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The Moreira case-study

por John Wolf, em 12.04.17

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Tenho fama de distribuir chapada a torto e a direito - mais à esquerda do que à direita -, para ser coerente e honesto, mas aprecio casos de sucesso. Escuto com a devida atenção as histórias daqueles que ousaram romper com as regras da casa, aqueles que têm uma visão que transcende as formatações de quadros mentais estanques. O Presidente da Câmara do Porto Rui Moreira deve servir de farol para a construção de um novo ADN político. O homem do Norte não deve ser apenas daquela região. A declaração peremptória de que não haverá  jobs for the boys deve fazer parte do caderno de encargos de todas as agremiações políticas. E aqui não faço distinções. A farinha é a mesma seja qual for o saco de interesses partidários. São comunas que metem a cunhada Aliete no serviço. São sociais-democratas que lançam o Martim na banca. São socialistas que enchem de afilhados os corredores da PT. O que Moreira afirma é, em certa medida autofágico, mas obrigatório. É a promiscuidade e a proximidade de interesses que esmaga a excentricidade criativa do mérito desfiliado. É o incesto partidário que produz aberrações. Mas é sobretudo o fundamentalismo ideológico que mata e mói nesta ordem invertida. Rui Moreira declama qual o seu campo de crenças, com toda a naturalidade, mas não cerra fileiras. Abre a vedação. Professa uma salutar forma de ideologia civil. E quanto às obras no Porto. Onde está o pó das autárquicas? Também irão a votos.

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publicado às 10:59

«Anda comigo ver os aviões...»

por Nuno Resende, em 03.03.16

Nunca uma letra de uma música se adequou tanto à polémica que grassa a norte. A norte, como quem diz. No Porto. Embora o discurso político mais recorrente dos ocupantes da cadeira do palácio da avenida dos Aliados seja a ideia de que o Porto é a capital do Norte, historicamente nunca o foi. Nem nunca o será, em abono da verdade, e esperemos que assim seja, para bem das liberdades locais e regionais do Minho, Douro e Trás-os-Montes
Provavelmente a única cidade-estado na História medieval e moderna portuguesa, o Porto foi sempre uma urbe com brio, consciente da sua qualidade de entreposto comercial e lugar de poder.
Naturalmente que o poder acarreta conflitos e o Porto nunca também foi espaço de paz, cidade de plácidos momentos. Fosse o Bispo, a câmara, o povo, os nobres ou os reis, sempre um espinho contribuía para sangrar o percurso histórico e comercial desta comunidade de burgueses.
Assim compreende-se que na esteira dos seus antecessores o presidente da actual cidade lance as suas farpas em várias direcções. Hoje não há reis nem nobres, o bispo já não detém o senhorio do velho couto e naus como as que daqui rumaram a Ceuta em 1415 não há.
Não há velas, mas há asas - as dos aviões que sulcam os céus da cidade num fernesim entre lá e cá, trazendo e levando já não especiarias, panos ou obras de arte, mas despejando gente que vem usufruir do exotismo da cidade - ainda que este seja hoje do género «gourmet», um género que se encontra em qualquer cidade do mundo ocidental.
Talvez assim se compreenda a polémica «Moreira-TAP». Já não preocupado com as questões aduaneiras do rio, as inspecções de saúde, ou os períodos de quarentena na margem esquerda do Douro, Rui Moreira aponta baterias à TAP esse reflexo de um país estado-novista que não existe.
Que a questão é estranha e inusitada é. Que eu me lembre e que os registos documentem, nunca um presidente de câmara se preocupou tanto com voos de longo curso, sobretudo quando os de low-cost que ligam o Porto aos subúrbios europeus é que lhe trouxeram fama e proveito*. Fama à cidade e proveito ao executivo camarário actual que à conta do lucro de empresas como a Ryanair ou a Easyjet tem vendido a ideia de um Porto-Pitoresco.Ponto.
Por isso que interessa que a TAP deixe de voar para o Porto ou que do Porto voe para o resto do Mundo? Não é o turista da Malásia ou da Argentina que vai usufruir de uma francesinha gourmet, numa «tasca gourmet», de uma rua gourmet da cidade-gourmet. De resto, quem vê mobilário Ikea vê-o num café do Porto ou em outra qualquer parte do mundo.
Não entendo, portanto, a fixação do senhor presidente Moreira nos defeitos empresariais da TAP.
Entenderia mais depressa se concentrasse esforços em contribuir para o melhoramentos dos transportes públicos de e para a cidade. A STCP presta um dos piores serviços desde a sua existência e as empresas públicas CP/REFER desinteressaram-se completamente na revitalização do património ferroviário a norte do país. Entenderia a exictação do senhor presidente se ele pedisse (exigisse!) a retoma da ligação ferroviária Porto-Salamanca, ou a duplicação e electrificação da linha do Minho até Espanha. Mas não consigo compreender a celeuma em relação à TAP.
Calculo contudo que o senhor presidente saiba o que faz, dada a taxa de popularidade de que usufrui nas redes sociais e que o torna num dos mais notáveis virtuais fazedores da história do Porto. Mas suspeito que o senhor Rui Moreira ande mais de avião do que eu ando de autocarro ou de comboio e tenhamos, portanto, uma visão diferente dos problemas da cidade onde ambos vivemos.

