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O melhor presidente da república portuguesa

por Nuno Resende, em 01.08.17

Imagem via «Marcelo a fazer coisas»

 

Não haja dúvida, Marcelo é o melhor presidente da república portuguesa que temos em 107 anos da dita. Nunca um homem encarnou tão bem a figura decorativa que exige o regime. Quase tão bom, mas muito sujeito aos rigores do reumatismo, foi Américo Thomaz, cujo perfil de corta-fitas é hoje uma casaca bem vestida na figura do senhor Professor Doutor Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa. O doutor Marcelo supera em discurso qualquer presidente da I e II repúblicas, demonstrando as qualidades próprias de uma república que nunca se compromete e raramente se engana (neste caso, nunca, pois nunca se compromete). É nesta aporia que se sustenta todo o mandato do senhor Presidente Marcelo.

E ao contrário do que alguns comentadores dizem ou sugerem, o professor e ex—comentador televisivo Marcelo Rebelo de Sousa não quer construir a imagem de um monarca, distribuindo beijos em vez de comendas e comendas em vez de títulos nobiliárquicos, acenando ao povo ou sorrindo para as câmaras. Não, isto não é um rei. Um rei em o papel constitucional de moderador como de resto deveria ter o presidente da república portuguesa – ainda que esta seja um sistema estranho de nem carne, nem peixe, em que o poder reside no parlamento, mas este pode ser dissolvido pelo presidente da república.

Vem isto a propósito da entrevista do senhor presidente da república ao Diário de Notícias: um extenso perorar pelo que melhor faz Marcelo: dizer muito sem dizer coisa alguma.

Para presidente não está mau; para político, óptimo.

Para chefe de estado, uma nulidade.

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publicado às 10:35

Se eu estivesse aboletado em Belém (2)...

por Nuno Castelo-Branco, em 21.10.15

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...decerto estaria hoje com uma visão muitíssimo mais nítida do que está em causa e agiria em conformidade.


Amanhã, 5ª feira, chamaria Passos Coelho a Belém e indigitá-lo-ia, obrigando-o a apresentar um orçamento que decerto há muito estará concluído. Indo este a julgamento em S. Bento, logo a oposição unida previsivelmente o chumbaria, responsabilizando-se por todas e quaisquer consequências.


Consequentemente, chamaria o líder do novo bloco governamental, fazendo-lhe apenas uma exigência:

- "Na suposição de Vossa Excelência ter imposto aos seus aliados o disposto pelos tratados internacionais a que Portugal está vinculado, conceder-lhe-ei a presidência do Conselho de Ministros, formulando apenas uma exigência: quero uma coligação formal que obrigue os três partidos à solidariedade por todos os actos que o dito Conselho exarar. Não posso em consciência aceitar outra fórmula, pelo que desde já o aviso de que se vislumbrar qualquer tipo de manobras dilatórias, manterei o actual governo em gestão corrente. Boa tarde e boa sorte, fico então a aguardar a sua resposta". 

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publicado às 21:10

Se eu estivesse aboletado em Belém...

por Nuno Castelo-Branco, em 14.10.15

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...no dia 5 de Outubro de 2015 teria de imediato convocado todos os partidos com representação parlamentar. Com toda a paciência  escutaria as suas queixas, remoques e anseios, dispensando-os para perante os factos, tomar uma decisão no mais breve prazo que me fosse possível. Dois dias teriam bastado.

Não deixaria o Sr. Costa à solta numa ostensivamente frenética actividade que não passa de um salvar da sua própria carreira. Consequentemente, daria uma vista de olhos pelo articulado constitucional e de imediato incumbiria o partido vencedor, o PPD, da formação de um governo* que tranquilizasse a opinião pública e os inefáveis credores e mercados. 

Como estaria habituado a não beneficiar de qualquer tipo de contemporização por parte de quem me odeia, ou melhor, de quem me despreza com um esgar de classe, ficaria surdo a todos os comentários, campanhas televisivas e antenas abertas deste e de outro mundo.

