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Não é preciso ser o bruxo de Fafe, nem saber a letra do hino pão, pão, paz e liberdade, para entender que o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE) têm os lugares em risco na selecção da Geringonça. O actual mister dos socialistas anda de olho no avançado Rio, desfazendo-se em elogios à convocação do novo lider da oposição. Para quem sobrevive com as sobras eleitorais de legislativas e transforma derrotas em maiorias e governos, a jogada é um clássico. O esquema táctico pode passar num ápice de um 1-1-1 para um 1-1. O galanteio de António Costa pode até ser considerado uma forma de assédio ao social-democrata Rui Rio. O que o primeiro-ministro deseja, mas nem ao Rato confessa, seria que o camarada do Partido Social Democrata deixasse cair uma parte da nomenclatura dita liberal daquele partido e se convertesse à sua igreja, que fosse adoptado pelos socialistas como se de um orfão se tratasse. Por outras palavras - que se convertesse à religião da Esquerda iluminada. Mas para chegar a tal bloco de notas e realizações falta algo atípico - que Costa se comece a inclinar à Direita e a seduzir uma parte do espectro laranja. Face a estas movimentações e indícios de traição, o PCP e BE poderão sentir o enchifrar de um modo agreste e, em resultado de tal estado político-emocional descontrolado, começar a cobrar caro à Geringonça. Como o PCP e BE continuam a ser o que sempre foram e não têm nem Ruis nem Rios para vender, terão de jogar com a prata da casa. Teremos deste modo uma Catarina ainda mais teatral e um Jerónimo cada vez mais histórico. António Costa sabe que Rui Rio é muito mais intelectual e programático do que a sua persona, por isso terá de reforçar o seu jogo de cintura, apontando alguns golpes de rim aos argumentos económicos e financeiros intransponíveis que cedo irão jorrar do discurso coerente de Rio. O homem do puerto sabe muito mais da poda  do que Costa. Quanto ao traquejo político que falta, lá chegará. O estado de graça de que dispõe é superior ao tempo que remanesce à Geringonça antes que as coisas começem a meter água.

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publicado às 17:28

Ao largo do Rio

por John Wolf, em 14.01.18

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Andaram entretidos a fazer bonecos, a esquiçar desenhos, a apalpar almas gémeas onde elas nem sequer existiam e agora António Costa terá de se revisitar e rever a matriz ideológica que o sustenta, os vícios que o coligam ao Partido Socialista - chegou alguém capaz de o destronar dessa corte colada com o cuspo de uma maioria parlamentar de Esquerda. Rui Rio aí está, e embora ainda se encontre em fase experimental, em versão beta de um sistema político operativo open source, já apresentou credenciais de quem será capaz de buscar apoios e insatisfações daqueles que se iludiram total ou parcialmente com a receita da Geringonça. Existe coerência estratégica da parte do novo líder do Partido Social Democrata, que paulatinamente deixou que o inscrevessem na resistência formada à Esquerda. Rui Rio apresenta-se numa condição híbrida, trans-partidária - como se fosse independente sem descurar atributos liberais, social-democratas ou mesmo de Esquerda. É essa convivência endémica, na relação que mantém consigo mesmo, que o distinguirá das parecenças com António Costa que necessita de se abengalar aos camaradas caducos e prestar homenagem à mitologia de Mário Soares para justificar a acção governativa, como se existissem imperativos de ordem moral, pertença exclusiva da superioridade republicana e socialista. Nessa medida ideológica, devemos considerar Rui Rio como um atéu acabado de chegar, mas que partiu há muito para a mesma travessia da odisseia política de Portugal. Vai haver efeitos de sopro e ondas de choque. No seu partido e no dos outros.

 

foto: OBSERVADOR

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publicado às 14:06

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A caldeirada dos dinheiros partidários e favores políticos em Portugal deve-se a uma causa relativamente benigna - a falta de lobbies transparentes e regulados. Pensar apenas no financiamento de partidos dá azo a que se levantem suspeições e suposições em relação a tudo e todos. Mário Centeno pediu dois ingressos para ver o Benfica, mas tal facto não deve ser explorado usando a métrica do tráfico de influências. Não chega a tanto. Porém, o Presidente do Eurogrupo foi tonto ao servir-se do argumento securitário, pondo em cheque o protocolo regular instituído para figuras de Estado. Adiante, o jogo da bola não tem a ver com a discussão que urge. Há anos que os políticos de todos os quadrantes se servem de ligações especiais e concessões de bastidores. E é isso que deve ser corrigido, criando uma modalidade regulamentar que contemple todos os modos de transferência de meios, financeiros ou de outra natureza. Se o financiamento de forças políticas constar de um mapa obrigatório e de acesso online deixa de haver zonas cinzentas. Os Estados Unidos oferece péssimos exemplos em muita coisa, mas as regras são claras quanto à subvenção de agendas políticas - sabe-se de onde vêm os dinheiros. O que deve ser tido em conta em Portugal é a privatização do financiamento dos partidos. Não faz sentido que os contribuintes paguem a dobrar a acção política. Já basta que paguem os salários parlamentares, do executivo ou do presidente da república. Se o mercado político for privatizado e transparente, o dinheiro fluirá para onde houver mais credibilidade. A ideologia partidária teria, deste modo, de se fazer valer pelas ideias, que nutririam mais ou menos apoio financeiro de acordo com a sua consistência. Os lobbies, organizados em torno de causas, serviriam para disciplinar o caos e banir a prevaricação que ocorre na paisagem política nacional. Mas mais importante do que estas questões administrativas, seria estabelecer a correlação entre o financiamento de partidos e o avançar das causas meritórias que o país exige. O financiamento partidário, nos actuais moldes, parece desenvolver-se numa economia paralela, no sub-mundo da política. Não é líquido que do financiamento partidário resultem melhores soluções políticas para o país. E os portugueses gostariam de ver tudo à tona, à luz do dia e do seu juízo.

