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Não vale a pena enunciar todos os pressupostos e axiomas que configuram a equação terrorista. O ataque ocorrido em Manchester faz parte do mesmo guião de danos que já assolou cidades como Berlim ou Paris. No rescaldo do evento dramático que atingiu aquela cidade britânica, todas as antenas mediáticas do mundo tentavam relevar os aspectos logísticos que conduziram ao desfecho trágico. Retenho umas passagens bizarras apresentadas na Sky News. Perguntava-se a um especialista em segurança porque não tinha havido um controlo à saída do recinto. Este tipo de raciocínio assemelha-se em muitos aspectos àquele aplicado às consequências do Brexit - depois de casa roubada, trancas à porta. Entramos, deste modo, numa nova fase preocupante respeitante à segurança dos cidadãos europeus. O adversário, Estado Islâmico, ou congéneres de inspiração análoga, parecem ter elevado a fasquia do impacto. Foram crianças, meninas e meninos, em idade pré-doutrinal, as vítimas da operação hardcore. Ouso inaugurar um conceito que ainda não escutei nos meandros geopolíticos ou académicos: pedo-terrorismo. Ou seja, acções terroristas levadas a cabo com a vil intenção de anular a descendência do adversário. Esta nova dimensão vai implicar uma abordagem securitária com uma natureza muito mais premente. As crianças brincam, mas estes inimigos não andam a brincar.

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publicado às 17:49

Tem razão

por Nuno Castelo-Branco, em 10.04.17

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 Na cimeira dos sulistas, o primeiro-ministro disse algumas coisas a que não prestei qualquer atenção, ou seja, os normais fait-divers que sempre ocorrem nestas situações e no seguimento dos discursos dos restantes convivas, subitamente recauchutados em entusiastas neo-vassalos da até agora odiada neo-administração norte-americana.


Costa declarou peremptoriamente que o Brexit deve ser seguido de forma atenta e o Reino Unido deve manter o seu histórico lugar de ...mais forte aliado do resto da Europa, diga-se para quem leu as entrelinhas, do nosso país. Se os outros assim não o entendem, paciência, tanto pior.

Vertam os caudais de fundos que verterem, subornem quem subornarem, a saramaguenta jangada de pedra não passa de uma estorieta para adormecer. O resto, o que nos importa, é conversa muito mais séria e interessante para a nossa sobrevivência nacional. 

Neste caso Costa tem razão, nem sequer poderia cogitar noutras possibilidades demasiadamente arriscadas.

Passemos então a outros assuntos e bem vistos os factos dos últimos 700 anos, como agora se usa dizer, o primeiro-ministro traçou aos outros convivas a linha vermelha. 

 

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publicado às 22:25

Brexini

por John Wolf, em 27.08.16

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Theresa May não irá esperar por Maio para despoletar o processo conducente à saída do Reino Unido (RU) da União Europeia (UE). A senhora não necessita de treinos unidos para rodar a maçaneta e dar de frosques. Ao contrário da geringonça, que se pautou pelo mais alto teor de expressão democrática parlamentar (para se parir, para se dar à luz,) a primeira-ministro e lider dos Tories avançará para a remoção do RU da UE sem a aprovação parlamentar do artigo 50. Por outras palavras, o artigo 50 segue despido de farda legislativa regular. Trata-se de um Brexini - o uniforme pouco importa. Um Brexit é um Brexit e qualquer pretexto formal não servirá para descarrilar a intenção expressa em referendo. Enquanto os franceses discutem os bons costumes balneares, os britânicos aplicam uma camada de pragmatismo. Aliás, os últimos meses serviram para medir a capacidade de resistência da economia britânica. A queda da libra tem ajudado os exportadores e alternativas ao comércio com parceiros da UE parecem ganhar cada vez mais forma. No entanto, e seguindo este rumo, ninguém poderá negar a bastonada que o Parlamento Britânico leva. Numa Europa cada vez mais à mercê de devaneios de consensos, e equilíbrios desejados, temos aqui a prova de que a unilateralidade decisória está a encontrar o seu poiso, o seu acampamento. Embora não se trate de uma ordem executiva, poderemos afirmar que o RU já não depende de terceiros para domesticar o estado de arte da sua política. Isto é apenas o início de algo. Um ponto de inflexão, se quiserem.

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publicado às 16:47

Descaramento e arrogância

por Nuno Castelo-Branco, em 02.08.16

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 1. Descaramento


Todos sabemos por experiência colectiva - como eles gostam de dizer - que quem manda, por regra mente. Mente descaradamente e a propósito de tudo e pior ainda, de todos. Falta à verdade de tudo o que lhe convém enviar à estratosfera numa espécie de nuvem chuvosa no Saara. Temos então a questão pendente da Real Quinta de Caxias, em péssima e sinistra hora doada pelo infeliz Rei D. Manuel II ao Estado, no mesmo lote em que para sempre se foi Queluz. Cento e oito anos passados, o desastre está à vista desarmada, as portas escancaradas e o interior devastado por ladrões e pelos seus colaboradores. Ao contrário do que ontem foi dito no telejornal, o espaço está completamente acessível há muitos meses e o estado do interior prova isto mesmo. Só lá não foi quem não quis. 

