pedrógão a Tancos. A Esquerda ainda julga que existe um oásis moral, uma reserva intangível. Será expressamente proibido efectuar controlos aleatórios de cidadãos nas ruas pejadas de turistas. Está completamente vedada a colocação de barreiras físicas nas portas da Rua Augusta. É totalmente inconcebível colocar militares na ruas. Porque tudo isso é obra para o diabo  - a Direita que deve carregar o regime securitário às costas. Quem disse que a festa do Avante não é um soft target? O governo está à espera que elas aconteçam. Desse modo, pode alinhar-se com os países civilizadamente evoluídos que já viram os seus corações destroçados. Até uma criança pode entender o guião, a argumentação subjacente. Estão à espera de um estoiro de dimensão assinalável para poderem justificar as tais medidas securitárias. Inventaram a figura de estado de calamidade preventiva, mas não pescam nada de nada do mundo perigoso em que vivemos. Tenham cuidado. Ninguém vos protege. Estão sós. Estavam.

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publicado às 19:47

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Dirão eles, sócios-gerentes da Geringonça, que é melhor que nada. Mas em abono da verdade é mais que nada. É mais que zero. É mais que nulo. É mais que inexistente. Mas mais valiam ficarem quietos. Vieira da Silva congratula-se pelo assinalável aumento de pensões de mais de 2 milhões de contribuintes. Incrementos que oscilam entre a unidade de euro e um pouco mais de um trio da divisa. Mas se quer fazer o gosto ao dente, se é bom garfo, fique a saber que também estão consignados 25 cêntimos no que diz respeito ao subsídio de refeição para funcionários públicos. É obra, é uma maravilha. Com tanta folga orçamental, com tanto sucesso fiscal, seria expectável que as subvenções fossem efectivamente palpáveis, melhores. A culpa do desequilíbrio está na encomenda sucessiva de pareceres, estudos prévios e festivais da canção. Os 25 cêntimos rimam com o tecto falso dos 25 mil euros da fasquia automóvel - poesia. O subsídio de refeição, conferem eles, estava congelado há mais de 9 anos. Mais valia que assim ficasse. No frio, fossilizado. Agora podeis ir de férias descansados. A segurança financeira está assegurada. A Geringonça é um mãos largas.

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publicado às 17:32

Sucedâneos de demissões

por John Wolf, em 09.07.17

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O povo (e a oposição) gritava por sangue e (demissões) por causa das mortes resultantes dos incêndios de Pedrógão Grande e do assalto aos paióis de Tancos, mas o governo não respondeu à letra. Nem a ministra da administração interna nem o ministro da defesa arredaram pé. A geringonça, chica-esperta, desde a primeira hora do seu governo, vai encontrando modos de dissimular as contradições e distrair do essencial. Ao oferecer este peixe-miúdo, estes três secretários de Estado para abate de funções, pensa enganar um país inteiro com sucedâneos de demissões que deveriam naturalmente e inequivocamente acontecer. Colocar na faixa ética as viagens à pala para acompanhar a selecção nacional de futebol e não colocar a tragédia de Pedrógão e o assalto a Tancos revela o miserabilismo moral e a  total falta de escrúpulos dos actuais governantes. Mas existe ainda uma outra hipótese. Pode ser que os secretários de Estado Rocha Andrade, Costa Oliveira e João Vasconcelos saibam que vai haver chatice da grossa e que mais vale saltar do barco antes deste afundar. Parece-me muito estranho que este dossiê caia assim de paraquedas como se para calar a oposição e os detractores do governo. Deste modo a geringonça pode dizer, se perguntarem, que também sabe demitir ou exonerar, cortar ou cativar. Enfim, parecem tão certinhos e eticamente movidos, mas isto não passa de show de bola. Lamentável.