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publicado às 10:51

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A cavalo dado não se olha o dente? Olhe que não. Eu teria algum cuidado se fosse um dos recipientes das indemnizações decorrentes da tragédia dos incêndios. As vítimas e familiares das vítimas de Pedrógão  esfregam as mãos de contente por receberem o cheque assinado por Centeno, mas cautela. Como em qualquer apólice de seguro, é importante ler a letra miudinha. Aqui têm a cláusula que diz tudo: "António Costa explicou que o direito de regresso será exercido "se vierem a ser identificadas responsabilidades que possam levar o Estado a exigir o direito de regresso destas indemnizações que adianta." Por outras palavras, os beneficiários recebem o cheque, mas caso se alterem as condições que sustentam a substância e a forma da responsabilidade do Estado, toca a devolver o dinheiro. Podemos então concluir que se trata de um empréstimo político, adequado à época pré-legislativa de campanha. Aposto que apenas pegam no estorno e transtorno da questão se o Partido Socialista (PS) ganhar as eleições de 2019. Até lá a responsabilidade será sempre do Estado, porque convém. Ou seja, seria um tiro no pé enviar o cobrador do fraque ir recolher o dinheiro malparado antes do tempo, durante a legislatura. Se o PS não for tido em conta num novo governo, lá para 2019, então será perfeito - a batata quente passa para outros que farão o favor de ser os maus da fita. Não julguem por um instante que quem vos governa não pensa deste modo. É assim mesmo que funciona. Política é um jogo de atrasos e antecipações, empréstimos e devoluções.

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publicado às 17:34

A falência técnica do PS

por John Wolf, em 03.01.18

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Sempre apreciei sátiras, mas sou mais fã de ironias do destino. Para esta rábula sirvo-me do falido Partido Socialista (PS), porque este assume-se como lider da pandilha, mas a ilustração pode servir de template para qualquer partido político. Pensavam eles que enquanto o português enchia o bucho com rabanadas faziam passar a Lei do Financiamento dos Partidos. Nada de mais errado. Venham de lá mais hérnias para endireitar as costas dos políticos. Bravo Marcelo. Mas adiante. Vamos ao Largo do Rato. Face à falência do PS, vejo alguns caminhos de salvação. Começemos pela austeridade doméstica; o corte nas despesas e mordomias dos dirigentes socialistas; o acesso a empréstimos bancários mediante a concessão de garantias imobiliárias; a angariação de receitas próprias, designadamente a transformação da sede do Rato em alojamento local com direito a tour político e a oferta de um brinde de campanha. Enfim, é absolutamente deplorável que os partidos estejam nesta situação. Para todos os efeitos, a Geringonça é como uma Troika, e eu esperava mais solidariedade e racionalidade na gestão de meios. O Partido Comunista Português, o grande capitalista imobiliário do panorama partidário, poderia, se fosse mesmo marxista, ceder um edifício ao PS ou conceder um empréstimo com juros bonificados aos seus camaradas de governação. Pensava eu que o Mário Centeno poderia ser um belo patrão das contas internas do PS, mas arranjaram mesmo um Patrão, um tal de Luís Patrão. Tecnicamente falido - dizem eles - uma expressão simpática. Faz lembrar a técnica da força ou a força da técnica. Não interessa. Estão falidos. Venha de lá uma execução fiscal, o arresto de bens, o congelamento de contas - aquilo a que está sujeito o zé ninguém, o cidadão anónimo, filiado na ilusão do fim da Austeridade, a fraude vendida por essa mesma casa arruinada. Marcelo devia aproveitar a deixa e propor a elaboração de uma Lei da Falência Técnica dos Partidos. Chega de perdões. Para magoar, tem de doer a todos. A ironia do destino é a Austeridade que o PS vai ter de administrar a si mesmo. Talvez seja boa ideia pedirem ajuda ao Passos Coelho, que sabe como se faz.

