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Wild Orange

por John Wolf, em 03.03.17

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Afigura-se-nos difícil estabelecer um template credível, um modelo operativo que revele algum teor de previsibilidade. Por algum motivo o processo eleitoral holandês tem sido tratado como um jogo de uma liga secundária de interesses. Os olhos postos em Fillon, Macron e Le Pen, a cabeça virada a Brexit, confirma o grande desarranjo europeu. A União Europeia (UE) e os seus ilustres comissários e presidentes de conselho fingem que nada se passa e que os valores nucleares da arquitectura comunitária nunca poderão ser postos em causa por lideres de nações com pouco mais de 8 milhões de habitantes. O valor de face atribuído à geringonça pela UE é semelhante àquele atribuído ao holandês Geert Wilders. Mas os políticos europeus estão equivocados. Não estamos num jogo de soma-zero, em que a saída do Reino Unido da UE se poderá colmatar com a entrada de outros. Ideologicamente, passa-se quase a mesma coisa, semelhante engano. Uma tirada à Esquerda não anula um tiro em cheio à Direita. Contudo convém levar em conta as razões politicamente invocadas. Assistimos, efectivamente, ao fim do espectro ideológico tal e qual como o conhecíamos. Assistimos à caducidade do paradigma de construção política convencional. São sobretudo subtilezas de posicionamento que não têm sido apreendidas no decurso da presente revolução em curso. Podemos confirmar um certo hibridismo volátil, no modo como os pretensos neo-lideres procuram sustentar os seus projectos fazendo uso de elementos materiais e simbólicos de todos os campos ideológicos. Trump, numa óptica analítica, foi ao rancho dos democratas aprovisionar-se das suas ferramentas e, com algum talento, converteu as suas deficiências em força. Nessa medida, e invertendo a extrapolação, a geringonça, se quiser sonhar com alguma continuidade efectiva e honrar a estabilidade vendida por Marcelo, terá, na sua expressão política, de integrar obejctivos de outros terrenos políticos e partidários - sejam adversários  ou concorrentes. No jogo de puxa e empurra, a CGD ou a saga das Offshores são apenas divisas de um conceito de representatividade e disputa de poder mais alargado. O mesmo terá de acontecer nos EUA. Trump, invariavelmente, terá de acomodar os anseios do Congresso, por forma a credibilizar a sua acção. A UE, que tem evitado a federalização do seu projecto, não tem ao seu dispor efectivos organismos de checks and balances - tem sanções e procedimentos por défice excessivo, de índole técnica e financeira, mas, na substância e no espírito do projecto europeu, existe muito pouco que pode fazer. A multiculturalidade não é apenas uma máxima que se aplica aos povos.  A UE alicerçou a sua construção na ideia de diversidade ideológica e política. O que acontecer na Holanda no dia 15 de Março produzirá o mesmo eco de sempre, a relativização da urgência dos dramas que assolam a Europa. Qualquer devaneio do mainstream, perpetrado pela Holanda, será tratado com a mesma indiferença. A laranja, por mais selvagem que seja, não interessa muito aos mercados, à economia, ao dinheiro de quem aposta no melhor retorno possível para o seu investimento. E as casas de apostas têm falhado redondamente.

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publicado às 20:46

TSUNAMIGO

por John Wolf, em 17.01.17

 

 