E quem são aqueles colaboradores? Precisamente  quem até há uns tempos usou e abusou de um espaço que lhe foi entregue bem cuidado, mobilado, decente e apresentável tal como demonstram as escassas fotos datadas de 1905. Tudo se perdeu para sempre. Painéis de azulejos setecentistas, madeiras de soalho, pinturas e forros, vidros, portas e portadas, tudo foi destruído, dir-se-ia uma imagem de um palácio na Europa Central de 1945. Alarme dado nas redes sociais, podem agora fazer as reportagens que bem entenderem, pois o espaço chegou ao ponto de ruptura sem remédio possível. Podem apresentar-se diante de jornalistas todos os recém-chegados especialistas que encontrarem e podem apresentar-nos militares uniformizados de porteiros de hotel de terceira categoria que ainda têm o topete de debitar diante dos microfones, a anunciada e rigorosa "lista de encargos exigida aos futuros proprietários". Sabemos que desavergonhadamente mentem "com todos os dentes que têm na boca", tomem bem conta disto. Querem ganhar dinheiro a todo o custo, quando simplesmente têm o dever moral de entregar  gratuitamente a Real Quinta a quem dela de imediato cuidaria: a Fundação da Casa de Bragança. 

Sim, falta de pudor e um total descaramento. 

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 2. Arrogância


Quem diria que passadas apenas algumas semanas, a conversa enchachada do sr. Juncker mudaria radicalmente, oferecendo agora a vital pasta da Segurança a um comissário britânico?

O que disse ele durante uns dias, valha-lhe Deus! O ódio chispava, as palavras saíam-lhe incontroladas pela boca fora, ofendia em pleno "parlamento" europeu, o mau perder era clamorosamente perceptível e agora, subitamente, tendo sido ele uma autêntica fraude na gerência luxemburguesa, é moralmente moche e   finalmente amochou.

A arrogância era afinal uma desesperada fita e atendendo bem à realidade dos factos que não têm discussão, não há na Europa país mais competente para dirigir situações relativas à Defesa e Segurança do que o Reino Unido. Não há, estamos ainda muito longe de termos um outro entre os vinte e sete que sequer remotamente se lhe compare. Habituem-se a isto em Bruxelas. 

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publicado às 22:19

EU Leave Commissioner

por John Wolf, em 29.06.16

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A União Europeia (UE), como tem sido o seu apanágio, não tem sido capaz de acompanhar os tempos em que vivemos. E estou a ser simpático. Ao longo das últimas décadas não soube edificar os pilares da Política Externa e de Segurança Comum ou tender para uma verdadeira União Fiscal. O esforço mercantil e económico não bastou para contagiar as demais dimensões. Os fundos estruturais pareciam ser a panaceia inédita. Pensaram eles que a religião dos mercados seria suficiente, que atirar dinheiro aos desafios serviria para dissipar o fosso económico e social entre os mais ricos e pobres. À época não havia desentendimentos. Não havia neo-liberais e menos neo-liberais. Não havia uma Esquerda ou uma Direita demarcada por regiões. Não havia uma zona Euro nem uma zona Deutsche Mark. Não havia grande diferença entre o político doméstico e o político de Bruxelas. Mas lentamente, sem grande alarido, o interesse nacional de cada Estado-membro foi subvertendo o idealismo de Monnet ou Schuman. Os países, Estados-membros, ou outros a caminho desse estatuto, foram alavancando o seu caderno de encargos, o seu rol de exigências, até desvirtuar a possibilidade de uma verdadeira união política, uma federação. E os anos da UE que foram passando serviram de pastagem para a expressão de um conjunto de reinvindicações económicas e sociais da parte daqueles que não foram capazes de reorganizar os seus modelos societários. Sempre que as dimensões económicas não encontraram resposta, a ideologia foi sendo arremessada para justificar quer as faltas quer os excessos. Se existiu um Estado-membro que melhor soube tirar partido das fraquezas congénitas da UE, esse parceiro foi o Reino Unido. Se existiu um Estado-membro que buscou tratamento diferenciado dentro da continentalidade europeia, esse colega foi o Reino Unido. Se existiu um Estado-membro que nunca abdicou da sua irmandade transatlântica com os EUA, esse camarada foi o Reino Unido. Enfim, podemos afirmar, de um modo equilibrado e desprovido de paixão, que o Reino Unido talvez não tenha feito a sua quota-parte para aprofundar o processo de integração. Na hora do divórcio e da penosa separação de águas, todos estes elementos de sentimentalidade nacional e europeísta serão colocados em cima da mesa para o estabelecimento de novos acordos de associação. Embora seja uma contradição suicida, resta exigir o seguinte à UE por forma a atenuar as dores de separação: onde está o Comissário das Saídas da UE? Será de prever que semelhantes casos de despedidas venham a ocorrer. E seria bonito, que na sua hora final, a UE demonstrasse algum decoro, alguma competência.

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publicado às 16:31

Leitura obrigatória

por Samuel de Paiva Pires, em 29.06.16

Sobre o Brexit e o futuro da União Europeia, ide ler o belíssimo texto do José Meireles Graça.

