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Ainda acreditam no ano novo?

por John Wolf, em 01.01.17

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Ainda acreditam nessa história do Ano Novo? 2017 não passa de um estágio temporal em segunda mão. O governo de geringonça também não é novo - é mais de terceira mão. A presidência dos EUA, essa sim, é nova, original. O que se passou em Istambul, ainda não havíamos escutados as 12 badaladas, serviu para varrer as incongruências da natureza humana, ingénua e carregada de esperança festiva perigosamente naive. A tensão pré-orgásmica que conduz à falsa percepção de mudança não tem cura. Chamem-me de cínico, mas já começamos a ter idade para deixar de ir em cantigas. Vamos a factos domésticos em primeiro lugar. Os portugueses acordaram dia 1 de Janeiro de 2017 com uma diminuição efectiva do seu rendimento disponível. A fórmula do engano e decepção parece ser a mantra de governação, com o apoio de jornaleiros amigos - "nem todos os aumentos são maus" - bonito, linda esta afirmação. Como sempre, as estatísticas e os velhos servem para justificar as decisões mais bicudas - a população portuguesa está a envelhecer. Agora elevem ao quadrado a mensagem de serenidade e paz interior, e vejam como estamos mesmo preparados para um mundo cada vez mais hardcore - Guterres não é o Papa. Enquanto rezam as praxes de estabilidade social e harmonia governativa, as rodas da realidade não abrandam. Não seria maravilhoso se o mundo dependesse das belas intenções de expressionistas como António Costa? Estes governantes tardam em entender a inversão. As excepções passaram a norma. O calendário dos anos vindouros estará marcado por incidentes que carecem de antecedentes, de validação. Este ano não pode servir de alibi e como uma declaração de que a tempestade já lá vai. Eventos como o Brexit ainda não aconteceram. 2016 apenas serviu para reservar lugares na agenda. E são muitos os passageiros. Temos o comboio regional das autárquicas. Temos o TGV das eleições francesas. Temos o canal da Mancha do Brexit efectivo. Temos as socas duras das eleições holandesas. Enfim, teremos muito com que nos entreter para além dos eventos espontâneos, terroristas ou nem por isso. A noite de ontem bem me pareceu mais contida, mais calma. Sinto no ar um certo conformismo das gentes, mas sinto que os últimos da fila são os primeiros dos diversos governos que polvilham aquilo que ainda resta de um projecto europeu. Os governos, seja qual for a sua procedência, correm riscos. Mas serão aqueles que mais prometem e menos cumprem que sentirão a corda a apertar. E depois dizem que a culpa é da ideologia, do extremismo, uma coisa vinda do passado, de um outro ano novo qualquer.

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publicado às 19:31

O drama do Ocidente

por Samuel de Paiva Pires, em 22.07.16

Assisti há pouco a uma entrevista a um alemão cuja mulher está numa sala, com outras pessoas, no centro comercial de Munique que foi alvo de um ataque terrorista. Dizia que tinha enviado mensagens à mulher a encorajá-la e às outras pessoas na sala a reagir caso um terrorista entrasse na sala, visto que "não se consegue falar com esta gente", e a não implorar pelas suas vidas, devendo imediatamente atacar o terrorista e "matá-lo".  É o resumo perfeito daquilo que enfrentamos e devíamos fazer. Enquanto os líderes ocidentais continuarem a pensar que isto se resolve com diálogos entre civilizações  e religiões e teimarem em negar a mais que evidente natureza violenta do islão e a sua perspectiva sobre o mundo moderno e o Ocidente - essencialmente, pretendem aniquilar-nos e ao nosso modo de vida -, vamos continuar a assistir, infelizmente, à ascensão da extrema-direita um pouco por todo o Ocidente, pela simples razão de que esta está ciente da necessidade de defender os valores do Ocidente perante a barbárie inspirada pelo islão e da mensagem que o alemão acima mencionado transmitiu: ou matamos, ou morreremos às mãos desta gente. Mas continuem a eleger Obamas e Merkels - verdade seja dita que, entre estes e personagens como Marine Le Pen ou Donald Trump, venha o diabo e escolha, e que infelizmente não se vislumbra ninguém capaz de assumir a liderança de uma ofensiva ocidental contra quem nos ameaça permanentemente - que o caminho para o desastre continuará a ser alegremente percorrido.

