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O carcinoma Cavaco

por João Pinto Bastos, em 25.05.13

Silva Porto, O Guardador de Rebanhos

 

Quando olho para a República, mormente para Cavaco, o representante-mor deste conjunto de instituições e práticas políticas apoucadas pela ridicularia dos oligarquismos, tenho a ligeira sensação de que, mais cedo ou mais tarde, o país desabará estrondosamente, quedando-se inerme sob um amontoado de escombros sem remição. O estado actual do país não aconselha grandes optimismos. Enquanto alguns, mal ou bem, criticam e apontam falhas, outros vão-se dedicando a explorar o ressentimento do povoléu, exacerbando dissídios que não existem. Desafortunadamente, a grande política, o múnus da pólis, deu lugar à fulanização extremada. O debate que vemos e ouvimos todos os dias na televisão, nas rádios e nas redes sociais tem em comum a pessoalização pueril. Esta tendência não é de agora, nem de ontem. A sociedade do espectáculo, que o situacionista Debord tão bem escalpelizou, é um dado adquirido que vem permeando de lés a lés a pós-modernidade de um Ocidente enfraquecido por relativismos esconsos. Cavaco não foge à regra. É, e sempre foi, um péssimo político. Não pelas razões apontadas pela esquerda roufenha dos Soares e companhia limitada, mas sim pela inépcia com que, desde sempre, pautou a sua acção política. Cavaco comunica mal e decide de um modo tacanho. Ademais, não sabe, por norma, avaliar as condicionantes dos diversos momentos políticos, o que faz com que a sua "práxis" política seja orientada em demasia pela revanche pessoal. Com um histórico deste jaez é fácil intuir que o actual chefe de Estado é um ponderoso factor de instabilidade, o que, convenhamos, não augura nada de bom para o futuro do regime. Com uma crise em pleno crescendo, a falta de talante político de Cavaco tornar-se-á progressivamente num carcinoma de difícil extracção. O incidente com Miguel Sousa Tavares - que, repito, teria feito bem melhor figura se tivesse estado calado - revelou, se dúvidas existissem, que Cavaco não tem a "gravitas" necessária para o exercício de um cargo que exige, em primeiríssima mão, prestígio e autoridade. Para mim, e estou certo de que para muitos, esta ausência de predicados não constitui uma surpresa. Para alguém que defende o retorno a um regime monárquico, como é o meu caso, e o da maioria dos convivas deste blogue, a depauperação a que tem sido sujeita a presidência da república é o resultado óbvio de um regime que promove a mediocridade das suas elites. O problema de Portugal começa justamente nesta palavrinha que, amiúde, é mistificada até ao delírio: elites. Sem elites que pensem, estudem, raciocinem e decidam com peso, conta e medida, não sairemos desta modorra peçonhenta que seca tudo o que floresce neste doce cantinho do Atlântico.

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publicado às 15:10

Falta de senso

por João Pinto Bastos, em 24.05.13

A nossa cultura política é uma valente chachada. Mais: será assim tão difícil compreender que a liberdade implica a aceitação de ditos aviltantes e impróprios? Há pouco, aqui, escrevi que as declarações de Sousa Tavares são lamentáveis. Ponto. Porém, a reacção de Cavaco segue a mesma linha do cronista-mor. O impropério não é apanágio de um único grupo. Nunca foi. É por isso que a petulância, a doença maior das nossas elites provincianas desrepublicanizadas, se generalizou definitivamente. A liberdade de expressão nunca assentou verdadeiramente arraiais no nosso cantinho. É pena. Merecemos mais e melhor.

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publicado às 14:20

Sousa Tavares solta o leãozinho

por João Pinto Bastos, em 24.05.13

No dia em que Christopher Lee anuncia, aos seus 91 anos, o lançamento de um album de heavy metal, Sousa Tavares paralisa o país com esta tirada digna de um Solnado: "Nós já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva". Sou insuspeito de nutrir a menor simpatia por Cavaco Silva. Sou, também, insuspeito no tocante à adulação do actual regime republicano, que, em bom rigor, só tem promovido o facciosismo fratricida de meia dúzia de grupelhos sem o menor sentido patriótico. Porém, nada autoriza este linguajar taberneiro. É por estas e por outras que não saímos da cepa torta.

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publicado às 12:07






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