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Portugal não tem culpa desta crise

por John Wolf, em 24.08.15

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Lamentavelmente, Portugal e tantas outras nações, encontram-se no momento errado da história do mundo. Há quem lhe chame sina, há quem lhe chame fado. Mas em todo o caso, não se trata de um assunto jocoso. Se quisermos dar-lhe um nome, esse terá de ser parente de tragédia. E não me refiro à Grécia. Inauguramos hoje, um pouco por todo o mundo, uma nova crise financeira com contornos mais graves do que a de 2008. Não se trata agora de uma crise subprime, mas provavelmente de uma crise resultante dos efeitos da terapêutica que foi prescrita ao longo dos últimos anos para a curar. O crash bolsista da China, e que rapidamente incendiou o resto das praças financeiras do mundo, relaciona-se com um conceito financeiro que comporta na sua essência grandes perigos. O quantitative easing, iniciado nos EUA e depois aplicado a outras divisas e regiões económicas, serviu para promover a ideia de ficção económica. A noção de que os banqueiros centrais poderiam substituir a verdadeira dinâmica das economias. Ora baixaram juros a níveis nunca antes visto, ora compraram títulos de tesouro para garantir o funcionamento de governos e Estados, ora aprovaram, sozinhos ou em conjunto, pacotes de salvamento de países. Por outras palavras, foram só facilidades financeiras inventadas com um estalar de dedos. As dificuldades, essas, poderiam ser resolvidas mais tarde - pensavam eles. Pois bem, esse "mais tarde" é agora, mas infelizmente não vem só. No seio da União Europeia, se não bastava a crise Grega, podemos agora juntar a desaceleração da economia chinesa, a ascensão imperial da Rússia, o acordo com o Irão, a clivagem entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, a crise de migrantes e refugiados que galga as margens que separam a Europa desenvolvida da África e do Médio-Oriente, a ameaça crescente do Estado Islâmico, entre outros factores imponderáveis resultantes da combinação nefasta destes elementos. O perfect storm, a que muitos se referem, não trará bons ventos a Portugal. Veremos de que modo cínico e oportunista os detractores de Portugal se irão servir desta ementa de consequências nefastas para vaticinar de um modo pós-orácular - como se já soubessem, como se pudessem prever. Numa frase: this does not look good and Portugal´s not to blame.

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publicado às 20:39

A próxima crise global está a chegar

por John Wolf, em 12.05.15

A crise de 2008 foi uma brincadeira de crianças....

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publicado às 14:57

Euro: a divisa zombie

por John Wolf, em 11.03.15

 

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A crise de crédito iniciada nos EUA em 2008 e que foi exportada para a Europa, expôs de um modo flagrante as fragilidades da União Europeia (UE) e do Euro. A Reserva Federal não foi tímida nem lenta na implementação de medidas correctivas - George W. Bush foi dos primeiros a avançar com um pacote de ajuda na ordem dos 800 biliões de dólares. Subsequentemente o Quantitative Easing (QE) foi aplicado na ferida aberta dos Mortgage-Backed Securites (MBS) e Asset-Backed Securities (ABS), a título de exemplo. O Banco Central Europeu (BCE) inscrito na matriz histórica de uma Europa conhecedora de hiperinflação, da República de Weimar e regimes fascistas que floresceram no contexto de determinadas condições socio-económicas, foi mais ponderada na definição de um curso de acção. Sete anos após 2008, o BCE decide avançar com o seu próprio programa de QE e desde Segunda-feira dia 9 de Março de 2015 tem vindo a colocar meios financeiros junto dos bancos centrais de Estados-membro da Zona Euro no sentido da aquisição de títulos de tesouro no mercado secundário. Em traços largos a abertura da torneira da liquidez por esta via tem vindo (passe a redundância) a diluir o valor intrínseco da divisa Euro. O "excesso" de oferta de moeda produz exactamente esse efeito - a sua desvalorização. Muitos poderão argumentar que sem dúvida alguma existe intencionalidade "adicional" nesta medida de alívio/ajuda das economias em apuros. Ao tornar o Euro "barato", as dívidas expressas nessa divisa também sofrem um "desconto", e as exportações da Zona Euro também beneficiam com esta desvalorização cambial, mas a vantagem pode vir a tornar-se um problema. Basta pensarmos numa subida abrupta da cotação do crude, que implica a disponibilidade de dólares para a sua compra. Existe ainda outra dimensão de análise respeitante a este "spread" entre o Euro e outras divisas. Para já, restringemo-nos ao EUR/USD e levemos em conta a previsível subida da taxa de juro nos EUA (há quem diga em Junho deste ano) que alargará ainda mais o fosso entre as duas divisas transatlânticas. A paridade entre as duas moedas não deve servir de marcador especial. O USD transporá essa fasquia com grande facilidade. Quem não se recorda do Escudo? A 26 de Outubro de 2000 um USD valia 242,95 Escudos. Ou seja, o equivalente a €1.20 (um euro e vinte cêntimos, sensivelmente). Nos últimos dias temos assistido à valorização galopante do dólar americano o que coloca algumas questões existenciais sobre a mesa do Euro. Os políticos da União Europeia e os mecânicos do BCE podem fazer tudo para salvar a sua face, e a da moeda que viram nascer com tanto entusiasmo, mas em última instância o que está em causa é a credibilidade da divisa e a confiança que os seus "utilizadores" depositam na mesma. O Euro pode ser que não morra de doença súbita, mas nos próximos tempos andará por aí como um zombie.