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publicado às 23:04

Terrorismus Continuum

por John Wolf, em 22.07.16

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Os governos democraticamente eleitos do mundo ocidental tardam em enfrentar a dura realidade dos factos. O terrorismo já não equivale a incidentes esporádicos que se dissipam num calendário alargado de ocorrências e datas. Os ataques perpetrados em Paris, em Bruxelas, em Londres ou Munique fazem parte da mesma linha de continuidade. As teorias organizacionais, construídas sobre a premissa da existência de células e hierarquias, já não servem para antecipar ou retrospectivamente dissecar os contornos dos ataques. A questão da genealogia ideológica também se secundariza perante a emergência securitária. Por mais que queiram evitar a solução musculada na Europa civilizada, os lideres de sociedades livres em breve terão de encarar o destacamento de forças militares permanentes nas ruas das cidades, a colocação de forças especiais em pontos nevrálgicos das urbes. Não mencionei uma vez sequer a dimensão dos refugiados, dos fundamentos religiosos ou dos conceitos subjacentes ao auto-proclamado Estado Islâmico. Refiro, sem valorações adicionais, o desafio de ordem e segurança que deve ser abraçado a todo o custo. O declínio da capacidade de projecção de poder dos adversários em terras distantes significa a disseminação de esforços fragmentados, mas altamente letais, no encalce próximo da tranquilidade europeia. O 11 de Setembro, intensamente sofisticado do ponto de vista conceptual e operacional, migrou para propostas de terrorismo de fabrico artesanal. Será com os meios disponíveis que os golpes serão desferidos. Os defensores das liberdades e garantias ainda não entenderam que em nome dos mais altos valores de liberdade, o combate implica o arrestar limitado de algumas prerrogativas consensualmente aceites enquanto intocáveis. A Europa está em guerra, mas tarda em admití-lo. Os terroristas de Bruxelas e Paris também elegem lideres. Chegamos a um ponto insustentável que transcende birras fratricidas entre a Esquerda e a Direita, pacifistas e belicistas. Chegou a hora de uma união de facto. A convergência política e efectiva para derrotar os atavismos internos. Chegou o momento da Europa.

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publicado às 22:12

Incirlik

por Nuno Castelo-Branco, em 20.07.16

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 Que Israel possui uma enorme e ilegal quantidade de armamento nuclear, esse é um segredo tão bem guardado como a inclinação da Torre de Pisa. Nas imediações não existe qualquer outra potência nuclear a não ser o Paquistão, muito mais a leste e que perigosamenteas obteve graças ao beneplácito do nosso aliado americano. Seguir-se-á o Irão, disso já não existe a menor dúvida.  


O que era praticamente ignorado pela grande maioria da opinião pública europeia, é a já muito antiga presença de armas nucleares na base americana de Incirlik, ponto essencial de apoio a operações naquela parte do mundo, sejam elas para manter uma vigilância apertada sobre Tartus - uma das três bases com denominadas task forces que os russos mantêm fora das suas fronteiras -, seja para o cada vez mais disparatado apoio a "forças combatentes" no teatro de operações sírio, inclusivamente alguns movimentos que como a Frente al-Nusra são declaradamente anti-ocidentais e muito retintamente suspeitos de parcerias com um Estado Islâmico misteriosamente equipado com armamento alegadamente capturado no Iraque. Nada é por acaso.

Quando da resolução da Crise dos Mísseis de Cuba, Kennedy terá concedido a Kruschev a retirada dos correspondentes americanos plantados na Turquia, no então flanco sul da União Soviética. Foi este um acordo informal e jamais cumprido, uma concessão que salvou a face dos dirigentes do Kremlin, uma troca-por-troca que as superpotências perante o resto do mundo assumiram até à implosão da URSS. Caído o regime comunista vitimado pela sua própria prepotência - nesta se incluindo a desastrosa intervenção no Afeganistão -, vertiginoso despesismo militar, miséria material extensiva a toda a população que não era membro do Partido, procedeu-se a um refluxo das fronteiras controladas pelos russos: saída da Polónia, Checoslováquia, Roménia, Hungria, Bulgária e extinta RDA do Pacto de Varsóvia, ditando o fim do mesmo.

A Rússia regressou aos tempos em que a sua presença territorial se limitava grosso modo ao traçado anterior ao reinado de Catarina II, a Grande, a alemã Sofia de Anhal-Zerbst que tomou a maior parte da Ucrânia, toda a Bielorrússia, a Lituânia e mais uns tantos territórios no Cáucaso. Permaneceu em actividade  a Base de Tartus (Síria) e como apoio logístico a Base de Cam Ranh que já servira a marinha americana no Vietname. As restantes, todas elas situadas em territórios outrora componentes da União Soviética, contam-se pelos dedos  de duas mãos e mesmo estas são de vários tipos: as que se encontram na Arménia, Geórgia e Moldávia, contam com forças de intervenção de dimensão apreciável, enquanto as outras contêm essencialmente centros de comunicações e radar. Sebastopol é um caso diferente, pois regressou ao controlo directo de Moscovo e o ocidente deveria estar preparado para reconhecê-lo. 