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Jerónimo de Sousa, o místico, saiu da caverna para explicar aos jornalistas e ex-jornalistas que a aparição de coligação que Passos Coelho avistou, de facto não passa de uma miragem. Diz ele, ao bater o pé na trave e a foice no martelo, que os comunistas não são nada tsunamigos dos socialistas e que o maremoto dessa taxa descendente representa uma no cravo dos propósitos da Esquerda unida. Com tanta prosápia, com tamanha logística de quem é quem, e para onde caminhamos, Jerónimo de Sousa fere o orgulho geringoncial. Resta saber se os comunistas são mais social-democratas do que os passistas são marxistas. Devo dizer que aprecio estas saladas místicas temperadas por galheteiros ideológicos de candeias às avessas. Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, o presidencialista-pop, não me restam grandes dúvidas. Tudo fará para salvar o orgulho do Rato. Não sei exactamente qual Senhor serve o presidente da república. Uma coisa é certa, amor de povo é valioso. Afecto das massas não se enjeita. Resta saber quem paga a taluda da bandeira do salário mínimo a qualquer custo. Pessoalmente acho que o BES, a CGD e o Banif deveriam pagar o aumento da tarifa mensal com os fundos de salvamento que receberam a troco de sabe-se lá do quê. Assim vamos nesta assembleia de lideres mítricos, de barretes enfiados e pegas de caras ou coroas. Qualquer dia Catarina Martins será agraciada com a ordem de São Caetano por ser coerente e disciplinada. O acordo da Geringonça existe no papel, mas não passa disso mesmo. Vira o dístico e troca o mesmo pelo seu oposto. A maré está baixa e as calças estão pelos joelhos.

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publicado às 14:46

Geringonça is so 2015

por John Wolf, em 16.01.17

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O Partido Socialista (PS) está a ter dificuldades em engolir em seco. Não está a conseguir encaixar o que se está a passar e a Ana Catarina Mendes Pedroso é o exemplo vivo de alguém que ainda não entendeu as transformações em curso no nosso mundo. Sempre existiram bons e maus comunistas, péssimos e excelentes social-democratas ou medianos e magníficos socialistas. A Taxa Social Única simplesmente não serve de bitola do que quer que seja. Em causa está a natureza parcelar da Política. São causas avulso que permitem distinguir uns de outros. Ora assumir de antemão a vontade de outrém roça a sobranceria autoritária. Sempre dei o braço a torcer e aplaudi a iniciativa do homem livre, desprovido de ensinamentos de mestres e ideologias caducas. Não se podem erguer muros em torno de reservas oportunistas. Até parece que a concertação social é uma invenção do Largo do Rato e da Esquerda. Errado. Desde sempre, desde Chicago, se quisermos, as negociações entre trabalhadores e patrões, assalariados e pagadores, decorreram, tratando essencialmente de matérias validadas intrinsecamente e não por ditames ideológicos. O Partido Social Democrata ou o Bloco de Esquerda, para todos os efeitos, podem e devem quebrar a "alegada disciplina ideológica" que o PS reclama como regra de ouro. Isso faz vibrar a democracia. Existem social-democratas comunas, como existem socialistas de extrema-direita, mas não significa que sejam nem peixe nem carne. Se não querem ver com olhos de ver, então estão metidos em grandes sarilhos. A NATO já não é a NATO, a União Europeia já não é a União Europeia, a Presidência dos EUA já não é a Presidência dos EUA, mas o PS continua igual a si. Geringonças há muitas. Depende da perspectiva.

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publicado às 09:15

Mercado de falências éticas

por John Wolf, em 24.09.16

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O mercado de falências éticas não está fechado. Aliás, nunca fechou. É um centro comercial aberto 24 sobre 24 horas. O mais difícil é chegar a um preço justo, dados os valores em causa. Quanto vale meia dúzia de homenagens a Sócrates? Será que se podem trocar duas por uma nomeação quente na Goldman Sachs? E os Isaltinos podem ser transaccionados no mercado secundário? Não existe uma entidade reguladora para estabelecer as paridades? Dois Cadilhes por uma Felgueiras? Uma antiguidade Oliveira e Costa por um Pedroso restaurado? Um SISA Vitorino por um terço de BPN Rendeiro? Acho vergonhoso que não exista um supervisor que ponha cobro a este mercado negro. Já agora quanto rende um Carlos Alexandre? Meio Pinto Monteiro? Ou três paletes de Procuradores da República? Será que cabe tudo numa caixa geral?