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publicado às 11:05

2018 e o lápis azul da Geringonça

por John Wolf, em 01.01.18

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A geringonça decididamente não é a outra senhora; o governo já não tem uma PIDE. Mas eles andam aí, reencarnados, dotados de um sentido, de uma missão - afastar qualquer forma de informação conducente a protesto político. Subrepticiamente, mas efectivamente, o governo tenta colocar em lugares-chave agentes de controlo da comunicação. Não lhes convém que se levantem ondas. A nomeação de Nicolau Santos para presidente do conselho de administração da Lusa faz parte da narrativa que sugiro. A agência noticiosa deveria ser regida por critérios de pureza, de idoneidade e imparcialidade. O director-adjunto do Expresso entra mesmo a tempo (na Lusa) e antes da nomeação de um novo lider do Partido Social Democrata (PSD). O simples facto dos nomes de João Soares e Gabriela Canavilhas terem sido referidos para o cargo em questão confirma algum nervosismo da agência de comunicação do governo. Parece que irão precisar de reforços para aguentar a verdade incontornável dos dados de governação e a liderança do PSD. Este ano será particularmente interessante com o Banco Central Europeu a reduzir o apoio financeiro a países como Portugal. Aliás, não faria sentido outra coisa. Se o sucesso desmesurado da economia e finanças de Portugal é inegável, não vejo razões para que continue a ser subvencionado. Mas eu não me quero afastar do tema central de este post - a censura. Ainda ontem, sem nunca imaginar que tal pudesse acontecer, fui bombardeado com insultos e ofensas por ter atribuído o prémio Flop do Ano às ciclovias da Câmara Municipal de Lisboa. A um ritmo feroz e intensamente ideológico foram chovendo comentários intensamente pendulares, totalmente inclinados para a excelsa governação de Fernando Medina. A maior parte dos comentadores apresentava-se na qualidade de anónimo ou desconhecido, mas era mais que óbvio que trabalhavam para a agência noticiosa da autarquia. O que me valeu foi o lápis azul. A dada altura, face à torrente medíocre de insultos e palavrões, decidimos que grande parte dos comentários não seria aprovado. Recordo aqueles mais distraídos - a internet não é uma democracia. Assim sendo, neste primeiro dia do ano, faço a seguinte promessa. Não nos vergaremos perante tentativas de condicionamento ou coacção seja qual for a casa política ou partidária que os instigue ou os consubstancie. Se querem esgrimir-se de razões, façam-no com a inteligência da argumentação e a volúpia da forma literária. Melhor ainda, dêem a cara, criem um blog (ainda recebem algum do governo) e assinem os artigos de opinião. Não vale a pena ficarem nervosos por causa de umas pedaleiras.

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publicado às 18:40

A grande oportunidade de Marcelo

por John Wolf, em 27.12.17

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Marcelo Rebelo de Sousa, mais do que o Presidente da República com quem temos convivido, tem a oportunidade de ser efectivamente o Presidente de todos os portugueses. Se vetar a Lei do Financiamento de Partidos, e abrir a necessidade de um debate profundo sobre as implicações da mesma, estará a servir a República. Não estará a servir o sistema político nem a matriz partidária do país. Colocar-se-á ao lado de um princípio que deve imperar em Democracias - o princípio da igualdade de tratamento. Iria mais longe até nas consequências a extrair do grande tema do financiamento dos partidos políticos. Não pensar apenas na dimensão do haver - pensar obrigatoriamente na lógica do dever - do dever moral, ético, mas acima de tudo fiscal. Instituiria uma taxa partidária a que estariam obrigadas todas as filiações no sentido de financiar a ideia genérica de participação activa política de cidadãos independentes que em nome da cidadania e da sociedade civil procuram servir o país. Não vejo por que razão o tratamento positivo e discriminatório há-de ser a norma. Marcelo Rebelo de Sousa poderia equilibrar os pratos da balança do seu porte presidencial. O veto elevaria a consideração de tantos portugueses em relação à missão presidencial. Marcelo apenas tem dado a conhecer o mel dos abraços e da solidariedade. Agora falta-nos provar o fel do incómodo que causaria a toda uma classe política versada no parasitarismo, na promiscuidade e no esbanjamento de dinheiros públicos. Simples, Marcelo. É rasurar a proposta de Lei e devolvê-la ao remetente para nova redacção contemplando uma genuína revolução do financiamento partidário. Esta é a grande oportunidade de Marcelo.