Saberia que mesmo disposto a conceder a totalmente imerecida prenda salva-vidas à clara reserva mental do sr. Costa, dali não viria qualquer agradecimento que me deixasse terminar o mandato em paz. Em suma, não compactuaria com este autêntico golpe de Estado constitucional em que uma estrondosa e miserável derrota que o mundo inteiro testemunhou, se travestisse em escandaloso sucesso. Pedro Passos Coelho apresentaria o seu programa no Parlamento e caberia inteiramente às várias camorras a missão de o aprovar por inércia ou por liminarmente o rejeitarem. O ónus respeitaria a quem decidisse inviabilizar um governo minoritário, é certo, mas nem por isso ilegítimo. Se por desgraça fosse obrigado a futuramente apadrinhar o tal executivo contra-natura, exigiria publicamente e por escrito o solene compromisso do PC e do BE, reconhecendo algumas inevitabilidades que a actual situação portuguesa impõe:

1. A adesão à UE.

2. A manutenção de todas as alianças internacionais - militares e outras - em que Portugal se insere.

3. O Euro.

4. O estipulado pelo Tratado Orçamental.

Sem tais condições, nada feito. 

Mas isso sou eu, um monárquico que considera a república como algo que deveria ter sido referendado há 105 anos. 

* É, bem sei que seria impossível indigitar alguém antes da total contagem dos votos, coisa que apenas hoje se conclui. Contudo, ACS desde logo poderia ter dado indicações sem sofismas, impedindo este carnaval a que temos assistido. Isto denota excesso de formalismo, algo bastante insólito, dadas as circunstâncias. O que parece? Indecisão, medo, tibieza e pior ainda, "deixa andar". É isto, a república. Na defesa dos seus, nem o agente 00-Zero Sampaio chegou a este ponto. 

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publicado às 14:11

Ética republicana

por Nuno Castelo-Branco, em 02.08.13

Já só falta o cartão de visita do ajudante de engenheiro de nome filosofal e num trato destes, é claro que jamais lhes passaria pelo nariz o cheirinho a esturro. No sector em causa, 150% de proventos empochados são qualquer coisa de inimaginável num negócio limpo. Como não vivemos no Zimbabué do grande libertador Mugabe, há limites impossíveis de ultrapassar. Pelo que se sabe através dos escaparates noticiosos, o Sr. Machete teve a inopinada sorte também reservada a Cavaco Silva e a outros menos badalados. Se a isto juntarmos os estranhos e ruinosos assuntos em que o Estado se envolveu desde há muitos anos, teremos então o quadro completo. Por estas e por outras, Álvaro Santos Pereira "foi à vida". 

 

O que diriam os republicanos que tanto barafustaram com o Crédito Predial e os Tabacos, aliás totalmente imputáveis aos chefes políticos e não à Coroa? Sabemos que o quer sangue Mário Soares imita Afonso Costa com os agora costumeiros "por muito menos que isto, rolou no cadafalso a cabeça de...", oportunamente se esquecendo de  episódios de outros tempos em que rutilâncias pedregosas, assuntos orientais e umas tantas minudências eram apontadas a si próprio e à sua entourage.

 

Tudo vinhaça da mesmíssima pipa.

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publicado às 12:19

Uma questão de ética republicana

por João Quaresma, em 07.10.12

Dobrar a Bandeira Nacional

 

A dobragem da Bandeira Nacional, especialmente em cerimónias, deverá ser efectuada de modo a que, no final, resulte um rectângulo com a largura e comprimento do Escudo Nacional. A dobragem deverá ser feita por, normalmente, quatro pessoas, seguindo os seguintes passos:


1. Coloca-se a bandeira na horizontal, segura pelas bordas da tralha e do batente;

 

2.  Dobra-se o terço superior para trás;

 

3.  Dobra-se o terço inferior para trás;


 

4.  Dobra-se o lado do batente (encarnado) para trás;

 

 

5. Finaliza-se, dobrando-se o lado da tralha (verde) para trás.

 

 

O resultado:

 (Macau, 1999)

 

Assim se trata a Bandeira Nacional com respeito e se dobra de forma a se poder ver exactamente qual a sua posição evitando equívocos (no mínimo) embaraçosos. Não se dobra a Bandeira Nacional como se fosse um lençol ou uma toalha!

 

Que grandes republicanos estes que comemoraram o Cinco de Outubro de 1910! Tanto discurso inflamado, tanto orgulho nos "valores republicanos" e nem a própria bandeira sabem tratar com o devido respeito, numa cerimónia feita para as câmaras numa Praça do Município vazia de assistência. Com cerimónias como a deste ano, a suspensão do feriado é um bom pretexto para os republicanos deixarem de celebrar o Cinco de Outubro: é um favor que fazem à República.