 

*Sobre aviões em geral, ou melhor, sobre aviõezinhos, há contudo alguma tradição no Porto - que radica a sua origem numa disputa por corridas daqueles aparelhos, patrocinada por uma reconhecida marca de bebidas energéticas.

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publicado às 17:46

Por falar em ideias novas...

por Nuno Resende, em 02.06.15

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 Folheto informativo do Secretariado de Propaganda Nacional sobre o concurso «A Aldeia mais Portuguesa de Portugal», 1938

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 Nova imagem logótipa do Porto criada pela Whitestudio (c) para a Câmara Municipal daquela cidade.

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publicado às 11:28

O Porto por uma lata.

por Nuno Resende, em 27.05.15

 Imagem via Notícias ao Minuto

 

Quem é ou mora no Porto há pelo menos 30 anos, como eu, assistiu às notáveis transformações da cidade. Desde uma Foz ainda longínqua, a uma marginal marítima abandonada e decadente, até à consagração da cidade (ainda suja e com problema sociais por resolver no Centro Histórico) enquanto Património da Humanidade, o percurso tem sido fulgurante.

Como em todas as cidades ou como, aliás, na história do país, o Porto ruma entre as marés das modas e dos devaneios político-partidários e entre questiúnculas de uns e outros (dos arremessos urbanísticos de Fernando Gomes, às mãos-pelos-pés do eng. Nuno Cardoso, passando pela longa «fantasia Rui Riesca») chegamos, hoje, ao Apogeu.

Se a História é cíclica, o Porto está em 2015 como estava em 1415, nas vésperas da conquista de Ceuta, quando investiu do bolso a abertura do mediterrâneo aos seus desejos expansionistas comerciais. Mas, volvidos 500 anos, o projecto é outro e o Porto não sai do sítio. Hoje vem cá a Europa.

E a Europa vem às mancheias. Não, não se deve à governação provinciana dos últimos 30 anos, com as suas arremetidas pequeninas a Lisboa, coladas à estratégia futeboleira, nem ao fraquinho investimento na promoção turística (ou da imagem que hoje se quer vender com um PONTO). Não. Deve-se a investimento externo, nomeadamente aos voos baratuchos (low-cost como a gíria bem falante lhes chama) que há pouco menos de 10 anos despejam na cidade por mês milhares de forasteiros.

Ora, naturalmente que o encanto da cidade, que muitos têm tentado estragar desde o ano da Capital Europeia da Cultura, em 2001, é motivo mais do que suficiente para este tipo de pontes aéreas. Mas eu e certamente muitos dos meus correligionários portuenses já percebemos que ao aumento exponencial do fluxo de turistas (aproveitado pelo actual executivo para justificar os bons anos de governação «independente») não se seguiu um correspondente incremento dos serviços: os transportes (STCP e Metro) estão de rastos; o trânsito é um caos (desde os anos 80 que não se assistia a estrangulamentos como os de hoje nas Pontes e nas vias supostamente rápidas) e, de repente, parece que uma fábrica do IKEA explodiu em plena baixa, tal é a repetição nauseabunda do mobiliário daquela empresa em todos os bares, hotéis e cafés que, de há 5 anos a esta parte, têm matado o comércio tradicional.