O que sucedeu após o fim do regime soviético? Não só foi o território da RDA incluído no dispositivo militar da NATO - e a Alemanha, procurando dissipar os naturais receios russos, procedeu a um rápido e infeliz desarmamento -, como rapidamente se verificou que os antigos componentes do Pacto de Varsóvia, incluindo os Países Bálticos, foram admitidos um após outro na Aliança Atlântica. Os russos talvez esperassem a criação de uma zona tampão que fosse de Narva a Odessa, mas as expectativas saíram-lhes goradas pelos factos. Um gratutito insulto acompanhado pelo ostensivo desprezo pela psicose de cerco que o Kremlin experimenta uma vez mais. Isto teve claras implicações na forma como as autoridades russas passaram a olhar para ocidente - melhor dizendo, para os EUA -, situação ainda mais premente quando este procedeu a uma política de massive basing nas imediações da Rússia. Neste âmbito, a Turquia era uma peça anterior ao colapso da URSS e por isso, a situação não era para o Kremlin novidade alguma. A Ucrânia é, queiramos ou não, um terreno vedado à NATO. 

Algo se passou desde 1991 e não valerá a pena desfiarmos o trágico rosário que é bem conhecido pelos crentes de qualquer missa televisionada até à exaustão. Todos fomos regular e insistentemente enganados nas expectativas e isso causou o ultraje nas mentes de uma imensidão de partidários da Aliança Atlântica. Há humilhações que não se esquecem ou perdoam e esta é uma delas.

Sem sequer considerarmos a hipótese de uma miraculosa conversão russa aos genéricos padrões que vigoram na Europa ocidental ou nos EUA, o massive basing acompanhado pelas catastróficas intervenções no Iraque, Líbia e mais actualmente na Síria, provocaram o gradual aumento da tensão desde o Báltico até ao Golfo Pérsico. O factor determinante que diferencia a liderança russa? Goste-se ou não da personalidade, esta chama-se Putin.

As comicamente denominadas primaveras árabes que de Tunes a Bagdade derrotaram todos os autoritários regimes laicos que tinham nascido após a descolonização, conduziram a Europa a um beco em que ainda hoje se encontra, ainda por cima agravado pela clara subversão interna, esta muito diferente de outras ocorridas nos anos sessenta e setenta, de cariz meramente político. O islamismo definitivamente passou a radical bandeira política eivada de messianismo, esta é a realidade que deveremos em definitivo entender. As responsabilidades são várias e devem ser partilhadas. Do que ninguém tem necessidade, é do acirrar de qualquer situação que possa provocar outros casos de escalada de violência militar na qual a Europa será o alvo que agora se encontra totalmente indefeso. Os países europeus estão mercê daqueles que internamente provocam os tumultos com dizeres "politicamente correctos" e mediaticamente da moda e por outros factores externos e totalmente incontroláveis por Paris, Londres e Berlim: despejar em descarado suborno, montões de dinheiro em mãos tão ou ainda mais corruptas como as dos doadores, é má política. Péssima! 

A ser verdade - e é mesmo -, o que ainda estão dezenas de perigosas armas nucleares a fazer na Turquia? Com que fim se justifica a sua presença naquele país que, há que dizê-lo sem rebuços, não é de mínima confiança relativamente àquilo que julgamos ser o padrão político, social e militar ocidental? Este exército turco que na distraída opinião pública europeia passa no teste porque parece ser alegadamente laico, é sem dúvida corruptíssimo e as acusações de roubo, nepotismo, auxílio a terroristas do E.I. que genericamente são feitas a Erdogan e ao seu partido, apenas são possíveis devido à colaboração das autoridades militares que com mão de ferro controlam as fronteiras turcas. É um exército oriental, muçulmano, com isso carregando toda a tralha que a gloriosa história lhe confere. No actual contexto, essas armas nucleares não estão seguras, encontrando-se à mercê de um qualquer golpe de mão.

Quem autorizou os nossos aliados - supondo-se que a Base de Incirlik pertence ao dispositivo da NATO - a ali manter armamento daquele tipo?  

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publicado às 10:50

Oui, c'est ça

por Nuno Castelo-Branco, em 15.07.16

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Ontem a ostensivamente "collabo" France 24 comportou-se miseravelmente. Ia transmitindo de vez em quando notícias ao estilo salta pocinhas, como se aquilo não tivesse acontecido no próprio país. Realmente, mais valeu seguir os canais da tv portuguesa.  

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publicado às 07:46

O Islão e a homofobia

por Samuel de Paiva Pires, em 19.06.16

Parvez Sharma, Gay Muslim: Islam Is No Religion of Peace:

Calling Islam a religion of peace is dangerous and reductive. Like the other two monotheisms that precede it, it has blood on its hands. It’s time we Muslims start looking inward at our own communities so that the bloodshed can stop. I’m convinced that Mateen’s attitude is not fringe. It can be found everywhere from Mecca to my own mosque in New York City.