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publicado às 08:40

Show me the money, Varoufakis!

por John Wolf, em 27.02.15

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Provavelmente da próxima vez que escrever uma pequena nota neste blog estaremos todos felizes e contentes no mês de Março. O Banco Central Europeu (BCE) havia anunciado, e vai cumprir: irá dar início ao seu programa de quantitative easing no mês que está prestes a chegarOs mercados financeiros e accionistas irão bombar como um drogado que acaba de receber uma injecção no veio central da sua existência. A compra de títulos de tesouro por parte do BCE é um doce para os especuladores, mas não gera efeitos imediatos na economia real. Vimos como foi nos EUA, mas a Europa será um caso à parte. Na América puseram o dedo na ferida, por exemplo com a intervenção no âmbito dos Mortgage-Backed Securities (MBS). Contudo, na Zona Euro poderemos esperar por um efeito que não carece de uma explicação complexa. A injecção de liquidez, por via directa ou indirecta nas economias, e pela compra de títulos de tesouro dos países da Zona Euro, afecta o valor das divisas subjacentes. Neste caso, poderemos contar com uma ainda maior desvalorização do Euro. Por um lado, essa condição cambial ajuda as exportações da Zona Euro, e, por outro lado, uma vez que a deflação parece reinar na Europa, existe margem para aumentar os níveis de oferta de liquidez. A inflação até é desejável, e por mais do que um motivo, mas sublinhemos o facto das dívidas dos Estados serem mais facilmente mitigadas se a divisa em que as mesmas se expressam menos valerem. Aquilo que vai ser iniciado em Março pelo BCE não irá clarificar a complexidade da situação económica em que se encontra a Europa. Sempre que a economia real não funciona, os bancos centrais escrevem ficção  - imprimem dinheiro e passam a ser uns mãos largas como se isso resolvesse os problemas estruturais das economias. As bolsas europeias decerto que irão bombar, e os hedge funds e especuladores farão as suas apostas certeiras, mas o cidadão comum será excluído dessa festa. A Grécia deixar-se-á envolver nesse turbilhão de ilusões e aproveitará o mesmo para extrair dividendos. Varoufakis e os demais pseudo anti-capitalistas dirão que é um claro sinal de recuperação. Mas os mais avisados sabem que isso não é verdade. Aqui deixo o meu aviso. E eu nem sequer sou um especialista na matéria.

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publicado às 22:53

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Não é assim tão simples como pinta o Draghi e companhia. O European Quantitative Easing tem contornos próprios. Os estados-membros da União Europeia que venham a receber "dinheiro fresco", apenas podem servir-se do mesmo para comprar a "sua" dívida aliviando os encargos dos seus bancos. Ou seja, a integração europeia e a transversalidade decorrente da mesma são inexistentes. É o mesmo que dizer: pega lá no guito e salva-te se puderes. Como podem ver, o espírito ecuménico vigente nos tratados europeus não passa de uma fantasia. O legado civilizacional comum de pouco vale. Venham de lá esses "triliões".

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publicado às 09:16

Zorba e o filme do Euro

por John Wolf, em 20.01.15

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A União Europeia (UE) é uma experiência autofágica. A possibilidade de efectiva destruição da divisa Euro, com todas as consequências que a mesma acarreta, resulta das condições endémicas geradas pelos lideres da União Europeia. Quiseram embalar no mesmo baralho monetário economias tão dísparas com a vã expectativa que os fundos estruturais e outros mecanismos de subvenção europeus pudessem limar as arestas das diferenças dos  estados-membro da UE. O resultado está à vista. O Euro está a descarrilar e já foi "abandonado" pela Suiça (e outros seguir-lhe-ao o rasto) - o país que antecipa a defesa do seu interesse nacional enquanto as outras nações dormem. Não há nada de cínico neste comportamento - não passa de uma expressão de Realpolitik monetária. Mas a última estocada que será desferida no Euro, não resulta de congeminações fundamentalistas externas, nem de ataques de terceiras partes. Será o próprio Banco Central Europeu a administrar a (over)dose fatal. No dia 22 de Janeiro, os dealers monetários da Europa, comandados pelo Exmo. Sr.  Mário Draghi, darão início a um processo de dumping monetário autorizado - European Quantitative Easing (EQE). A primeira palete será da ordem dos 550.000.000.000 de Euros (quinhentos e cinquenta mil milhões de Euros). O Euro está a afundar? Ainda não vimos nada. O Euro irá ao encontro da paridade com o Dólar? Nada disso. O dólar irá ficar ainda mais forte, muito mais forte. Mas temos de juntar outro elemento de destruição à fórmula - a mais que provável vitória do Syriza nas eleições gregas que têm lugar no dia 25 de Janeiro. Estes dois eventos quando combinados irão gerar turbulência assinalável na zona Euro e não só. Aqueles que aplaudem a "vingança" grega nem sequer sonham com o que aí vem. As falsas promessas e as utopias socialistas têm um apelo populista forte. António Costa sabe-o e tentará extrair dividendos da situação grega para a sua campanha pessoal. Quanto a Portugal, isso é outra história. Fica para depois.