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publicado às 14:05

Cartolas à medida, à Medina

por John Wolf, em 26.12.17

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Não se pode celebrar um Natal descansado. Não se pode virar as costas aos políticos. Não se pode confiar. Fernando Medina já fez a encomenda - 60 mil cartolas para festejar a passagem de ano. Pelo que percebi são três lotes de cartolas. Um para cada um dos parceiros da Geringonça. Um de cor vermelha PCP, outro de cor preta BE, e outra remessa, tipo brilhante PS, para a sua gente.  Não nos esqueçamos por um instante que o marketing político é uma arte subtil, dissimulada. Não é preciso ler tratados sobre religiões e símbolos políticos, mas existe muita tese sobre o tema. Aconselho Voegelin, o autor que versa sobre as implicações e as raizes do sagrado político. Mas são sobretudo regimes de massas que fazem uso de brindes e enfeites. O socialismo-nacional não foge à regra. O Padeiro Português pode fazer o que bem entender aos bolos-rei, mas o dinheiro dos contribuintes não pode servir para este banquete de gorros e barretes. Como tudo na vida pública e autárquica, seria imprescindível fazer um rastreio para apurar quem ganhou o concurso de fornecimento de boinas e de que modo foi adjudicada a empreitada. Julga o presidente-camarada de Lisboa que por ser dia de bebedeira a coisa passa sem se dar conta? Não. Isto é particularmente escandaloso. Mas há mais. Sabemos que a Lena d´Água está a passar mal e que já passou de moda, mas alguém puxou cordelinhos e cabos de amplificação para a pôr a mexer no palco das 12 passas a 31 de Dezembro. De nada servem Raríssimas, códigos de ética e tretas pseudo-moralistas. Não faz diferença alguma. As badaladas são as mesmas. São cartolas à medida de Medina.

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publicado às 15:16

PS bloqueia 300 militantes

por John Wolf, em 18.12.17

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O Partido Socialista (PS) e eu, afinal, temos algo em comum. Também expulsei perto de 300 militantes do Facebook. Foram directamente para a minha pasta de bloqueados. A única diferença é que eu sou ditador e o PS supostamente é o pai da Democracia portuguesa. As três centenas de "ex-socialistas" que concorreram em listas adversárias nas últimas eleições autárquicas, serão porventura os verdadeiros socialistas do partido. O PS, ao excomungar esta gente, despeja pela janela património importante. Os candidatos, eleitos ou não, permitiriam a realização de uma revolução silenciosa. Esses autarcas híbridos estariam em posição privilegiada para obter informação directamente das linhas inimigas. Estranho que José Sócrates, o maior traidor de todos, ainda não sido expulso do partido sem dó nem piedade - aposto que tem um seguro de vida partidária com uma apólice imbatível. São incoerências éticas de esta natureza que concedem ao PS o perfil autoritário e intolerante que o mesmo diz rejeitar. Não nos esqueçamos das 7 vidas políticas de que dispõem certos sujeitos. Os 300 expulsos não devem acabar ali a sua vida política. Se já estavam com os olhos postos noutros parceiros, significa que não estavam totalmente satisfeitos com a encomenda socialista. Mas há mais considerações a ter em causa; poderão ser integrados na missão de outros partidos residentes ou emergentes. Afinal o que importa são boas ideias de governação. O resto são tiques de promiscuidade e conluio políticos. Mas quem sou eu para oferecer juízos sobre o que quer que seja? Sou um fascista de primeira e de segunda. Ou pior ainda.

 

imagem: Irmãos Bacalhau

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publicado às 13:56

Palavra dada, cigano honrado

por John Wolf, em 07.12.17

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Todos os dias deito os olhos aos jornais online não procurando necessariamente escorregadelas ou entaladelas do Partido Socialista (PS). Digamos que, genericamente, um opinion maker não pode ser um opinion faker. As colunas de opinião ou posts resultam dos factos que são apresentados. Sim, é importante confirmar se os factos são credíveis e dignos de nota. O PS, que é uma espécie de amnistia política dos pecados dos outros, acaba por ser vítima do seu sucesso moralista, da sua alegada superioridade ideológica - da tal Esquerda que dizem lhes pertencer. Esta história dos sapos à porta da sede do PS é mais um desses casos sórdidos de "somos ecuménicos, mas não exagerem". Bem me parecia que a representatividade da comunidade cigana era escassa. Portugal tem apenas um presidente de câmara de etnia cigana - de Torres Vedras, se não me engano. As 200 pessoas de etnia cigana, que estão à espera para ver se são aceites como militantes do PS, pelos vistos estão a ser barradas na secretaria. É curioso que quando a música lhes convém, o PS escancara as portas do Largo do Rato, prescindindo de elementos de identificação a independentes, banhando-os com toda a espécie de privilégios e mordomias de partido democrático e multi-cultural. Os socialistas não usam a expressão "arrastão" para retratar o pedido de adesão "dessa" gente, mas usam alguns mecanismos burocráticos para controlar as fronteiras do seu partido. Não sei se existe uma Comissão para a Igualdade do Género Político, mas estamos diante de um caso de discriminação, camuflado por formulários e preceitos. O PS tem medo que de repente "alguns" camaradas seus assentem arraial, vestidos de preto da cabeça aos pés e com a barba rija para dar luta nas diversas comissões políticas do partido. No entanto, a nota oficial do PS é esta: "Sempre que acontecem estas situações de entrada de fichas em massa, os serviços do partido têm de averiguar moradas, identidades e outros aspetos de legalidade. Esta é uma prática habitual e nada tem a ver com qualquer questão étnica relativa aos requerentes". Sem comentários.