The vast canon of Islam that emerged after the Prophet Muhammad’s life has enough sanction for violence, if you know what you are looking for. And there is no lack of homophobic condemnation either. The Quran itself remains vague on the matter, lazily regurgitating the Old and New Testament’s story of the Nation of Lot. And for the majority of 1.6 billion Muslims, many of them plagued by poverty and illiteracy, the debates going on amongst the Western Muslim pundits, will make no sense. What they listen to is Khutba (Friday sermon) after Khutba that talks about homosexuality as a sin amongst other matters of religious import.

Yes, most Muslims are muddling through life, putting food on their families’ tables just like everyone else. There are countless sectarian divisions within the vast faith. But if even a fraction of a percentage of this population believes gays should be put to death, we have a problem that cannot be dismissed so easily.

 

Alberto Gonçalves, Os islamófilos:

As acusações de "islamofobia" são a tentativa de simular escândalo face aos triviais, e compreensíveis, receios do cidadão comum: lá por conter umas dúzias (ou uns milhões, não importa) de extremistas, o islão - homessa - é essencialmente moderado. Por mim, tenderia a crer piamente no islão moderado se este entregasse com regularidade os seus radicais filhos à polícia ou, na falta de esquadra próxima, os pendurasse no alto de um poste. A quantidade de desculpas prontas ou pesares tardios com que trata psicopatas faz-me duvidar ligeiramente do empenho do islão moderado em justificar a designação. É claro que muitos muçulmanos não sonham com a explosão de transeuntes. Porém, já que se pretende banir ou castigar opiniões, seria interessante questioná-los sobre o respeito que dedicam às mulheres, a certos grupos étnicos, a determinadas religiões e, se não for maçada, aos homossexuais. Aliás, eles respondem ainda que ninguém lhes pergunte. Os "activistas" é que fingem não ouvir.

 

Andrew C. Mccarthy, Killing Homosexuals Is Not ISIS Law, It Is Muslim Law:

The inspiration for Muslims to brutalize and mass murder gay people does not come from ISIS. It is deeply rooted in Islamic law, affirmed by many of Islam's most renowned scholars. This is why, wherever sharia is the law, homosexuals are persecuted and killed.

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publicado às 13:18

Das relações entre o Ocidente e o Islão

por Samuel de Paiva Pires, em 22.03.16

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 Samuel Huntington, The Clash of Civilizations:


Some Westerners, including President Bill Clinton, have argued that the West does not have problems with Islam but only with violent Islamist extremists. Fourteen hundred years of history demonstrate otherwise. The relations between Islam and Christianity, both Orthodox and Western, have often been stormy. Each has been the other's Other. The twentieth-century conflict between liberal democracy and Marxist-Leninism is only a fleeting and superficial historical phenomenon compared to the continuing and deeply conflictual relation between Islam and Christianity. At times, peaceful coexistence has prevailed; more often the relation has been one of intense rivalry and of varying degrees of hot war. Their "historical dynamics," John Esposito comments, "... often found the two communities in competition, and locked at times in deadly combat, for power, land, and souls." Across the centuries the fortunes of the two religions have risen and fallen in a sequence of momentous surges, pauses, and countersurges.

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publicado às 14:43

Orçamento aprovado!

por Nuno Castelo-Branco, em 05.02.16

Apenas os cegos e os traidores - para não lhes chamar coisas piores - não vislumbram o que foi dado em troca de um provisório consentimento quanto à pequena mercearia de bairro que é o capítulo da economia e finanças portuguesas.

Costa foi a Berlim prestar a necessária e explicável vassalagem e foi dizendo estar disponível para aliviar a Sra. Merkel dos problemas por ela própria causados e exacerbados até ao paroxismo, ansiosa como estava por obter o Nobel da Paz. Não o conseguindo, abriu a caixinha daquilo que todos, mas todos há muito tempo estávamos certos de que sucederia.

Vêm aí um corpo expedicionário para "trabalhar nos campos" e "ocupar terras abandonadas". Isto sem sequer contarmos com os que virão para "estudar". Ficamos então avisados. O al Andalus não está assim tão longe, até porque, sejamos realistas, o número final poderá ser muito superior até para os mais loucos sonhos daqueles que se desvanecem em súbitos delíquios de amor pelo próximo

Podem chamar-me tudo o que entenderem, afinal de contas a esse tipo de delicadezas estou habituado desde que aqui sem vontade alguma desembarquei em 31 de Agosto de 1974. Bom proveito!

