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Cada um tem direito à sua lista VIP

por John Wolf, em 21.03.15

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Cada português tem direito à sua própria lista VIP. Fizeram a revolução dos cravos para quê? Assim que esgotarem os ingressos deste espectáculo teremos certamente novo passatempo. Um caso de plágio na revista Maria, uma mochila Disney abandonada à porta da sede do Partido Socialista, um espião infiltrado na cantina do Instituto do Mar e da Atmosfera. Enfim, mais moelas deploráveis servidas para distrair dos reais tormentos que afligem os cidadãos deste país. Se eu fosse o António Costa teria algum cuidado. Não vá algum sucedâneo de Sócrates surgir no enredo de uma outra bronca. Quando o putativo candidato a primeiro-ministro diz: "Temos de ter um sistema fiscal justo, e não de tratamento VIP para uns e de intransigência sobre os outros" parece esquecer que foi ministro da justiça em tempos não tão longínquos. Ou seja, demarca-se da responsabilidade colectiva que deve assistir a todos os políticos. Cada um dos governantes, do presente e do passado, assina os termos do contrato ético e moral que condiciona esta nação. O partidarismo, qualquer que seja a preferência ideológica, assenta na ideia de discriminação, da importância atribuída a uns em detrimento de outros. Ao oferecer-se para ser guarda-nocturno da devolução da confiança aos cidadãos, António Costa expõe-se às contrariedades do seu percurso político, seja na Câmara Municipal de Lisboa, seja nos entroncamentos dos vários governos socialistas de que fez parte. A consanguinidade de interesses foi o que permitiu a sua respiração no pelourinho de Lisboa ou na capelinha do Rato. Por outras palavras, este senhor tem a sua própria listinha VIP, como terão todos os outros políticos, agentes da alegada segurança económica e social dos portugueses. Afinal, o Araújo dos sabonetes tem razão. Isto cheira mesmo muito mal.

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publicado às 14:48

CSI Legionella

por John Wolf, em 11.11.14

csi

 

Em Portugal quase nunca há explicação, apuramento de responsabilidades e respectivas sanções. O jornal Expresso rende-se à evidência, imprime a redundância. Enquanto isso, vidas são sacrificadas, pessoas são atiradas para a pobreza, crimes e mais crimes são praticados - "se calhar nunca se vai saber qual a causa deste surto". O mesmo se passa com o BES e uma série de outros casos hediondo-trágicos da novela lusa. Quase sempre fica tudo demolhado, em mágoas de bacalhau, na antecâmara da dúvida crónica. O surto de Legionella não nasce por obra e graça de Nosso Senhor. As tais colunas de refrigeração, de que falam em código tecnológico georgiano, pertencem a alguém, fazem parte, segundo consta, de uma alegada unidade industrial. Se é esse o caso, e dada a incidência geográfica do flagelo, uma equipa de investigadores forense, da Divisão de Investigação e Acção Penal, já deveria estar trajada à CSI, a vasculhar os silos fabris, a abrir ficheiros alusivos a águas paradas. As mortes têm assinatura. As mortes, muy provavelmente, resultam de incúria humana, de desleixo, incompetência, quiçá, absentismo de alguidar. Agora não me venham com essa história usada vezes sem conta em epidemias a montante e a jusante - casa pia, caso isto, caso aquilo. Que muitos querem calar. Pio calado.

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publicado às 09:00

O oráculo do passado político português

por John Wolf, em 16.05.14

Cada partido político deveria ter a sua Alexandra Solnado. Uma (pre)vidente oracular capaz de adivinhar o passado que ninguém quer lembrar. Começo por Francisco Assis, que vai descer o Chiado com José Sócrates e um bandinho, como se nada fosse, mas poderia alargar o conceito de hipnose e regressão a outros zombies. Em Belém o chefe da casa civil deveria acomodar um médium para servir de intermediário entre os semi-mortos e os vivos, especialmente aqueles que padecem de problemas de memória. Cavaco Silva deveria falar com Cavaco Silva, numa espécie de confessionário da inutilidade. E anualmente poderiam realizar um plenário de ciências ocultas no templo (parlamento) - o magistério de dinheiros desaparecidos directamente do interesse nacional para o bolso de diversos aparelhos. Questões agnóstico-falaciosas não têm merecido a devida atenção. Seguro parece ter um canal de comunicação exclusivo com o além - sabe como (ele) vai ser, mas não sabe (mesmo) nada sobre como é que isto vai ser. Diria que está preso num vórtex de intemporalidade política. Tem um buraco pela frente, mas vê mares de rosa, facilidades. A simbologia transcendental sempre foi usada pelas ideologias, mas entramos numa terceira vaga que demite sem pudor a consciência, a ética e o sentido de responsabilidade numa penada. O passado definitivamente já não é o que era.