 

vote aqui: http://blogsdoano.pt/votacao

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publicado às 10:36

Estão bem uns para os outros

por Samuel de Paiva Pires, em 27.07.16

Durante semanas, a geringonça e a oposição digladiaram-se ad nauseam sobre quem tinha culpas no cartório pela imposição de sanções por parte da União Europeia. Agora que as instâncias europeias decidiram não impor sanções a Portugal, põem-se em bicos de pés pretendendo arrogar-se uma suposta influência no desfecho desta contenda que nos vinha enfastiando. Que no meio desta feira de vaidades que se preocupa mais com interesses sectários do que com o interesse nacional ou a imagem internacional do país haja, pelo menos, espaço para a vergonha e, já agora, dêem esta novela por encerrada.

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publicado às 18:53

Bomben Auf Engeland

por Nuno Castelo-Branco, em 28.06.16

 

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Quando pensamos que descer mais é impossível, eis que somos surpreendidos por aqueles que em princípio mais moderação e distância deveriam mostrar. Está-lhes no adn apontar o dedo a todo o tipo de extremistas, desde os recauchutados ex-maoístas agora impantes de bazófia e que chegam a Lisboa para debitar mais umas tantas lições que apenas eles próprios escutam, até aos outros, aqueles geralmente anónimos à imensa maioria que distraidamente vai clicando o zapping à cata da bola do momento. 

O que hoje se passou no areópago europeu, foi bem a prova final daquilo que há muito todos suspeitávamos. Um Juncker enigmaticamente sóbrio, desferiu todo o tipo de impropérios em direcção a N. Farage, o eterno risonho que tem a certeza de que todas as suas provocações cairão infalivelmente no saco profundo de entes tão bestiais como o desaparecido van Rompuy e aquele outro belga de nome impronunciável, aspecto duvidosamente gelatinoso e melena longa artificialmente colorida.  Tudo isto muito divertido e que afinal preenche o tempo de um "parlamento" que nada propõe nem decide a não ser aquilo que lhe chega de outros gabinetes. Para além das missas de corpo presente, conferências abastecidas de gordos pastéis, chorudos salários e subsídios pessoais para as mais inimagináveis coisas, para pouco mais tem servido. 

O Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, inesperada e subitamente foi transformado numa espécie de Líbia dos tempos de Kadhafi, ou na gémea europeia da Coreia do Norte, à falta do Uganda de Idi Amin. Tornou-se num Estado pária.

Chovem os insultos, rosnam irritações e querem rapidamente expulsar o país que inventou a democracia da qual beneficiam todos eles. Afinal de contas, tooa este desabar de frustrada raiva não passa de um rápido encontrar de medidas preventivas que evitem a descoberta da lixeira que guardam sob a faustosa carpete estrelada.

A votação foi clara e entre os nacionais, cobriram-nos de vergonha a tríade PSD, PS e CDS com a sua exigência lesa-tratados que eles próprios fizeram aprovar sem dar cavaco ao seu próprio constituinte, neste caso, o povo português. Correm com os britânicos a pontapé, eis o que fizeram. Estão loucos e agem como tal.

Não sabem nem agora querem saber o que é e o que significa para a Europa o Reino Unido, refugiando-se numa campanha onde o mais infecto racismo é apresentado como rápida consequência do resultado referendário que não lhes agradou. Não se ralam minimamente com a mais descarada censura desde há muitos meses prodigamente ministrada a centenas de milhão de europeus que ao alcance de um computador, são informados de inconvenientes realidades que a todo o transe os nossos donos procuram mediaticamente ocultar. Eles sabem que nós, todos nós, sabemos. Sabemos e pior ainda, tememos e não queremos. Aqui está a razão bem escondida do resultado do recente referendo.

Só lhes falta rapidamente aproveitarem o buraco britânico e preencherem-no com a Turquia, essa lídima representante do desaparecido Império Romano do Oriente, como há algum tempo o cada vez mais suspeito quase-ditador Erdogan teve o descaramento de invocar como argumento. 