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publicado às 21:45

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Esta é para aqueles que me acusam de estar sempre a bater no (mesmo) velhinho. Já disse, e torno a dizê-lo, a ideologia e os partidos, pouco ou nada têm a ver com a minha suposta acutilância crítica. Quando se levanta a poeira em torno da nomeação de assessores para o primeiro-ministro, devemos fazer uma pausa, respirar fundo e olhar à nossa volta. António Costa pode ser amigo de ocasião de Marisa Matias e companheiro de pesca de Jerónimo de Sousa, mas sendo astuto e realista, sabe que as propostas peace and love dos parceiros do tempo novo não servem os tempos perigosos que atravessamos. A segurança interna e a defesa são dimensões que exigem cuidados acrescidos. O primeiro-ministro está certo, neste caso. Contudo, esta decisão não fará descarrilar a inevitabilidade da torrente de ameaças que pairam sobre as nossas sociedades. As nomeações em causa podem contribuir para uma outra dimensão pré-conceptual - a agilização e a partilha de informação entre os diferentes corpos e entidades em causa. Eu teria ido mais longe. Teria constituído um conselho de segurança interna para agrupar em torno da mesma mesa as chefias das diversas polícias e organismos com vocação securitária ou não (ASAE, SEF, Protecção Civil e Polícia Marítima, a título de exemplo). Mas sabemos que muitos destes organismos não se entendem - há colisão das respectivas hierarquias e excessivas lealdades políticas. Basta ser um cidadão comum para perceber que a Polícia Municipal e a PSP não se embrenham de um modo fluente e natural. O polícia municipal é excelente a guardar a betoneira da obra na via pública, mas não me parece que esteja atento à missão policial no seu sentido mais abrangente. Se o trânsito estiver emperrado, este nada faz - não é com ele (pediram-lhe para guardar a grua). Em suma, falta a Portugal, um país pequeno e de fácil interpretação logística, a plena integração de todas as forças, a consubtanciação da reciprocidade de objectivos e missões. Não sei se António Costa tem noção destas disparidades e separação de águas, mas o ambiente geopolítico e a probabilidade da ocorrência de eventos fora de caixa, obriga o governo a pensar holisticamente. Sim, eles andam aí. Alguns políticos e uma mão cheia de terroristas.

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publicado às 08:43

O que muita gente teima em não querer entender

por Samuel de Paiva Pires, em 19.11.15

Luís Menezes Leitão, Freedom is not free:

 

Hoje a França bombardeou territórios do Estado Islâmico, dando assim uma resposta militar ao que foi um verdadeiro acto de guerra contra civis inocentes. Essa resposta só faz, no entanto, sentido se for para preparar uma invasão terrestre. Por muito que evolua a tecnologia, uma guerra só se ganha colocando tropas no terreno e ocupando o território do inimigo.

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publicado às 20:10

Eagles of Death (metal) - Paris

por John Wolf, em 14.11.15

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publicado às 10:47

Mensagem de Paris

por John Wolf, em 12.01.15

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O mundo ocidental vive obcecado com a ideia do superlativo, da grandeza incomparável. A manifestação de ontem foi vendida como sendo a maior na história da humanidade desde que se conhece o terrorismo. A vigília de ontem, de acordo com jornalistas que não dormiam há mais 72 horas, serviria para acabar de vez com a profunda fractura que define a sociedade francesa. E vimos a proa do cordão político da Europa dar esse espectáculo - nada devemos, nada tememos. O problema que se apresenta aos orquestradores da ordem unionista europeia prende-se com a ideia de escala. A homenagem de ontem, apresentada como cartucho maior, será certamente relativizada nos tempos que correm. O problema que essencialmente enfrentamos relaciona-se com as mensagens que se pretendem transmitir, sem que se faça a devida pausa para interpretar os seus conteúdos, assim como o seu alcance. Não sabemos ao certo quem atirou a primeira caneta ou disparou o primeiro tiro. O que sabemos é que a comunicação será sempre assimétrica. Ou seja, teremos a impressão de que a última palavra será a nossa, quando de facto a mesma se encontra em parte incerta, nas trincheiras do inimigo, porventura. Mas insistimos. Antecipamos os movimentos dos outros por descrença nas nossas palavras e nas nossas acções. E é este o mundo dialético, imprevisível, em que vivemos. Quatro milhões de pessoas quiseram enviar um recado que corre o risco de não chegar ao destinatário em conformidade com a sua intenção. Da próxima vez que algo inédito acontecer que resposta será dada? Que mega-manifestação irá superar a anterior?