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publicado às 13:37

O que deitou Portugal abaixo

por John Wolf, em 26.03.14

Sabem o que deitou Portugal abaixo? Não foi a grande teoria política, a doutrina ideológica revanchista. Não, senhor. Foi o chico-esperto que estaciona em segunda fila porque se julga o primeiro. Foi o malandro que procura um jeitinho na repartição. Foi o primo que arranjou o emprego para o afilhado lá na empresa. Foi a comadre que abarbatou os lápis e os afiadores da despensa escolar. Foi o artista que viu a sua obra publicada pela ex que manda lá na editora. Foi o construtor que subtraiu o valor do SISA na assinatura do contrato de compra e venda. Foi o realizador que orçamentou muito acima do valor necessário e que me meteu muita fita no bolso. Agora multipliquem isto tudo por 100 e terão os políticos que governaram Portugal nas últimas décadas. É mais ou menos isto, não é?

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publicado às 09:46

Auto-indulto de Cavaco Silva

por John Wolf, em 05.12.13

Faz parte da tradição natalícia e em nome dos mais dignos valores da humanidade, o presidente da república fazer uso de uma das suas prerrogativas. Assim sendo, à medida que se aproxima a época do perdão e da compaixão, um assinalável número de processos são colocados sobre a mesa comprida da sala de juntar de Belém. Os processos-crime aterram na presidência com a esperança de serem analisados e obliterados do sistema de justiça. E os sentenciados regressam consolados a casa a tempo da consoada. Muito bandido condenado e residente atrás das grades, já está a esfregar as mãos para ver se lhe sai a fava da dispensa antecipada. O indulto, funciona assim como um mata-borrão, uma apagador de ardósia gasta, para dar uma segunda chance aos prevaricadores. Nestes últimos tempos, Cavaco reinterpretou o significado e âmbito do conceito de indulto, para aplicar indultos sucessivos ao governo da república e fora da época festiva. Têm sido tantas as situações em que Cavaco Silva vira a cara, para não ver as borradas. O indulto deixou de ser uma excepção. O indulto, nos termos em que disserto, tem a ver com a desculpa em demasia praticada pelo chefe de Estado. São tantas as situações políticas que exigiriam precisamente o oposto de amnésia sazonal, esquecimento. São tantas as transgressões que deveriam requerer acção vigorosa do presidente da república, mas não tem sido esse o caso. A cultura do indulto e esquecimento, não é porém um exclusivo presidencial. O cidadão nacional, movido pela sua alegada vocação distraída, tem tendência a indultar e esquecer de um modo leviano tantos e tão bons. Cavaco Silva já colocou no sapatinho de 2014 as comemorações dos 40 anos sobre o 25 de Abril e a conquista da Democracia em Portugal, mas seria mais útil rever o percurso realizado, e sem pudor, realizar um exame de consciência política para tentar explicar como o sucesso da instauração da Democracia se divorciou da salvaguarda dos mais basilares fundamentos de sobrevivência económica e social da população portuguesa. A Democracia, nos termos propostos, parece uma coisa muito distante das dimensões substantivas que regem a vida das pessoas. Podemos ter opinião, falar alto em público na companhia de mais convivas na esquina do bairro, podemos escolher as nossas orientações sexuais, podemos arrastar-nos para a igreja da nossa preferência, podemos criticar a torto e a direito os poderes instalados, podemos contestar as decisões dos governantes, mas, nos dias que correm, tudo isto é feito na penúria, muito perto da miséria e na residência da indignidade. Cavaco Silva, que tem de preencher a agenda de 2014, e apresentar-se como abrilista, parece não querer ver a situação em que se encontra o país. O presidente que já foi presidente, primeiro-ministro e ministro das finanças, entre outras titularidades, parece estar a aproveitar a ocasião para se indultar, para se branquear da neve de responsabilidades. Eu sei que é Natal e em breve terão passado 40 anos sobre a revolução do cravos, mas convém não exagerar as virtudes, elogiar os triunfos e as conquistas das liberdades e garantias, quando a realidade demonstra algo diverso. Que a Democracia de nada serve se os cidadãos são os derradeiros da cadeia política de interesses particulares. Venha de lá o ano novo, que a vida nova geralmente segue-lhe o rasto.