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publicado às 14:54

Artigo 49 do Tratado de Lisboa

por John Wolf, em 28.06.16

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Deviam ter tido mais juízo. Um referendo é um assunto sério e não deveria ter sido menosprezado. Jogaram? Perderam? Ganharam? Agora é um pouco tarde para chorar sobre leite derramado. Venha de lá esse artigo 50 que tem estado a acumular pó no Tratado de Lisboa. A petição para um Rereferendo já conta com 3 milhões de assinaturas? Lamento muito, mas apostaram no cavalo "errado". Paciência. Tiveram décadas e mais décadas de pertença ao projecto europeu, para agora se porem a invocar o desconforto da situação e reclamarem mais concessões. Sim, saída célere para colocar do lado de fora do idealismo europeu indivíduos com ideias diversas. Keep your friends close, but your enemies closer? (don´t know). Daqui por uns tempos podem sempre recandidatar-se a membro da União Europeia, se esta ainda existir. O artigo 49 também lá está para alguma coisa. Passemos à frente, mas receio que o desafio político que a Europa enfrenta não merecerá a resposta adequada. Os comunitários têm uma tendência inata para tratar das maleitas com as receitas erradas. Daqui a nada vão atirar com ainda mais dinheiro ficcionado pelo Banco Central Europeu aos mutilados pelo referendo. Existe muita roupa suja que irá ser atirada ao ar. O Parlamento Europeu parece ser o local apropriado para a baixeza de nível. Le Pen ou Farage foram criados nesse aviário. São filhos de Monnet e Schuman, e dos corredores infinítos de redundâncias da União Europeia. Fruta normalizada. É o que me ocorre.

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publicado às 17:30

Dos mercados

por Samuel de Paiva Pires, em 28.06.16

Dragão, Dominó, Chain reaction, Whatever!...:

Todavia, não deixa de ser bizarro... Os mercados fustigaram a Grécia porque ficou, fustigaram Portugal porque nem à chapada e a chicote de lá saíria, fustigaram a Rússia, a China e a República Centro Africana (todos os meses) porque não pertencem; fustigaram até o Estados Unidos sabe Deus porquê, e agora vão fustigar também os Britânicos porque saem? A verdade é que saiam, fiquem, ou nem por isso, são fustigados. Na medida em que os tais mercados se converteram num flagelo já não valem como argumento. É irrelevante o que um país faça em termos de acordos internacionais perante um flagelo. Esteja o céu para aí virado, apanha com ele e pronto. É como os furações, os terramotos ou as enxurradas.Ou seja, os Mercados já pertencem mais ao domínio da metereologia do que da economia. Digo da metereologia porque estou a ser simpático: o termo rigoroso é astrologia (bruxaria e candomblé se estivermos com exactidões).

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publicado às 10:35

"Forget about it!"

por Nuno Castelo-Branco, em 27.06.16

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Nos últimos dias tudo tem servido para o normal parlapatório televisivo dos nossos comentadores políticos, desde o Dies Irae que se aproxima não se sabe como nem quando, até ao rebolar de desejo pelo rápido desaparecimento do Reino Unido. Apostam na total independência da Escócia e imediata integração do país na U.E. Em suma, uma das faces da vingança,  o argumento dos fracos e desesperados. Desunham-se por novas ideias, mas... 

...aqui estão dois pequenos detalhes:

1. Há que atender aos Tratados e por mais voltas que os nababos de Bruxelas lhes tentem dar, a conclusão é a mesma: qualquer adesão deverá ser sufragada pela unanimidade dos Estados, ou seja, pelos 27 remanescentes. Para agradar aos supracitados parlapatões que debitam sentenças em inglês, tal como os Tratados estão, "it's very unlikely".

2. A Espanha nunca o permitirá e a razão é conhecida. Quanto muito procurarão os espanhóis obter qualquer coisa a respeito de Gibraltar. Aceitar o ingresso de uma Escócia independente? Jamás, never! Ponto final.

Será mais fácil a 1º ministro escocesa pescar um cardume de esturjões à linha no Loch Ness, do que ver Madrid aquiescer aos seus apetites políticos. Contente-se então com as ovas. 