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publicado às 10:00

Janet Yellen e o FED europeu

por John Wolf, em 07.01.14

Não é que faça diferença alguma, mas pela primeira vez em cem anos, o presidente da Reserva Federal dos EUA é uma mulher. Janet Yellen substitui deste modo Ben Bernanke que indubitavelmente ficará ligado à decisão de estimular a economia por via da receita designada por quantitative easing. A senhora que se segue, embora venha ao encontro de um quadro económico americano de saída da recessão (ou retoma moderada), não significa que tire o pé do acelerador da injecção de liquidez nos mercados de um modo brusco ou impulsivo, o que em última instância poderia provocar uma derrapagem ou até uma saída da estrada do potencial crescimento da economia norte-americana. Para já, e no contexto da inundação das economias com doses maciças de liquidez financeira, a inflação ainda não é uma preocupação que obrigue a subir taxas de juro - a torneira para fechar o "caudal" monetário do FED. Na Europa, a história é parecida e muito diferente ao mesmo tempo. Por um lado, as economias europeias parecem mostrar alguns sinais de terem batido no fundo, e por outro lado, este facto ainda não impactou de um modo substantivo a geração de emprego. Contudo, há outra dimensão macro-económica que vai obrigar o Banco Central Europeu a rever a sua abordagem às problemáticas estruturais que afligem as economias e os mercados. E esse risco tem um nome - deflação. A espiral deflacionista é algo que deve ser evitada a todo o custo. O mundo conhece bem o mau exemplo do Japão que não saiu do mesmo lugar económico nos últimos vinte anos, devido ao peso morto e contraproducente que a deflação representa. Por essa simples razão, Mario Draghi  deve tentar inverter rapidamente as regras do jogo. E tem várias coisas que jogam a favor de uma cartada europeia de estímulo monetário, à moda do FED americano. Em primeiro lugar, as compras de títulos de tesouro dos países em apuro serviu para aliviar as contas correntes das administrações centrais, mas não chegou à economia real, uma vez que as regras de concessão de crédito se tornaram mais apertadas e criteriosas. Em segundo lugar, numa economia global, onde se desenrolam as guerras de divisas, um euro forte não vem mesmo nada a calhar para ajudar as exportações dos países-membros da zona euro para fora da sua zona de conforto. Em suma, e voltando a nomeação de Yellen para timoneira da reserva federal dos EUA, podemos afirmar que não interessa nada quem está ao leme de tão importante instituição, desde que entenda as implicações decorrentes do cargo e da missão a cumprir. E a missão a cumprir na Europa, a meu ver, não tem nada que saber. Ou se estimulam as economias e estas crescem, ou não se estimulam as economias  e estas minguam. Entre uma coisa e outra, não parece haver dúvidas sobre a decisão acertada a tomar.

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publicado às 10:51

Ambrose Evans-Pritchard alinha com os defensores da produção de dinheiro e estímulo à economia via quantitative easing para acabar com a crise do euro: "The crisis can undoubtedly be halted immediately by the ECB. The bank can reflate Club Med off the reefs. It chooses not to act for political reasons because this mean higher inflation for Germany. That is the dirty secret. Everybody must be crucified to keep German internal inflation under 2pc." Pena que o autor que chama a atenção para o esquecimento de muitos em relação às lições da história económica, não se recorde ele de certas lições da história política. Ainda que a Alemanha seja o país mais beneficiado pela moeda única, como Sebastian Mallaby assinalou no Financial Times há dias, a inflação é um confisco de propriedade privada cujas consequências políticas os alemães conhecem bem. Ademais, o que se retira do parágrafo acima é a consequência lógica de que o melhor é acabar com o euro nos moldes actuais, em vez de adiar o inevitável, retirando os países mediterrâneos do colete de forças onde se encontram. Mas como em vez de pensar e preparar essa receita, as elites europeias preferem fazer vídeos a celebrar o sucesso do euro (?!), cá vamos continuando no mais do mesmo da austeridade sem verdadeiras reformas estruturais do estado, onde o défice e a dívida pública dificilmente diminuem, esmagando-se a classe média para pagar os desmandos dos governos das últimas décadas. É o que se chama navegar à vista. 15 minutos antes do jogo terminar ainda estamos todos vivos.

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publicado às 23:17






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