Tudo isto é abundantemente vendido como imagem de turismo, futuro e progresso pela actual edilidade. Mas o facto é que se vende gato por lebre. Depois da azia popularucha dos carros de corrida ou dos aviõezinhos, a que a cidade entregou o nome por alguns trocos, um festim cultural de duvidosa qualidade tem acometido a agenda do Porto. Há um ano repleto de encontros, sessões, inaugurações com nomes estrangeirados, parangonas - e…nenhum conteúdo - numa sucessão de eventos que se resume a recepções e copos d’água para classe média e média-alta beberem - desesperadas que são por festas e copos. Depois há o São João das Fontainhas e da Boavista revisitados no modo «carrinhos de choque e rodas gigantes» mas hoje com vestes intelectuais. E dizem que vem aí a «cidade líquida»….

Eu votei Rui Moreira. E considerei que a mudança se fazia na cidade das mudanças, pela alteração do paradigma Circo e Festa, pelo da promoção integral de uma cidade (perdoem-me a parvoíce da inocência) onde a liberdade e o brio eram fundamentais para preservar o nunca foi nem será a naçom parola – mas uma urbe consciente do seu papel histórico de lugar cívico. Enganei-me logo quando a cidade entregou a pouca dignidade que tinha aos representantes das Repúblicas «Populares» da China e de Angola.

Reflecti porém que tinha dado para outro peditório: dei o meu voto para a criação um Olimpo, com os seus Apolos a beberricar ambrósia e a tirar selfies para as redes sociais.

E o «povo» do Porto? O «povo» que beba Coca-Cola, que agora até traz a imagem de um certo «Porto»

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publicado às 16:10

O infortúnio do dinheiro maduro

por John Wolf, em 10.11.13

Nos dias que correm somos vergastados por um pau de dois bicos. Na arena, alinhado para um combate feroz, temos num dos cantos do ringue, o campeão da esquerda alucinada, que necessita de conquistar a qualquer custo o beneplácito dos seus súbditos. A Venezuela, mergulhada que está numa profunda crise económica e social (com inflação a rondar os 50%), observa a praxis revolucionária do seu presidente Nicolas Maduro. Numa espécie de fenómeno de assalto à Pingo Doce (Pingo Amargo) com a imposição de um desconto, ordenou ao exército a ocupação de uma importante cadeia de lojas, para pôr cobro aos excessivos lucros da empresa. O preço justo, que este preconiza, rasga com as leis de mercado, e impõe-se à força. Naquele país a ideia de empreendedorismo morreu. Ou melhor, foi assassinada. Não vale a pena pensar na mais-valia, no lucro e no esforço - capitalismo é uma actividade criminosa. Ponto final. No outro canto do ringue, do outro lado do Atlântico, o banco suiço UBS acaba de publicar o seu relatório sobre a evolução das grandes fortunas do mundo. Portugal viu crescer o seu número de multimilionários para 870. Em jeito de aproveitamento da azia, logo se estabeleceu a ideia que todo o grande dinheiro é nefasto. Que fortuna é sinónimo de roubalheira. Os analistas de caras ou coroas foram lestos em pegar numa ponta solta. O recém-eleito e independente presidente da câmara do Porto Rui Moreira, foi colocado na prateleira da grande fortuna. E esse facto tem a sua relevância. Em Portugal serve de precedente para a peregrinação política, mas feita em sentido inverso. De cima para baixo. O político não chegou roto de Castelo Branco, para volvidos poucos anos estar metido em alegados esquemas de fortuna escondida em off-shores. Este político já teve uma vida de dinheiro. Este político já viveu à grande e à francesa. Este político já tem quanto baste e esse facto deve servir de exemplo. Este tipo de perfil de servidor de causas públicas deve ser destacado em Portugal. Serão aqueles com mais meios que devem de um modo ético e voluntário, colocar a sua energia ao serviço de causas maiores. O problema em Portugal não está nas grandes fortunas, mas sim na quase total ausência do espírito filantrópico - a inclinação ética para colocar a nossa sorte ao serviço de outros. Quando um político chega com a sua mala de cartão, temos motivos de sobra para ficar desconfiados. Quanto ao oposto, desde que a fortuna amassada tenha sido realizada de modo honesto, não vejo porque razão esta deva ser atacada. Afinal, qualquer actividade humana se rege por esse princípio de vantagem maior. Que eu saiba a natureza humana firma-se mais na coluna da acréscimo, a soma. Na predisposição para acumular o máximo possível. Chamem-lhe capitalismo, sim senhor. Uma modalidade praticada à esquerda e à direita, por falsos ideólogos e sonhadores, pelo mercado de activos e sujeitos passivos. Por escritores que se querem destacar perante os outros. Por editores que trabalham para gigantes monopolistas e que querem os lucros colossais de um best-seller (pagando por isso um pequeno royalty ao autor). Por intelectuais que querem dominar a cena, esmagando os rivais com a força dos seus argumentos. Por artistas plásticos que dominam por completo o espaço de vários Versailles, sem deixar um pequeno lote que seja a pequenos aspirantes. Portanto, como podem ver, esta falsa moralidade de fortunas e dinheiros não tem nada a ver com divisas. A questão que as nossas sociedades enfrentam, tem a ver com a ideia de concessão de oportunidades aos menos afortunados. O dinheiro não é necessariamente uma coisa suja. São sujas as mãos que embalam as notas de cem, de milhar ou milhões, mas que esquecem os outros que fazem tilintar escassos trocos nos bolsos furados. 