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publicado às 18:07

Machadada nas pensões vitalícias

por John Wolf, em 09.08.13

Corte de pensões vitalícias de ex-políticos adiado? Porquê? A crise não é um evento estático respeitante a uma badalada de relógio. O descalabro a que assistimos é um conceito elástico com origem no passado mas que se projecta no futuro. Os ex-políticos são igualmente responsáveis pela catástrofe, e, mesmo que não se lembrem do que andaram a fazer enquanto se refastelavam nas cadeiras do poder, o resto da população aqui está para recordar as decisões tomadas ao abrigo de uma qualquer conveniência partidária, do poder político instalado na comarca. Dizem eles que "cortes que afectem os ex-políticos não cabem no estatuto da aposentação". Se é uma questão jurídica que está em causa, talvez seja boa ideia pedir ajuda ao Tribunal Constitucional para desengatar a desculpa esfarrapada. Se vivéssemos num reino de governantes (fora de prazo e longe de funções), mas com um mínimo de decência e sentido ético, a primeira iniciativa a tomar seria voluntariamente acompanharem as reduções nas reformas. Alguém já tentou viver com 400 euros? A falência a que assistimos é profundamente imoral, um quadro negro que envolve um sentido de nojo indescritível. O país terá de aguentar as asneiradas vitalícias provocadas por políticos de carreira, e ainda por cima, deve pagar pelos danos causados que ainda nem sequer foram integralmente avaliados - e nunca serão. O bom exemplo morreu e nem sequer assistimos ao seu funeral e agora lidamos com os intocáveis, os imortais da dívida que dispõe de mundos e fundos para toda a eternidade. A Troika anda a apregoar que a reforma do Estado tem de passar pela redução drástica da despesa, e não está enganada. Mas não precisamos de outsiders para explicar como uma associação quase criminosa de insiders tornou refém o seu país. A razia que tem de acontecer deveria acabar com as mordomias injustificáveis de uma Suiça utópica - um país das aparências, da roda da fortuna, da sorte, pouca sorte. A presunção de serviço prestado ao país é uma falsidade - só porque foi político é um argumento muito fraco. A questão das pensões vitalícias serve de mascote para a extravagância que tomou de assalto a equidade, o bom senso a sustentabilidade. O que está em causa no imaginário negativo tem a ver com a tentação nefasta, a provação acompanhada pela provocação daqueles que não querem largar a mama, enquanto o resto do país, pobre, doente e reformado nem sequer tem um osso para largar - passa fome enquanto os cães da caravana já não têm força para ladrar. Não acredito que uma comissão ética possa corrigir estas deturpações de sentido. Não creio que uma equipa forense queira regressar ao local dos crimes passados e atribuir culpas e responsabilidades àqueles que não ousam entrar em pensões. Àqueles que preferem hóteis, mesmo que as estrelas que iluminam os céus de Portugal estejam cadentes, a anos luz de distância da consciência, de objectores, de homens de Estado, detestados. Eles não merecem perdão, Senhor. Eles sabem o que fizeram. 