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publicado às 17:02

Brexit at Tiffany´s

por John Wolf, em 25.06.16

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Vou juntar-me à claque de especialistas e vaticinadores que já sabem o que advirá do Brexit. De repente os britânicos não passam de reles procriadores, de brexistas que se colocam de joelhos quando se lhes convém, ou de senhores do civismo sobranceiro - os tais donos do império que civilizou o resto do mundo. Mas deixemo-nos dos castigos e das sevícias administrativas de Donald Tusk ou Jean Claude Juncker. De nada importa reescrever a história e distribuir culpas e desleixos. A coisa está feita, feia. E os britânicos sabem, melhor que tantos, o que hão-de fazer à sua vida. Por um lado reforçarão a sua tradição transatlântica, esteja quem estiver na Casa Branca, e por outro lado poderão reavivar a sua commonwealth, mas de acordo com uma visão pragmática e económica -  penso sem grande esforço em diversos acordos de "substituição": com os Estados Unidos (EUA) ou com a Austrália. O impacto económico de curto prazo até lhes pode ser favorável - uma libra fraquita ajuda as exportações. Contudo, a separação da União Europeia vai ser um processo mais moroso do que julgam em Bruxelas. Já tivemos um referendo na União Europeia que não deu em nada. Os gregos votaram contra as medidas adicionais de austeridade, mas isso não demoveu o governo helénico de aplicar as mesmas. Nessa mesma senda de regimes e excepções, seria possível invocar esse precedente de contradição eleitoral, mas Cameron, ao contrário de arrivistas como António Costa, não está está interessado no poder pelo poder. O magistério da tradição política britânica fala mais alto. Os súbditos de sua majestade disseram de sua justiça e esse património de vontade não pode ser desfalcado. Bem sabemos que Juncker quer dar uma lição a outros candidatos "exitistas" da União Europeia, aplicando um modelo disciplinar agudo ao Reino Unido, mas eu teria algum cuidado. Os movimentos "independentistas" são de diversa ordem e provêm de famílias políticas distintas por essa Europa fora. As extremas têm cada vez mais em comum no que diz respeito aos seus intentos de emancipação e os russos estão a extrair dividendos do grande conflito interno que cada vez mais parece ganhar forma naquilo que resta da União Europeia. Os EUA vão sair a ganhar. Não apenas com o reforço do dólar americano, mas por poderem encontrar um parceiro ideal na Europa não continental. Quanto a Marcelo e Costa, vão levar ainda mais marteladas.

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publicado às 14:54

Artigo 50º de um "pedaço de papel"

por Nuno Castelo-Branco, em 25.06.16

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Sucedem-se as mais desmioladas e histéricas reacções, nem sequer os autores e esperados vigilantes da segurança do Tratado de Lisboa consideram minimamente aquilo que assinaram, para eles um pedaço de papel sem qualquer valor. Isto sem sequer contarmos com mais um bullying desta vez direccionado à "peste grisalha" britânica que para azar da própria, teve o privilégio de assistir durante décadas à evolução daquilo que hoje é a U.E. Recordemos então o que por cá se disse quando um governo foi acusado de provocar um conflito inter-geracional. Quem mais berrou foi o sector que agora e de forma nada surpreendente se escama todo pela decisão manifestada por sectores que evidentemente há muito deveriam ter deixado de viver, o tal "lastro social". 

Por aquilo que o cada vez mais patético senhor Juncker vai zurrando, trata-se agora de obter a miserável vingançazinha e expulsar os britânicos no mais breve espaço de tempo possível. Ora, isso não está previsto naquilo que o artigo 50º do tratado de Lisboa expressamente declara, ou seja: 

1.
Todo Estado membro poderá decidir deixar a União de acordo com as suas leis.
2.
Um Estado membro que decida deixar a UE deverá notificar a organização da sua intenção. De acordo com o que foi definido pelo Conselho Europeu, a UE devera chegar a um acordo com esse Estado, preparando a sua saída e tendo em conta o futuro da relação entre a União e esse mesmo Estado. O acordo deverá ser negociado tendo em conta o artigo 218(3) do Tratado de Lisboa sobre o funcionamento da UE. Deverá ser concluído em nome da União pelo Conselho Europeu, por maioria qualificada, depois de obtida a autorização do Parlamento Europeu.
3.
O Tratado deixará de estar em vigor para o Estado em questão a partir da data acordada no acordo ou, caso não seja possível, dois anos depois da notificação referida no parágrafo dois, a não ser que o Conselho Europeu, depois de chegar a acordo com o Estado em causa, decida estender esse período.
4.
Relativamente ao disposto nos parágrafos segundo e terceiro, o membro do Conselho Europeu que representa o Estado que abandona a União não participará nas discussões do Conselho Europeu que lhe digam respeito. Deverá ser acordada uma maioria qualificada de acordo com o artigo 238(3)(b) do Tratado, sobre o funcionamento da UE.
5.
Todo Estado que tenha abandonado a UE e queira voltar à mesma, terá de se sujeitar ao processo disposto no artigo 49.

No mínimo e se o governo britânico assim o entender, o Politburo do Soviete Supremo terá de esperar mais dois anos e neste período muitos eventos poderão ou não ocorrer. Popularmente falando, aguentem-se. 

Definitivamente urge substituir rapidamente este esquentador irreversivelmente avariado e sem conserto. 




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publicado às 09:06

Reacções ibéricas

por Nuno Castelo-Branco, em 24.06.16

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Se excluirmos a sugestiva mensagem que as autoridades nacionais enviaram aos nossos concidadãos estabelecidos no Reino Unido e aqui postada pelo John, o que hoje se ouviu corresponde exactamente a um país que é aliado da Inglaterra desde o século XIV:

!. A reacção de Costa, logo, do governo: boa

2 A reacção de Passos Coelho, o chefe da oposição: boa

3. A reacção de Assunção Cristas: satisfatória

O resto não risca nem conta.