 

Imagens e texto do protocolo de dobragem da Bandeira Nacional do site dos Escoteiros de Portugal - Grupo 242 de Corroios, a quem envio saudações cordiais. No mesmo site pode ser consultado o texto do Decreto-Lei nº150/87 de 30 de Março, sobre o uso da Bandeira Nacional.

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publicado às 09:00

Não há crise... na Assembleia

por Nuno Castelo-Branco, em 05.06.12

Estes deputados andam a pedir "peixe espada" graúdo. Não contentes com as periódicas notícias acerca de viaturas de luxo, viagens pagas para "residentes no estrangeiro" que habitam em Lisboa - com casa paga porque "habitam" no estrangeiro - e com outras "ajudas de custo" que esmifram o orçamento, sabe-se agora algo mais acerca do finíssimo palato das excelências do hemiciclo.

 

Vamos então ao que pretendem degustar:

 

- Porco preto, mas com a condição do dito cujo ser alimentado a bolotas, coisa que alguns deputados bem mereceriam ter como pratinho do dia.

 

- Lebre.

 

- Perdiz. Estes nossos famous grouses gostam de caça. Aproveitem o máximo que puderem, pois a caçada poderá um dia destes ocorrer em circunstâncias muito diversas.

 

- Bacalhau do Atlântico. Mas existem bacalhaus no Mediterrâneo ou no Índico?

 

- Pombo torcaz e rola. Caramba, nem sabíamos que estes bichos podiam ser comidos. Já imaginamos os serviçais menores do Parlamento de rede em punho Rossio fora, apanhando alguns sucedâneos capazes de enganar a deputação nacional. Conhecendo-se as peças, engolem facilmente gato por lebre.

 

E ainda,

 

- Café de 1ª qualidade, whisky de 20 anos - uma mania copiada da famosa viagem de Soares e do abarrotado  Lockeed da Tap ao Japão -, oito licores, doze vinhos verdes e oito tintos alentejanos e do Douro.

 

Esta gente enlouqueceu de vez. Ah!, e viva a República! 

 

 

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publicado às 08:30

Só visto!

por Nuno Castelo-Branco, em 04.06.12

Aquilo a que hoje em dia se resume a nação, a Selecção de Futebol, esteve com o senhor 23%/17,5 milhões-ano/500 empregados belenenses. Sendo por Sua Excelência solicitados para vencerem a Alemanha e tudo fazerem pelo melhor resultado possível, obteve a resposta categórica do CRonaldo:

 

- "Você está convidado para ir à Polónia".

 

Imaginem a mesma cena em Madrid, com o capitão da selecção vizinha dizendo o mesmo a S. M. o Rei João Carlos I:

 

- "Invitamos usted!"

 

Pois, tenho uma imaginação muito fértil, porque quanto a formação e cortesia, uma Monarquia é mesmo uma Monarquia e isso faz toda a diferença.

 

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publicado às 18:45

Nem depois de mortos!

por Nuno Castelo-Branco, em 14.04.12

 

 

 

 

 

 

 

O mesmo deve estar a acontecer em todos os talhões reservados aos soldados portugueses caídos no Ultramar. Lembro-me muito bem de visitar as suas bem cuidadas  campas no cemitério de Lourenço Marques, onde frequentemente íamos colocar flores no túmulo do meu avô. Não muito distantes, estavam sepultadas várias gerações de soldados que serviram Portugal. Após a atabalhoada independência de 1975, todos os cemitérios foram votados ao mais completo abandono.

 

Chega hoje a notícia de algo de semelhante em França, precisamente nos cemitérios onde a famigerada "República de 1910" pretendeu santificar-se à custa de uns milhares de mortos saídos do povoléu-carne-para-canhão. Escarnecidos, abandonados sem comando capaz, imundos e cobertos de piolhos, semi-mortos de fome e desmuniciados, os soldados do CEP tiveram o inglório historial que se conhece. 

 

É isto, a República Portuguesa.

 

*Na imagem, o actual aspecto das campas dos militares caídos em Porto Amélia (Pemba, Moçambique), durante a I Guerra Mundial. Não lhes bastou o Costa para a desgraça.

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publicado às 19:24

Deslealdade

por Nuno Castelo-Branco, em 09.03.12

Soares inventou o direito à indignação e passeou-se pelo país em constantes oras contra o governo do seu primeiro-ministro Cavaco Silva. Na hora da despedida, teve o prazer - e disse-o sem rebuços - de dar posse a um governo do seu Partido.