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publicado às 19:56

Se Pedrógão fosse no Texas

por John Wolf, em 26.06.17

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Sou apenas mais um que ignora os factos. Sou um mero papalvo que aceita as patranhas. Sou um sobrevivente da calamidade - e estou à mercê do estado de graça de Portugal. Se fosse no Texas seria bem diferente. Ao mero indício de falha de um sistema de comunicações, e à luz dos cidadãos mortos pela incompetência e irresponsabilidade políticas, os familiares das vítimas já tinham movido um processo ao Estado Português. O governo da república sabe que do outro lado da barricada está gente pequena, minifundários, almas sem grande poder de fogo para ripostar. Mas há bastante mais. Há o negócio volumoso que o SIRESP envolve; os contratos, os financiamentos, as contrapartidas. Não sei quantas centenas de milhões de euros este matrix das emergências já consumiu, mas "algum" do dinheiro tem proveniência externa. A União Europeia (UE), essa entidade reguladora por excelência, parece o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português - não se pronuncia sobre putativas responsabilidades políticas. O esclarecimento cabal de que fala António Costa não pode nascer a partir de uma comissão de inquérito de um concelho socialista como Pedrógrão Grande. Tem de ser a Comissão Europeia a iniciar um processo que extinga todas as dúvidas sobre o SIRESP; quanto dinheiro foi lá metido? E quanto terá escorrido para bolsos alheios? Finda essa parte instrutória, a "judicialidade" da UE deve determinar o grau de culpa do Estado Português e distribuir sanções e multas. Com os da casa isto não vai lá. Querem enrolar-nos a todos.

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publicado às 10:46

Lobbying em Portugal

por Samuel de Paiva Pires, em 25.06.17

Não sou adepto daquele estafado provincianismo que acha que o que se faz lá fora é que é bom e tem de ser importado para Portugal. Mas neste caso, basta olhar para as realidades de Bruxelas, Londres ou Washington para compreender que um regime de transparência na actividade de representação de interesses seria um saudável desenvolvimento que melhoraria a qualidade da nossa democracia. Bem, portanto, o CDS, o PS e o PSD. Já os "argumentos" de BE e PCP são de uma pobreza atroz.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 15:03

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Em dia de denúncia dos Acordos de Paris por Donald Trump faço um compasso de espera e atiro noutra direcção. No âmbito da cimeira da NATO, Trump puxou as orelhas aos parceiros europeus e reclamou que estes deveriam aumentar a sua parada monetária na organização de defesa. Os membros da Aliança Atlântica deveriam pagar mais, pelo menos 2% dos respectivos Produto Interno Bruto (PIB). Torna-se curioso, e não menos relevante, que Portugal, sob a batuta de um governo de Esquerda, tenha de facto incrementado a sua prestação à NATO de 1.32% para 1.38% do PIB. No entanto, não me recordo do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português terem batido o pé. Gostava de saber qual foi o preço do seu silêncio. Os socialistas devem ter negociado um arranjo qualquer nos bastidores. Não sei qual foi a moeda de troca, mas houve mais recursos atribuídos à NATO desde que a Geringonça abarbatou o poder. Por outras palavras, Portugal já vinha alinhado com o pensamento geo-estratégico e financeiro de Trump. Guterres, nas últimas 24 horas, já foi particularmente vocal em relação aos vazios de poder que decorrem da denúncia de acordos respeitantes ao clima, mas neste jogo de correlações das diversas dimensões de projecção de poder, talvez ainda não tenha percebido que os Acordos de Paris serão uma mera divisa para exercer pressão noutros palcos. Para cada ponto verde comprado por corporações para calar detractores quantas vidas efectivamente se perdem? No tabuleiro de Realpolitik não existem deuses e demónios, bons e maus, de um modo linear. Talvez o agitar dos fundamentos dos Acordos de Paris sirva para rever as suas premissas e o seu caderno de encargos. Veremos como a Europa, tolhida por crises internas e dúvidas existenciais, consegue ou não esboçar um plano B. Talvez Merkel tenha razão. Os EUA já não fazem parte da equação de favas contadas, já não são best friends forever. E há mais. De cada vez que o governo de António Costa glorifica o magnífico crescimento económico, está de facto a aumentar o financiamento de Portugal à NATO. Ou seja, são os turistas que estão a tornar Portugal um país militarista. São eles que estão a aumentar as receitas, e consequentemente o PIB. Pois é.