Entram em contradição, apresentando as suas televisões um chocante episódio há pouco ocorrido em Manchester, onde três miudosques ladrando um inglês indecifrável, agrediram verbalmente alguém que porventura vive naquele país muito antes deles próprios terem nascido. Isso mesmo, os tais miúdos que o repelente Barroso esta tarde fartamente suando diante dos holofotes, ousou distinguir como civilizados entes a proteger, apontando assim o futuro que espera este cada vez mais evidente recanto do grande continente asiático. 

No estado de histeria colectiva em que o parlamento europeu está, apenas faltará um deputado alemão propor a substituição daquela ode-coisa composta por Beethoven, por isto: Bomben auf Engeland. 

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publicado às 23:03

Seis meses e uma senha socialista

por John Wolf, em 03.06.16

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O congresso do Partido Socialista (PS) servirá para comemorar as bodas de geringonça. António Costa tem mesmo de realizar este certame para continuar a exultar as virtudes do acordo alcançado à Esquerda. Mais do que uma operação para enfrentar os desafios que se apresentam a Portugal, o secretário-geral do PS irá falar dos que não estão. Aproveitará para cascar no governo anterior e reafirmar as virtudes intocáveis das medidas de governação já tomadas. Mas a verdade é que os portugueses não dobraram a esquina do mal-estar económico e social. E também não é menos verdade que mais tempos difíceis se avizinham. A jogada de ilusão democrática é bem metida, mas não nos engana. O método da senha que permite a qualquer militante dizer de sua justiça no palanque rosa está pejado de artimanhas. Francisco Assis foi preterido, colocado no turno pouco mediático, lá para a meia-noite, quando estiverem todos arrumados. Ou seja, a censura já é uma doutrina interna. Mas mesmo que todos falassem aos mesmo tempo nos termos mais impróprios, em última instância, António Costa detém o golden share, perdão, o rosy share - o privilégio norte-coreano de escolher a dedo oradores favoráveis. Os camaradas-autarcas terão certamente melhores tempos de antena. Em 2017 teremos essas eleições, que podem muito bem servir para desferir um golpe de misericórdia nos intentos monopolistas dos socialistas. O PS, se quiser honrar o templo sagrado da geringonça, vai ter de se mexer para manter o mesmo pacto de regime nas eleições autárquicas. Este congresso de vida semestral da geringonça não é um seminário com a ambição de transformar Portugal. É uma conferência-campanha para validar e eventualmente estender o prazo contratado com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português. Será que vão distribuir senhas rosas aos amigos mais à Esquerda? Gostava de escutar Octávio Paz, Pato, é Pato, no congresso do PS.

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publicado às 17:58

O governo de oposição PSD-CDS

por John Wolf, em 22.02.16

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O PSD e o CDS votaram contra o Orçamento de Estado (OE) de 2016, mas nem precisavam de o ter feito. Ao longo dos últimos anos da minha vida tenho vindo a aprender que por vezes nada fazer é o melhor que se pode fazer. O governo de António Costa não precisa de terceiros para cair pelas escadas abaixo. O conteúdo do OE falará por si, e revelará a seu tempo a sua inviabilidade, a sua fragilidade. A Catarina Martins irá aproveitar para extrair mais dividendos de um governo de que não quis fazer parte. Agora percebemos com ainda maior clareza que não deposita muita fé nas promessas eleitorais dos socialistas. António Costa, em vez de se concentrar nos desafios que o país enfrenta, está obcecado com o fantasma do governo anterior. O Partidos dos Animais e Natureza (PAN) bem que quis tratar da questão das touradas, mas Costa esboçou uma chicuelina, atirando para os curros a investida do seu parceiro a solo. Mas o mais grave disto tudo é que fica demonstrado o modo como o governo não consegue caminhar sozinho sem demonstrar tiques de paranóia. Afinal o PSD e o CDS têm muito mais poder na oposição do que tinham no governo. O PSD e o CDS vão chumbar o OE em Bruxelas, vão afogar as agências de rating com menções desonrosas. Vão conspirar no grupo de Bilderberg. Vão fazer macumba junto de prospectivos investidores internacionais. Vão rogar pragas aos agricultores da Beira-Baixa. Vão formar um cartel em Sines para inflacionar o preço do crude em Portugal. Vão fazer falir empresas públicas e privadas para que um terceiro resgate chegue ainda mais rapidamente. A oposição vai governar, deste modo, na sombra escura, e derrubar Portugal. O guião rectificativo da desgraça pode já ser lido na íntegra. Está escrito naquele tomo socialista sobejamente conhecido, dedicado à responsabilidade política, ao sentido de Estado e ao interesse nacional. O que está acontecer era de prever. Mas também de evitar.