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publicado às 08:54

Arrancou mais um exercício de tudologia

por João Pinto Bastos, em 30.09.13

Há lamechices que me irritam profundamente. Por exemplo, ontem, na ressaca da noite eleitoral, ouviram, com certeza, figuras tão "proeminentes" como Manuel Alegre bradarem que, vejam só, o Partido Socialista foi o grande vencedor da noite eleitoral. Outros, provavelmente com algumas alucinações pelo meio, falaram mesmo numa vitória retumbante. Retenham o seguinte: em termos nominais, fazendo o cômputo global dos números finais, o Partido Socialista venceu, de facto, as eleições. Mas, comparando os números socialistas com os números da coligação, é fácil verificar que a diferença é muito pequena. 36,1% para 35% não é, propriamente, um pormaior. Perante isto, é, no mínimo, bastante arriscado extrair destes números um apoio massivo por banda dos portugueses ao Partido Socialista. Dito isto, convém, simultaneamente, recordar o seguinte: em primeiro lugar, o score eleitoral do PSD no todo nacional foi péssimo. Não há eufemismos que escondam a crueza da realidade. Os social-democratas perderam em Lisboa, Porto, Sintra, Gaia, Vila Real e Coimbra, sendo que em alguns dos casos mencionados, a derrota chegou a ser humilhante. Em segundo lugar, os movimentos independentes ganharam alguma tracção política. O caso de Rui Moreira é particularmente emblemático: venceu com larga distância os seus opositores mais aguerridos, e cimentou uma força política própria, que poderá muito bem vir a ter expressão nacional. Não há que escamotear o aviso dado pelo eleitorado: os portugueses estão cansados da mesmice partidocrática, e desejam uma mudança. O Governo e as forças políticas que o sustentam terão necessariamente de estar preparados para a deslegitimação política que a tudologia opinadeira já cozinha em público. É preciso não esquecer que a apresentação do Orçamento e a avaliação da troika estão aí à espreita, além de que o país não aguentaria um novo momento "Tivoli". Há que trabalhar, hoje, agora, sem rodeios nem atrasos, interpretando devidamente o cansaço da cidadania. Foi esta a mensagem dada pelo eleitorado. Compreendam-na.