 

Jorge Sampaio com tudo e mais alguma coisa condescendeu, desde que a política fosse a dos seus. Quando a contragosto teve de empossar uma outra AD, não perdeu a esperança de poder alijá-la do executivo e essa oportunidade foi sobejamente aproveitada, numa totalmente desleal dissolução de um Parlamento maioritário. 

 

Cavaco Silva reservou os seus vinagres para o segundo mandato, permanecendo calado e estrategicamente cooperante durante os seus primeiros quatro anos em Belém. Logo após a sua reeleição por 23% dos eleitores, marcou o novo passo de marcha, atacando sem apelo o seu primeiro-ministro Sócrates no discurso de tomada de posse. Assim continuou co intentonas e inventonas durante meses a fio e até à mais que esperada - Sampaio marcou a nova ordem constitucional - dissolução parlamentar. Já durante o mandato do actual governo de PPC, ACS tem pontilhado o mesmo com acrimónias várias, mostrando-se mais que nunca exclusivamente leal a si próprio.

 

Começou mais uma feroz bernarda e não sabemos qual será a mais que certa retaliação. Do que se queixa agora o PS? Daquilo de que outrora se queixava o PSD.

 

Imaginam a possibilidade de algo de parecido em Espanha, na Bélgica, no Japão, Tailândia ou Suécia? Quando o PS e o PSD entenderem o que representa a República, então talvez tenhamos vida nova. A não ser assim, nada feito. 

 

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publicado às 19:33

É um regalo para os olhos

por Pedro Quartin Graça, em 25.10.11

Casa do Regalo

O "modesto" palacete, com o nome Casa do Regalo, onde Sua Excelência o ex-Presidente da República Portuguesa, Dr. Jorge Sampaio, tem as suas instalações. Situado "no topo da Tapada das Necessidades, entre frondosa mata", foi mandado construir pelo Rei D. Carlos I para estúdio de pintura da rainha D. Amélia. Desde há anos, e sem qualquer despudor, dá guarita de luxo a um "velho republicano" pago por todos nós mas que lá permanece devidamente acompanhado por um assessor e um secretário e de "automóvel do Estado, para o seu serviço pessoal, com condutor e combustível".

É a República Portuguesa no seu melhor!

 

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publicado às 00:08

Naperons do passado presente

por Nuno Castelo-Branco, em 01.07.11

Além da guincharia discursiva que neste preciso momento ocorre em S. Bento, a oposição deixou alguns presentes de difícil arrumação. Se estivéssemos a falar de outras coisas, sempre poderíamos colocar sobre a geleira, aquele cão de plástico que abana a cabeça num permanente sim-sim. No caso da prendinha ser proveniente de alguém muito cioso da sua generosidade, guardaríamos o relógio-sereia em louça azul debruada a dourado, na gaveta mais próxima do centro da sala, não fosse o dador aparecer de surpresa. Kitsch por kitsch, decerto todos se lembram dos tempos em que em tantas casas se viam uns naperons nos braços das cadeiras, artefactos extremamente úteis, até porque além de protegerem os veludos do forro, alguns possuíam uns cinzeiros acoplados, numa espécie de multifunções.

 

Mas o kitsch institucional, é algo de muito mais rebuscado. Além da detenção do antigo presidente - que raio de título, será monomanía? - da Câmara dos Solicitadores, temos mais uma novidade relativa ao BPN, o banco dos amigos do outro presidente e pelo que as más línguas dizem, do próprio. Pelo que parece, o "caso BPN" ainda terá muito para contar e a coisa deve estar mesmo a caminhar com toda a normalidade, até porque o deposto governo autorizou a dita caixa-forte escancarada, a contrair mais mil milhões de dívida.

 

Quanto ao imposto de 50% sobre o subsídio de Natal, a única surpresa consiste na timidez do corte. Sempre pensei numa possibilidade mais radical, digamos, um número mais próximo de 100%. São as novas "pesadas heranças" da república portuguesa. 

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publicado às 15:45

Croquettes à la "françugaise"

por Nuno Castelo-Branco, em 10.02.11

Há gente sumamente parva que ostenta a ociosa e convencida idiotia, como rutilante medalhinha do 10 de Junho. Os comentários dos "engraxates de corte", em nada ficam a dever aos pesporrentos e ignorantes ditos de sapiente gastrónomo de boulevard. Ora leiam .