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publicado às 16:12

As faixas de rodagem da Geringonça

por John Wolf, em 29.05.17

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Existem várias faixas de rodagem que a Geringonça ocupa. Temos uma via mais à Esquerda onde acelera Catarina Martins, mas que segue em contramão, em sentido contrário a Centeno. A condutora do Bloco de Esquerda dá umas valentes guinadas alcoolizada pela miragem de mais apoios à Segurança Social e invocando a pobreza infantil a ver se pega de empurrão. Enquanto essas manobras decorrem, a viatura de Costa declara na portagem que não haverá alterações nos escalões do IRS e que os cortes nas reformas antecipadas podem chegar aos 14%. Ainda nessa estrada de considerações aparecem mais umas lombas inconvenientes. Na estação de serviço seguinte dizem que o descongelamento das carreiras na função pública terá de ser faseada. Por outras palavras, com tanta derrapagem de intentos, não saímos do mesmo lugar, e apesar do caminho percorrido, parece que estamos no auge de 2013. O próprio dono das auto-estradas, o italiano Mario Draghi, manda parar os encartados do governo, e avisa: o crédito malparado na banca é um problema para o motor que dizem já estar em velocidade de cruzeiro, imparável. Mas atenção, com tanta rotação, o motor ainda gripa, e como são todos excelentes mecânicos, a máquina sai da oficina a deitar fumo branco pelo escape de argumentos orçamentais. No entanto, existe uma probabilidade muito grande de isto tudo ser um problema da cabeça ou do alternador de políticas que mais convêm para enganar o povo. Apesar da luz, vejo túneis ao fundo.

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publicado às 20:04

A cultura da chulice no governo geringonço

por John Wolf, em 27.05.17

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Assim à meia-volta, sem rodeios e eufemismos - Portugal tem tradição de chulice laboral. Quantas vezes, ao longo de várias décadas de existência laboral nos mais diversos sectores, fui aliciado para trabalhar para aquecer. Irei mais longe. Tantas vezes tentaram, sem êxito, convencer-me que tinha muito a ganhar com determinadas prestações, mas que não significaria ganhar dinheiro. Não confundamos o favor voluntário que se presta a um amigo, de livre e espontânea vontade, com o abuso de posição dominante no quadro profissional. Os precários-escravos, a que chamam de estagiários nas empresas, e pelos vistos no próprio governo, contribuem para a manutenção desse costume de exploração laboral. O que se passa nem sequer se inscreve nos meandros da compensação rasante da padaria portuguesa. Falamos de indignidade e desrespeito pelo esforço intelectual, mensurável em termos objectivos, qualitativos, quantitativos e monetários. Podem meter os estágios curriculares na gaveta e a experiência profissional naquele sítio. Os jovens que se sujeitam a este género de sevícias há muito que deveriam ter ido para a rua para armar confusão de indignados. Mas não podem porque existe uma dimensão que está a ser omitida nesta narrativa. Aqueles lugares de estágio estão reservados a filhos e enteados, filiados e rebentos saídos de associações académicas com bandeiras partidárias favoráveis. Não seria de todo despropositado nomear uma comissão de inquérito parlamentar para desparasitar de vez os organismos que fazem uso desta prática abusiva de troca diferida de favores. Os jovens que para ali vão trabalhar para aquecer, sabem que mais dia menos dia farão parte do clube - serão integrados. E um dia mais tarde, quando forem crescidos, poderão exercer o mesmo magistério de subjugação "pro bono" a nubentes sortidos de um qualquer grémio de recrutamento político.

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publicado às 20:25

Geringonça governa sem Dívida Pública

por John Wolf, em 25.05.17

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A Geringonça anda alegre e contente como se a dívida pública não existisse. Carlos César avisa sobre os perigos de embarcar em euforias. Mas será isto que o atormenta: o serviço de dívida pública? Não obstante as tentativas do seu branqueamento, o agravamento do mesmo não pode ser camuflado por todas e quaisquer manobras do governo de Portugal. Os juros de títulos de dívida são um monstro que nenhuma acção de marketing político pode escamotear - é o mercado que os determina. Os excelsos 2.8% de crescimento económico e a saída do Procedimento por Défice Excessivo são facilmente derreados pelo encosto nefasto da dívida pública. Fingir que não se sofre de uma doença é uma patologia em si. Mas o mais dramático desta modalidade de abstinência governativa é efectivamente adiar a catástrofe ao passá-la para gerações seguintes. O governo de António Costa pensa numa lógica de curto prazo e omite intencionalmente a parte que não lhe interessa. E a única forma de contrariar a escalada de dívida é através do genuíno crescimento económico, alicerçado no investimento público e no retorno que o mesmo proporciona. Os privados, que têm sido os principais investidores, gerarão receitas que serão intensamente atractivas para governos de Esquerda que sustentam as suas casas na tributação alheia - ou seja, no abarbatar daquilo que não lhes pertence. O Estado que deveria dar o exemplo de iniciativa económica, está a perder a corrida e rapidamente deixará de se pagar a si mesmo. Os governos, que vão e vêm, assumem essa falência como sendo um problema que não lhes pertence. O último que feche a porta, apague as luzes e repita a mesma mentira que parece sempre funcionar. Os portugueses, elogiados pelo seu espírito de abnegação, caem sucessivamente na mesma esparrela de engano e decepção. Vezes sem conta. Sempre a doer.