 

Foto: jornal Público

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publicado às 16:38

O questionário corrupto da Geringonça

por John Wolf, em 26.11.17

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Existem diversas modalidades de corrupção. Algumas envolvem envelopes debaixo da mesa, fotocópias ou despachos favoráveis em troca de certas regalias. Mas existe outra forma de adulteração que não deve ser menosprezada. No âmbito das comemorações do segundo aniversário do governo, a geringonça decidiu comprar aqueles que irão responder a um inquérito-propaganda que organizou em Aveiro. Os recipientes da bolsa de 200 euros (a que acrescem despesas de deslocação e estadia) foram deste modo coagidos a responder favoravelmente a perguntas "alegadamente" desconhecidas sobre a actuação do governo nos últimos dois anos. António Costa parece ter medo da verdade nua e crua. Se efectivamente estivesse seguro do caminho trilhado pela geringonça teria organizado um convívio com os detractores, a oposição, aquela malta desprezível da Direita que nada entende de valores democráticos transparentes. No entanto, não é isso que irá decorrer. Os contribuintes portugueses, sem cor política ou religião oficial, pagarão do seu bolso esta acção de marketing. Sabemos qual o preço da interrogação (?), mas não sabemos quanto vale a exclamação ou a vírgula. Como vem sendo hábito, o governo passa a responsabilidade a outros - a Universidade de Aveiro. E é precisamente numa casa de ciência e suposta intelectualidade que esta afronta decorre. Em vez do primeiro-ministro ser cego, surdo e mudo perante o cidadão anónimo, e a manifestação de opiniões diversas, opta descaradamente por métodos dissimulados, parentes próximos da censura. Será em ambiente de controlo da substâncias políticas proibídas que decorrerá a apologia do não contraditório. Estranho que os campeões da moralidade e da ética republicana nada tenham dito a este propósito. Será que Catarina Martins e Jerónimo de Sousa lá estarão em Aveiro para colocar alguma pergunta inconveniente? 200 euros por resposta - nada mal. É aproveitar.

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publicado às 14:53

Há vida para além da Geringonça

por John Wolf, em 23.11.17

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António Costa, naquela histórica noite de Outubro de 2015, invocou o teor inviolável de democraticidade de soluções governativas extraídas a partir de arranjos parlamentares com maioria de assentos - assim nasceu a geringonça - a fórmula patenteada para governar. Esse princípio fundador, no entanto, não serve apenas  a geração de governos. O que acabamos de registar, a coligação ocasional entre o Partido Social Democrata (PSD) e o Partido Comunista Português (PCP), a propósito da questão da residência universitária de Rio Maior, deveria ser a norma. Os partidos, na sua expressão civil e genuinamente política, não deveriam ter género nem se tornar reféns de ideologias. A coligação que designam de "negativa" é de facto "positiva". Demonstra que o magistério das ideias e da racionalidade deve subalternizar a teimosia ou a ortodoxia ideológicas. Não existe nada, mas mesmo nada, que António Costa possa afirmar para afastar esta solução. A mesma é a expressão plena de diversidade democrática e liberdade de expressão. Este primeiro aviso, deve, no entanto, ser levado a sério pelo Partido Socialista (PS) - o Largo do Rato não é dono nem senhor do Bloco de Esquerda (BE) ou do PCP. O juntar de trapinhos do PSD, CDS e BE na questão das cativações revela matematicamente e parlamentarmente que algumas das soluções do PS já não são aprovadas por Portugal. Os deputados que ali professam a sua fé, bem ou mal, com mais ou menos fervor partidário, sabem que em última instãncia devem servir o povo português. O BE e PCP, numa primeira fase, entusiasmados com a estreia "governativa", começam a perceber que serão deixados na estrada pelo mestre e senhor PS, se não servirem as causas da sociedade, das pessoas que existem para além dos clientelismos que pendulam entre Lisboa e o Porto. O PS foi sempre um jogador político e, nessa medida, o atirar da ficha do Infarmed para o Porto deve ser entendido como uma modalidade de pré-campanha. Podemos deduzir a partir desta decisão que o PS apostou forte na candidatura de Rui Rio. A continuar com estes joguinhos de cativações e transferências oportunas tornar-se-á mais que evidente que começam a faltar argumentos políticos e governativos de vulto ao PS.