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publicado às 13:11

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Assim que Charlie Hebdo foi alvo do ataque terrorista, o chavão "liberdade de expressão" foi aclamado como salmo sagrado por um sem número de vozes que grita pelos direitos inalienáveis da prática jornalística. Desde esse momento, tenho vindo a pensar sobre o assunto e cheguei às seguintes conclusões; os meios de comunicação social e os jornalistas não são sacerdotes da independência de pensamento, e muito menos são donos da verdade. Os jornais, as revistas (mesmo as satíricas), as televisões, as rádios, assim como as editoras, pertencem todos a grupos económicos que por sua vez são controlados por governos. Deixemo-nos destas tretas, deste bullshit humanista com laivos de Esquerda esclarecida ou Direita carente, para enfrentarmos de frente os desafios que se nos apresentam. Não nos encontramos num mundo rasgado por linhas de precisão ideológica. Não. Vivemos num mundo de percepções fabricadas, alibis alimentados por agendas políticas, fundamentos resgatados de manuais com forte poder de doutrinação. A rápida ascensão de slogans, com intenso valor de mobilização, são a prova de que as nossas sociedades vivem sob os auspícios da vulnerabilidade da sua própria ignorância. Parece-me, que no contexto de falta de juízo individual, é mais fácil saltar para um comboio em andamento. O terrorismo, condenável sem resquícios de dúvida, está a servir para acomodar passageiros numa toada visceral, regrada pelas emoções e pela ausência de pensamento mais profundo. Temo que já tenhamos ido para além da estação de destino. Não me falem de liberdade de expressão assim sem mais nem menos. Falem de autorizações concedidas por conselhos de administração para publicar aquilo que convém a uns e menos a outros.

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publicado às 12:27

Charlie e a obrigação de informar

por John Wolf, em 09.01.15

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O massacre na redacção de Charlie Hebdo em França trouxe para a linha da frente a prerrogativa da liberdade de expressão, o direito que assiste indíviduos e organizações enquanto membros de pleno direito de Democracias. No entanto, há outras considerações operacionais que devem ser levadas em conta. Nesta fase de gestão da crise, a excessiva mediatização pode ser contraproducente. A cobertura em directo de emergências com estes contornos concede ainda mais tempo de antena, assim como informação logística importante, aos terroristas e seus seguidores. Ou seja, a obrigação de informar (outra conquista de regimes democráticos) é colocada ao serviço dos seus detractores. Existirá um limite para a informação que se deve partilhar com o público enquanto decorrem as operações? Poderão Democracias impôr uma censura parcial aos jornalistas no contexto da necessidade de preservar intactas algumas dimensões de salvaguarda da Segurança e Ordem internas? Os terroristas, seja qual for a sua base ideológica ou religiosa, dependem, em última instância, do efeito amplificador da sua acção, da "ajuda" dos meios de comunicação social. Não me parece líquido que o facto do público ser recipiente de um imenso manancial de informação possa ajudar à resolução da crise. Ou seja, mesmo em Democracias existirão momentos de reclusão. Assistimos, embora noutro espectro de análise, a uma modalidade de violação de segredo - policial, se quisermos. A assimetria na partilha de informação não é necessariamente negativa. Não confundamos liberdade de expressão com a obrigação de informar. Existe uma relação entre a ambas, mas para já, basta ligar a televisão e entrar no filme. E depois publicar umas considerações no Facebook.

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publicado às 10:42

My name is Hollande. François Hollande

por Manuel Sousa Dias, em 08.01.15

Busca porta-a-porta em Reims dos terroristas islâmicos sob a mira das câmaras dos media? Algo me diz que temos Hollande ao vivo e a cores a mostrar que é um homem de acção. Quem vai à caça com megafone? E o que é feito das operações de busca/captura sorrateiras, silenciosas, inesperadas, eficazes, letais?

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publicado às 00:01

Checkpoint Charlie

por John Wolf, em 07.01.15

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França está, como sempre esteve, obrigada a encontrar respostas para a profunda fractura que divide a sua sociedade. O termo malaise parece-me excessivamente leve e indolor para retratar a paisagem gaulesa. No seu discurso à nação, François Hollande refere as vítimas, o jornalismo e o valor iconográfico de Charlie Hebdo, mas omite as noções de facto, aquelas que consubstanciam este desenlace. O lugar (ou não) do Islamismo na sociedade francesa, e em resultado da concepção que se venha a eleger, a sua interpretação política e social, e a acção decorrente da mesma. Numa óptica civilizacional, desprovida de paixões ideológicas ou religiosas, o que sucedeu é uma mera amostra de um universo maior de eventos que decerto irão impactar outras nações europeias. Numa primeira leitura das palavras de Hollande sentimos o seu medo, a angústia por poder ser um péssimo analista do que enfrenta. O terrorismo que tocou à porta francesa vai gerar respostas morais de ordem diversa. Por um lado os hardliners do espectro político-partidário irão avançar com a intensificação de uma ideia de controlo estatutário, de cidadania autoritária, de Estado forte, e por outro lado, assistiremos a discursos integracionistas, versados na expressão discriminatória dos banlieu,  na opressão económica e social de onde saltaram alegadamente aqueles que perpetraram estes actos cobardes e vis. França, quer o assuma ou não, está sentada sobre uma bomba-relógio de proporções alarmantes. O país das liberdades fundadoras encontra-se numa valente encruzilhada, diante de uma equação difícil que exige uma resposta perfeitamente adequada. A liberdade de expressão, invocada a leste e oeste, foi apenas um veículo para outro género de bandeira. Para a clausura de espírito. Para as trevas que ensombram o nosso mundo.