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publicado às 13:19

... hoje é um feriado mais para as... comodidades.

 

Onde resta aconselhar, à semelhança de uma outrora monarquia liberal:

 

- Foge cão que te dão condecoração!

- Para onde se nem eles sabem por onde vão!

 

São guiados pela mera cleptocracia, neste arraial

em que se tornou a República centenária,

no cantinho onde reduziram Portugal.

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publicado às 03:08

O desfazer de um mito, parte II

por P.F., em 02.06.10

 

 

Os ideários contidos na República e na Democracia caracterizam-se pelo optimismo antropológico em relação à Humanidade. Em especial, quando esta está sob os efeitos de um sistema em que a Educação e a Cultura é igual para todos. Neste sentido, na I e III Repúblicas proliferaram ministérios cheios de paixão pela Educação, tida como a panaceia para todos os males e atrasos do País. Abriram-se escolas, universidades, quer nos sectores público quer no privado sem que fossem tidas em conta as características demográficas numa análise a curto, médio ou longo-prazo. Estava mais do que previsto o impacto negativo que iria ter no Ensino e nos seus agentes a diminuição da natalidade e a destruição da instituição família, fenómenos a que não é alheio o ideário democrático progressista.

Pelo meio inventaram-se modelos novos que, de tão maus na sua essência e inconsistentes no seu conteúdo, deram frutos espectaculares logo nos seus inícios. Daí que foram sendo ao longo dos diversos governos substituídos por outros, mas sempre da mesma natureza: o eduquês, o facilitismo, o didactismo, etc.

Os resultados estão aí. A Escola é um espaço moribundo, à beira da falência económica e moral. Podia restar ao aluno com dificuldades em aceder Ensino - o qual outros colegas e compatriotas seus têm quase de borla - a esperança de poder aprender uma profissão que garantisse o seu futuro. Mas até isso lhe é vedado devido à quase inexistência de ensino técnico onde ele é mais preciso.

Já alguém perguntou aos senhores do Governo o que vai fazer agora com a Escolaridade Obrigatória até aos 18 anos?

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publicado às 17:38

Eis para que serve a República Democrática do cantão-antro que se tornou Portugal: um Parlamento abundante de parasitas com projectos-lei que são autênticas abominações e inutilidades para depois um "Presidente" – seja qual for seu nome e origem política é sempre fraco e servil face ao regime que o alimenta – promulgar, com "reservas" ou sem elas.

Uma palhaçada autêntica me parece promulgar o que quer que seja "com reservas". Ou se promulga ou se veta. Cavaco Silva conhece bem demais o sistema parlamentar, as regras rasteiras pelas quais este se rege, e as teias urdidas pela esquerdalha para levar avante suas pretensões. A "crise" não pode justificar promulgações de retrocessos civilizacionais como este, que não servem para ninguém nem para os próprios homossexuais - excepto para os "sindicalizados" em Ilgas, Opus e demais escumalha pseudocívica. Porque havia outras soluções para as uniões entre pessoas do mesmo sexo, desde cedo afastadas pela canalha do costume, porém é inútil apenas na hora de promulgar alertar para a falta de "responsabilidade e de esforço" já muito bem conhecidas.

Mais do mesmo, com "reservas", num país há muito tempo com prognóstico reservado.

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publicado às 00:41

Traição contínua

por João Pedro, em 26.03.09
As linhas do Corgo (Régua a Vila Real) e do Tâmega (Livração a Amarante) estão encerradas "por tempo indeterminado" desde ontem à noite, numa ordem dada em cima da hora pela administração da Refer que, em segredo, acordou com a CP um serviço de substituição rodoviário. O motivo oficial é a reabilitação daquelas linhas, mas a empresa não tem qualquer calendarização para iniciar os trabalhos, não dispõe dos projectos para tal e não abriu qualquer concurso público.

Ontem à noite, o maquinista da automotora que costuma ficar na estação de Vila Real recebeu ordens para a trazer de volta à Régua antes da meia-noite, numa operação que faz recordar a forma como há 16 anos encerrou a linha do Tua (entre Mirandela e Bragança) com as composições a regressarem vazias durante a noite para evitar a contestação das populações.