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publicado às 10:40

Os novos indignados

por John Wolf, em 18.11.17

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É impressão minha ou a manifestação de hoje, que levou dezenas de milhares de pessoas à rua em protesto, faz lembrar os indignados de outras sortes? Pois. É curioso que os que estão na rua a gritar foram precisamente aqueles que votaram no PS, BE e PCP. Em suma, a luta é interna. Nem sequer é da oposição. É prata da casa. No entanto, o barulho parece estar a ser abafado pela geringonça. Resta saber quanto vai custar calar esses "pelintras". Falta saber quais serão as subidas de impostos necessárias para comprar o silêncio de todos os funcionários públicos. Muita sorte tem a geringonça que os privados não se fazem à estrada para engrossar a voz de desagrado.

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publicado às 20:01

Não são os políticos que nos defendem

por John Wolf, em 17.11.17

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Tenho a maior confiança nas forças de segurança em Portugal. Coloco-me, sem hesitar, ao lado dos seis agentes constituídos arguidos, por correrem riscos em nome de todos nós. No exercício da sua missão lidam continuamente com dinâmicas imprevisíveis e teatros de operação intensamente voláteis. A GNR levou a cabo um simulacro envolvendo todas as polícias, forças armadas e meios de socorro, mas já despontam aqueles que invocam a legalidade do comando da operação - dizem que a Lei de Segurança Interna não foi cumprida. No meu entender, a haver um desvio da titularidade do comando, o simulacro serve ainda melhor o seu propósito. Em ambiente de "fogo real", de conflito estabelecido, de guerra suja, os comandos são dos primeiros visados. A decapitação do topo da cadeia de comando é um modo de desferir um impacto considerável no adversário. Por essa mesma razão, a disciplina de comando das operações não deve ser detida em exclusivo por uma entidade. As situações que exigem respostas tácticas imediatas implicam que as mesmas possam ser geridas por soluções de recurso, que exista um plano B, outras estruturas com o know-how operacional. Nessa medida, o simulacro, ou para todos os efeitos, qualquer treino, deve poder ser integrado em qualquer uma das estruturas de comando e controlo, seja qual for o ramo das forças armadas ou de segurança  Eu iria mais longe na defesa deste princípio - os políticos devem ser os derradeiros envolvidos em questões de ordem táctica, operacional. Devem estar a milhas de distância de considerações parcelares. Quando digo que as forças de segurança merecem a nossa confiança, basta pensar num dos maiores desafios de segurança interna que um país pode enfrentar - a transição de regime. O General Ramalho Eanes consubstancia com louvor esse primado pelo papel que desenvolveu em Portugal. Mas pensemos também nas guerras coloniais e a grande escola de métodos tácticos e operacionais que resulta das mesmas. Para além dos governos, dos partidos e das ideologias, devemos congratular a realização de simulacros desta natureza. O resto é ruído político de gente que nunca pegou numa arma para defender desconhecidos das ameaças reais. O que sobeja são birras de quem se esconde atrás de outrém.

 

foto: John Wolf

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publicado às 11:59

Os professores vêm de longe

por John Wolf, em 15.11.17

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Os professores vêm de muito longe. A sua classe será porventura a que mais se sujeita a surrealidades políticas e logísticas. Não vale a pena mencionar o drama sustentado da colocação de professores ou a inadequação de salários. As escolas são as ETAR da matriz cultural, do nível sócio-económico do país. Tudo o que de ruim é gerado em casa sai porta fora e aterra na sala de aula. Os professores não leccionam apenas disciplinas. Apanham as maleitas todas; a falta de educação dos alunos, os vícios de comportamento enunciados em casa pelos pais e os insultos descabidos. Enfim, poderemos concordar que têm sido o saco para esmurrar, a cuspideira do barbeiro, a casa de banho pública manchada pela urina canina. Ser professor não acaba ali ao último toque. Os docentes acartam às costas papelada para rever, testes para corrigir, documentos para conferir e, acima de tudo, enormes dores de cabeça. Falam de calmantes e diazepan? Aposto que são os professores que mais consomem desses comprimidos. Assistimos hoje à continuidade, ao mesmo paradigma, e por extensão, ao mesmo grau de desagrado, de insatisfação, de ameaça à integridade física e mental dos professores. Quando António Costa diz que não tem onde ir buscar 650 milhões de euros adicionais para repor os quase dez anos de castigo da classe docente, corrobora toda uma abordagem negativa. Valida o executivo de Passos Coelho, e se quisermos, de todos eles, de António Guterres a Cavaco Silva. Não houve, desde o Portugal democrático (da educação universal) até aos dias de hoje, uma abordagem definitiva, integral e trans-ideológica. Foram sobretudo os socialistas, parentes das confederações e sindicatos, que fizeram da classe docente gato-sapato, usando o seu lastro para ir e vir nas demandas, eleger deputados e ganhar votos. Os professores por seu turno, não têm onde agarrar, e lá aparecem uns Nogueiras e pelo menos dois Carlos, para cantar da ardósia penada um conjunto de estrofes de ocasião. O metódo negocial que praticam é deveras estranho, fragmentado. Às vezes são as colocações o prato do dia, mas na época seguinte já é o dinheiro "cativado" por regimes mais austeros. Francamente não entendo esta lista de supermercado às pinguinhas. Se é para partir a loiça toda e começar de novo, então eu exigiria uma revolução total com destino final. Mas não. Os sindicalistas usam outra abordagem. Uma sequência de protestos como se o problema não fosse curricular, integral. Um apagão completo, um reset - de tudo ou nada. Greve absoluta.