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publicado às 12:24

Memória electiva de Soares

por John Wolf, em 31.05.13

Se  Mário Soares alerta Cavaco Silva para a perda de pacifismo dos Portugueses, também estaremos no direito de alertar Mário Soares para a falta de memória, a falta de memória política de um dos mestres da democratização portuguesa. Pelo tom do discurso inflamatório de Soares, que pisa o risco de incitação à violência, julgar-se-ia que estamos na presença de um indivíduo que não assinou capítulos inteiros da história contemporânea de Portugal. O estado a que chegou o País é o resultado de uma sociedade repartida por quotas desiguais de responsabilidade. Cotas ou mais recentes, têm todos culpas no cartório, que pesam na carteira dos Portugueses, nas suas vidas e nos seus sonhos. O idealismo socialista assumiu-se como o libertador das amarras do antigo regime, mas a ideologia, elevada ao seu mais alto grau de incompetência, atraiçoa a sua missão original. Os socialistas, quer queiram quer não, encontram-se no início e no fim do comboio que descarrilou; mesmo que queiram atribuir o fim da linha a outras carruagens partidárias, fazem parte da máquina desgovernada que ainda mexe. Quantos anos esteve Mário Soares no poder? E será que nada tem a ver com a desgraça? O que é necessário para fazer reemergir a platina da lembrança? Palha de aço? ­­(não chamei palhaço, não senhor!). Tudo isto me faz lembrar aqueles cães que nunca deixam de urinar sobre o tapete. Por mais que se lhes esfregue os "detrimentos" na cara, nunca assumem, de um modo humilde, que foram eles. Que foram também governos socialistas, recentes ou esquecidos, que lá estiveram. Nunca colocam a cauda entre as pernas para ganir baixinho e de um modo sincero. A haver um genuíno sentido de Estado, o fundador Mário Soares deveria procurar uma ilha de sobriedade para se remeter a reflexões mais profundas condizentes com a condição de ancião da pátria. Ao tentar vender as últimas amostras de Esquerda unida que traz na mala de viajante, o ex-proeminente revela que pouco aprendeu em tantos anos de mester político. A Esquerda e a Direita já não existem nos termos em que o doutrinário está a pensar. De certo modo, há uma triste ironia no seu discurso. Ao dirigir tais palavras aos concidadãos, está a alcançar o país real - pobre e envelhecido. Que ainda se lembra do tempo da outra senhora, mas que se lembra também do tempo desta senhora. E Cavaco, que é a menina que se sabe, deveria tomar uma posição em relação à ameaça velada que Soares faz em nome dos Portugueses - a incitação à violência. Outro aspecto ainda: Soares quer lá saber do que Seguro anda a fazer nos últimos tempos! Anda o Seguro a esforçar-se a abraçar as frentes sindicais e a festejar as virtudes do consenso, e o Soares, em perfeita rebeldia com a ideia de encontro de vontades, promove a fractura de um modo muito básico. E estamos nós comprimidos nesta reserva política que tão rapidamente gostaríamos de esquecer.

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publicado às 10:23

Cavaco Silva à hora do Vitinho

por John Wolf, em 01.01.13

 

Aguardo ansiosamente pelas 21h deste primeiro dia de 2013. Não prego olho há várias noites. Faço directas para esse directo. À hora do Vitinho, o Presidente da República dirige-se-á à nação com a sua mensagem de ano novo. De acordo com a RTP, Cavaco Silva "traz-nos o seu tradicional voto de bom Ano Novo". O que querem dizer com tradicional voto? Sinto um registo mordaz nesse anúncio. Um certo cinismo bélico proveniente da Av. Marechal Gomes da Costa, lá para os lados da RTP. Mais do mesmo? Será isso que transforma o entediante em tradição, ano após ano, mandato após mandato? E voto? Será uma eleição de boletim único, individual. Este tipo de singularidades faz-me lembrar uma afirmação deliciosa proferida pelo Prof. Ernâni Lopes no exercício de funções não governativas, e que tive a oportunidade de registar para meu bel-prazer semântico e filosófico - "concordei em tomar a seguinte decisão". Mas parece que estamos sujeitos a um outro género de inconsequência, uma coisa impensável que dá azo a especulações. Por vezes as "não decisões" são mais danosas que as convicções planas. De uma forma ou outra, o país não será reembolsado com o achocalhar das hostes políticas de um país sujeito a uma trela. Uma corda de enforcado ainda mais apertada pelo tabu da imobilidade. A essa hora escutaremos uma homília que não mexe em nada, que não vai dar de vaia, que não vai agitar as almas sequer. Cavaco Silva, no exercício das suas prerrogativas, muito raramente fez algo que pudesse ter um efeito instigador de novas soluções. Seja qual fôr a tonalidade do quadro que se quiser pintar, parece que estamos na presença de uma natureza morta. O revólver da roleta que nos amedronta tem balas de pólvora seca. Uma bala preventiva, e uma outra disparada primeiro para se perguntar depois. Pelo andar da carruagem, e à luz da tradição, o futuro será relativamente benigno no entender do Presidente da República. Imagino, caso haja um pouco de consciência ética ou política, que o Presidente da República se recorde que esteve no outro lado da emissão e que também contribuiu para afundar o país. A mensagem de ano novo, a ser proferida em abstinência e respeito, deveria acontecer diante de um espelho, no bairro de enganos virado ao avesso, onde agora residimos.