O PÚBLICO apurou que a Refer e a CP preparavam esta operação há já alguns meses, mas decidiram não a divulgar, preferindo fazê-lo em cima da hora. Ontem, às 21h, os sites das duas empresas não traziam ainda qualquer informação sobre esta suspensão. A ordem apanhou de surpresa os ferroviários da estação da Régua e da Livração que, subitamente, ficaram a saber que hoje já não haveria comboios para Vila Real e Amarante. Para a CP, que também omitiu estas alterações aos seus clientes, esta situação é vantajosa visto que o serviço é deficitário e poupa agora no combustível e no desgaste das composições, com a vantagem de ser a Refer a pagar os autocarros de substituição
.
 
Mais uma prova da absoluto desrespeito da CP e da REFER pelos seus utentes, uma atitude que se está progressivamente a tornar rotineira. Depois de encerramentos contínuos de inúmeros troços de linha férrea, desde o fabuloso Sabor até vários percursos alentejanos, e quando se prepara, embora ainda não o admita, para eliminar a linha do Tua, um património único na Europa, a notícia da "suspensão" das linhas do Tâmega e do Corgo caiu que nem uma bomba entre os habituais utilizadores. Pela calada da noite, como quaisquer vulgares bandoleiros, aqueles que tinham obrigação de velar pelos caminhos de ferro acabaram com eles num ápice. A história da "suspensão indeterminada" é truque velho, demasiado datado para que alguém acredite, fora os desonestos.

 

 
 
Enquanto isso, discute-se o traçado do TGV, se entra em Lisboa pelo Norte ou pelo Sul, se passa ou não no aeroporto, se vai a Vigo ou a Ayamonte. O TGV é um dos Bezerros de Ouro do regime, tal como o EURO 2004 era "o desígnio nacional". Promete o futuro radioso à mão de semear por meros 40 Euros, depois de milhares de hectares expropriados, incontáveis discussões e projectos, milhões de Euros gastos nisto tudo e nas inevitáveis derrapagens.

 


 

E o ambiente, as energias renováveis, o cumprimento dos protocolos de redução das emissões de CO2, tudo alardeado com ar beatífico e de aluno cumpridor, quando o interior e o miolo das grandes cidades se esvazia inexoravelmente para os subúrbios dos blocos de betão de má qualidade decorados a marquises ensebadas no meio de campos semi-agrícolas. Para isso, constroem-se barragens concessionadas previamente à EDP, que podiam ser evitadas caso se aumentasse a potência de outras, destruindo-se património humano e natural, com a falsa promessa de que vão atrair turismo e emprego (isto é, construção civil), quando na realidade apenas "secam" tudo à sua volta, quais eucaliptais.


 

 As linhas férreas foram uma forma de vencer as barreiras entre o litoral e o interior, penetrar nas serranias e nos planaltos, quebrar o isolamento de populações desde tempos imemoriais confinados ao seu horizonte montanhoso. Um projecto ambicioso, levado a cabo desde o Fontismo até aos últimos anos da Monarquia, em que os Reis iam pessoalmente à inauguração destes novos troços que mudaram o país para melhor, fosse no Carregado ou nas Pedras Salgadas. Agora, a república em que vivemos resolve unilateralmente e por interposta empresa pública acabar com meios de transporte, que além de ligarem populações carentes de outros meios de comunicação, eram já um património histórico testemunhando a vontade intrépida de ultrapassar obstáculos, como o haviam sido os Descobrimentos e o Douro vinhateiro. A isto tudo a CP obedece sem pestanejar, traindo o compromisso com os seus utentes, continuando a prestar-lhes maus serviços pelos mesmos preços sem sequer ouvir-lhes as queixas (o Intercidades não tem serviço de bar há seis meses). É bem o exemplo do que não deve ser uma empresa pública. Infelizmente, é a regra, e não a excepção.

 


 

Ainda me posso dar por feliz por ter conhecido a linha do Corgo, mesmo que amputada da sua metade até Chaves. Tinha planos para conhecer as do Tâmega e do Tua, mas infelizmente essas esperanças goram-se agora. Já não poderei conhecer essas velhas composições, as paisagens únicas que atravessam, nem os rostos das pessoas traídas pelos seus governantes, para quem não passam de pormenores do seu feudo de "progresso" e inimputabilidade.