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publicado às 15:30

Porto Moreira

por John Wolf, em 30.09.13

Se eu tivesse de eleger o vencedor absoluto das autárquicas, esse homem seria, sem margem para dúvida, Rui Moreira. As suas primeiras frases de declaração de vitória não servem apenas a cidade do Porto, devem servir o país: "pela primeira vez, o partido que venceu na cidade foi o Porto". Esta simples linha política é mais do que um mero chavão de ocasião e não será esquecida tão facilmente. A afirmação - uma espécie de primeiro tijolo do processo político -, tem implicações para a totalidade do território. É um aviso sério à navegação partidária dos compinchas e um estímulo para todos os movimentos alternativos ou independentes. Portugal viu nascer um político com um sistema operativo totalmente novo - não é um upgrade de um modelo já existente no mercado. É um design original com a folha limpa, com futuro pela frente e sem passado duvidoso. Os detractores e delatores da bola, invocaram desde o primeiro minuto dos festejos do independente Moreira, que este representava uma mera extensão figurada do CDS, como se este fosse uma marioneta ao serviço dos centristas. Mas não se trata disso. Rui Moreira tem o seu quadro-base de valores, mas soube afastar-se da catequese doutrinária para granjear a confiança da sociedade civil. Em duas penadas de inteligência demonstrou que é o extremo oposto de Seguro - é competente e sabe transmití-lo -, e ao fazê-lo inspira confiança muito para além da cidade do Porto. Penso que estamos diante de alguém com carisma suficiente para servir Portugal de um modo muito mais substantivo. Ainda bem que não tem percurso político. Ainda bem que não é um notável recauchutado de um município para o seguinte, de um partido para outro. Nos próximos dias seremos surpreendidos com a inclusão na sua equipa de indivíduos sem cadastro político mas com perfil adequado para servir um Porto em crise, um Portugal em descalabro. Se Costa foi o vencedor incontestado de Lisboa, Moreira será mais do que um "simples" vencedor do Porto. Será, se assim o desejar, o embaixador de um Portugal que quer acreditar no futuro. Os socialistas que cantam vitória em todas as categorias, assentam a sua existência numa matriz de apoio tradicional que conhece os seus limites e define a sua doutrina com muita convicção e auto-suficiência. Rui Moreira, que não é partido e não é nada, apenas depende de si, mas já declarou que irá incluir uma panóplia de protagonistas para atingir os objectivos da sua missão. E é aqui que reside a sua vantagem. Os outros, os partidos, têm valores de referência e notáveis, mas que deixaram de o ser de um modo inequívoco. O movimento dos indignados e os protestos de rua não estão necessariamente por detrás de Rui Moreira, mas têm uma quota importante de responsabilidade na sua eleição. Agitaram as águas políticas e alertaram para a corrosão dos partidos políticos. Mas Moreira fez o que fez, sem se aproveitar de marchas por avenidas com aliados ou por alamedas da liberdade. Foi suave e inteligente, sabendo interpretar o mood social e político dos portuenses. Neste caso em particular, foi o Porto a centralidade da sua acção, mas o que invocou serve um manifesto geral. Lentamente começamos a vislumbrar uma nova disposição política em Portugal. Não sei se Costa aguenta os quatro anos de mandato que a população de Lisboa lhe conferiu, mas terá seriamente de pensar nas agruras que um dirigente como Seguro pode trazer. Moreira, sem o desejar, é uma pedra no sapato de Seguro, por demonstrar de um modo abismal que há certas pessoas que parecem ter nascido para a política e outras não. Contudo, como já havia referido antes, os resultados das autárquicas não desequilibram as contas da troika nem servem para afastar a expressão dos juros da dívida. A vida negra decorrerá debaixo das mesmas nuvens de contrariedades. Mas o que aconteceu no Porto é de aproveitar. É uma tocha à entrada do túnel. A contagem dos votos ainda decorre, mas podemos afirmar de um modo paradoxal, que nada e tudo mudou em Portugal. No Porto e quem sabe nos arredores.

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publicado às 09:06

Vencedores e vencidos - uma lista aberta

por João Pinto Bastos, em 30.09.13

Seguindo o método do Rui A., aqui fica a minha lista de vencedores e vencidos:

 

Vencedores: Paulo Portas, Rui Moreira, António Costa e José Sócrates.

 

Vencidos: Passos Coelho, Luís Filipe Menezes, António José Seguro, Alberto João Jardim e Vítor Baía.