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publicado às 18:12

PSP - Pedro Silva Pereira: caso de polícia

por John Wolf, em 19.02.16

 

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O sósia de José Sócrates merece ser processado pela DBRS pelo teor das suas declarações: (uma) “chuva de telefonemas” para a agência de notação financeira DBRS a pressionar para que baixem o rating de Portugal e a oposição do eurodeputado José Manuel Fernandes do PSD a que o plano de investimento Juncker pudesse “apoiar as economias mais atingidas pela crise”Sim, alguém deve ligar à agência de rating DBSR. Isto é muito grave e deve ser comunicado à entidade canadiana. Com quem julga este político de meia-tigela que está a lidar? Isto sim serve para denegrir Portugal.

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publicado às 21:17

PS: à terceira não é de vez

por John Wolf, em 26.01.16

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As "quase" três derrotas consecutivas do Partido Socialista (nas eleições Europeias - como se tivesse sido porque despediram António José Seguro -, nas Legislativas e nas Presidenciais) não são sintomas de que algo corre mal. São a patologia, a doença infecciosa que resulta de consaguinidade ideológica naquele partido. Ou seja, a procura de respostas para problemas distintos fazendo uso da mesma caixa de ferramentas e do mesmo grau de convicção. A realidade económica e social ultrapassou de um modo intenso a teimosia socialista. A insistência em certas premissas colide de frente com um processo político e civilizacional em profunda mutação. Quando se levanta a hipótese de uma alternativa dentro do PS, a margem de erro é enorme. A opção certa não se encontra no legado socialista, no seu património intocável. As fórmulas que se devem buscar são trans-ideológicas, ou pós-paradigmáticas -, ou seja, encontram-se para além da dimensão partidária, seja qual for a filiação. Acreditar que em nome do salvamento do presente se pode comprometer  gerações futuras, confirma o grau de irresponsabilidade do actual governo. Não é possível ser mais contraditório do que Centeno que promete conter a despesa ao mesmo tempo que repõe salários e pensões. O contexto económico-financeiro do momento aponta noutro sentido. Nos últimos anos os bancos centrais substituíram a acção política através da impressão de divisa e a sua injecção nos mercados. Centeno não parece entender esse facto. Ou seja, substantivamente, não existiu despesa. Existiu ficção monetária. Existiram facilidades e juros baixos. O governo anterior beneficiou sem dúvida alguma dessas condições, mas colocou Portugal no caminho da recuperação certa e sustentável. As indicações da Comissão Europeia e os indicadores das agências de rating levam isso em conta. Ambas esperam que o actual governo consiga consolidar as contas e o regime de sustentabilidade do país. Mas, lamentavelmente, o que vislumbramos é um delapidar de esforço alheio, devido a intransigência ideológica, a um complexo de superioridade moral. A questão da devolução da sobretaxa é apenas uma pequena verruga na cara daqueles que não querem perder a face. Se não for o PS a deitar a toalha ao chão, será o PCP ou BE a arrancar-lhe a camisa. Marcelo vai ter pouco trabalho. Escutem o que Mohamed tem a dizer. Dispensem as palavras de Galamba.