 
PS: ver igualmente na Origem das Espécies
 

(Publicado em simultâneo n ´ A Ágora)

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publicado às 14:31

Uma exposição a não perder da próxima vez

por Nuno Castelo-Branco, em 13.03.09

 

Almocei hoje com o meu pai no Atrium Saldanha, num local a abarrotar de devoradores de saladas, sandecas-cacete e comida ao quilo. Confesso que me agrada a variedade e ao contrário do que se possa pensar, não se come mal, se soubermos escolher.

 

À saída, tivemos conhecimento de uma exposição patente nas imediações e assim, lá decidimos visitá-la, até porque o anúncio prometia. De facto, dela não saímos defraudados na expectativa. 

 

Os quadros eram de uma impressionante riqueza cromática e as figuras humanas, um misto de todo o burlesco presente em todas as épocas da pintura europeia. Estranhas personagens faziam em pleno, uma súmula dos  fácies exibidos pela arte de um Bruegel, Honoré Daumier ou Paula Rego. Alguns dos temas exibiam uma forte influência da visão sombria emprestada pelo pincel de Goya nas suas imagens dos Desastres da Guerra, percebendo-se igualmente algumas reminiscências das telas exibidas no Carnavalet e que evocam o sangrento período dos acontecimentos de 1789-94. 

 

Bocanhonhas desdentadas, ou pelo contrário, com reluzentes dentolas acrílicas, recordando--nos o brutamontes dentes-de-ferro das aventuras 007 dos anos 60, além de um autêntico e imaginativo desfile de roupagens de outros tempos, hoje presentes apenas em remotas áreas do planeta, onde preponderam os coletes aos quadrados, calças à boca de sino e artificialmente ajustadas a uma quádrupla barriga pendente de um alegado esfomeado, saias-saco de bruxa plissadas em terylene negro, camisas abertas até à já inexistente cintura, pesadas correntes metálicas à volta do pescoço, patas de coelho em metal dourado e usadas como sofisticado adereço porta-chaves, bonés de pala presilhada, os inevitáveis e risivelmente desportivos bonés á la mitra, chapéus de feltro, sacos plásticos cheio de comes e bebes, um ou outro cajado, saiotes sobre calças, esquisitas chancas nos pés, cabeleiras hirsutas, bigodes zapatistas e bochechas patilhudas. Maguerres e mamparras aos magotes, carrancas patibulares de moita-carrasco, desproporcionadas dimensões físicas de uma impressionante variedade e toda a inverosímil probabilidade. Inacreditável. Que grande artista é o autor, que imaginação e esmagador poder de impressionar o visitante.! Sendo uma exibição interactiva, o ruído de fundo era infernal, num misto de pregões de bazar e velhas marchas ou baladas remotamente revolucionárias, a par de um colossal chorrilho de ordinarices, dichotes chocarreiros e impublicáveis, além dos previsíveis e revoltantes insultos. No mundo em que vivemos, é normal ser-se feio ou bonito, alto ou baixo, gordo ou magro, mas estes modelos de excepção são apenas isto mesmo. Únicos.

 

Não sei onde o pintor encontrou tantos e tantos modelos de um calibre tal, que apenas poderão ombrear com a imagem que para sempre terei da discoteca estelar incluída na série Star Wars, onde um Luke Skywalker passa uns momentos no meio de inenarráveis - mas simpáticas - criaturas de outro mundo. Em contraste com o que hoje vi, onde a simpatia era coisa tão rara como água no Saara.

 

É certo que a perícia do artista poderá ser criticada sob o ponto de vista da falta de originalidade, pois se as mulheres parecem meras cópias dos tracanazes e mastronças que Paula Rego sangrentamente expõe, os homens, esses, são um misto dos comedores de batatas de Van Gogh, com os idos pequeno-burgueses oitocentistas de Daumier. Nem uma cara lavada, sã e simpática do bom camponês de sempre. Nem uma citadina figura anónima ou discreta que exale confiança. Nada que evoque a tranquilidade do pacato dia a dia, mas apenas uma inquietante e plena ausência daquilo que julgamos ser a gente do nosso tempo. Parece que este pintor retrata um Portugal desconhecido e perdido para lá das brumas da memória. 

 

Deixei o meu pai à boca do metro do Marquês. Uns vinte minutos  de visita a uma inesperada exposição de cruel neo-realismo resistente, deixou-nos cabisbaixos e amarfanhados pela surpresa. 

 

O emérito autor? A CGTP.

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publicado às 18:08






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