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publicado às 00:23

Uma declaração de voto

por João Pinto Bastos, em 27.09.13

Voto no Porto, e votarei, seguramente, em Rui Moreira. O cenário eleitoral, e os candidatos em disputa, obrigam a uma tomada de posição que não oferece grandes ambiguidades. Menezes é, indiscutivelmente, um mau administrador da coisa pública. Por outras palavras, é um político que, caso seja eleito, arrisca-se, com a benévola conivência do eleitorado votante, a destruir o razoável trabalho legado por Rui Rio. Votar em Menezes é, em larga medida, coonestar o desperdício público, o despesismo clientelar e a obra pública derrochadora. Não terá, por conseguinte, o meu voto. Rui Moreira tem, em comparação com Menezes, a óbvia vantagem de não ter a sua imagem maculada pela má gestão dos dinheiros públicos. Além disso, é reconhecidamente uma personalidade de méritos mais do que firmados. Tem um passado como gestor, e tem, também, créditos estabelecidos como cidadão activo que intervém empenhadamente no debate público, com a sua opinião e a sua experiência. Por estas razões, Rui Moreira é o presidente de Câmara de que o Porto necessita. Sabe como administrar, e, conhece, como poucos, os rudimentos básicos de uma gestão pública participada e austera. Porém, não posso deixar de fazer alguns reparos. Em primeiro lugar, houve, nos apoios granjeados, alguns nomes que, em boa verdade, são relíquias de um passado que não interessa recriar. Há escolhas que, em candidaturas ditas independentes, matam, ou, pelo  menos tendem a matar o espírito de renovação que as anima. Rui Moreira, talvez por inexperiência, esqueceu clamorosamente essa lição, optando por dar voz e espaço a apoios e rostos cujos méritos são bastante duvidosos. Em segundo lugar, e last but not the least, a máquina política de Rui Moreira geriu com bastante amadorismo a campanha eleitoral, o que é, de certo modo, justificado por uma elevada dose de inexperiência política. Em política, maus timings e más escolhas pagam-se caro. Contudo, fazendo o cômputo geral da candidatura de Rui Moreira, é claríssima a sua superioridade face aos seus adversários. Num tempo de decaimento geral dos costumes e das gentes, ter um candidato que propõe um módico de seriedade na vida pública não é de desprezar. Valha-nos isso.

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publicado às 18:40

Por baixo do tabuleiro

por João Pinto Bastos, em 27.09.13

O Rui A. comete aqui um pequeno erro que urge, a meu ver, corrigir. A animosidade existe, mas deve-se, sobretudo, ao carácter político, ou à ausência dele, de Luís Filipe Menezes. Há gente que não se recomenda nem para governar uma casa, e Menezes é, seguramente, um desses casos.  A suposta "obra" apresentada  em Gaia não é, nem deve ser um atestado de competência imune a uma avaliação política mais fundamentada. Deixando de lado a politiquice serôdia que oblitera factos e acontecimentos, é fácil constatar que Menezes propõe para a cidade do Porto uma espécie de Menezolândia regada a muito crédito. Basta dar uma vista de olhos pelo arremedo de programa apresentado pela candidatura menezista para concluir que a fantasia e o pensamento mágico são um exclusivo do ilustre médico. Quanto ao resto, é evidente que há muitos interesses em movimento, assim como, alguma falta de tacto e de profissionalismo político na abordagem do eleitorado pelos diversos candidatos. Pizarro foi, em grande medida, uma má aposta, devido, fundamentalmente, ao seu low profile político. Na política a falta de carisma paga-se muito caro. Já Rui Moreira, não obstante o facto de não dispor de uma máquina política suficientemente oleada, conseguiu, com as qualidades que se lhe reconhecem, construir um movimento independente com, ao que parece, a forte possibilidade de arrebanhar a Câmara. Porém, nem tudo é um mar de rosas. Além da fraca máquina política, há que mencionar um certo amadorismo no modo como a candidatura de Rui Moreira lidou com algumas das questões mais candentes da campanha eleitoral. Contudo, não obstante essas falhas, que não são de somenos, Rui Moreira continua a ser o candidato melhor avalizado para tomar entre mãos os destinos da edilidade portuense. Os portuenses têm, pois, a palavra.