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publicado às 13:54

A seca extrema da Geringonça

por John Wolf, em 14.11.17

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Existe uma outra espécie de Austeridade que não tem merecido a devida importância em Portugal - a seca extrema. Entendo que a mesma implique menos pasto para arder e consequentemente menos demonstrações de incompetência governativa, mas não precisam de exagerar. Enfrentamos, com todas as letras, uma catástrofe. Uma tragédia que exige uma resposta inquestionável do actual governo. Neste caso climatológico não existe um despacho do governo anterior sobre autorizações concedidas a São Pedro ou coisa que o valha. Este drama transcende o desporto político do arremesso de responsabilidade para mandatos passados. A seca extrema acarreta danos na estrutura económica e social de um país. Não ouvi uma palavra de António Costa que sugerisse a mais ligeira reflexão sobre o problema. Por outro lado, os portugueses deslumbraram-se com o lindo mês de Agosto (em Outubro), e foram a banhos. Existe, portanto, um conluio na total ausência de consciência. De um lado da leviandade temos a Geringonça que aperta com toda a força a teta do Turismo - a vaca solitária da alegada recuperação económica -, e por isso agradece os dias solarengos, para que venham de lá mais magotes de turistas low-cost, esses também uma indignidade flagrante para o património histórico e cultural de Portugal: é vê-los entrar de chinela no Mosteiro dos Jerónimos, é cheirar-lhes o sovaco na fila para o pastel de Belém. Do outro lado, os citadinos - os filhos geracionais dos lavradores da terra encravada na unha -, declaram:" eu gosto é de calor - assim como está". Li há dias que poderemos enfrentar um período de mais de dez anos de seca extrema. O que andam a fazer os governantes de Portugal? Onde está um gabinete de crise para lidar com esta emergência? Ainda não vimos nada. Nem chuva, nem a formulação governativa do drama que enfrentamos - a Geringonça tem a língua enrolada, seca.

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publicado às 09:55

Rita passa a Ferro Rodrigues

por John Wolf, em 05.11.17

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Não me recordo bem para qual revista, mas há muitos muitos anos, a Rita Ferro Rodrigues afirmava categoricamente em entrevista que se havia candidatado a um emprego na RTP, "omitindo sempre o nome do seu pai para que o processo fosse imaculadamente imparcial", para que fosse avaliada pelos seus dotes, pelo seu inegável talento - treta, bullshit. Será expectável, à medida que for perdendo o seu brilho televisivo impoluto, que procure servir-se do seu património de exposição mediática e da tradição familiar para alavancar uma putativa carreira política. A plataforma Capazes é um belo trampolim. Não teria sido mais adequado que Marcelo Rebelo de Sousa tivesse convocado a Bárbara Guimarães para se inteirar da temática da violência doméstica? Enfim. Adiante. Daqui a escassas épocas, quiçá quando o presidente da assembleia da república se reformar e for para uma construtora ou empresa de telecomunicações, teremos a Rita Ferro Rodrigues, e não a anónima Rita Rodrigues, a subir a escadaria do parlamento para poisar o traseiro na bancada da casa, na tribuna socialista. São  falsas representações deste calibre e provas de incesto deste tipo que arruinam o país. A menina tem de escolher. Ou é a carreira das TVs ou quer ser a filhinha política do papá. Mas reparem bem - Marcelo é um belo exemplo. Soube comentar livros aos Domingos. E veja-se onde chegou.

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publicado às 13:49

Medina deita fora o PCP

por John Wolf, em 02.11.17

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Fernando Medina fechou acordo com o Bloco de Esquerda (BE), mas nem por isso com o Partido Comunista Português (PCP). Ou seja, o que se passa na autarquia não é uma réplica do todo governativo, mas apenas a reciclagem de uma parte do artefacto, da geringonça. Em abono da maquineta, trata-se de uma "gonça" (como em amigo da gonça). No entanto o facto de Medina ter fechado acordo com o BE, não significa que tenha um compromisso com as efectivas necessidades dos lisboetas (precisa do BE para governar, baixou as calcinhas) e que consiga explicar como vão financiar a brincadeira. Estão apenas no lado do haver, com nenhuma menção do dever, de quem fica a arder. Não vale a pena entrar em detalhes críticos sobre a lista de supermercado de Medina e Martins, porque está lá tudo de um modo relativamente consensual, politicamente simpático para eles. Podemos concordar quase na íntegra com o enxoval dos noivos, mas devemos temer o copo de água. Serão necessárias mais taxas e impostos municipalizados para angariar meios financeiros para o orçamento da Câmara Municipal de Lisboa. A única coisa que parece ter sido omitida no programa de festas do casal camarário é um gabinete para análise e tratamento de assédio político ou de outra natureza. Seria interessante, á laia de sociólogo explorador, estudar o ecosistema camarário. Não me venham com estórias de que palmadinhas nas costas e no rabinho não acontecem todos os dias, à má-fila, à comuna - your ass is mine.