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publicado às 13:23

A Joana Vasconcelos do PS

por John Wolf, em 05.05.17

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Se há coisa que me irrita é arrogância e falta de inteligência. A número 2 do partido socialista Ana Catarina Mendes padece de ambas as maleitas. Pode repetir as vezes que quiser "o partido socialista", mas deve acrescentar, "perdeu a Câmara Municipal do Porto." Ainda não percebi muito bem por que razão a rapariga foi promovida ao mais alto grau de incompetência política. Por mais que insista na ideia de representatividade dos socialistas e sublinhe a superior vocação moral do seu partido, a verdade é que Rui Moreira não precisa deles para nada. Fez obra - a obra fala por si. Os mexilhões do Largo do Rato podem agitar o Bolhão, mas o caldo já está entornado - podem acenar e dizer adeus ao Porto. Agora apenas resta o Simões prometer umas valentes bofetadas ao Moreira. Primeiro temos a Vasconcelos a dizer que aquela coisa não tem nada a ver com o seu terço, e agora temos a Mendes que diz que tem tudo a ver com o partido socialista. Ora veja este rosário.

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publicado às 19:57

Macronóscopia

por John Wolf, em 24.04.17

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Arrisco mais uma vez com palpites sobre o resultado final das eleições presidenciais francesas. O meu track-record recente é deplorável. Enganei-me com o Brexit e estampei-me com Hillary. Ou seja, não ofereço garantias do que quer que seja. No entanto, avanço com alguns cenários conceptuais, com um modelo operativo ideológico questionável. Assumindo a vitória final de Macron devemos levar em conta o seguinte. O Emanuel tem de cantar uma parte da cantiga pop. Afinal foi mais de 20% do eleitorado que escolheu Le Pen nesta primeira ronda, e nessa medida, como em semelhante medida de um choroso socialista Fillon, Macron terá de acomodar vontades e desejos que não os seus. Nesse terreno alegadamente amorfo de centralidades ideológicas, se Macron for de facto o próximo presidente, terá de incluir uma parte da agenda patriótica de Le Pen, outra parte socialista-tributária-penalizadora de Fillon, e agradar ao firmamento financeiro de onde provém, onde fez escola na banca de investimento. O pilar de desmontagem da globalização de que se serve Le Pen não é totalmente descabido. Afinal, foi em nome da eficiência produtiva que a mesma avançou e simultaneamente cavou o fosso largo de justiça económica e social, entre abastados e nem por isso. Nesta panóplia de considerações a ter em conta, Macron formará a sua presidência numa espécie de geringonça atípica, ou, traindo os intentos enunciados, e nesta ante-câmara de derradeira campanha política, assumindo sem pudor o espaço ocupado por Le Pen. Os socorristas Fillon ou Hamon, ao fazerem-se ao piso de Macron, servem duas causas; por um lado procuram derrotar Le Pen, e por outro lado entusiasmam-se com a possibilidade de serem recrutados politicamente. Em todo o caso, devemos levar em conta que as ocorrências francesas determinarão novas ordens. No plano doméstico da nação gaulesa, mas sobretudo ao nível da arqueologia da União Europeia (UE) que ainda vive a ilusão das grandes famílias políticas europeias. Embora se sirvam com saudosismo de grandes chavões de referência e figuras abstractas, a verdade é que muitos terão de mudar de chip rapidamente. Portugal, mas sobretudo os socialistas cá do burgo, em vésperas de comemoração democrática-revolucionária, terão de encontrar figuras de referência no algo decadente quadro socialista pan-europeu - os socialistas franceses não estão disponíveis, não servem para grandes ideários. Não esqueçamos que existem muitos que desejam a eutanásia da UE, o desfalecimento endémico do projecto. Encontramo-nos sem dúvida num momento chave da história da Europa. Mas tardamos em encontrar a porta certa neste labirinto de possibilidades.