Passemos então a fronteira e atendamos apenas aos dois principais partidos que se têm revezado no exercício do poder a partir da Moncloa:

1. A reacção de Rajoy: boa

2. A reacção do antigo chefe do PSOE, ex-1º ministro - em Espanha designa-se Presidente do Conselho - que do poder saiu acumulando escândalos sobre escândalos:

- vergonhosa, péssima, radical e escumando ódio, dir-se-ia uma tirada que nem sequer o franquismo mais militante alguma vez terá ousado exprimir, apenas faltando a imediata reivindicação de Gibraltar. O apelo à mais descabelada revanche, a uma desforra que segundo o valetudinário político, não se compadece com "paninhos quentes". Em suma e sem tardança o saberemos, o que já se espera de toda a turbamulta de anafadíssimos  mangas de alpaca repimpados em Bruxelas. 

Bestial, este Felipe González. Perdoa-se-lhe, desde que se desculpe com a idade. 


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publicado às 23:49

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O Governo da República Portuguesa pede aos seus cidadãos para cometerem a traição da nacionalidade - "peçam dupla nacionalidade" é o mote do dia à luz do Brexit. Vergonhoso. Sem palavras para descrever a baixeza da recomendação.

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publicado às 19:14

Keep calm

por Samuel de Paiva Pires, em 24.06.16

Estamos a viver um momento histórico, cujas consequências, na sua totalidade, são ainda desconhecidas. Só conseguiremos ter uma noção holística do impacto do Brexit daqui a uns anos, quando percebermos o que terá acontecido ao Reino Unido e à União Europeia. Pelo meio, convinha começar a pensar no que se poderá seguir, como se faz neste artigo do The Guardian, e tentar evitar a histeria e as alegadas análises de quem, na verdade, dá essencialmente voz aos seus vieses ideológicos e preferências pessoais. Neste momento, ainda é cedo para saber se o Reino Unido se desagregará – apesar de o governo escocês parecer querer realizar um novo referendo sobre a sua independência em relação ao Reino Unido –, se ocorrerá um efeito dominó na União Europeia com vários países a procurarem seguir o mesmo caminho do Reino Unido, ou se, pelo contrário, o Brexit poderá levar a um reforço do papel do Reino Unido no mundo e/ou a uma reforma das instituições europeias no sentido de as tornar mais democráticas e accountable perante os Estados Membros. Por ora, resta apenas apreciar, goste-se ou não do resultado, a forma como se vive e respeita o processo democrático no Reino Unido, e relembrar o célebre póster datado de 1939:

 

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publicado às 13:15

Algumas advertências

por Nuno Castelo-Branco, em 24.06.16

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Há uns anos, Miguel Castelo Branco, Samuel de Paiva Pires e eu próprio enviámos esta carta à Europa. Teve algumas repercussões e o deputado britânico Hannan divulgou-a da melhor maneira. 

Era previsível, incontornável, não valerá a pena recorrerem ao habitual bicho-papão muito válido em França e outros países do continente.

Não foi a minúscula "extrema-direita britânica" quem decidiu o exit. Foram sobretudo os súbditos de S.M. no seu todo  - especialmente muito deles provenientes do Labour - e deram a expectável resposta ao bullying que há meses lhes era vergonhosa, indecente e diariamente ministrado por todo o tipo de sujeitaços estranhos às ilhas britânicas. Foram pouco ou nada susceptíveis às grotescas e inusitadamente ameaçadoras reprimendas de Obama. Caçoaram dos estapafúrdios delírios de toda a miserável e grosseira cáfila de Bruxelas. Precisamente quem menos economicamente pode, sim, esses mesmos, os tais eu e tu, não esteve com contemplações para com as iracundas recomendações da banca, bolsas, corretoras e toda a restante panóplia à disposição de quem se julga dono de tudo e de todos. 

Como português e devido a múltiplas razões, entre estas um certo sentimento de solidão nacional, era favorável à permanência do Reino Unido na U.E. Ditava esta posição um certo egoísmo pontilhado de inconsciência das realidades que há muito remeteram os mais estritos princípios da velha Aliança para o baú das recordações. Utilizando uma expressão muito em voga, tentava-me o wishful thinking, vendo na grande ilha o travão protector perante Bruxelas, Paris, Berlim, Washington e todos os centros de poder demasiadamente obscuro que comandam este pequeno mundo. Várias vezes dei comigo a vociferar diante de um televisor que não sendo um ente vivo, tem a extraordinária capacidade de nos fazer entrar em casa todo o tipo de criaturas indesejáveis, desde os idiotas entusiasmados por qualquer marginal transferência de jogadores do ..."agora é que é!", até às mais supinas entidades que nos querem fazer acreditar que a verdade não é aquilo que o rei vai nu demonstra e não a realidade oposta, aquela nudez que os factos garantem até ao mais descarado distraído.


Este exit é lamentável e tão mais deplorável porque facilmente poderia ter sido evitado. Escusado será dizer que a Grã-Bretanha não deverá ser tratada como a Irlanda ou a Dinamarca - e a França de Sarkozy - que há uns tempos sofreram o que se sabe após a realização de referendoscujo resultado foi considerado "errado". 