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publicado às 13:15

Sondajocracia grátis

por João Pinto Bastos, em 02.06.13

A sondajocracia é, de feito, um regime bem estranho, que promove, frequentemente, o logro dos cidadãos (des)informados pelo ruído merdiocrático circundante. Não pertenço ao bando dos que esperam, ansiosa e sofregamente, a próxima sondagem confirmativa de uma liderança política pouco cimentada. Isto vale para qualquer partido e personalidade pública. Este pré-conceito deve-se, em grande medida, ao facto de ser filiado, com muito gosto, diga-se de passagem, num partido que tem sofrido agruras indizíveis na relação muitíssimo atribulada que tem tido com as sondagens. O CDS é, de resto, um bom exemplo do tropel de enganos associado à crença em instrumentos de medição da vontade popular que falham, amiúde, em quesitos fundamentais. Vem isto a propósito das últimas sondagens a respeito das eleições autárquicas que ora se avizinham. Ao que parece, o PSD surge em maus lençóis nas principais disputas eleitorais ao largo do país. Em Lisboa, o amanho político cozinhado pelo PSD, com a colaboração irrestrita do CDS, arrisca-se, seriamente, a sofrer uma derrota bem pesada. O edil Costa, sem saber ler nem escrever, está a um passo bem comezinho de manter intocada a sua inglória obra política à frente do município capitalino. No Porto,  cidade na qual habito, Menezes, o truão da política nortenha, não tem segura a vitória eleitoral, como muitos auguravam. Rui Moreira, com imenso trabalho e muito prestígio à mistura, numa candidatura ampla e abrangente, vai fazendo o que pode para socavar a candidatura menezista. Estes dois exemplos dizem bem da disputa eleitoral que temos pela frente. As sondagens são um bom indicador, contudo, não significam rigorosamente nada. Mais: é ilusório pensar que os resultados que têm vindo a lume são definitivos. A agitação política nacional importa e muito, no entanto, é bom que não se tome a nuvem por Juno. A fraqueza política de Seara não pode nem deve servir de argumento à putativa desistência da direita lisboeta, que já se antolha uma inevitabilidade. Seria lamentável que assim o fosse. É tempo de arrepiar caminho, traçando de vez uma nova estratégia. No que toca à, para muitos, previsível vitória eleitoral de Menezes, o tempo será o melhor conselheiro. Rui Moreira tem feito um execelente trabalho de campo, expondo argumentos e propondo um programa novo e ousado, para uma cidade que precisa definitivamente de se afirmar - se bem que, aqui ou ali, algumas das propostas aventadas mereçam a minha total discordância. As sondagens dão alento, mas pouco ou nada garantem. A vitória política e eleitoral surgirá necessariamente do suor empregue no esclarecimento das populações afogadas no confisco de uma governação pobre e incompetente. É nisso, e apenas nisso, que as candidaturas que pretendem romper com a governação da pândega terão de apostar: no esclarecimento cabal dos cidadãos, sem frioleiras sondajocráticas a granel.

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publicado às 22:33

Breve nótula sobre uma decisão unânime

por João Pinto Bastos, em 19.04.13

Ontem, num plenário de militantes bastante concorrido, o CDS Porto decidiu por unanimidade apoiar a candidatura de Rui Moreira à Câmara Municipal do Porto. Decisão acertada, a meu ver. A candidatura de Rui Moreira é claramente a mais competente para fazer face aos desafios ingentes que acometem a cidade do Porto. Dito isto, e feita esta ressalva, espero, desejo e aguardo que o apoio dado à candidatura de Menezes por alguns dos militantes mais ilustres do partido (falo de Anacoreta Correia, Ribeiro e Castro e Sílvio Cervan), não sirva de arrimo a uma pretensa caça às bruxas. É que para derivas persecutórias antidemocráticas já temos outros partidos, alguns deles com uma tradição inveterada de "comer e calar". A vida política é feita de escolhas, todas elas legítimas e respeitáveis. Podemos ou não concordar com uma determinada orientação, podemos até discordar virulentamente de uma directriz aclamada por toda a militância, porém, não é crível nem suportável, pelo menos num partido plural e democrático, a crítica rasteira a quem defende uma opção totalmente contrária àquela que a grande maioria entende ser a correcta. A democracia é isto, para o bem e para o mal. 

