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O fim da inocência lusitana

por John Wolf, em 26.08.17

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Começo este post com um disclaimer - não existe tal coisa de excepcionalismo. Nem do tipo americano nem do tipo português. Não existem povos eleitos ou nações predestinadas. Temos sim, paragens de autocarro e consultas de dentistas, filas de supermercado e jogos da bola. O resto, aquilo de que os governos se servem, é apenas um conjunto de chavões de alegada grandeza e imunidade. E por essa razão não devemos ficar espantados com os números - mais de mil queixas por mês apresentadas na Esquadra de Turismo. O Diário de Notícias também faz parte do equívoco ao repetir ao longo da peça, parafraseando incautos, que custa acreditar que tamanhos furtos possam acontecer numa cidade como Lisboa. O saudosismo conveniente dos brandos costumes trará prejuízos de maior vulto se não for rapidamente recambiado. Passei hoje mesmo em Belém e lá vi os cubos de betão para dissuadir outro género de furtos. Mas regressemos ao flagelo dos carteiristas de mão invisível e o crescimento quase exponencial de ocorrências. Meus senhores (entenda-se todos os géneros), estamos na presença de mais um caso de negligência crónica, à laia da floresta perdida e fogos indomáveis. O número de queixas apresentado reflecte bem o défice conceptual no que concerne aos aspectos securitários decorrentes do crescendo de fenómeno turístico. Portugal é essencialmente um destino turístico há mais de quatro décadas pelo que houve tempo mais que suficiente para que os governos pudessem responder às exigências, às demandas repetidas vezes sem conta pelas forças policiais. Sucessivos governos têm tratado a dimensão de segurança interna como matéria de segundo plano. Os orçamentos de Estado têm sido anémicos na dotação de meios adequados às polícias que definem o quadro securitário interno de Portugal. Os desafios, que agora se agudizam com a pendente ameaça terrorista, devem ser aproveitados para reinvindicar mais meios e mais músculo operacional para as forças de segurança. Quando acontecer algo dramaticamente trágico, estarei ao lado das polícias que muito provavelmente serão requisitadas para o papel de bode expiatório, derradeiros responsáveis pela inevitabilidade. Nada mais falso.

 

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publicado às 13:48

Portugal brinca com fogo

por John Wolf, em 02.04.16

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Não revelo a fonte aliada de Portugal que me transmitiu o seguinte: os portugueses julgam que se encontram à margem das reais intenções do Estado Islâmico. À medida que os "hard targets" trancam as portas e apertam o seu grau de vigilância, os "soft targets" sobem na classificação de alvos apetecíveis. Portugal, de acordo com esse critério, preenche os requisitos da efectiva tangibilidade. Está à mão de semear. A mentalidade colectiva sempre reforçou a falsa premissa - isso é lá com eles. Mas existem mais pedras no sapato. As guerrinhas domésticas, que afligem os organismos e as estruturas, alegadamente com responsabilidades maiores na implementação de modelos securitários. As quezílias e dissabores que parecem ter sido instigados pelas mais recentes decisões governativas confirmam os nossos maiores receios. O inimigo é doméstico. A politiquice é uma espécie de fundamentalismo que afasta e extingue a competência daqueles que deveriam implementar modelos de gestão de ameaças e exercer as suas funções sem o ónus das filiações ideológicas ou partidárias. Exige-se ao actual primeiro-ministro que saiba estar à altura da realidade geopolítica, que entenda que não temos tempo para brincar com fogo.

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publicado às 11:46

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Esta é para aqueles que me acusam de estar sempre a bater no (mesmo) velhinho. Já disse, e torno a dizê-lo, a ideologia e os partidos, pouco ou nada têm a ver com a minha suposta acutilância crítica. Quando se levanta a poeira em torno da nomeação de assessores para o primeiro-ministro, devemos fazer uma pausa, respirar fundo e olhar à nossa volta. António Costa pode ser amigo de ocasião de Marisa Matias e companheiro de pesca de Jerónimo de Sousa, mas sendo astuto e realista, sabe que as propostas peace and love dos parceiros do tempo novo não servem os tempos perigosos que atravessamos. A segurança interna e a defesa são dimensões que exigem cuidados acrescidos. O primeiro-ministro está certo, neste caso. Contudo, esta decisão não fará descarrilar a inevitabilidade da torrente de ameaças que pairam sobre as nossas sociedades. As nomeações em causa podem contribuir para uma outra dimensão pré-conceptual - a agilização e a partilha de informação entre os diferentes corpos e entidades em causa. Eu teria ido mais longe. Teria constituído um conselho de segurança interna para agrupar em torno da mesma mesa as chefias das diversas polícias e organismos com vocação securitária ou não (ASAE, SEF, Protecção Civil e Polícia Marítima, a título de exemplo). Mas sabemos que muitos destes organismos não se entendem - há colisão das respectivas hierarquias e excessivas lealdades políticas. Basta ser um cidadão comum para perceber que a Polícia Municipal e a PSP não se embrenham de um modo fluente e natural. O polícia municipal é excelente a guardar a betoneira da obra na via pública, mas não me parece que esteja atento à missão policial no seu sentido mais abrangente. Se o trânsito estiver emperrado, este nada faz - não é com ele (pediram-lhe para guardar a grua). Em suma, falta a Portugal, um país pequeno e de fácil interpretação logística, a plena integração de todas as forças, a consubtanciação da reciprocidade de objectivos e missões. Não sei se António Costa tem noção destas disparidades e separação de águas, mas o ambiente geopolítico e a probabilidade da ocorrência de eventos fora de caixa, obriga o governo a pensar holisticamente. Sim, eles andam aí. Alguns políticos e uma mão cheia de terroristas.

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publicado às 08:43






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