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publicado às 14:33

O churrasco do Orçamento do Estado 2018

por John Wolf, em 23.10.17

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O Orçamento do Estado (OE) de 2018 já está a arder. O governo encontrou um nome todo catita para ficcionar as contas e fingir que está tudo óptimo - cativações. Imaginem que têm os dentes a apodrecer, mas que ainda conseguem mastigar uma bela açorda, e em função desse repasto, decidem que afinal aquele investimento na placa dentária não vale a pena. De repente ficaram umas centenas de euros mais ricos. As contas lá de casa melhoraram. E os caninos e molares? - logo se vê. É mais ou menos assim que o Estado está a ser gerido. É quase definitivamente deste modo que governam. A derrapagem orçamental que aí vem, terá, no entanto, uma desculpa do tamanho do Pinhal de Leiria. Os incêndios florestais serão invocados sem piedade para espremer a simpatia de Bruxelas e uma interpretação excepcional do cumprimento ou não do OE. A falta de emoções de António Costa poderá agora ser transsexualizada directamente de São Bento para divisa política pura, para moelas deploráveis de troca. De um modo racional e mensurável, as tragédias florestais e a perda de vida humana, poderão ser cambiadas por argumentos no mercado político da União Europeia. Na lista de descalabros tudo poderá ser incluído. A saber, e a título de ilustração; as cabeças de gado bovino e caprino que sucumbiram na densa mata de fogo, a contaminação de cursos de água - decorrente da putrefação dos referidos animais; o impacto que se fará sentir no sector agrícola e florestal, a perda de empresas de base familiar e respectiva mão de obra, a sobrecarga do sistema de segurança social que terá de atender a pessoas em estado de carência e emergência, o peso sobre o sistema nacional de saúde que terá de cuidar dos queimados e outros feridos, mas também de um número insondável de pacientes que emergirão por degradação da qualidade do ar na proximidade das ocorrências ou em destinos mais afastados. Enfim, uma quantidade de alibis operacionais de natureza financeira e administrativa será sacada de uma espessa nuvem de consequências oportunas, mas mesmo com todas as cativações do mundo e todos os favores de Bruxelas as contas não baterão certo. Das duas uma; ou deixam a factura sair fora de controlo -"estou-me cagando para a dívida" ou assumem a iminência do descalabro à moda de 2011, e toca a aplicar ainda mais descaradamente efectivas medidas de austeridade que, em jargão geringonçal,  terão outro nome mais adequado para não ferir a massa associativa de funcionários públicos que colocou no triatlo os três partidos de governação. Uma outra hipótese, mais remota porém, será o PCP ou BE acabarem de vez com esta fantasia cozinhada à La Carte dos interesses ideológicos dos partidos em causa. Esperemos para ver. E nem tem de ser sentado. Parece-me que tudo isto será rápido, mas a doer. Pacientes, paciência. Os portugueses, como sempre, são as vítimas.

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publicado às 17:23

O silêncio pode ser ensurdecedor

por John Wolf, em 21.10.17

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Acabo de regressar da manifestação humana, de homens e mulheres, despidos de ideologia ou partidos políticos, que aconteceu na Praça do Comércio a propósito da falência ética e técnica do presente governo. Para cima de dez mil pessoas estiveram, solenes e dignos, em pose de indignação interior. Não foi necessária uma liderança vocal do protesto, não foram necessários acessórios partidários. As pessoas, toldadas e incrédulas pelo abandono do Estado em Pedrógão, Mação ou Arganil, vieram em paz, à civil. No entanto, o movimento silencioso e sereno foi contemplado por uma provocação com provável origem no governo e as suas filiais de geringonça. Bastou uma pequena seita de provocadores, que hasteou a bandeira da culpa do PS, PSD e CDS, para que alguns arrufos e socos mal orientados decorassem o terreiro do Paço. Os media, que vivem de sangue e emoções à flor da pele, para vender publicidade e comprar tele-espectadores, aproveitaram a pequena deixa para denominar a manifestação de "violenta". A RTP, pertença do Estado e do governo, apelidou o evento de "manifestação contra os incêndios", mas está a ser cínica e a obedecer aos patrões. O protesto foi mesmo contra a inexistência do governo, do Estado. Foi a favor da maior prerrogativa que um Estado deve defender - a protecção dos seus cidadãos. Mais nada.

 

fotografia: John Wolf

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publicado às 19:33






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