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publicado às 19:26

Passadeira vermelha para o Eliseu

por Nuno Castelo-Branco, em 07.01.15

Estas imagens foram assumidamente censuradas pelo telejornal da SIC. Pelo contrário, a RTP muito bem assumiu a crueza do momento, para que não restem quaisquer dúvidas.

Não se trata de tecermos considerações a propósito do arrogante mau gosto afoita e insistentemente publicado pelo Charlie Hebdo, pois esse será um infalível argumento a utilizar pelos zelosos appeasers de serviço. É esta, a nada invejável função da gauche contemporizadora para com quem a conduz ao paredão. Isto é tão válido para a redacção do C.H., como para a do bem aceite e estimável Le Figaro, do Le Matin ou do Público, Diário de Notícias ou The Times.

 

Não foram os radicais, mas sim os invisíveis muçulmanos moderados, quem provavelmente acaba de estender o tapete vermelho que conduzirá Mme. Le Pen ao Eliseu. Ainda há poucos meses, a convocação de uma manifestação desses moderados diante da velha grande mesquita de Paris, traduziu-se em pouco mais de 150 indivíduos cuja média etária roçava os 65 anos. Sim, eram aqueles que no início da década de sessenta demandaram a França à procura de um futuro melhor. Isto quer dizer tudo, precisamente quando atendemos aos apelos histericamente lançados pelo "arco da governação" para uma separação de responsabilidades. Se uns agem em plena consciência do estado de guerra por eles declarada, outros encolhem-se com temor de represálias da vizinhança ou pior ainda, gostosamente saboreiam uma espécie de revanche por um passado histórico ainda recente e que ditou a todo o mundo o ocaso de uma fugaz civilização de pouco mais de uma meia dúzia de séculos. Aqui está o resultado da imposição da chamada laicidade como religião de Estado em França. O vazio criado é o alvo a ser preenchido por outros, apesar da patética evocação da "superioridade moral" hoje cantada em S. Bento por Telmo Correia. 

Minutos após a chacina, logo se aprestaram os habituais apaziguadores ao separar de águas turvas. Inútil, tarde demais. 

Se a vitória de Marinne Le Pen ainda não é uma certeza ou até uma probabilidade, já consiste numa séria  possibilidade, sobretudo tendo em conta o progressivo resvalar do eleitorado socialista - o mesmo se passou há perto de trinta anos com o comunista - para a votação na FN. No início do passado verão, foi o que se verificou nalguns municípios do norte do país. Se tal se verificar na presidência e numa leva de deputados no Palais Bourbon, a quem vão os appeasers apelar? A um golpe a desferir pelas forças armadas francesas? À NATO ou à ONU? Ou será que alguns acalentam a ideia de poder este país adoptar os esquemas dinâmicos muito habituais na sua antiga colónia da Argélia?

 

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publicado às 16:15

Para além da enorme mediatização das suas barbaridades, o grupo terrorista auto-denominado "Estado Islâmico" conseguiu difundir em todos os meios e com bastante sucesso a sua arguta e capciosa designação.

Os media falam diariamente das acções do Estado Islâmico. Os cidadãos do ocidente enojam-se e revoltam-se perante as barbaridades difundidas. O próprio Presidente Norte Americano adoptou a designação e publicamente declarou guerra contra o Estado Islâmico (surreal expressão na boca de um Prémio Nobel da Paz). 

Estado Islâmico? Primeiro, um Estado Islâmico seria, no significado verdadeiro da expressão, uma comunidade constituída por todos os que professam a religião de Maomet e não um pequeno grupo restrito de selvagens. Segundo, a religião de Maomet tem como valores a paz e a tolerância, nunca o terrorismo, sobre o qual já se demarcou inúmeras vezes através dos seus líderes religiosos. Não podem existir confusões entre um Estado Islâmico e um grupo de terroristas facínoras.

Numa Europa que se diz tão preocupada com a extrema-direita ou a xenófobia e, sobretudo, com a eventual confusão entre o que é a religião muçulmana e o terrorismo dos fundamentalistas, não é muito inteligente a forma como políticos e media se referem em relação à organização terrorista, o que resulta num enorme "sucesso de comunicação" da mesma. Aliás, se existe um consenso para não serem difundidas as imagens das decapitações outro consenso deveria existir quanto à designação a atribuir a esta organização.

Decapitações ou tortura são acções que não passam de ferramentas isntrumentais para os fundamentalistas islâmicos instalarem e gradualmente o ódio generalizado do ocidente em relação ao Islão. O seu último fim será uma guerra de mega proporções em que de um lado estão os vários países islâmicos e do outro os "infieis". E essa sim, será a derradeira vitória deste grupo terrorista.


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publicado às 15:40

Gott sei Dank

por Nuno Castelo-Branco, em 17.09.14

Aguardam-se medidas idênticas extensíveis a todos os países que integram a União Europeia. Senhor Passos Coelho, faça o favor de não se atrasar e limite-se a copiar aquilo que o nosso aliado Sr. Cameron há poucos dias anunciou. É urgente.