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publicado às 19:37

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Não existe tal coisa. Não existe ano novo e outro velho. Existe um continuum. E pelos vistos a estrada também é a mesma. O flagelo da sinistralidade nas vias rodoviárias é um inferno, uma patologia que parece não ter cura. Mas o que se passa nessa dimensão da deslocação sobre rodas não é diferente do que se passa com a governação em Portugal - as derrapagens e os embates não são a excepção, são a regra. Os fundos atirados às campanhas de prevenção rodoviária provam que existe gestão danosa. Os resultados positivos simplesmente não aparecem. E os cidadãos-condutores são os principais arguidos desta modalidade de criminalidade colectiva. Repetem o comportamento que realça o desprezo pela própria vida e a dos seus compatriotas. Os números que a Brigada de Trânsito apresenta respeitantes a feridos graves e mortos, são equivalentes às quantias da falência do Banif. Ou seja, vão servir para justificar ainda mais despesa, para passar um atestado de desresponsabilização aos governos (o anterior, o presente, assim como aquele que estará para breve). Ainda assim, a lenga-lenga mais usada pelos condutores é aquela "da curva mal concebida, da falta de sinalização", quando sabemos que é tudo menos isso. Enfim, um conjunto de artefactos para sacudir a água do capote. Lidamos, lamentavelmente, com a expressão de uma mentalidade colectiva que tarda em agarrar o  destino com as próprias mãos. O governo, fruto dessa congregação hiper-democrática da maioria de razão de Esquerda, tem a obrigação moral de agarrar o bicho nacional pelos cornos. O bicho que anda nas estradas, assim como o monstro da realidade nacional de orçamentos correctivos e sevícias fiscais. Não existe um tempo passado. Existe um agora irreverente, encerrado na justificação plausível de um sentido ético. A patente do "tempo novo", registada pelos novos lideres nacionais, deve corresponder ao assumir da responsabilidade pelos actos e as decisões tomadas. A fragmentação da coligação PSD-CDS deve ser vista como coisa boa, mas não pelas razões invocadas pela Esquerda redutora dos factos. Esses partidos sabem que existe um momento para pensar a solo e outro para encarnar premissas doutrinárias que possam ser partilhadas. No fundo, Portugal encontra-se na intersecção de estradas, no cruzamento repartido por vias de acesso independente, mas comprometidas. Ninguém está com alguém. Alguém já esteve algures. Mas todos se encontram nenhures. O PS, o PCP, o BE, o PSD e o CDS são condutores avulso, preparados para alvitrar a ideia de autoestrada, de desígnio trans-ideológico. É assim que eu vejo Portugal. Muitos condutores dispostos a cometer a fracção da sua parte, desalinhados quanto baste para transformar autoestradas em caminhos de cabras. Peço perdão pela franqueza, mas é o que eu sinto. E ontem à noite nem por sombras pegaria numa viatura. Mas vi o triste espectáculo.

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publicado às 19:14

Postal de Natal de António Costa

por John Wolf, em 26.12.15

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Não escutei a mensagem de Natal de António Costa. Nem precisava de o fazer, mas li as notas de rodapé coladas aqui e acolá. Já sei que o primeiro-ministro sublinha as virtudes da sua plataforma à Esquerda, mas não agradeceu a Direita "instransigente" que o PSD corporiza, pela ajuda dada na aprovação do orçamento rectificativo e da contribuição extraordinária de solidariedade. É apenas um pormenor, contudo revela que afinal António Costa não é o democrata de consensos alargados e entendimentos que tão vocalmente apregoa (para além de ser politicamente malcriado). António Costa repete vezes sem conta que vivemos um "novo tempo" em Portugal, ao que acrescenta que grandes dificuldades são de esperar no futuro que se avizinha. Então? No que ficamos? Vira a página ou reconhece que os portugueses ainda vão ter de suportar muitos (e mais) sacrifícios. Em vez de viver o presente, celebra antecipadamente os 30 anos de adesão à Comunidade Económica Europeia, os 40 anos da Constituição da República Portuguesa e os 20 anos dessa organização lírica conhecida por Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). E ainda tem tempo para enviar um abraço às comunidades portuguesas no estrangeiro e aos militares em comissões além-mar. O que discorre em ambiente festivo soa a paleio de velho jarreta, quando o que se lhe exige é uma visão pragmática e assertiva respeitante ao novo ciclo que se lhe escapa ao controlo, e em relação ao qual Portugal vai beneficiar sem que este governo faça a ponta de corno. Será o Banco Central Europeu (BCE) a evitar o descalabro deste governo-soma de ocasião. A continuação do programa de aquisição de títulos de dívida da parte do BCE está prevista até Março de 2017. Ou seja, até lá, eventuais e mais que certas anomalias de tesouraria serão camufladas por este mecanismo monetário da Zona Euro. Na mensagem de Natal António Costa referiu isto e agradeceu os senhores da gleba monetária? Se alguém souber, e puder confirmar, por favor envie-me um telegrama. E ainda, na mesma senda de omissões e irregularidades, o que está a suceder em Espanha foi referido na mesma missiva natalícia como factor de volatilidade na cena política-económica nacional pelo primeiro-ministro? Se alguém ouviu alguma coisa a esse propósito, queira fazer o favor de me enviar um postal, para que eu fique descansado que este governo tem mais do que mãos a medir para a TAP, e tudo o que permeia os céus e a terra. Afinal o Pai Natal é socialista de gema - tem tudo e dá a todos.