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publicado às 15:42

CDS, Menezes e Rui Moreira

por João Pinto Bastos, em 20.01.13

Não sei qual será a decisão final do CDS no que tange ao apoio, ou não, a dar a Luís Filipe Menezes, nas eleições autárquicas que se avizinham.  Não sei, e, como militante de base que sou, não me cabe a mim determinar a orientação do partido. O que sei, e por ora é suficiente, é que o CDS deverá apoiar uma candidatura credível, coesa e sólida, com princípios, programa e direcção conformes ao programa do partido. E o programa do CDS tem, como uma das suas linhas mais salientes, a boa gestão dos dinheiros públicos. Menezes, um trapaceiro alcandorado a político respeitável pelas ignaras elites regimentais social democratas, é um exemplo acabado do que é destruir, erodir e malbaratar os recursos públicos, com o agrément de todos. Portanto, espero e desejo que o CDS não apoie este sátrapa - o CDS/Porto, pela mão de Pedro Moutinho, já deu um primeiro passo nesse sentido, que, espero, se mantenha. A credibilidade do partido joga-se, também, nestas coisas que, para alguns são comezinhas, mas que para outros, como eu, são sobremaneira relevantes.  Por fim, e dado que o jogo das candidaturas está ao rubro, parece-me que o pré-anúncio de Rui Moreira aduz outro interesse a uma corrida eleitoral que se afigurava uma demagogia da pior espécie. Resta saber qual será a plataforma programática com que Moreira apresentar-se-á ao eleitorado. Com isso em mente, e sopesando os prós e os contras de um possível apoio, creio que o CDS deverá apoiar a candidatura de Rui Moreira, não só pela sua credibilidade, mas, também, pela visão que decerto emprestará à resolução dos problemas da Invicta. É tempo de fazer escolhas, sabendo de antemão que nenhuma, repito, nenhuma opção será fácil. Mas em política, por norma, não há decisões rectilíneas.

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publicado às 23:43

CDS/Porto e o bom senso político

por João Pinto Bastos, em 24.10.12

A anunciada candidatura de Luís Filipe Menezes à edilidade portuense foi para muitos, entre os quais me incluo, uma notícia terrífica. Sim, leram bem, uma notícia terrífica. Adoptei este tom hiperbólico por uma razão muito simples: Menezes é um lídimo representante do pior da tradição despesista desta III República, que, na sua ambição desmedida, nunca hesitou em usar e abusar dos recursos públicos com o único fito de arrebanhar o apoio eleitoral dos seus munícipes. Uma direita que se preze jamais apoiará a desordem orçamental menezista. Repito, uma direita que se dê ao respeito jamais apoiará  a balbúrdia do gasto excessivo. A posição adoptada pelo CDS/Porto, encomiável ou não, foi uma pedrada no charco do unanimismo politiqueiro que se vinha formando em torno de uma candidatura cujos deméritos sobrepujam em muito os méritos, se é que eles existem. O pronunciamento programático veiculado pelo líder do CDS/Porto, Pedro Moutinho, é tão-só a transposição para o âmbito autárquico do novo mantra político vigente no Portugal "troikado": o mantra do rigor e da poupança públicas. A constatação de que "a cidade e o País não têm dinheiro para este tipo de gestão" é um manifesto de responsabilidade política, cuja crítica deveria embaraçar aqueles que, noutros fóruns, são estrénuos defensores do enxugamento do estadão. Há dualidade de critérios na opção política anunciada pela estrutura concelhia do CDS/Porto? Não.  Ademais, há quem se que esqueça, deliberadamente ou não, da autonomia das estruturas partidárias concelhias na prossecução das suas estratégias políticas. O CDS/Porto denotou aquilo que, desafortunadamente, não abundou no PSD: bom senso e respeito pelos cidadãos contribuintes.

 

Nota: Rui Moreira seria um excelente candidato. Bem preparado, metódico, e um bom conhecedor da cidade. Resta saber se estará disponível para um desafio desta magnitude, e se terá, também, o acompanhamento das forças vivas da cidade. 

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