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publicado às 20:38

The Moreira case-study

por John Wolf, em 12.04.17

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Tenho fama de distribuir chapada a torto e a direito - mais à esquerda do que à direita -, para ser coerente e honesto, mas aprecio casos de sucesso. Escuto com a devida atenção as histórias daqueles que ousaram romper com as regras da casa, aqueles que têm uma visão que transcende as formatações de quadros mentais estanques. O Presidente da Câmara do Porto Rui Moreira deve servir de farol para a construção de um novo ADN político. O homem do Norte não deve ser apenas daquela região. A declaração peremptória de que não haverá  jobs for the boys deve fazer parte do caderno de encargos de todas as agremiações políticas. E aqui não faço distinções. A farinha é a mesma seja qual for o saco de interesses partidários. São comunas que metem a cunhada Aliete no serviço. São sociais-democratas que lançam o Martim na banca. São socialistas que enchem de afilhados os corredores da PT. O que Moreira afirma é, em certa medida autofágico, mas obrigatório. É a promiscuidade e a proximidade de interesses que esmaga a excentricidade criativa do mérito desfiliado. É o incesto partidário que produz aberrações. Mas é sobretudo o fundamentalismo ideológico que mata e mói nesta ordem invertida. Rui Moreira declama qual o seu campo de crenças, com toda a naturalidade, mas não cerra fileiras. Abre a vedação. Professa uma salutar forma de ideologia civil. E quanto às obras no Porto. Onde está o pó das autárquicas? Também irão a votos.

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publicado às 10:59

Palavra de honra de Martins e Sousa

por John Wolf, em 03.04.17

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Não sei que contrapartidas a Geringonça negociou com o PCP e o BE, mas deve ter pago uma nota alta. Jerónimo de Sousa e Catarina Martins partilham a mesma cábula - estão desagradados com a venda do Novo Banco, mas deixam seguir para bingo. E afirmam que quem pagará pelos danos serão os portugueses -, os suspeitos do costume. O pequeno património político dos comunistas e bloquistas corre riscos. Até parece, ironicamente, que houve outra operação de compra. Aparentemente António Costa adquiriu uma posição do PCP e o Partido Socialista uma quota da sociedade bloquista. No entanto, os dois partidos marxistas correm sérios riscos na secretaria, na urna das próximas eleições - há quem não se impressione com lágrimas de crocodilo. Ficarão associados a um governo de falso-fim da Austeridade, a uma administração facilitadora de benefícios para instituições financeiras amigas e pouco amiga de processos demorados de justiça. Se Martins e Sousa não fossem apenas garganteiros, já teriam tirado o tapete por debaixo dos pés da Geringonça. Aqueles dois podem escrever nos respectivos currículos que foram os principais subscritores da venda do Novo Banco ao Lone Star. Viabilizaram o projecto neo-liberal, especulador. Entregaram um banco aos americanos. E como sabemos, tudo o que é americano é Trump.

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publicado às 07:45

Bustos, Boris e Santos Silva

por John Wolf, em 31.03.17

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O ministro dos negócios estrangeiros Santos Silva gostava que lhe fizessem um busto. Como não tem grande importância no palco das grandes decisões internacionais, põe-se a dourar a pílula da sua influência. Boris Johnson telefonou ao seu homólogo para pedir socorro na hora do Brexit - hahhahahahhahahahahahahahhaah! Em nome do tratado de Methuen, e quiçá da Rainha e do Eduardo VII, Portugal está a ser aliciado para trair o clube da União Europeia. No entanto, levanta-se outra hipótese. A influência da princesa Catarina Martins deve ser de tal ordem que deu guia de marcha ao súbdito Santos Silva no sentido de este se alinhar para uma eventual saída de Portugal do Euro e, quem sabe, da União Europeia. O responsável pela pasta dos assuntos externos tem de clarificar a posição de Portugal - are you in or are you out? Já temos uma guerra texana em curso entre Trump e Juncker, e Portugal pode adoptar uma fórmula dúbia e oportunista do passado - jogar nos dois lados do tabuleiro como fez na segunda Grande Guerra. São considerações respeitantes à fidelidade ou a falta dela que devem ser tidas em conta. Portugal faz parte de que continente político? Aos meus olhos, a geringonça já inverteu a pirâmide. São os comunistas e os bloquistas que mandam. Santos Silva não passa de uma fachada, de um busto.