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publicado às 16:48

A reemergência do bloco central de interesses

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.15

As notícias sobre a morte do centrão foram manifestamente exageradas. Passos e Costa podiam fazer o jeitinho a Cavaco Silva e permitir-lhe terminar o mandato deixando o legado com que há anos sonha: um governo composto por PSD e PS. Sempre era mais "estável e duradouro" que a geringonça.

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publicado às 16:41

E também isto

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.15

Luís Aguiar-Conraria, “As finanças são uma arma. Política é saber quando puxar o gatilho”.

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publicado às 10:06

Isto

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.15

Luís Menezes Leitao, Oposição a sério, precisa-se:

 

Se, como tudo indica, o PSD viabilizar o orçamento rectificativo, acho que deve ser Passos Coelho a demitir-se da liderança. O país precisa de uma oposição a sério a este governo e não de partidos amorfos, que vêem o seu próprio governo ser derrubado e vêm logo a seguir oferecer a outra face, apoiando quem os derrubou. E não me venham com a treta do interesse nacional. O interesse nacional é precisamente que não sejam gastos os 3.000 milhões que se quer meter no BANIF, agravando o défice e a dívida. O voto do PSD a favor deste orçamento só demonstrará uma coisa: que António Costa tem todas as condições para ser primeiro-ministro. Pedro Passos Coelho é que não tem manifestamente condições para continuar a liderar a oposição.

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publicado às 09:51

Uma oportunidade que não se deve perder

por Samuel de Paiva Pires, em 22.12.15

Poucas semanas depois, CDS e PSD têm a oportunidade de cumprir o que prometeram a António Costa. Basta recusarem-se a aprovar o Orçamento Rectificativo. É o que Costa merece e, além disso, é o mais acertado perante a desastrosa solução encontrada para o BANIF. Veremos se mantêm o que Portas prometeu e não se deixam ficar reféns de Costa e de um alegado pragmatismo que habitualmente passa por responsabilidade e sentido de Estado, mas que frequentemente serve apenas para justificar más decisões.

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publicado às 14:04

Ler

por Samuel de Paiva Pires, em 28.10.15

João Miguel Tavares, António Costa anda a aldrabar-nos.

 

Rui Ramos, Quem tem medo de eleições?

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publicado às 15:32

"A hora negra do regime"

por Samuel de Paiva Pires, em 26.10.15

Pedro Lomba, A hora negra do regime:

A verdadeira novidade é esta: a alteração das condições de legitimidade em Portugal para formar governo. Os governos minoritários (do PS ou PSD) foram sempre uma opção tida como viável e legítima não podendo o Presidente obrigar o partido ou partidos vencedores a uma maioria que estes não pudessem construir. A mudança abrupta das regras de legitimidade significa que os governos minoritários do centro-direita passarão a ser uma opção impossível podendo um grupo de partidos derrotados unir-se para impor ao Presidente uma maioria, mesmo que este a considere inconsistente. Os equilíbrios do nosso sistema político serão assim rompidos.