Em termos nacionais, temos os nossos populistamente parvos de estimação em todo o espectro parlamentar - totalmente ignorantes da mais básica e elementar lição de História - e prevê-se desde já o agitar de todo o tipo de espantalhos a que nos habituaram - xenofobias, extremismos para todos os apetites, etc -, nisto fazendo o jogo dos agora ostensivamente mais prejudicados, ou seja:

- as bolsas que logo cairão, as multinacionais que como sempre ameaçarão com o abandono do país, a banca internacionalizada, as agências de rating que esfregarão as mãos de contente agiotismo, em suma, os inefáveis  mercados reagirão da pior forma. A Libra atingirá os níveis mais baixos de sempre, ou seja, as primeiras boas notícias para as exportações britânicas. Tudo isto é previsível e dará azo a todo o tipo de teorias da conspiração. Os primeiros tempos - prevejo ser apenas uma questão de dias ou semanas - serão de desvario e desgarradas de histeria colectiva. Histeria colectiva da ínfima e muito abastada minoria que comanda.

O que não pode nem deverá ser feito? 

1º. Investir-se em vinganças mesquinhas como a penalização dos britânicos que residem em qualquer um dos países que ainda se mantêm na União. Deverão manter intactos, absolutamente intactos os seus direitos gozados até esta madrugada e os residentes em Portugal - os que mais nos interessam - não poderão ser molestados com torpes retaliações que lhes cortem o acesso ao SNS e à livre circulação de pessoas e capitais, por exemplo. Portugal pode até invocar a tradicional Aliança para manobrar no sentido de uma inesperada decência e desde já se aconselha a imediata ida a Londres do ministro dos Negócios Estrangeiros, para tratar do que pode e deve ser feito pelos portugueses lá estabelecidos e pelos britânicos radicados em Portugal. É o melhor que as autoridades portuguesas poderão desde já fazer, servindo de exemplo a quem as queira seguir.  Não há qualquer necessidade de sugestões de mudança de nacionalidade ou outros artifícios que mais nada significam senão um gratuito expediente na senda do ..."serás o último da bicha!" alarvemente proferido pelo presidente americano. 

2º. Investir-se na destruição daquilo que o Reino Unido representa como realidade histórica, acicatando a secessão da Escócia e da Irlanda do Norte, onde por várias razões o remain venceu. Atentem num detalhe: suceda o que suceder, os espanhóis não estarão dispostos a permitir a permanência de qualquer parcela componente do R.U. na União Europeia. Jamais.

Pela primeira reacção de M. Schultz, nitidamente furioso e sugerindo um "divórcio o mais brevemente possível", prevê-se desde já o pior. A segunda declaração, mais fria, é sempre melhor do que uma imediata ora ditada pelos nervos. De cabeça quente, todos os componentes daquilo que designo de Soviete Supremo, rapidamente embarcarão no que deu razão ao resultado deste referendo que é em tudo muito diferente de outros como aquele realizado na Itália de 1946, ou noutros países submetidos à consulta acerca de Tratados europeus. Em suma, este tipo de actuação é para os britânicos um insulto totalmente ineficaz e como se verá, terão instrumentos para reagir. Não resultará em qualquer benefício, o arremesso de mais um boomerang.

3º. Investir-se na diabolização dos eleitores britânicos que apenas exerceram o seu direito à soberania que se sobrepõe claramente aos ditames de umas dúzias de milhar de incógnitos e bem instalados burocratas instalados nos escritórios e sucursais de negócios espalhadas em todas as 28 capitais da U.E.

Estas são as primeiras condições na fase de rescaldo e recomendam exactamente o oposto daquilo que se prevê como mais evidente salivar: a vingança.

A solução? Só pode ser uma, o rápido início de negociações que permitam limitar os estragos, levando o Reino que se pretende que continue Unido, à mesma situação da Noruega. 

Nem vislumbro sequer outra hipótese. 






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publicado às 08:08

Three hundred thirty-one

por Nuno Castelo-Branco, em 08.05.15

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Por cá, duas semanas de catastrofismo, bolas de cristal, sondagismo e comentório da cada vez mais abominável SICk. Aqui está um resultado prenhe de ilações a tirar.

Qual quê? Silêncio certo e tão seguro como uma costa desértica.

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publicado às 15:11

Do mantra da cooperação voluntária

por Samuel de Paiva Pires, em 19.09.14

Uma das maiores fragilidades de muito do liberalismo contemporâneo é a obsessão pela cooperação voluntária - ao contrário do que pensam os seus proponentes, que julgam ter na cooperação voluntária um dos seus argumentos mais fortes. Nas mentes de muitos ditos liberais, um mundo ideal é aquele onde apenas existem relações voluntárias reguladas por contratos, por oposição a um mundo, o real e possível, onde existem relações que não brotam de contratos e não são voluntárias, ou seja, um mundo que não está de acordo com os parâmetros de certo liberalismo e, logo, está errado - obviamente que não pode ser a sacrossanta doutrina proposta contra a realidade a estar errada.