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publicado às 07:42

O terrorismo doméstico de Barcelos

por John Wolf, em 26.03.17

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Começo pelo caso de violência doméstica que envolveu Donald Trump. Foram parentes próximos do seu Partido Republicano que lhe deram umas valentes castanhadas. Não foram estranhos. Foram "militantes" que, em nome de outras crenças, abandonaram o "camarada" naquela hora díficil de revogação do Obamacare. Não seria interessante, em nome de Abril, da democracia e das balelas de liberdade de expressão que por aqui grassam, que uns quantos socialistas virassem o prego às intenções da Geringonça? Não seria democrático e vibrante? No entanto, temos exemplos bicudos de dissonância partidária neste país. Penso em Campelo, penso no queijo Limiano e penso no triste desfecho dessa ocorrência - nos saneamentos e exclusões. Enfim, fico-me por aqui. Acho que conseguem pintar o resto do quadro. Não preciso de acrescentar grande coisa ao estado da arte partidária em Portugal. O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português têm superado as minhas expectativas - são frouxos, fracos. Deixaram-se levar e fingem a discordância para primeira página de matutino - mais nada. Mas adiante, passemos ao berbicacho seguinte. A violência doméstica em barda, que Portugal oferece aos jornais da TVI e CMTV, prova o seguinte; quem não tem cão, caça com gato. Os americanos, que são os campeões da venda retalhista de pistolas Colt e espingardas Winchester, não são tidos nem achados nestas histórias. Em Barcelos e Ovar bastou a faca. Nem foi preciso o alguidar. Em Barcelos foi uma coisa de brio, Briote, de seu nome. Em Ovar, foi algo esmerado, foi em Esmoriz. Pelos vistos não são necessários refugiados sírios nem fundamentalistas islâmicos para dar conta do recado - decapitar, degolar. As celúlas de violência doméstica abundam em Portugal ao ponto de se poder designar o flagelo de terrorismo doméstico. Os políticos de brandos costumes e as assistentes sociais que apregoam a reintegração social dos infractores com cadastro firmado são sempre os derradeiros responsáveis - não têm culpa das bofetadas. De nada servem as desculpas dos problemas de bebida, e da miséria económica e social dos agressores, para justificar a clemência e o encosto judicial incipiente. Assistimos a uma guerra civil com contornos preocupantes. Tinham sido os socialistas, quando estavam na oposição, que apontavam o dedo ao PAF como responsável pelo descalabro moral do país. Pois bem, agora que é tudo um mar de rosas de recuperação económica, melhoria nos níveis de desemprego, défices que já dobraram a fasquia dos 2,1%, nada disto deveria acontecer -  a paz deveria ser plena e inequívoca. Contudo, o guião de instabilidade emocional continua a prevalecer. O português suave continua a ser aquela história da carochinha. O assassino, que era pacato e boa pessoa lá no café da aldeia, vai à praia dar umas passas inofensivas e depois enterra a beata no areal.

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publicado às 12:16

Nossa Senhora da Geringonça

por John Wolf, em 10.03.17

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A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a transformar-se no Titanic daqueles que exultam as virtudes da coisa pública. No entanto, o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português podem esconder-se por detrás daquela aparição - a Nossa Senhora de Geringonça. Essa sumidade política ainda vai servir para muita ilusão, mas sobretudo para descartar responsabilidades quando efectivamente for a doer. Quando a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu ou as agências de rating avançarem com as homílias penosas, elencarem os tabus e os pecados, descreverem a gula e ganância ideológicas, as vergastadas seguir-se-ão. Bem feitas as contas são mais do que sete devaneios. O mártir Domingues é apenas uma personagem do santuário bancário. No mostrador existem mais santos e pelo menos um trio de beatas. Enfrentamos sérias questões agnóstico-financeiras. Ou acreditamos na liberdade de expressão monetária ou somos levados pelo engano e pelas crenças impostas pela cartilha de um programa de ajuste de contas político, uma revanche. Porque, para todos os efeitos de guerrilha partidária, a CGD poderá ser o Judas da santa trindade governativa. A casa vendida pelo diabo por um módico agudo. Não são rosas, senhores. São 3 mil milhões de euros que ardem no inferno. E ireis pagar.