(...)

i) Por tudo isto, e sem que saibamos todos os desenvolvimentos deste processo, há desde já um facto a que possivelmente já não iremos conseguir escapar: a ruptura das regras de confiança política na nossa democracia. Uma ruptura que afectará as relações entre PSD, CDS e PS, mas também entre todos os restantes partidos. Uma ruptura nas regras de legitimidade na formação dos governos e nas fronteiras e equilíbrios que sempre nos habituámos a respeitar. Uma ruptura que impedirá a construção de consensos ao centro, ora mais para a esquerda, ora mais para a direita, o que atendendo às decisões parlamentares que carecem de maiorias de dois terços só irá agravar o bloqueio e a erosão do nosso sistema político. Ao ser mudada a regra de que quem ganha com maioria (relativa) afinal não governa, são os equilíbrios políticos entre a esquerda e a direita que sairão destroçados. Com isto regredimos anos e anos; e podemos regredir ainda mais. E não sei quantos mais levaremos depois para recuperar. A estabilidade de Portugal é o bem mais valioso. Boa sorte para todos nós.

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publicado às 13:14

Do desrespeito pelas tradições

por Samuel de Paiva Pires, em 26.10.15

Se há algo que os desenvolvimentos recentes no panorama político luso nos têm mostrado é que assim como podemos contar com a direita e o seu natural temperamento conservador para respeitar as tradições, mesmo se emanadas a partir da esquerda socialista e sempre tendo servido os propósitos desta e da conversação que é a política entre uma esquerda e uma direita que, em democracia, são adversárias mas não inimigas, também podemos contar com os socialistas e progressistas e as suas mentes prenhes do construtivismo dogmático e do revolucionarismo para desrespeitar as tradições quando assim lhes convém. Ademais, ter de ouvir Pedro Filipe Soares, que propugna uma ideologia totalitária, a afirmar que "Em democracia mandam os votos e não as tradições", quando a democracia liberal é, por definição, tradicionalista (para os interessados, veja-se como conservadores e liberais como Friedrich Hayek, Karl Popper, Michael Polanyi ou Michael Oakeshott defenderam a democracia liberal precisamente considerando o seu carácter tradicionalista) só acrescenta substância à ideia  de que a má fama da política fica a dever-se ao facto de ser protagonizada por gente não só muito pouco decente como assaz ignorante.

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publicado às 09:54

Precisamos de eleições em 2016

por Samuel de Paiva Pires, em 21.10.15

Rui Ramos, António Costa do outro lado do muro:

Em Maio de 2014, para tirar o lugar a António José Seguro, António Costa transformou uma vitória eleitoral numa derrota; agora, para se manter no lugar, pretende transformar uma derrota numa vitória.

(...)

A exclusão do PCP e do BE não dividia a sociedade portuguesa; a exclusão do PSD e do CDS, contra as tradições e as regras do regime, dividirá.

Já não há soluções de governo estáveis e coerentes neste parlamento. A coligação PSD-CDS venceu as eleições, mas não terá, pelos vistos, apoio parlamentar. Um acordo Costa-PCP-BE poderá reunir esse apoio, mas será sempre apenas um arranjo de derrotados, uma Frente Impopular, para eliminar a opção de governo mais votada pelos portugueses. Só a dissolução deste parlamento e novas eleições poderão resolver a crise política portuguesa: ou dando à coligação PSD-CDS a maioria absoluta que lhe faltou, ou dando a um bloco Costa-PCP-BE a vitória eleitoral que não teve. O país, sabendo o que agora sabe, tem o direito e precisa de fazer uma grande escolha. Quanto mais depressa ficar estabelecido que haverá novas eleições em Maio ou Junho de 2016, melhor para todos.

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publicado às 11:55






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