 

"A Alemanha é uma democracia bem fortalecida, e não há lugar aqui para uma organização terrorista que se opõe à ordem constitucional, assim como à noção de entendimento internacional"

 

"O EI é uma ameaça, também para a segurança pública da Alemanha"

 

"Com a medida, fica proibido ser membro do EI, recrutar combatentes ou fazer propaganda para o grupo em redes sociais ou manifestações. Também passa a ser vetado usar símbolos do EI e arrecadar fundos para os extremistas. Símbolos já disponibilizados na internet deverão ser apagados.

O sindicato alemão da polícia saudou a proibição. "Não é possível que partidários de um agrupamento terrorista bárbaro e desumano literalmente espalhem o ódio e cometam crimes sob sua bandeira em nosso país"

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publicado às 18:04

Califas, NATO e Remember the Maine

por Nuno Castelo-Branco, em 04.09.14

 

O anúncio da ordem de trabalhos da Cimeira da NATO, parece privilegiar os casos afegão e ucraniano, ambos passíveis de rápida secundarização quando comparados com o problema maior para o Ocidente, precisamente aquele que nos chega às portas de casa, no  Médio Oriente. Ontem foi a vez do regime de Putin ser directamente visado, enquanto a ameaça dirige-se também, via Zawahiri, à Índia. Provavelmente iludidos pelo inebriar da omnipresença na abertura dos noticiários, os radicais estão a erigir uma até agora imprevista coligação internacional que num ápice poderia congraçar potências desavindas. O inestimável serviço prestado ao Ocidente - para eles a Rússia também faz parte do inimigo -, é talvez fruto das grandes esperanças depositadas nos até agora  condescendentes sistemas jurídicos europeus, sempre lestos nas garantias conducentes ao laissez-faire e à impunidade de meliantes dos mais variados tipos.

Cameron disse algo que decerto será contestado nas instâncias que vigiam o Estado de Direito, como se este não se encontrasse em causa pela intervenção despudorada daqueles que nele se resguardam. O primeiro-ministro britânico deveria ser obrigatoriamente secundado por todos os seus pares da Aliança Atlântica, numa clara manifestação de solidariedade que sirva de mensagem enviada urbi et orbi. É mesmo este o dilema em que nos encontramos e que para Al Qaeda - o ""califado" não passa de um elo da mesma cadeia - consiste num trunfo que não hesita em manobrar a seu bel prazer. Conta para isso com os prestimosos serviços de uma boa parte da esquerda europeia ferozmente anti-ocidental, precisamente aquele pendor suicidário que encontra no Cavalo de Tróia o eterno exemplo por todos facilmente identificável. Embora seja este um tema passível de apressadas interpretações conducentes às ladainhas da discriminação, os dirigentes da subversão contam ainda com a chantagem emocional exercida sobre as comunidades formalmente muçulmanas existentes em numerosos países europeus. Num misto de despeito histórico pelos há séculos extintos fulgores de Bagdade e de Córdova, os rancores decorrentes do passado colonial e a progressiva ruptura das políticas de integração - aliás rejeitadas por amplos sectores daqueles que deveriam ser os principais interessados nas mesmas -, estas comunidades poderão a breve prazo assistir ao desencadear de um processo de intensa propaganda veiculada pelos radicais, na própria Europa designando um terreno arável pela jihad


Deveria ser este o assunto principal a tratar pelos parceiros da NATO, desde já aproveitando-se a oportunidade de estender o diálogo ao Kremlin, à Ucrânia e porque não?, aos agora directamente ameaçados indianos. Por muito pueris que possam parecer estas inciativas, não deixariam, contudo, de significar o início de algo que preencheria o vazio, ou pior ainda, o atoleiro em que o Ocidente se encontra.

 

O "outro lado" tem um longo historial de mentiras, abusos, negação ou incumprimento de tratados e reserva mental? É verdade, não se trata de uma suposição ou de mera propaganda alardeada pelo negregado imperialismo. No entanto, uma mais moderada recíprocidade existe, desde os tempos em que alegámos a existência de armas de destruição maciça - nunca encontradas, mas decerto transportadas para jamais vislumbradas grutas da Ali Babá -, até ao engenhoso encontrar de inimigos perversos pelos Pulitzer e Hearst do nosso mundo, os capazes de tudo para a obtenção não se sabe de qual fim.

A mensagem deve ser nítida, sem a menor possibilidade de duvidosas interpretações. Não poderá ficar a impressão de um mero regresso ao bandoleirismo internacional um dia enunciado por Theodore Roosevel: "dou as boas-vindas a qualquer guerra, porque acho que este país necessita de uma".

Não, desta vez não pode ser desta forma.

 

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publicado às 09:46






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