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publicado às 07:17

Wild Orange

por John Wolf, em 03.03.17

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Afigura-se-nos difícil estabelecer um template credível, um modelo operativo que revele algum teor de previsibilidade. Por algum motivo o processo eleitoral holandês tem sido tratado como um jogo de uma liga secundária de interesses. Os olhos postos em Fillon, Macron e Le Pen, a cabeça virada a Brexit, confirma o grande desarranjo europeu. A União Europeia (UE) e os seus ilustres comissários e presidentes de conselho fingem que nada se passa e que os valores nucleares da arquitectura comunitária nunca poderão ser postos em causa por lideres de nações com pouco mais de 8 milhões de habitantes. O valor de face atribuído à geringonça pela UE é semelhante àquele atribuído ao holandês Geert Wilders. Mas os políticos europeus estão equivocados. Não estamos num jogo de soma-zero, em que a saída do Reino Unido da UE se poderá colmatar com a entrada de outros. Ideologicamente, passa-se quase a mesma coisa, semelhante engano. Uma tirada à Esquerda não anula um tiro em cheio à Direita. Contudo convém levar em conta as razões politicamente invocadas. Assistimos, efectivamente, ao fim do espectro ideológico tal e qual como o conhecíamos. Assistimos à caducidade do paradigma de construção política convencional. São sobretudo subtilezas de posicionamento que não têm sido apreendidas no decurso da presente revolução em curso. Podemos confirmar um certo hibridismo volátil, no modo como os pretensos neo-lideres procuram sustentar os seus projectos fazendo uso de elementos materiais e simbólicos de todos os campos ideológicos. Trump, numa óptica analítica, foi ao rancho dos democratas aprovisionar-se das suas ferramentas e, com algum talento, converteu as suas deficiências em força. Nessa medida, e invertendo a extrapolação, a geringonça, se quiser sonhar com alguma continuidade efectiva e honrar a estabilidade vendida por Marcelo, terá, na sua expressão política, de integrar obejctivos de outros terrenos políticos e partidários - sejam adversários  ou concorrentes. No jogo de puxa e empurra, a CGD ou a saga das Offshores são apenas divisas de um conceito de representatividade e disputa de poder mais alargado. O mesmo terá de acontecer nos EUA. Trump, invariavelmente, terá de acomodar os anseios do Congresso, por forma a credibilizar a sua acção. A UE, que tem evitado a federalização do seu projecto, não tem ao seu dispor efectivos organismos de checks and balances - tem sanções e procedimentos por défice excessivo, de índole técnica e financeira, mas, na substância e no espírito do projecto europeu, existe muito pouco que pode fazer. A multiculturalidade não é apenas uma máxima que se aplica aos povos.  A UE alicerçou a sua construção na ideia de diversidade ideológica e política. O que acontecer na Holanda no dia 15 de Março produzirá o mesmo eco de sempre, a relativização da urgência dos dramas que assolam a Europa. Qualquer devaneio do mainstream, perpetrado pela Holanda, será tratado com a mesma indiferença. A laranja, por mais selvagem que seja, não interessa muito aos mercados, à economia, ao dinheiro de quem aposta no melhor retorno possível para o seu investimento. E as casas de apostas têm falhado redondamente.