 

Claro que muitos liberais contemporâneos desconhecem ou ignoram deliberadamente Hegel, cuja influência se fez e faz sentir tanto à esquerda, como à direita, e enforma o pensamento do conservador Roger Scruton. Hegel abala profundamente o liberalismo ao evidenciar que não faz sentido atribuir à sociedade uma origem contratualista, na medida em que um contrato é um instrumento jurídico cuja utilização pressupõe a existência da sociedade. Ademais, se esta se fundamentar num contrato torna-se "vulnerável à tirania da vontade individual e pode desmembrar-se a qualquer altura."1

 

Trata-se de uma profunda objecção, que Hegel complementa ao recorrer ao conceito de piedade (pietas) enquanto, segundo Scruton, "capacidade para reconhecer obrigações que não são produto da escolha individual e de agir de acordo com elas." Isto é, Hegel mostra que o indivíduo se encontra rodeado de obrigações logo que nasce, que formam a sua autoconsciência e invadem a sua liberdade, "ainda antes de ele adquirir uma e outra," nomeadamente obrigações para com o lar e a família. Desta forma, o "reconhecimento de obrigações que não são auto-impostas, «ou objecto de contrato», é parte essencial da racionalidade."2

 

Para Hegel, "a teoria do contrato social é intoleravelmente ingénua," dado que "Tenta construir as nossas obrigações políticas somente alicerçadas no modelo das relações consensuais. Mas a vida política é uma coisa complexa, com muitos níveis de obrigação," devendo ser distinguidas as obrigações que podemos escolher livremente, ou seja, as da sociedade civil, daquelas que não podemos, como as que temos em relação à família. Por isso, de acordo com Hegel, "não existe qualquer perspectiva coerente do Estado que não considere a nossa obrigação em relação ao Estado como não escolhida e herdada."3

 

Vem isto a propósito deste post, onde Carlos Guimarães Pinto decreta que "O Liechtenstein, um dos mais pequenos países do Mundo, atribuiu o direito constitucional de secessão a cada uma das suas 11 regiões. Uma verdadeira nação só pode ser construida nesta base. A força pode juntar um grupo de territórios, mas só a cooperação voluntária torna esse agregado territorial numa nação. O Reino Unido é hoje muito mais uma nação do que ontem. Uma nação de nações, como os seus nacionais desejam."

 

Claro que isto só poderia sair da pena de um daqueles proponentes de um certo tipo de liberalismo que se sustenta fundamentalmente na repetição à saciedade de uma cartilha alicerçada na ignorância de conceitos e conhecimentos básicos de disciplinas como a Ciência Política ou o Direito - que, diga-se de passagem, autores como Friedrich Hayek conheciam muitíssimo bem.

 

Primeiro, o autor do post não operacionaliza conceptualmente o que entende por "nação", o que, todavia, não o inibe de avançar para a utilização do qualificativo "verdadeira". Fica-se, naturalmente, na dúvida sobre o que é uma "verdadeira nação". Será algo por oposição às falsas nações que deambulam por este mundo?

 

Em segundo lugar, decreta o autor que só (e sublinho a utilização da palavra "só") a cooperação voluntária torna um agregado territorial numa nação. Não é sequer necessário pensar muito para encontrar bastos e diversos exemplos que permitem perceber quão errada é esta proposição. A não ser, claro, que o autor parta de uma definição de "nação" que exclua as conceptualizações teóricas mais comuns e as noções que até por via do senso comum estão ao alcance de qualquer um, ou seja, que exclua a esmagadora maioria dos exemplos reais de nações. Assim, as falsas nações da frase a que aludimos no parágrafo anterior seriam, logicamente, a grande maioria das nações existentes.

 

Por último, afirma ainda o autor que o "Reino Unido é hoje muito mais uma nação do que ontem. Uma nação de nações, como os seus nacionais desejam". Ora, o Reino Unido não é uma nação ou uma nação de nações, mas um Estado composto por várias nações. Ademais, podemos dar de barato a ausência da operacionalização do conceito de nação, que agora é ainda qualificado com "mais", podendo ser-se mais ou menos nação - não lhe bastava ser só verdadeira ou falsa. Vamos intuir que ser-se mais ou menos nação prende-se com o nível de coesão social. E agora recordemos o que acima ficou sobre Hegel, para concluir que o que acontece é precisamente o inverso do que Carlos Guimarães Pinto afirma: o Reino Unido é hoje um Estado cuja coesão social entre as suas diversas nações é menor do que era antes do processo que culminou no referendo de ontem, sendo ainda a fragmentação no seio de uma das suas nações bem visível.

 

(Aos interessados no conceito de nação, incorro na imodéstia de recomendar umas breves notas da minha autoria)

 


1 - Roger Scruton, Breve História Da Filosofia Moderna (Lisboa: Guerra e Paz, 2010), 272–273.

2 - Ibid., 271–272.

3 - Roger Scruton, Modern Philosophy: An Introduction and Survey (New York: Penguin Books, 1996), 417–418.

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publicado às 21:00

Tipicamente British?

por Nuno Castelo-Branco, em 24.08.14

 

“The lions are coming for you soon you filthy kuffs (infidels)... ”beheadings in your own backyard soon.”

 

Bem podiam todos pensar tratar-se de um Latimer, Brown, Smith, Taylor, Cook, Watson ou Brooks. Aliás, alguns até desejavam que isso se confirmasse.

 

Esta é a carantonha do suspeito nº 1. Numa foto postada numa "rede social", exibe-se com uma cabeça cortada, sendo também conhecido pela sua militância e pouco invejável currículo de bandoleirismo familiar.

