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Jerónimo tem a foice e o queijo na mão

por John Wolf, em 04.10.17

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Jerónimo de Sousa está com os azeites. Em 2015 tinham-lhe prometido uma bela colheita se alinhasse com os socialistas e levasse a reboque o Bloco de Esquerda (BE), mas parece que lhe passaram a perna. O Partido Socialista conseguiu enganar os comunistas nas autárquicas e convencer uma mão cheia de marxistas a despir esse macacão. Falam de sedição e traição da Catalunha, mas a Coligação Democrática Unitária (CDU) não é uma região autónoma, reside no cerne da Geringonça e agora vem com a conversa do homem da luta, da insurreição de rua, do protesto pela reposição de rendimentos. Ou seja, é a própria Geringonça que se morde. O Rei Marcelo, que tem emissões a toda a hora, não imitou o monarca espanhol com a vã intenção de acalmar os ânimos. Há dias, de Belém, havia falado na necessidade de garantir o equilíbrio funcional da acção governativa. Embora os comunistas tenham levado uma ripada valente nas eleições autáraquicas e um desbaste decano de câmaras, no meu entender, são mais poderosos do que nunca. A receita original da Geringonça foi adulterada por António Costa, mas quem tem a foice e o queijo na mão é Jerónimo de Sousa. A laia de sugestão, de quem já não quer a coisa, e por entre as linhas, o chefe da festa do Avante vai emprestando a bons ouvidos os tons de meia-dose de ameaça. Diz, nesse código de luta sindical, que se esticarem o cordel, o homem puxa a alcatifa à Geringonça e entorna o caldo. O BE, coitadito, já não é a coqueluche querida dos anseios pseudo-iluminados da Esquerda - também lhes foram aos fagotes nas câmaras - zero. Resumindo e concluindo, enquanto Santana vai ou Montenegro vem, o Partido Social Democrata (PSD) que se apronte convenientemente. O saldo eleitoral não lhes é de todo desfavorável. A mudança de líder e de óleo podem ser feitas na mesma revisão. O motor da Geringonça parece ter uma junta problemática e deixa escorrer vestígios de crise antecipada. As autárquicas não merecem apenas uma leitura nacional. Exigem uma leitura racional. Agarrem Jerónimo, senão ele parte a loiça toda.

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publicado às 16:43

Haw! Haw! Haw! Haw!

por Nuno Castelo-Branco, em 16.01.14

 

Anda por aí meio regime aflito com um processo que corre no tribunal. Refere-se às actividades de Manuel Alegre durante a guerra que Portugal enfrentou entre 1961 e 1974. Numa época de alteração de conceitos, o dito por não dito tornou-se regra, mas há então que passarmos uma vista de olhos naquilo que os dicionários ainda ousam informar:

Traição, s. f. Acto ou efeito de trair.|| Quebra da fidelidade prometida ou empenhada. || Infidelidade no amor. || Emboscada; surpresa inesperada. || Pl. Ajuda de trabalhadores campestres, feita à revelia do amigo ou vizinho ajudado, que termina com um pagode, forma festiva de agradecimento, tocata com dança e canto. || À traição, traiçoeiramente; aleivosamente. 

 

Está assim tudo explicado, felizmente existindo várias interpretações possíveis.

 

Para a acusação, deverá o tribunal atender àquilo que o dicionário diz quanto ao acto ou efeito, a isto podendo o advogado de ataque acrescentar a embocada, a surpresa inesperada. Em resposta e dada as habilidades artísticas do visado, a defesa deverá remeter-se à desinteressada e generosa ajuda aos tais trabalhadores campestres - provenientes da Guiné-Conakri, Senegal, Tanzânia, Zâmbia e Congo - e que uns anos mais tarde em Portugal terminaria num pagode, essa forma festiva de divertimento e de agradecimento por abnegados actos, com tocatas de trovas do tempo que passa, dança com flores de verde pinho e canto à guitarrada. Quanto às charutadas, convém não mencioná-las. 

 

Desde que o juíz não se lembre do video que aqui deixamos, tudo correrá nos conformes. Afinal de contas, quem era o tal William Joyce da Rádio Berlim, esse posto tão longe de Argel?

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publicado às 13:03

A verdade feliciana

por João Pinto Bastos, em 04.12.13

Alguns chegam, outros abalam. A política, no que tem de mais entranhadamente firme, é um lugar onde não há o menor espaço para grandes e frutuosas amizades. Não é que eu advogue, note-se bem, um qualquer maquiavelismo de trazer por casa, até porque o sábio florentino, não obstante as imensas tergiversações feitas ao longo dos anos a respeito da sua obra, era um tipo que conhecia como poucos a natureza intrinsecamente dúctil do ser humano. Mas a verdade é que quase todos os dias somos assoberbados com exemplos práticos do carácter, ou da falta dele, na política. Vejam este pequeníssimo exemplo. Para quem não sabe, Feliciano Barreiras Duarte foi um dos políticos profissionais a quem foi aberta, há meses, a porta de saída aquando da última remodelação governamental. Saiu, e, ao que parece, saiu mal. Saiu de tal forma que, passados poucos meses, resolveu investir a sua parca verve contra o actual secretário de Estado, que ocupa, curiosamente, as mesmas funções outrora ocupadas pelo ilustríssimo Feliciano. A investida termina com uma pergunta mui afectuosa, nomeadamente, um "afinal ele faz o quê"? Acredito, com toda a franqueza, que a questão em si tenha toda a pertinência deste mundo e do outro, mas, o novel articulista do I olvidou-se - porque será? - de fazer a pergunta em questão a si próprio. Afinal de contas, o que fez Feliciano Barreiras Duarte ao longo da sua estada no Governo? Que obra e que marcos legou aos doces papalvos portugueses? Bem se vê que nada, um enorme e rotundo nada. É por isso que, por mais que o tempo passe, Maquiavel terá sempre razão. A política não é para meninos, nem, muito menos, para amigos de longa data. A vingança serve-se sempre fria, nem que seja numa pobre folha de jornal.

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publicado às 22:16






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