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publicado às 15:21

CDS e a responsabilidade ou irresponsabilidade políticas

por João Pinto Bastos, em 12.12.12

Comentar a vida interna do CDS é, para mim, um desafio que exige, ainda que possa ser mal compreendido, uma boa gestão das palavras. A emoção, nestas matérias, é sempre inimiga da razoabilidade e da lógica interpretativas. Como militante do partido tenho a minha opinião sobre a gestão política que o CDS tem feito da participação na coligação. E, como eu, todos os militantes do partido, com maiores ou menores discordâncias face à actual liderança política, têm uma posição clara e assumida sobre os desafios que impendem sobre o CDS. Dito isto, e feita esta ressalva, gostaria de me demarcar desta posta do Pedro Quartin Graça. Não creio, muito sinceramente, que a liderança de Paulo Portas esteja em causa, ou, vá a estar em cheque no curto prazo. Aliás, sejamos claros, neste momento Portas é, indiscutivelmente, o quadro mais habilitado para liderar o partido. Questionar isso, e não creio que seja esse o entendimento da corrente Alternativa e Responsabilidade, seria um pouco estulto. O peso político de Portas, no seio do partido, é imbatível. Com contestação ou não, não me parece que as dúvidas aventadas pela corrente mencionada passem por um questionamento da liderança do partido. 

 

Sem embargo, é um facto que o programa centrista tem sofrido múltiplas entorses na práxis governativa, sobretudo, no que concerne à questão fiscal. O brutal aumento da carga fiscal não tem cabimento no programa do CDS. Aliás, nunca teve. Ademais, não há ninguém neste partido que se sinta satisfeito com o rumo azougado que a economia está a tomar. Ninguém, caros leitores. O busílis da questão prende-se tão-só com um aspecto que não é de somenos: o timing para uma ruptura na coligação. Neste momento, sopesados os prós e contras, não me parece que estejam reunidas as condições para uma quebra no compromisso governativo assumido com o PSD. Creio que os custos de uma decisão tão gravosa seriam bem maiores que os benefícios. Contudo, faço este reparo: quando digo que as condições não estão reunidas refiro-me, apenas, ao momento presente. Não sei qual será a situação do país daqui a poucos meses, aliás, receio bem que seja infinitamente pior, com falências em catadupa, desemprego galopante e conflitualidade social crescente, porém, de uma coisa estou certo, o que hoje é preto, amanhã poderá ser branco. Estou convicto de que o que se passou na feitura do Orçamento do Estado de 2013 não poderá repetir-se no próximo ano. O menosprezo mercurial pelo CDS não será aceite da mesma forma. A militância não tragará uma repetição da farsa que culminou na aprovação do Orçamento. A fronteira é simples, visível e nada ambígua. O futuro da colicação dependerá, em grande medida, da observância destes limites. E, também, da vocalização da discordância política nos locais adequados. 

 

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publicado às 23:39

É isto

por Samuel de Paiva Pires, em 17.10.12

Henrique Raposo, Ui, ui a responsabilidade:

 

«Voltou a conversa da responsabilidade. Entre 2009 e 2011, defendi, de forma completamente irresponsável, como é óbvio, a demissão de Sócrates. Ai, ai, a crise política pode afundar o país, ai, ai, não pode ser, porque os juros podem aumentar e não sei quê. De que serviu essa responsabilidade entre 2009 e 2011? Para aumentar a crise, para aumentar os juros, para mais PPP e mais estradas, que agora estamos a pagar com mais impostos.

 

Entre um orçamento injusto e que protege o status quo que nos lixou (mas, ora essa, é responsável) e uma crise política irresponsável, estou sempre com a segunda. A responsabilidade enterrou-nos. Se calhar, precisamos deirresponsabilidade

 

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publicado às 20:50

Quiçá será irresponsável?

por Pedro Quartin Graça, em 18.12.10

O Presidente não é responsável nem tão pouco co-responsável [pelo resultado da governação]

Aníbal Cavaco Silva

 

Se não é responsável nem, tampouco, co-responsável, o que sobra? Pois...

Já se tinha percebido que esta "cooperação estratégica" não tinha mesmo qualquer conteúdo.

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publicado às 14:29






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