 

É o cúmulo do politicamente correcto - na visão do patetismo militante -, esta insistência no "britânico", identificando os criminosos genocidas, pela formalidade da capa do passaporte. Como aqui se suspeitava desde o primeiro momento, o tal "John" afinal bem poderá ser  Abdel Madjed Badel Bary. Se assim for, o livrinho-passaporte não passa de um pedaço de papel reciclável. Andamos a brincar às escondidas e o passaporte é o disfarce perfeito.

 

Este bandido foi  educado no Reino Unido? Foi. Foi sem dúvida educado por aqueles que tudo relativizam em prol da impunidade política e da segurança da bolsa dos fala-barato que destruíram a Europa e o que este espaço significa em termos de liberdade, segurança e horizonte de esperada justiça. 

 

Merecerão estes britânicos da degola de outrem, o benefício e a honra de poderem viver na Europa das democracias e daí viajarem para onde bem lhes apetecer com o passaporte que lhes garante a nacionalidade tira-misérias? Não, já não merecem. Há então que começar a legislar de acordo com o desafio incompatível com delongas, não descurando a protecção de muitíssimos que não poderão ser prejudicados, confundidos e ofendidos pela criminosa acção de assassinos. 

 

Aqueles que ainda podem ser apodados de moderados, deverão agir rapidamente e em conformidade com a dimensão da ameaça, pois se não o fizerem, mais tarde ou mais cedo a outros será confiada a tarefa. Depois, não nos poderemos queixar. 

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publicado às 18:01

Criminosas sacanices britânicas

por Nuno Castelo-Branco, em 21.08.14

Igreja de S. Pedro, Stanley, Wakefield, Reino Unido

Entretanto, as criminosas façanhas dos amigos dos nossos amigos:

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publicado às 20:35

Será Cameron sincero?

por Nuno Castelo-Branco, em 17.08.14

O Sr. Cameron veio publicamente dizer aquilo que qualquer estratega de café doutamente sentencia há semanas: é necessária uma operação de limpeza na área do pretenso e marginal "califado do Levante". No entanto, surgem desde logo algumas questões que não poderão deixar de comprometer a limpidez de uma acção que sendo antes de tudo humanitária, é também de segurança geral.

 

Não valerá a pena os nossos aliados insistirem na sua não-responsabilidade pela situação de emergência que hoje o Ocidente vive naquelas paragens. Os EUA e o Reino Unido - infelizmente, pois este país deveria ser alheio às habituais suspeitas que recaem sobre o arrivismo além-atlântico - têm sido zelosos agentes da subversão na Síria e escandalosamente silenciam todas as atrocidades perpetradas pelos insurrectos - ou melhor, pelo corpo expedicionário jihadista - subvencionados pelo Qatar, Arábia Saudita e outros países formalmente próximos dos interesses norte-americanos. Tudo aquilo que temos visto quanto a massacres de cristãos e yazidis do Iraque, não passa de mera continuidade dos extensivos assassínios na Síria. 

 

É flagrante a expansão das actividades guerrilheiras em direcção a sul, dados os reveses sofridos frente ao exército de Assad. Assim sendo, a entrada da massa de terroristas no Iraque e a tomada de locais economicamente estratégicos, já indicia uma perda do controlo por parte dos aliados tácticos, paradoxalmente aqueles que mais deveriam temer o alastrar da instabilidade e violência no Médio Oriente. Bastará verificarmos o tipo de armas empunhadas pelos califais facínoras e logo concluiremos acerca do que está em causa.

 

Se os EUA e o Reino Unido decidirem uma intervenção que vise o rápido e radical extermínio da ameaça encabeçada por Baghdadi, então deverão ter em conta a realidade imposta pela necessidade da manutenção do status quo na Síria. A ser sincera a vontade de zelar pela segurança geral, aqui está um excelente salvar de face das potências ocidentais. Mais ainda, a intervenção deverá contar com a presença de outros paíises da NATO e com o beneplácito - e porque não expresso convite à cooperação, desanuviando a actual situação? - da Rússia. Outro factor a considerar, será a colaboração com os curdos, desde já antecipando-se a oposição da Turquia. Dada a situação que se vive em alguns países da Europa, há ainda que atender à necessidade de impedir o regresso de jihadistas aos "seus países" de teórica nacionalidade, nomeadamente a Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha, etc. A esta gente se devem inúmeros crimes. Há que eliminar qualquer risco, abertamente confrontando as sociedades com factos. A derrota no terreno da terra dita santa, implicará um rápido regresso dos radicais a paragens mais benignas e condescendentes para com todo o tipo de abusos a que temos assistido nas últimas décadas.  Em suma, estamos no plano das ilusões, do que deveria e infelizmente não poderá ser.

 

É desejável uma rápida e maciça intervenção, desde que esta não seja um descarado pretexto para remediar no terreno, o revés que os até agora "aliados"  do ocidente sofreram na Síria.

 

MIssão impossível. Os ocidentais encontram-se desarmados para o enfrentar deste tipo de adversidades, desarmados em todos os sentidos do termo, tanto em efectivos prontos para um combate difícil, como animicamente. Há que colocar um ponto final neste aventureirismo que culminará num desastre de proporções que todos imaginam. 

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publicado às 19:43






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