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publicado às 20:46

A geringonça e o SMS do Benfica

por John Wolf, em 15.02.17

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Não me vou armar em comentador de futebol. Pesco muito pouco do jogo. Para impressionar os mais distraídos, e fazer gala, declaro que fui comentador do Eurosport para disciplinas equestres. E mesmo tendo praticado hipismo durante 30 anos, e humildemente competido em Dressage, afirmo categoricamente que o que sei corresponde a uma gota no oceano. Foi pela mão de um grande comentador de Futebol, por sinal sportinguista, que fui parar ao Eurosport, de 1999 a 2004 - esse senhor chama-se Rui Tovar. Para além de ter sido um profissional absolutamente brilhante, tinha outras qualidades - era um cidadão vertical e foi um grande amigo. Feito o preâmbulo e rendida esta pequena homenagem a um genuíno jornalista, passemos ao dia seguinte ao jogo da Champions League entre o Benfica e o Borussia de Dortmund. É notável como a política imita a bola ou vice-versa. O desempenho do Benfica ontem assemelhou-se à performance da geringonça. O Benfica mentiu em campo, mas foi capaz de enviar um SMS para o fundo da baliza do adversário. A equipa não existiu nas duas metades dos campo, nem nas duas metades do encontro, mas foi capaz de fazer o balancete pender a seu favor. Tudo isto é muito parecido com a prestação do governo de António Costa que, pesem embora as deficiências estratégicas de vulto, no jogo de dissimulação parece enganar a realidade como se estivesse estado no mesmo campo de ilusões. Se formos criteriosos e objectivos, analíticos e desprovidos de paixão (ressalva: não faço parte de clubes de futebol, nem das artes e letras - dou toques a meu bel prazer e bato da bola como quiser), sabemos todos que o Benfica não se aguentará em terrenos borussianos porque depende da tômbola. Nessa medida, a geringonça é uma fotocópia desse estado de arte. Vive da impressão rápida, depende da anulação de SMS e nem sequer sabe usar o Twitter. O problema, no entanto, não se restringe à matéria em si, aos factos. Os relatadores e alegados jornalistas continuam a contribuir com doses maciças para um estado anestésico e de decepção - douram a pílula e querem que o espectador engula a ficção alternativa - Não, não tombou nenhum gigante da bola. Como disse, não percebo de futebol, mas o Benfica não foi capaz de se organizar nem de um modo defensivo nem de um modo ofensivo (o meio-campo nem sequer menciono), e ficou dependente de um guarda-redes de extremos - ora defende magistralmente, ora comete erros infantis. A soma do executivo de Pizzi ou Salvio, ou Mitroglou, as estrelas da companhia, colocou em evidência o socialismo equilibrado e eficaz do Borussia de Dortmund. Não reparei num Centeno de proa naquela equipa alemã nem vi outros delfins a dar ares da sua graça. A equipa alemã falou a verdade justa e equitativa. Teve comportamento de um bloco sem bicos sem mentiras, enquanto o Benfica foi neo-liberal e especulou. Mas não investiu. Colocou as fichas em cima da mesa e deixou-se levar pela toada de um partido organizado. É o que eu digo. Não percebo de futebóis. Deixo-me sempre descair para a política. Como um trinco.

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publicado às 15:17

Centenos alternativos

por John Wolf, em 06.02.17

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Os números apresentados pela OCDE são Centenos alternativos. Não passa tudo de notícias-faquir (tradução livre de fake news). São apenas mentirosos-populistas que andam a inventar estas balelas. O investimento em Portugal é o maior dos últimos dois séculos e as reformas estruturais são hiper-estruturais. E a banca não vai custar nada aos contribuintes. Vai ser de borla, grátis. Agora toca a beber o leitinho. Xixi, cama.

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publicado às 18:15

Rex-T e o Embaixador Sherman

por John Wolf, em 02.02.17

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Vamos todos sentir saudades do embaixador Robert Sherman. Ao longo da história da representação diplomática dos EUA em Portugal, nunca tinha havido um chefe de missão tão próximo da cultura local. Ele era Selecção Nacional, ele era passeio de Motards a Évora, ele era embaixador para portuguesa e português sentirem de perto e apertarem a mão. Os fregueses, expostos a esse conforto, até se esqueceram de Carlucci e da mão invisível de Soares a negociar saídas ideológicas. Com a dança de cadeiras em curso na administração americana, a ver vamos quem "Rex-T"- Rex Tillerson (não confundir com T-Rex) amanha para o posto lisboeta. Embora a base dos Açores tenha já sido mungida e agora libertada de encargos maiores, prevejo uma guia de marcha que aponta para a inversão do sentido, o recrudescimento da sua vitalidade à luz da sua imprescindibilidade. Os pauletas até agradecem. A economia local também agradece. Uma eventual reactivação efectiva dessa base militar de importância geométrica variável acarreta, no essencial, consequências que escapam ao controlo de Portugal. Torna a Lusitânia aliada efectiva da doutrina Trump que se estende a novas polaridades de fricção como o Mar do Sul da China ou a Austrália. A ver vamos, quando as coisas aquecerem, e for nomeado um embaixador à medida de Trump, como os parceiros do BE e PCP irão coçar as orelhas quando o PS baixar as calças e deixar passar a banda da NATO. Estimo que uma frota de F16 de geração duvidosa esteja a caminho de Portugal para, volvido pouco tempo, no desfecho de nova bancarrota, ser remetida para amigos romenos que a leva ao desbarato. A ver vamos quem metem na embaixada dos EUA em Lisboa. Um cowboy da meia-noite? Acabaram-se os videos de incentivo. Agora cada um está por sua conta.

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publicado às 20:07






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